Broken
9 And Sometimes, All You Need Is One
Notas iniciais
-Aurora&Mulan vai ser mais para ajudar SwanQueen a sair desse armário (como eu já havia dito).
-Cora está agindo de vagar e bem calculado, por isso as poucas cenas dela.
-Tenho o próximo capítulo já escrito.
* * *
Mulan sentia-se com um extraterrestre dentro daquele carro, enquanto Aurora encarava aquilo como uma nova aventura. Gold havia voltado em seu carro, mais uma vez sozinho, para a loja. Ruby se encarregou de levar Henry e as duas forasteiras em seu carro.
–Pare! Pare com essa coisa! –Ordenava Mulan, segurando-se no banco. Tudo era novo para ela. Ruby não pôde deixar de rir.
–Essa coisa é segura, confie em mim. –Sibilou Ruby, com um sorriso tranquilo no rosto. Aurora tocou o ombro da caçadora, como quem confirmasse aquilo dito pela motorista. Então, Mulan permaneceu calada no banco da frente, enquanto Aurora e Henry conversavam alegremente.
Ao chegar à loja, Mary Margaret, David e Gold –que já havia chegado- estavam a sua espera, com sorrisos afetuosos e abraços calorosos. Mary Margaret — Snow White-, que já conhecia as mulheres, as recebeu com imensa afetuosidade. Isso fazia com que Mulan confiasse naquele lugar aos poucos. Elas; Snow, Aurora, Mulan e Ruby conversavam sobre a Terra Encantada quando Henry finalmente disse:
–Onde está Emma e minha mãe? –Perguntou o menino, procurando pelas duas. De repente, o rosto de Mary Margaret tomou um ar de tristeza, logo Ruby percebeu.
No entanto, antes que Snow pudesse explicar ou sequer dizer algo, Emma apareceu em meio à porta, que dava para os fundos da loja. Seu rosto estava molhado e seus olhos inchados e em um tom avermelhado. O menino correu para abraça-la, afinal, tudo estava bem agora. Não haveria Cora, e então, Regina e Emma poderia tornar-se sua família de uma vez por todas. Mal sabia ele o quão enganado estava. Swan se agachou para que ficasse na mesma altura, ela limpou seus olhos e suspirou fundo antes de começar.
–Onde está minha mãe? –Perguntou Henry, dessa vez, preocupado. Percebeu que algo estava errado. Emma engoliu seca e forçou um sorriso tranquilizador. Mas de nada adiantou.
–Sua mãe não vai poder falar com você agora, mas não demora até ela poder. –Disse Emma, de modo suave, porém, sua voz quase não saía. Mas Henry não acreditou, ele podia ver que Emma escondia algo. Então, ele correu para dentro dos fundos da loja, passando por Emma. –Henry! –Ela tentou alcança-lo e impedi-lo de ver Regina deitada. Ruby os seguiu para garantir que ninguém mais entrasse lá, mesmo ela não sabendo o que realmente tinha ali, precisava ajudar a amiga fragilizada. Não tinha muito que pensar, Ruby sabia dos sentimentos da loira pela mãe de Henry e a única razão para vê-la de tal modo só podia se originar de Regina.
–O... O que aconteceu? –A voz assustada de Henry falhou ao sair. Emma o abraçou, para impedi-lo de se aproximar de Regina. Ele não precisava estar passando por aquilo. Rapidamente, a loira fez com que a criança se virasse para ela e ficasse de costas para o corpo adormecido de Regina Mills. Agora, ela teria de explicar. Os olhos arregalados e assustados de Henry eram de partir o coração.
–Henry, sua mãe está apenas-.
–Ela foi amaldiçoada? –Perguntou o menino, atropelando a explicação –ou a tentativa de uma- de Emma.
–Sim, — Confirmou. –Mas ela já, já está aqui conosco. –Emma tentou parecer confiante. –Você sabe como sua mãe é poderosa! –Uma tentativa de sorriso esboçou os lábios trêmulos de Emma. Henry também sorriu, como se aquilo fosse algum tipo de piada interna. Contente com seu sucesso por fazer a criança sorrir, Emma se levantou e estava prestes a voltar para a sala com o restante das pessoas que o esperavam quando Henry pulou, com seus olhos arregalados e um sorriso esperançoso.
–O beijo! –Exclamou Henry, puxando a manga da jaqueta de couro vermelha de Emma. –Beijo de Amor verdadeiro é capaz de quebrar qualquer maldição! –Recitou ele. Emma sorriu como quem achasse admirável, mas não o levou a sério. –É sério!
–Henry, o beijo só funciona com seus personagens. –Argumentou Emma. Ruby a fitava, tentando acompanha-los. O fato era que Emma não sabia se o beijo funciona ou deixa de funcionar com personagens ou não, o que era do conhecimento de Emma era que o Amor Verdadeiro é uma virtude que só os personagens poderiam desfrutar. Emma Swan não era uma personagem de qualquer livro, era apenas a filha de uma delas. E além do mais, nem sabia se Regina, de fato, a amava. Quanto mais se era o famoso Amor Verdadeiro.
–Se fosse assim, como foi que eu acordei naquele dia no hospital? –Contra argumentou, o menino. Henry era mesmo muito esperto. Mesmo depois de tudo Emma ainda o tratava como uma criança ingênua, ela o tratava como seu filho.
–Henry, sua mãe irá acordar daqui a pouco e nós estaremos aqui, certo? –Disse Emma, pela primeira vez com um tom protetor de mãe. O menino bufou frustrado e consentiu com a ordem dada pela loira.
–Tem certeza disso? –Perguntou o menino, com um tom choroso. Um sorriso esperançoso brotou em seus lábios.
–Eu confio em Regina. –Dizia. –Tenho certeza que ela irá conseguir. –Mentiu Emma.
* * *
Regina se sentou no quadrado de azulejos, cruzando as pernas. Iria tentar mais uma vez. Ela fechou seus punhos e visualizou para onde ela queria se transportar. E então, fechou os olhos desejando com o fundo de seu ser que ela acordasse. O calor a estava matando. A saudade a consumia. A dor a engolia. Calor –além do quarto em si- da raiva que guardava em seu peito, saudade de seu filho e sua amada, dor da ideia de perdê-los para sempre. Regina abriu os olhos, com a mais ingênua esperança de ter sido bem sucedida em sua mágica. Mas só o que via era uma quantidade absurda e irritante de fogo. A mulher gritou de frustração, queria destruir aquele lugar de uma vez só, queria que aquilo acabasse. Pensou até do que aconteceria se ela adentrasse o fogo, mas logo se repreendeu. Não poderia pensar em morrer, não iria se permitir se tão egoísta desse modo. Henry precisava dela, Emma precisava dela. Ou talvez fosse Regina que mais precisasse deles. Eles eram sua esperança, não poderia se permitir morrer de forma tão patética como em sua própria maldição.
De repente, Regina olhou em volta, o fogo estava aumentando como a maré de um mar sobe e desce. Entretanto, era muito mais perigoso. Aquilo poderia ser um sonho, mas a dor seria real. Regina seria incendiada viva, sem poder escapar e sem poder desistir. Ela se levantou, consumida pelo desespero. Para ela, não deveria fazer muito mais de uma hora que estava ali, mas tinha certeza que o tempo ali não andava conforme era no mundo real. Ou se naquele lugar sequer houvesse tempo. Novamente, Regina pulou ao se assustar com a Chama Central, que era a responsável pela forte de calor e chama do quarto. O pensamento de destruí-la nem ousou se passar pela cabeça de Regina, era inútil. Se ela não tinha força suficiente para um simples feitiço de transportação não teria para algo como isso. Mas a Chama Central, em si, não foi o que assustou Regina. Em fez da luz azul, laranja e enfim vermelha do fogo, estava rosto de Sidney estampado nas ondas de calor.
“O que diabos você está fazendo aqui agora?” Exclamou Regina, farta de ver o rosto daquele homem.
“Ora ora, Majestade, achou que usando de seus poderes se livraria de mim, quiçá, Cora?” Recitou Sidney. Regina relaxou os ombros, havia desacostumado com a voz irritante daquele homem.
“Do que está falando dessa vez?” Regina perguntou, casualmente, retomando seu tom superior. Ela se virou de costas para o rosto de Sidney enquanto tentava realizar feitiços, qualquer um que pudesse ajuda-la a sair daqui.
“Confiou tanto em teus poderes que mal poderás cumprir seus afazeres.” Dizia Sidney. Então, Regina começou a entender.
“Eu cumpri, Aurora vai fazer o que eu mandei” Assegurou. Mas Sidney não lhe deu crédito, apenas fitou-a duvidoso.
“Seja o que for. Não irás sair daqui sem o beijo de seu verdadeiro amor” Sibilou Sidney. Regina riu sarcástica e se virou para o homem refletido, dessa vez, na chama.
“Daniel morreu, seu imprestável. Eu vou sair daqui e não vou precisar de ajuda de ninguém.” Regina garantiu. De novo, sem crédito. Sidney entortou a cabeça como quem julgasse um candidato. Um sorriso, se Regina não o conhecesse bem poderia dizer estar satisfeito com o sofrimento da mulher, brotou em sua boca.
“Achas tu que livre está? Achas tu que não há nada a se esperar? De fato pensei que Vossa Majestade fosse mais esperta, mas contempla a tudo de boca aberta.” Falava Sidney. “Sair daqui por contra própria não há maneira! Se esperas tu isso, terás morte certeira” Regina ouvia a cada palavra com imensa atenção. Um tanto da verdade caiu sobre seus braços: Sidney, o homem que ela manipulara para conseguir a morte do Rei não estava realmente em seu sonho. Só quem poderia partilhar daquilo com Regina seria alguém que também fosse vítima da maldição. E o espelho não era. Isso só poderia significar uma, e somente uma coisa. Aquela imagem representava o subconsciente da Prefeita. Toda informação que “ele” lhe passava era tudo que Regina já sabia, mas que ocultava de si mesma. Por isso seu ódio pelo espelho – além de Regina guardar um real desprezo pelo homem-. Regina odiava a si mesma, Regina se arrependia de toda a miséria e dor que havia causado e aquela imagem era um híbrido de seu desprezo com sua sabedoria. Tudo que Sidney falara era nada mais do que Regina sabia. Sabendo disso, então, Regina passou a ouvi-lo. Ou de certo modo, ouvir-se.
“Por que você está aqui?” Arriscou Regina ao perguntar. “Você faz parte da etapa que eu pulei.” Dizia a si mesma. “Com mágica”.
“Simples: Vossa Majestade, nunca saíra.”
* * *
O navio foi obrigado a parar por seu comandante. Ele se encontrava invisível graças à magia de sua companheira de viagem. Cora e Gancho estavam em Storybrook, finalmente. Tudo aquilo que fizeram a luta, o portal, não passava de uma farsa. Cora sempre soube como chegar à Storybrook. Cora só precisava manipular as princesas para que trabalhassem a seu favor. Ela queria fazer uma surpresa a sua querida filha, então usou Aurora e Mulan como entrada, para que ela fosse atração principal. Gancho roubou o feijão de Mulan, mas não usou este para abrir o portal no lago, pois eles tinham posse de um segundo feijão encontrado por Gancho em sua viagem à Neverland.
–E então? –Disse Gancho casualmente, enquanto jogava a âncora de seu navio em meio à água. –O que iremos fazer?
–Esperar. –Respondeu Cora, seca.
–Esperar? –Repetiu Gancho. –Eu esperei por vinte e oito anos! Mereço minha vingança! –Gritava Gancho, sem outro argumento. Cora balançou sua mão como quem disse que já havia escutado aquela conversa.
–Eu preciso de Regina. –Informou a mulher. –Precisamos dela para ter sua vingança, e a minha. – Acrescentou. –Mas para isso, é preciso tê-la fragilizada... Quebrada. –Um sorriso maníaco assombrou o rosto da mulher. Se Gold não conhecesse a história de ambas, nunca sugeriria que fossem mãe e filha.
Cora voltou para dentro do navio, em uma espécie de sala que estava lá, somente para ela. Assim que entrou e trancou a porta atrás de si, Cora movimentou as mãos fazendo surgir uma névoa roxa, tão negra quanto própria escuridão, e em meio à névoa uma imagem. O semblante de Regina adormecida, com sua pele e lábios pálidos e frios. Por um minuto, Cora pensou estar morta, mas então, compreendeu. Regina fora amaldiçoada. Não pôde conter um sorriso de satisfação. Não era possível ver o que se passava na mente de sua filha, mas a simples imaginação de Cora tornava seu desejo por vingança quase saciado. Quase. O que Regina fez a ela merecia muito mais do que apenas ser amaldiçoada pela própria maldição. Merecia mais do que uma risada sarcástica do destino. Merecia mais dor e sofrimento. Merecia o que Cora sentiu durante sua, se é que é possível dizer, estadia em Wonderland.
De repente, na imagem, apareceu outra mulher, possuía cabelos tão loiros quanto o sol. Cora já iria quebrar a conexão quando percebeu algo que lhe enojou até sua alma. Os olhos verde-esmeralda da loira brilhavam em direção a sua filha adormecida em meio à cama. Seus olhos verde-esmeralda tinham um tom avermelhado, impossível de encobrir seu choro. Aquele olhar, Cora conhecia e desprezava mais do que qualquer um. Aquela magia sedutora e pateticamente poderosa. O amor verdadeiro. E a julgar por sua filha amaldiçoada, Cora não precisou de mais tempo até que tudo se encaixasse. O sentimento era recíproco.
* * *
Emma adentrou o exterior da loja, voltando à companhia de seus pais e de suas amigas; Aurora e Mulan. Entretanto, a loira não tinha conhecimento de quem eram as mulheres, apenas sabia que elas tinham da Terra Encantada, e que por isso Mary Margaret –Snow White- a conhecia. Sua cabeça não estava ali naquela sala, ela não podia fingir que estava. Emma não parava de pensar, de se preocupar em como Regina estaria. Afinal, ela sabia o que aquele lugar poderia fazer, tendo duas vezes machucado Henry. Ela aguardou em silêncio, até que fosse devidamente apresentada.
–Emma, está é Mulan. –Dizia Snow White, com imensa alegria. Era impressionante como ninguém, além dela mesma e Henry, se importava com o fato de Regina estar submetida aquele mundo. Emma forçou um sorriso, e a cumprimentou. –E esta é Aurora, você deve conhecê-la como Bela Adormecida.
–Bela Adormecida? Sério? –Emma abafou uma risada. Aurora sorriu um pouco confusa, não sabendo sobre sua famosa história no mundo real. Emma também não se deu ao trabalho de explicar. Como de costume, Swan era lenta. Deve que ver Henry conversar com Aurora, como se já se conhecessem, para juntar as peças. –ESPERE! –Gritou, provocando susto em todos na sala. –Você é Aurora? Bela Adormecida? V-Você...
–S-sim? –Aurora resmungou. Snow a olhava, tão confusa quanto Princesa.
–Você não deveria estar lá naquele mundo? Sonho? Ou sei lá que merda era aquela? –O tom de Emma aumentava à medida que seu desespero e medo a consumia. Aurora assentiu.
–Eu recebi suas recomendações, de fato. –Sua voz calma fazia parecer uma jovem britânica. -Mas...
–Se você não está lá... Deus. –Emma se levantou da cadeira, cobrindo o rosto com as mãos. Mary Margaret tentou abraça-la ou dizer qualquer coisa que a fizesse se sentir melhor. Mas a verdade era que com Regina adormecida, Snow poderia viver em paz. Sabendo que sua filha estaria a salvo e sua família em si. Snow White era acostumada em estar certa e agir em prol da felicidade de todos, mas acabava misturando a felicidade de todos com a sua e única. De fato, ela nunca agiu de má fé, mas era sufocada pela essência obrigatória de um Herói. Quando Snow White impediu Emma de contar a David sobre ela e Regina, quando Snow White contou a Cora sobre o amor de Regina – Daniel-, quando Snow White insistira ao seu pai para que ele pedisse Regina em casamento, quando tudo isso aconteceu, Snow White estava pensando apenas em si mesma, e isso era o que todos os contos de fadas, e histórias infantis escondiam nos heróis: Suas partes obscuras, suas partes egoístas, suas partes humanas.
* * *
“Eu não compreendo” Regina choramingava. “Eu saí!”. O espelho a observava com pena nos olhos, o sentimento que Regina mais detestava com todo seu ser. Ele sacudiu a cabeça, negando. O balançar da chama fazia com que o rosto do homem se ondulasse como ondas, em um mar incendiado.
“Minha querida, queres tu a verdade ou uma palavra amiga?” Regina negou, limpando suas lágrimas e exigindo a si mesma que fosse forte. “O fato é: querendo ou não, Vossa Majestade não é qualquer. Se quisestes descobrir bastava perguntar, mas deixas teu orgulho te impedir sem sequer lutar” Regina o acompanhava, como se fosse um jogo de xadrez. “Tudo que viu e tudo que passou, não foi por motivo aleatório. Por tudo que fez, por tudo que causou: Tu conheceste teus momentos de lucidez e percebeste o que mudou” Recitava Sidney. “Oh, Vossa Majestade, poderias lhe dizer que sua passada por esse mundo foi tão ansiada, mas foras tu quem preparou tua própria chegada. Ninguém passara pelos quadros que tu passaste, pois todos que aqui vieram, tinham uma alma intocada e uma promessa de resgate. Oh, Vossa Majestade, tu foras a única a superestimar tua própria sabedoria e como castigo sofre essa intensa agonia.” Sua voz rouca falhava em tons mais graves. “Tua alma foi corrompida, porém, tu foras salva antes de ser completamente destruída.”
Regina compreendia e se permitia absorver cada palavra dita pelo espelho. Não podia tirar sua razão. A cada palavra dita por ele, ou por si mesma era a nua verdade.
“Apesar de tudo, tua única esperança não se fora. Nunca se esqueça de que tu pertences à Salvadora” Sidney finalmente disse. “Para sair, teve parar de se opor e só então conseguirá sentir o poder do verdadeiro amor”.
Tudo fazia sentido. E agora, Regina estava desaparecendo lentamente. Regina estava acordando.
* * *
Emma não estava conseguindo mais fingir que não se importava com Regina, que não queria tê-las aos seus braços, que não ansiava por sua chegada, que não a amava. Emma não queria mais participar daquilo se não tivesse Regina para lhe chamar de Srta. Swan quando precisasse ficar só. Emma sentia falta dela, se suas brigas, de seus beijos, de seu corpo junto ao dela. Emma não podia mais viver sem Regina. Melhor dizendo, Emma não queria mais viver sem Regina.
–Eu não vou ficar aqui sem fazer nada! –Dizia Emma. –Não vou permitir isso!
–Regina aceitou fazer aquilo sabendo das consequências, Srta. Swan. –Explicou Gold, com certa indiferença. Snow e Charming observavam a tudo calados. Emma não conseguia mais.
–Será que vocês não percebem? –Dizia Emma, indiretamente a seus pais. –Eu não compreendo, Regina mudou -.
–Pessoas não mudam Srta. Swan, — Gold ponderou. Mas Emma não se importava com qualquer palavra dita pelo homem.
–É doentio vocês permitirem algo como isso, Regina está... –De repente Emma se interrompeu. Quase morta. Ela iria dizer, mas não poderia, não com seu filho ali. Também não poderia, pois somente a ideia era enlouquecedora. –Você pode fazer alguma coisa. –Afirmou Emma. –Você não se diz poderoso? Porque não o usa para algo que realmente importe? –O desespero de sua voz era assustador.
–Algo importante? Sua felicidade? –O homem riu, desenterrando antigas lembranças de quando era Rumpelstiltskin. –Por que isso seria algo importante para mim? –O sarcasmo na voz do homem era irritantemente visível. –Aliás, você possui magia, ou se esqueceu? E mais: Você sabe o que fazer.
Então, a realidade a atingiu. Ela sabia exatamente o que fazer. Gold tinha razão. E mais importante: Henry tinha razão. Em seu peito um ultimo raio de esperança brilhava e aquecia seu corpo, Emma podia jurar que vira seu anel –aquele dado por Regina- estava brilhando. E ela desejava, do âmago de seu ser, que isso fosse algo bom. Que trouxesse Regina de volta.
A loira, então, correu até os fundos da loja quase sendo atropelada pela própria euforia. Curiosos e preocupados, o restante a seguiu. Emma parou centímetros longe da mulher adormecida. E se Emma não fosse o verdadeiro amor de Regina? E se Regina não acordasse com seu beijo, pois seu coração sempre pertenceu, e sempre pertencerá ao cavalariço? Emma tinha medo, mas não tinha tempo dar atenção a ele. Emma se sentou na cama e, sem hesitar, selou os lábios pálidos de Regina. Por longos segundos Emma permaneceu ali, desejando, mais do que em qualquer momento de sua vida, que nunca mais ficasse sozinha, desejando ser capaz de salvar Regina da escuridão, desejando ser sua luz, seu motivo para sorrir. Emma desejava seu amor verdadeiro como nunca desejou em todos seus vinte e oito anos de vida.
De repente, Regina abriu os olhos.
* * *
Tudo estava clareando novamente, Regina receava ser mais um dos truques daquele mundo. Mas quando viu o rosto tão perto do seu, tocando-a, beijando-a. Regina sentiu uma conexão além de seus conhecimentos sobre magia. Regina pôde ter acesso às lembranças mais afetuosas de Emma Swan, assim como esta pôde ter acesso às memórias mais profundas de Regina Mills.
Tudo se passava como um flashback, Regina podia ver um rapaz e um fusca e várias cenas com o mesmo rapaz. Podia ver também o rosto jovem de Emma, parecia ter dezessete ou dezoito anos. E então a imagem mudou, para o nascimento de Henry, e então para o dia em que Emma chegava à cidade. Regina pode rever as brigas das duas durante quase um ano, quando Emma cortou sua macieira, quando Henry ficou preso na mina e Regina teve de confiar na loira. Ao mesmo tempo, Emma teve acesso às lembranças das caminhadas de Regina com Daniel, e os abraços do seu pai, Henry Mills, e apenas boas lembranças que Regina guardava e as mesmas lembranças das brigas das duas.
Finalmente, Emma abriu os olhos se deparando com os olhos cor de chocolate da Prefeita. A sensação magnífica de felicidade ardia em seu peito de tal modo, que a morena se permitiu deliciar-se com ela. Impulsivamente, Regina abraçou o pescoço de Emma e a mesma abraçou sua cintura.
–Eu quase te matei, sua suicida! –Sussurrava Emma, com o rosto escondido no ombro da morena.
–S-S-Será que alguém vai poder me explicar isso? –A frase quase não saiu, David parecia entorpecido pela cena. Era informação demais. Ele não respondeu. –Será que alguém pode ME EXPLICAR ISSO?
Emma estava disposta a discutir com seu pai, estava mesmo. Mas foi impedida Regina e por Snow White. Situação peculiar, não? David foi embora consumido pela raiva e Snow a seguiu. Poderia até parecer egoísta, mas Regina e Emma não se importavam. Assim que eles a deixaram a sós, os três: Emma, Henry e Regina, eles puderam se sentir como uma família.
–Por favor, vamos embora, não aguento mais olhar para esse lugar! –Bufou Regina, escondendo um sorriso.
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