Broken
10 She is Trying To Change
Notas iniciais
Um capítulo pra comemorar essa foto: http://sphotos-a.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash3/531036_421272624626803_1457346107_n.jpg
Porque é disso que os sonhos são feitos: SWANQUEEN!
-Baseado, pouco mais ainda sim, no episódio 10 da Segunda temporada.
-Boa leitura, dearings!
* * *
Na mansão dos Mills, o sofá da sala principal era preenchido por Emma, Henry e Regina. E como toda noite de domingo fazia bastante frio, afinal, era o norte. Todos usavam seus respectivos pijamas e estavam envolvidos por uma colcha que cobria os três perfeitamente. Há minutos, a Prefeita e a Xerife discutiam sobre qual filme ou documentário eles iriam ver.
–Wild Life! –Repetiu Regina, revirando os olhos.
–É um documentário e é chato. –Protestou Emma, sua voz aguda soava tão infantil quando sua teimosia. –Que tal um pouco de ação? –Sugeriu a loira, com um sorriso brincalhão para o menino.
–Seus filmes são muito violentos! –Contra argumentou Regina, Emma a olhou com um sorriso sarcástico. Enquanto as duas alimentavam uma discussão agradável e, engraçada de certo modo, Henry olhava para frente, apenas ouvindo as vozes de suas mães com um enorme sorriso que ocupava todo seu rosto. O menino não podia estar mais feliz. Suas mães ali, ao seu lado. Ele sabia que, agora, eles podiam ser uma família. Eles poderiam sair de casa para almoçar no Granny’s sem se preocupar se alguém as veria juntas ou não, porque agora todos sabiam sobre o amor que unia as duas mulheres, tão diferentes, mas que compartilhavam passados e desejos comuns. Nada poderia impedi-las de serem felizes, afinal, tinham tudo que sempre desejaram: Uma família. De fato, Regina não encarava a situação como uma família, mas sabia, no fundo de seu âmago, o que realmente estava acontecendo ali. Todas as brigas, todos os beijos. Regina não ia se entregar tão fácil, Emma sabia disso. Mas ela iria lutar, iria insistir só para ver nos olhos cor de chocolate de Regina aquilo que a esta não poderia dizer. Aquilo ela sente e persiste em esconder. Emma amava Regina. E Regina amava Emma. Não havia nada mais que provar ou ocultar uma à outra. Elas estavam felizes.
–Claro! Porque Wild Life é um clássico da Disney! –Provocou Emma. Regina revirou os olhos, escondendo um sorriso. Emma se virou para Henry, com um sorriso travesso estampado em seu rosto.
–Eu acho que alguém quer um filme do estilo da Swan aqui, — Sibilou Emma segurando a cintura do menino e movendo seus dedos na mesma, fazendo Henry gargalhar alto. A risada do menino fez com que Regina não conseguisse esconder uma empolgante risada.
Emma jogava baixo. Acabou convencendo o menino de que o filme, sugerido por ela, seria a melhor opção. Afinal, era isso ou mais cócegas. Então, com um grande bote com pipoca e refrigerante Emma pôs o filme. Regina teve de aturar aquela ação com as crianças, que era sua companhia. A loira mais infantil que o próprio filho delas. Regina se surpreendeu a se ver pensando dessa forma. “Nosso filho”. Se fosse há tempos atrás, Regina nunca aceitaria a sequer ideia de compartilhar a presença de seu filho com aquela mulher. Mas há tempos atrás, Regina não se via apaixonada por esta, que agora ocupava seus pensamentos e suspiros a cada minuto de seus dias. Longos e cansativos minutos se passaram até que o filme finalmente acabasse. Mas Henry não havia visto por muito tempo, pois adormeceu no colo da mãe em menos de meia hora de filme. Não era de se admirar, já havia passado da hora que costumava dormir. Regina desligou a TV e levou a louça suja para a cozinha, Emma deixou Henry deitado no sofá e acompanhou a Prefeita.
–Obrigada por suportar o filme até o final, — Agradeceu Emma, com um sorriso afetuoso para a mulher. Regina riu, com sarcasmo.
–O que eu posso fazer? Henry quis. –Disse Regina, usando seu tom superior, como quando se referia à Emma como Srta. Swan. Já isso, não havia mudado. Novos tempos, velhos hábitos.
Emma andou até Regina com um sorriso provocativo estampado em seu rosto. Ela se aproximou de tal forma, que seus narizes se tocavam. O peito de Regina mal podia conter sua felicidade e excitação. Ter Henry e Emma fazia tudo parecer um sonho.
–Henry, é? –Sussurrou Emma, levando a ponta de seu dedo até o queixo de Regina. A prefeita gemeu baixinho, sentindo todo o calor de seu corpo aumentar à medida que o espaço entre as mulheres se tornava nulo.
–Obviamente, Srta. Swan. –Sussurrou Regina, tocando a nuca de Emma, fazendo com que seus rostos se tocassem.
Podia sentir o hálito de hortelã da loira, assim como esta podia sentir o hálito de maçã da Prefeita. Regina se aproximou, ameaçando tocar os lábios macios da loira. Emma chegou a fechar os olhos, mas este nunca veio. Ao contrário disso, Regina a empurrou suavemente tocando sua barriga defina e saiu da cozinha, deixando Emma a mercê de seu intenso desejo. A loira sorriu derrotada. Ela voltou à sala, seguindo Regina.
–Deixe que eu o leve. -Disse Emma, agora em um tom mais gentil.
Ela segurou a criança no colo, de modo que sua cabeça se apoiasse no ombro da Xerife e então, Regina a seguiu, subindo as escadas e adentrando o quarto de Henry. Assim que o cobriu com a colcha, Emma se virou para a porta deparando-se com Regina. A morena contemplava a cena com um ar de admiração. Não poderia ser diferente. Emma sorriu como quem conseguisse ler exatamente o que a morena estava pensando.
–Pronto. –Sussurrou Emma, fechando a porta do quarto, em seu rosto um sorriso provocativo cheio de intenções.
A loira se aproximou se Regina, lentamente, até tê-la, finalmente, em seus braços. Emma se apoiou na cintura da morena enquanto seus lábios se divertiam em seu pescoço. Cada toque da loira provocava uma explosão de sensações em Regina, deixando-a excitada cada vez mais. A coxa de Emma se posicionava entre as pernas da mulher, imprensando a mesma de forma suave, porém, faminta. Emma podia sentir o corpo quente de Regina, podia perceber que o desejo de tê-la ali, naquele momento, era recíproco. Então, Emma se afastou tirando um gemido frustrado da garganta da Prefeita. Ela segurou a mão de Regina e andou até o quarto, onde elas poderiam ficar mais confortáveis. Fechando a porta, Emma voltou-se para a mulher.
–Emma... –Sussurrou Regina, como quem a repreendesse. Mas este estava longe de acontecer. Emma então, se abordou Regina, beijando-a com um imenso sorriso em seus lábios.
A mão de Regina explorava toda a cintura da loira e ousando descer cada vez mais. Seus lábios se moviam em ritmo acelerado, e seus olhos, até então fechados, aguardavam com ansiedade o momento certo para fazê-la sua. Quando se afastaram para recuperar o ar, Emma retirou sua jaqueta, eufórica. Regina se apressou para retirar suas roupas, mas foi impedida por Emma. Seus dedos nos lábios vermelhos da Prefeita, e em seu rosto um sorriso travesso estampado.
–Deixe que eu mesma faça isso. –Sussurrou de modo sedutor, no ouvido da morena. Regina ergueu a sobrancelha, permitindo que fosse feito. Seus corpos quentes não sabiam ao certo como reagir àquela situação. Regina mal conseguia unir a sensação de felicidade com o sedutor desejo. Regina mal havia tomado conhecimento do quão sedutor era o amor.
Sendo assim, Emma voltou a beijar seu pescoço com mais suave e lentamente. Ela desabotoou a camiseta de cena de Regina lentamente, apreciando cada centímetro de pele e cada curva bem definida que lhe era mostrado. Regina se deliciava com o toque delicado da loira em sua pele. Por fim, Emma chegou a retirou e a jogou pelos ombros, não se importando para onde quer que fosse cair. Regina segurou a cintura de Emma com mais agressividade e subiu sua camisa, livrando a loira daquela peça. Agora, Regina podia ver seus fartos seios com mais detalhes. A loira deitou o corpo de Regina na cama e, apressadamente, selava beijos lentos e sedutores. Suas mãos exploravam cada centímetro do corpo da Prefeita, começando por seus seios. Os beijos de Emma desciam em seu pescoço, mordendo e chupando. Desfrutando deliciosamente cada segundo. Quando as mãos da loira desceram até a coxa de Regina, livrou-a da saia justa que não a deixava alcançar seu objetivo. Entretanto, quando este foi feito, Regina gemeu baixinho, puxando a loira para cima, novamente. Frustrada, Emma gemeu. A prefeita deitou o corpo de Emma, de modo que ela ficasse por cima, dessa vez.
–Onde estão seus modos, Srta. Swan? –Sussurrou Regina, perto se seu ouvido. A rouquidão de Regina só a fazia soar mais sedutora.
A prefeita depositou beijos e chupões do pescoço de Emma enquanto massageava seus seios, um e depois o outro. Mas Regina não estava satisfeita, pelo contrário, estava faminta por Emma. Ela explorou as costas da loira até chegar ao seu sutiã, retirando-o de pressa. A visão dos fartos seios de Emma eram mais convidativos que Regina se lembrava. Para ela, fazia tanto tempo que não tocava e não era tocada por Emma, ela não podia mais esperar. Entretanto, queria ouvir Emma gritar seu nome, e para isso teria de provoca-la um pouco mais. Regina desceu seus beijos até os seios de Emma, e depois de se deliciar com eles desceu mais e mais. A prefeita pôs sua coxa entre as pernas, ainda vestida, de Emma e a imprensou contra a cama. Emma gemia baixo. Até que finalmente retirou a calça jeans da loira, sem dificuldade. Regina acariciava o centro de Emma, com a ponta de seus dedos. A loira mal se continha, e a Prefeita podia sentir o quão molhada estava.
–Regina! -Gemeu Emma, com ansiedade. –P-Pare de me torturar!
Regina riu e beijou sua coxa como resposta. Um singelo “não”. Ela estava apenas começando. A prefeita voltou a acariciar o centro de Emma, até se tornar movimentos circulares sobre o pano da calcinha. Não demorou a arrancá-la com a mesma agressividade que ficara no controle, e então, levanto Emma ao auge de sua excitação, Regina arranhou as coxas de Emma, tirando desta um gemido alto. Então, faminta, ela abriu as pernas da loira.
Emma agarrou o lençol a sua volta, uma corrente de prazer se alastrava por todo seu corpo, mal conseguia respirar. Sentia Regina se apossar de seu corpo, ela fechou os olhos desfrutando daquela delirante sensação. Naquele momento, Emma mal se lembrava de seu próprio nome.
–R-Regina! – Gemia alto. Todo aquele êxtase precisava ser posto para fora, suas cordas vocais quase não davam conta. Regina tornava seus movimentos cada vez mais rápidos e delirantes, sabia que Emma estava chegando ao seu auge. –Regina! –Gritou. E então, todos os músculos de seu corpo relaxaram, desfrutando do mais primitivo e simples prazer.
A prefeita subiu até Emma, admirando seu rosto suado e satisfeito. Regina apoiou-se no corpo molhado da loira, e selou seus lábios nos dela, suavemente. Quando Emma finalmente abriu os olhos, Regina pôde contemplar sua íris verde-esmeralda por longos minutos. Por tanto tempo, desde que Emma Swan chegou à cidade, a Prefeita tentava tê-la sob seu controle e desvendar os mistérios que aqueles olhos claros que fazia um ótimo trabalho em esconder. Só então, Regina percebeu que todo esse tempo era Emma quem a tinha sob seu controle, era Emma que tinha Regina nas mãos. Durante todo esse tempo, ela escondia uma intensa paixão em atos que jurava ser originados do ódio profundo que tinha pela loira. Não, não era paixão. Era o amor verdadeiro.
–Eu te amo, Regina. – Sibilou Emma, baixo. A morena hesitou por um minuto. A loira tocou seu rosto e a beijou, intenso e apaixonadamente. –Eu te amo, eu te amo, — Repetia várias e várias vezes, despertando em Regina um sorriso involuntário.
–Eu te amo, Emma. –Respondeu Regina, subitamente. –Eu não sei como... Mas eu te amo.
* * *
Depois de ver sua filha aos beijos com aquela mulher, depois de vê-la sendo acompanhada até o quarto, Cora quebrou a conexão da imagem, restando nada mais que névoa. Aquela cena era repugnante. Tudo que ela havia construído para sua filha estava sendo jogado fora naquele momento.
–Sério? Na melhor parte! –Gancho protestou. Cora se virou, não sabia que tinha companhia.
–Você acha engraçado isso, não é? –Disse Cora, com um sorriso maníaco nos lábios. Entretanto, Gancho não se acanhou, estava acostumado com o semblante assustador da mulher. –Não sei o que essa mulher fez à Regina, mas não durará. –Gancho deu de ombros, não lhe dando crédito. O rapaz já saía do quarto, mas não podia perder a magnifica oportunidade de aborrecer Cora por mais uma vez.
–Aliás, quando reencontrarmos Regina, não deixe me esquecer de elogiar sua atraente namorada. – Sibilou, saboreando o gosto de suas palavras. Em resposta, Cora fechou a porta tão agressivamente que fez o navio tremer.
Cora já tinha um plano em mente. Parecia que ela teria de ensinar, novamente, a sua filha sobre o amor. Amor é fraqueza. E se Cora quisesse ter Regina em suas mãos novamente precisaria tê-la quebrada, para só então reconstruí-la de seu próprio jeito. E se tomar o coração do cavalariço não foi o suficiente, Cora faria com que a própria mulher se encarregasse de destruir Regina. Infelizmente, ela não poderia fazer nada além de observar aquela cena detestável, afinal, precisaria conhecer a loira para torna-la uma peça de seu jogo favorito.
Voltando a sua observação, Cora fez com que a imagem das duas se revelasse novamente. Agora, a loira se encontrava por cima de Regina, com um sorriso satisfeito. Para a sorte de Cora, não era possível ver o corpo delas, pois este estava coberto por um lençol fino. Entretanto, não foi difícil adivinhar que seus corpos suados desproviam-se de qualquer roupa, afinal, haviam peças arremessadas por todo quarto.
“Eu te amo, Regina” Cora quase não ouviu a loira dizer, no seu rosto um sorriso radiante esbanjava felicidade. Mas a mulher que as observava não estava interessada no que a loira tinha a dizer.
“Eu te amo, Emma” Respondeu Regina. Uma reação de nojo se apossou do rosto de Cora. “Eu não sei como... Mas eu te amo” O rosto de Regina transparecia felicidade e qualquer sentimento tolo semelhante a isso. Cora estava terrivelmente enojada, durante todos esses anos aquilo era o que ela mais temia de sua filha. Sabia que daria nisso, e pensou ter contido aquele defeito em Regina. Sua filha se apaixonada rapidamente e intensamente, nunca teve o discernimento da mãe ao julgar o certo e o errado. E aquela cena deplorável era a prova disso.
Mas agora Cora sabia o nome de sua nova peça, e da culpada pela destruição de sua filha, seu nome era Emma. A mulher levantou-se certa do próximo passo de seu jogo, andou até o quarto de Gancho, pronta para deixar o navio.
–Vamos, Gancho, temos trabalho a fazer.
* * *
Os olhos cor de chocolate de Regina se abriram lentamente, uma dor constante em seu corpo a lembrava dos magníficos momentos vividos na madrugada anterior. Quando sua visão finalmente tomou foco, ela pode ver o corpo de Emma ao lado do seu. Os cabelos dourados de Emma caíam sobre o rosto ainda suado. Se não fosse pela colcha que cobra o corpo de ambas, Regina poderia admirá-la por inteiro. Elas tinham recuperado todo o tempo perdido, durante toda a noite elas desfrutaram a companhia uma da outra, como se suas vidas dependessem disso. Deliciaram-se momentos preciosos de puro prazer até ver o sol nascer. Durante o sonho de Regina, ela temia nunca mais poder ver aquele sol, ou sequer os olhos verde-esmeralda de Emma novamente.
Tudo estava mais claro na mente de Regina, porém, o conflito interno não havia terminado. Isso estava longe de acabar. Regina finalmente admitiu a si mesma que estava, sim, apaixonada por Emma, e que, a julgar pelo beijo que a acordara da maldição, o sentimento era mútuo. Por mais que a Prefeita tentasse, não conseguiria se afastar de Emma. Não queria mais. Mesmo sabendo que no futuro Regina possivelmente a destruiria, com seu egoísmo, seu jeito possessiva. Ela não sabia como ser feliz, mas enquanto ela se sentisse completa e mais forte que nunca, sair de perto de Emma estaria fora dos seus planos.
–Já está acordada? –O resmungar de Emma trouxe Regina de volta à realidade. Os olhos verde-esmeralda se abriram, finalmente, e a Prefeita nunca os viu brilhando tanto.
–Sim, — Sua voz quase não saiu. Emma ergueu-se para depositar um beijo na ponta do nariz da mulher, com um imenso sorriso. –Obrigada. –Murmurou Regina, desviando seu olhar para um canto qualquer do quarto.
–Pelo quê? –Perguntou Emma, casualmente.
–Por me acordar, por enfrentar Mary Margaret e David, por me tirar daquela... Escuridão. –Emma podia perceber algo na voz rouca de Regina que ela nunca havia reparado: Arrependimento. Regina se arrependia de ter feito tudo que fez, principalmente de ter tentado mata-la.
–Eu faria isso quantas vezes fosse preciso – Emma respondeu, sentando de modo que se apoiasse em seus cotovelos. –Eu não deixaria você, de jeito algum. –O rosto de Regina tomou um tom avermelhado, se sentia tão tola quanto uma adolescente. Era o poder da magia mais poderosa, sedutora, e também, mais complicada que Regina teve oportunidade de conhecer. Mas aquela frase também provocava em Regina certo calafrio. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde iria acabar destruindo Emma, e isso era algo que ela não poderia evitar.
–Não prometa o que você não pode cumprir Srta. Swan – Disse Regina, erguendo a sobrancelha. Por um momento, a loira hesitou. –Vamos descer, acho que temos muito a explicar, não acha? –Regina disse, levantando-se e abandonando o lençol que antes protegia seu corpo nu. Emma não pôde deixar de observar o belíssimo corpo de Regina enquanto esta caminhava para o banheiro. –Feche a boca, Srta. Swan – Um sorriso travesso brotou em seus lábios. –Saiba que em minha terra, isso é, de fato, rude.
–Eu sei. –Respondeu Emma, com um sorriso provocativo. –Perdoe-me, Majestade.
* * *
Henry havia acordado fazia menos de uma hora, ele desceu para preparar seu café e assistir um pouco de TV antes de suas mães acordassem. Depois de vinte minutos, um barulho na porta fez Henry levantar. Mas antes que ele pudesse chegar até a porta, Regina e Emma desciam a escada trocando sorrisos e beijos.
–Querido, deixe que eu atenda. –Disse Regina, gentilmente, enquanto descia as escadas com a companhia de sua loira. Pela primeira vez, não se importando se Henry tinha visto ou não. –Bom dia, querido. –Disse Regina, por fim, selando um beijo na testa de seu filho antes de abrir a porta.
Antes mesmo que Regina pudesse identificar, ou que Emma pudesse completar seu trajeto até Henry, David –Charming – adentrou a casa com imensa agressividade. Mary Margaret vinha logo atrás, porém, com a intenção de conter o marido. Regina se virou, reprimindo a vontade de usar sua magia contra o casal.
–O que diabos- Tentou dizer Emma.
–Certo, concordei em dar um tempo e agora já chega! Quero explicações, mocinha! –A voz de David soava pateticamente paternal. Emma virou-se até Henry, com um ar de tranquilidade.
–Vá brincar lá fora, Henry, enquanto nós conversamos. –Disse a loira e, antes mesmo que o menino pudesse argumentar Regina lhe lançou um olhar como quem confirmasse a ordem dada. Nada mais podia fazer se não cumprir.
–Primeiramente, o que diabos vocês – Regina foi interrompida.
–Regina, deixe comigo. –Pediu Emma, gentilmente. Regina se calou contrariada, se afastando de conversa familiar e se sentou em uma poltrona distante o suficiente deles. David às encarava como se estivesse em um mundo completamente diferente do seu. –Sério, não precisava disso tudo, eu sou maior de idade...
–Quando isso começou? –Perguntou Charming, enojado. Emma persistiu para não se magoar com as expressões dadas pelo homem, tentava entender seu lado ao máximo.
–Quando eles tentaram mata-la, depois da maldição ser quebrada. –Respondeu Emma, casualmente, como se não fosse importante.
–Todo esse tempo... –Resmungava o homem, abismado. –Isso não é possível, você não vê o que está acontecendo? –O ódio no olhar de David avistou Regina.
–Eu não te devo satisfações, certo? E não quero que fiquem se metendo na minha vida.
–Emma, ela está usando você! Não percebe? –Gritou David, Mary Margaret pôs a mão no ombro do marido, mas ele recusou sua ajuda, ou tentativa de uma. –Você não sabe como ela realmente é!
Os punhos de Regina estavam serrados, ela dizia a si mesma para manter a calma. E também repreendia seu lado obscuro a não saborear aquela situação. Príncipe Charming e Snow White arrasados pela descoberta da relação da sua filha –A Salvadora – com a temida Evil Queen. A decepção e o ódio transmitidos pelos olhos de David eram um prato cheio para ela. Entretanto, a verdade sendo jogada em sua cara, também, não provocava uma boa sensação. Charming desenterrava uma parte de Regina, que ela desejava que Emma nunca conhecesse, porque, talvez, se conhecesse, poderia desistir dela.
–Eu realmente não quero brigar, tudo bem? –Disse Emma. –Eu sei cuidar de mim mesma, eu sei o que estou fazendo. –Mas o homem não parecia escutar. Enfim, ele respondeu com um riso nervoso e sarcástico.
–Sem falar no fato que ela é madrasta da sua mãe.
E aquilo foi gota d’agua.
Regina se levantou, seus olhos transbordavam ódio e uma escuridão que Emma pensava nunca ter visto. Por um momento, David hesitou, mas seu lado heroico – e atrevido- sempre era mais ousado. Regina, com um movimento de mãos, fez com que o corpo de David levitasse e batesse contra a parede. Naquele momento, ela estava cega. Memórias de seu casamento com o Rei Leopoldo voltaram a sua mente, momentos que ela preferia ter esquecido de uma vez.
–NUNCA MAIS REPITA ISSO – Gritou Regina, enfurecida. Emma, assustada, correu até Regina tocando seu ombro. Nada disse, mas desejou profundamente que Regina retornasse. A Regina que ela conhecia. Então, o corpo de David despencou. Mas o ódio da Prefeita não tinha passado. Ela se aproximou do homem, com agressividade. –Eu nunca concordei em me casar com o Rei, nunca! –Sua voz rouca estava quase ausente. –Nunca mais repita isso, ou não terá mais dentes para tal! — Seu ódio era tamanho que consumira suas próprias cordas vocais.
–REGINA! –Gritou Emma, puxando a mão da morena. Regina recuou. A sensação de culpa lhe atingiu assim que se tornou alvo daqueles imensos olhos verde-esmeralda. –Chega, vão embora. Depois nós conversamos. Sozinhos. –Disse Emma, referindo-se a Regina.
Regina estava em conflito. Reviver o passado a transformava em alguém que ela estava tentando esquecer. Regina estava tentando mudar. Por Henry. Ser merecedora do amor que a encontrara. Ela estava tentando não usar magia, pois se usasse, não conseguiria se livrar de seu lado negro. Mas aquelas palavras, ditas a fim de por Emma contra Regina, era como se Snow White estivesse vetando a felicidade a ela, mais uma vez. E isso, ela não iria permitir. Por ironia do destino, Regina e Snow ficariam conectadas para sempre. Pela faminta vingança de Regina pela morte de seu amor verdadeiro, e agora, por Emma. Emma era sua ruína e sua salvação. Era escolha de Regina seguir um ou outro.
Assim que eles foram embora, Emma hesitava ao olhar para Regina. Mais uma vez, ela via arrependimento naqueles olhos cor de chocolate.
–Gina, — Chamou Emma. Regina desviou o olhar.
–Não me chame assim. –Respondeu seca. A loira se aproximou, tocando seu rosto, fazendo-a olhar em seus olhos.
–Não vou pedir que os desculpassem, sei que tem muita coisa que eu não sei. –Dizia Emma, mais uma vez penetrando a alma de Regina e a trazendo para seus braços. –Mas eu estou aqui, para quando você quiser me contar.
–Eu nunca quis me casar com aquele homem. –Sussurrou Regina, mas logo se repreendeu. Emma não estava pronta para ouvir, e muito menos Regina estava para falar. –Não importa.
–Gina, eu te amo. Isso ninguém vai mudar! Enfie isso nessa sua cabeça dura! –Disse Emma. Sua voz saiu como um poema recitado. Um pequeno sorriso brotou na morena. Percebendo o efeito da frase sobre Regina, Emma selou um beijo lento em seus lábios macios, dessa vez mais apaixonado. Regina não respondeu, estaria além do que ela poderia oferecer, até então. Mas ela correspondeu ao beijo, sem dúvida. E como poderia não fazer? Aqueles lábios, aquele corpo, aqueles olhos eram tão convidativos. Era um pecado que Regina teria o prazer de cometer. Finalmente, elas se afastaram para recuperar o ar.
–Agora, vá para o trabalho, Srta. Swan... –Disse Regina tentando recuperar sua posição. –Não te pago para ficar... Aqui. –Não pôde conter um sorriso. Emma envolveu a cintura da morena, selando-te mais um beijo rápido.
–Gina, eu posso voltar se quiser. –Emma sibilou, afastando o rosto de Regina. Logo, a expressão da morena mudou para algo que a loira poderia identificar como tristeza.
–Não, é melhor ir com calma. –A voz de Regina quase não saiu. –Seus pais podem achar que estou te escravizando. –Brincou. Então, um sorriso travesso surgiu no rosto de Emma.
–Quer saber, eu não me importaria se fosse. –Disse, mordendo o lábio inferior. Um arrepio ocorreu à coluna de Regina ao ouvir a voz rouca de Emma.
–Não me provoque Srta. Swan. –Regina beijou-a, mordendo o lábio da loira. –Agora, vá.
* * *
Assim que Emma deixou a mansão dos Mills, passou no playground ao lado da casa para encontrar seu filho. Henry andou com a companhia de sua mãe até o Granny’s, onde ela o deixaria com Ruby enquanto ela trabalharia. Regina também precisava trabalhar na prefeitura, apesar de não ser mais tratada como uma Prefeita, eles precisavam se certificar que ninguém fora de Storybrook chegasse à cidade.
–Hey, Ruby! –Disse Emma, chegando ao Granny’s. Ruby estava sentada com Bella. Ela levantou, de pressa, como quem fosse pega fazendo algo errado. –Está tudo bem? –Perguntou Emma, receosa.
–Claro. –Respondeu mais tranquila. –Hey, olha quem está aqui! –Disse, recebendo Henry com um abraço. Belle se levantou logo depois, com um sorriso contente em vê-lo.
–Estou indo para a delegacia, pode ficar com ele até a hora da escola? –Perguntou Emma. Ruby assentiu imediatamente, era sempre agradável ter Henry com ela.
Emma agradeceu à amiga e se despediu de Belle e de seu filho antes de sair. Não queria incomodar Ruby embora faltasse quase uma hora o horário da aula. Mas a delegacia não era um lugar para criança. Emma já ia saindo, quando um barulho fez Ruby andar em direção à porta.
–O que foi? –Perguntou Emma. Pongo, o dálmata de Archie, latia exaltado para a direção das mulheres. Henry e Bella também foram até lá, se perguntando o que acontecia.
–Ele está tentando falar alguma coisa, – Resmungou Ruby como se fosse óbvio e agachou na frente do cão.
–Como você – Se interrompeu. –Ah, a coisa de lobo. –Respondeu a si mesma. De repente, Ruby levantou assustada.
–Fique aqui, já volto. –Ela disse à Belle, com um tom protetor, e começou a andar seguindo o cão. Emma exigiu que Henry ficasse com a ruiva até que ela voltasse.
Seguindo Ruby, Emma correu entre as principais lojas comerciais da cidade, passando pelo Mr. Gold’s até o Granny’s e lá ao fundo, uma pequena porta onde indicava o escritório de Archie. O dálmata, Pongo, não parava de latir desesperadamente e Ruby, inexplicavelmente, parecia entender cada olhar do animal. Elas adentraram a sala do homem, não havia nada lá. Entretanto, com a ajuda do cachorro, a verdade foi revelada: Archie estava caído ao lado do divã, com os óculos rachados pelo impacto no chão. Emma foi à frente, checando os batimentos cardíacos de Archie. Nada. Nenhum sinal de pulsação. Rapidamente, a loira tentou trata-lo com o único socorro que ela conhecia: massagem cardíaca. Tentou uma vez, duas, e mais uma. Nada funcionava. Archie estava morto.
Ruby afastou-se, em seu rosto uma mistura de desespero com medo. Emma a abraçou, seu coração também estava acelerado, mas precisava manter a calma. Ela era a xerife e aquele era o seu trabalho. A loira pediu que a amiga esperasse do lado de fora e que não permitisse a entrada de absolutamente ninguém. Assim que Ruby a fez, Emma teve tempo de observar o corpo mais atentamente. Sem tocá-lo, –para não deixar suas impressões digitais- ela viu se havia algum dano no corpo algum sinal de luta. Seus dedos estavam avermelhados, como se tivessem se segurado em algo e em seu pescoço marcas; tudo indicava enforcamento. Embora Emma não fosse perita nisso, ela sabia alguns segredos. O pescoço e as mãos de Archie sugeriam que ele havia sido suspenso no ar e tentado se segurar. Entretanto, as marcas no pescoço contradiziam a sugestão anterior, as marcas deixadas naquela regiam não eram fortes o suficiente para enforcamento. Era como o simples toque do assassino o havia matado.
De qualquer jeito, ela não poderia ter todas as respostas. Emma teve de chamar o hospital para fazer a autópsia do corpo, e só então ela poderia investigar o caso. Não demorou até que a ambulância chegasse e levasse o corpo. Mas rapidamente a noticia se espalhou. Algumas horas depois, Ruby a acompanhou até a delegacia, ainda aflita. Emma precisava encaminhar o caso e abrir o interrogatório.
–Emma, — Disse Ruby em um lampejo, como se recuperasse uma parte de sua memória. –Eu vi... Regina ontem à noite. –Disse com dificuldade, sua voz trêmula. –Entrando no consultório. -Emma quase deixou sua caneta cair.
–O-O quê? –Gaguejou a loira. –Isso é besteira. –Disse, imediatamente descartando a possibilidade.
–É sério, Em, eu sei o que eu vi! –Insistiu Ruby, segurando a mão de Emma. A loira também estava trêmula. Era ridículo cogitar a ideia de Regina ter algo haver com isso, afinal, ela esteve com a Prefeita durante toda a noite. Não é mesmo?
–Eu estava fechando a lanchonete-
–Que horas foi isso? –Perguntou Emma, imediatamente.
–Não sei. Umas três da manhã, eu acho. –Ruby deu de ombros. Emma engoliu seca. –Eu juro Emma, eu vi Regina entrando no consultório do Archie!
–O quê? –A voz de Mary Margaret –Snow White- fez Emma pular de susto em sua cadeira de Xerife. –Você viu o quê, Ruby?
* * *
Regina estava em seu escritório, na prefeitura. Embora ela tenha sido banida e que ninguém mais considerava a Prefeita da cidade, a morena gostava do que fazia. Era como em seu castelo, só que com mais papéis. Lá no fundo, Regina sentia falta de sua terra, de seu castelo. Mas ela sabia que ali, em Storybrook, ela teria a possibilidade de ser feliz. Por mais que Emma fosse um lampejo de luz em meio à escuridão que era a alma de Regina, sabia que isso não duraria muito tempo até que ela levasse a loira à sua própria destruição. Era sempre assim. Com Sidney, Rei Leopoldo e Daniel. Os dois primeiros homens, Regina nunca amou, nem sequer teve algum sentimento se não nojo. Mas Daniel era seu verdadeiro amor, ele era um homem tão puro e honroso que Regina não acreditava ter sido digna de seu amor. A história da mulher com Sidney e Daniel -embora completamente diferentes- todos já sabiam. Entretanto a relação do Rei Leopoldo com a Rainha nunca foi, de todo, exposta. Talvez o que quase aconteceu não era o que se poderia dizer um conto infantil. Ninguém publicaria em livros o que realmente aconteceu. O Rei era um bom homem, de fato, mas somente para sua filha. Seus carinhos, seu afeto era somente para sua queridíssima Snow White. Regina era obrigada a se deitar com o homem, embora se recusasse a servir de brinquedo para o Rei. Não, Leopoldo nunca tocou em Regina, embora ele houvesse tentado. Regina sabia como se proteger, mas sob as ameaças de ser expulsa do reino, ela teve de aturar o velho Rei até surgir uma oportunidade de livrar-se dele.
Quando os primeiros problemas na realeza apareceram, Regina procurou saber sobre o passado da família White. Sua árvore genealógica e afim, mal sabia o quão satisfatório seria o resultado. A Rainha Eva era, em seu passado, uma verdadeira vadia. Ela era uma camponesa que passou sua vida para se aproveitar da fraqueza masculina, e seu belíssimo corpo cumpria o serviço. Eva já havia se aproveitado da riqueza que vários homens da nobreza, e vez ou outra, ela era paga para satisfazê-los. Reunindo toda sua raiva, amargura e sede de vingança, Regina expôs isso contra o Rei. Impulsivamente, Regina cega de ódio, mal podia imaginar o que viria a seguir. O Rei, furioso com a descoberta, atacou a mulher, agredindo-a.
A partir daquele momento, Regina decidiu que seria mais cuidadosa. Usaria todos e tudo para matar o Rei. Ela não poderia fazer isso por si, já que a sentença de um assassino era o assassinato. E Regina não poderia se dar ao luxo de morrer, não ainda, não até completar sua vingança. Então, quando Sidney surgiu, não hesitou em usá-lo contra o Rei. Seduzindo-o, manipulando-o e usando-o para completar sua vingança particular. Todas as agressões, físicas e verbais, todos os olhares enojados ou de pena, toda vez que ele tentou abusar da Rainha. Leopoldo havia pagado caro. Essa era uma das poucas coisas que Regina nunca se arrependeria de ter feito. Mas esse era um segredo que ela nunca, de jeito algum, compartilharia com alguém. Até mesmo Snow White. Parte de Regina, aquela parte que foi corrompida e destruída com o passar dos anos, se identificava com a menina. E por conta desse pequeno raio de luz dentro da Rainha, Regina nunca contou sobre esse lado obscuro do Rei.
De repente, o telefone tocou, fazendo Regina voltar à realidade. Ela respirou fundo, antes de atender, as lembranças eram fortes e ainda a machucavam terrivelmente.
–Prefeita Mills falando. –Sibilou Regina, retomado seu tom superior e seco. Um barulho alto e movimentado, similar a uma multidão, soava do outro lado do autofalante.
–Regina! É a Emma. –A voz da loira hesitava e parecia trêmula. Regina endureceu-se.
–Swan? O que está acontecendo? –Regina teve de se conter ao falar o nome da loira. –Que vozes são essa? –Uma dor, velha conhecida da Prefeita, voltou a se alojar em seu peito.
–Preciso que compareça à delegacia, Regina – A voz de Emma tentava permanecer profissional, mas falhou ao pronunciar o nome da amada. –Agora.
–Eu- Corrigiu. –Está bem, Emma. –Disse, melancolicamente. Algo estava errado, muito errado. Justo agora, que tudo parecia estar tão certo. Por um lado Regina estava feliz em ter Emma e Henry, mas já o outro, se deliciava ao ver o sofrimento dos Charming ao saber do envolvimento da Salvadora com a Rainha. Era seu lado negro e sua luz colidindo.
Regina não podia negar sua ansiedade e seu medo em descobrir o que Emma queria ou do que se tratavam aquelas vozes ao seu redor, mas ela poderia esconder qualquer sentimento. Era boa nisso. Seu treinamento era longo, mais de vinte e oito anos. Logo que estacionou o carro na delegacia, já podia ouvir o tumulto. Ela adentrou a delegacia, tanto hesitante. Emma estava sentada sobre a mesa, seus dedos se entrelaçavam uns com os outros tentando conter seu nervosismo. David Nolan – Charming-, Mary Margaret — Snow White-, Leroy –Dreamy- e até mesmo Blue Fairy, discutiam e cobravam algo de Emma, que sem responder, abaixava sua cabeça.
–O que diabo está acontecendo aqui? -Regina perguntou segundo sua bolsa. Todos gelaram, era possível ver uma mistura de medo com revolta ardendo na íris de cada um, até mesmo da loira.
–Regina, hey... –Emma levantou-se, e andou até a mulher. Regina podia sentir cada sensação transparecida nos olhos verde-esmeralda de Swan. O medo, não de Regina, mas sim de perdê-la para seu lado obscuro. E a doçura transmitida, naturalmente, dos olhares atenciosos de Emma à Regina. –Eu... Precisamos conversar. –Disse, lutando para seu lado profissional prevalecer.
Regina não negou, simplesmente a seguiu até a sala de interrogatório. Snow tentou fazer com que Emma a deixasse acompanhar, mas esta não permitiu. Ter Mary Margaret perto de Regina, não era uma boa ideia, não importava a situação. Então, David decidiu ir. A sala se dividia entre uma mesa, onde o interrogado se sentava, e os policiais em pé em frente. Embora não fosse combinado, Emma era o bom policial e David seu oposto.
–Alguém vai me dizer o que está acontecendo? –Regina perguntou, irritada, ao se sentar na cadeira. Ela não podia ver, mas Snow, Blue Fairy e Ruby estavam observando-a por trás do vidro.
–Regina, nós já sabemos, não precisa mais dessa farsa! –Exclamou sem paciência, Emma lhe lançou um olhar repreensivo. E, amargamente, o homem se calou. Regina continuava a olhá-los tão confusa quanto antes.
–Encontramos o corpo de Archie em seu-
–A-Archie está morto? –Regina cortou-a. Como isso era possível? E então, logo se lembrou, Emma havia quebrado a maldição, o tempo voltou a correr e, finalmente, pessoas poderiam morrer. De repente, a realidade caiu sobre Regina, mais uma vez. Ela estava sendo acusada da morte do homem.
Emma logo pode perceber a reação de Regina. Aquilo era suficiente para saber que ela não era a verdadeira culpada, Emma ainda tinha seu superpoder. Seus olhos pareciam mais magoados, do que culpados. Logo, a loira tentou passar à amada a mensagem de que ela acreditava na Prefeita. Mas, desta vez, a mensagem não foi entregue. Regina a olhou, sentindo-se traída.
–Você acha que eu o matei? –Disse a morena, a amargura em sua voz. David revirou os olhos, não suportando mais aquele teatro.
–O que há Emma? –Protestou o homem, ao ver a indecisão da filha. –Ruby a viu!
–Então ela mentiu! –Defendeu-se Regina, rapidamente. –Eu estive em casa, a noite toda. –Argumentou, lançando um olhar à Emma. E ela realmente esteve, e com Emma, aliás.
–Quem você acha que está mentindo: Ruby, ou ela? –Cobrava David, todo o tempo. Emma não acreditava em David, nem se quisesse. Seus olhos estavam perdidos nos castanhos desesperados a sua frente. Regina, impulsivamente, segurou a mão de Emma deixada sobre a mesa.
–Você realmente acha, que depois de tudo que eu fiz para ter vo... -Parou imediatamente. –Ter Henry de volta – Corrigiu. –Depois de tudo que eu fiz para mudar, desperdiçaria tudo agora? Por um Grilo? –A voz de Regina mostrava aquilo que Emma podia reconhecer seus lábios não tremiam ao falar, seu cenho não franzia, ela estava falando a verdade. Mas a loira poderia, também, estar acreditando naquilo que queria acreditar. –E se eu realmente tivesse matado Archie, vocês nunca saberiam. –E então, o seu lado sombrio.
–David, venha. –Emma puxou o braço do rapaz. Regina esperou, no mesmo lugar, até que Emma ou qualquer um voltasse.
Emma arrastou o homem até fora da sala. Todos ainda continuavam lá, apenas esperando e observando a apreensão de Regina.
–O que vamos fazer? –Mary Margaret intrometeu-se. Ruby e Blue Fairy observavam de longe.
–Prendê-la, é claro. –Respondeu David.
–Não, não vamos. Não temos nenhuma prova contra ela. –Argumentou. –Não podemos fazer isso.
–Ruby disse que a viu, o que mais precisa? –Snow perguntou, aflita. David a abraçou, compartilhando seu nervosismo com a esposa, e ao mesmo tempo, apoiando-a.
–Não sei como é no seu mundo, mas aqui é preciso provas. Vamos soltá-la e procurar provas. –Os dedos de Emma dançavam uns com os outros arrumando alguma maneira de conter seu nervosismo, aflição, medo, de qualquer maneira, embora mal conseguisse controlar seu olhar para dentro daquela sala. Regina esperava, angustiada, pela sua chegada.
–Emma... –Choramingou Snow.
–Não! –Decidiu. –Olhe para lá, — Emma apontou para o vidro que transparecia a mulher, que para aliviar seu nervosismo, rodava o anel prata que estava pendurado em seu cordão. O cordão igual ao que ela havia dado à loira. –É uma mulher que está tentando mudar e só que todos vejam. Eu conheço aquele olhar. Eu a conheço.
* * *
Horas depois de Regina ser liberada, ela voltou à delegacia. Onde poderia conversar com Emma, saber sobre o que aquilo se travava. Regina não conseguia compreender a ideia de Emma ter, por um segundo sequer, duvidado dela. Mas em vez disso, Emma não estava lá. Sua sala estava vazia, assim como as celas. Não havia nenhum som. Entretanto, isso não a impediu. Regina se sentou sobre a mesa, e esperou até que Emma chegasse. Ela vagava pela sala, curiosamente abrindo as gavetas da escrivaninha da Xerife. Não era como se estivesse vasculhando suas coisas, pelo contrário, apenas procurava algo para passar o tempo. De repente, quando abriu, distraída, uma das gavetas, viu uma luz brilhar. Um colar refletia a luz da sala. Regina pegou-o, curiosa. Era um simples chaveiro velho, parecia ter sido amarrado a um cordão.
–O que... Está fazendo? –A voz de Emma fez Regina pular, deixando o colar cair. A hesitação era visível em seus olhos esmeralda.
–Eu... Estava apenas olhando. –Regina respondeu, retomando o colar de suas mãos. –Isso... É seu? –Perguntou. Emma deu um passo a sua frente, pegando, grosseiramente, o colar das mãos da Prefeita. –Ele me parece velho, é de valor para você? –Quis saber.
–Sim, — Disse encarando-a. – Quer dizer, não.
Regina a fitou. Sabendo qual era a verdadeira resposta. Uma das coisas que mais chamava a atenção de Regina em Emma era que ela era a única pessoa, em toda cidade, que não sabia sua história. Quer dizer, ela poderia imaginar. Como na primeira vez que se tocaram, mas não sabia do que ela havia passado.
–Emma, você não acredita em mim? Acha que eu matei o Grilo? –Regina perguntou, sentindo a conhecida dor em seu peito. Emma a fitou, não sabia o que dizer. Parte de si sabia que Regina não tinha feito, mas tinha medo de ser enganada pela Rainha, pois sabia o que ela era capaz quando era submetida à raiva.
–Não, claro que não. –Disse, embora de modo seco. Regina, que antes se aproximava, parou no mesmo instante.
–Você não acredita.
–Eu acredito! Regina! –Emma segurou seu braço, mas esta se soltou imediatamente. –Eu acredito, mas-.
–Mas o quê, Emma? –Disse Regina. Emma tentou abraça-la, mas a morena se recusou. –Disse que os enfrentaria! Você disse que- Regina tentou ponderar suas palavras. –Disse que me amava. –Sibilou. Seus olhos cheios d’agua não poderiam suportar por muito tempo, por mais que tivesse esses vinte e oito anos de prática, nunca havia se submetido a algo tão forte quanto havia ali, entre aquelas duas mulheres. Emma a segurou, abraçando-a. E desta vez, Regina não pôde fugir. Segurando a jaqueta vermelha da loira, Regina escondeu seu rosto no pescoço da amada, impedindo-a de vê-la chorar. Lágrimas silenciosas escorreram perante a bochecha rosada da Prefeita e caíam sobre o ombro de Emma.
–Eu amo você, sim. –Assegurou. –Não duvide disso.
Regina limpou as lágrimas voltando a se afastar da loira.
–Isso vai acabar logo, sei que quem matou Archie usava magia. Estamos indo atrás de Gold.
❤
Notas finais
Outra coisa, estive pensando em enredo para ~outra fic~ RedBelle, quem se interessa?
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