Broken
11 I Knew That Look. I Knew Her.
Notas iniciais
-A ordem dos acontecimentos da fic vai ficar diferente do seriado.
-A partir desse cap. o enredo não ficará tão fiel ao show.
-Baseado no episódio 10 da Segunda temporada.
-Boa leitura.
* * *
Emma Swan tentou prometer a sua amada que tudo ficaria bem e que tudo logo se resolveria, mas a loira não tinha controle algum sobre aquilo que a esperava. Mal sabia o que estaria por vir. Entretanto, aquela promessa foi o único modo que a Xerife conseguiu expressar que, acima de tudo, amava Regina Mills. Tanta coisa passava por sua cabeça, Regina mal podia imaginar. Finalmente encontrou seus pais e, agora, está batendo de frente contra eles para defender aquilo que ela nunca imaginou ter: amor verdadeiro. E embora amasse a Prefeita com uma pureza nunca vista antes, Emma não podia negar ter receio quanto à personalidade conflitante de Regina. Afinal, ela era a Rainha Má, mesmo que Emma não a visse de tal forma. Hesitação era algo compreensível quando se tratava de Regina Mills.
–Emma, Emma! –Chamou Mary Margaret. A loira, perdida em seus pensamentos, foi trazida de volta a realidade com o toque de sua mãe. –Querida, me diga o que está acontecendo. –Pediu a morena.
–Eu... Eu não posso falar agora. –Emma tentava fugir. Mas Mary Margaret continuava a insistir.
–Emma, estamos tentando ajuda-la. –Sua voz tornou-se mais frágil. Emma, então, parou imediatamente. O olhar de sua mãe parecia pedir consolo e, mesmo em conflito, Emma não pôde deixar de abraça-la. –Me diga o que está acontecendo, querida. –Sussurrou a morena, acariciando o cabelo da filha. Era como se Mary Margaret estivesse consolando Emma.
–Eu vou atrás de Gold, ele é o único que pode ter feito isso. –Falou Emma, com determinação. Um frio alojou-se no estômago de Snow White.
–Emma... –Ponderou.
–Quem o matou usava magia, só pode ter sido ele. –Murmurou, mais para si do que para a mulher. Entretanto, não era isso que se passava pela mente da morena. Ela tinha certeza de que a culpada para isso era Regina. Afinal, tudo que lhe acontecia era culpa de Regina. Era mais fácil responsabilizar qualquer outro alguém do que a si mesma.
Depois que Emma havia acordado Regina do sono profundo com o beijo do amor verdadeiro, o caos havia se instalado entre Snow White e Príncipe Charming. O homem não culpava a esposa pela insanidade de sua filha, mas culpava-a de privar o príncipe de saber da relação entre as duas. Assim que eles chegaram ao apartamento, David não conseguia conter-se. Sua revolta era tamanha. Sua filha estava sendo usada, enfeitiçada ou o que quer que seja pela mulher que havia destruído sua vida e tentado matar sua família centenas de vezes. Como ele poderia permitir aquilo? Como poderia permitir que Emma seguisse o caminho obscuro e, particularmente, repugnante que era ficar ao lado de Regina. Para ele, era pura insanidade. Emma só poderia estar louca. A resposta mais rápida, e fácil, era culpar Regina. Enfim, Snow tentou explicar ao marido que, mesmo concordando que era loucura, eles teriam de respeitar a escolha de Emma. Pelo menos por enquanto. Eles teriam de esperar para saber se aquilo era real, ou pelo menos haveriam de esperar até se acostumar com a ideia.
–E se não foi Gold... –Sugeriu Snow. –E se foi Regina?
–Regina? Regina não faria isso! Que motivos ela teria? –Alterou sua voz rapidamente, afastando-se da mulher.
–Que motivos teriam Gold?
* * *
A prefeita ainda permanecia na delegacia onde Emma trabalhava. Não porque foi mandada, mas sim porque aquele lugar lhe trazia certas lembranças. Como quando fazia seu jogo de gato e rato com Emma. Ah, Regina sempre adorou a sensação de irritá-la, de provoca-la de todas as formas possíveis. Mas assim que Emma saiu outros pensamentos lhe ocuparam a mente. Pensamentos não tão bons. Ela não havia se esquecido do que aconteceu ao sentir os lábios vermelhos de Emma a acordarem do sono profundo daquela maldição. Ela havia se conectado à loira de uma maneira que nunca viu em toda sua vida. Regina pôde ter acesso aos momentos mais felizes da vida de Emma, e imaginava ter acontecido o mesmo com a loira. Todavia, o que mais lhe incomodava era o aparecimento de certo rapaz. Seu rosto era familiar, mas ao mesmo tempo irritante, e acima de tudo, odiava aquela sensação. Por que ele ocupava aquele espaço na mente de Emma? E aquele colar? O que ele poderia significar?
Regina, então, se lembrou da primeira vez que vira Emma de forma diferente. A maldição havia sido quebrada e todos na cidade ansiavam pela morte à Rainha que destruíra suas vidas, mas este havia sido impedido por Emma. Muito antes disso, Emma havia despertado a atenção de Regina. Assim que a loira chegou à cidade, seu modo de agir, seus olhos penetrantes, o mistério em sua voz, havia algo deliciosamente convidativo na loira. Era como um diário trancafiado, descobrir seu segredo era o que Regina mais desejava.
Mas agora, Regina tinha mais uma dúvida em mente: Quem matou Archie?
Ninguém em Storybrook seria capaz de tal. E se houvesse alguém, poderia contar nos dedos. O primeiro suspeito seria Gold, certamente. Ou talvez George, o antigo Rei. Mas Regina não tinha argumentos que sustentassem suas teorias.
* * *
Emma já havia chegado à loja de Gold, mas desta vez acompanhada. Não só de Mary Margaret – Snow White-, mas de David Nolan – Príncipe Charming-. Elas haviam encontrado o homem, que insistiu em acompanha-las até Gold. Embora Charming acreditasse, assim como Snow, que Regina fosse culpada. Decidiu reprimir sua indignação para provar, aos poucos, à filha quem realmente era a Rainha. A loira já estava um tanto impaciente ao entrar. Bella e Gold estavam logo atrás do balcão, conversando despreocupados.
–Parece que a má educação é algo na família. –Suspirou Gold, desistindo de por o aviso na porta. Emma, mais uma vez, ignorou a fala do homem.
–Foi você. –Afirmou Emma. No fundo, era o que a loira desejava ser verdade. –Quem matou Archie. –Gold a fitou, procurando algum fundamento na acusação. Bella franziu o cenho, preocupada. Sabia que não havia sido o homem, pois passada toda a noite com ele.
–E o que lhe faz pensar de tal forma, Srta. Swan? –Perguntou, casualmente. Como aquilo irritava a Xeife.
–Quem o matou tinha habilidades... Mágicas. –Explicou. O assunto –mágica- era ainda muito estranho para Emma. Mas, enfim, teve de encarar que tudo aquilo era sua realidade.
Uma risada, irritante, saiu da garganta do homem. Como a que ele costumava dar, quando ainda era o Senhor das Trevas. Mary Margaret e David se entreolharam confusos, mas Emma não cedeu, estava determinada a acreditar naquilo.
–E eu sou a única pessoa a possuir magia em toda a cidade? Parece que esquecemos nossa Majestade, não é mesmo? –Sibilou risonho. Um suspiro de compreensão surgiu em ambas às gargantas de Charming e Snow. Eles sabiam.
–Está sugerindo que foi Regina? –Disse Emma, com um tom sarcástico, porém hesitante. –Regina esteve... Comigo... Durante toda a noite. –Disse receosa em seu comentário. Charming desviou o olhar, sentindo-se desconfortável, e Emma pôde notar.
–Rumple também esteve comigo. –Disse Bella, defendendo-o. Um sorriso vitorioso brotou em meio aos lábios finos de Gold. Logo, o estômago de Emma passou a revirar-se, levando-a a uma sensação terrível de enjoou.
–Srta. Swan, por que não considerar a hipótese de Regina ter saído na calada da noite para matar o pobre homem? –Sugeriu Gold casualmente, limpando seu balcão com uma pequena flanela alaranjada. Emma não respondeu. –Ou estavam ocupadas? –A risada alta do homem, faz com que os pais da loira mais desconfortáveis ficassem.
–Eu... Eu sei que não foi Regina. E isso basta. –Deu por encerrado. –E por que deveríamos acreditar em você?
–Bem, se é assim, acho que só podemos perguntar àquele que estava presente, não é mesmo? –Murmurou Gold, misteriosamente. Emma arqueou as sobrancelhas, confusa. Não havia sequer testemunha no local. –O cachorro. –Explicou o homem, percebendo o quão perdida estava Swan. Emma revirou os olhos.
–Vamos perguntar ao cachorro? Ótimo! Por que não falamos com os pássaros também! Melhor! Vamos interrogar os móveis! –Dizia Emma, sarcástica. Mas seu riso mostrava mais seu nervosismo.
Gold insistiu que o fizessem e, sendo levados pela esperança de ver sua filha livre do tal feitiço da Rainha, Charming e Snow concordaram. Não demorou até que Pongo, o dálmata, fosse trazido pelo Príncipe a fim de desvendar o mistério. Entretanto, Emma estava completamente perdida, sentia como se estivesse traindo a confiança de sua amada e compactuando para que ela seja a culpada de tudo aquilo e, embora ela não soubesse sua história, Emma sabia que Regina se arrependia de tudo que fez e tentava mudar. Afinal, se havia algum assunto que a loira conhecia bem era o quão difícil é mudar.
Mesmo assim, a Xerife não se opôs. Ela confiava em Regina, e ela nunca faria isso. Não depois de tudo que aconteceu, não depois de saber a verdade sobre elas. Sendo assim, ela não tinha do que temer, sua amada passara a noite inteira ao seu lado e sabia disso, pois sentia seu corpo colado ao dela até em seus sonhos. Gold, enfim, retirou um arco dourado, que mais parecia um símbolo protetor de alguma civilização antiga, e entregou à loira como se ela soubesse exatamente o que fazer.
–Certo. –Disse Emma. –O que diabo é isso? –Gold revirou os olhos, mas Charming e Snow permaneciam abraçados, um apoiando o outro, enquanto acompanhavam as palavras do homem.
–Isso é um catador de sonhos, — Explicou. –Ele irá mostrar-nos as memórias do cão, mas para isso precisará de um pouco de magia. –Um sorriso sombrio brotou em seus lábios finos. Emma hesitou.
–Então, por que não faz você? –Balbuciou, devolvendo o arco. Gold, entretanto, não o aceitou.
–Por qual razão eu faria isso? Quem quer saber a verdade não sou eu, além do mais, você é a Salvadora. Use sua magia. –As palavras ditas em um tom agudo irritante apenas fez com que Emma recuasse mais. Ela odiava ser a salvadora, e por educação não admitia isso em voz alta. Magia, herói, aventuras, nada disso era o que ela queria afinal. Mas agora, isso não mais importava. Ela estava lá por um motivo: Provar que Regina está mudou.
Emma, então, tomou o catador de sonhos em mãos. Não sabia o que fazer, mas sabia o que queria. E iria conseguir. A loira focou sua atenção do circulo dourado, mais precisamente do centro dele, e desejou do fundo de seu ser que a verdade fosse revelada. De repente, ela pôde sentir uma pressão se adentrando em seu corpo, fazendo-o tremer levemente. Era uma sensação boa, enriquecedora, mas também perigosa. E finalmente, a imagem se estendeu circulo adentro.
O ângulo da imagem era baixo, como uma câmera apoiada no chão. Afinal, era a visão do cachorro. Regina entrava no consultório médico calmamente, livre de qualquer culpa, aparentemente. Archie, por sua vez, a recebia com seu mesmo sorriso tranquilizador como quem quisesse ajudar.
O coração de Emma passou a martelar em seu peito. Está tudo bem, dizia para si mesma. Eu confio em você. Um frio se instalou na coluna da loira, escondendo o medo que nela existia.
O homem já iria chama-la para se sentar, como se já atendesse a mulher há tempos. No entanto, o que aconteceu foi o extremo contrário. Regina se aproximou de Archie com ferocidade, seus olhos eram vagos e só o que transmitia era puro ódio. Não existia alma ali. E só o que restava era um sorriso doentio, de quem apreciava a angústia de sua vítima. Como se aquele sentimento fosse crucial para a sobrevivência da mulher. Regina atacou o homem usando somente uma mão, envolvendo seu pescoço e com uma força desconhecida, provavelmente favorecida pela magia, ergueu o corpo do rapaz no ar. Ele se debatia, segurando a mão da mulher, em busca de oxigênio e de uma escapatória. Mas este, nunca veio.
Snow, assustada, escondeu seu rosto no pescoço de Charming que, igualmente aterrorizado, acariciava o cabelo de sua amada de modo protetor. Belle gemeu baixinho, envolvendo um dos braços de Gold. Mas Emma... Emma permaneceu parada, enquanto pouco de sua força era consumida pelo objeto, que igualmente consumia a coisa mais importante que qualquer um pode ter: Esperança.
* * *
A imagem desapareceu assim que o objeto sofreu o impacto contra o chão. Se ele estava intacto ou não, pouco importava à Emma. Aquilo só podia ter falso, manipulado, qualquer coisa que negasse o que ele tentava dizer. Dizer que Regina era culpada, e pior: dizer que Regina mentira todo esse tempo para Emma. Não fazia o menor sentido.
Snow White virou-se novamente para a filha, uma expressão triste dominava seu rosto, quase como pena. Gold suprimia um sorriso vitorioso enquanto Charming reprimia a satisfação de estar certo. Ele estava certo, todos eles estavam. David tentou se aproximar de Emma, tentar abraça-la talvez, porém nem se sua intenção fosse realmente verdadeira ele poderia, pois logo recuou, dispensando a dó do pai.
Emma Swan parecia ter sido sedada, seus olhos batiam no objeto caído e o chão parecia ter sumido sob seus pés. Seu coração batia vagarosamente, como se cogitasse a ideia de desistir. Regina a enganou. Regina a enganou dizendo que a amava, dizendo que aquilo era tudo que ela desejava, dizendo que mudou. Regina a havia usado para conseguir sua vingança contra sua inimiga, e também mãe de Emma, Snow White. Era para isso que a loira serviu: um brinquedo descartável. Ela se sentia traída, se sentia suja, suja até sua alma apaixonada ao ouvir as palavras tão harmoniosas de Regina. Mais que isso, sentia-se burra ao pensar que a ideia de um amor verdadeiro valeria para si também, ou que poderia ser feliz. Todos os sorrisos, os toques, os beijos, como poderia ser tudo isso fingimento? E como Emma não haveria de ter notado isso antes? Talvez, Regina nem houvesse acordado pelo beijo de seu verdadeiro amor, mas sim por conta própria, com seus próprios poderes, como havia planejado desde o início. Quem sabe se Regina sentisse apenas desprezo, e quiçá, nojo por Emma. Ela não poderia suportar o olhar de pena da mulher que mais amou durante toda sua vida. Isso era o que ela mais temia. Não poderia ser abandonada mais uma vez.
Seu olhar vago se lembrava dos momentos mais detalhados entre elas, e não conseguia perceber sequer segundo em que olhares ou gestos pudessem ser interpretados de tal forma. Ela se sentia amada por Regina Mills, e, depois de perceber que não havia nada de errado nisso, ser traída de tal forma era de rasgar o coração. Uma lágrima caiu de seus olhos, fugindo e desaparecendo conforme o seu desejo naquele momento.
–Emma, querida... –Snow abraçou a filha, acariciando seu cabelo loiro lentamente, mas a loira não correspondeu. Apenas permaneceu parada, sentindo os braços da mãe. Porém, este parecia tão distante.
Emma soltou-se dos braços de Mary Margaret e passou pelo pai, esbarrando grosseiramente em seu ombro. Sentia-se derrotada, fragilizada, quebrada. Como Regina poderia tê-la usado de tal forma?
O castelo de Henry, perto do mar, foi o único lugar que Emma pôde recorrer na última hora. Depois que este fora destruído por Regina, quando elas ainda jogavam feito gato e rato, Emma resolveu consertá-lo. Isso demorou muito tempo, e os problemas de Storybrook vieram à tona. Ainda faltava muito a ser feito, embora ela tivesse deixado com uma cara melhor. Entretanto, isso não importava agora. Emma deixava suas lágrimas caírem a aquecer sua bochecha. Odiando a si mesma por ter se deixado enganar, ela permaneceu ali a sós com sua consciência durante algumas horas. Quando seu choro finalmente parava, as memórias voltaram trazendo mais lágrimas.
Já basta, pensou Emma, levantando-se rapidamente. Ela não ia mais ser enganada pelos encantos de Regina, não, já era mais do que Swan poderia aguentar. Uma sensação ardente subiu até sua garganta, como uma fera que ansiava por libertação, a raiva lhe queimava. Engolindo o choro, ela limpou as lágrimas. Estava fazendo aquilo que sempre fez, protegendo-se e formando uma barreira. Aquela antiga barreira solitária. Não queria o amor se ele sempre fosse terminar desse jeito. Por qual motivo se iludir com a felicidade se você não pode tê-la por muito tempo?
Emma pegou seu celular assim que conseguiu controlar sua voz, para que não tremesse, e ligou para David.
–Me encontre no relógio. –Disse simplesmente, e desligou.
David logo o fez, junto de sua esposa. Agora, prontamente, esperavam sua filha no lugar marcado. Mary Margaret já havia conversado com a Fada Azul sobre seu plano, se Emma não fosse prender Regina, eles iriam continuar mesmo assim. Regina precisava pagar pelo que fez.
Eles haviam combinado com a Fada Azul que usasse seus poderes para capturar a Prefeita enquanto ela a distraía, sim, era um plano arriscado, mas situações desesperadas pedem medidas desesperadas.
Enfim, Emma estava chegando. Porém, havia algo diferente na mulher. Não havia trocado de roupa, ou coisa semelhante. Não, o que chamava atenção eram seus olhos, que em vez de demonstrar ternura e até certo conflito interno, tinham um tom sombrio e consumido pela raiva, ódio, mais por si do que pela mulher que a enganara. Sua pupila ocupava mais espaço que sua íris verde-esmeralda dada à tamanha revolta, tamanha dor. Por um momento, os Charmings hesitaram ao chamar a filha, seu estado era irreconhecível.
–Vocês estavam certos todo esse tempo. –Murmurou Emma ofegante. Mas eles a olhavam preocupados, sem saber do que se referia. –Vamos prender Regina.
* * *
A mansão dos Mills estava tão silenciosa que fazia. Um sorriso tolo brotou em seus lábios, inconscientemente. Embora todas aquelas preocupações; a morte de Archie, o colar de Emma, e o rapaz de suas memórias, ela ainda conseguia manter um sorriso em seu rosto, por menor que fosse. E tinha que agradecer isso à loira. Enfim, Regina havia voltado da delegacia, sem muito que fazer. Tinha tirado o resto do dia de folga e voltado para casa, pensou em pegar Henry na escola, mas era cedo demais. Simplesmente, Regina estava empolgada com a ideia de ter uma família novamente, ou melhor, ter uma única. No entanto, isso não duraria muito tempo.
Um barulho em sua porta fez a Prefeita pular, alguém batia a sua porta. Ela foi obrigada a despertar de seus pensamentos para atender a quem a chamava do outro lado. Sendo assim, Regina abriu-a, casualmente, dando de frente com Emma. Antes mesmo que ela pudesse dar seu sorriso, naturalmente, pôde perceber algo sombrio nos olhos verde-esmeralda da loira. Regina hesitou.
–O que- Regina se interrompeu, um pouco assustada. Aquelas íris claras sempre felizes, sempre esperançosas tomavam, agora, o lugar de um verde escuro tomado por sua pupila de forma tão dolorosa. Regina quase podia sentir o que Emma sentia; profunda tristeza, decepção, angústia e afins. Seu coração apertou. Aquele olhar quase idêntico ao de seu pai –Charming- quando a olhava, com pena, se não nojo. O que poderia ter acontecido para provocar tais sentimentos? E por que Regina mantinha essa conexão com Emma Swan?
–Emma viu no catador de sonhos, Regina... –Disse Snow, finalmente, quebrando o terrível silêncio. Regina, que antes preocupada com o olhar da loira, olhou para Snow. –Nós sabemos, — Sua voz mantinha aquele mesmo tom de pena, desde que a conhecera era esse seu tom de soberba. Snow se achava tão sábia.
De repente, a verdade lhe atingiu.
–Você... Usou magia? –Perguntou Regina, incrédula. De fato, Emma poder usar magia era algo que lhe incomodava um pouco, porque o poder era uma sensação que Regina gostaria de ter a exclusividade de desfrutar, porém, havia algo além de seu egoísmo que a deixava mais preocupada: Magia sempre tem um preço.
Emma desviou seu olhar para o chão, com um pequeno sorriso sarcástico. Não por gostar do poder, mas por imaginar que isso, de certo modo, incomodaria Regina. Sua mágoa era tanta, que ela nem poderia usar sua habilidade de saber quando alguém está, ou não, mentindo. Estava, simplesmente, cega. Regina estreitou os olhos.
–Gold... –Regina murmurou para si. –Então ele a avisou... –Sua voz tentava manter seu tom superior, entretanto, era possível ver a preocupação em seus olhos cor de chocolate.
Emma franziu o cenho, resistindo ao, que ela achava ser, fingimento de Regina. Seu coração estava partido, seus olhos cegos para as brechas que Regina, inconscientemente, deixava transparecer. Enquanto a Prefeita resistia àquele olhar de Emma, que fazia seu peito doer cada segundo a mais que se atrevesse a observar. Elas estavam destruindo uma à outra.
–Do que está falando? –Perguntou Emma, seca. Regina a fitou, desta vez hesitante.
–Magia sempre tem um preço. –Recitou. Aquela frase tão escutada durante toda sua vida.
Emma respirou fundo, engolindo tudo que gostaria de gritar, perguntar, suplicar à Regina. Engolindo sua mágoa, sua dor, seu choro.
–O preço que nós iremos pagar.
–Do que está falando? –Regina congelou. Haveria preço pior do que aquela situação? Emma não acreditava em Regina. A loira era sua esperança, era sua promessa de família, era seu amor verdadeiro. E aquela dor a torturava, uma mistura de preocupação com desespero. A luz estava se afastando dela novamente, mas desta vez, ela não sabia a quem culpar, não sabia nem o que estava acontecendo. Apenas via Emma ir embora de forma tão cruel, que despertava uma parte na morena que ela preferia esquecer.
–Henry. –Emma controlou sua voz. –Ele acreditou em você. –Seus olhos se estreitaram, a revolta crescendo em seu estomago. –Eu acreditei- Ponderou, balançando a cabeça. Não era a hora certa, ela não permitiria Regina de vê-la desta forma. –Seu coração... Irá quebrar. –Emma estava, plenamente, ciente do efeito que as palavras tinham em Regina.
–Não. –Balbuciou Regina. Tudo poderia ser tirado dela, mas não seu filho. Henry era a única coisa que Regina não aceitaria perder, era o único que salvara a alma de Regina da completa escuridão e a aproximava -por menor distância que seja- da humanidade.
–Não vou deixar você coloca-lo contra mim, – Sua voz mais soava como ameaça.
–Não interessa, você fez isso sozinha. –Disse simplesmente, e virou-se. O coração da loira se partia cada vez mais, provocando a ausência de chão de Regina.
Uma ardência se alojou no estômago de Regina. Aquilo estava acontecendo novamente. Sua felicidade sendo tirada dela. O que, ou melhor, quem poderia ter enchido a cabeça da loira de besteiras contra a Prefeita só poderia ser a mesma que arruinou sua vida uma vez. Sua dor transformou-se em ódio rapidamente. Por quê? Por que Regina não poderia desfrutar daquele sentimento tão conhecido pelos heróis? Por que Regina não poderia ser feliz uma vez sequer em toda sua vida?
–Eu quero vê-lo! –Ordenou Regina, indo atrás de Emma. Mas não lhe houve resposta. –Ele merece ouvir o meu lado da história! Ele é o meu filho! –Gritou. Então, Emma se virou furiosa. Seus olhos queimavam de raiva, mais em sua maioria transbordava a dor que lhe consumia a alma.
–NÃO, NÃO É! ELE É MEU FILHO! –Gritou. Regina parou imediatamente, nunca havia visto tal fúria. Entretanto, isso só fez com que sua raiva e seu rancor aumentassem de grandeza desproporcional. Snow e Charming correram até as duas, receando por sua filha. –E depois disso, você não irá se aproximar dele! –Gritou, esforçando-se ao máximo para não sair do controle. Tinha um plano para seguir, e se este não funcionasse... Não queria pensar no que poderia acontecer. –Faça! –Emma ordenou, finalmente.
De repente, a silhueta magricela de Fada Azul surgiu dentre as moitas. Suas mãos estavam envolvidas com uma névoa azul, quase branca; Magia das fadas. Regina, instintivamente, virou-se, erguendo as mãos para se proteger. Seu coração afundava e parecia se rasgar cada vez mais. Era tudo uma armadilha. Emma a havia atraído para que fosse capturava, mais uma vez, por Charming e Snow White. Entretanto, suas mãos agiram como um escudo, impedindo que a magia conjurada por Fada Azul cumprisse seu objetivo. Regina capturou o feitiço, tornando-o inútil.
–Você realmente achou que funcionaria de novo? –Sibilou Regina, seu sarcasmo e soberba mais aflorados que nunca, e lançou a pequena bola de magia, agora desprezível, nos pés dos Charmings. Então, Regina suspirou, comprimindo sua dor latejante, e virou-se para Emma. Seu ódio, sua escuridão, cegavam-na os olhos. Tudo que podia ver era uma traidora, filha de sua inimiga. Emma não somente não acreditava nela, como talvez, nunca tivesse. Regina via Emma logo a sua frente, lembrando-se das vezes que se entregou aos sentimentos que tanto hesitava em sentir, lembrando-se dos sorrisos e suspiros dados por causa dela e somente dela. Regina via logo a sua frente à mulher que ela amava, mas que acabara de destruir toda luz que havia em seu interior. Mas será toda?
–Você! –Regina se aproximou. Seus punhos cerrados, seu coração possuído por escuridão. Emma engoliu seca. –VOCÊ NÃO VAI MANTER MEU FILHO LONGE DE MIM! –Gritou com tamanha fúria, erguendo os braços.
De repente, o corpo de Emma foi lançado há metros de distância com uma força que só a Rainha poderia conjurar. Seu poder estava em seu sangue. A loira sofreu o impacto contra o chão úmido. A dor, Emma só sentiria horas depois como consequência da queda, seus sentimentos e sensações borbulhavam dentro de si com uma intensidade descomunal. Snow e Charming correram até a filha, ajudando a levantar de pressa, antes de serem atacados por mais um golpe da Rainha.
Entretanto, Regina não estava satisfeita, muito menos ciente do que, realmente, estava acontecendo. Ela se aproximou, seus olhar era vago, diferente do de Emma -agora- que só guardava dor e mágoa. Regina estava à mercê de sua escuridão, não havia mais luz para guia-la.
–Onde está sua mágica para salvá-la agora? –Sibilou Regina, em seus lábios um sorriso maníaco, tão familiar...
Mas Emma estava incrédula.
–Não preciso. –Disse, ponderando sua respiração ofegante. O medo, a dor, a revolta se embolando confundindo-lhe a mente. –Não há como Henry acreditar em você agora. –Uma lágrima brotava nos olhos da loira, mas tão logo, limpou-a. Não poderia demonstrar quaisquer sinais de fraqueza à Regina, sabia que era exatamente isso que ela queria ver. –Você pode me enganar, mas agora eu sei quem você é.
De repente, a verdade, mais uma vez, despencou sobre Regina. Tudo voltou a clarear sua mente. O que ela havia feito? Machucado uma das pessoas que mais amava em todo mundo. Não havia volta. Sabia que Emma nunca iria perdoá-la, não desta vez.
–E quem você sempre será.
Regina não sabia o que mais fazer. Havia destruído Emma, podia ver em seus olhos: Seu coração rasgando-se ao meio, assim como o dela. Ela havia feito àquilo que mais temia. Havia se tornado quem ela mais temia: Sua própria mãe.
Sem mais escapatória, ela cobriu seu próprio corpo com uma névoa negra, transportando-a para o único lugar onde saberia que estaria sozinha, e não machucaria ninguém mais. A névoa refletia sua alma. Apenas escuridão, pois sua única fonte de luz a havia deixado para, quem sabe, nunca mais voltar.
* * *
–Sabe, você deveria ganhar o prêmio de mãe do ano! –Zombou Gancho. Mas Cora ignorou-o, mais uma vez. Estava ocupada observando a belíssima cena de sua filha atingindo a tal loira com sua força e seu poder, degustava o sabor de sua vingança, mas ainda não estava completa. Cora haveria de ensinar uma valiosa lição, lição que ela havia aprendido da pior maneira há muitos anos, quando era apenas uma adolescente. Ela já havia se apaixonado uma vez.
Cora balançou a cabeça, enojando-se com seus próprios pensamentos. Não era hora de pensar naquilo.
–Ela já está despedaçada? –Perguntou Gancho, casualmente. Falavam como se Regina fosse um objeto que poderia ser concertada e quebrada quantas vezes eles quisessem.
–Ainda não. –Disse, simplesmente. –Mas, felizmente, não demorará até que aconteça. –Sibilou, com um sorriso maníaco em seus lábios.
Cora guardava em sua mente, um plano desumano para uma mãe. Ela faria com que Regina perdesse tudo; seu amor, seu filho, sua posição até que finalmente, pudesse tirar-lhe a vida. Sem antes, é claro, divertir-se um pouco. Entretanto, a definição de diversão para Cora era diferente do comum. Assim como em Wonderland, Cora iria se divertir do modo mais sádico e cruel possível. Como fazia com os escravos que a desobedeciam em seu antigo reino. O fato de Regina ser sua filha não a impedira de planejar sua tortura e satisfazer-se isso. Aquele era um passatempo que construíra durante todo seu reinado em Wonderland. Regina, cada vez mais se parecia com Cora, mas não do jeito que a Prefeita costumava a ver, mas com a antiga Cora. A pequena e apaixonada Cora. Era repugnante. E haveria de ser concertado de um jeito ou de outro. Caso contrário, ela mataria a tal loira na frente de Regina, assim como fez com Daniel. Não faria diferença. Mas a mulher queria desfrutar mais daquela situação, para que sua filha aprendesse de uma vez que o amor é apenas fraqueza. E matar Swan só faria com que seu amor pela loira aumentasse, teria de ser a própria a destruir aquele laço tão forte.
* * *
Emma mal conseguia sentir suas próprias pernas. Seu coração e sua coluna podiam sentir, agora, as consequências da briga com Regina. Entretanto, ela ainda não podia acreditar no que ela foi capaz de fazer. Feri-la. Sem dó, nem piedade. Simplesmente a lançou metros de distância. Não era aquela pessoa que Emma se apaixonou perdidamente. Onde estaria a doce, misteriosa e gentil mulher que havia compartilhado momentos de intensa felicidade? Ela segurava seu cordão, dado por ela. Aquele anel prateado pendurado em seu pescoço que ela poderia jurar que brilhava toda fez que pensava em Regina. Emma a queria de volta, mas sua mágoa era tanta que nem um minuto sequer, pensou na possibilidade de estar enganada. E por mais que estivesse; o que Regina fez a ela não ajudaria a ter seu perdão.
Agora, a loira tinha mais uma tarefa dolorosa: Contar a Henry que a mãe que o havia criado é, na verdade, um ser desumano, dada a tamanha crueldade em sua alma. O ônibus escolar chegaria a qualquer momento, e o desespero fazia a ferida em seu coração doer mais e mais.
–Você pode fazer isso. –Assegurou Snow, tocando o ombro da filha. Charming sorriu fraco, apesar de tudo, podia perceber o sofrimento nos olhos verdes da filha.
–Não, não sei se eu posso. –Tagarelou. –Eu não posso. –Pensou alto. –Isso é coisa de pais de verdade, e... E eu nem sei como fazer isso! –O nervosismo fazia sua voz falhar vez ou outra.
–Eu sei, digo isso a mim mesmo todo esse tempo. –Disse Charming, tentando apoiar a filha. Sentia-se culpado por parte de seu sofrimento. Com razão.
–Não, é diferente. –Choramingou Emma. –Eu... Vocês não me conhecem, não sabem como eu era antes de vir à Storybrook, e, acreditem, não era nada maternal ou algo do tipo. –Tagarelou, mais uma vez. Olhava de minuto em minuto para o final da rua, checando se o ônibus de Henry havia chegado.
–Emma, você é ótima com Henry. –Confortou-a.
–Eu fui mãe por nada mais que cinco minutos... –Emma choramingava.
–E eu também, mas temos que fazer isso. –Ele segurou o queixo de Emma. –Você não está sozinha, Emma.
Então, o ônibus estacionou. Emma lançou um último olhar à Mary Margaret, finalmente vendo-a como sua mãe, e virou-se para Henry que atravessava a rua com a ajuda de um guarda próximo.
–Hey, kid! –Disse Emma, tocando o ombro do menino. Henry sorriu, mas este não durou muito tempo ao perceber o olhar triste de sua mãe. –Vamos, garoto, precisamos conversar.
* * *
As lágrimas escorriam dos olhos vermelhos do menino, o que Emma estava dizendo não fazia sentido algum. Archie era seu melhor amigo, e foi à própria Regina que o encaminhou para ele. Henry não entendia, era pequeno demais para entender. Sua mãe poderia ter sido a Rainha Má, mas ele sabia que ela estava tentando mudar, ela havia se sacrificado para salvá-lo dos efeitos da maldição. Ela acordou com o beijo de Emma. Por que jogaria tudo isso fora?
–Não! –Disse Henry, se afastando da loira. De repente, um barulho como uma bola de gás soou como se fosse abafado por algo. Vinha do carro preto de Regina, mas não havia ninguém lá. Não mais.
–Henry... –Choramingou. Mas o menino não cedeu, pelo contrário, levantou e passou a correr. –Henry! –Gritou Emma, mas já era inútil.
O garoto já havia virado a esquina, mas a loira sabia para onde ele iria. Ela voltou a seus pais preocupados. Emma chegou silenciosa, a dor em seu olhar era quase transparente de tão nítido. Snow a abraçou, pensando sentir sua dor. Mas Snow não fazia ideia de como Emma se sentia. Snow White, apesar dos encontros e desencontros, sempre teve Charming amando-a e prometendo um final feliz, sempre teve uma esperança de resgate quando estivesse em perigo. Ela nunca esteve sozinha. Já Emma... Passara a vida inteira só para salvar a de um reino inteiro, abrir mão de sua vida “normal” para salvar a de outros “inocentes”, embora cada um naquela cidade tivesse feito uma contribuição para a destruição da alma da Rainha.
–Ele foi para o castelo... –Disse Swan, com sua voz embargada.
❤
Notas finais
-No próximo capítulo, veremos a história de Cora e um segredo que ela escode à sete chaves. Por que Cora sente tanto ódio pelo amor? Será que Rumple tem algo haver, ou outro alguém contribuiu muito mais para isso?
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