Broken

12 Evil Is Not Born. It's made.


Notas iniciais
Hey everybory. Eu sei que eu demorei para postar, mas é porque eu não tenho tido tempo, mesmo. Peço desculpas por isso, mas não garanto que na próxima semana eu seja pontual. So... Not regrets. Enfim, confesso que escrever esse capítulo foi sair da minha área de conforto, mas é necessário para o entendimento do que vem a seguir. Tive que acelerar umas coisas, e como disse: A fic não seguirá o tempo cronológico do show, então... Excuse me. Anyway, ultima coisa: Tenho deixado Mulan e Aurora de lado, mas prometo que elas terão uma importância maior daqui para frente. Ok, falei demais. -Baseado no episódio 16 da Segunda temporada.-Boa leitura!OBS.: Houve um erro na postagem, desculpem-me por isso. Já está corrigido, e a quem leu a edição anterior, simplesmente apaguem de sua memória! Obrigada!

* * *

–Não! Não vou encobrir você novamente! –Gritou a menina de cabelos incendiados. Sua pele era branca, e seus olhos negros, mas dona de uma beleza desperdiçada em uma péssima reputação. O homem caído ao chão murmurava grosseiramente, mas poucas palavras eram realmente compreensíveis. A menina mal havia completado 15 anos e, contra sua vontade, morava com seu pai, pois o paradeiro da mãe ela desconhecia. O cheiro de rum era nítido a qualquer um que ousasse chegar a menos de dois metros do homem.


–Volte aqui, — Pediu o homem, com a voz embriagada. –Volte e ajude seu velho pai!



Mas a menina não atendeu, simplesmente continuou com seus serviços. Ela ajudava seu pai a levar farinha ao Castelo do Rei que estaria recebendo sua visita mais ilustre: Uma princesa. Uma princesa que só o nome, a menina conhecia: Eva. Eva era a filha do Rei, que ainda pequena saiu do reino para explorar aquele mundo. Ou pelo menos, era essa a história que ela sabia. Entretanto, isso só mudava a sua rotina porque ela teria de produzir e carregar o triplo de saco de farinha, pois quando se tratava de desperdício de comida, o Rei tinha amplo conhecimento sobre.



A viagem era longa, mas, particularmente, a menina adorava, sua vista era belíssima. Era a vida que ela sempre desejava: ter um lindo e agradável lugar para viver, se apaixonar e montar sua família e planos que ela se atrevia a planejar. As garotas daquela época nasciam já destinadas a uma vida padrão, e estava para nascer aquela que reclamasse de tal obrigação. Mulheres eram criadas para servirem e se curvarem diante dos homens e das ordens impostar pela severa sociedade, e por mais que aqueles, sejam eles poucos ou não, reclamassem não resolveria absolutamente, pois a própria sociedade, em sua maioria, era composta por homens, aqueles beneficiados por esse modo machista de pensar. Então... O que estaria errado?



Assim que chegou, não perdeu tempo para completar seu serviço. Tudo no reino era diferente da aldeia que vivia. Todos lá, até mesmo os empregados, vestiam trajes elegantes e bordados detalhadamente. A menina não cansava de se encantar com cada centímetro da realeza, a realidade tão distante da sua. Tão encantada estava, que nem viu o que estava logo a sua frente.


De repente, a menina viu-se sendo jogada ao chão, por um golpe tão baixo que nem pudera notar.


–Ah! Garota estúpida! –Reclamou a menina, prepotente. Um de seus sacos cheios de farinha branca caíra aberto em cima de suas vestimentas, inundando-a em pó esbranquiçado.



–O que disseste tu? –Sibilou uma voz grave. Logo, a menina temeu ao virar-se e ver a quem se referia anteriormente. Era um guarda real, um tanto abobado, de pernas finas e magricelas. –Estás bem?



–Sim — A menina respondeu baixinho.



–Não estou falando contigo, insolente! –Rugiu o rapaz. –Como ousas! Refiro-me à princesa, ora! –Logo, a menina pode ver. Uma menina parecia ter sua idade, se não um pouco mais nova. Mas os traços faciais da eram bem expressivos e marcantes. Em seus olhos um profundo azul, em sua boca um vermelho natural e em sua pele um branco congelante. –Peça desculpas, Filha de Moleiro! –Exigiu. Mas a menina se recusou, virando o rosto com prepotência.



A outra menina observava à cena com atenção e com igual apreciação. Adorava o sentimento de ver a todos se curvando diante dela e esta garota seria a primeira atrevida a se recusar. A sensação de um novo desafio chamava a atenção da princesa.



–Qual teu nome? –Decidiu perguntar, a Princesa, com tom de superioridade. A menina a olhou, erguendo a sobrancelhas.



–Cora. –Respondeu somente. A princesa lhe fitou, com um pequeno sorriso provocativo.



–Ajoelhe-se e peça perdão, Filha de Moleiro! –Impôs o guarda magricelo. Cora lhe lançou um olhar gelado, de ira com desprezo, se recusando a fazê-lo. O homem, contrariado, sentiu-se desmoralizado. Com ira, o homem ergueu a mão preparando-se para que seu próximo golpe acertasse em cheio o rosto, mas antes que pudesse se deliciar com a sensação de superioridade, lhe foi advertido:



–Deixe. –Ordenou a Princesa, com superioridade. –Não precisas, apenas terá de fazer-me um favor em vez de clamar por seu perdão. –Sibilou a Princesa Eva. Cora levantou o nariz, fitando a menina. O olhar provocativo da Princesa, que era, aproximadamente, três anos mais nova que Cora, fazia a menina sentir-se diferente, sentir-se notada.



–E o que vossa majestade deseja de mim? –A voz de Cora soava debochada, além do mais, era essa sua intensão. Eva sorriu.



–Acompanhe-me. –Ordenou a Princesa, virando as costas para os guardas. Com um balançar de mãos, comandou que sua guarda real não a seguisse como sempre faziam e, como cães bem treinados, eles o fizeram. Cora, então, assentiu à deixa de Eva, subindo as escadas do palácio sem emitir sequer um som. Receosa da futura ordem, mas também curiosa e facilmente atraída pelos encantos da jovem mulher, Cora adentrou uma sala assim que lhe foi permitido.



–O que é isso? –Perguntou Cora, casualmente. Eva soltou uma aguda risada, mas seu olhar nunca desgrudava da plebeia. Um sorriso, misterioso e provocador, brotou em seus lábios.



–Isso é uma janela... –Sibilou Eva, ironicamente. –Pode abri-la para mim? -Cora a fitou, confusa.



–Era para isso que precisava de mim? Por que não pede à sua guarda ignorante? Tem braços bem mais fortes do que os meus. –Bufou. Aquele era algum tipo de piada? Mas Eva não desfez seu sorriso, insistindo que fosse feito. A menina, então, deu de ombros, e assentiu ao comando. De fato, a janela estava emperrada, embora não tivesse demorado até que Cora conseguisse levantá-la. –Pronto.



–Sabe, não queria marmanjo nenhum enfurnado dentro do meu quarto. –Murmurou Eva, aproximando-se de Cora. A menina congelou, estava realmente acontecendo? A princesa andou mais dois passos à frente, quase encostando seu nariz no de Cora.



–P-Princesa... –Gemeu baixinho.



Entretanto, a voz de Cora quase não saiu. Eva apoiou suas mãos no pescoço da plebeia, enquanto seus dedos brincavam alegremente com uma mexa ruiva e cacheada. O estomago de Cora se revirava com aquela sensação, a Princesa estava tão perto de si, a sensação de ter tocada. Eva, finalmente, olhou nos olhos da ruiva. Só então Cora pôde ver, de tão perto, aquelas íris azuis congelantes e a pupila dilatada da mesma, esbanjando o desejo sentido pela realeza. O corpo da plebeia tremeu por inteiro, aquela sensação era também compartilhada pela Princesa. Sendo assim, não restou mais tempo. Eva raspou seus dedos até a nuca da ruiva aproximando seu rosto mais e mais, fazendo Cora apoiar-se, naturalmente, na cintura bem definida, graças ao vestido de ceda, da morena. Quando seus lábios finalmente se tocaram, várias sensações se manifestavam no âmago de Cora, uma ardência em seu ventre, um frio na barriga, ela mal podia explicar. Seu primeiro beijo. E Eva podia perceber isso, fazia movimentos lentos assim como seus dedos, que acariciavam a nuca arrepiada de Cora. Soltando um rouco gemido, a ruiva abriu seus lábios deixando que Eva adentra-se. E com uma leve mordida no lábio inferior de Cora, a Princesa finalizou o beijo.



Cora abriu os olhos finalmente, sentindo um arrepio percorrer todo seu corpo. Eva permanecia com seu sorriso provocativo, mas desta vez satisfeita.



–O-O que, – Cora tentava dizer, mas foi impedida pelo dedo da Princesa em seus próprios lábios.



–Não diga nada. –Sussurrou, perto. –Apenas me prometa que virá ao baile esta noite.



–M-Mas... Eu não fui convidada. –Sibilou Cora, perdida naquelas íris brilhantes e tão perto de seu rosto.



–Ora, o que acha que estou fazendo agora? –Disse, rindo. Cora sorriu sentindo seu rosto corar. –Vamos, me prometa!



–E-Eu prometo. –Gaguejou uma última vez. Que sensação era aquela borbulhando no peito da plebeia? Um sentimento do qual nunca vira antes, assim como ao beijá-la. Seria esta, seu primeiro amor?



* * *




Henry correu até não saber mais onde estava. Ele via a praia, mas não fazia ideia para que lado for se quisesse voltar. Entretanto, o menino não queria voltar. Queria sua mãe;
Regina, junta de Emma novamente. Por que era tão difícil, para Henry, ter sua família completa? Sem discussões, gritos ou agressões físicas. Ele só queria sentar ao lado de suas mães para ver algo na TV que demoraria mais para decidir qual do que a duração do próprio programa. Mas sempre tinha algo que impedia isso de acontecer. Agora Henry estava perdido e indignado, pois a única pessoa que ele sabia que acreditaria em Regina foi aquela que a acusou da morte de seu melhor amigo; Archie. O menino não conseguia acreditar que o médico estava morto. E como poderia? Ele era apenas uma criança e Archie a única pessoa que ele poderia chamar de "amigo" durante toda sua vida. Henry, finalmente, olhou para o céu. As nuvens tomavam um tom alaranjado e sol ameaçava se esconder. Então, o medo se alojou no peito do menino. Ele não queria voltar para Emma e não sabia como voltar para casa, já estava escurecendo e ele não fazia ideia de onde estava.



–Henry? -Uma voz feminina e doce fez o menino pular de susto. Ele se virou dando de cara com uma menina, um pouco mais baixa que ele, de cabelos ruivos e franja.

–Grace! –Exclamou o garoto, aliviado. A menina sorriu.



–Está perdido? -Perguntou ela, se aproximando. O vento vindo da praia levava o cabelo vermelho da menina para trás, mas mesmo assim a menina continuava com seu ar angelical. Henry sempre observava Grace secretamente, na intenção de descobrir qual personagem era ela, mas toda vez que ele tentava falar com a menina começava a gaguejar.

–É... -Disse desviando o olhar. -Eu... Estou muito longe de casa? -Grace riu timidamente.

–Longe? Está praticamente do outro lado da cidade, como veio para cá? -A menina disse passando por Henry e se apoiando seus cotovelos na cerca que os separava do mar. Henry suspirou tristemente. -Tudo bem, não precisa me contar... -Disse Grace, retomando seu
adorável sorriso. -Meu pai vai chegar daqui a pouco, ele pode te ligar para sua mãe.



Henry, que antes permanecia de costas a menina, virou-se a acompanhando. Seus olhares miravam na linha desfocada do horizonte, uma camada de fumaça coloria o fundo do oceano que refletia o alaranjado do céu. Grace sorriu mais uma vez.



–Sabe, você é sortudo, Henry. -Disse simplesmente. O menino a olhou confuso. Sorte poderia ser a última coisa que ele pensaria em ter naquele momento. A garota a olhou com um sorriso maior comparado ao de antes.



–Sim, quer dizer, você tem duas mães! Duas pessoas para te acompanhar até a escola, duas pessoas para abraçar quando sentir medo... -Então, sua voz tomou um ar mais triste e desanimado. Ela estava certa, apesar de todos os conflitos na, pode se dizer enorme família de Henry, ele tinha várias pessoas que o amavam e que ele poderia sempre contar. -Eu queria ter uma mãe tão bonita quanto as suas. -Acrescentou com um sorriso tímido.

–Obrigado, — Agradeceu, sentindo seu rosto tomar um tom avermelhado. -Mas minhas mães vivem brigando... –E logo a tristeza voltou a se alojar em seu rosto.



–Eu me lembro de que quando eu era pequenininha, minha mãe dizia que, às vezes, as pessoas brigam por gostar da outra... –Grace tocou o ombro do menino, o confortando. –Mas às vezes é que é difícil admitir, sabe?



–Na verdade, não. –Ele olhou para ela um pouco confuso. A menina riu, fazendo Henry rir junto.



–É… Eu também não entendo. –Deu de ombros. –Adultos são complicados. –Henry riu, concordando com a menina. Surpreso de estar sorrindo, ele agradeceu mentalmente por Grace estar lá, pois se não estaria assustadoramente sozinho.



Os dois conversaram durante mais alguns minutos, Henry até conseguiu falar uma frase sem nem gaguejar, já era um começo. Mal se era possível ver o sol, o frio já perturbava as crianças. Sem demora, Henry retirou seu casaco de lã e entregou à menina, seu sorriso bobo quase apaixonado fazia Grace rir.



–Hey, Grace! Querida! –A voz masculina e, naturalmente, rouca soou logo atrás das crianças. –Desculpe a demora, meu amor. –Jefferson agachou para que ficasse da mesma altura da menina, a Grace correu até seu pai lhe dando um abraço caloroso.



–Papa! –Exclamou a menina, se afastando do rapaz.



Henry observava de longe, tristemente. Lembrava daquilo que Emma Swan havia dito há tempos atrás; seu pai havia morrido em um acidente quando era bombeiro. Mesmo sem ter nenhuma fotografia de homem, Henry tinha em mente ser alguém corajoso, honroso e forte, como um verdadeiro herói. Jefferson se levantou avistando, finalmente, o filho da Prefeita. Ele franziu o cenho, preocupado. A mansão dos Mills ficava a quilômetros dali, o menor atalho era pela praia, e pelo que Jefferson conhecia da Rainha, Regina deveria estar desesperada com o desaparecimento do menino.



–Henry… O que faz aqui? –Perguntou o rapaz, envolvendo seu braço no ombro da menina. –Onde está Regina?



–Não sei, briguei com Emma… — Murmurou baixinho, sentindo-se intimidado. De repente, Jefferson soltou uma de suas risadinhas de agudas, como quando ele era o Chapeleiro Maluco.



–Vamos criança, vamos lanchar e ligar para sua mãe, — Disse bagunçando o cabelo do garoto, tranquilizando-o. –Ou uma delas…



* * *



Já era oitava vez, se não mais, que Emma andava em círculos naquele pequeno apartamento. Henry havia sumido e tudo indicava que fosse Regina a culpada. Snow tentava acalmar a filha aflita, mas não poderia dizer que não estava aliviada por Emma compreender quem realmente era a Rainha. Por mais que Snow tivesse dado a ela a chance de mudar, Regina usava tudo e a todos para conseguir faze-la algum mau. Já estava cansada de ter suas esperanças aniquiladas.



–Emma, David já saiu à procura de Regina, não se preocupe, ele vai encontra-los! –Desejou Snow. Mas isso não tranquilizou a loira, pelo contrário, preocupou-a ainda mais.



A mágoa de Regina era ainda muito grande no peito de Emma, mas, ainda sim, se preocupava em saber como ela estava, pois no fundo, se recusava a acreditar que a Prefeita havia lhe enganado durante todo esse tempo. Entretanto, era obrigada a enfrentar a realidade de que se Regina desaparecera só poderia significar a admissão de sua culpa. Agora, Emma tinha que se preocupar em encontrar seu filho, que poderia só poderia estar em perigo nas mãos de Regina Mills.



***



A sala era tão branca quanto o próprio escritório da Prefeita. Regina tinha pensado na cor e nos desenhos do lugar de modo que a fizesse se sentir melhor perante toda a escuridão que habitava sua mente e sua vida. Os galhos escuros detalhados nas paredes era um lembrete de que mesmo que Regina tentasse se esconder sempre haveria um destino obscuro a sua espera quando saísse de lá. Desta vez, Regina foi obrigada a se abrigar ali, ou se não iria se capturada, traída, pela pessoa que mais amou até aquele momento de sua vida. Não importava nada mais, ela acabara de ver Emma Swan colocando seu filho contra ela e não havia nada que pudesse fazer para impedir. Tudo que mais amava sendo arrancado dela, mais uma vez. Regina mal podia sentir raiva, apenas a dor de ser deixada para trás.



“Eu sei quem você é” A voz furiosa de Emma não saía de sua cabeça. “E quem você sempre será”



Aqueles olhos tomados por um sentimento tão forte, porém tão doloroso, fazia o vazio dentro de Regina se rasgar cada vez mais. Desde que lançara a maldição das Trevas, quando foi destinada a sobreviver com o vácuo em seu peito que, nunca poderia ser substituído por qualquer coisa Regina aprendeu a conviver com aquela dor do mesmo jeito que aprendeu a lidar com seus sentimentos: ignorando-os. Mas quando conhecera Emma Swan aquela dor se amenizou, pois a loira também havia trazido seu filho para perto dela. Regina percebera que Henry nunca esteve, de fato, junto a ela, pois sempre procurava sua mãe biológica, para assim, ter sua família completa. Ele não queria substituí-la, queria apenas sua família reunida. Emma havia quebrado sua preciosa maldição, mas também havia salvado Regina do terrível destino de viver sozinha. Henry convivia mais com ela, a felicidade finalmente a havia encontrado. Entretanto, esta se fora tão rapidamente e tão bem calculada que Regina poderia duvidar ser um plano do destino. A vida não fazia nenhum sentido, brincava com a história sem se preocupar com as consequências, mas o que havia acontecido era muito bem armado, calculado nos mínimos detalhes. Agora que as lágrimas secavam, Regina poderia pensar melhor. Havia algo muito errado acontecendo.



De repente, uma voz soou abafado pelas paredes, mas ainda sim com um tom infantil. Regina olhou em volta preocupada, pensando ser Henry. Ela se aproximou do espelho que escondia uma passagem secreta para outra parte de seu cofre. Espiando pelo vidro encantado, um menino andava procurando por algo, ou alguém; Era Henry. Uma faísca de esperança acendeu em Regina. Seu filho a estava procurando, talvez ele acreditasse nela. Sem nem mesmo hesitar, a Prefeita erguei a mão fazendo com que a parede em frente de si se deslocasse dando origem à passagem escondida. O menino se virou com pequeno sorriso, que se Regina não estivesse tão contente, poderia perceber o excesso de maturidade em seu rosto. O menino nada disse apenas a abraçou fortemente e Regina não pode negar o abraço. Uma lágrima caía de seus olhos.



–Henry-



Regina iria se desculpar justificando que não havia sido ela a culpada pela morte de Archie e que ela não fazia ideia de como isso acontecera. Entretanto, antes que a Prefeita pudesse, sequer, saborear o momento de estar junto ao seu filho uma fumaça roxa escura, quase negra, envolveu os dois, quando este de dissipou um semblante tenebroso substituiu a pureza do olhar do menino. Os lábios finos e marcados por um batom cor de sangue, o cabelo castanho avermelhado, mas dentre todas estas características nada marcava tanto sua reputação sombria quanto seus olhos vagos. Olhos que espelhavam o vazio que era a sua alma.



–Mãe? –Resmungou Regina assustada. Ela deu um passo para trás, lembrando-se dos seus últimos momentos com aquela mulher. Pensava estar morta, tudo que disse, contou seu plano pensando ter a benção da mãe e, de certo modo, a paz de continuar sua vida sem seguir o rigoroso padrão de Cora. A mulher, que já aparentava mais rugas que antes apesar do tempo ter estado congelado, sorriu. –Como conseguiu passar? Pensei que Gold... –Regina tentou manter sua voz alta e determinada, mas era difícil controlar.



–Determinação... –Mudou logo de assunto. –Eu precisava vê-la... Querida, eu sei por que me empurrou por aquele espelho, — Disse com sua voz embargada. Regina olhou-a, finalmente, nos olhos vagos da mulher havia uma pequena lágrima. –E está tudo bem.



Regina continuava parada em frente à mãe, incrédula. Como Cora poderia ter passado pelo portal? Ela foi submetida a sua própria maldição em vão? Ela sofreu tudo o que sofreu para acabar assim? Seu coração ainda se recuperava do ataque que Emma Swan havia investido contra ela, figurativamente, e parecia não estar satisfeita com essa dor, pois sua mãe, a única culpada de toda desgraça em sua vida, estava ali bem na sua frente.



De fato, Regina temia que sua mãe voltasse e destruísse tudo que ela amasse: seu filho e sua amada; Emma, mas não poderia negar o amor que sentia por sua mãe. Era inevitável. Por mais cruéis que fossem as barbaridades feitas por aquela mulher, nada mudaria o fato de ser a mãe de Regina, e nada poderia destruir o amor que ela deixasse reprimir. Entretanto, Regina tinha que se manter no controle. Não iria se deixar levar pela manipulação daquela mulher novamente.



–Não... –Resmungou Regina, sentindo as lágrimas em seus olhos caírem e rapidamente as secou. –Não está tudo bem. –Custou a dizer. Cora engoliu seca retomando forças para dizer.



–Eu a amo, Regina. –Sibilou, mais facilmente. –Eu apenas demonstrei da forma errada.



Os olhos de Cora eram, de fato, vagos. Por tudo que havia passado, por tudo que já havia feito, Cora perdera seu senso de justiça e pior, perdera sua humanidade. Sabia exatamente como convencer Regina de que estava arrependida, conhecia os pontos mais fracos de sua filha e não hesitaria em ataca-la com eles. No entanto, ela não faria como nas ultimas vezes que tentou atingir a Prefeita, ela usaria de sua persuasão e manipulação, usaria as maneiras mais baixas sem que fosse, visivelmente, percebida suas verdadeiras intensões.



Regina se repreendia para não olhá-la nos olhos, para não cair em sua armadilha. Todavia, seu sonho de ter uma família era mais forte que sua percepção naquele momento. Ela desejava recomeçar, poder contar com Cora como sua mãe e não como mestre, quiçá dona. Queria ser amada.



–Eu nunca deveria ter forçado a se casar com o rei. –Continuou. –Me desculpe. Regina não conseguia conter as lágrimas que se expeliam de seus olhos em protesto a dor que sentia. Mil pensamentos vieram à mente, mas esta foi incapaz de dizê-los. –Quando você chorou por mim, tudo mudou. –Mentiu.



De repente, Regina percebeu algo que não havia antes. Sua mãe estava se desculpando por impor à filha o casamento, Cora não estava se desculpando pela morte de Daniel, ou pela destruição de sua vida. De repente, Regina percebeu, ou pelo menos pôde ter uma mínima noção, a razão de ela estar ali. Nada havia acontecido por acaso, tudo foi por conta de Cora. E sabia também que Cora estaria observando-a todo esse tempo.



–Você... –Tomou forças para dizer. –Você me culpou, pela morte do Grilo. –Disse tentando controlar o tremer de sua voz embargada. Cora, hesitou, teria de tomar cuidado.



–Querida, agora você vê... Eles não acreditam em você, nunca acreditaram. –A voz de Cora transbordava pena; o sentimento que Regina mais odiava.



–Você fez com que todos não acreditassem!



Emma a odiava agora e junto disso seu filho, as únicas pessoas que poderiam amá-la agora compartilhavam mágoa, ódio, quiçá medo. E tudo isso era culpa de Cora, sua mãe, a pessoa que mais deveria querer seu bem, seu final feliz.



–Não, eu não queria que você me rejeitasse. –Disse Cora, com amargura. Os olhos de Regina cheios d’agua lutavam para não chorar descontroladamente.



–Você me queria quebrada! –Choramingou. –Não... –Regina se interrompeu. –Não vou discutir com você. –Ela limpou suas lágrimas e respirou fundo. –Nós vamos à cidade.



–Já é meia-noite! –Contrariou Cora. Então, Regina se virou. Não podia conter a ira, a mágoa. Sentia-se traída de ambos os lados, por sua mãe, mas isso já estava habituada, e por Emma.



–Não importa! –Grunhiu. –Nós o acordaremos... Emma, Henry e aqueles idiotas merecem saber a verdade e você pode contar quem realmente matou o Grilo! –A voz de Regina tremia descontroladamente, como se fosse cair em seu pranto cedo ou tarde. –V-Você me deve isso.



–Regina...



–Eu estou... Estive, — Corrigiu. –Tentando ser uma mãe melhor para Henry. E eu mereço isso de você também. –Ela parou para respirar.



–Regina! –Disse mais alto. A Prefeita parou, percebendo o quão rápido falava. -Eu sei, eu vi... –Murmurou. –A garota Swan. –Cora tentava controlar a si mesma, a quão enojada ficava ao pensar na relação que sua filha tinha, não mais, com aquela loira.



Regina congelou.



–O-O que? Do que está falando? –Desmentiu rapidamente. Se havia uma pessoa que zelasse mais pela imagem, boa reputação que Cora, Regina não conhecia. Mas ela não esconderia seu amor por Emma Swan por isso, ela esconderia porque se Cora conhecesse mais uma de suas fraquezas poderia colocar a vida da loira em perigo. Isso Regina não permitiria.



–Eu vi vocês... –Explicou Cora. –Está tudo bem, querida. Eu já disse: Amo você. –Mentiu, mais uma vez.



Os ombros de Regina caíram. Seu rosto era prova de que tudo que Cora falava era real. Não podia esconder, não agora. Estava machucada demais para negar algo tão forte quanto aquilo.



Cora forçou um sorriso e, do fundo de seu ser, desejou que Regina acreditasse. Não poderia ser diferente; a Prefeita caiu em seu pranto, abraçando a mãe. Afinal, ela só queria ser compreendida. Cora acariciou os cabelos negros de Regina, e acreditava que o que ela estava fazendo era para o bem de sua filha.



–Mãe... –Choramingou a morena, escondendo o rosto no ombro de Cora. –Eu a machuquei... Ela nunca irá me perdoar.



–Regina, eu tentei avisar, mas está tudo bem. –Sussurrou. A morena se afastou para olhá-la nos olhos. –Querida, eles nunca acreditaram em você, não percebe? –A voz, falsamente, gentil da ruiva soava como um carinho maternal para a filha. Regina, com seus olhos inchados, mirava o chão, não conseguia aguentar dada a tamanha dor.



–M-Mas... Ela disse que-



–Oh, Regina, você deveria saber mais que ninguém o quão baixo eles são e essa garota Swan, não é exceção. –Disse, levantando sua mão até o rosto da filha. –Eles nos usam para conseguir o que querem...



–Talvez... –Resmungou Regina, engolindo seu pranto. –Você tenha razão.



* * *



Cora procurava desesperada por trajes adequados para ir ao baile. Ela havia sido convidada por ninguém mais ninguém menos que a Princesa, filha do Rei, e não poderia fazer tal desfeita a ela, nem se quisesse. Porém, não havia ninguém na redondeza de seu vilarejo que tivesse um vestido em boas condições para usar. Não havia jeito, ela iria perder a única chance de encontrar a Princesa e sentir aquelas sensações pelas quais havia e apaixonado logo de vez. Sendo assim, a plebeia correu para a floresta com a esperança de encontrar a única pessoa que pudesse ajuda-la.



“Estou aqui” A voz aguda e pouco infantil da fada ecoou a floresta. Cora olhou em volta até encontrar um ponto azul brilhante, mais parecia uma pequena bailarina de asas que uma fada.



–Fada Azul! Preciso de sua ajuda! –Suplicou Cora. –Preciso de um vestido para o baile.



A pequena fada balançou a cabeça negativamente, mexendo suas asas minúsculas até chegar à Cora. A menina estendeu a mão, servindo como um apoio para o corpo cansado da criatura.



“Eu sei o que precisa” Dizia com sua voz esganiçada. “Mas antes de qualquer coisa, tens que aprender uma preciosa lição, minha jovem... Tens que aprender que a única pessoa que pode nos ajudar e nos impedir de conseguirmos aquilo que queremos são nós mesmos!”



Cora assentiu com a cabeça, mas não deu muito crédito à fada, de fato. A Fada Azul não sabia, ao certo, qual o destino que aquela história poderia tomar, afinal, se desse certo seria a primeira história como aquela em todos os reinos. Duas mulheres. Entretanto, ela não conhecia a Princesa Eva, não poderia prever o que viria a seguir. Sem demora, a criatura sacudiu sua varinha fazendo surgir, dentre uma fumaça azul-turquesa, Cora vestida de trajes brilhantes de ceda.



–Muito abrigada, Fada! –Agradecia, alegremente.



Horas depois, Cora chegava ao palácio e pela primeira vez admirava as luzes amareladas que enfeitavam o castelo por um todo. O salão brilhava quase tanto quando os vestidos das damas que rodeavam seus pares. Homens vestiam seus paletós, em sua maioria branca, dançavam e se divertiam com suas parceiras, que vez ou outra revezaram entre si. Henry, no entanto, era o único que não estava satisfeito com aquela situação. O príncipe seria obrigado a se casar com a mulher que seu pai escolhesse, mas o que ele realmente queria era partilhar o resto de sua vida com alguém que ele amasse. Enfim, Cora cobriu seu rosto com uma mascara para que não fosse reconhecida e adentrou o baile. Dificilmente seria notada, já que todos aqueles que festejavam estavam ocupados demais com suas próprias companhias. Todavia, Cora procurava por Eva, mas não havia ninguém que se parecesse com a Princesa.



–Ela não vem. –Sussurrou uma voz grave perto de seu ouvido. Cora pulou com o susto, virando-se rapidamente. O homem vestia um paletó branco e uma mascara de água preso ao rosto, impedindo qualquer um que quisesse desvendar o mistério e descobrir sua identidade.



–Do que está falando? –Cora deu de ombros, fingindo que não procurava por ninguém.



–Se está esperando Eva, sabia que ela não vem. –Explicou. Cora o fitou desta vez, com certa raiva. Como ele poderia saber? A Princesa tinha que aparecer, afinal, ela beijara Cora e não poderia sumir de uma hora para outro, não depois disso. Aliás, Cora não conseguia parar de pensar naquele momento em que os lábios vermelhos da Princesa se chocaram contra os dela.



–E por que tem tanta certeza? – Retrucou a ruiva, com seu nariz empinado.



Sendo assim, o rapaz retirou a máscara sobre seu rosto. Os detalhes e as linhas de expressão bem desenhada e em perfeita harmonia eram, de fato, marcantes. Cora recuou por um minuto, era Henry Mills, o belíssimo Príncipe pelo qual inúmeras damas lutavam para ter como seu companheiro naquela noite. O cabelo do rapaz era cinzento, de tão escuro semelhante ao preto, e sua pele branca com de sua irmã. Ao notar a barba mal feita e a voz grave, percebia-se que Henry deveria ter, no mínimo, cinco anos de diferente entre a idade de Eva.



–Concede-me esta dança? –Henry ergueu a mão, abaixando sua cabeça em um gesto de respeito. Cora segurou sua mão, um tanto constrangida. Os dois juntaram seus corpos para acompanhar o ritmo da dança que, até então, exigia passos acelerados.



–Certo... O que disse antes sobre Eva? – Perguntou Cora, receosa. O homem a olhou, sem tirar sua concentração dos pés.



–Oh, sim, — Suspirou como se houvesse esquecido o assunto. –Veja lá, no topo das escadas... –O rapaz sussurrou no ouvido da plebeia. Cora o fez, havia um homem gorducho e baixinho que observava a todos de longe. –É rei, obviamente. –Explicou. –Eva nunca comparece aos bailes quando o rei está presente, ela simplesmente “não se sente confortável” – Recitou com uma voz estranhamente fina, imitando a irmã. Cora riu baixinho, e então retornou a sua posição séria.



–Mas... Ela me convidou. –Limitou-se a dizer. Henry sorriu. –O quê?



–Ela-



–Lá está ela! –Exclamou Cora. Logo depois o rol das escadas, havia uma dama usando um vestido branco bufado longo. Era Eva.



A princesa havia decidido ir ao baile para contrariar a ordem do pai. Eva nunca comparecia aos eventos que o Rei convocava, pois não poderia se divertir flertar, brincar com as pessoas e fazer o que quisesse, sabia que seu pai interferiria. Mas a partir do momento em que ela pôs o vestido em seu corpo pensava em apenas atazanar, mais um pouco, a vida de seu pai.



Por sua vez, Cora soltou-se do rapaz que antes a acompanhava na dança e caminhou até a garota que a esperava. Mas antes que pudesse fazê-lo, Henry segurou seu braço.



–Tome cuidado, — Avisou o rapaz. –Para ela, não há brinquedo melhor do que pessoas.



Cora o fitou, sem entender. Era algum tipo de piada? É claro que Eva iria gostar de vê-la, afinal, foi esta que a convidou. Sendo assim, o Príncipe a soltou, já havia feito tudo que poderia fazer.



–Eva... –Suspirou Cora com um sorriso tímido. Entretanto, antes que ela pudesse, de fato, chegar até a Princesa, alguém entrou em seu caminho. Um homem baixo e gorducho, o mesmo que estava antes no topo da escada, o Rei.



–Conheces tu esta menina, Eva? –O Rei virou-se para a Princesa logo atrás de si. Por sua vez, a menina balançou a cabeça negativamente, dando de ombros. –Ora, se não é a filha do moleiro? Como se atreve a vir ao baile?



Cora olhou para Eva, ela não parecia minimamente arrependida de sua resposta. Na verdade, apenas receava que sobrasse algum castigo para ela. A ruiva estava sozinha, enganada pela Princesa e completamente sozinha.



A partir daí, não poderia ficar pior. O rei juntou-se à menina em um passo de dança improvisado, enquanto seus corpos mexiam graciosamente de um lado para o outro, o Rei importunava Cora, ameaçava-a, deixando seus nervos à flor da pele.



–É uma pena, pois eu conheço um jeito de tirar seu reino da miséria, eu sei transformar palha em outro. E eu não usarei meus dons, já que foi tão rude comigo. –Gabou-se Cora.



O rei riu alto e segurou o braço da plebeia, andando até os degraus mais altos da escada. Com sua voz grave, ele anunciou o tal dom para todos que pudessem ouvir. Inclusive Eva. Obviamente, ninguém acreditou, dando como resposta: altas e debochadas gargalhadas. Henry se encolheu, temendo que o pior acontecesse àquela garota que, mesmo sem conhecer, já guardava um grande afeto. Já Eva, observava de longe, fria e cruelmente, dando passos para trás e saindo de fininho. Não é grande coisa, pensava ela. Afinal, era como todos os outros que se aproximavam da Princesa, apenas uma rápida brincadeira. Mas para Cora, tudo era diferente. Fora rápido, mas fora seu primeiro beijo, seu primeiro suspiro, seu primeiro amor.



–Prove-me que tu realmente tens tal dom! Se conseguir, casarás com meu filho! Se não... A morte és o melhor castigo para tua insolência.



* * *



Jefferson fechou a porta atrás de si assim que as duas crianças adentraram a casa. Os dois se encaminharam até o quarto de Grace, enquanto o homem andou até a cozinha. Curioso era o fato de Henry estar tão longe de casa. Regina certamente estaria procurando pelo menino, e por mais rancor e ódio que Jefferson sentisse pela mulher, ele sabia exatamente como era a sensação de estar longe de um filho, ainda mais sendo Regina a mãe. Sabia a quão desesperada a Prefeita estaria. Entretanto, antes de tomar quaisquer providências, ele preocupou-se em preparar algo para as crianças comerem, afinal, já era sete da noite.



Não demorou até que seu chá ficasse pronto, junto às guloseimas que este havia preparado. Ele montou a mesa e finalmente, chamou sua filha e seu amigo.



–Menino, — Disse Jefferson, casualmente, enquanto eles se serviam. –Diga-me; Onde está Regina? Se bem a conheço, deve estar louca procurando por ti. – Riu da ironia na frase. Henry não respondeu, apenas manteve seu olhar no chão. Aquilo não era um bom sinal, algo havia acontecido.



O fato era: Jefferson morava longe do centro da cidade, então não tinha contado com as novidades que lá aconteciam, e por não ter amigos não ficava sabendo pela boca de outras pessoas. Sua vida era solitária, apenas ele e sua filha. Mas ele, particularmente, gostava disso, era o seu simples jeito de ser.



Sendo assim, o homem levantou da mesa e andou até o telefone que se encontrava preso à parede da cozinha. Rapidamente, discou o número da prefeitura, mas este não houve resposta. Tentou a mansão dos Mills, mas igualmente nenhum retorno. Ele, então, tornou a ligar para o apartamento dos Charmings. Se Regina não estivesse em nenhum desses lugares, poderia estar discutindo com Srta. Swan, já que era tão obcecada por aquela mulher. Apesar de seu antigo, e mal acabado, histórico com a loira, Jefferson tinha que admitir que se houvesse alguém capaz de tirar a Prefeita do sério, de modo que ele infelizmente nunca foi capaz, Emma Swan merecia um prêmio por esse feito, pois ninguém o fazia melhor que ela.



–Alô? –Resmungou uma voz embargada.



–Emma Swan? Aposto que se lembra de mim: Jefferson. –Disse o rapaz, com certa amargura.



–Sim? A que devo sua ligação? –Perguntou Emma, confusa.



–Devo sugerir que não saiba onde está o filho da Prefeita, ou sabe? –Jefferson resmungou, guardando para si a curiosidade de saber se Regina estaria com a Xerife.



–Henry! Você sabe onde ele poderia estar? –A voz de Swan transbordava de preocupação, mais a rouquidão, como se, minutos antes, chorasse compulsivamente.



–Mas é claro, — Revirou os olhos. –O menino está aqui comigo. Acredito que ele poderá explicar melhor assim que vier busca-lo.



–Certo, em menos de dez minutos estarei aí.



* * *



Sem demora, o fusca amarelo estacionava no quintal da mansão. Emma Swan recusou a companhia de Mary Margaret, pois precisava de um tempo para pensar sem a influência da mãe. A mudança de Regina e o desaparecimento de Henry virara a vida da loira de pernas para o ar. Nem mesmo as novas amigas de Snow –Mulan e Aurora- puderam distrair Emma por muito tempo. Sua mente não parava de repetir o momento que Regina usara mágica para machuca-la. Seu coração se rasgava toda vez que pensava sobre o assunto. Os olhos magoados de Regina, ela queria acreditar que a Prefeita era inocente, mas todas as provas estavam voltadas contra a mulher, e além do mais, Emma viu. Emma usou mágica para ver, e foi isso que mais irritou Regina. Entretanto, isso era o que mais incomodava a loira. Por que Regina ficara de tal jeito ao saber que Swan também era capaz de conjurar magia, seria algum ciúme? Regina queria ter o poder exclusivamente para ela ou era algo mais, algo que a Xerife não conseguisse entender.



Outro assunto que não parava de importunar a loira era a visão que tivera quando salvou Regina da maldição do sono. Por bastante tempo, Emma pensou em esquecer aquilo, pensou em deixar de lado. Mas talvez aquilo fosse a peça que estaria faltando em seu quebra-cabeça. Ela pôde ver Regina vestida de princesa, uma das cenas mais belas que vira em toda sua vida, pôde ver uma menina parecia uns oito ou dez anos mais nova que a morena, pôde ver um homem que ela sabia ser Daniel. De certo modo, Emma sentia inveja do cavalariço, pois este foi o único que teve o mais puro e honesto amor de Regina, tal sentimento que Emma custava tanto a ver e raramente era capaz. Ele teve Regina entregue aos seus braços sem hesitação, sem receio. E isso era o que Emma mais queria. Se não fosse por sua família, que inconscientemente manipulava a Xerife, talvez Swan tivesse perdoado a morena pelo que fez e, quem sabe, estaria naquele momento sentada no sofá vendo mais uma maratona Wild Life.



No entanto, por mais que esses assuntos ainda doessem, Emma tinha que recuperar Henry e colocar a cabeça no lugar. Precisava seguir um caminho que, sem Regina por perto, tornava-se impossível de seguir.


–Ora, ora... –A voz do rapaz fez Emma voltar à realidade. –Veja só quem virou crente das histórias infantis. –Emma suspirou, tentando reaver sua paciência.



–Certo, sei que não tivemos um bom começo... Quer dizer, essa coisa toda de Chapeleiro, mas eu não quero demorar. –Resmungou Swan, gesticulando. Jefferson riu com sua voz aguçada.



–Mas é claro. –Sendo assim, o homem deu um passo ao lado, dando passagem para a loira.



Jefferson chamou sua filha, que acompanhada veio de Henry. O menino, que antes vinha com um sorriso divertido, tornou seus lábios em um semblante triste e desapontado. O Chapeleiro estranhou, Emma deveria ser a razão de seu sorriso, não? O que ele havia perdido? Henry, então, dado por vencido, voltou ao quarto de Grace para pegar suas coisas e finalmente partir com sua mãe.



–Devo dizer que pensei que você fosse a mãe legal, — Zombou Jefferson com uma risadinha aguda. Emma revirou os olhos. –Mas deixe-me perguntar: Onde está Regina?



Então, a expressão de Emma tomou um ar triste, tão triste quanto o do menino.



–Nós não sabemos, depois de matar Archie, Regina fugiu e se escondeu. –Explicou. Jefferson franziu o cenho, confuso.



–Regina? Matar o Grilo? – Repetiu duvidoso. –Ela não o fez. –Afirmou, simplesmente. O rapaz andou até a mesa, servindo uma xícara de chá para si. Ele ergueu a sobrancelha, oferecendo à loira, mas esta recusou.



–Como pode ter certeza? –Questionou Emma curiosa, queria se agarrar a qualquer esperança de que Regina não fosse culpada.



–Quero dizer, não duvido que ela seja capaz, – Devaneou. –Eu, mais do que ninguém, sei do que aquela mulher é capaz, — Disse, murmurando mais para si próprio do que para Emma. –Porém, também sei que Regina é determinada e a morte do Grilo não faria menor diferença para ela. –Pensava alto.



Emma tentava acompanhar, e de certa forma fazia sentido. “Se eu quisesse, realmente, mata-lo, vocês nunca saberiam” Lembrou-se das palavras ditas pela morena. De fato, Regina era calculista e habilidosa quando o assunto era magia.



–Você acredita que não foi ela? –Recapitulou Emma, tentando compreender. O homem revirou os olhos.



–Ao contrário do que você crê Srta. Swan, – Disse Jefferson lembrando-se da última vez que vira Emma, quando ela pensava que ele era louco por acreditar na maldição posta sobre a cidade. –Regina nunca foi de todo mal. Eu a conheci antes mesmo de se tornar, de fato, a Rainha do reino dos White. –Emma arregalou os olhos, de repente, interessando-se no assunto.



–E-Eu nunca li nada assim. –Resmungou a loira, baixinho. Jefferson riu sarcástico.



–Ora, isto é porque são os Heróis que contam as histórias, ou você já viu como o Chapeleiro Louco foi parar em Wonderland? –Disse, bebericando seu chá.



–Mas teve aquele filme do Tim Burton-



–Oh, aquilo é um insulto a minha história. –Praguejou Jefferson com amargura. Seu olhar tornou-se vago por um momento, como se pensasse no filme por breves segundos. –Isso não importa! –Sacudiu as mãos, deixando a ideia de lado. –O fato é: Teve uma época que Regina tinha seu coração tão puro quanto à de um coelho, — Sorriu, percebendo a ironia em sua frase. –O mau não é nascido Srta. Swan, é criado.



–Regina? Isso tem haver com Daniel, certo? –Emma tentava acompanhar. Mais uma vez, Jefferson bufou, debochando da lentidão da loira.



–Responda-me a seguinte pergunta: O que não tem haver com Daniel?



Emma, então, parou para pensar um segundo. Por que Regina matou Daniel se era, este, seu amor verdadeiro? A Xerife só chegou a tempo de ver o resultado da briga, mas não da razão para a morte do cavalariço. Talvez Regina tivesse sido obrigada a fazer, assim como foi obrigada a fazer inúmeras coisas em sua vida. Mas estas coisas que tornava a vida de Regina negra e possuída por trevas, Emma tinha sequer conhecimento.



–Sobre o que vocês estão conversando? –A voz de Henry preencheu o silêncio dos dois adultos. Emma acordou se seus pensamentos.



–Chá. –Respondeu Jefferson rapidamente, com um sorriso sarcástico.



Henry deu de ombros, retomando seu ar triste. O menino se despediu de Grace e voltou ao lado da mãe.



O motor fazia barulho e já estava preparado para andar, quando Jefferson surgiu apressado correndo até a janela do fusca amarelo.



–Srta. Swan esqueci-me de dar-lhe um conselho, — Disse o rapaz ofegante. –“A toca do coração brilhante é a resposta, mas há mais perigos do que você pode imaginar. Todavia, pensar por si é mais correto do que precisar dos progenitores para decidir”.



Emma o encarou mais confusa impossível.



–O que diabo foi isso? –Exclamou a loira.



–Isso o quê? –Questionou Jefferson, com seus olhos arregalados, como quando estivera preso em Wonderland.



–Essa citação!



–Está louca?! – Exclamou o Chapeleiro Louco.



* * *



A luz clara do quarto cegava os olhos vagos de Cora. Sua mente trabalhava para manter seu plano de pôr Regina contra a garota Swan, ela havia secretamente vigiado Rumpelstiltskin e descoberto seu próximo passo. Ela sabia o que teria de fazer para destruir a fraqueza de Regina o mais rápido possível, e para isso precisava invocar um sentimento mais perigoso, para ambos os lados, mas que ela saberia que, se bem manipulado, acabaria de vez com a humanidade ainda existente em Regina. Cora não se importava com o Henry, sequer com a felicidade da filha. Ela queria vingança contra aquela família, ela queria que cada um sofresse um pouco do que ela sofreu. Por isso, Cora fez com que Regina odiasse Snow White e agora, faria com que Emma Swan pagasse o preço. Por isso, Cora odiava tanto aquela família, mais que Regina, um dia odiou. E era por isso, que Cora queria sua filha contra Emma Swan, pois saberia que a loira a usaria e a jogaria fora, assim como foi feito com ela. Cora sabia que o amor era a mais patética das fraquezas, e apenas por isso Cora tirou seu coração, privando-a de sofrer mais, e ela pagaria o preço que fosse. Seus olhos vagos, sua alma cruel, seu semblante tenebroso e a ausência de afeto pela própria filha eram o resultado de todo sofrimento que ela se recusava a sofrer. Usada durante toda a vida, usada por seu pai, usada por Eva, abandonada ambos e por sua mãe.



O mal, ele não é nascido. O mal é criado.



* * *


Emma chegou ao apartamento de Mary Margaret e David Nolan, estacionou o carro e, ainda confusa, caminhava adentrando o prédio. Henry havia saído primeiro, pois ainda estava magoado com a loira. Swan não sabia o que fazer. Seu filho não queria sequer olhar para ela e a pessoa que mais amava traíra sua confiança. Quando Emma, finalmente, adentrou o cômodo, Henry já estava sentado à mesa com uma folha de papel e canetas em volta. A loira, cansada, sentou ao lado do menino.


–Ei, kid, o que está fazendo? –Quis saber Emma, na tentativa de conversar novamente com seu filho.



–Não importa. Você não vai acreditar mesmo. –Resmungou amargurado. Emma suspirou, apoiando a testa na mesa.



–Henry, eu sei que é difícil-.



De repente, um barulho na porta fez Emma se calar imediatamente. Henry não se importou em sequer olhar para a mãe, estava muito magoado para tal. Sendo assim, Swan se levantou a fim de atender a porta. Então; choque. Era Archie parado logo a frente de Emma.


Como diabos isso poderia ser possível? Foi Swan que viu e declarou que o médico estava morto. Ela sentiu, ou melhor dizendo, ela não sentiu o pulso do homem. Como poderia ser possível?


–A-Archie? –Exclamou Emma, incrédula. Henry levantou da mesa apressado até a porta, um enorme sorriso ocupou seu rosto ao rever o amigo.



–Eu sabia! Eu sabia que você estava vivo! Eu sabia que minha mãe não tinha feito isso! –Tagarelava Henry, abraçando o rapaz ofegante.



Se Archie estava, de fato, vivo, significava que Henry estava certo, mais importante: Que Regina era inocente. Uma dor se instalou no peito da loira. Tudo o que disse para a morena, sabendo a dor que as palavras investiam contra Regina. Ela não só não acreditou em sua amada, como a machucou do modo mais cruel que alguém poderia fazer. Acertando em cheio em sua fraqueza, fraqueza essa que Regina permitiu que Emma conhecesse. Ela nunca a perdoaria. Mas Regina tinha que saber que ela se arrependia, e que em cada mínimo segundo não deixava de pensar nela.


❤


Notas finais
So tell me what did you think about it! Diga-me o que acharam!!! O que o Jefferson quis dizer com aquela citação meio "Qual a semelhança entre um corvo e uma escrivaninha"? Estou curiosíssima, e aceito críticas. Obrigada pela leitura!