Broken

17 It Was The Heroes Who Made Me a Villain


Notas iniciais
Boa noite, sweeties! O capítulo de hoje é pequeno, comparado aos demais. Porém, prometo postar o próximo em breve. Estamos no clímax da história e tudo se encaminha para o grande fim agora.
Boa leitura, dearings!

* * *

Assim que a situação se esclareceu na cabeça de Emma, ela finalmente percebeu a gravidade da situação. Soltando-se de Neal, a loira abaixou até ficar na altura da morena apoiando sua mão no ombro dela.


–Gina... -Emma sussurrou tão baixinho que Regina mal pode ouvir. E se ela escutou ou não, a Sheriff nunca saberia, pois não houve resposta, apenas choramingões desconsoláveis.


–Sua mãe sabia onde estava se metendo... -A voz revigorada de Gold soou tão limpa, como se nunca houvesse existido problema algum. Emma lançou um olhar repreendedor para Rumple, mas ele sequer hesitou.


–Cala a boca! -Regina rugiu, virando-se para o homem. -Você! Você fez isso a ela! -Acusou. Mas em resposta, Rumple sorriu de lado.


–Eu não fiz nada.


Por longos minutos, ninguém ousou se manifestar.


–REGINA! REGINA! -De repente, a voz estridente da última pessoa que a Prefeita poderia querer ver naquele momento ecoou na sala. Snow adentrou os fundos da loja acompanhada a David, numa expressão mútua de desespero e arrependimento. -Não... -Desta vez, sua voz quase não saiu.


Emma levantou-se o mais de pressa que era capaz, pondo-se em frente à Mary Margaret de costas à morena. Sabia que em um momento como aquele, quanto menos gente melhor. Porém, o que aconteceu foi o contrário do que a Sheriff imaginava.


Regina levantou a cabeça, olhando para os olhos desesperados de Snow. Não foi preciso mais uma palavra sequer para que tudo fizesse sentido.


–Você! -Regina disse, em um grito desafinado. -A culpa é sua! -Gritou, mais firmemente, levantando-se. A raiva era evidente nos olhos da Prefeita, desenterrando toda a mágoa guardada pela professora, Regina avançou da mulher, sem sequer pensar nas consequências.


–Regina! -Emma repreendeu-a, envolvendo seus braços no busto da morena. -Não! -Se ela não tivesse o feito, não sabia o que podia acontecer. Mary Margaret, por sua vez, nada fez. Simplesmente recuou protegida pelo marido, e observou a tudo numa expressão sofrida e desamparada. Por alguns segundos, a Prefeita lutava para se libertar da loira, estava sem os sentidos, exceto pela sensação de quentura em seu corpo devido à raiva que sentia.


Ninguém se dignou a se mexer para tornar a situação menos atormentada, apenas parados esperando o pior da vilã que eles criaram, esperando o show de sua preferida aberração.


No entanto, ao contrário do que todos pensavam acontecer, Regina parou -não menos agressivamente- e ergueu as mãos fazendo com que uma névoa lilás brotas do chão. David e Mary Margaret se esquivaram na intensão de se proteger do próximo ataque que lhes seriam investidos, mas, novamente, este nunca veio. E quando reabriram os olhos; Regina havia sumido, junto ao, então, o corpo de Cora.


* * *

Emma Swan olhava desesperada ao seu redor procurando pela amada, mas a mesma havia literalmente evaporado. Ela não fazia ideia do que havia acontecido nos últimos minutos, por que Cora morrera, e por que Regina teimava em culpar Mary Margaret por isso. Talvez fosse porque Regina sempre culpou a rival, até mesmo de seus próprios erros. Mas Emma conhecia Regina, e conhecia aqueles olhos. Ela estava despedaçada. Ela precisava de Emma.

No entanto, a Prefeita havia se afastado e se a Sheriff a conhecesse, e de fato a conhecia, saberia o que isso significaria: A reconstrução da barreira. Barreira esta que a loira lutara tanto para atravessar. E ela não permitiria que acontecesse novamente.


–O que... O que foi isso?! -Emma perguntou aos pais. Sem saber, sua voz aumentava à medida que falava. David deu um passo à frente, ultrapassando Snow de modo protetor. Emma logo percebeu. Mary Margaret tinha algo haver com o que acontecera.


–Emma, nós explicaremos assim que formos para casa, por favor. -Disse à filha, tentando manter a calma. Mas a loira não perderia tempo.


–Não. -Exclamou Emma. -O que diabo aconteceu aqui? Por que Regina culpou Mary Margaret? Afinal, o que aconteceu com a Cora?! -Falava, tentando controlar seu tom e manter-se calma. David lançou um olhar à Mary Margaret, hesitante em falar.


–Querida... Sua mãe... -Ele media palavras para falar enquanto Mary permanecia sem omitir um som, apenas cabisbaixa e atrás de David.


–Sua mãe me salvou Srta. Swan. -A voz de Gold soou tranquila sobre a voz dos demais. -Mas toda magia tem um preço, e foi Cora que pagou desta vez. -Explicou. -Uma vela mágica, dois nomes soprado, e pronto! A magia está feita. -Concluiu com um sorriso satisfeito. Mary Margaret não sabia onde se enfiar, mas ao mesmo tempo não moveu um músculo para tentar se justificar ou se explicar para a filha.


–Você o quê?! -Emma exclamou à morena. -Vocês o quê?! -Corrigiu severamente. David tentou amenizar a loira, mas foi inútil.


–Vocês realmente acharam que essa era a melhor opção? Depois de tudo que eu disse e nós combinamos. Não. Matar. Cora. -Gritava.


–Srta. Swan, não se mexe com time que está ganhando. -Gold interferiu. -A propósito, mesmo que tivessem mandado Cora à Wonderland, eu ainda estaria morrendo. -Então, Emma se virou com um sorriso sarcástico.


–Claro! E isso seria uma terrível, não é mesmo? -Retrucou sarcástica, tornando aos pais.


–Eu... Eu não acredito que fizeram isso... -Resmungou Emma, mais para si mesma do que para o restante. Tudo que ela conseguia se lembrar; era de Regina abraçada ao corpo da mãe e aos prantos. -Vocês sequer pensaram nela!


–Pensamos em nossa família, Emma. Isso é a prioridade. -David tentou defender a esposa, num tom melancólico. -Eu lamento pelo que aconteceu, mas...


–“Mas”?! Não, não vou discutir... -A loira se oprimiu. -É como o que aconteceu quando Daniel voltou... -Resmungou para si mesma, enquanto dava passos em direção à porta. David e Mary Margaret se entreolharam rapidamente.


–Daniel voltou?! -Disseram; David e Rumple, em coro. A loira virou-se, compreendendo a preocupação dos pais. Embora não soubesse como, sabia que Mary Margaret teria sido responsável pela morte do amor verdadeiro de Regina, mas Emma nunca procurou saber mais a fundo disto por medo de descobrir algo que não estava preparada para saber.


–Sim, mas ele morreu. -Respondeu Emma num tom seco. -Não por sua culpa, desta vez. -Acrescentou rancorosa.


Aquela última frase soara como um tiro para Snow. E todos naquele ambiente puderam perceber isso. No entanto, Emma estava sentida demais para se importar com o efeito que causara na mãe, e antes que ela pudesse correr loja afora, Mary Margaret segurou seu braço.


–Não acho seguro que vá atrás dela. -Disse Snow, lutando para ignorar o comentário da filha. Emma ergueu a sobrancelha.


–Sabe o que é mais engraçado: É que quando tudo isso começou, você foi a primeira a me apoiar. Você foi a primeira a me dizer que estava tudo bem, que eu e Regina merecíamos isso. -Emma dizia, num tom quase cruel. -O que aconteceu? -Perguntou com amargura. E de fato, era exatamente o que ela sentia. David parecia apoiá-la mais que a mãe, que conhecera Regina antes mesmo de se tornar a Rainha.


–Eu estava errada. -Disse Snow, num tom autoritário e severo, embora estivesse em conflito.


Emma a fitou com amargura, sem saber o que dizer; o que retrucar. E desta vez, a Sheriff nada disse, apenas deu as costas e correu para seu destino.


* * *

Quando Regina finalmente sentiu seus pés firmes ao chão, agradeceu por estar sozinha. O corpo de Cora havia se transportado para a tumba, junto ao do velho Henry Mills, e Regina já estava em seu quarto na mansão. Ela não tinha lugar para ir. Não tinha ninguém a recorrer. Sequer pensara em Emma naquele momento. Todos a olhavam como uma pobre coitada, enquanto sua mãe caída em seus braços a deixava com apenas uma frase que ela mal entendia o significado. “Você seria suficiente”. Suficiente para quê? Era essa pergunta que a Prefeita se fazia. Mas ao estado da mulher naquele momento, sequer pensava, apenas sentia lágrimas e mais lágrimas caírem sobre seu rosto como se sua fonte fosse inacabável.


Regina estava tanto tempo convivendo com a mesma dor monótona, sequela da maldição que colocara sobre a cidade, que ao se deparar com uma como aquela, era capaz de explodir. Durante muito tempo, a antiga Rainha aprendera que só havia dois jeitos de lidar com a dor que sentia; ignorá-la, ou substituí-la. Infelizmente, quando não se era mais possível deixar de lado, ela a transformava em um dos sentimentos mais abrasivos e também o único que a satisfazia: ódio.


E até agora, durante aqueles dois, ela havia fingido que aquele sentimento não a consumia; que a dor não possuía seu coração e mente todo o segundo — com exceção dos breves momentos em que ela quase não a sentia-, ignorando o fato de Snow White estar viva, ignorando o destino que ria de sua cara por ter se apaixonado pela filha de quem mais odiava, havia feito tudo isso por Henry e, recentemente, por Emma. Mas aquilo era exigir demais da mulher. Tudo havia sido tirado dela, de um jeito ou de outro. E agora ela iria ter tudo; sua família e sua vingança. Estava decidida. Nada mais importava. Não iria pagar mais preço algum por magia alguma.


Depois de seu acesso de raiva, deixando pedaços de vidro e espelhos quebrados, ela tomou uma decisão: precisava deixar a cidade. Poderia deixar Storybrook com Henry e Emma e sumir, recomeçar. Sem Snow White e Prince Charming, sem vingança para atormentá-la. Apenas ela e sua luz.


Durante a tarde, Regina juntou suas roupas, as de Henry e tudo que precisariam para começar uma nova vida. O sol já repousava sobre as casas quando um barulho chamou a atenção de Regina. Imaginando ser Mary Margaret, ela avançou contra o corredor para chegar até as escadas, mas lá estava Emma.


–Regina. -A loira chamou, antes de ver que esta a observava do segundo andar. -Hey, sweetie. -Disse gentilmente, abrindo um sorriso. Regina encontrou-se desestabilizada por breves segundos, estava preparada para investir contra a inimiga. Emma a fitou, mudando sua expressão repentinamente. -O que está fazendo? -Perguntou desta vez, num tom preocupado, encaminhando-se para as escadas.


–Estamos indo. -Disse simplesmente, virando-se de volta para o quarto. A Sheriff subiu os degraus apressadamente, seguindo a morena.


–Quem ‘estamos’ e para onde? -Perguntou Emma, já no segundo andar.


–Deixar Storybrook. -Regina respondeu, num tom mais ameno. Ela continuou a guardar e jogar tudo dentro de uma mala, e ao terminar balançou os dedos fazendo com que a bolsa sumisse em meio à névoa roxa.


–Não me lembro de termos decidido isso. -Emma comentou um pouco assustada. -Regina, vamos conversar...


–Assim que Henry voltar da escola, partimos. -Avisou. Embora não percebesse, a Prefeita falava rápido demais dada a tamanha aflição. Ela sentia que poderia se livrar da dor assim que partisse e queria que isso acontecesse o mais de pressa possível.


–Regina, não faz sentido algum. -A loira tentava argumentar. -Henry deve estar de volta em meia hora e... Não posso deixar meus... Meus pais. -Acrescentou. Era a primeira vez que se referia a David e Mary Margaret como seus pais.


–Mas, pelo visto, eu pude, não é mesmo? -A morena virou-se para a Sheriff.


–Gina, o que Mary Margaret fez não tem perdão. Eu sei. -Estabeleceu, primeiramente. -Mas eu não posso deixa-los... Eu acabei de encontra-los. -Regina ficou em silencio por longos segundos, apenas observando-a.


–Se é assim... -A voz rouca de Regina quase não saíra. A dor que tentava se livrar estava voltando a latejar, ela precisava ir embora. -Então, não precisa vir.


* * *

Regina havia expulsado Emma de sua casa e agora, a loira estava andando pela rua, mais especificamente na praia onde Henry costumava brincar. Não podia -e não queria- voltar para a casa dos pais, o que lhe restava era seu quarto no Granny’s.


–O que aconteceu? -Ruby correra para alcançar à loira. Emma não a teria escutado se não fosse pelo toque da morena em seu ombro, estava perdida em seus próprios pensamentos. -Ouvi dizer que...


–Pelo visto ninguém guarda segredos por aqui! -Emma retrucou. Ruby se encolheu imediatamente. -Desculpe, não quis...


–Tudo bem. Está nervosa. -Disse a morena com um sorriso compreensivo. -Onde está Regina? Precisa estar com ela nesse momento. -Acrescentou num tom gentil.


Emma a olhou assustada, toda sua cor havia sido drenada de sua pele. Cogitava um pensamento que não havia antes. Naquela hora, Henry já deveria estar em casa e Regina estaria partindo.


–Merda! -Exclamou a Sheriff, dando as costas a morena e tornando a correr de volta a mansão.


–O que foi Emma?! -Ruby gritou.


–Regina quer deixar a cidade! -Gritou em resposta. A loira nada mais disse, estava distante demais para acrescentar algo. Não que precisasse, Ruby compreendia mais que ninguém o que cruzar os limites da cidade significava. Havia acontecido isso a sua melhor amiga. Se Regina o fizesse, mesmo sendo ela a ter posto o feitiço de proteção, sua memória seria certamente afetada. Só que não esqueceria somente da vida em Storybrook, e sim de toda a sua vida. Pois Regina nunca se esqueceu de quem era, a princípio.


O dia já estava escuro o bastante para que Emma enxergasse com dificuldade as imperfeições do asfalto que corria, dificultando ainda mais sua corrida até a mansão. No entanto, em momento algum isso a fez cogitar a desistência. Quando finalmente vira o casarão no final da rua, pôde observar o carro de Regina em sua porta. Ela realmente estava partindo.


O farol se acendeu, junto com as lâmpadas traseiras alertando que o veículo dava ré, pronto para partir. A Sheriff usou quase toda sua energia para pular dentro do carro antes que este se movimentasse mais. Regina mal percebera a invasão de tão repentina que fora, o carro já estava em andamento antes que Emma pudesse dizer algo.


–Emma! Eu poderia ter te matado! -Exclamou Regina, num tom severo. A loira se segurou na porta do carro e no banco do carona, suspirando fundo e dolorosamente de modo que recuperasse seu fôlego cedo o bastante para deter a Prefeita.


–Eu... Eu não acredito que você realmente ia me deixar! -Emma protestou olhando ao seu redor. Henry estava deitado no banco de trás em um profundo sono. Ela viu um sorriso se manifestar nos lábios da morena.


–Eu não ia. -Respondeu, embora não houvesse sido uma pergunta. -Eu sabia que viria. — Lançou um olhar breve à mulher.


–Por que Henry está... O que você fez? -Emma disse olhando para o menino. Embora o carro passasse por alguns buracos e quebra-molas na estrada, Henry não parecia se importar com o balançar.


–Não se preocupe, ele irá acordar em algumas horas. Quando estivermos longe daqui.


–Regina! Não podemos sair! -Emma exclamou, mais alto do que planejava. -Você realmente enlouqueceu? Não pode agir desse jeito! E outra coisa-


–Ele é o meu filho, eu posso leva-lo para onde bem entender. Pensei que você viesse conosco. E veio, então por que... -Regina falava, mas Emma não estava mais escutando. Sua atenção foi tomada por algo mais importante do que as reclamações da Prefeita; elas estavam na última estrada principal: a placa “Leaving Storybrook” que Emma batera há quase dois anos esta perto. E ela não poderia deixar que aquilo acontecesse.


Pouco menos de dez metros da placa e da linha marcada por Leroy, só havia uma opção. Emma virou-se para a Prefeita, segurando o volante do veículo. E num movimento desesperado, o virou completamente para a esquerda. O coração de Regina parou. O carro fora em cheio contra a mata vizinha a estrada, por sorte não acertando uma árvore rústica perigosamente perto deles. Emma não jogaria o carro se não soubesse que seria seguro para sua família, sendo assim, no lado oposto ao da placa que anunciava a cidade. Os últimos segundos antes de o automóvel sair do asfalto e afundar na terra entre o matagal, Regina e Emma automaticamente seguraram uma a outra, tão firme que provavelmente haveria marcas após tudo aquilo. A outra mão livre da Sheriff segurou Henry, por trás do banco do motorista.


De repente, tudo se envolveu por algo que, a princípio, nem Emma ou Regina puderam identificar. Uma névoa havia coberto o carro, transportando-os para um lugar bem distante dali. Entretanto, a cor daquela névoa era uma mistura de azul purpura com roxo. A união de ambas as forças; Luz e Trevas.

❤

Notas finais
Hey, guys! Gostaria muito que me dissessem o que acharam e o que esperam para o grande final. Quero críticas construtivas, por favor. Tento melhorar a cada capítulo. Obrigada por lerem!