Broken
18 I'll Show Them My Powerfull Side
Notas iniciais
1º - Eu sei que minha conta no site era compartilhada com uma amiga minha. Mas após um desentendimento, decidimos que era melhor assim. Cada um com sua conta.
2º - Há especulações sobre o motivo das memórias compartilhadas (gosto muito de lê-las, a propósito), e vou dar dicas no decorrer dos capítulos, então, fiquem atentos!
3º - Acho que isso é tudo. Obrigada por tudo, e boa leitura!!
* * *
Quando a névoa dissipou-se por completo, Emma repreendeu seu grito de desespero. Nunca havia se sentindo tão deslocada e flutuante. Assim que sentiu algo sólido sob seus pés, quis jogar-se no chão para provar se realmente era real. No entanto, ela estava deitada em uma cama de casal branca. A loira levantou-se rápido, desesperada por não saber onde estava e por não saber onde Regina ou Henry. Uma cama de solteiro permanecia há alguns metros da de casal, onde o menino continuava a dormir tranquilamente, sem ter sequer noção de tudo o que acontecia ao seu redor. Assim que Emma viu a porta, correu por ela para encontrar Regina.
–R-Regina. — Emma resmungou baixinho, sentindo-se enjoada. E só então, observando detalhadamente onde estava. -Regina! -Chamou assustada. Ela estava em uma sala branca com desenhos de sombras do que pareciam ser galho. Nunca havia estado naquele lugar antes, mas sabia que havia sido transportada pela morena. Emma afastou um pouco de névoa -agora num tom mais escuro de roxo- que ainda flutuava a sua volta e caminhou mais afrente, percebendo a silhueta da Prefeita.
Lá estava Regina; com uma mão apoiada no vidro onde deveria ser uma janela, enquanto a outra erguida a sua frente. Ela estava de costas à Emma, por isso não percebia enquanto a loira se aproximava, algo estava roubando sua atenção. Enquanto o restante das lágrimas caía, a mão erguida da Prefeita segurava uma bola, desta vez, não de chama, mas da mesma névoa que a Sheriff afastara de si há poucos minutos. Emma sabia que Regina era como uma bomba relógio; poderia explodir a qualquer momento caso não saiba como lidar com ela. Mas do mesmo jeito que tinha conhecimento disso, tinha conhecimento de sua fragilidade.
A bola, então, tornou-se mais fina, apenas cobrindo a mão pálida da Prefeita como uma luva. Regina virou sua mão contra si mesma lentamente e hesitante. Foi então, que Emma compreendeu a intensão da morena.
–Hey! -Emma exclamou, um pouquinho mais alto do que planejava, fazendo com que a Prefeita pulasse de susto. Regina virou-se espantada, sem souber da presença da loira ali. -Gina... O que p-pretendia fazer? -Questionou, aproximando-se. Regina não se preocupou em reponde-la.
–O que você pretendia pegando o volante daquela forma? -A Prefeita a fitou, confusa.
–Se você passasse pelos limites... Iria se esquecer de tudo. -Explicou Emma cautelosamente, num tom que dava dó. Regina franziu o cenho. Ela sequer havia cogitado essa possibilidade. Perder sua própria vida. A necessidade de livrar-se daquela dor era tamanha, que mal conseguia pensar em outra coisa.
–O que pretendia fazer? -Repetiu, desta vez, num tom mais severo. A Prefeita desviou o olhar para a janela, sua mão ainda brilhava com a névoa roxa.
–Não ia fazer isso que está pensando. -Resmungou roucamente. Emma deu mais um passo a frente, se atrevendo a tocar a cintura da morena. -Não ia me matar...
–Claro que não! Apenas retirar seu coração?! -Acrescentou Emma, subindo o toque até o rosto da Prefeita, mas ela se recusava a olhar em seus olhos, embora não dissesse isto com palavras.
–Isto não me mataria, ao contrário do que pensa. -Retrucou seca.
–Não parece que você se importaria, caso matasse. -Comentou a Sheriff.
–Talvez não me importe. -Disse Regina rispidamente. Emma não pode deixar de sentir uma pontada em seu peito.
–Talvez não se importe? -Repetiu, parecendo um pouco ofendida. -Talvez? Regina... -Emma estava prestes a começar uma discussão, mas algo mais importante lhe chamou atenção. Os olhos achocolatados de Regina tinham seu brilho reduzido, muito menor do que da última fez que o vira. Quase igual ao de Cora.
–Por que me trouxe aqui? -Perguntou Emma preocupada. A morena finalmente olhou-a, franzindo o cenho. -Vamos para casa, Gina... — Regina sorriu, não genuinamente, mas como aqueles mesmos sorrisos gelados de dois anos atrás.
–Você é a Salvadora, pode ir embora quando quiser. -Regina resmungou mais para si própria do que para Emma.
–Nesse caso... -Emma estava pronta para rebater, sentindo-se mal por Regina não a querer ao seu lado. -Eu não consigo fazer isso. -Concluiu.
–Você pode, sim, usar magia, embora não saiba como.
–Regina. — Emma chamou, sem compreender o porquê desse afastamento repentino. -Fale comigo. Confie em mim. Desconte em mim, se for preciso, mas não construa essa barreira de novo! -Suplicou, num tom desesperado. -Por favor.
A Prefeita virou-se evitando olhar para a loira, e afastou-se lentamente.
–Foi ela. -Regina resmungou, sem olhar para Emma. -Ela fez isso mais uma vez. E por mais uma vez, destruiu a única memória que de quem eu realmente era. Não vou deixa-la impune. NÃO VOU! -E gritou, numa voz estridente, agarrando a primeira taça que vira pela frente e atirando-a contra a parede. -Ninguém sabe o que é passar a toda a minha vida em função disso! Em função da vingança que eu nunca vou conseguir ter, por uma pessoa que é chamada de heroína! Heroína que acabou com a minha vida! E continua a destruí-la aonde quer que eu vá. Você não faz ideia do que é isso! -Então, virou-se para a loira que cada vez mais se reprimia em um canto.
–Ótimo show, não é mesmo?! -Gritava, com um sorriso sarcástico. -A temida Evil Queen! Redescobrindo suas trevas! “Preparem-se para o pior! Ela fará exatamente o que nós queremos!” e é isso que chamam de heróis! -A voz de Regina era irreconhecível para os ouvidos de Emma. A loira não fazia ideia do que ela falada, mas certamente era sobre Mary Margaret.
–Os chamam de heróis porque a nossa história nunca foi contada. Eu sou apenas o que eles quiseram que eu fosse, e embora eu tente mudar... Eu tente recomeçar... Amar novamente... Não serve a nada.
–Isso não é verdade! -Emma protestou.
–Eu sou apenas um entretenimento, Emma! -Regina debateu com uma risada gelada. -Poupe-me do heroísmo e diga-me quantas vezes ouviu verdadeira história da Evil Queen? Ou da Malévola? Ou de famosos “vilões” conhecidos neste mundo?
–Não me importam eles. -A loira, aproximou-se elevando seu timbre de voz, assim como Regina. -Não é justo você dizer que não serve a nada, depois de tudo que aconteceu! -Gritou. -Que eu não sirvo a nada?!
–Não foi o que eu disse... -Regina recuou, desviando o olhar.
–Pois foi exatamente o que disse!
A prefeita cerrou os pulsos, apertando firmemente e virando contra si. Desta vez, sem hesitação. Então, de sua mão surgiu a antiga névoa em um formato mais sólido. Emma soltou um gritinho desesperado, pensando que ela investiria contra si mesma.
Regina aproximou-se da loira, que por um segundo se recusou a observar o que ela tinha em mãos.
–Você vê isso? -Perguntou.
–Regina... -Emma protestou, num tom melancólico, mas era muita informação para falar.
–Essa cor... Você vê? -Perguntou mais uma vez. A loira então foi obrigada a olhar. De fato, a névoa arroxeada era mais escura do que ela lembrava. -Sabe o que é isso? -Perguntou, embora já soubesse a resposta. Emma negou com a cabeça, assustada. -Isso são as trevas, Emma.
–O que? -Emma gemeu baixinho
–Já faz algum tempo que venho percebendo que ela está escurecendo... -Explicou mais para si mesma que para a loira. -Como a de Cora...
–Está dizendo que isso é como você é? “Trevas”? -Questionou. -Isso é um absurdo!
–Isso é o que eu sou. A que lado eu pertenço. Não ao lado de pessoas como você.
A sala parecia se transformar em um campo de batalha. Regina estava inconsolável e Emma tão aflita que incapaz de conter suas próprias mágoas. Não havia jeito de isso dar certo. Ela tinha inúmeros argumentos, mas nenhum que não pudesse ser rebatido pelos da Prefeita. Não adiantaria nada mudar a cabeça de Regina, não enquanto ela estivesse daquele jeito. Sendo assim, ela permaneceu calada até que a morena retornasse com o órgão em seu devido lugar.
Minutos de silêncio depois, talvez os piores da vida de ambas, Emma decidiu se posicionar diante as atrocidades ditas pela mulher.
Ela então deu um passo adiante, e segurou sua mão. Simplesmente segurou sua mão.
–Todo mundo tem um lado negro. -Sussurrou Emma, fragilmente, com o rosto voltado ao chão. -Embora você não conheça o meu... Não me coloque em um pedestal. Ninguém é tão puro. Ninguém é tão negro.
–Emma... Não quero desapontá-la. -Protestou em um gemido baixinho. Seus corpos estavam perigosamente perto, e embora ambos sentissem falta uma da outra, sequer se moveram.
–Você não está sozinha. Você tem a mim e o Henry. Você tem uma família. -Continuou, ignorando o comentário anterior. -Não se atreva a dizer que família não serve a nada, pois eu vivi uma vida sem ela e eu sei quão importante é. Pensei que soubesse também! -Repreendia.
“Por minha causa”, pensou Regina. Ela mal pode sentir a lágrima se formar em seus olhos e escorrer de tão gelado que estava seu rosto.
–Desculpe. -Sibilou derrotada, num tom melancólico. Emma deu um passo adiante, envolvendo-a em seus braços, de modo que o rosto da Prefeita se escondesse em seu ombro. -Eu... Não sei o que estou fazendo. -Choramingou.
–Está tudo bem, querida. -Sussurrou a loira em resposta, sentindo as lágrimas quentes cair sobre sua pele. -Eu estou aqui e nós vamos passar por essa, juntas, ouviu?
–Ouvi. -Respondeu, se recompondo. Regina enxugou suas lágrimas e se afastou.
–Como viemos parar aqui? -Emma perguntou, num tom mais calmo. Ela nunca havia estado ali antes e aqueles desenhos na parede a assustavam. A Prefeita a olhou com um pequeno sorriso, no qual Emma não foi capaz de decifrar o motivo.
–Em minha terra, isso não tem um nome, pois é muito, muito raro acontecer. Não me lembro de ler nada como isso. -Regina dizia. Sua expressão hora tornava orgulhosa, hora admirada. Tudo ainda parecia muito confusa para Swan, acabara de evitar e causar um acidente ao mesmo tempo. -Quando dois polos se unem, dois lados opostos de uma história se atraem... Tivemos sorte de sermos apenas transportadas para cá.
–O que isso significa? Onde estamos? -A loira questionou, sentindo-se enjoada com tanta informação.
–A Rainha e a Salvadora... Emma, nós usamos magia para nos levar para um lugar seguro. Porém, só eu conhecia um. -Regina explicou lentamente, desejando que a loira finalmente compreendesse.
–Luz... E Trevas? -Questionou, começando a entender do que a Prefeita se referia. A morena assentiu com a cabeça, e um sorriso triste.
–Estamos no meu mausoléu...
–Seu o quê? Estamos debaixo da terra? Tipo, um caixão?! -Emma exclamou desesperada.
–Não se desespere, é seguro aqui. E você já esteve sob a terra antes, qual o problema agora? -Regina perguntou, caminhando até um pequeno sofá onde, ao lado, havia uma mesa de bebidas.
–Era diferente, eu tinha que salvar o Henry e a adrenalina sobe nessas horas... -Explicou, mais para si do que para a morena. -Vamos sair daqui logo, vamos... -E se virou, voltando para o quarto.
–Não. -A voz séria da Prefeita a fez parar. -Não antes de eu terminar uma coisa. -A secura e a rispidez em sua voz trouxe um arrepio à espinha de Swan. Infelizmente, a Sheriff tinha uma pequena noção do que “terminar uma coisa” significava.
–Regina...? -A loira virou-se. Mas não havia ninguém mais ali. O sofá vazio e a cidra pela metade.
* * *
O dia amanhecera nebuloso em Storybrook, e a floresta refletia esse clima. As árvores que balançavam com o vento despejava toda a água derramada sobre ela. A estrada não era recomendável para uma viajem e não só o tempo avisava isso, com um carro arremessado entre as árvores. Naquela manhã, David havia recebido uma ligação de Leroy. Um carro do tipo Mercedes preto estava em pedaços há poucos metros da linha da cidade; e só havia uma pessoa com aquele veículo na cidade: a Prefeita.
Logo, o homem se prontificou a ir até o carro. Não havia ninguém lá, se não algumas malas que pareciam ter sido deixadas para trás. Regina queria sair da cidade; com Henry e com Emma. A Sheriff estava sumida desde o dia anterior, mas o Príncipe pensou ser por causa da última briga com Mary Margaret. Não, Regina a havia sequestrado. Junto a seu neto. Com a ajuda de Leroy, eles levaram o carro da Prefeita e David voltou para Mary Margaret que permanecia de cama.
–O que aconteceu?! -Exclamou Mary Margaret ao ver David adentrando o apartamento com agressividade.
–Regina... Regina está com Emma e Henry. -Respondeu Charming ofegante. Mary Margaret levantou assustada, seus olhos esbanjavam preocupação.
–Ela os sequestrou?! -Disse, num tom mais alto que deveria. David caminhou até ela enquanto seu peitoral subia e descia.
–Não podemos ver assim. -Disse Charming, com os olhos abaixados para o seu distintivo de assistente de Xerife. Ele deu um olhar preocupado à esposa. -Mas nós conhecemos Regina.
–Você acha que ela os sequestrou, não é? -Perguntou, embora soubesse a resposta. Ele fez que sim com a cabeça, numa expressão triste. David queria acreditar que Regina estava tentando mudar, mas com a morte da mãe pelas mãos de sua esposa, uma reviravolta no humor da Prefeita não seria improvável.
–Se você acha, precisam procura-la! Já foram na mansão? Deus, eu avisei a ela! -Lamentou-se Mary Margaret.
–Leroy já se encarregou disso. Ninguém atende e, você sabe, precisamos de um pedido oficial para arrombar a porta. Além do mais, é a casa da Prefeita. -Informou David, calmamente. Mary Margaret levantou-se rapidamente.
–Emma não está aqui. Nossa Emma. Você pode arranjar essa coisa e entrar logo naquela maldita casa! -Gritou Mary Margaret. David não sabia exatamente como reagir, eles nunca brigaram antes. Suas barreiras eram contra inimigos, não contra eles mesmos. Nunca se contrariavam.
–Querida, temos que levar em conta que Emma queira estar lá. Sabemos que há essa possibilidade. -Explicou conformado. Mas a mulher não estava de acordo.
–Está do lado de Regina agora?! -Acusou. Charming a fitou. Nunca vira Mary Margaret naquele estado, seu semblante tinha algo diferente... Algo mais sombrio.
–Snow, você me convenceu de que não há nada que possamos fazer para evitar isso. Todos na cidade sabem que sempre houve algo estranho entre elas. E agora que todos tem a prova disso, poucos acreditam que Emma não esteja consentindo com esse desaparecimento. Ruby, por exemplo, não quer nos ajudar. E eu compreendo... -
–Não acredito que estou ouvindo isso. -Resmungou. David sentiu uma pontada no peito.
–Está certo. Vou entrar naquela casa e trazer Emma e Henry. -Concluiu um pouco magoado com a indelicadeza da esposa. -Mesmo que, com isso, eu atrapalhe a felicidade da nossa filha. -Acrescentou dando as costas a Mary Margaret e caminhando apartamento afora.
* * *
Regina reapareceu em frente à grande caixa retangular. Era impressionante a intensa sensação mórbida que aquilo dava ao local, mas isto não era uma coisa que a Rainha não estava acostumada. Ela estava bastante familiarizada com todos os enfeites e vestígios de lágrimas sobre os caixões. O leito simbólico de seu pai e o verdadeiro de sua mãe. Nunca pensou que terminaria daquele jeito. Entretanto, Regina tinha o pró de não carregar o fardo da morte da mãe. Ela tinha especificamente a quem culpar; a quem descarregar sua fúria. Snow White. Não era como se fosse uma novidade. Sempre Snow White. Mas com sua raiva, vinha sua soberba e sua confiança. Ela sabia que, desta vez, conseguiria sua tão esperada vingança. Teria tudo: uma família e a morte de sua inimiga de longa data.
Regina se certificara de que Swan não a impedisse de cumprir seu objetivo, nem na tentativa de defender a mãe ou na apelação das suas imensas íris esmeraldas. Certificara também de que seu filho não fosse envenenado contra sua própria mãe pelos avós. Mas antes que pudesse vingar a morte de sua mãe, tinha que dizer adeus a ela.
O caixão estava aberto, o rosto pálido e sem vida de Cora era envolvido de flores roxas enquanto sua mão segurava apenas uma rosa. Aquela não era a primeira vez que a Prefeita dizia adeus à mãe, mas certamente seria a última.
–Mãe, me desculpe. -A voz de Regina se abafou ao se aproximar. -Eu prometo que vingarei sua morte, de uma vez por todas.
–Ora, aposto que não era isso que ela queria. -A voz estridente e irritante de Mr. Gold afetou os ouvidos da Prefeita. Ela se virou bruscamente. O homem e sua bengala se arrastavam até ela.
–Você não tem direito algum de estar aqui! -Gritou Regina na defensiva. Mas Gold sequer hesitou, andou até parar ao lado da morena.
–Eu vim com o mesmo objetivo que você: despedir-me. -Informou tranquilamente. Regina cerrou os olhos. -Cora fora alguém importante para mim.
–Por que minha mãe seria importante para alguém com você? -Duvidou. -Ela não foi importante quando se tratava se trocá-la pela sua vida! -Protestou. Gold suspirou pensativo.
–Tudo pela sobrevivência. -Disse simplesmente. Regina bufou, mas não disse mais nada.
–Há muita coisa sobre sua mãe que você não sabe. -Gold resmungou, num tom amargo. Seus lábios curvados e suas rugas de expressão mostravam isto. A morena preferiu ignorar. Não importava mais. Cora se fora.
–Snow irá pagar pelo que fez. -Regina disse, após um longo silêncio. Rumple deu um longo suspiro antes de virar-se para a morena.
–Por que não desiste de uma vez? –Questionou impaciente. –Nunca vai conseguir sua vingança contra Mary Margaret. –Comentou cruelmente.
–Sim, eu conseguirei! –Urrou em resposta.
–Você tem algo em mãos que não faz ideia do que é, ou da proporção de sua magia. –Comentou Gold em falsete.
–Não me importa, a não ser que seja algo que possa usar contra Snow. –Retrucou, grosseiramente. Rumple soltou-lhe uma risada estridente e aguda.
–Você já tem Henry e a Srta. Swan. –Lembrou-a. — Se matar Mary Margaret, vai perder ambos de uma só vez. Estou surpresa de somente a ideia já não ter afastado a Sheriff.
–Lamento estar decepcionado. –Zombou Regina forçando um sorriso sarcástico.
–Sua mãe aprendeu esta lição há muito tempo. Infelizmente, não por mim. –Introduziu Gold, embora Regina percebesse que aquilo significava algo, ela não compreendia. –Não se pode ter tudo. –Frisou. –A morte desta mulher terá um preço e -pelo que eu vejo- você tem muito a perder.
Regina, entretanto, não hesitou um segundo sequer. Ela estava decidida a ignorar as suplicações de Rumple e seguir seu plano adiante, e livrar-se daquele peso e assola seus ombros. Gold viu a frieza no rosto da Prefeita, viu a determinação que tanto admirava na família Mills, porém, vira também o conflito em que a mulher estava; unir amor e vingança era uma combinação certamente destrutiva. E não era como se o homem estivesse preocupado com o fim do relacionamento da Prefeita com sua Sheriff, mas estava, sim, preocupado com o que lhe afetava e neste caso era a separação de ambas. Uma recente descoberta de Rumple havia se tornado a origem de sua dor de cabeça, ou melhor; uma velha memória. De qualquer jeito, precisava ter controle sobre Regina se quisesse descobrir o que fazer com essa nova informação, e para isso precisaria saber seus próximos passos. Com a morena naquele estava, era impossível saber a proporção do problema que ela causaria a seguir, ou se esse problema seria somente dos Charmings, ou se, talvez, se tornaria seu em breve.
–Não importa o que me disser, eu terei minha vingança e manterei minha felicidade. Eu posso, sim, ter tudo. –Assegurou com um arregalar de olhos desejando mostrar segurança, mas seu corpo não correspondia a sua mente.
–Faça o que quiser. –Mentiu Gold e lhe deu as costas saindo do mausoléu. Ciente ou não, Regina sempre fazia o que ele queria.
* * *
Emma Swan sentia sua mão doer de tanto batê-la contra a parede. A sensação que tinha era enlouquecedora, estava presa naquela casa subterrânea e embora fosse fresca, ela sentia seu ar acabar aos poucos. Gritava por Regina, exigia que a tirassem de lá imediatamente, mas não havia resposta. Swan adoraria parar e refletir sobre as razões da Prefeita mantê-la lá, mas estava com muita raiva para pensar. Regina não podia ter feito aquilo. Decidido, assim de repente, de que iria trancá-la ali e fazer sabe Deus o que. No entanto, Emma sabia o que a morena planejava fazer e isso, era o que mais a irritava. Regina tinha coragem de matar a mãe da pessoa que ela mais ama? Não. Essa era a resposta mais rápida e fácil. Mas a loira sabia que não era bem assim, Regina não via Mary Margaret como a mãe da mulher que ela amava, mas sim como Snow White. A mulher que destruíra sua vida, mesmo que tenha gerado aquela que veio para salvá-la. E quando a mulher se via em seu estado mais sombrio, possuído pela escuridão que assombrava seu passado, ela sequer pensava nas consequências. Se ela fizesse, Emma não poderia perdoá-la. Por mais que a ame.
–REGINA! –Gritou mais uma vez, sentindo suas cordas vocais cansadas e arranhadas pelo esforço excessivo.
–Mãe? –A voz morna do menino sonolento soara logo atrás. Um frio correu a espinha de Swan. Suspirou profundamente antes de se virar.
–Hey… — Respondeu, com um sorriso tranquilo estampado em seus lábios. Henry esfregou os olhos, franzindo o cenho, como se o barulho o tivesse acordado. –Você está bem, garoto? –Perguntou casualmente, na tentativa de disfarçar o escândalo que fazia anteriormente.
–Onde minha mãe está? –Perguntou o menino, ignorando a pergunta anterior. Emma olhou em volta, pensando em qual resposta dar.
–Sua mãe… Sua mãe foi resolver uns problemas, mas já deve estar voltando. –Mentiu, se esforçando em um sorriso. Henry franziu o cenho, novamente, duvidoso.
–Certo…. Mas por que está gritando? –Perguntou mais como uma reclamação. Emma não via como responder.
–Você já devia ter acordado, não é? –Desconversou, forjando um sorriso brincalhão. Henry estava sonolento demais para contestar, e Emma fora rápida: — Está com fome? Vamos, vou arranjar algo para comermos. –Sugeriu, esperando ter sido convincente.
Swan levou o menino até ao que parecia ser uma cozinha. Não podia dizer ao filho que sua mãe estaria cedendo ao lado das trevas. Regina havia feito muito para reconquistar a confiança de Henry, e Emma sabia disso. Não permitiria a Prefeita de destruir sua família por um impulso de péssimas lembranças remoídas. Emma, mais que tudo, desejava que Regina a escolhesse, em vez de escolher a vingança. O amor que compartilhavam era poderoso, mas toda magia tinha um preço. E a morte de sua mãe, não era um preço que ela estava disposta a pagar, mesmo que isso custasse sua felicidade.
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