Broken

7 Before You Let Her Go


Notas iniciais
Postei hoje porque não conseguia mais me segurar. Well, aqui está o ship que prometi. Espero que gostem. Gostaria que vocês prestasse atenção em detalhes, pois serão cruciais para o desenvolvimento da história. E outra: nos avisos da fanfic tem "sexo explícito" mas nada até agora... Bem, terá em breve.

OBS: Nesse capítulo teremos Regina mais afastada de Emma. E uma surpresinha para o final. (Vocês decidem se boa ou ruim).

-Esse capítulo foi baseado (Apenas algumas cenas -Em Storybrook-) no episódio 09 da Segunda temporada.

-Boa leitura!

* * *

Aurora corria o mais de pressa que conseguia, seguia a única pessoa, em todo mundo, que podia confiar com todo seu coração. Seguidas por algo que ela não teve tempo de identificar, e nem pretendia, apenas corria para salvar a sua própria vida e a vida da pessoa que realmente amava.


–Vamos, Aurora! Estamos quase lá! –Gritava Mulan, incentivando a ruiva a andar mais rápido. A caçadora segurou a mão extremamente branca de Aurora, assim, ela se certificaria que não a perderia de vista.

Subindo uma colida bastante alta, Mulan pôde avistar um templo abandonado. Ela sabia que aquilo estaria ali, afinal, Mulan era a melhor caçadora daquela terra, conhecia aquele lugar como a palma de sua mão.

Aurora correu para alcançar a morena, que era uma ótima corredora. O templo não era muito grande, mas tinha espaço o suficiente para elas se abrigarem. Mulan jogou seu arco, e o compartimento que guardava as flechas, no chão e se sentou exausta. Aurora se jogou no colo da mulher, ofegante. Sentindo uma dor terrível em seu ombro.


–Aurora! Eles a machucaram? –Perguntou Mulan, ajeitando a mulher de modo com que sua cabeça se apoiasse na perda da morena. Ela afastou o pano do vestido da ruiva, lá estava, um fundo arranhão, o sangue manchava toda ceda lilás. De pressa, Mulan rasgou um pedaço do vestido da ruiva e envolveu em seu ombro. –Isso vai melhorar, um pouco. –Resmungou.


–Obrigada, -Aurora virou-se para que pudesse olhar para a mulher. –E agora? O que faremos? –Perguntou. Mulan olhou em volta como se procurasse por algum plano.


Elas estavam fugindo de Cora, uma mulher muito poderosa que dominou a Terra Encantada depois do desaparecimento misterioso de Snow White, a Rainha daquele reino quando a terrível Evil Queen, foi derrotada. Cora assassinou um aldeia inteira e, com a ajuda da magia, usou os corpos de suas vítimas para atacar as aldeias próximos. Todos que conseguiram sobreviver agora vivem escondidos. Com a volta dos Ogros, a Terra Encantada se tornou um lugar terrivelmente perigoso.


–Não sei, ainda. –Confessou Mulan. A morena pegou a bolsa com as flechas e apoiou a cabeça de Aurora, como travesseiro. –Por enquanto vamos ficar aqui, vou sair e buscar água. –Levantou. –Não saia daqui. –Ordenou Mulan, pois sabia que a ruiva era teimosa e certamente a seguiria.


–Mulan! –Chamou Aurora, antes de ela ir. –Eu tenho um plano.


–Qual? –Perguntou, casualmente. Aurora tentou se levantar, mas a dor a impedia.


–O sonho, podemos pedir ajuda-


–De jeito nenhum! Você já se machucou uma vez, e nós já tentamos pedir ajuda! Não vou permitir que você corra esse risco novamente! –Respondeu Mulan, séria.


–Mulan, eu consigo-


–Não, Aurora! Está decidido. –E saiu.


Mulan sabia que Aurora faria mesmo se discordasse, então ela tinha de ser rápida. Correu o mais rápido que pôde para um rio, que ela sabia que estaria ali. Procurou por perto, uma concha para abrigar a água e levar à Princesa. No caminho, conseguiu colher algumas frutas e chegar rápido ao templo, sem ser vista.

Para sua sorte, Aurora estava acordada e brincava com a ponta de uma das flechas da caçadora.


–Pensei que quando voltasse já estaria dormindo, -Resmungou Mulan sentando ao lado de Aurora. A ruiva sorriu, ela até tentou, mas decidiu não fazer e obedecer a morena pelo menos uma vez.


–Não estou com sono –Brincou. Mulan pegou a concha cheia d’água e cuidadosamente pôs na boca rosada de Aurora. –Espero que isso esteja limpo. –Reclamou Aurora, lambendo o lábio inferior.


–Cala a boca e beba. –Mulan riu, repetindo o gesto anterior. Depois de saciada, Aurora devolveu a concha que ainda restava algum líquido e bebeu o resto. Então, as duas compartilharam as frutas colhidas e pela primeira vez no dia, Aurora não reclamou.

Já estava escurecendo, quando Mulan certificava pela quinta vez que a porta do templo não se abriria tão facilmente. Segura de que estava trancada, Mulan se juntou a Princesa sentada no chão do templo. Aurora se deitava de lado, de modo que seu ombro direito ficasse livre e o outro encostado no chão. A caçadora, então, deitou-se ao lado da Princesa olhando para seus olhos azuis.


–O que foi? –Perguntou Aurora, percebendo um pequeno sorriso na morena.


–Você não reclamou durante duas horas inteiras! –Debochou, soltando uma gargalhada engraçada. Aurora deu um soco leve no braço da morena, rindo. Os olhos azuis de Aurora se encontraram com os castanhos de Mulan.


–Que? –Perguntou Mulan, dessa vez.


–Você é linda, -Aurora sibilou, com um sorriso doce nos lábios. Mulan logo desviou os olhos, envergonhada. A mão da ruiva descansou sobre o rosto quadrado de Mulan. Ela podia sentir o hálito de hortelã da morena, seus rostos perigosamente perto.

Aurora aproximou seu rosto do de Mulan, seus lábios se tocaram escovando uns aos outros. Mulan fechou os olhos imediatamente, aproveitando cada segundo do beijo. Não, aquele não era o primeiro beijo delas. Seus lábios se moviam em um ritmo calmo e apaixonado, até que Mulan decidiu se afastar. Seu amor por Aurora era grande, de fato, mesmo que não admitisse, mas seu orgulho passava por cima de tudo.


–Vá dormir, estarei aqui quando acordar. –Disse Mulan, sua voz saiu mais suave do que gostaria. Mesmo com todo jeito forte e fechado de Mulan, Aurora sabia que ela era doce e insegura. Enfim atendendo à ordem de Mulan, Aurora fechou os olhos, segurando firmemente sua mão. Se algo acontecesse enquanto ela dormir, seja no sonho ou não, sabia que Mulan estaria ali para salvá-la.


* * *

De repente, a escuridão foi diminuindo e voltando a ser a antiga sala incendiada. O mesmo fogo, as mesmas paredes intocadas. Aurora procurava pelo antigo menino, chamado Henry. Mas uma faixa de fogo impedia a visão do outro lado do grande quadrado de azulejos. O fogo não lhe atingia como antes, depois de ter sido salva pelo garoto, sempre que reaparecia naquela sala era dentro do quadrado. Era como se ela precisasse ter sido salva.

De repente, ela escutou um grito infantil chamando seu nome.


–Henry! Está aí? –Aurora chamava. Então, a faixa de fogo abriu passagem para o menino que parecia ser protegido por um campo de força. Ele segurava um colar, que a julgar pelo tamanho parecia ser para um adulto, e o rezava para que ele desse certo ao adentrar as chamas.


–Aurora! –Disse o menino, aliviado. Aurora se agachou para ficar na sua altura, ela certificou-se de que ele estaria bem e não foi ferido pelo fogo.


–Henry! Você precisa nos ajudar! Estamos sendo atacadas por Cora! É uma mulher cruel que se apossou desse reino, ela esta atrás de nós! –Suplicou Aurora, desejando do fundo de seu ser que Henry a compreendesse.


–Cora? –Ele repetiu, reconhecendo o nome. Era o nome da mãe de Regina, ele lembrada da história da Rainha Má em seu livro. –Por que está atrás de vocês?


–Ela quer encontrar um portal, para leva-la a algum mundo que não o nosso. –Explicou, não achando que isso teria diferença. –Precisamos de ajuda!


Henry tentou gritar de volta, mas o som estava de esvaindo, para ambos. O menino gritava mais alto que ele podia ajudar e que conhecia uma pessoa que sabia como impedir Cora, mas era inútil.

E então, tudo voltou a ficar preto.


* * *

–Henry! –Suspirou Regina aliviada, ao ver o filho abrir os olhos sem reclamar de qualquer dor. O cordão estava realmente funcionando. O menino pôs-se sentando na cama enquanto bocejava. Ele não havia passado mais de duas horas dormindo, mas Regina e Emma não desgrudaram um minuto de perto do menino. Mas justo naquela hora, a loira havia saído para ir ao banheiro, enquanto Regina continuava lá, cuidado do menino. Gold também ficou, mas já estava indo embora quando o garoto acordava.


–Conseguiu? –Gold perguntou logo.


–Deixe-o respirar –Regina repreendeu o homem, e voltou a olhar carinhosamente para o menino. Henry suspirou cansado, antes de responder.


–Aurora me disse! –Ele respondeu, agitado. –Ela disse que estava fugindo de uma pessoa que queria um portal para algum mundo.


–Querido, ela não lhe disse quem era? É importante –Questionou a Prefeita, gentilmente. Henry assentiu, receoso de responder.


–Sim –Sibilou o menino. –Sua mãe... –Henry respondeu confuso. Uma corrente fria percorreu todo corpo de Regina. Isso era mal, muito mal. Se Cora conseguisse... Se Cora a encontrasse...

Regina levantou, sentindo-se tonta. Justamente nesse momento, Emma surgiu na porta. Um sorriso tranquilo apareceu em seu rosto preocupado, assim que se deparou com o menino acordado.


–Hey, kid! –Disse Emma, de modo tranquilizador. O garoto sorriu, podia perceber que o clima estava mais calmo que quando dormira. Mas não estava, Regina e Emma concordaram em fingir que estava tudo bem para o bem de Henry, e tão somente. Swan olhou para Regina, que não se incomodou em esconder sua expressão apavorada, logo, entendeu que precisava tirar Henry dali. –Vamos lá embaixo comer alguma coisa, que tal? –Propôs Emma. O menino aceitou sem pensar duas vezes e, já com o braço curado, levantou e seguiu a loira até a cozinha no andar de baixo.


–Estamos mortos, acabamos de assinar nossa sentença de morte. –Regina se desesperou.


–A sua, você quis dizer. Eu posso lidar com Cora. –Corrigiu Gold, a Prefeita o lançou um olhar magoado, como fosse traída.


–Ah, não –Riu Regina, nervosa. –Cora é muito poderosa, e sabe disso.


–Não tão poderosa quanto eu, querida.


–Questionável. –Sibilou Regina sarcástica.


Sabendo que Cora estava viva, e procurando pela filha, Regina tinha de ser rápida. Entretanto, não poderia ser agora. Já tinha escurecido, não havia mais nada que ela pudesse fazer a noite. Sendo assim, Gold voltou para casa deixando combinado que no dia seguinte eles estudariam um plano para impedir em definitivo a passagem de Cora.

Logo que Gold saiu, Regina espiou sobre a cozinha. Os dois ainda comiam sem parar, se Regina não soubesse que era impossível poderia se acostumar a viver essa cena. Os dois, um mais criança que o outro.


–Hey –Disse Henry, chamando a mãe. Regina sorriu e o atendeu, indo até a cozinha. Emma ainda estava ressentida, mas prometeu não deixar transparecer. Simplesmente ficou calada.


–Já está na hora de ir para cama, não acha? –Disse Regina gentilmente, acariciando o cabelo do menino. Henry suspirou frustrado, mas assentiu. –Escove os dentes antes de se deitar. –Ordenou, antes que o menino saísse correndo em direção às escadas. Regina, sem emitir um som, juntou os talheres sujos e os levou para a pia. Lavando um a um, cuidadosamente.

Emma queria falar alguma coisa, mas não sabia o quê. Ela queria perguntar o real motivo de toda a angústia que ela sabia que Regina sentia, mas também sabia que ela nunca contaria. Não por não confiar, mas por sentir medo.


–Deixe que eu lave. –Disse Emma, suavemente. Pegando os talheres das mãos molhadas de Regina. Cansada, Regina aceitou a ajuda e descansou em um banco. Ela olhava os músculos das costas de Emma trabalhar por conta do movimento de seus braços, seu cabelo caído sobre o meio do mesmo. Por um minuto, ela pensou no modo que Emma largou tudo para aparecer em sua casa e em como ela havia ficado até àquela hora. Regina estava cansada e quase não se aguentava em pé.


–Bem, vou indo. –Resmungou Emma, secando suas mãos em um pano de prato. –Eu volto amanhã, para ver como ele está. –Explicou, seca. Regina levantou confusa. Pensava que Emma ficaria ali, assim, Regina se sentiria mais segura. A prefeita estava em conflito, queria afastar Emma e revolver tudo àquilo de maneira rápida e eficiente, mas também a queria por perto, se sentia segura e protegida.

Ela levou Emma até a porta, mas então, ficou em frente à ela, impedindo que Emma passasse.


–O que você quer? –Perguntou Regina, olhando para o chão. Seu rosto demonstrava uma fragilidade que Emma nunca viu antes. –O que quer que eu faça? –Perguntou, retoricamente. Emma não precisava de explicações, sabia do que ela estava falando.


–Eu quero que você pense, -Sussurrou Emma, se aproximando da morena. O rosto de Regina estava completamente vermelho. –Pense no que quer; se me quer longe ou não. –Seus dedos acariciavam o rosto de Regina e, chegando ao seu queixo, a fez olhar nos olhos verdes-esmeralda. –Quero que você me deixe compreendê-la, me deixe saber o que você pensa e o que você não pensa –Os olhos de Regina se enchiam d’água, sem saber o que dizer. –Eu quero você. –O rosto de Emma se aproximou de Regina, e simplesmente selou um beijo em sua testa, fazendo a Prefeita corar ainda mais. –Boa noite, Regina.

E fechou a porta atrás de si.


* * *

A noite passou tão de vagar que ao acordar, Regina agradeceu aos deuses por ter conseguido dormir, mesmo que por pouco tempo. Ela se levantou cedo, e saiu de casa antes mesmo de acordar Henry. Deixou a porta aberta, para que Emma entrasse. De fato, a Prefeita queria sair o mais de pressa possível para não ter de encontrar com Emma Swan.

Regina, então, dirigiu até a loja de Gold. Onde eles poderiam conversar em particular, o homem já havia pedido à Belle que dessem a eles privacidade para que pudessem planejar o que fariam quanto à vinda de Cora.


–Você sabe que temos de fazer, -Dizia Gold. –O portal mais acessível é pelo poço, o feitiço de proteção é o mais adequado. –Regina acompanhava seu raciocínio. O feitiço de proteção consistia em uma barreira feita no portal escolhido que impedia qualquer um de passar, obviamente, porém quem ousasse tentar a passagem era imediatamente incinerado pela magia. Era um feitiço poderoso e reunia muita magia, que Regina pensava não ter o suficiente. Mas com a ajuda de Gold, certamente funcionaria. Mas era, também, perigoso, se, ao praticar o feitiço, a fonte de magia se esgotar, a vitalidade de quem o pratica é imediatamente sugada.


–Mas e se quem passar não foi Cora e sim, a Princesa? –Questionou Regina. Gold revirou os olhos, sem paciência para perguntas desnecessárias.


–Está preocupada com a Princesa? –Perguntou Gold, decepcionado. –Qualquer um que passar por ali estará morto, sendo Cora ou não. E é esse seu objetivo, não é mesmo? Matar Cora. –Regina não respondeu. Ela não queria ver sua mãe morta, Regina amava Cora apesar de tudo que ela fez, afinal, ela era sua mãe e nunca deixaria de ser. Mas sabia que se não impedisse a mulher agora, Cora não mediria limites para ter sua vingança contra a própria filha.


–Vamos fazer isso de uma vez. –Disse Regina, decidida. Se matar Cora e qualquer um que tentasse ultrapassar a barreira significava proteger seu filho, ela pagaria qualquer preço.


* * *

Na mansão dos Mills, Emma fez com que Henry tomasse um longo banho e se arrumasse, Mary Margaret e David iriam aparecer a qualquer momento para passar a tarde com o neto. Emma não quis contar muito, apenas o que achava ser necessário. Como os sonhos de Henry e que Regina estava procurando, com Gold, uma maneira de pará-los. Mas a notícia não teve a reação tranquila que Swan esperava, pelo contrário, Mary Margaret parecia extremamente preocupada.


–Esses sonhos são muito perigosos! –Falava Snow, quando finalmente pôde ficar sozinha com a filha. –Eu já passei por isso, sei o quanta angústia esse mundo nos causa e isso pode machuca-lo –Gesticulava. Emma tentava acompanhar a mãe.


–Eu sei, mas ele está usando um colar mágico, ou sei lá, que o protege. –Emma explicou. –Está tudo bem, logo isso acaba. –Acrescentou. Mary Margaret preferiu não comentar mais, afinal, se já estava tudo resolvido ela não tinha que se intrometer.


Os quatro assistiram a filmes, almoçaram, e até saíram para dar uma volta e gastar o tempo enquanto Regina não voltava. De jeito algum, Emma queria que a Prefeita se deparasse com os dois ao chegar em casa, então, todo cuidado era pouco. Mas Swan também não queria esbarrar com ela, mesmo que fosse inevitável. Depois de suas várias brigas e do que ela disse à Prefeita, Emma estava receosa de encontra-la.


–Quando minha mãe volta? –Perguntou Henry, puxando a manga da jaqueta vermelha de Emma. Ela olhou em volta, para o mar, a procura de respostas.


–Daqui a pouco, Henry. –Respondeu Emma, forçando um sorriso. Desde que eles saíram da mansão, Henry comentava sobre a Prefeita, seu objetivo era confirmar que elas estavam bem e que não tinham brigado. Mas a loira respondia seca, então, a notícia não era nada boa para Henry.


Eles se despediram, e Emma teve de voltar para a mansão com o filho. O sol ameaçava se por, e Regina poderia chegar a qualquer hora. Assim que chegaram em casa, Henry foi para o quarto tomar banho e Emma preparou para si, um café. Sua cabeça cheia de problema, imaginava a de Regina. Tudo estava escuro, inclusive a cozinha. A loira não se deu ao trabalho de acender as luzes já que ainda restava iluminação do dia.


Regina havia acabado de estacionar em frente a sua casa, e tudo estava escuro. Ela sabia que Emma sairia com Henry e, particularmente, não estava preocupada quanto a isso. Com a casa vazia, não teria de esbarrar com Srta. Swan.

Depois de fechar a porta atrás de si, Regina deixou sua bolsa sobre o sofá, e se encaminhou para a cozinha, pois se lembrou de que não havia comido nada durante o dia.


–Regina! –Grunhiu Emma com a voz fina, quando Regina acendeu a luz. A prefeita deu um pulo para trás, tão surpresa quando a loira.


–O que diabos? –Disse Regina, colocando a mão sobre o peito ofegante. –Por que está tudo apagado? –Questionou a Prefeita, adentrando a cozinha.


–Por nada –Resmungou Emma, terminando sua xicara de café. Regina a fitou, voltando à realidade. Deveria manda-la embora, já havia comprido seu papel que era cuidar de Henry, mas por algum motivo não conseguia fazê-lo.


–Correu tudo bem? –Disseram as duas em coro. Emma riu, baixo.


–Sim, colocaremos em prática amanhã cedo. –Informou Regina seca, evitando contado visual. Ela andou até a geladeira e retirou uma jarra de suco. –Como foi o passeio com Mary Margaret e David? –Perguntou Regina, casualmente.


–C-Como sabe-


–Por favor, Srta. Swan, acha que eu sou tola? A senhorita é muito previsível. –Comentou Regina, retomando seu tom superior. Era isso que fazia quando queria se afastar de Emma e construir uma barreira para que ela não se aproximasse, era isso que Regina tinha feito a mais de vinte e oito anos.

Emma deu de ombros, desistindo de continuar aquela conversa.


–Foi rápida. –Disse simplesmente. –Devo voltar amanhã? Quer dizer, será preciso? –Rebateu Emma. Tinha que admitir que ficou profundamente magoada com a ultima briga das duas.


–Creio que sim. –Sibilou Regina se servindo do suco e voltando com ele para a geladeira.


De repente, um grito agudo fez com que a atenção das duas fosse completamente atraídas para a escada. Regina e Emma não hesitaram em correr para o quarto, de onde vinha o som: quarto de Henry. O menino estava deitado sobre a cama, como se tivesse parado para descansar e caído no sono, mas seu corpo tremia e suava, como se estivesse sendo atacado. Emma, de pressa, segurou a cabeça do menino e o pôs sobre seu colo, chamando-o para que acordasse. Já Regina sentou ao lado de Henry acariciando sua mão. E então, ele acordou ofegante e confuso. Ele se agarrou a primeira pessoa que vira: Regina, que com a mesma intensidade o abraçou.


–Já passou, está tudo bem. –Sussurrava Regina, tão desesperada quando o próprio garoto. Emma, sem saber o que fazer, segurou a mão tremula da mulher. E então, Henry se afastou.


–Eu falei com ela, Aurora -Ele falava, sem largar a manga da camisa da mãe. –Ela disse que Cora está atrás de um feijão mágico, eu acho, e que-


–Você está machucado? –Exclamou Emma, vendo marcas na pele pálida do menino. Eram arranhões, queimaduras não tão graves, mais ainda sim ferimentos. Não deveria ser papel do amuleto protege-lo? Regina verificou, e lá estavam, confirmados. Aflita, a Prefeita levantou e começou a andar de um lado para o outro, pensando.

Ela não podia deixar Henry voltar, já se machucou uma vez e se nem mesmo o amuleto funcionou, não arriscaria mais a vida de seu filho. Entretanto, Regina precisava manter contato com aquele mundo, de qualquer jeito, apenas impedir a entrada de Cora para Storybrook não garantiria estar livre delas. Cora era poderosa e inteligente, certamente descobriria outro jeito.

Emma olhou desesperada para a Prefeita.


–Você disse que isso o protegeria! –Rugiu Emma. Regina se virou, na defensiva.


–Foi o que eu pensei! –Se defendeu. A prefeita pediu que o menino retirasse a blusa para que ela pudesse cuidar dos ferimentos. Emma cuidou se pegar tudo que era preciso e Regina de efetuar. Mesmo brigadas, Emma e Regina mantinham certa sintonia. Depois que o fizeram, não demoraram a voltar a discutir.


–E agora? Não vai me dizer que quer que ele volte para lá –Dizia Emma, indignada. Regina revirou os olhos.


–É óbvio que não! –Devolveu com o mesmo tom. Regina continuava andando em círculos, como se aquilo a fizesse pensar melhor. Enquanto Henry tomava banho, elas não mediam palavras uma contra a outra.

De um lado, Emma cobrava a segurança do filho à Regina, mas não tinha noção alguma da proporção do problema. E Regina privava a loira da informação mais importante, precisava daqueles sonhos e precisava saber cada passo de Cora. Pois Emma não fazia ideia do que Cora se tratava, muito mais do que apenas um do extenso nome da lista de inimigos da Rainha Má.

Por fim, Regina cansou de discutir e esperou em silêncio que o filho voltasse para o quarto.


–Querido, venha deitar –Disse Regina gentilmente. Enquanto Henry atendia, ela levantou e acendeu uma vela no criado mudo ao lado da cama. –Isso vai afastar o sonho, eu prometo. –Sussurrou.

Emma observava, mas não como quem vigiasse, mas admirada com a gentileza e a leveza da forma que Regina falava com o menino, forma que nunca havia escutado antes. Ela já ia levantar quando foi chamada por Henry.


–Fiquem, -Resmungou o menino. –As duas –Pediu. Regina preferiu não olhar para Emma, não queria ver sua reação, pois ela sabia que Emma também não queria compartilhar o mesmo lugar que a Prefeita.


–Certo. –Disse Emma, finalmente, se sentando em uma poltrona logo em frente à cama. Enquanto Regina, apoiando suas costas na cabeceira da cama, usava suas pernas como travesseiro para o menino.


–Agora durma. –Sussurrou Regina.


A loira procurava, desesperadamente, o olhar da morena, tentava dizer que ela estaria ali não só pelo Henry, mas por Regina também. Entretanto, Regina fugia enquanto podia.

Alguns minutos se passavam e Henry lutava para se manter acordado.


–O que está esperando? –Perguntou Emma ao menino, sorrindo. Ele se ajeitou no colo da morena, que mesmo cansada teimava em permanecer de olhos abertos.


–Não quero que saia quando eu dormir. –Sibilou, Emma riu e lhe assegurou que não o faria.


Não demorou muito até que os dois, Regina e Henry, caíssem no sono. Apoiando suas cabeças aonde lhes eram mais confortáveis. E lá estava Emma, contemplando aquela cena e arquivando em sua memória. Por mais que discutisse e brigasse com a mulher, não deixaria de admirar seu rosto tranquilo ao dormir. Sentia falta de estar perto daquele rosto, de senti-la. Aquela sensação que só Regina fez Emma conhecer. E então, minutos depois, Emma adormeceu.

* * *

Aurora acordou antes da caçadora. Aproveitando a manhã, a Princesa levantou saiu do templo, planejando fazer uma surpresa para quando Mulan acordasse. O lago não ficava muito longe dali, precisava antes só um pouco. O ferimento em seu ombro não doía tanto, então não tinha nada para impedi-la.

Mas o que pobre princesa não fazia ideia era que, a todo o momento, ela estava sendo observada por um estranho. Estranho para ela, mas não para sua companheira. Ela andou até o lago com a antiga concha para levar água até sua amada, e no caminho colher frutas.


–Que belo dia faz essa manhã, não é mesmo? –Uma voz masculina, grave, fez Aurora derrubar a concha que segurava no chão. Seu coração acelerou ao ver o homem. Sua aparência era atraente e jovial. Sua barba mal feita fazia com que seus olhos, incrivelmente azuis, fossem primeira característica a reparar.


–Q-Quem é você? –Perguntou Aurora, amedrontada. Queria correr, mas certamente eu vestido a atrapalharia.


–Killian Jones, — Se apresentou, estendendo a mão. Mas Aurora não respondeu. Seu cabelo negro e sua barba mal feita poderiam fazer do homem muito atraente, mas mesmo Aurora, inocente que si só, podia perceber algo de errado no rapaz, sua falta de carácter. –Mais conhecido como Gancho, como preferir.


–O que faz aqui? Pensei que todos tivessem sido mortos! –Questionou a ruiva, se afastando do rapaz. Entretanto, Gancho se aproximava, com passos lentos, cada vez mais.


–Mas todos foram, Princesa –Disse o rapaz, com sua voz sexy e rouca. O homem fitou a mulher, com a intensão de seduzi-la. –Vim justamente ao seu encontro... –Sua voz ficava cada vez mais perto.

Aurora sentiu suas costas baterem contra um grosseiro tronco de árvore, favorecendo o homem em sua busca pelo corpo da Princesa. Ela pensou em correr, mas já o espaço entre eles era pequeno demais para dar ela alguma uma deixa.

De repente, uma flecha colidiu contra o tronco, centímetros longe de ambas as cabeças.


–Se afaste dela, ou o próximo tiro será no meio de seu peito! –Gritou Mulan, sua voz enfurecida pelo ciúme. O homem se virou, com um sorriso provocativo. Ele levantou suas mãos como quem se rendesse e vagarosamente se afastou da Princesa, em direção à caçadora.


–Ora, ora, se não é o Herói –Provocou Gancho, sorrindo. Ele lançou um olhar para a ruiva. –Confesso que pensei ser um pouco mais... Másculo? –Soltou uma risada.


Mulan fez um gesto com a mão, chamando Aurora para perto. Mas antes que a Princesa pudesse fazê-lo, Gancho segurou-a pelo braço e, rapidamente, retirou uma pequena faca do bolso, mirando no pescoço fino da ruiva.


–Não! –Gritou Mulan, deixando sua flecha cair. –Solte-a! –Gancho deu um passo para trás, imprensando a faca contra Aurora. Mesmo que tentasse segurar a mão do Pirata, era inútil, pois ele era muito mais forte que a pobre princesa.


–Vamos facilitar as coisas, não é, gracinha? –Disse Gancho, segurando Aurora com força. –Eu sei que você tem um feijão mágico, então, me dê e eu devolvo sua princesa! –Propôs. –Vamos ser rápidos, tenho certeza de que, além de atraente, é inteligente... –Disse Gancho, cortejando a morena. Mulan não poderia mais pensar, não se significava por Aurora em risco. Ela retirou do bolso um frasco, tão pequeno que quase se perdia em sua mão.


–Pronto! Aqui está! –Disse Mulan, erguendo a mão. Gancho se esticou para certificar de era realmente aquilo que ele procurava. Ele andou com Aurora o suficiente para pegar o frasco e então, jogou-a em direção à caçadora.


–Está tudo bem? –Disse Mulan, abraçando a Princesa. Mulan segurou seu queixo, depositando um longo beijo em seus lábios.


–Geralmente, eu ficaria animado com essa cena –Disse Gancho, em seu rosto um sorriso satisfeito e irritante. –Mas tenho que ir.

E então, uma fumaça roxa cobriu o rapaz por completo e rapidamente desapareceu levando Gancho consigo. O peito de das duas mulheres subiam e desciam ofegantes, mas agora elas dormiriam mais tranquilas, até segunda ordem, pois sabiam que juntas estariam seguras.


* * *

Regina abriu os olhos lentamente, tomando consciência de onde estava exatamente. De repente, as lembranças dos últimos momentos antes de cair no sono voltaram a sua mente. Henry ainda dormia em seu colo e Emma Swan adormecida com a cabeça encostada no braço do pequenino sofá. Com cuidado, Regina levantou-se da cama e ajeitou o lençol sobre o corpo do menino. Ela estava a passos de sair do quarto quando lhe lançou um último olhar. Emma dormia tranquilamente. Regina, sem muito pensar, pegou uma coberta fina que ficava no pé da cama de Henry e o esticou sobre o corpo encolhido de Emma. E então, saiu.

Regina desceu e tomou seu café, tentava não pensar em nada. Mas os problemas invadiam seu pensamento desde o minuto que abriu os olhos. Depois de trocar de roupa, se encaminhou para seu escritório enquanto pensava. Mas não tinha o que fazer, não sem fazer com que Henry voltasse àquele sonho, e isso ela não iria permitir.

Assim que marcou dez horas da manhã no relógio, Regina tratou de ligar para Gold. Sem lhe dizer nada, apenas pediu que ele viesse para casa.


–Você já está acordada? –A voz rouca de Emma ecoou no escritório silencioso. Sob seus olhos verde-esmeralda, uma olheira provava as poucas horas de sono da loira. Regina lutou para se manter rígida e longe, mas a aparência frágil de Emma pela manhã era tão convidativa.


–Obviamente, alguém precisa trabalhar. –Respondeu Regina, sem olhar diretamente à loira. Ela fingiu mexer em papéis, mas não conseguia prender sua atenção em outra coisa se não Swan parada na porta de seu escritório, sem dizer uma palavra.


Emma não emitia som algum, pelo simples fato de não ser preciso. Ela admirava a tentativa de Regina de não olhar diretamente em seus olhos, ou se quer para ela. Ela admirava Regina com a mesma ternura de quando chegou na cidade, antes de ouvir as barbaridades que diziam sobre ela, que agora ela sabia não ser bem assim. Regina tinha um coração, mesmo negando que era possível usá-lo. Regina era capaz de amar, mesmo querendo se proteger de qualquer um que se atreva a amá-la. Qualquer um, como Emma Swan.

Logo deu uma hora e Sr. Gold batia na porta da mansão. O homem ciente de que o sonho era perigoso, também sabia que o colar o ajudaria por um breve tempo, mas não tinha imaginava que seria tão breve. Momentos antes, quando Emma insistia em participar da conversa entre Regina e o homem, Swan ligou para Mary Margaret e pediu que tomasse conta do menino enquanto eles resolviam o que fazer.


–Não faz sentido, ele estava usando o amuleto? –Questionou Gold, pela quarta vez. Regina confirmava toda as vezes, para enfatizar sua incompetência. Emma fez questão de fazer parte da reunião deles no escritório, queria ficar a par das informações.


–Não, ele não vai voltar. Já está decidido. –Ordenou Regina, para Gold. Mas o homem insistia, alguém precisava manter o contato com a Terra Encantada se não quisesse que Cora destruísse tudo.


–Não dá para usar alguém que já foi amaldiçoado? Quer dizer, assim poderia voltar no lugar de Henry –Sugeriu Emma, inocente. Os olhos de Gold e Regina brilharam, compartilhando o mesmo pensamento. De repente, a porta do escritório se abriu.


–Desculpe, eu só vim avisar que nós já estamos saindo –Mary Margaret disse, hesitando ao abrir a porta.


–Que apropriado, –Exclamou Gold, com um sorriso. -Mary Margaret, estávamos justamente conversando sobre você.


–Eu? –Hesitou a morena. Snow fechou a porta atrás de si.


O fato era: A única pessoa que foi vítima da maldição do sono, se não Henry, era Snow White. A única que poderia ter alguma chance de voltar àquele mundo. Mas isso implicaria em correr o risco, que Henry não poderia correr. A magia em Storybrook era imprevisível, isso impedia Sr. Gold de calcular o futuro.

Regina não se manifestou, sentia-se culpada. Não de ter amaldiçoado Snow White, isso jamais. Mas sentia-se culpada de precisar de sua ajuda, depois de tudo, sentia-se culpada de ter, acidentalmente, amaldiçoado seu próprio filho. Toda magia vem com um preço. E Regina havia usufruído de uma quantidade absurda de magia durante todo esse tempo, ela estava pagando o preço agora. Com a culpa, com o vazio em seu peito, com o medo. Ela não era nenhuma santa, sabia que tinha cometido inúmeros erros, mas não se arrependia de tentar matar Snow White. Pois esse teria saciado sua vingança doentia. Teria vingado a morte de seu amor verdadeiro.

Gold não se incomodou de explicar suas teorias às mulheres. Se Mary Margaret aceitasse voltar àquele mundo, precisaria de algo além de um sono profundo para voltar. Mas não custava tentar. Snow ouvia atentamente, e seu subconsciente lhe dizia que era melhor aceitar. Afinal, era a segurança de Henry que mais importava.


–Eu aceito. –Disse Mary Margaret. –Se for para a segurança de Henry, eu aceito.


Regina revirou os olhos, apesar de saber que isso resolveria boa parte de seus problemas, não queria precisar da ajuda de Snow White.


–Então, do que é preciso? –Regina intrometeu-se, quebrando o silêncio. –Seja lá o que for, é bom ser rápido. –Suspirou, indiferente. Emma lhe lançou um olhar, repreendendo-a.


–Não é tão fácil assim, Mary Margaret está livre desses sonhos há muito tempo e voltar é uma tarefa trabalhosa.


Logo depois de deixar Henry com Ruby, os quatro foram até a loja de Gold, onde ele guardava suas poções e objetos mágicos. Ninguém, além de Charming, foi contra a decisão de Mary Margaret, afinal. Então, estava decidido. Regina e Gold manteriam a barreira, enquanto Mary Margaret certificava que a Princesa Aurora fizesse aquilo que eles quisessem: manter Cora longe.

* * *

A luz do sol queimava o rosto de Mulan enquanto ela caminhava. Ela precisava reaver o feijão que lhe havia sido roubada. Mesmo com Aurora chamando-a, sua raiva a consumia.


–Mulan! Esqueça! Vamos voltar! –Gritava, enquanto corria atrás da morena.


–Ele vai pagar, e eu vou pegar o que é meu de volta! –Gritou Mulan de volta, sem parar de antes. Então, a Princesa conseguiu alcançar o braço da mulher que tentava fugir de seu alcance. Mulan bufou, frustrada.


–Isso é sobre mim? Ou sobre um feijão mágico? –Questionou Aurora. Mulan revirou os olhos.


–Não fale besteira. –Mudou de assunto. –Aurora, aquele feijão era a única maneira de conseguirmos ajuda para recuperar o reino! –Argumentava. A ruiva a soltou. Então era sobre o feijão, pensou ela. –E para encontrar Philip!


–Philip se foi! –Gritou a ruiva. –Não faça dele uma desculpa, ele nos deixou algo muito mais importante que qualquer feijão! Ele nos deixou uma à outra! Ele se foi.


Mulan engoliu seco. Era verdade que ela havia usado Philip como desculpa proteger a princesa quando a protegia por amá-la. Mulan sabia que Philip não era seu amor verdadeiro, mas seu primeiro amor. Assim como Aurora. Seu verdadeiro amor estava logo a sua frente e ela inventava desculpas para fugir dele. Mas ela não iria fugir mais.

A caçadora se aproximou da Princesa, tomando-a em seus braços. Os dedos de Aurora apertavam as costas de Mulan, como se desejasse aquele abraço por muito tempo.


–Eu sei, -Sussurrou Mulan. –E eu amo você. –Uma lágrima caiu sobre a bochecha de ambas. –Mas você sabe, mais que ninguém, que é meu dever proteger o reino –Ela tocou o queixo de Aurora, fazendo com que ela olhasse em seus olhos castanhos. –Eu preciso fazer isso.


–Certo. –Disse Aurora, levando suas mãos até o rosto da morena e depositando seus lábios sobre os dela. –Eu te amo. –Sussurrou entre beijos.


* * *

Mas depois de longas horas, a espera de Gold, sua volta não foi recebida com boas notícias. Pelo contrário, para fazer com que Snow voltasse ao mundo dos sonhos, era preciso um sono muito mais profundo do que qualquer outro; era um dimensão diferente. Como atravessar um portal, e só poderia ultrapassar àquele que tinha uma marca. Mas o beijo do amor verdadeiro, o antídoto para qualquer maldição, poderia também ter apagado esse marca, ou boa parte dela. E se isso fosse confirmado, tornaria Mary Margaret inútil quanto a isso.


–O que foi? O que foi?! –Perguntou Regina, pela milésima vez. Gold não lhe respondeu, procurava por algo no último lugar onde poderia estar.


–Receio que não será possível. –Anunciou Gold, com um imenso desgosto.


–o que? –A voz de Regina quase não saiu. Charming abraçou Mary Margaret, um tanto aliviado. Gold se aproximou do balcão, enquanto Emma tentava acompanha-los, mas parecia estar mais perdida do que nunca.


–Para fazer Mary Margaret voltar é preciso pó do sono. –Explicava o homem. –Este é feito de uma fruta mágica-


–Então qual é o problema? –Perguntou Emma, nervosa. Regina tentava controlar sua respiração, seu peito subia e descia tão rápido quanto o ritmo que seu coração batia. Se isso não funcionasse Henry teria de voltar.


–Esse fruto é mágico, Srta Swan, e pelo que pode ver não temos muitas plantações mágicas em Storybrook, temos? –Disse pausadamente, como quem falava com uma criança de dez anos.


Se isso não funcionar, só resta uma opção, pensava Regina.

Os olhares de Regina e Gold se encontraram. Sim, eles pensavam a mesma coisa. Só havia ingredientes para uma poção, inconfundível para Regina.


–Entendo. –Respondeu Regina, ao olhar de Gold. Todos a olharam confusa. –Eu farei.


–Do que está falando? –Emma perguntou, seu nervosismo se multiplicando. Gold a fitou, certamente sabia do que ela falava, e isso apenas deixou Emma, Charming e Snow ainda mais aflitos.


–Você está certa disso? Sabe que só há um-


–Jeito de acordar –Recitou Regina. –Eu sei.


–Do que estão falando?! –Perguntou Emma, dessa vez mais alto.


Regina virou as costas, sua cabeça borbulhava em pensamentos. Esse era o único jeito de manter contato, e isso significava manter Cora longe e salvar seu filho. Sabia que era o certo a se fazer, mesmo que corresse o risco de nunca mais acordar.


–A maldição do Sono –Anunciou o homem, fitando Regina. –Tenho ingredientes para uma poção do sono, que é o único meio de chegar àquele mundo. –Um sorriso surgiu no rosto de Snow, obviamente, pensava que sendo amaldiçoada novamente resolveria o problema. –Mas só se pode usar essa maldição apenas uma vez, e por isso, será inútil com você. –Gold olhou para Mary Margaret.


De repente, a verdade caiu sobre Emma como um raio.


–De jeito nenhum! Não! –Gritou Emma, compreendendo. Charming e Snow a olharam confusa, ainda não entendendo o que estava acontecendo. Emma olhou para Regina, desesperada. –Você quer ser amaldiçoada? Está louca?


–Não é como se fosse uma opção agradável, Srta. Swan –Respondeu Regina, sentindo seu peito doer. O vazio, pensou ela.


–Não! –Gritava. –Está fora de questão! –Charming encarava a filha, sem entender porquê de sua revolta. –Regina, você enlouqueceu? –Emma andou em direção à morena, seu coração latejava. Não suportaria. E se Regina não acordasse? E se permanecesse lá para sempre? Queimando no fogo, o peito de Emma afundava só de pensar.


De fato, as chances de Regina acordar eram quase nulas. E, sendo amaldiçoada pela primeira vez, a procura pelo quarto onde é levado àqueles que já acordaram da maldição era uma realidade muito, muito distante. Mas Regina tinha que tentar, era a única maneira.


–Eu posso ser amaldiçoado, -Disse Charming. –O beijo de Snow me acordaria. –Sugeriu. Emma olhou para o pai, com esperança. Entretanto, a sensação foi breve.


–Seria suicídio, sendo você amaldiçoado pela primeira vez, levaria séculos até achar a sala que precisamos. –Informou Gold, logo acabando com quaisquer esperança de Emma.


–E Regina? O que a faz diferente? –Perguntou David, confuso.


–Magia, meu caro. É isso que Regina tem que você é desprovido. –Respondeu seco. David se calou imediatamente, junto à sua esposa.


–NÃO! –Gritou Emma. –Eu não vou dei-


–Não preciso da sua permissão, Srta. Swan ponha-se em seu lugar. –Ordenou sobre a voz da loira. –Eu farei o impossível para proteger meu filho, e você não me fará mudar de ideia.


* * *

A própria Prefeita se encarregou de preparar a poção, afinal, não iria dar o gosto de amaldiçoa-la para ninguém. Mas nada podia ser perfeito, Regina não pôde prepara-lo sem ouvir a voz irritante de Emma tagarelar em seu ouvido. Depois de uma grande discussão de Emma e Charming sobre por que Swan se importava se Regina era amaldiçoada ou não, a loira preferiu se manter calada. Mas isso não diminuía sua aflição, seu medo. Ela não tinha encarado a realidade ainda, pois ela não tinha conhecimento das chances, praticamente nulas, de Regina acordar.

A Prefeita usou a parte de trás da loja de Sr. Gold para preparar a poção, e todos haviam lhe dado privacidade, afinal, ela precisava de concentração.


–Isso cheira mal, -Comentou Emma, adentrando a parte dos fundos. Regina tentava não tremer ao misturar os líquidos.


–É magia negra, não é para cheirar bem –Respondeu Regina seca, sem tirar a atenção dos vidros delicados. Emma deu passos silenciosos até a morena, parando em uma distância adequada das poções.

Um dos frascos de vidro maior passou a borbulhar e transformar o transparente limpo em roxo e logo depois em um azul calmo.


–Está pronto. –Resmungou Regina.


–Você não precisa fazer isso, -Disse Emma, mais como um pedido. A prefeita bufou, cansada daquela conversa. –Por que não posso eu fazer isso? Eu tenho magia, ou sei lá, por que eu não vou ao seu lugar? –Perguntava ela, desesperada.


–Não, Srta. Swan, já está resolvido-


–Me diga por quê!


–POR QUE VOCÊ NÃO VAI ACORDAR! –Gritou Regina. –PRECISARIA O BEIJO DE AMOR VERDADEIRO E EU NÃO VOU TE BEIJAR, NÃO CONSEGUIRIA — Seu coração parecia iria rasgar seu peito na busca pela saída. –E se você não acordar Emma, se você morrer, eu juro pelos Deuses, que eu te mato. –Acrescentou ofegante. Nenhum som saiu da garganta de Emma Swan, suas cordas vocais simplesmente não funcionaram. A única coisa que pôde fazer foi abraça-la. Emma envolveu Regina em seus braços, de modo que Regina escondesse seu rosto no pescoço da loira. –Eu te mato. –Ela sussurrou, sua voz saiu tremida. Era possível ver que ela estava chorando, mesmo que tentasse esconder. Emma sentiu uma lágrima quente de Regina cair em seu pescoço. Um sorriso se formou em seus lábios, não era possível dizer que era de felicidade, mas admiração. Admirada de ver que Regina atendeu ao seu único pedido. Regina havia permitido que Emma entrasse, compreendesse-a. Regina havia se permitido amar e se amada.


–Regina, como acha que Henry irá reagir quando vir você praticamente morta? E se você não conseguir? O que eu vou fazer? –Sussurrou Emma, sem se afastar. Regina a olhou, seus olhos vermelhos pelas lágrimas.


–Eu estou fazendo isso por Henry. –Sussurrou Regina, secando suas lágrimas. – Não se preocupe quanto a isso, eu vou conseguir. Ou acha que vou entregar Henry para você, assim, tão fácil? –Um pequeno sorriso brotou em seus lábios trêmulos. Emma riu abafado.


–Lógico que não. –Disse Emma com um sorriso triste, segurando, pela ultima vez, a mão da prefeita.

Regina respirou fundo e secou completamente seu rosto, certificando-se que não havia vestígio algum de lágrima. Ela segurou o frasco com a poção e voltou a sala, onde estavam reunidos Gold e os outros.

–Vamos logo com isso. –Ela sussurrou para si mesma.


Gold pegou o frasco e nele, mergulhou uma agulha, onde Regina furaria o dedo para então, ser amaldiçoada. Como a Bela Adormecida. A agulha já rodava apenas a espera de sua vítima.

O coração de Emma acelerado. Iria acontecer, iria ver Regina dormir para, talvez nunca mais acordar. Regina se sentou no banco em frente à agulha, preparando seu dedo para adentrar a agulha. Sr. Gold já havia feito suas recomendações e o que ela precisava para aprisionar Cora. Regina estava pronta.


–Espere! –Disse Emma, antes que fosse tarde.


Emma se aproximou, podia sentir o hálito de maça da morena. Ela não podia deixa-la ir. Não podia permitir. Não conseguiria suportar se Regina não acordasse. Por que ela tinha tanto medo de perder alguém, que na verdade, nunca foi sua?


–Se você morrer, eu juro pelos Deuses, que eu vou matar você. –Sussurrou, perto de seu rosto. E então, se afastou.

Emma precisava demonstrar que a amava antes de deixa-la ir.


Regina ergueu o dedo, deixando-a ser ferida pela agulha em movimento. A respiração de Emma falhava, ela tentava controlar mesmo que fosse impossível.

E então, com seus olhos fechados e uma gota de sangue no dedo, o corpo de Regina caiu sobre o colo de Emma. Sua mente não pertencia mais aquele mundo.


❤

Notas finais
E então, o que acharam do ship Aurora&Mulan? E o que acharam da Regina sendo amaldiçoada? Adoraria saber suas opiniões!