Broken

21 Are We Broken or Just Lost?


Notas iniciais
Mal posso fazer eu, simples autora, para homenagear alguém. Entretanto, o pouco que sou capaz, embora pareça trivial, é de extrema importância para quem sente a dor da perda, dado a tão pouco que sabemos sobre isso. Quero prestar minhas condolências a todos os gleeks que me leem, e digo que é preciso enviar toda mensagem de apoio que pudermos, porque isso -além de admiravelmente lindo- é importante para quem sente essa dor na carne (família, amigos e cast.) Esse capítulo é dedicado à Cory Monteith, o gigante Finn de Glee.

(*)Informações sobre o capítulo em notas finais.

Boa leitura. E obrigada.

* * *

Regina sentiu seus pés tocarem o chão. Já estava começando a se acostumar com as transportações frequentes. Diferente do que se possa imaginar, sua primeira visão foi a extensa quantidade de água do mar. Seus saltos afundavam na areia fofa. Regina precisava de um momento antes de tudo. Ela saiu da areia ao subir nos degraus instáveis de madeira. O pequeno castelo de Henry. Um sorriso brotou em seus lábios. Lembrando-se da vez que mandou Sidney destruir aquele castelo para acabar com o local de encontro de Emma e Henry. A brisa vinda do oceano levava as mechas do cabelo negro de Regina para longe do rosto. Sua visão projetava ilusões, memórias. Olhou — do alto do castelo- a rua. Há quase dois anos, lá estaria o carro Mercedes do cargo de Sheriff que Emma ocupava. Regina lembrava-se de pensar que a única coisa boa da loira ter se tornado a Sheriff da cidade fora ter de usar aquele carro ao invés do desprezível fusca amarelo. Agora, ela pensava que o fusca nem era tão feioso assim. Ela uma daquelas pequenas coisas que caracterizavam a peculiar personalidade da loira. Lembrou-se das vezes que saiu da Prefeitura ao receber a ligação do colégio denunciando a ausência de Henry. Regina sabia com quem ele estava. E não foi difícil descobrir onde eles estavam. Muito tempo antes de ordenar Sidney a destruir aquele esconderijo, Regina se escondia em seu próprio carro e os via conversar, rir, e até derramar algumas lágrimas. Uma das raríssimas vezes que viu Emma chorar. Ela exclamava algo que estava fora do alcance auditivo da Prefeita, mas sabia que era algo que realmente a tocava. Emma falava sobre ter sido abandonada. Regina viu que a durona Sheriff desmoronar por breves segundos e rapidamente se recompor. Agora, ela se perguntava se fora isso que despertou o súbito interesse da Prefeita pela loira. As semelhanças.


O tempo estava instável. Ora chovia, ora o sol queimava a pele. Um dia, Regina chegou a se perguntar se a instabilidade do tempo em Storybrook se baseava no seu humor. Pois era uma coincidência duvidosa. Entretanto, só foi questionar essa teoria após a chegada da importuna Srta. Swan. Talvez fosse a magia adormecida de Emma reconhecendo sua origem. Regina sorria ao lembrar a inveja que sentia da Sheriff. Por sua facilidade em conquistar a confiança de pessoas que sequer a conheciam; Ruby, Granny, Henry, David… Graham. Inveja de conseguir fazer isso sem sequer desejar. Inveja de sua relação com Henry. Swan nunca conseguiria ser mãe; era um desastre na cozinha, era distraída com detalhes, não cuidaria da alimentação e educação impecável que Henry recebia. Mas havia algo que ela fazia mil vezes melhor que a Prefeita: ouvir o filho. Compreende-lo. Quiçá trata-lo como uma criança e não um futuro-adulto. Talvez se fizesse isso, Henry não precisaria procurar por outra pessoa para suprir essa necessidade de ser compreendido. No entanto, se ela fizesse isso Emma não teria passado pela placa “Welcome to Storybrook”. Muito menos ocupado o monstruoso espaço que ela ocupava agora em sua vida. Henry podia ter muitos defeitos, mas havia feito mais do que qualquer pessoa poderia fazer pela outra, mesmo que sem essa intenção. Fez Regina amar novamente. Trouxe o amor para perto dela novamente. Mal sabia que o destino já havia planejado tal ato.


Regina e Emma; a chave de uma lenda e a destruição dela. As magias mais poderosas unidas pelo elo mais forte. O que acontece quando algo que não pode ser parado enfrenta algo que não pode ser derrubado? A resposta lógica seria: Não há resposta. Uma não pode existir enquanto a outra também existir. Mas magia nunca foi sobre lógica, racionalidade ou genética. Magia é sobre o desconhecido, sobre não temê-lo, sobre acreditar, sentir. As forças existem ao mesmo tempo e estão unidas. Tentando não machucar uma a outra como a lógica sugeriria. Por um longo tempo, Regina tentava se lembrar dos momentos chaves para compreender melhor esse poder. E o fato mais importante era no beijo que a salvou do sono profundo. O beijo de Emma. Todas as memórias mais felizes e cruciais da loira foram compartilhadas, pois aquele beijo seria o próximo momento a ser memorizado. Pois fora o momento mais puro em que ambas as magias – da escuridão e a luz- se tocaram, mesmo que superficialmente. Não havia malícia ou segundas intenções, era apenas uma lutando pela outra. As forças improváveis zelando pela existência uma da outra.


Uma não pode existir enquanto a outra também existe?

Ou uma só pode existir se a outra também existir.


Regina não podia arriscar. Sua magia era controlável, mas não a de Emma. Se ela sequer sabia da proporção do poder que elas tinham quando juntas como garantir que isso seria seguro? O artefato roubado de Regina era o seu “plano B”. Caso fugir não resolvesse o problema. Depois que Emma destruiu Malévola com a espada de Charming, destruiu também o que protegia o artefato. Ou o gatilho, como Regina preferia chamar. Ela pegou o objeto e escondeu consigo. Mas já não estava lá quando procurou novamente.


Não precisava pensar muito pra entender que eles a haviam roubado. Mas o que Greg e Tamara iriam querer aquele diamante? Eles não tinham como saber o que ele faria. Pelo menos não Tamara.

* * *

Regina já andava no asfalto quando olhou pela última vez para o castelo de Henry. Emma havia feito um trabalho impecável ao ajeitá-lo, reconstruí-o. Agora, ela tinha que cursar um plano. Primeiro precisava saber a dimensão do problema que eles trariam. Regina caminhou até a biblioteca municipal, onde poderia vigiar quem quer que saia do Granny’s. A porta estava aberta para a sua surpresa, e não havia ninguém lá dentro. Nem mesmo Bella. Regina pensou por um momento porque estaria ausente, era senso comum que aquele lugar era o paraíso para Bella. Mas então se lembrou do dia que a visitou no hospital e a fez mudar completamente. Talvez aquela pequena vingança contra Gold tivesse sido mal pensada. Regina pensou que, a essa altura Gold já teria inventado um jeito para trazê-la de volta. Mas pelo visto, ele havia aprovado a Nova Bella, ou Lacey, seja lá o que for. Então pensou em Ruby, no que havia causado a ela com essa vingança. Não que Regina se importasse com aquela gente, mas via, agora, que não era preciso causar tanto mal a tanta gente. Todavia, Regina não podia ficar se preocupando com isso agora.


Após adentrar a biblioteca, ela ficou minutos apenas observando. Vez ou outra parava para caminhar dentre as estantes. Havia um livro caído no chão, aberto exatamente no centro. O livro era sobre navegações, havia diversas formas de se fazer um forte nó passo a passo. Regina ergueu a sobrancelha imediatamente. Algo estava errado. Se Bella não aparecera na biblioteca desde o acidente, o lugar deveria estar intocado. Alguém havia estado ali. Alguém estava ali. Regina olhou mais atentamente para ver as iniciais escritas a um marca texto verde. “KJ”. Killian Jones. A mulher ouviu um som metálico às suas costas, mas ao virar por mais rápida que pudesse ser, sentiu uma força comprimir seu corpo, e algo bloquear sua respiração. A agonia de não conseguir achar ar suficiente para seu pulmão ardente e desesperado fazia sua garganta queimar e seus olhos lacrimejarem. Regina arregalou os olhos pela última vez, na tentativa de identificar seu agressor. Os olhos cristalinos e a barba mal feita foram o suficiente para denunciá-lo. Em seguida, tudo ficou escuro.


* * *

Emma negou pelas últimas horas que Regina planejava sacrificar sua própria vida para salvá-la. Não que a Prefeita não fosse capaz de tal ato heroico, como pensava os Charmings, mas porque a loira não podia acreditar que Regina fosse capaz de deixa-la sozinha. Seu pensamento era egoísta, Emma sabia.


–Emma, vamos esclarecer isso melhor. Ela não a sequestrou? O que diabo aconteceu com o carro, então? –Niall questionou, tentando ser racional. Mary Margaret não dizia uma palavra desde então, saiu da sala e só voltava quando sentia que precisava saber do que estava sendo discutido. Mas quando a situação se voltou para o que Regina faria, ela se retirou. Não aceitava perder a filha pra a Rainha. Sabia que esse poderia ter sido o plano de Regina desde o início. Teorias conspiratórias na cabeça de Snow eram o que não faltava. Já compreensão, nem se ouvia falar.


–Regina ia sair da cidade junto a Henry, sem mim… Mas eu fui atrás dela, pois se ela passasse pelos limites da cidade perderia a memória. –Disse Emma. Gold franziu o cenho.


–É claro que não. Regina foi quem criou o feitiço, ela pode sair. Nós é que não podemos. –Explicou. Emma o fitou


–Mas ela não sabia disso. –Resmungou Emma rouca.


–Como sabe que não? –Questionou David, porém não de modo agressivo, apenas preocupado.


–Eu impedi que cruzássemos a linha e tentei assumir o volante. Mas acabamos perdendo o controle do carro. –Emma esclareceu. Gold ouvia cada palavra com muita atenção. –Mas quando estávamos prestes a bater na placa, eu a abracei e segurei Henry. O mais incrível é que ela fez o mesmo, e depois sumimos. –Gold parecia satisfeito com o que via, ele massageava a têmpora vez ou outra, como quem pensasse no próximo passo. –Quando chegamos naquele lugar – que eu ainda não faço ideia de onde era- e expliquei porque havia feito aquilo, ela não parecia saber, pelo contrário, parecia assustada.


–Mas porque precisamos saber disso? -Questionou Niall, sentindo-se confuso com tanta informação. Gold o olhou para responder:


–Só assim saberemos o próximo passo de Regina. -Esclarece. -Regina sempre foi previsível quando tinha um plano em mente. Portanto, este é o motivo de não saber seu próximo passo.


–Ou você a está subestimando... -Comentou Niall brevemente. Emma o olhou brevemente, talvez ele estivesse do seu lado, sim.


Gold levantou aflito. Se Regina havia ouvido, de fato, sua conversa significava que entendera o que ele quis dizer ao explicar a David sua teoria de que Greg e Tamara tinham um plano contra todos eles. Tamara e Greg são uma ameaça para a cidade. Principalmente se, de alguma forma, eles planejarem vetar a magia de Storybrook. Rumple aprendera a não subestimar seus inimigos, pois sabe muito bem do que qualquer um é capaz de fazer por aquilo que anseia. Entretanto, a única magia forte o bastante para mantê-los seguro seria a de Emma e Regina. Mas mantê-las juntas estava sendo uma tarefa nada fácil.


–O que está pensando? -A voz de Emma o fez acordar de seus pensamentos.


–Regina ouviu minha conversa com David, provavelmente sabe sobre Greg e Tamara... -Pensava alto.


–Tamara?! -Exclamou Niall. -O que tem Tamara haver com isso? -Emma o fitou por um momento, se perguntando se alguém havia compartilhado alguma informação com o pobre. Gold comprimiu os olhos, como quem dissesse mais do que deveria.


–Não temos tempo para isso. -Recorreu rapidamente. Niall protestou baixinho. -A questão é o que Regina faria com essa informação. -E então, olhou para David. Charming, entretanto, fitava Emma, com uma expressão triste e preocupada.


–Não conheço essa Regina. -Disse David. -Eu conheço a Regina que passaria por tudo para conseguir o que quer; que mataria qualquer um para satisfazer seu desejo. Que matou. Mas talvez ela tenha mudado de fato. -Um sorriso brotou nos lábios de Emma. -Se for assim, talvez ela tenha sumido para dar fim ao que ouviu. -Concluiu.


–Então, devemos começar a procura-la. -Disse Gold apressadamente. Niall se levantou, junto ao restante da sala. Rumple e o filho pegaram seus casacos e saíram apartamento afora, mas antes que Emma fizesse o mesmo David a chamou:


–Emma... -A loira parou. -Você realmente quer fazer isso? -Perguntou, com uma pontada de dor em sua voz. Emma sorriu de lado.


–Eu a amo, David.


* * *

Regina sentiu o impacto de seu corpo contra algo extremamente duro. A dor não demorou a se espalhar por todo seu ombro e tórax. Seu rosto estava coberto por algo, um tecido no qual ela não conseguia tocar por suas mãos amarradas. Mas o que pôde tocar era gelado e liso. Regina se sacodiu, gritando para quem pudesse ouvi-la. Sua magia não funcionava, tentou diversas vezes queimar tudo que podia tocar, mas sabia que seja lá onde ela estava não era inflamável. Entretanto, para a magia, tudo era inflamável. Mas não estava funcionando. Ela pôs as mãos amarradas ao lado do corpo, tentando sentir o lugar onde estava. Um truque ensinado por Rumpelstiltskin. Fechou os olhos para facilitar a concentração — mesmo que não pudesse enxergar coisa alguma com eles abertos. Seus dedos tocaram a superfície gélida, e focou no ambiente. Um zumbido vinha de algum lugar a sua frente — e como ela estava deitada — na direção de seus pés. Não era humano, ela podia distinguir. Entretanto, a magia não estava funcionando de fato, do contrário a imagem do lugar preencheria sua visão — e nada aconteceu. Um murmurar preencheu o ambiente, porém oco. Ela estava presa em alguma sala, era o que o som abafado sugeria.


–Acha que é o suficiente? -A voz disse. Regina prendeu a respiração reconhecendo a voz.


–Não. Precisamos da ex de Neal. -Uma voz feminina familiar disse, entretanto, não o suficiente para que a Prefeita a identificasse. O maxilar de Regina rangeu, seus punhos se fecharam imediatamente. Como ousavam chamar Emma daquele jeito? Muito menos com Regina por perto. -Mas ela é só o que temos.


–Hey, você tem certeza que é isso que eles querem? -Pergunta num tom manhoso. -Quer dizer, Emma e... Ela? -Perguntou a voz feminina num tom enojado. Como Regina desejava que a origem da voz fosse inflamável naquele momento.


–É o que parece. -Disse Greg Mendel indiferente. A segunda voz riu brevemente.


–Dá para ver porque ela largou Neal. -Zombou. Regina torceu os dedos tentando se desamarrar, mas após o longo silêncio ela parou. Perguntando-se se estava sendo observada.


–Onde está o Pirata? -Perguntou Greg após alguns minutos, mas ninguém o respondeu. Talvez estivesse sozinho. A maçaneta se abriu e passos foram dados até dentro da sala. Regina tentou fingir que estava desacordada, com a respiração controlada e tranquila, embora ouvisse seu coração latejar em seus próprios ouvidos.


–O quê?! -Exclamou uma voz longínqua, mas inconfundível. Era Hook. -Vocês querem pegar Swan também? -Disse, tornando sua voz mais perto. -Que desperdício. Lamentou-se. A porta se fechou, mas as vozes não pararam.


–Nós estamos dispostos a morrer pela nossa causa. Você está? -Greg disse. Hook demorou a responder, pensativo.


–Claro. -Disse falsamente, Regina reconhecia sua voz de longa data. -Mas Swan podia servir para tanta- Hook ia dizendo, mas a Prefeita não se aguentava mais.


–VOU ARRANCAR SUA OUTRA MÃO SE CONTINUAR A FALAR ASSIM -Urrou tão alto, que pôde ouvir todos pular com o susto. De repente, Regina teve a visão liberada. O que havia em seu rosto foi jogado ao chão com violência. Tamara estava logo a sua frente, com o cenho franzido e uma expressão raivosa.


–Então, é verdade. -Disse alto, mais para o restante do que para a morena. -Pensei que estivesse desmaiada. -Regina forçou um sorriso sarcástico para lhe responder.


–Acontece que sou uma ótima atriz. -Disse, olhando para o pirata. Hook se aproximou da mulher deitada e ergueu seu gancho até seu rosto. Regina sentiu o metal gélido tocar sua pele, e virou seu rosto para o lado contrário.


–Minha cara, perdoe-me. Mas convenhamos que seja um belo fato. -Disse aproximando seu rosto do da Prefeita. Regina franziu a testa.


–Pena que não seja sua. -Respondeu num sussurro sarcástico. Hook deu-lhe uma gargalhada, mas não se afastou.


–Sabe, eu daria minha outra mão para vê-las em ação. -Comentou com um sorriso sujo. -Não, eu precisaria dela. -Acrescentou. Regina puxou as mãos amarradas e acertou o rosto do homem em cheio. Greg rapidamente correu até a morena segurando seus membros com ajuda da outra mulher. Não demorou até que a prendesse completamente pelos pulsos e calcanhares na mesa.


–Já chega Hook. -Disse Greg em tom autoritário. -Vá atrás de Swan e a atraia para cá. Talvez ela seja necessária para que possamos continuar. -Ordenou. Hook o fitou por alguns segundos, questionando o comando, mas preferiu cumpri-lo apenas para provocar a Prefeita um pouco mais.


–Eu sei o que querem. -Disse Regina. -Receio dizer que não vão conseguir roubar nossa magia. -Cuspiu, sentindo seu corpo mais dolorido pelo impacto a mesa. Tamara riu brevemente.


–Vocês devem se achar muito importantes para achar que viemos roubar magia. O que viemos fazer é muito maior, e nada melhor do que usar a Grande Nova para destruí-la.


–Grande Nova? Isso foi o máximo de imaginação que tiveram? -Zombou. Greg já estava sem paciência, mas sua atenção estava voltada para outra coisa. Uma máquina quadrada. Entretanto, os olhos de Regina estavam focados na mulher, que se aproximou tocando as suas mãos da mesa.


–Não somos apenas nós dois. -Gabou-se. -Somos uma legião. -Regina riu.


–Isso me soa como alguém que não sabe para quem está trabalhando. Vocês sequer conhecem o poder que- Dizia a morena, quando a risada gélida de Greg a interrompeu. Ele estava com fios em mãos, e se aproximou lentamente. Regina engoliu seco, repreendendo-se para não demonstrar qualquer sombra de medo.


–Que você e Swan possuem? Acha que não sabemos disso? Acha que vamos roubar a magia porque somos reles humanos?


–É precisamente o que eu acho. Seres inúteis como vocês costumam acharem-se melhores que nós. Principalmente essa raça. Acha que vão salvar seu querido mundo livrando-se da magia? Assim seu país será o grande salvador, e vocês os heróis da pátria. Americanos estúpidos. -Regina protestava, com a voz mais arrogante que conseguia expulsar de sua garganta.


–Pois os estúpidos estão acima de você agora. Talvez não sua raça não seja tão gloriosa.” Gamou-se com um sorriso vitorioso. “O amor verdadeiro e toda essa historinha é contada em nosso mundo por séculos, se acha que não sabemos como usá-lo a nosso favor está muito enganada.


–Essas historinhas são a única coisa que mantém vocês vivos, que dão a vocês alguma a falsa esperança de continuar suas vidas medíocres. -Disse Regina, vendo sua voz se esvair a medida que fala. Greg compreendia suas palavras e chegava a ver o sentido delas, mas nunca admitiria.


–Quem são os patriotas agora? Para quem quis correr do mundinho das fadas, defende muito sua terra. -Murmurou aproximando seu rosto do de Regina. -Vamos fazer o seguinte: você faz o que eu quero e eu não preciso machucar Emma ou Henry. -Regina rangeu os dentes.


–Certo, ou você os mata me ameaçando, ou eu os mato seguindo suas ordens? Realmente acho que eu sou burra?! -Gritava. Greg deu de ombros e olhou para Tamara, que assentiu com a cabeça. Sendo assim, ele leva suas mãos ocupadas até a cabeça de Regina, conectando fios em sua cabeça.


–Talvez sua vida deva ser ameaçada para ver que estamos certos. -Disse Greg, voltando-se para a caixa de metal.


–Quase morrer não muda absolutamente nada. Morrer muda tudo. -Regina conseguiu dizer, sua boca estava seca e rachada. -E eu já morri tantas vezes por dentro. -Acrescentou, num sussurro.


Regina viu os cabos serem ligados, e a energia acumulada. Ela nunca havia sofrido tal agressão, mas sabia que existia e era usada em seus escravos e prisioneiros quando era Rainha. Conviveu com a morte durante tanto tempo que tinha mais intimidade ao falar dela, do que da própria vida. A Rainha sempre a encarou como um privilégio, pois se é ruim para quem se vai, certamente é pior para quem fica. Entretanto, em seu caso seria a prova mais concreta e suja de seu egoísmo. Já errara tantas vezes, já morrera tantas vezes consumida pelo tempo que morrer era um destino bom demais para ela. Precisava proteger quem amava, e para isso precisaria fazer o pior.

Antes da luz da sala consumir toda sua visão, Regina pensou em Daniel. Do modo em que se fora, corajoso e verdadeiramente heroico. Se Regina não tivesse sido consumida pela sede — sem escrúpulos — de vingança, poderia ter visto o que ele realmente significava. Ele era parte dela, parte de algo que fazia parte dela. Além de seu amor incondicional pelo rapaz, vinha tudo aquilo que ele simbolizava. Tudo que havia de bom em Regina.



❤

Em homenagem à Cory Monteith. Sentiremos sua falta, grandalhão!

Don’t Stop Believe!

Notas finais
1º- Compreenderam a minha deixa?
2º- Bem, não pretendia explicar o lance da "Grande Nova", mas se alguém quiser posso esclarecer isso no próximo.
Essa conversa entre Greg e Regina é baseada numa briga de ideologias, que -particularmente- eu acredito que é sobre isso que se trata Once Upon a Time. E a forma anti-americana é apenas uma forma de demonstrar isso (também por eu ter uma cisma contra eles).
Obrigada por tudo, my sweethearts. Tem sido uma semana difícil, fiquem bem. E reviews me deixam feliz! Hahaha.