Broken

1 Prólogo


Notas iniciais
Prólogo aí pra vocês, pode ficar um pouco confuso mas nos próximos capítulos vocês vão começar a entender.
Enjoy.

"Os seres humanos me assombram"

A menina que roubava livros

Abri meus olhos e me encontrei novamente na fazenda dos meus avós maternos, me levantei do chão lentamente e andei em direção a casa, mas com a forte neblina não se dava pra ver muita coisa um palmo a sua frente, andei mais um pouco e vi meu antigo balanço, o balanço que me ninava na infância, nos dias frios e nos dias quentes de verão, me surpreendi quando vi uma mulher sentada nele e de costas pra mim, ela se balançava num vai e vem contagiante, não sabia se ficava irritada, afinal ela estava sentada no meu altar particular da infância ou se ficava curiosa, quem era aquela mulher? Por fim minha curiosidade foi mais forte e eu me aproximei a passos calmos da mulher que parecia não ter notado minha presença, toquei seu ombro de leve e quase caí pra trás quando vi quem era.

__ Mãe? — eu disse assustada, mas ainda assim feliz, definitivamente aquela era minha mãe, mas ela estava diferente, com uma aparência de talvez dez anos mais nova e seus olhos vagavam em órbitas, pareciam mortos, seus longos cabelos loiros que antes reluziam a luz agora estavam secos e sem vida, ela me encarou por longos minutos com um olhar forte, me arrepiei.

__ O que você está fazendo aqui? Onde você estava todo esse tempo? — eu disse frustada, ela não pareceu me dar ouvidos.

__Morte, ela te ronda, não a deixe entrar, deixe apenas o amor entrar — ela me disse com um tom monótono mas mesmo assim assustador, me encolhi e perguntei novamente.

__Sobre o que você está falando? Mãe onde você estava todo esse tempo? — eu disse desesperada.

__ A morte se aproxima, não a deixer entrar, faça as escolhas certas deixe apenas o amor entrar, não se deixe levar minha filha.

Eu não estava entendendo nada, mas então senti uma brisa gelada em minha nuca e me virei lentamente e então a vi, a última pessoa que eu esperava ver, pele branca feito neve, cabelos negros esvoaçantes, lábios vermelhos e os olhos do azul mais intenso que eu já tinha visto, a Morte era linda, nos encaramos por um longo tempo e eu senti que minha alma tinha saído do meu corpo, ela me olhava intensamente.

__ Está na hora! — sua voz me fez ter um tremor por todo o corpo, então ela me estendeu sua mão e eu acolhi a Morte como uma velha amiga estendendo também a minha, seu toque era suave e macio e naquele momento eu esqueci de tudo e simplesmente me deixei levar, ela abriu sua boca e senti minhas alma e meus sentidos sendo sugados e deixando meu corpo lentamente, com meu último sopro de vida olhei para o lado e vi minha mãe.

__ Não se deixe levar. — foram as últimas palavras que eu ouvi antes da escuridão me tomar por completo.

Acordei com um sobressalto quase caindo da cama, esses sonhos estavam se tornando rotineiros essa última semana, mas nunca tinha chegado ao ponto da Morte aparecer em minha frente.

Me levantei da cama e andei em direção ao banheiro, me olhei no espelho e não me assustei com o que vi refletido, minhas olheiras estavam profundas e meus olhos estavam sem vida, esse meu estado sempre me vinha nessa parte do ano. Hoje faz três anos que minha morreu.

Tirei esse pensamentos da cabeça e me dirigi a varanda, mas não antes de pegar meus já costumeiros cigarros, me sentei no chão frio da varanda observando o vazio da escuridão e voltei um pouco no tempo.

FLASHBACK ON

Era uma manhã fria e cinzenta de março e eu estava entretida com meus novos filmes para a câmera, nem reparei quando minha mãe entrou no quarto me dando um beijo estalado na bochecha, sorri pra ela e ela se sentou na cama.

__ Então como estamos hoje mocinha? — ela me disse me dando seu melhor sorriso que eu retribuí.

__ Estou bem levando em conta que a Jéssica chamou meu par para o baile — disse emburrada e ela me olhou divertida.

__ Aquele magricela metido? Você merece coisa melhor com certeza — eu amava quando minha mãe me fazia sentir melhor até com as coisas mais bobas.

__ Realmente ele não me merecia — disse levando nós duas as gargalhadas.

__ Ok senhorita convencida, eu tenho que ir ajudar sua avó com algumas coisas, tire bastante fotografias e depoios me mostre tá?

__ Pode deixar senhorita, eu te amo mãe.

__ Eu também te amo meu amor, até mais tarde — ela disse me dando um beijo na testa e bagunçando um pouco meus cabelos loiros e depois saiu.


FLASHBACK OFF

Quem diria que aquela ingênua conversa seria a última que eu teria com minha mãe, minha avó morreu morreu um ano depois de depressão me deixando sozinha com meu pai, que se antes era ruim, depois disso piorou cem vezes, caiu de cabeça na bebida e no seu ridículo partido nazista, nossas conversas eram apenas o necessário e xingamentos de sua parte. Terminei de tragar meu cigarro e me levantei do chão, definitivamente esse seria um longo dia.


Notas finais
Reviews?