Broken
2 First impressions
Notas iniciais
Enjoy.
Depois de poucas horas mal dormidas eu acordei com o estridente som do meu despertador, depois de passar praticamente à noite em claro sentada na varanda do meu quarto eu realmente não estava com um pingo de vontade de passar mais um dia infernal na escola, juntando toda a minha coragem me levantei da cama e me vesti o mais simples possível, calça jeans, all star, e uma blusa de frio grande demais pra mim por cima de outra blusa, me olhei no espelho e ignorei o que vi ali, coloquei meus grandes óculos de grau e sai, não me importei em tomar café da manhã e como sempre meu pai não estava em casa.
Acendi um cigarro e fui andando para a escola que não era muito distante, quando cheguei a escola ainda estava muito vazia e eu me sentei na arquibancada do campo de futebol onde alguns garotos jogavam a bola uns para os outros, peguei minha câmera e tirei algumas fotos da movimentação de alunos, fotografia é uma das poucas coisas que me acalmam e me mantêm entretida, eu tinha milhares de filmes e fotos em minha casa, era minha paixão.
Quando bateu o sinal eu andei de olhos baixos pelo corredor e como sempre recebi alguns olhares, alguns de risos, outros de nojo, mas a maioria me ignorava, logo após chegar a meu armário ouço uma conhecida voz.
__ Mrs. Fabray na minha sala, por favor — o diretor Figgins me disse, suspirei pesadamente e o segui sobre olhares curiosos, quando cheguei a sua sala e ele me lançava um olhar triste e ao mesmo tempo bravo.
__ Mrs. Fabray não é a primeira vez que eu te chamo aqui pelos mesmos motivos, sua falta de comprometimento nas aulas, Quinn você não fez nenhuma atividade de nenhuma matéria nesse primeiro bimestre de aula, você só consegue nota por causa das suas provas que quase sempre tem notas totais, você é tão inteligente por que faz isso com a sua vida? – depois desse discurso ele parecia realmente frustrado.
__ Não sei – foi o máximo que conseguia responder.
__ Ok Quinn, mas, por favor, tente melhorar as coisas, você é melhor do que pensa. – dito isso eu sai da sala ignorando totalmente o que ele disse, eu não conseguia me interessar em equações ou em mitose.
Andei até a sala de aula e para a minha sorte o professor ainda não tinha chegado, era o horário de espanhol com o Mr. Schuester, quando ele chegou na sala eu coloquei meus fones e me desliguei das coisas ao meu redor só voltei a prestar atenção quando o professor falou um pouco mais alto o meu nome.
__ Quinn eu estava te perguntando se o Sr. Puckerman poderia fazer dupla com você hoje já que chegou muito atrasado não é? – ele disse com um tom bravo, mas ao mesmo tempo divertido.
Limitei-me a dar de ombros e nem olhei para o seu rosto, eu já sabia quem era Noah Puckerman, o típico garoto popular, todos o idolatravam, devia ser apenas um idiota. Voltei a me concentrar na minha música e ignorei a pessoa ao meu lado, a aula passou tediosamente lenta, quando finalmente o sinal bateu sai em disparada pra porta, mas não sem antes derrubar todos os meus livros no chão, me amaldiçoei internamente e comecei a pega-los do chão quando outras mãos me ajudaram a terminar o serviço.
__ Mais cuidado da próxima vez Quinn. – balancei a cabeça em concordância.
Ele sabia meu nome? Ninguém nessa escola sabia meu nome, era conhecida como estranha, anti-social, anormal entre outras coisas. O resto do dia passou lentamente e era finalmente a hora de ir embora.
Quando cheguei em casa encontrei meu pai sentado na poltrona e como sempre com seu copo de whisky na mão, ele me olhou.
__ Você é mesmo uma imprestável hein? Chego em casa e não tem nada pra eu comer, a casa está uma bagunça, o que você faz da vida além de ficar com esse seu ar de menina revoltada e atrás de câmera idiota? – ele disse já visivelmente alterado pelo álcool.
__ Se você quer a casa arrumada arrume uma empregada, eu faço o que eu quero. – subi rapidamente as escadas o ignorando por completo.
Já não agüentava mais esses ataques de alcoolismo do Russel, depois da morte da minha mãe e da minha avó me sobrou apenas morar com ele, eu odiava ter que viver no mesmo teto que esse homem alcoólatra, agressivo e totalmente ignorante. Eu acho que podia ser mesmo essa menina estranha e bizarra que todos pensam, mas eu não conseguia mais me imaginar como uma garota “normal”, do tipo que tem um namorado, amigos em volta na hora do almoço, conversas animadas e no sábado sair para ir ao cinema, essa não era mais a minha vida, isso foi tirado de mim a três anos atrás, a três anos eu não tenho amigos ou alguma vida social e isso realmente não me faz falta eu gosto de viver na minha solidão.
O resto do dia se passou normalmente, fumei mais alguns cigarros, um vício que eu tinha adquirido e não conseguia largar, por algum motivo a nicotina conseguia me manter calma e lúcida. Estava já a algumas horas na varanda do meu quarto observando o céu quando senti uma forte pontada na cabeça que me fez cair no chão, nunca senti uma dor tão intensa quanto essa, depois de alguns minutos a dor sumiu e eu me levantei ainda assustada, nesses últimos tempos eu sentia algumas enxaquecas mas nada comparado a isso, vi que meu nariz estava sangrando, limpei e fiquei pensando o que podia ter causado um dor tão forte, no fim conclui que devia ser apenas estress do dia a dia e meus constantes cigarros.
Desci as escadas para comer alguma coisa, ainda não tinha colocado nada no estômago o dia inteiro, quando cheguei lá embaixo vi que Russel não estava em casa para a minha sorte, peguei um pacote de salgadinhos e uma Lata de refrigerante e subi para o quarto, fiquei fazendo nada até umas 2:00 da manhã até que o sono me venceu, a semana estava apenas começando.
Pela primeira vez em semanas não tive nenhum pesadelo a noite, acordei com enxaqueca tomei três comprimidos e ignorei a dor. Sai de casa como sempre mais cedo que o necessário, pelo caminho tirei algumas fotos de velhinhos tomando sol e de algumas crianças brincando na rua, essas eram as minhas fotos preferidas, fotos espontâneas, nada forçado apenas pessoas fazendo coisas do dia a dia, devia ter centenas dessas em casa.
Cheguei à escola mais cedo de novo e comecei a andar pelos corredores e parei quando ouvi uma música, a princípio apenas alguns ruídos, segui o som e me vi na porta da sala do Glee club, cheguei mais perto e para minha surpresa tinham vários jogadores de futebol americano e algumas líderes de torcida, uma em especial me chamou a atenção, Santana Lopez, eles cantavam animados uma música qualquer e naquele momento eu tive inveja da felicidade que eles emanavam , afastei esse pensamentos e dei uma última olhada na sala quando meu olhar se cruza com grandes olhos negros, nos encaramos por um momento, desviei o olhar e comecei a andar com passos rápidos pelo corredor.
__ Quinn, espera. – ouço a conhecida voz gritando atrás de mim.
Parei a contragosto e me viro encontrando Santana me olhando com olhos preocupados, novamente nos encaramos e ela quebra o silêncio.
__ Como você está? – ela me perguntou e eu tinha certeza que ela se lembrava da morte da minha mãe, abaixei a cabeça.
__ Estou bem. – respondi simplesmente e já tinha começado a andar novamente pelo corredor quando ela segura meu braço e me puxa de volta.
__ Quinn o que aconteceu com a gente? Por que você fica me ignorando o tempo todo? Eu quero voltar a ser sua amiga, você sabe como eu sou orgulhosa e eu não diria isso se eu realmente não quisesse que voltássemos a ser como antes. – ela disse já com lágrimas nos olhos, abaixei minha cabeça e um sentimento de culpa me atingiu, mas eu não podia fazer isso.
__ Eu sinto muito – dizendo isso eu saio andando novamente, quando estava quase virando o corredor me viro e vejo-a sendo amparada por Britanny, ela realmente ama aquela garota, dei um pequeno sorriso e segui meu caminho com uma dor no peito.
As aulas passaram tediosamente, voltei andando a pé pra casa como todos os dias, cheguei em casa e peguei um pedaço de pizza na geladeira, eu já estava subindo para o quarto quando um papel em cima da mesa me chamou a atenção, andei até lá e me enjoei com o que vi, era um panfleto escrito “Morte aos Judeus” e fotos do holocausto e embaixo o nome do ridículo partido nazista do meu pai, isso me fez ter ainda mais raiva e indignação com aquele que se dizia meu pai, eu não entendia como uma pessoa podia ser tão preconceituosa e ridícula, amassei o papel e joguei em algum canto da sala. Subi para o quarto quando sinto novamente uma forte dor na cabeça tive que sentar no chão para não cair, respirei fundo várias vezes e a dor finalmente passou, isso já tinha se tornado comum nos últimos dias.
Estava sentada na cama já a muito tempo quando o Glee club me veio em mente, nesse último ano eles tinham deixado de receber slushies todos os dias, e serem chamados de “losers” , pela recente vitória nas nacionais, agora eles eram tratados como alunos normais,não chegavam a ser populares, só eram tratados normalmente, com esses pensamentos acabei dormindo.
Mais uma noite com pesadelos, novamente me encontrei com a morte, mas dessa vez eu tive algum tipo de resistência quanto a morrer, não sei exatamente o motivo, mas eu não queria me deixar levar.
Me sentei na única mesa vazia do refeitório e comecei a tirar fotos discretamente da movimentação de alunos conversando e se divertindo, senti que estava sendo observada, mas quando viro não vejo ninguém, paranóia da minha cabeça só podia ser. As aulas passaram e minha última aula do dia era de espanhol, suspirei e segui para a sala de aula chegando um pouco adiantada, me sentei no meu lugar de sempre e esperei o professor chegar, para a minha rela surpresa Noah Puckerman se sentou do meu lado mesmo havendo outras cadeiras vazias me deu um largo sorriso e eu o ignorei aula toda, faltando aproximadamente cinco minutos para o final da aula quando o Mr. Schuester resolveu se pronunciar.
__ Tudo bem gente antes de vocês serem dispensados vou passar um pequeno trabalho sobre a origem da língua Espanhola para a próxima semana, será em dupla, cada um fará com a pessoa que está ao seu lado nessa aula, bom trabalho.
Ele só podia estar brincando comigo, olhei para o lado e vi Noah Puckerman com seu costumeiro sorriso, revirei os olhos.
__ Então na sua ou na minha casa? – suspirei pesadamente e abaixei minha cabeça, eu realmente devo merecer.
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