Broken
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Notas iniciais
Enjoy!
Mr. Schue realmente acabou com o meu dia, quase sempre quando tinha trabalhos em dupla eu fazia sozinha ou simplesmente não fazia. Cheguei em casa e me joguei na cama, tínhamos combinado de nos encontra aqui em casa mais tarde, teria que passar duas longas horas com Noah Puckerman, como meu pai nunca fica em casa achei melhor fazermos o trabalho na minha casa, afinal eu não gosto muito de ir na casa de outras pessoas. Peguei um cigarro e fui pra varanda, um tempo depois ouvi a companhia tocar e desci, abri a porta sem me preocupar em perguntar quem era, abri a porta e ele logo abriu seu melhor sorriso, não podia negar que ele é atraente, mas é somente uma casca, não devia ter nenhuma beleza interior.
__ Oi Quinn – ele me disse e eu fiz apenas um aceno de cabeça pra ele me acompanhar, chegamos ao quarto e ele já foi sentando na cama.
__ Você faz a sua parte, eu faço a minha e pronto. – disse jogando de qualquer jeito um notebook pra ele, peguei um pra mim, esses dois não eram os únicos computadores que eu tinha, eles me ajudavam bastante a editar minhas fotos e fazer pequenas mudanças.
Comecei a digitar algumas coisas no notebook e estava quase na metade do trabalho quando sinto alguém me encarando, conserto meus óculos e olho pra ele.
__ Eu realmente não sei o que fazer. – ele me lançou um olhar envergonhado, revirei os olhos, eu não estava com nenhum pouco de paciência de ensinar isso pra ele no momento, suspirei.
__ O que? – digo apontando para a tela do computador, ele entendeu o que eu quis dizer.
__ O que eu tenho que fazer? Colocar minhas próprias palavras aqui, qual o problema com as palavras das outras pessoas? – ele disse um pouco bravo.
__ É simples. – respondi.
__ Você não é muito de falar. — Ele disse mais como uma afirmação, mesmo assim concordei com a cabeça.
Já ia voltar a fazer o trabalho quando vejo olhando minhas câmeras e fotos que estavam em cima de uma estante.
__ Você tem muito talento Quinn, essas fotos são incríveis, eu sempre reparei você tirando fotos, mas nunca pensei que seriam tão boas assim – ele me falou ainda olhando as fotos.
Sai da cama e fui em direção à estante ficando na frente dele, impedindo que ele continuasse a vê-las, não gostava que outras pessoas olhassem minhas fotos, era uma coisa apenas minha, acenei com a cabeça em direção a cama, ele me encarou por alguns segundos e eu me senti estranha, desviei o olhar e voltei minha atenção ao trabalho. O resto da tarde se passou sem mais interrupções, ele se levantou e olhou o relógio.
__ Vou ter que ir embora agora, mas nós nos encontramos outro dia para terminar o trabalho. — acenei em concordância e o acompanhei até a porta.
__ Até mais Quinn. – ele me estendeu sua mão, eu hesitei no começo, mas depois também estendi a minha, seu toque era quente e firme, tirei minhas mãos das dele e acenei uma despedida para ele, fechei a porta e fui para o quarto terminar logo o trabalho.
Fui dormir muito tarde aquela noite e novamente sonhei com a morte, mas dessa vez foi diferente. Eu não me deixei levar, eu estava lutando para ficar, parecia que agora existiam motivos para eu ficar. Como sempre eu acordei antes da hora e decidi tomar café da manhã. Peguei algumas fatias de bacon e uma xícara de café forte.
Sai de casa um pouco mais tarde que o normal, mas mesmo assim cheguei cedo na escola. Sentei-me no mesmo lugar da arquibancada e acendi um cigarro. O sinal do inicio das aulas bateu, mas eu continuei no mesmo lugar, não quero mesmo agüentar um horário inteiro de História. Fechei meus olhos e me lembrei do quão diferente fora meu sonho dessa noite e de como eu lutei pela vida. Não entendia o que tinha mudado em mim para essa mudança no sonho, eu também tinha reparado que minha mãe não estava nele e isso me incomodou, eu sentia sua falta e mesmo que seja em sonhos eu gostava de sentir sua presença, nesse momento veio em minha mente à noite de sua morte.
FLASHBACK ON
Isso não podia estar acontecendo, senti minhas pernas falharem e eu caí sentada no chão, coloquei minha cabeça sobre os joelhos e choro como a muito tempo não fazia, senti braços em minha volta tentando me reconfortar e vi minha avó também com lágrimas nos olhos me aconcheguei em seus braços e continue chorando.
Levantei bruscamente com uma única idéia fixa na cabeça, falei com minha avó que iria ao banheiro. Andei lentamente pelos corredores até a porta da sala, quando entrei um forte cheiro me atingiu , enruguei meu nariz, mas continuei andando. Um corpo estava em cima de uma maca sendo tampado com uma manta branca, só podia ser ela, andei até ela e com uma força que eu nem sabia que ainda me cabia eu puxei a manta, o grito me minha garganta ficou preso, eu estava paralisada, as lágrimas caiam livremente pelo meu rosto, aquela era a pior cena que eu já tinha visto, aquilo em nada me lembrava minha mãe. Eu tentava com todas as minhas forças desviar meu olhar, mas não conseguia o grito finalmente saiu acompanhado de soluços e mais lágrima ali estava eu uma menina de quatorze anos vendo a mãe morta em sua frente. Senti braços em minha volta me tirando a força dali e depois nada mais vi.
FLASHBACK OFF
__ Quinn, Quinn acorda – ouvi uma voz conhecida gritando perto de mim, abri meus olhos e encontrei com os de uma latina aflita.
__ Você está bem? Eu cheguei e você estava desmaiada e... AI MEU DEUS SEU NARIZ ESTÁ SANGRANDO. – ela estava desesperada e falava muito rápido.
Eu ainda tentava me recuperar do que tinha visto, eu tinha tentado de todo jeito bloquear essas imagens por três anos e então elas vem assim do nada. Ver minha mãe morta naquela maca foi a pior sensação do mundo, tentei a todo custo tirar esses pensamentos da cabeça, Santana continuava a me olhar aflita esperando alguma resposta, peguei minha blusa de frio e limpei meu nariz, fazia tempo que eu não apagava assim.
__ Eu estou bem. – menti pra tentar acalmá-la o que não deu muito certo.
Me surpreendi quando vi dois braços em volta do meu pescoço e uma abraço apertado, eu tinha que assumir que sentia falta dela, abracei-a de volta, ela me soltou.
__ Você apagou de novo não foi? Vamos eu vou te levar pra casa. — ela nem esperou minha resposta e já saiu me arrastando pelo estacionamento, tentei fazer ela parar mas ela estava decidida e nem ligou pros meus protestos.
__Santana não precisa me levar pra casa, eu estou bem. – ela me ignorou por completo.
__Entra aí logo Fabray, não me faça de colocar a força. – bufei e entrei no carro, tinha esquecido como ela era mandona, entrei no carro e continuei limpando o sangue do meu nariz.
__ Fazia tempo que isso não acontecia não é? – ela não olhou pra mim e continuo concentrada na estrada.
__ Sim – me limitei a responder.
Ela suspirou pesadamente, mas continuou concentrada na estrada, ela queria me falar alguma coisa, mas parecia não encontrar as palavras certas. Chegamos a casa e pra minha sorte Russel não estava em casa, ela me levou até o quarto e ficou encarando minhas paredes cheia de fotos.
__ Você continua ótima Quinn, as fotos estão lindas. – apenas acenei com a cabeça.
Entrei no banheiro e terminei de limpar o nariz, uma pontada fraca atingiu minha cabeça, peguei três comprimidos na estante, me olhei no espelho, tirei meus óculos e me encarei, esses apagões não podiam voltar a acontecer. Quando eu era mais nova isso acontecia com certa freqüência, os médicos apenas diziam que era uma pequena imperfeição no tecido cerebral e que não iria se agravar, que era só eu tomar alguns remédios que isso passaria, e tinha funcionado, até hoje. Joguei água no rosto e sai do banheiro, Santana esta sentada na minha cama e mexendo no meu notebook sem realmente sem importar com minha aproximação bem no estilo Santana de ser.
__ Você ainda usa esse papel de parede Fabray? Quanta originalidade. – ela disse debochada.
Ela falava do foto de pássaros se libertando de uma gaiola e a inscrição “Wild and free”. Eu não tinha paciência de ficar trocando papeis de parede, então esse estava aí alguns anos.
__ Eu gosto. – digo dando de ombros.
Sento na cama mantendo-me um pouco afastada dela, ela tinha aberto todas as minhas pastas da área de trabalho, ela finalmente abriu uma que tinha fotos da nossa infância e adolescência, ela deu zoom em uma que estavam eu, ela e o Sam um dia no parque.
__ Sam também sente sua falta, ele só não sabe como se aproximar novamente.
Me senti triste, eu também sentia falta dos dois, nós éramos melhores amigos na infância e por boa parte da adolescência , fazíamos tudo juntos. Sam era o bobão, aquele que sempre fazia palhaçadas, Santana era a irônica e debochada, mas virava uma verdadeira fera quando alguém mexia com algum de nós dois, eu sentia que com eles eu podia ser eu mesma, me libertar.
__ Ele está no Glee club também, e por incrível que pareça aquele bocudo canta bem. – ri do seu comentário e olhei pra ela.
__ Eu também sinto falta de vocês. – digo sinceramente, ela me encara por algum tempo.
__ Então por que você não nos deixa entrar na sua vida de novo Quinn?
__ Eu não posso Santana. –desvio meus olhos e abaixo a cabeça.
__ Do que você tem tanto medo? Eu sei que você não esta feliz assim, sem amigos, vivendo sozinha como idiota do seu pai, nós poderíamos te ajudar a passar por isso.
__ Eu só... Não posso. – continuei com a cabeça abaixada e ela a levantou.
__ Onde está aquela Quinn divertida, que ria de todas as nossas palhaçadas, que era calma a maioria do tempo, mas quando a ficava nervosa virava a nosso “Charlie”? – ri com esse comentário – Aquela tímida amiga minha com um coração enorme, que adorava viver livremente, sua mãe não ia ficar feliz com você desse jeito, cadê aquela Quinn que era a minha melhor amiga? – ela disse num fôlego só.
__ Ela morreu.
Sai de perto dela e abri a porta acenando a cabeça pra ela sair do quarto, ela me ignorou completamente e me olhou como se visse minha alma.
__ Eu sei Quinn, eu sei que você sofreu demais quando sua mãe e sua avó morreram, mas isso não quer dizer que todas as pessoas vão te deixar, eu e o Sam e outras pessoas que eu sei que entraram na sua vida não vai fazer você sofrer nunca, eu prometo. – eu agora já lutava contra minhas lágrimas, suspirei, tomei coragem e disse pra ela.
__ Eu só não quero passar por tudo que eu passei de novo, eu não quero sofrer e nem fazer ninguém sofrer, é tão mais fácil viver sem amigos e sem emoção. – descarreguei tudo que estava dentro de mim há muito tempo.
__ Mas você não é assim, todos nós precisamos de alguém com quem contar alguém em quem confiar nos momentos bons e nos ruins também. — dizendo isso ela me abraçou dessa vez eu retribuo com vontade, ficamos assim por algum tempo.
__ Eu vou ficar aqui com você, você querendo ou não porque é isso que os verdadeiros amigos fazem, e também porque eu sou muito chata. – nós duas rimos.
__ Obrigada. – disse sinceramente, era bom ter minha melhor amiga de volta.
Santana ficou comigo até quase a noite, quando ela foi embora meu pai chegou e eu o ignorei, era mais fácil assim, não agüentava mais brigar com ele, então eu só fingia que ele não existia. Nessa noite eu não sonhei com a morte, não tive nenhum pesadelo, não sonhei com nada tive um sono limpo e calmo como há muito tempo não tinha.
Andava distraidamente pelos corredores da escola quando esbarro em alguém.
__ Hey Quinn, estava mesmo precisando falar com você, podemos terminar o trabalho de Espanhol hoje? – Puckerman me disse com um pequeno sorriso.
__ Ok, lá em casa no mesmo horário. – falei já me afastando, continuei andando pelo corredor ate a próxima aula.
As aulas passaram muito lentamente e no último horário eu não agüentava mais olhar pra cara de nenhum professor então decidi matar a ultima aula. Sentei no mesmo lugar de sempre na arquibancada do campo quando vi alguém se aproximar, ele se sentou ao meu lado e por um tempo nada disse, ela passava a mão nos cabelos em sinal de nervosismo, ele estava bebendo alguma coisa e me ofereceu depois de um tempo, tomei e reparei que era sua famosa bebida, era basicamente tudo que ele encontrava no armário de bebidas dos pais.
__ Santana me falou que você estaria aqui. – Sam finalmente disse ainda sem olhar pra mim, ele estava visivelmente nervoso e parecia travar um conflito mental consigo mesmo.
__ Ela me disse que aqui agora é o seu refúgio. – ele deu um pequeno sorriso.
__ Eu gosto daqui. – ele me olhou nos olhos e pareceu tomar coragem, pegou minhas mãos e colocou nas suas.
__ Charlie eu sinto sua falta. – eu dei um pequeno sorriso pelo uso do meu antigo apelido, tirando Santana ele era o único que sabia da existência dele, ele me olhava com olhos tristes e eu sustentei o olhar.
__ Sam você não vai querer isso na sua vida, ninguém é feliz perto de mim, sou muito diferente agora. – separei nossas mãos.
__ Então por que eu estou mais feliz agora do que a muito tempo eu não ficava? Você precisa deixar a gente entrar na sua vida de novo Quinn, você precisa de nós e nós precisamos de você. — ele sorria abertamente agora.
__ Mas as suas vidas seriam muito mais simples sem mim por perto. – era honestamente isso que eu achava.
__ Sabe, eu nunca gostei muito das coisas mais fáceis. – dessa vez eu acompanhei seu sorriso, ele continuava o mesmo bobão de sempre.
__ Vamos lá eu não ganho nenhum abraço? – ele me estendeu os braços, quando viu minha hesitação ele veio até mim me dando um abraço de urso, retribui com vontade.
__ Senti sua falta Charlie. – disse isso ainda me abraçando.
__ Também senti sua falta bocão.
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Estava vendo qualquer coisa na internet quando ouço a companhia tocou, desço as escadas pra ver quem é não me surpreendi quando vi Puckerman com seu costumeiro sorriso na minha porta, acenei a cabeça e ele me seguiu até o quarto, dei a ele o mesmo notebook do outro dia pra ele terminar sua parte, como já tinha terminado minha parte continuei olhando coisas aleatórias na internet. Depois de um tempo olhei pra ele, ele estava com uma cara de concentração, mas ao mesmo tempo de confusão enquanto via alguma coisa do trabalho, não pude deixar de dar um pequeno sorriso, ele percebeu que eu estava encarando-o e me olhou sorrindo.
__ Você está diferente Quinn, mais feliz. –ele estava com certo brilho nos olhos.
__ Impressão sua. – voltei minha atenção para o computador.
__ Não é impressão, você até sorriu hoje, seu sorriso é lindo. — eu abaixei minha cabeça e concertei os aros dos óculos.
__ Você já terminou isso? – disse mudando totalmente de assunto.
__ Você sempre muda de assunto quando recebe elogios? – ele me olha nos olhos e se aproxima de mim, põe suas mãos nas minhas e eu sinto uma coisa estranha dentro de mim, não sei falar se é bom ou ruim, nos encaramos por um tempo, quando me dei conta do que estava fazendo tirei afastei minhas mãos.
__ Acho que já terminamos por hoje Puckerman. – digo saindo de perto dele e indo pra porta.
Ele me olhou triste e isso me fez ficar um pouco triste também, não sabia o que estava acontecendo comigo.
__ Até mais Quinn — ele disse e saiu do meu quarto.
Ouço o barulho da porta sendo fechado e me jogo na minha cama. Eu não posso deixar isso se repetir, Noah Puckerman definitivamente não podia entrar na minha vida.
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