Broken

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Notas iniciais
Desculpa de novo pela demora, mas ta aí mais um capítulo, espero que gostem. Enjoy

Ao contrário dos constantes dias de frio que estavam acontecendo em Lima hoje fez uma linda manhã ensolarada, me levantei e vi que faltavam um pouco mais de uma hora pra eu me encontrar com Noah. Tomei um banho rápido, coloquei minha famosa calça jeans, blusa xadrez e meu all star bastante desgastado, decidi ignorar a bagunça que estava meu cabelo e desci para tomar café, para minha infelicidade Russel ainda estava em casa.

__ Vai sair Quinnie? – eu simplesmente odiava esse estúpido apelido e ele sabia disso, decidi entrar em seu joguinho.

__ Não papai eu me arrumei pra ver o senhor e seu lindo rosto. – seu rosto mudou de expressão na hora, sorri satisfeita com meu feito.

__ Quem é o doido que está te levando pra sair hein? Esse garoto, ou garota, sei lá tem algum problema? – nem tive tempo de responder seu comentário quando uma buzina é ouvida.

__ O doido chegou. – viro as costas e não me dou ao trabalho de prestar atenção em seu último comentário.

Ele estava sentado no capô do carro e olhava fixamente em minha direção, abriu um sorriso quando cheguei perto e abriu a porta do carro pra mim, eu entrei e ele começou a dirigir sem pressa, passaram-se aproximadamente trinta minutos, nós já havíamos saído da cidade e ainda não tínhamos chegado.

__ O seu lugar especial é Nánia? – digo séria, mas mesmo assim consigo levar ele as gargalhadas.

__ Muito impaciente você hein? Já estamos quase chegando. – diz ele ainda com um sorriso no rosto.

__ Desculpa, os poucos minutos que eu passei com o idiota do meu pai essa manhã devem ter me afetado. – como de água pro vinho sua expressão se modificou totalmente, ele agora parecia sério e um pouco desconfortável.

__ Russel Fabray. – diz ele e eu sinto amargura e certo ódio em suas palavras.

__ Você o conhece?

__ Russel Fabray – ele diz novamente- Como eu não conheceria o maior nazista de Lima? – o ódio ainda estava em sua voz.

Como pude ser tão estúpida de não conseguir juntar os fatos, Noah vinha de uma família de judeus, eu sabia disso devido às várias horas que eu ficava ouvindo isso durante minha infância, meu pai como líder daquele partido nazista com certeza já deve ter feito alguma coisa com sua família, quem sabe até com ele. Sua expressão continuava séria e eu decidi quebra o silêncio que já se prolongava.

__ Me desculpe Noah eu não tinha ligado os fatos. – sua expressão não mudou e aquilo me preocupou.

__ Você acha que eu sou como ele? Uma nazista? – perguntei já um pouco alterada, se tinha algo que eu odiava era ser ligada de qualquer modo o meu pai e suas escolhas estúpidas de estilo de vida, o que ele era, era tudo que eu mais desprezava.

__ Não Quinn, você é diferente, eu sinto isso e em uma coisa concordamos, seu pai é um idiota. – um pequeno sorriso brotou em seus lábios – e pessoa impaciente, nós já chegamos.

Tivemos que andar aproximadamente dez minutos mata a dentro, quando chegamos eu me deparo com o lugar mais bonito que eu já tinha visto, era uma pequena clareira, coberta de uma grama um pouco alta e rodeada de flores de todos os tamanhos e cores, as árvores que ali rodeavam formavam uma sombra agradável, dava pra se ouvir ao fundo o som baixo de um riacho que por ali passava, eu estava encantada. Olhei pro lado e vi seu rosto cheio de expectativa, tive que me conter pra não rir de sua insegurança, ele agora parecia impaciente e eu decidir acabar com aquela espera.

__ É lindo Noah. – seu habitual sorriso se abriu e eu me perguntei onde ele tinha achado esse ligar, como se lesse meus pensamentos ele me diz.

__ Eu costumava fazer trilha por essa terras, e em uma caminhada eu fui de longe demais e encontrei esse lugar, logo que eu vi fiquei encantado, e aqui virou meu refúgio particular, venho aqui sempre que quero pensar ou quando apenas não agüento mais ficar no meio da bagunça que é a civilização. – nunca imaginei esse seu lado ligado a natureza, vi que ele me encarava e decidi mudar de assunto.

__ Então, o que você trouxe nessa cesta? – me refiro à cesta que ele carregava desde que saímos do carro, ele pareceu sair de alguma espécie de transe.

__ Ahh... O que me diz de um piquenique? – acenei com a cabeça, fazia muito tempo desde meu último piquenique, o ajudei a arrumar a toalha na grama enquanto ele colocava as coisas em cima.

Comemos num silencio reconfortante até que sinto uma mudança de temperatura em minha mão e vejo que ele tinha colocado sua mão por cima da minha, uma vozinha em minha cabeça que eu estava deixando de lado me fez perceber o que estava acontecendo, levantei com um sobressalto e virei de costas pra ele, precisava organizar meus pensamentos, senti sua mão tocando de leve meu ombro.

__ O que foi Quinn? – continuei de costas pra ele, me sentia fraca e ridícula, mas eu tinha que fazer isso.

__ Eu não posso fazer isso. – decidi olhar em sua direção e me arrependi na hora, sua expressão era triste e ele pareceu entender o que eu queria dizer.

__ Por quê? – ele disse simplesmente.

__ Por que... Eu não sou boa nisso Noah, em me relacionar com as pessoas, de ter sentimentos bons por alguém, sou fraca e não agüento a pressão de outra pessoa dependendo de mim, de ter que dar felicidade pra outra pessoa, eu só não consigo. – despejo todas as palavras que estavam presas em minha garganta há muito tempo.

__ Sabe, antes pra mim o conceito de felicidade era sair pra festas, ficar com várias meninas, eu me sentia o máximo por isso. Ontem é difícil admitir, eu tentei ser de novo o pegador, e sai pra uma festa, o estranho foi que eu me senti deslocado naquele lugar, como se ali não fosse mais o meu lugar, e sabe por quê? — ele agora tinha virado as costas pra mim, parecia que ele estava procurando as palavras certas. – porquê uma certa loira não saia dos meus pensamentos, eu só conseguia pensar em que ele estava fazendo naquele momento, só conseguia pensar nela tirando fotos, de como ela não tinha nenhum pouco de paciência comigo e como ela rolava os olhos e que eu ficava igual a um bobo olhando pra ela. – ela pegou minhas mãos e colocou-as sobre seu coração e eu não conseguia desviar meus olhos dos seus – eu nunca, nunca imaginei que um dia isso fosse acontecer comigo, Noah Puckerman amarrado? Você está sentindo meu coração, ele começa a bater desse jeito quando eu to perto de você, então Quinn não desista disso antes de tentar, eu sei que vai ser muito difícil, mas nós dois podemos aprender a lidar com isso e sermos felizes, eu prometo tentar ser o melhor que puder pra você, você me daria a honra de me deixar fazer parte da sua vida?

Eu estava absorta em pensamentos, não conseguia formar nenhuma frase concreta, ele vendo minha indecisão chegou mais perto de mim colocou sua mão de leve em meu rosto, pela nossa diferença de altura ele me puxou pra mais perto até que eu coloquei meus pés sobre os seus, sua respiração quente batia em meu rosto, ele tirou alguns fios de cabelo que estavam fora do lugar e colocou atrás da minha orelha, como se fosse possível ele chegou mais perto de mim e fechou os olhos eu fechei os meus também, foi apenas um roçar de lábios, mas fez meu corpo inteiro tremer, sua respiração acelerou e ele pediu passagem com a língua que eu rapidamente concedi, ele aprofundou o beijo, e nossas bocas pareciam se encaixar perfeitamente, ele segurava minha cintura e eu coloquei minhas mãos em sua nuca aprofundando mais ainda o beijo, o beijo continuou calmo, só nos separamos quando o ar foi necessário, nos encaramos por um longo tempo.

__ Você vai ter que me agüentar agora, pois você faz parte da minha vida a partir de hoje. – seu sorriso pareceu iluminar todo o lugar e ele me puxou pra um abraço, me rendo as seus braços, e senti que pertencia aquele lugar, depois de um tempo abraçados nós nos afastamos e ele entrelaçou nossas mãos e me levou de novo para perto da cesta de piquenique.

O dia passou mais rápido do que o desejável e agora o sol já estava saindo do céu, nós estávamos escorados em uma árvore e ele passava as mãos em meus cabelos calmamente quando me lembro de algo que tinha acontecido.

__ Eu conheci uma amiga sua ontem. – ele me olhou curioso e eu continuei – Rachel Berry, completamente louca, ficou falando comigo por vários minutos e nunca parava, bizarro. – ele soltou uma sonora gargalhada.

__ Rachel é muito minha amiga, adora fazer longos monólogos, e tudo sobre o que ela fala é Broadway, musicais, Barbra Streisand, meu namorado, mas é uma ótima pessoa, e quando se liga a alguém a defende com unhas e dentes, aquela anã é bem brava. – tive que acompanhar seus risos.

__ Acho que está na hora de nós irmos embora. – ele fez um bico muito engraçado e eu não agüentei a gargalhada em minha garganta.

__ Um homem desse tamanho fazendo birra? – ele me olhou indignado e veio correndo atrás de mim.

Eu não agüentei correr muito tempo, meu fôlego era péssimo precisava parar de fumar, ele me virou e eu não tive nenhuma reação antes de sua boca invadir a minha, novamente nossas bocas pareceram se encaixar, dessa vez o beijo foi diferente, como se nós estivéssemos conhecendo e explorando uma a outra, ele terminou com um selinho, aquilo pareceu acender alguma coisa dentro de mim, algo que eu nunca tinha sentido antes, ele entrelaçou nossas mãos e nós fomos andando pela trilha, quero dizer ele andou, eu tropecei a cada dois metros.

O caminho de volta pra casa foi feita com várias perguntas dele sobre minha infância e de como eu era, o que gerou algumas boas gargalhadas dos dois lados, quando chegamos na porta de casa ele deu um beijo demorado em minha testa.

__ Até mais Quinn. – já havia me acostumado com aquela sua simples frase e queria que aquilo acontecesse, queria vê-lo de novo.

Entrei em casa e encontrei Russel sentado numa poltrona olhando fixamente pra mim, sustentei seu olhar e ele veio até mim.

__ Isso são horas de chegar em casa? – seu olhar parecia perfurar minha alma, não desviei o olhar.

__ Como se você se importasse. – disse com desdém.

__ Enquanto você morar embaixo do meu teto e viver as minhas custas, você me obedece.

__ Pode ter certeza que não vai demorar pra eu sair desse inferno. — virei minhas costas e subi as escadas.

O aperto em meu braço era firme e forte e ele olhava com fúria e eu retribuía na mesma intensidade.

__ Me respeite sua bastardazinha inútil.

__ Eu não respeito vermes como você. – seu aperto estava cada vez mais forte e com certeza deixaria marca, consegui me soltar e subi as escadas a passos rápidos.

Um ódio que eu nunca senti antes encheu meu peito, eu não entendia como um pai podia tratar a própria filha desse jeito, os únicos sentimentos que eu nutria por ele eram nojo e ódio, uma pequena pontada atingiu minha cabeça e eu decidi tomar um banho para espantá-la.

Novamente a morte não esteve em meus sonhos, nessa noite apenas flashs de uma espécie de anjo, mas não era um anjo comum, suas asas eram negras assim como seus cabelos que caiam até os ombros, ele apenas me observou com um olhar intenso.

Andava distraidamente pelos corredores da escola quando sinto uma mão em meus ombros e outra pegando os livros que estavam em minha mão, nem precisei olhar pra saber quem era, conhecia aquele toque quente, ele me com uma expressão calma e descontraída no rosto.

__ Você sabe que está jogando sua reputação no lixo certo? Os comentários vão ser, Noah Puckerman e a estranha andando juntos nos corredores da escola. – digo arqueando a sombracelha, ele apenas me olha divertido.

__ Acho que não, vão dizer por aí, o que o idiota do Puckermann está fazendo com Quinn Fabray, uma menina tão linda, inteligente e independente. – revirei os olhos.

__ É sério Noah, isso não vai ser bom pra sua “popularidade” – fiz aspas com os dedos, dessa sua expressão era mais séria.

__ Eu não me importo com isso, deixe que eles falem o que importa é o que eu penso. – ele me devolveu os livros, consertou meus óculos tortos.

__ Eu te vejo mais tarde. – pegou minha mão livre e deu um pequeno beijo ali e saiu.

Depois de longos horários de aula, finalmente o sinal do intervalo bateu, fui pro meu conhecido lugar na arquibancada e estava comendo calmamente uma maçã quando vejo de longe uma latina se aproximar, não perco tempo e tirei minha câmera da bolsa, começo a tirar fotos dela a medida que ela chega perto, quando eu vi que ela estava a uma distância que poderia me ouvir eu gritei.

__ Faz uma pose Satã. – usei seu antigo apelido e gargalhei quando ela colocou o dedo do meio em minha direção, continuei a tirar fotos até que ela sentou do meu lado com uma carranca.

__ Mal humor Lopez? – digo voltando minha atenção para minha maçã inacabada, ela me olhava agora com uma expressão ao mesmo tempo divertida e mal humorada, sua famosa pose de bitch.

__ Você e o Puckerman hein? – gelei na hora, eu sabia que esse momento chegaria, mas afinal eu não sabia no que se baseava meu relacionamento com o Noah.

__ Nada a declarar. – digo dando de ombros, ela me olhava com uma sombracelha arqueada e eu penso em algo que deixe Santana Lopez envergonhada.

__ E você e a Britanny, Lopez? – precisei me segurar pra não rir da sua cara, ela parecia não saber o que falar, então ela abaixou a cabeça e começou a mexer nas mãos como se fossem a coisa mais interessante do mundo, suspirei e me aproximei dela.

__ Vamos lá Santana, você é a pessoa mais forte que eu conheço, e eu vejo em seus olhos que você a ama e francamente eu vejo isso nos olhos dela também. – ela me olhou e sua pose de bitch já não existia mais.

__ Mas as pessoas não aceitam isso Quinn,você conhece meus pais eles nunca vão aceitar. – era muito difícil ver Santana desse jeito, tão aberta e sensível desse jeito.

__ A pergunta é, você já aceitou que a ama? – ela olha em meus olhos e responde com convicção.

__ Aceitei Quinn, eu amo a Britanny mais que tudo. – um pequeno sorriso aparece em seus lábios.

__ Então é só isso que importa, os outros são os outros. – ela sorri abertamente agora.

__Então Santana Lopez está de quatro por alguém? – solto uma sonora gargalhada e elea me olha com fúria.

__ Eu cada vez mais sinto falta da Quinn anti-social e isolada. – continuo rindo e vou em direção a escola e ouço de longe um grito.

__ Você não me escapa Fabray, eu quero minhas respostas. – dei um sorriso e fui em direção a sala de aula.

Cheguei na sala de biologia com antecedência e ela está praticamente vazia, vi de longe cabelos loiros conhecidos.

__ Sam Evans chegando na hora? – ele se vira em minha direção e ri da minha sombracelha arqueada.

__ É por que hoje nós vamos dissecar um sapo, a única aula interessante do ano. – faço cara de nojo e ele ri ainda mais.

A aula se passou sobre muitas piadas bobas e sem graça de Sam e meninas histéricas gritando por causa do sapo, teve uma que até desmaiou, e eu e Sam rimos ainda mais sobre olhares de reprovação da professora, depois dessa aula minhas obrigações de segunda-feira tinham acabado.

Fui em direção ao estacionamento e não me surpreendi quando Vi Noah parado perto do seu carro, não pude evitar um sorriso bobo em meus lábios, ela parecia alheio a sua volta e mexia em seu moicano em sinal de nervosismo, quando eu cheguei perto ele tentou disfarçar não muito bem.

__ Amanhã quero te levar a um lugar, você quer ir? – ele perguntou receoso, eu assenti e ele pareceu mais calmo.

Antes de entrar em casa ele me deu um beijo de tirar o fôlego e me fez sentir uma adolescente normal, feliz.

Quando entro em casa vejo Russel Fabray com olhar furioso em minha direção.

__ Você está saindo com um judeu?

Notas finais
Finalmente o beijo,kkk. Então o que acharam? muito meloso, muito chato, não sou acostumada a escrever sobre isso, comentem sobre o que vocês acharam. vou tentar postar o outro capítulo ainda essa semana, beijos. Reviews?