Brinquedo Torto
9 Annoying
Notas iniciais
Olá, caros leitores!
Passei um bom tempo planejando o capitulo e isso não deu certo. Após uma semana apenas pensando, eu resolvi escrever logo de uma vez (aparentemente quando começo a escrever eu entro na "vibe" kkkk)
Aqui esta o resultado, eu espero que vocês gostem!
A música alta me irritava.
Ter que recorrer à bebida me irritava.
Ino agarrada ao meu braço me irritava.
Perder meu tempo em algo tão inútil me irritava.
O sorriso falso daquele maldito idiota de cabelo ensebado que está sentado propositalmente a minha frente me irritava (e como irritava!).
Não é implicância, eu não gostava de Sai porque além de ser um invejoso nojento que parecia ter a necessidade de imitar tudo o que eu fazia, ele já tinha tentado me matar (não gostar de um cara que anos atrás te empurrou para o meio de uma avenida de transito infernalmente dinâmico onde uma bela caminhonete te atropelou te deixando em coma por duas semanas e com alguns ossos quebrados só porque você é você, é plausível certo?).
E agora lá estava eu, frente a frente com o desgraçado e isso graças a quem?
Naruto.
Ultimamente ele parecia estar muito envolvido com as desgraças da minha vida. Será que era proposital?
Não, ele não seria capaz. É idiota demais pra isso.
Motivos não me faltavam pra considerar o contrario, ele já traiu minha confiança mais de uma vez.
Sim, isso ai.
Karin não foi à primeira vez em que o loiro me apunhalou. Meu “melhor amigo” tinha o péssimo habito de cobiçar minhas acompanhantes, no colegial havia rumores de que ele não era tão... Confiável. Até onde eu sei (e até onde eu decidi acreditar) ele ficava com as minhas “sobras”. Olhando por esse lado, vejo poucas diferenças entre Naruto e Sai, sendo uma delas o fato de Sai deixar explicita sua inveja.
Inveja?
Oras! Ele trouxe Sai até aqui para me irritar? Ou eles estavam tramando algo? O loiro andava muito intimo da coisa rosa que parecia estar em todo lugar aonde eu ia nas ultimas semanas e também se aproximou consideravelmente da Ino. Tinha algo errado. Sai não apareceria ali do nada, pelo que ouvi ele tinha construído uma vida em Nova York e é estranho ele ter escolhido “tirar férias” aqui no Brasil, além de ser muita coincidência ele escolher justo hoje e esse clube para se “distrair”.
Eu não acredito em coincidências, mas sim no livre arbítrio e só acredito que o destino esta envolvido nisso se ele for humano, loiro, estupido e se chamar Naruto.
O que mais me impressionava era a audácia de Sai ao se sentar à mesma mesa que eu e ainda conseguir sustentar aquele sorrisinho medíocre enquanto me encarava.
Algo não cheirava bem. Não cheirava nada bem, mesmo.
Olhei para trás e me deparei com um ser “botando” o que parecia ter sido seu jantar para fora, a pouco menos de dois passos da banqueta onde eu estava. O cheiro “azedo” fez com que eu contorcesse minha expressão enquanto me aproveitava do ocorrido e saía dali sem Ino, fugido da tensão que se formara no momento em que reconheci aquele babaca dissimulado.
- Sasuke! – ouvi a voz estridente gritar meu nome em meio ao som alto — Juro que eu não sabia que Sai estaria aqui, cara! Se eu soubesse eu não teria insistido para virmos.
-Claro – eu disse usando o máximo de sarcasmo e acidez possível.
-Ah! Sasuke, você esta bravo.
-Não.
-Isso não foi uma pergunta. -disse sério- Já disse que eu não sabia que a lagartixa ensebada estaria aqui! – Ele gesticulava exasperado.
-Hm — Retirei-me sem olhar para trás. As coisas pareciam muito erradas e eu não tinha a mínima vontade de ouvir Naruto se desculpando. Minha mente foi preenchida por duvidas, mas uma certeza falou alto: eu não podia confiar em ninguém.
Sai do Space Club e segui a procura de um lugar onde eu pudesse adquirir alimento para meu antigo vicio, andei mais do que gostaria até achar o que queria em uma loja de conveniências num posto de gasolina.
Andei sem rumo pelas ruas quase vazias, divagando enquanto apreciava a nicotina. O vento batia contra minha face e arrastava a fumaça que eu expelia levando junto toda a nuvem corpulenta que nublava meus pensamentos deixando memorias emergirem e uma única frase dita por minha mãe ecoar em minha cabeça.
-Você parece uma chaminé, Sasuke!
Sorri levemente ao pensar no quanto minha mãe odiava cigarros e como ela me repreenderia se me visse fumando. Só mais um maço não me faria mal, pelo contrario, aquilo amenizava o estresse, tornava as coisas mais fáceis, ajudava a limpar a mente.
Quando dei por mim notei que meus pés me levaram a um parquinho o qual eu nunca tinha visto antes. Sentei em um balanço devaneando, inconscientemente apreciando o silencio.
A noite gélida não me incomodava, o lugar deserto era agradável. A solidão era agradável.
Passei um bom tempo perdido em pensamentos olhando fixamente para o chão com a cabeça encostada a corrente que suspendia o brinquedo, eu tinha desligado o celular a horas, nada interromperia aquele momento. Suspirei enquanto acendia meu quarto cigarro e levantava a cabeça procurando focar em qualquer outra coisa.
Para minha surpresa cruzei olhares com uma figura miúda, dona de grandes olhos verdes os quais eu não sabia dizer se tinham um brilho natural ou empregado por meu cérebro levemente embriagado. Ela estava agachada a minha frente e me encarava com os lábios fortemente pressionados.
- O que quer? – eu disse com a habitual indiferença estampada em meu rosto levando o cigarro aos lábios. Ela não me respondeu, parecia considerar minunciosamente o que dizer, mas após alguns segundos com minha pergunta suspensa no ar percebi que não obteria resposta.
A vi se levantar e sentar no balanço ao meu lado, logo se impulsionando e parecendo apreciar o movimento iniciado. Passei uns poucos segundo a observando para depois me voltar para as casas e estabelecimentos a minha frente.
Ela estava mesmo envolvida com algum plano insano arquitetado por meu “melhor amigo”?
Como diabos ela conseguia me encontrar em momentos tão inoportunos?
Suas aparições já estavam com um pré-requisito para entrar na minha lista de “coisas irritantes”.
Voltei a olha-la e ela me encarava. Parecia exigir, apenas com o olhar, que eu dissesse alguma coisa. Dei uma tragada virando o rosto mais uma vez ignorando-a e apreciando aquela madrugada.
-Você não deveria fumar, faz mal a saúde. – Ela soltou finalmente. Olhei-a pelo canto do olho não respondendo a sua repreenda. Ouvi-a suspirar, frustrada, provavelmente. – Não estou te seguindo se é o que te incomoda! –exclamou – Se você não percebeu estamos próximos ao prédio onde eu vivo. Eu apenas estava passando e te vi aqui então resolvi me aproximar. – Se explicava.
-Deveria ter continuado a passar. –minha palavras trouxeram de volta a ausência de ruídos a qual eu estava apreciando.
-Oras, seu estupido! – ela rompeu o silencio levando-se em um salto e parando a minha frente — Eu deveria mesmo, Idiota! Por que você tem que ser tão mal educado? Me pergunto o que Ino viu em você! Aposto que as pessoas não gostam de você, estão interessadas apenas no seu dinheiro! Status! Só isso e mais nada, porque você não tem mais nada além disso! É apenas um babaca abastado! — exaltada, ela ralhava comigo descontroladamente em alto e bom tom – Nem toda a beleza do mundo compensaria essa sua babaquice!
-Você acabou de dizer que eu sou bonito?- perguntei gritando enquanto me levantava expressando a raiva que eu não sentia.
-Sim! Eu disse!– ela completou ainda aos berros se deixando levar pela atmosfera de ira que provinha – verdadeiramente — apenas dela. Dei um sorriso de canto deixando-a confusa. Como no dia do corredor ela levou uns poucos minutos para entender o que havia acabado de admitir. – De tudo o que eu disse você só conseguiu entender essa parte? –perguntou corando enquanto ainda utilizava um tom de voz alto, mas sem chegar aos gritos como tinha feito anteriormente.
- Estou acostumado a ser insultado e a ser elogiado, mas não a ser insultado e elogiado ao mesmo tempo. – desfiz o sorriso.
O silencio nos abrangeu e por incrível que pareça aquilo me deixou inquieto e até mesmo um pouco irritado.
-Tsc – desisti de encara-la. – vamos.
-Pra onde? –parecia surpresa com a intimação.
- Vou te levar em casa. – eu falei a olhando- Já é cedo. – disse irônico e revirando os olhos. Espera ai. Eu acabei de fazer uma piada? Mas o que? E que merda de piada, ein! Mordi a língua me repreendendo mentalmente pelo que tinha dito. Vi-a erguer uma sobrancelha e assentir. Boa, Sasuke! Continua assim que um dia você vira comediante no a praça é nossa!
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