Voltar A Fugir

As coisas deveriam ser assim: chegar, ficar até juntar um bom dinheiro e ir embora outra vez; e não chegar, ficar, conhecer um homem incrível, se apaixonar, viver com medo do gringo aparecer e estragar sua vida de vez. Sage considerava estar se apaixonando por Godfrey e isso não poderia acontecer de jeito nenhum, por isso trata-lo com frieza e indiferença a magoava. A caixa de Pandora foi fechada novamente. Sage passou a chegar mais cedo no trabalho para não pegar carona com o chinês, não falava com ele, não ficava mais sozinha com ele, não o olhava, não lhe dirigia a palavra. Doía nela, e doía nele também. Godfrey não sabia o que sentia, mas sabia que era algo diferente de uma amizade qualquer e com o afastamento de Sage, passou a gastar seu tempo pensando no que ele poderia ter feito para que ela se afastasse dessa forma. Por várias vezes reviveu aquela semana em sua mente e nada de errado aparecia.

Na semana seguinte Godfrey foi para Taiwan fazer alguns comerciais, o que deixou Sage aliviada e triste ao mesmo tempo, mas nada podia ser feito. Pior ainda foi saber notícias dele envolvendo uma linda taiwanesa que ele conheceu em um bar e passou alguns dias se divertindo com ela. Ciúme era a definição do mau humor repentino de Sage, e mais uma coisa que ela não tinha controle. Ao mesmo tempo em que Godfrey teve esse casinho de fim de semana em sua viagem, ele não parava de pensar em Sage, mas se ela não lhe dava chances o que ele podia fazer? Claro que ele ainda queria descobrir o que houve para que ela se afastasse dele daquela forma, mas não poderia parar com sua vida, ou poderia? O fato é que esse casinho de fim de semana o fez se sentir culpado, tão culpado que ele decidiu voltar para o Canadá antes do combinado terminando então os comerciais em Vancouver.

Decisões

Dia 28 de dezembro era o dia da festa anual do London e estava realmente uma loucura. Simon corria de um lado para outro da cidade confirmando tudo para aquela noite, enquanto Sage cuidava da decoração e do menu do London junto com os outros funcionários. De alguma forma a morena acabou se tornando meio que uma espécie de gerente do lugar o que era bom, pois rendeu mais dinheiro para suas economias. Só tinha um problema: Sage já tinha dinheiro suficiente para ir embora. Por vezes arrumou suas coisas, decidida a seguir o caminho que lhe foi imposto, mas nem chegava a ir até a porta. Vários pensamentos giravam em sua cabeça e no fim das contas sentia que algo estava inacabado, o que não era mentira, seu assunto com Godfrey ainda não tinha um fim e ela nem sabia se teria.

As 19h00 o London abriu suas portas começando oficialmente sua festa anual. As pessoas chegavam aos montes, todos muito felizes e ansiosos, afinal, de festas desse tipo sempre se espera os melhores momentos. Simon havia contratado mais dois garçons para ajudar durante a noite, pois já esperava um número maior de pessoas. Mary Elisabeth estava mais do que feliz já que quando Simon resolvia dar festas o dinheiro que entrava era maior e as gorjetas eram mais gordas. Sage se mostrava uma líder resolvendo pequenos problemas aqui e ali, garantindo que tudo saísse perfeito e honrando o novo cargo que lhe foi dado, o que era ótimo já que com muito trabalho não teria nem tempo de perceber que Godfrey estava por perto a olhando.

Tudo parecia perfeito, mas ainda faltava a grande atração da noite. Simon havia contratado uma famosa banda da cidade, o único problema era que a vocalista ainda não tinha dado as caras no pub. Simon estava desesperado e os músicos da banda também, sem a vocalista nada de show e nada de show era dinheiro perdido.

“Eu deveria ter te anunciado como DJ, acho que ter um modelo famosinho ia me render menos dor de cabeça.”

Simon andava de um lado para outro nervoso sem saber o que fazer naquele momento.

“Calma, hm? Ela vai aparecer e qualquer coisa eu assumo as pick ups.”

É, não bastava Godfrey ser modelo e ator, ele também era DJ nas horas vagas e ganhava uma grana aparecendo em algumas festas em Taiwan e no Canadá. Talvez ele salvasse a festa, mas baseando-se pelas pessoas que estavam ali no London, música eletrônica não ia dar muito certo. O pessoal da banda tentava entrar em contato com a vocalista, até que um deles conseguiu a informação de que ela havia brigado com o noivo e fugido para outra cidade porque precisava de um tempo sozinha. Simon quase explodiu. Eles estavam na área dos funcionários tentando saber o que fariam e Sage os olhava de longe. Já eram quase 21h00 e as pessoas já começavam a se perguntar sobre a banda. Aquela tensão fez com que a morena respirasse fundo se lembrando do passado em Manacor. Sage era uma talentosa bailarina clássica, tinha futuro na vida artística isso era um fato. Além disso, por causa das aulas de ritmo, Sage tocava piano, violão e também cantava; coisa que ela já não fazia tinha muito tempo. Sendo uma grande amante das artes, além de ensinar ballet para crianças, Sage conseguiu emprego em um café onde cantava no final de semana, e foi cantando que ela conheceu Drake. Aquelas memórias a fizeram perder o fôlego por alguns instantes, mas diante daquela situação ela não poderia ficar apática, a morena tinha que fazer algo já que Simon e todos ali sempre foram tão bons com ela. Pensou no perigo que correria, pensou no fato de Drake estar ali infiltrado, mas também pensou no prejuízo de Simon e a perda que o London teria se as coisas dessem errado. Sage respirou profundamente e foi para o palco já montado esperando pela banda.

Mais Um Segredo Revelado

O público ainda não tinha notado Sage no palco, mas ela estava ali esperando o medo desaparecer. Tirou o blazer que vestia e pegou o violão que estava próximo. Procurou um banquinho e logo arrumou o microfone para que ficasse na medida exata para ela. Assim que estava tudo pronto, Sage plugou o violão no amplificador o que fez um barulho chamando atenção para si. O público a olhou empolgado e as luzes foram direcionadas para ela. Sage lambeu os lábios e respirou fundo rezando para ainda lembrar-se da letra e dos acordes da música que escolheu, só então sorriu começando a tocar e cantar.

“Well, sometimes I go out by myself and I look across the water... and I think of all the things of what you're doing in my head I paint a picture...”

Dentro da sala dos funcionários eles ainda estavam alheios à situação até que finalmente Godfrey percebeu a música. Ele e Simon se olharam e rapidamente correram para o salão para ver o que estava acontecendo. Simon tentava encontrar palavras para se expressar enquanto Godfrey parecia não entender bem o que via e ouvia. O nervosismo de Sage finalmente foi embora e ela parecia mais a vontade no palco. O público estava totalmente receptivo. Algumas pessoas cantavam, outras batiam palmas adorando a voz suave da morena que sozinha conseguiu dominar uma situação aparentemente perdida. A banda rapidamente se aproximou do palco, se Sage estava cantando ela seria a vocalista e estava ótimo. Assim que a música terminou, os músicos já começaram a tomar suas posições.

“Obrigada. Boa noite e bem vindos à 5º festa anual do London. Sei que esperavam uma pessoa diferente à frente da banda, mas espero surpreendê-los.”

Sage olhou um pouco hesitante para Simon que estava completamente pasmo com a personalidade que surgiu naquele momento. Ele notou a receptividade do público e então finalmente um sorriso iluminado surgiu em seu rosto encorajando Sage a continuar com o que fazia. Ela assentiu com a cabeça e após uma conversa rápida com a banda, voltou a cantar.

“Fecha a boca chinês, está começando a babar.”

Mary Elisabeth encostou no balcão rindo ao ver Godfrey desconcertado. O oriental logo se recompôs e olhou feio para garçonete que enquanto colocava bebidas na bandeja ria ainda mais alto.

“Você não tem que trabalhar não?”

“Já estou indo, God.”

A garçonete piscou para o chinês e foi para o salão servir as mesas. No fundo Godfrey sabia que devia estar com uma aparência de quem tinha visto um fantasma, mas não pôde evitar. Aquela informação era outra notícia bombástica de primeira página. Sage já foi casada e agora o que? Era cantora? Como isso?

O tempo passava e Godfrey não tirava os olhos de Sage e ela podia sentir a pele queimando, não só por causa da luz diretamente nela, mas por saber que o chinês a observava. Ela evitou ao máximo trocar olhares com ele. Conferiu a última música, conversou com a banda, aqueceu a voz e assim que os primeiros acordes foram ouvidos não conseguiu mais evitar o olhar do chinês. Seus olhos encontraram os do oriental e ela se derreteu por dentro. Godfrey manteve-se firme admirando a morena e chegou a esboçar um sorriso. Sage engoliu seco respirando fundo e assim que começou a cantar, a música se tornou um pedido de socorro.

“How can you see into my eyes like open doors leading you down into my core where I've become so numb? Without a soul; my spirit's sleeping somewhere cold, until you find it there and lead it back home...”

A forma como Sage cantava era intensa, ela tentava voltar sua atenção para o público, mas não conseguia. Aquele foi o jeito que ela havia encontrado para dizer que algo estava errado e Godfrey percebeu. Ele percebeu que Sage estava diferente, notou a intenção, só não entendia o que aquelas palavras queriam dizer e mesmo sem entender sabia que precisava fazer algo.

Explicações E Propostas

Sentada no bar Sage se sentia analisada em um microscópio. Os olhares curiosos de seus colegas de trabalho eram assustadores. Ela não só havia salvado a pele de um amigo, mas arriscou o pescoço se expondo daquele jeito.

“Como isso?”

Simon colocou um copo de Coca-Cola na mesa e se sentou apoiando os cotovelos no balcão. Sage não bebia nada alcoólico, não que já não tivesse tentado afogar as mágoas num bom copo de tequila. No começo da fuga, mesmo não estando acostumada, bebeu bastante, mas rapidamente percebeu o óbvio: se quisesse não ser encontrada ela não poderia estar bêbada. “Eu tive aulas de ballet clássico durante anos e, para aprender compasso e ritmo, nós tínhamos aulas de canto. Segundo um dos meus professores minha voz era boa e depois de aprender técnicas ela melhorou 100%. Em Manacor Porto Rico eu cantei em alguns cafés então por isso que o palco não me assusta.”

Sage bebeu a Coca-Cola de uma vez só. Uma parte era sede, e a outra era nervoso por estar falando mais do que deveria.

“Por que não disse nada?”

A garota suspirou e mordeu o lábio. Coçou a cabeça por um instante arrumando os cabelos manchados e olhou para Simon abrindo um sorriso.

“Você nunca perguntou.”

O dono do pub riu passando as mãos no rosto. Ele praticamente tinha uma mina de ouro em suas mãos sem saber e precisaria usar de alguma forma, mas não dependeria dele, dependeria de Sage se expor mais e deixar as coisas acontecerem mesmo sentindo o medo que sentia de encontrar o gringo a qualquer segundo.

“Seu blazer.”

A voz do oriental causou um arrepio na morena. Ela o olhou rapidamente e pegou o blazer se levantando.

“Gracias...”

Ela desviou o olhar então começou a arrumar as coisas para pode ir embora. Godfrey apenas respirou fundo colocando as mãos nos bolsos da calça, aquele comportamento dela com ele já havia virado rotina, mas isso não queria dizer que não o magoava de certa forma. Ele se afastou um pouco dando espaço para Simon se aproximar da morena.

“Escuta Sage, antes de você ir vou te fazer uma proposta. Eu já te promovi a gerente, mas eu quero que você cante pelo menos um dia na semana. Pode ser todo sábado.”

A morena se sentiu inquieta e mordeu o lábio franzindo o cenho. Lá estava o mistério de novo e Godfrey a olhou um tanto sério. Sage não percebeu, mas estava sendo analisada pelo oriental de tal maneira que se ele tivesse o mínimo de conhecimento sobre ela, teria desvendado tudo ali mesmo.

“Eu não sei...”

“Pensa direitinho. Te dou uma semana. Pensa que você ganharia mais por isso também, você mesma diz que precisa de dinheiro.”

Sage tinha muito que pensar. O dinheiro não era mais problema, ela tinha o suficiente para seguir viagem para Sitka no Alasca.

“Tudo bem... eu prometo que vou pensar e te dou a resposta.”

Aquela não era a resposta que Simon esperava, mas pensar era melhor do que um não direto. A morena se despediu deles e foi embora. Godfrey já não a levava para casa como ela mesma havia escolhido e, por mais que tivesse relutado, ela não voltou atrás em sua decisão. Tudo o que o chinês pôde fazer foi olha-la enquanto ia embora.

O After Party

Já passava das 3 horas da manhã quando Godfrey saiu do London. Ele havia ficado com Simon bebendo whisky comemorando o sucesso daquela memorável festa de final de ano. Assim que se despediu do amigo, o chinês cansado tinha o destino certo: sua cama! Ligou o carro, mas de repente não conseguiu parar de pensar em Sage. Foi como uma aflição, uma agonia, algo que não podia descrever, mas o incomodava. Queria saber o que havia acontecido para que ela mudasse seu comportamento de forma repentina. Ele tinha perguntas e exigia respostas. Quando se deu conta estava dirigindo para o apartamento da morena, mas já era tão tarde que pensou em desistir. Ele não desistiu. Seguiu com sua estratégia mal preparada e parando em frente ao prédio de Sage, notou a luz acesa em seu apartamento vendo sua chance de esclarecimento. Sem pensar duas vezes, Godfrey saiu do carro e decidido subiu as escadas. Enquanto o chinês imaginava como seria a conversa, Sage dormia. Ou tentava. Havia tido pesadelos naquela noite, mas estava tão cansada que adormecera novamente. As luzes acesas eram praxe. Godfrey parou diante da porta e finalmente criou coragem para bater, primeiro devagar e depois forte. Sage pulou da cama e o coração disparou de susto e, ao ouvir as batidas novamente, o coração passou a disparar de medo! O corpo tremeu involuntariamente e devagar, tentando não fazer barulho, a morena foi até a sala. Ela parou olhando para a porta imaginando o que podia estar do outro lado. Mais batidas. Os olhos de Sage encheram de lágrimas e o terror em seu olhar entregava o pavor que estava formado em sua mente. Era o gringo, ela estava certa disso. A morena se aproximou da porta devagar, não conseguia pensar, não sabia como fugir. Sua única saída seria pular a janela o que era morte na certa e acabaria seu tormento. O nó sem sua garganta ficou maior o que a fez levar a mão até a boca calando o soluço que se seguiu. As lágrimas quentes caiam sem parar, era o seu fim. Sage estava a beira de um ataque de nervos. Mais batidas foram ouvidas, e quando ela estava prestes a escolher entre a vida e a morte a voz acolhedora de Godfrey se fez ouvir.

“Sage, eu sei que está aí. Abre a porta, por favor, precisamos conversar.”

Rapidamente a morena respirou fundo tentando se recompor. Tossiu algumas vezes para limpar a voz e passou as mãos no rosto enxugando as lágrimas tentando disfarçar o que fosse que estivesse aparentando.

“Só... só um minuto...”

Respondeu e respirou profundamente em seguida para se acalmar. O coração aos poucos se acalmava e quando se sentiu pronta abriu a porta. Godfrey ficou ansioso por um instante até que viu Sage um pouco encolhida com uma expressão preocupada e um tanto cansada.

“Você... estava dormindo?”

Godfrey perguntou culpado enquanto Sage saía de seu caminho para que ele entrasse no apartamento.

“Tentando Ainda não... tive um pesadelo com meu ex-marido psicopata eu estava arrumando umas coisas por aqui mas... o que faz aqui a essa hora?”

“Precisamos conversar.”

Sage o olhou confusa e antes que pudesse perguntar qual seria o teor da conversa, Godfrey se virou a interrompendo.

“Desde que foi embora do meu apartamento você mudou, não fala mais comigo...”

“Eu falo com você!”

“Não como antes. O que houve? Eu te assustei? Eu entendi errado aquele jantar? Me diz alguma coisa, mas não me deixa sem entender o que aconteceu para você mudar da noite para o dia.”

Era uma situação inesperada. Sage nunca imaginaria ser cobrada daquela forma, ainda mais por tentar ser invisível. A morena mordeu o lábio e então suspirou. Não podia esconder aquela verdade e, já que Godfrey queria respostas, apenas esperava que ele não a odiasse.

“Não, você não entendeu errado...”

“Então por que fugiu?”

“Porque... eu me apaixonei por você Porque... eu tenho um ex-marido lunático que acha que é meu dono e me persegue pelo mundo Porque... eu quero que nada de mau te aconteça”

E a verdade não saiu, pois no fundo não havia uma verdade e sim um medo, uma relutância. Godfrey respirou fundo, estava ficando sem paciência. Nem uma mentira Sage tinha a decência de dizer para que ele se afastasse. Frustrado, o oriental a olhou e então algo o prendeu. O olhar de Sage estava tão intenso que um arrepio percorreu sua espinha. A frustração foi embora e a vontade de protegê-la falou mais alto. A passos lentos, Godfrey se aproximou.

“Não foge hm? Por favor.”

O oriental fez o pedido com a voz calma e baixa com medo de assustá-la. Naquele momento Sage teve a impressão de que Godfrey havia crescido mais um metro tamanha era sua insegurança. Ela não se mexeu. Permaneceu quieta até sentir as mãos do chinês em seu rosto. Mais uma vez a luta da tranquilidade contra o medo se iniciava dentro de Sage que, pega de surpresa, sentiu o toque macio dos lábios de Godfrey em sua testa. Uma parte da morena quis se afastar, mas a outra parte relaxou fazendo com que ela o abraçasse com carinho. Agora foi Godfrey quem se surpreendeu, pois a menina arredia estava calma e era exatamente como ele queria encontra-la. Devagar ele a pegou no colo, não houve protesto. Sage apenas se segurou forte no chinês encostando a testa na cabeça dele fazendo com o que ele respirasse fundo, tentando controlar o que passava em sua cabeça. Assim que chegaram no quarto, ele a colocou na cama e a olhou bem de perto, não se afastou e nem fez menção de se afastar. A morena então passou uma das mãos pelo rosto dele devagar, e por um impulso selou os lábios dele. Godfrey a olhou pedindo aprovação para que ele pudesse dar o próximo passo, e os olhos de Sage lhe falaram novamente. O chinês lambeu os lábios e finalmente a beijou. O primeiro beijo. O beijo que foi censurado de forma tão abrupta na última vez em que estiveram a sós. O beijo calmo e delicado, escondendo um pouco das reais intenções no início, mas a certo ponto já não podiam mais controlar o desejo. Godfrey foi quem tomou a iniciativa aprofundando o beijo, intensificando o ato enquanto Sage o puxava pela camisa para que ele ficasse mais perto. Aquela era a resposta que o oriental precisava e a partir daí tudo naquela noite mudou.

As mãos de Godfrey percorreram o corpo de Sage e sem demora levantou a blusa que ela usava buscando um jeito de tirá-la. A morena percebeu a intensão e sem impedi-lo, o ajudou surpreendendo o oriental mais uma vez. Por baixo daquela blusa enorme Sage não vestia nada, estava completamente nua e isso mexeu com Godfrey de um jeito que ele nunca imaginou. Sage tinha a respiração um pouco pesada, sabia o que aconteceria aquela noite, deixou o amanhã para depois. Godfrey parou o beijo e sem pudor algum a olhou de cima a baixo a devorando com os olhos. Ele a desejava e já não podia negar. Devagar o chinês deslizou os lábios pelo pescoço da morena e com calma a beijava ali dando chupadas leves sentindo a pele dela se arrepiar, o que era mais do que satisfatório. Enquanto descia os lábios traçando um caminho pelo corpo de Sage, Godfrey abria sua camisa se livrando da peça rapidamente. As mãos dele voltaram a tocar a morena que de olhos fechados sentia a excitação do momento. Sem nenhuma cerimônia o chinês pegou seus seios com firmeza os massageando e sem pudores sugou e lambeu os mamilos de forma calma fazendo com que Sage murmurasse em reação. A morena levou as mãos até os cabelos do oriental e os segurou com certa força e esse ato possessivo fez o desejo de Godfrey aumentar. Rapidamente ele se levantou e tirou as peças de roupa que faltavam. Sage o analisava e acabou mordendo o lábio quando ele calmamente deitou sobre ela se acomodando entre suas pernas. A morena sentiu o frio na barriga típico de quem está apaixonado, e por um segundo aquilo a assustou. Ela realmente não teve tempo de pensar a respeito, pois dessa vez, foi o olhar de Godfrey que a fez arrepiar. Sage se perdeu nos olhos castanhos do oriental e enquanto estava perdida ele a penetrou. Um gemido baixo e manhoso escapou dos seus lábios fazendo com que Godfrey sorrisse. A morena pressionou os dedos nas costas do chinês e naquele momento as barreiras foram rompidas, qualquer dúvida ou pensamento negativo foi apagado... naquele momento, entre gemidos e sussurros houve a entrega de um caminho sem volta.

O Dia Seguinte

Já passava das 11h00 da manhã, mas ainda parecia ser as primeiras horas do dia. O tempo nublado e chuvoso deixou aquela manhã escura e preguiçosa. Sage abriu os olhos devagar notando a claridade no quarto, se sentindo um pouco estranha. Ainda estava apreensiva pelo pesadelo que tivera, mas se sentia relaxada e calma. Coçou os olhos devagar até que a ficha caiu. Lentamente a morena se virou e lá estava Godfrey dormindo com uma paz invejável ainda abraçado a ela. A noite anterior não havia sido um sonho. Por um segundo Sage se surpreendeu até que a realidade bateu. E agora? E agora que ela estava em uma situação da qual nunca poderia estar. Como ela iria embora deixando tudo para trás, como ela deixaria Godfrey? Uma culpa a corroeu por dentro e se sentiu egoísta por ter cedido. Não era apenas ela que estaria em perigo de agora em diante, Godfrey também estaria se o gringo a encontrasse. Devagar Sage se virou para o chinês e ficou ali o olhando, pensando no que faria para protegê-lo. Queria uma resposta rápida, mas seu cérebro parou de pensar assim que ele se mexeu abrindo os olhos devagar. Assim que ele a viu, um sorriso se formou no canto dos lábios e, preguiçoso, levou a mão até os cabelos dela. Sage acabou sorrindo, não podia mostrar a preocupação, mas mais do que tudo, estava adorando a forma como ele lhe dava atenção.

“Bom dia.”

Sage sussurrou enquanto acariciava o rosto de Godfrey devagar. O chinês fechou os olhos por alguns segundos se espreguiçando um pouco de um jeito manhoso até que a abraçou com carinho novamente selando seus lábios.

“Bom dia. Dormi muito?” Godfrey perguntou com a voz rouca.

“Não... eu acordei faz pouco tempo.”

“Você sabe que horas são?”

“Já passa das 11h00, mas o dia está tão feio que sair da cama não está sendo uma opção.”

O chinês riu baixo e abraçou Sage com força fazendo com que ela se derretesse com aquele gesto sentindo o frio na barriga novamente. Godfrey a olhou e sorriu de canto selando os lábios da morena mais uma vez.

“Você quer comer alguma coisa? Quer um café?”

Godfrey negou com a cabeça e agradeceu a oferta. Passou a mãos pelas costas de Sage a trazendo mais para si.

“Eu só quero ficar aqui, e ter uma conversa séria com você.”

Aquele sorriso e aquele tom não pareciam coisa séria, e isso a apavorou. O que ele queria? Talvez o que ela também queria o que com certeza seria um enorme problema na hora de fugir. Um certo arrependimento a dominou. Pensou que deveria ter ido embora quando teve chance, mas agora já era tarde. Além do sentimento que desenvolveu por Godfrey, Sage tinha uma dívida com Simon e precisava pagá-la.

“E sobre o que quer conversar?”

Godfrey suspirou do jeito que fazia Sage arrepiar inteira, puxou o edredom olhando em baixo e finalmente riu.

“Não lembro quando vesti a samba canção novamente.”

“Acho que foi quando você reclamou de estar com frio.”

“Ah sim, me lembro. Você acabou vestindo minha camisa, e devo dizer que fica linda com ela.”

Um sorriso sem jeito estampou o rosto de Sage. O clima estava tranquilo entre eles, não tinha mais a cobrança que fez com que Godfrey a procurasse de madrugada, mas mesmo assim, Sage ainda estava apreensiva. Ela havia ido longe demais e tudo isso poderia acabar da pior maneira possível.

“Bom...” Godfrey continuou “Eu queria saber como ficamos agora porque acho que percebeu que gosto muito de você e acredito que esse sentimento seja recíproco.”

Sage assentiu com a cabeça e Godfrey abriu um sorriso enorme fazendo seus olhos diminuírem mais.

“Eu não sou o tipo de cara que procura sexo por uma noite...”

“Mas e a garota de Taiwan?”

“Sage escuta, todo mundo comete erros e aquele foi uma das minhas escolhas erradas, hm? Quando eu viajei para Taiwan eu estava confuso, não sabia o que estava acontecendo entre nós e acabei fazendo algo que não é comum em mim. O que eu quero dizer é que, eu quero te conhecer melhor, quero que não fuja de mim, que fique comigo. Podemos não ter um título agora, mas quero um no futuro. O que acha?”

E ali estava o grande problema. Sage havia quebrado sua própria regra e se apaixonou por Godfrey. Claro que ouvir aquilo tudo a deixou extremamente feliz, mas o que aconteceria com eles no futuro? Ela estava cansada de fugir, de ter que correr, queria ficar quieta por um tempo, mas com certeza isso seria um problema. Por outro lado, a morena não tinha nada a perder, apenas precisaria ficar atenta porque se algo acontecesse com Godfrey, ela carregaria essa culpa para o resto da vida.

“Primeiro que eu acho bem engraçado o fato de estarmos conversando sobre isso nessas condições e segundo... bom, eu gosto de você e queria tentar também. Podemos ir devagar e se eu não te enlouquecer, a gente vê o que faz.”

O jeito com que Sage falava parecia tranquilo, e era isso que ela queria passar para Godfrey. Ele não tinha mais para onde sorrir, aquele era um recomeço. Um recomeço amargo já que Sage não podia dizer para ele quem ela era de verdade.