Bring Me To Life
4 Capítulo 4
Notas iniciais
POV Violet
Abri os olhos, esperado ser um sonho, mas percebi que estava em uma sala completamente acolchoada e branca. Tentei me mexer e um gemido involuntário escapou de meus lábios. Tinham algumas manchas negras em meus braços e pernas.
Ah é! Eu fui eletrocutada...
– Senhorita Audrey? – uma voz soou na sala e eu olhei para cima, procurando a direção. – Como se sente?
– Vão para o inferno! – grito.
– Espero que entenda que mau comportamento gera punição.
– VÃO PARA O INFERNO! – grito com mais força e minha garganta arde.
– O que disse àquela garota? – a voz demonstra calma.
– Que... Há quanto tempo estou aqui?
– Desde ontem, senhorita. – a voz parece impaciente. – O que disse àquela garota?
– Que garota? Eu?
– A garota do corredor. Samantha Collins.
– Disse que se ela gritasse, eu a mataria.
A voz ficou um bom tempo sem responder
– Eu quero sair daqui! – gritei. – Eu quero sair!
Nada. Nenhuma resposta. Aquele seria meu castigo. Perguntei-me se eu seria queimada, morta, ou se passaria fome e sede.
– Merda! Eu quero sair!
Nada... Mais uma vez.
Quando eu tiver a chance de sair, vou acabar com todos.
...
POV Elizabeth
Eu imaginava que, se eu conhecesse mais sobre a prisão, pudesse dar um jeito de acabar com ela, mas cheguei à conclusão de que há uma forma muito melhor de ajudar as pessoas de lá.
– Você quer comprar o quê? – Anthony esfregou as têmporas. Eram 2h da manhã e ele estava terminando alguma coisa de trabalho quando entrei. – Vá dormir, Liz.
– Mas, tio, se ajudarmos talvez eles passem a confiar em nós e...
– Querida, sei que suas intenções são boas, mas não podemos comprar quase cinquenta mil ilegais. – ele balança a cabeça.
– Então solte todos.
– Elizabeth, eu vou levar em consideração sua falta de sono, o que pode estar resultando nessas ideias completamente ilógicas.
– Por que eles estão presos e nós soltos, Anthony? Não é justo!
Ele levanta e me olha irritado.
– Não é de hoje que aparece um nobre com ideias assim. Você não é tão incomum. – ele bate na mesa e eu salto. – Não vou apoiar essa ideia estúpida! Nosso modo de vida consiste neles estando onde estão e nós aqui onde estamos. São ilegais por algum motivo. Quando tiver o peso de um país, na verdade, do mundo inteiro em suas costas, vai entender que não é tão fácil assim.
– Mas...
– Chega, Liz, chega. – ele se senta cansado. – Vá dormir. Amanhã terá suas últimas aulas e não tem tempo pra perder aqui.
Fecho a cara e saio pisando duro.
Já sei o que fazer: Não vou comprar aquelas pessoas, vou ajuda-las a fugir. Não vou me tornar presidente de nada, vou me tornar uma ilegal.
...
POV Sam
Eu estava encolhida em um canto na minha sela. Ontem não fui ao refeitório para o almoço e nem para o jantar. Hoje não fui para o café. Eu esperava que um guarda aparecesse a qualquer minuto com uma arma e me levasse para uma sala de tortura. Todo guarda que passava não se dava ao trabalho de olhar para a minha cara, mas isso não me impedia de entrar em pânico.
“De noite, eles vão me tirar daqui como fazem com as outras”.
– Samantha? – era a voz de minha mãe. Ela aparece na entrada da sela. – Querida?
Ela se ajoelha ao meu lado, passando a mão em meus cabelos. Me arrasto para seu colo e ela me abraça.
– O que aconteceu?
– Eles a pegaram, mãe. – ela arregala os olhos. – Eles a eletrocutaram na minha frente.
– Quem? Ella? – ela me sacudiu, em pânico. – Eles pegaram a Ella?
– Não, mãe. – ela suspira, aliviada e fecha os olhos, se recuperando do susto. – Violet. Ela... Eu estava vindo para cá, já que meu dia é livre, e ela estava no final do corredor. Eu nunca tinha visto ela naquele estado, eu...
– Ela matou três guardas hoje. – minha mão fala e me aperta. – Está na sala branca.
A sala branca era uma sala completamente branca e acolchoada (jura?) onde eram mandados aqueles que mais causavam confusão. Nenhum, com exceção de Violet, continuava vivo depois de passar por lá, e ela já esteve ali umas cinco vezes. Lá eles faziam o lugar se mexer e causavam alucinações, envolvendo memórias da vida pessoa. No caso de Violet, imagino que usem a morte de seus pais para perturbá-la. Diferente das outras punições, essa realmente a abalava.
Uma fato sobre a sala branca e sobre mim: Meu pai já esteve lá. Obviamente, ele não voltou. Minha mãe e Jake sabem o motivo da morte dele, mas nunca contaram à mim, ou à ela
– Venha, vamos almoçar. – ela tenta me ajudar a levantar, mas faço força para baixo.
– Não. Eles vão se lembrar de mim e vão...
– Samantha, por favor, se fosse para te levar, já teriam o feito. Além do mais, tem câmeras em todos os lugares por aqui. Já se lembram de você, já sabem onde está e para onde vai. – ela estende a mão para mim. – Vamos querida.
Eu pego a sua mão e levanto. Ela passa o braço pelos meus ombros e começamos a caminhar. Confesso que esperava que as pessoas me olhassem de modo diferente. Esperava que cochichassem conforme eu passava, mas nada acontece. Eu sou invisível.
Mesmo que eu não vá encontrar nada, procuro Violet. Estou preocupada com ela. Ela matou três guardas, ao todo, já foram cinco. Não acho que esses três sejam os últimos. Ela não tem nada a perder.
–... Tá bom? – é a minha mãe. Olho para ela e ela suspira. – Eu disse pra você ir se sentar na sua mesa que eu vou pegar a Ella... Tá bom?
– Tá. – dou de ombros. Ela beija a minha testa e desaparece no mar de pessoas que segue para o refeitório. Eu me viro e ando em direção à mesa.
Cinco minutos depois, suado e sujo, porém sorridente, aparece Jake. Ele pega sua comida e se senta ao meu lado e começa uma conversa animada com dois garotos. Os dois me notam ali no canto, mas meu irmão só me nota uns dez minutos depois de se sentar.
– Ei, magrela. – ele sorri. – Como foi seu dia?
– Hm... Deixe-me ver qual foi o ponto alto. – toco o queixo fingindo pensar. – Me perdi em alguns corredores, depois voltei para minha sela para dormir.
– Espera. – Jake ergue a mão. – Só isso? – concordo com a cabeça. – Vamos, Samantha, o que está escondendo?
– Nada. – olho para os lados conferindo se algum guarda está me olhando. Apenas dois o fazem e eles estavam no grupo que pegou Violet. Desvio o olhar e me encolho.
– Você está branca igual a um fantasma. – ele franze a testa.
– Fora que parece que andou chorando. – o que estava ao lado de Jake, Doug, falou.
– São olhos inchados de sono. – eu faço uma careta. – Quer dizer, se isso for possível, é o que aconteceu. – dou de ombros. – Eu não chorei.
– E por que choraria? – Jake semicerrou os olhos.
– Que droga, Jake, cuide da sua vida! – cruzo os braços sobre a mesa e ponho a cabeça sobre eles. – Me deixe em paz.
Eles não responderam, mas logo voltaram a conversar. Eu não poderia contar aquilo ao Jake, pelo menos não na frente de outras pessoas. Mesmo que eu ficasse quieta, minha mãe lhe contaria. Às vezes eu ficava irritada com o modo como eles eram ligados. Eu não tinha essa ligação com ninguém, nem mesmo com Ella. Quando meu pai era vivo, éramos bastante próximos, mas quando ele morreu, eu me recusei a me aproximar de alguém desse modo.
– Senhorita Collins? – escuto uma voz estranha. Noto que o refeitório todo está em silêncio. Ergo a cabeça. Todos olham para o próprio prato, menos Jake.
– Sim? – pergunto.
– Está sendo requisitada pela diretora. – o guarda fala.
Me levanto, mas Jake puxa o meu braço. Olho carinhosamente para ele e sorrio.
– Vou ficar bem. – falo, apesar de não acreditar nas minhas palavras.
Sigo o guarda obedientemente para fora do refeitório. Encontros os olhos de minha mãe, preocupados, mas ela continua mantendo a calma. Ella está com os olhos brilhando como se fosse chorar. Sorrio de lado, como se para acalmá-la. E continuo andando.
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