Bring Me To Life
5 Capítulo 5
POV Violet
Caramba, tudo dói. Meus olhos ardem por causa das lágrimas que querem se formar, mas não deixo. Não vou chorar na frente dessas pessoas. Não vou chorar na frente de ninguém. Não vou chorar nem quando estiver sozinha. Seria uma lástima sentir pena de mim mesma.
– Srta. Audrey? – e a maldita voz retorna. Não respondo, porque não tenho forças. – Eu acho que está escondendo algo. Vai falar ou teremos que chamar a Srta. Collins aqui?
Collins? Reviro minha mente atrás do nome Collins. Duas criaturas aparecem. Uma garota e um garoto. A imagem da garota vem acompanhada dos meus gritos “Fuja! Fuja!”. A imagem do garoto vem com tantas falas, que minha cabeça começa a doer. “Nada vai acontecer, eu prometo”. Depois de tanto tempo sem ouvir, escuto a que me destruiu para qualquer coisa por semanas: “Eu amo você, Violet.”. Ele só pode ter mentido.
– Srta. Audrey? – a voz de novo. Meus olhos ardem. Collins. “Fuja!”. – Violet Audrey? – a voz mais uma vez, dessa vez mais forte. Olhos ardem. Collins. “Fuja!”. Parece um mantra. Minha cabeça está doendo e o lugar começa a tremer. – Ótimo. – a voz encerra a conversa e eu começo a vasculhar as gavetas da minha mente procurando algo que tire minha concentração da tortura da vez.
Estou em um lugar escuro e quando a tremedeira para, tudo se ilumina. O pátio da prisão. Por que estou aqui?
– Vai ficar tudo bem, amor. – é a voz da... Minha mãe?
– Mãe? – descubro que não era a sala que tremia. Era eu. Meus olhos se enchem de lágrimas e não consigo pará-las. É ela! Minha mãe! – Mãe! – ela não me olha. Ela olha para algo que está atrás de mim, mas não encontro nada.
– Não deixaremos que lhe façam mal. – olho para o lado e vejo meu pai sorrindo e olhando para a mesma direção que a minha mãe. Ele parecia tão bem. Sorrio e algumas lágrimas escorrem.
– Pai! – tento tocá-lo, mas ele se afasta assim que minha mão se aproxima. – Pai! Pai, eu estou aqui. – ele nem me olha. – Mãe! – minhas mãos tremem tanto... É por isso que não consigo tocá-los? – Mamãe?
Uma voz fria quebra meu transe e paro de chorar. Não escutei o que ela falou. É uma alucinação? Não.
Meu pai caminha até a dona da voz.
– PAI! – eu grito e o desespero toma conta de mim. – Pai, não vá, eles vão te matar!
Mas não o matam. É pior. Não vejo o que fazem, mas sei que é pior. Fecho os olhos e coloco as mãos nos ouvidos.
– Srta. Audrey? – e a maldita voz me tira do transe.
Me levanto em um pulo. As lágrimas embaçam minha visão.
– EU QUERO SAIR! TIRE-ME DAQUI! – grito e começo a socar as paredes.
– Srta...
– EU QUERO SAIR! – eu grito mais alto e minha garganta arde. – SOCORRO! ALGUÉM ME TIRE DAQUI! EU NÃO QUERO MAIS FICAR AQUI!
– Srta. Audrey, diga o que queremos ouvir. – sinto a maldade na voz.
Caio no chão. O lugar começa a esquentar e eu continuo chorando. “Vai ficar tudo bem, amor”. “Não deixaremos que lhe façam mal.”.
Eles mentiram! Não. Eles me deixaram aqui. Nada está bem. O lugar esquenta mais e não sei como, mas já não estou mais com minhas roupas. Não tento me cobrir, porque de nada adianta. Sinto como se estivesse perto do fogo. Um jato de água fervente é jogado sobre mim e eu grito. O vapor preenche a sala. Meu deus...
– Sua última chance, Audrey. – a voz está gélida.
Está tão quente que sinto que estou derretendo. De repente a temperatura cai de uma vez e um jato de água gelada é jogado em mim. O jato é tão forte que me joga do outro lado da sala. Ergo levemente a cabeça e vejo meu sangue. Olho meu corpo e ele não está só queimado. Ele está cortado.
– Por favor... – imploro. É a primeira vez que imploro. Nunca tinha sido punida assim. Achava que os que reclamavam disso eram fracos. Não eram.
– Diga o que queremos ouvir. – a voz parece distante e já nem me movo. Não sei o que é pior: o frio ou o calor.
Algo é despejado em cima de mim e grito mais alto. Grito até sentir vontade de tossir e quando o faço, cuspo sangue. O cheiro é forte. Não é água, mas não é ácido. É álcool. Eu grito e me debato, mas só piora. Continuo chorando.
– Eu não sei. – falo baixinho, mas sei que escutaram.
E a temperatura sobre de novo. Meu corpo arde ainda mais por causa do álcool.
– Escute aqui sua... – e a voz de repente cessa, assim como o calor.
Isso não me deixa aliviada. Jogam algo em cima de mim e não sinto nada. Apenas alívio. Uma brisa suave começa a circular pela sala. Escuto a porta ser aberta com força e me encolho esperando um chute ou um soco, mas nada disso acontece. Muito pelo contrário. Algo macio me envolve e sinto uma picada no braço. A última coisa que vejo antes de perder completamente os sentidos é o rosto de um homem. Ele está sério. Fecho os olhos e agradeço mentalmente, esperando que ele me ouça.
...
POV Sam
Eu estava de costas para a porta. Alguém sentava em uma cadeira de costas para mim. Quando se virou, eu perdi o ar. Ela era a diretora?
– Samantha Collins, não é? – ela sorri. Algo dentro de mim se agita e eu escuto Violet gritar na minha mente para que eu fuja. Concordo com a cabeça.
Seus cabelos eram perfeitamente aparados na altura do queixo e eram tão loiros que pareciam brancos. Seus olhos eram castanhos, bem escuros. Torci para que fossem castanhos, na verdade, pareciam negros. Engoli em seco. Sua pele era muito branca.
– Eu posso lhe oferecer algo? – ela sorri e dessa vez mostra os dentes brancos e perfeitos. Aceito um pouco de comida e liberdade, o que acha? “Fuja!”.
– Ahn... Não, obrigada. – forço um sorriso e ela concorda.
– Sente-se. – ela se senta novamente. Me sento na cadeira que fica na frente da mesa. – Sou a diretora da prisão, Verona Flynn. – ela entrelaça as mãos e as pousa na mesa. Seu sorriso desaparece e ela olha fixamente para mim, quase sem piscar. “Fuja!”. Violet grita em minha mente. – Sabe por que está aqui?
– Não. – murmuro, sem desviar o olhar. Sinto que se o fizer, ela me mata.
– Então vou te responder, Samantha. – seu tom é frio. – Está aqui, por ninguém mais, ninguém menos que Violet Audrey. – quase desabo ali mesmo. Aperto a parte de trás do meu joelho, torcendo para que ela não perceba meu nervosismo. – Agora sabe o porquê de estar aqui por ela?
– Não. – murmuro. Ela se levanta e anda de um lado para o outro atrás da cadeira.
– Está aqui, porque ontem ela fugiu e lhe disse algo. – ela se vira e me olha. – Quero saber o que ela lhe disse.
– Ela me disse para não gritar. – murmuro, sem desviar o olhar. A mentira veio do nada. – Disse que se eu gritasse me mataria. Então se afastou e eles apareceram. – Verona me olha como se soubesse o que se passa na minha cabeça.
– Certo. – ela sorri, parecendo aliviada, mas o sorriso não chega aos seus olhos negros. – Porque a punimos, sabe? Ela disse a mesma coisa. – ela se senta e começa a mexer nas gavetas. – Se lembra de quando roubou uma faca do refeitório e foi punida? Quente, frio, etc., etc...
– Sim. – murmuro. Ela alarga seu sorriso e ele parece meio diabólico, dessa vez chegando aos olhos. Violet grita mais alto na minha mente... Não é na minha mente. Ela está gritando de algum lugar.
– Ah, parece que estão acabando com a brincadeira. – ela faz um biquinho e ri. Em seguida tira um controle da gaveta a aponta para uma televisão. Ela acende. – Assista.
Seguro um grito ao ver uma sala manchada de sangue com uma figura encolhida em um canto. Violet. Jogam várias coisas nela. Eu estremeço, porque sei como é. Em um momento jogam um líquido e ela grita tão forte que tenho a sensação de sentir meus ouvidos estalarem.
– Pare! – eu peço e coloco as mãos nos ouvidos.
Ela continua.
– Pare! – dessa vez eu grito e começo a chorar.
Segundos depois, minhas mãos são puxadas com força e Verona aproxima seu rosto do meu. Sinto sua respiração no meu rosto, enquanto a minha está descontrolada. A televisão está mais alta e repete os gritos de Violet.
– Me escuta, garota! – ela grita e aperta meus pulsos. Suas unhas se afundam na minha pele e seus olhos me assustam. – Algo me diz que você mente. Mas vou levar em consideração meus instintos que dizem que diz a verdade. Vou tirar aquela outra pirralha irritante dali e vou devolvê-la a seu inferno particular, mas quero que preste muita atenção no que vou falar. – seu nariz roça no meu. Ou sua pele é fria ou eu estou muito quente. – Da próxima vez que eu te encontrar ou que uma de vocês me causarem problemas, eu mato as duas. – ela se afasta, mas aperta mais meus pulsos. Eles ardem. – Já lidei com seu pai, lido com seus irmãos. Não quero ter de lidar com mais uma insolente que acha que tem o direito de viver, porque, caso não saiba, seu único direito é o de estar embaixo da terra!
Ela me puxa e me arrasta até a porta. Ela tira a mão de um dos meus pulsos e abre a porta com força, assustando os guardas do lado de fora e me joga com força no chão.
– Levem o lixo de volta para o lixo. – ela se vira. – E da próxima vez só a tragam morta.
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