Bring Me To Life
1 Capítulo 1
Notas iniciais
POV Samantha
O toque do amanhecer soou e as portas se abriram. As pessoas da sela começaram a se levantar. Senti as mãos de minha mãe me balançarem e me forcei a levantar. Ela me ajudou a arrumar a cama e caminhamos até a porta. Entramos na fila, comigo na frente, minha mãe atrás e minha irmã por último. Ela segurava uma de minhas mãos e fazia o mesmo com minha irmã. À minha frente estavam mais seis mulheres, todas com a idade de minha mãe. No fim da fila estavam mais três garotas, ambas pareciam ter a idade da minha irmã. Um dos guardas apareceu da porta e todas nós saímos.
A caminho do banheiro, notei que algumas das mulheres que normalmente nos acompanhavam, não estavam por ali.
– Olhe para frente, querida. – ouvi a voz trêmula de minha mãe. – Para frente.
Voltei a olhar para o chão, olhando meus pés se moverem. Entramos no banheiro. Tinham apenas cinco chuveiros ali, então nos dividíamos. Com as três garotas de trás, duas acabavam sobrando. As cinco primeiras mulheres entraram no chuveiro. As que sobravam tinham que aproveitar o tempo fazendo higiene pessoal, coisas desse gênero. Minha mãe entrou em uma das cabines do banheiro e me virei para minha irmã, me ajoelhando em sua frente.
– Deixe-me ver. – peço e ela estica a mão. Uma marca em vermelho vivo ia do dedo mindinho até a metade do polegar, marcando todos os dedos. Passo a mão em cima e ela tenta puxar. – Me desculpe.
– Dói muito. – ela murmura.
Ella. Seu nome era Ella. Ela tinha cabelos loiros e lisos que iam até sua cintura. Seus olhos eram castanhos e sua pele era clara. Ela tinha 10 anos. Ontem pela tarde, ela não obedeceu à programação e a mulher que nos vigiava naquele dia, usou algo que parecia com um fio para bater nela. Com certeza essas marcas estariam espalhadas pelo seu corpo se um guarda não tivesse impedido.
– Vai passar. – beijo sua mão. O sinal que avisa que o tempo no chuveiro acabou toca. Me levanto e pego a mão da minha irmã. Minha mãe sai de uma das cabines e vai a uma cabine de chuveiro. Deixo a minha irmã em frente a uma e entro em outra.
Termino antes que o toque soe, então fico embaixo da água.
Meu nome é Samantha Collins. Tenho 16 anos. Não sou igual à Ella. Meus cabelos eram castanhos e iam até meus ombros. Eu evitava arrumar confusão, porque depois de um tempo, descobri que as garotas que arrumavam problemas e eram chamadas pela manhã, nunca mais voltavam.
O toque soa e os chuveiros se desligam. Puxo a toalha e me seco. Saio da cabine e pego minhas roupas. Enquanto me visto, minha mãe e Ella fazem o mesmo. Terminamos e vamos para a saída.
Dessa vez Ella está na frente de minha mãe e eu estou atrás, mas não seguro sua mão. Enquanto ando, vejo alguns garotos conversando. Quando um deles levanta a manga da camiseta, vejo uma marca em seu pulso. O selo.
Quando nascemos, eles implantam um rastreador no nosso pulso, assim, em caso de fuga, somos monitorados. A partir dos 15 anos, os rastreadores são retirados e somos marcados com o selo. O que diferencia os legais dos ilegais. Nunca o olhei direito, porque sigo o ditado “Se eu não olhar, não é verdade”. Existe uma forma de se livrar do selo. Duas, se contar a morte, mas mesmo assim eles não apagavam sua marca. A outra forma era ser libertado, ou seja, comprado. As pessoas “legais”, mas conhecidas como superiores estavam sempre a procura de empregados, ou de desafios, estão compravam alguns “ilegais”, ou apenas inferiores.
– Sam, venha. – era Ella. Assenti e as segui.
No refeitório éramos divididos por idade. Dos 5 aos 10 anos, dos 11 aos 15, dos 15 aos 25, e dos 25 até o resto da vida. Isso significa que eu me sentava com meu irmão.
Jake tinha 18 anos. Seus cabelos eram castanhos e ficavam na altura do queixo, porque, por algum motivo, os guardas se recusaram a cortá-lo, aparando anualmente para que ficasse na altura certa. Seus olhos eram castanhos, mas bem claros.
– O que trouxe? – ele pergunta quando me sento na mesa com uma bandeja em mãos.
– Aquele purê nojento com pedacinhos de carne. – faço uma careta.
– Pedacinhos de gente, você quis dizer. – ele pega uma colher e começa a comer o purê, engolindo com dificuldade. Eu faço o mesmo.
– O que você faz hoje? – pergunto.
– Limparei os corredores. – responde ele, com a boca cheia de comida. – E você?
– Vou... É... – cocei a nuca e ele me olhou, arqueando a sobrancelha. – Eu não recebi um horário.
– Caramba! – ele arregala os olhos.
– Na verdade, estou sem horário pela semana inteira.
Todos nós tínhamos horários, e não cumpri-los gerava punições. As tarefas colocadas nos horários eram mais para nos manter ocupados e cansados de forma que nenhuma revolta possa ocorrer. Coisas tipo limpar os corredores – aquele inferno devia ter uns 100 corredores -, lavar os banheiros, arrumar as selas, arrumar os dormitórios oficiais. Óbvio que eles não mandavam qualquer um ficar livre, o que aumentava minha desconfiança, já que tem gente que está ali há quase 50 ou 60 anos que nunca arrumou confusão e que trabalhava diariamente sem parar, e escolhem justamente a mim, que só tem 16 e já arrumou alguns problemas, principalmente por ser irmã de dois encrenqueiros.
– Bom – meu irmão se levanta. – Boa sorte. – quando ele começa a se afastar, o sinal do fim da refeição toca. Eu me levanto.
Eu sigo a multidão para a porta, mas antes que eu chegue, ouvimos o som que indicava que um anuncio oficial seria dado. Todos nós voltamos aos nossos lugares e a tela gigantesca subiu do chão, se fixando na parede. A luz se acendeu e o apresentador oficial apareceu.
– Este é um aviso presidencial. – então ele sorri. – Bom dia!
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