Bring Me To Life
3 Capítulo 3
Notas iniciais
POV Sam
– Uma grande mudança! – meu irmão andava ao meu lado, em fila, irritado.
– Jake...
– Ele só vai dar poder para uma magrela rica e mimada que tem a mesma idade que você. – ele revirou os olhos. – “Quando meu avô assumiu o poder e interferiu nos cursos da guerra, fazendo com que a Quarta Guerra Mundial acabasse antes de atingir o seu auge, ele conseguiu garantir um futuro para a humanidade”. Sim, um futuro de merda.
– Jake, cale a boca! – eu consigo falar. – Quer que eles escutem?
– Dane-se se escutarem. – ele dá de ombros. – Até a morte é melhor do que viver nesse inferno.
Ele marcha irritado e eu paro surpresa. As pessoas se desviavam de seu caminho para passar à minha frente, mas não me movo. Nunca pensei no quão injusto é o nosso modo de vida. Nunca imaginei que a história das guerras talvez não passe de uma mentira dos Briand. Sempre achei meu modo de vida... Aceitável. Entre ser morto, ou passar fome, ou se prostituir, ficar preso sem direitos não soa tão ruim. Pelo menos não soava.
Volto a andar para o meu dormitório, os corredores já vazios. Fico imaginando se a presidente desse inferno vive como nós, ou se ela vive com o presidente Anthony. Duvido que seja a primeira opção. Ela nos mantém presos e qualquer um que a desafie corre o risco de morrer. Mas ela é esperta. Ela não apenas nos mata, ela tortura antes de fazê-lo. Ouvi falar de um homem que tentou fugir cinco vezes. Os encarregados da etapa final, vulgo morte, fizeram vários cortes em seu corpo e jogaram substâncias como sal, como ácido, álcool e outras coisas. Eu pude ouvir seus gritos. Eu imaginei como deveria sentir a sua dor, mas nem nos meus pesadelos eu consegui imaginar, porque no final é muito pior. A pior punição que já levei, foi quando Ella roubou uma faca e eu assumi a culpa em seu lugar. Nem mesmo Jake, um revoltado nato, conseguiu me defender. Eles me colocaram nua em uma sala com uma enorme janela de vidro. Do outro lado, eles manipulavam os efeitos da sala. Fiquei lá por três dias sem comida e água, enquanto eles aqueciam a sala até que minha pele ficasse com bolhas e diminuíam a temperatura até que meus dedos ficassem azuis e alguns membros dormentes. E foi assim o tempo todo. Por vezes jogavam água quente enquanto aqueciam a sala, ou água gelada, enquanto a esfriavam. Ella nunca mais roubou nada. Alguns disseram que minha punição foi leve se comparada com a de Violet Audrey.
Violet era uma garota talvez um ou dois anos mais velha que eu. Ela era estranha quando os pais estavam vivos, mas sempre seguia as regras. Em uma noite, os guardas foram até a sela em que ela ficava com a mãe e em seguida, na que ficava o pai. Eles a prenderam em uma cadeira, enquanto via os pais serem torturados. Por fim, deram um tiro na cabeça da mãe e espancaram o pai até a morte. Dizem que a diretora assistiu tudo. Ela ficou perturbada depois disso.
Seu comportamento era tão agressivo que ela tinha uma sela só para ela, e suas atividades eram realizadas afastadas dos outros. Ela já matou dois guardas e foi punida violentamente. Na primeira, lhe deram uma surra com vara. Na segunda, ela ficou sem comida e água por três dias, trabalhando o dia inteiro embaixo do sol quente, e à noite durante o frio cortante. Isso só a deixava mais perturbada e furiosa. Seu desequilíbrio era tanto, que às vezes ela ameaçava se matar e já fez greve de fome diversas vezes.
Quem a viu antes de tudo isso, sabe que ela era muito bonita. Segundo alguns, ela tinha longos e brilhantes cabelos ruivos. Seus olhos eram verdes e brilhavam sempre que ela sorria. Eu me surpreendia quando a descreviam assim, porque na poucas vezes em que a vi, ela tinha cabelos curtos, sem brilho algum e completamente desgrenhados. Seus olhos eram escuros de tanto ódio contido. Sempre que ela me olhava, eu esperava que ela fosse me atacar e me estrangular, mas ela balançava a cabeça e desviava o olhar.
Ainda nas noites mais calmas, escutamos seus gritos, sejam de dor ou revolta. Alguns dizem que até a presidente a teme. Imagino que se ela não estivesse tão afetada emocionalmente, talvez fosse a chance de uma revolução, porque nenhuma alma viva tinha peito o suficiente para encará-la, mesmo armado. Ela já levou tiros e facadas, mas aparentemente nunca a afetou, porque cada ataque aparentava deixa-la mais forte.
Se algum dia eu tiver que apostar nossas esperanças em alguém, eu apostaria nela e em meu irmão.
Continuei andando e quase gritei de horror. Minha mãe falava que quanto mais pensássemos em algo, maiores as chances dele aparecer. Vi uma criatura pálida, de unhas enormes e sujas de sangue no fim do corredor. Violet olhou em minha direção e eu vi um corte em sua bochecha. Ela arregalou os olhos e pôs as mãos na boca. Olhei para trás, mas não vi nada. Ela correu até mim e tudo foi tão rápido que só a percebi quando suas unhas estavam cravadas em meus ombros. Ela se aproximou de mim e senti o cheiro de sangue.
– Fuja! – ela disse e sua voz instalou um pânico em mim. – Eles vão acabar com vocês. Fuja! – ela se afastou e vi como suas mãos tremiam. Ela estava drogada. – Fuja. Você... Ele... São os próximos. Fuja!
Ela começou a se afastar quando um grupo de guardas apareceu. Seus gritos fizeram meus ouvidos estalarem. Senti uma mão me puxar e me jogar dentro da minha sela. De dentro consegui ver quando a algemaram e colocaram uma agulha em seu pulso, enquanto algo era pressionado em seu pescoço e ela gritar conforme uma corrente elétrica atravessava seu corpo.
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