Bring Me To Life
2 Broken
Notas iniciais
– 12 anos antes...
– Não seja medrosa, Granger — o idiota do Crabbe disse e revirei os olhos.
– Pular em um rio só me tornaria mais idiota do que você, Crabbe, não mais corajosa — eu disse cruzando meus braços a frente do corpo e lançando um olhar nervoso para o rio.
O resto da turma estava dividido entre encorajá-los a me fazer pular, apostando todos os doces que eles tinham nos bolsos e os que achavam aquilo, assim como eu, uma total estupidez.
– Se está com medo é só falar — Crabbe disse, dando passos em minha direção enquanto eu tentava me manter firme em meu lugar.
– Não estou com medo! — falei brava, estreitando meus olhos para ele e me perguntando quando a professora notaria aquele aglomerado de alunos próximo ao rio.
– Não? — Crabbe perguntou, com um sorrisinho de escárnio.
Eu sabia o que ele faria, mas ainda sim, quando eu pensei em desviar, já estava tarde.
Senti o impacto do meu corpo com a água no mesmo instante em que ela entrou em meu nariz e boca e quando eu tentei puxar o ar, o que não foi uma ideia inteligente. Pega pelo susto acabei engolindo ainda mais água e sentindo alguma coisa dentro de mim queimar.
Eu não sabia nadar ainda, estava no acampamento justamente para isso.
Tentava alcançar a superfície e quanto mais eu me debatia para sair dali, mais sentia meu corpo ser puxado para o fundo, como se meu corpo estivesse pesando mais do que de costume.
Senti alguma coisa agarrar minha cintura e me debati ainda mais, só parando quando percebi que essa mesma coisa estava me levando à superfície.
Um garoto que parecia ter a minha idade tinha os dois braços presos ao redor da minha cintura enquanto me levava para a margem do rio, me deitando sobre a grama onde eu tentei colocar toda a água que tinha engolido para fora.
Sentia meu pulmão e minhas narinas queimarem quando puxei o ar com força. O garoto agora me olhava, com os joelhos e as mãos apoiados no chão enquanto respirava fundo.
– Está bem? — pisquei, focando minha atenção nele e balancei a cabeça — Ótimo.
Ele passou uma mão pelo cabelo que era de um louro platinado, quase branco, tirando o excesso da água.
Vi as pessoas correndo em nossa direção. A professora vinha à frente, nervosa e gritando que havia nos mandado ficar longe do rio.
– Estou bem, Profa. Minerva — disse, quando ela me forçou a ficar de pé.
– Saiba que vou telefonar para o pai de todos vocês e dizer o que fizeram — ela disse, laçando um olhar feio a Crabbe e então olhando para o garoto que havia me salvado — Foi muito corajoso de sua parte ter ajudado a Srta Granger, Sr. Malfoy. Mas ainda sim descumpriu minhas ordens para se manter longe do rio.
Havia escutado falar dele na primeira semana de aula que tive nessa nova escola, na semana passada, exatamente. Algumas alunas o descreveram como “lindamente” lindo e muito inteligente, nada mais que isso.
Naquele dia, eu não tive a chance de agradecê-lo já que a Profa. Minerva me levou para longe dali, para o chalé das garotas e me fez ficar deitada quase o dia todo, com medo de que eu tivesse pegado um resfriado. Ela também ligou para minha mãe, informando o ocorrido.
Só voltei a ver o Malfoy naquela noite quando todos estavam sentados ao redor de uma fogueira tentando assar seus marshmallows. Eu me sentei ao seu lado, ouvindo-o conversar com outros garotos sobre esportes, mas não prestei muita atenção.
Esperei um pouco até cutucar seu ombro.
Ele se virou. Era um garoto de rosto pálido e pontudo. Tinha olhos de um acinzentado claro e uma expressão um tanto quanto orgulhosa.
Encolhi ligeiramente meus ombros.
– Obrigada por ter me ajudado mais cedo — murmurei e então estendi minha mão para ele — Sou Hermione Granger.
Ele não a apertou, apenas balançou a cabeça, como se não se importasse com aquilo.
– Draco Malfoy — foi só o que disse, antes de se virar e voltar a falar com os amigos.
Voltei a falar com Draco novamente sete anos após isso, ao fim do ensino médio. Uma viagem de formatura que a família dele mesmo havia arranjado para a nossa turma. Eu apenas cheguei quando ele estava longe dos amigos e conversamos. Não pareceu ter sido nada demais... Exceto quando na semana seguinte ele inesperadamente apareceu em minha porta para conversamos.
Ele era tudo o que eu sempre escutara: Prepotente, orgulhoso, arrogante, lindo, inteligente e com um humor realmente.
Deveria ter durado. Quero dizer, é o que se espera quando as pessoas fazem planos. Foi o que eu esperei depois de oito meses de namoro, conciliados com a faculdade de Arquitetura que eu fazia e a dele. Mas... Simplesmente acabou. Assim. Tão rápido quanto começou. Eu nem ao menos soube como. Ele só... Se foi. Nenhuma carta ou recado. Nada.
Eu fiquei mal por semanas, me perguntando o que eu havia feito de errado e nunca encontrei a resposta. Ainda hoje sinto como se isso me perturbasse. Ainda hoje me pergunto se deveria ter feito algo de errado.
Tivemos problemas, claro. Não no começo, o começo foi bom. Mas quando todos perceberam o quão sério tudo aquilo era, não foi mais tão perfeito assim. Brigas se tornaram tão freqüentes que passávamos mais tempo procurando uma causa para discutir do que um motivo para continuarmos juntos. Nossa última briga, quatro dias antes de tudo acabar, foi como uma prova de que aquilo realmente não funcionaria.
Éramos diferentes demais. Não apenas nós, mas nossas vidas amigos... Tudo. E nenhum de nós queria abrir mão de algo. Ambos apegados aos valores que achavam ser o certo. Ambos egoístas de mais para verem que era um relacionamento fadado ao fracasso caso todas as brigas continuassem.
E foi o que aconteceu.
O fracasso.
Talvez Draco apenas não agüentou ver os pais dizendo que ele estava se enganando e perdendo seu tempo. Ou eu não conseguia mais suportar os amigos que torciam o nariz a cada vez que eu estava por perto. Harry e Rony faziam isso com ele também. Aliás, Rony foi quem ficou ao meu lado no final, dizendo que talvez tenha sido melhor assim. Que decretar um final talvez fosse ser ainda pior para mim, mas... Diga que é masoquismo, mas eu realmente queria uma explicação.
E ali estava eu, tendo a chance de segurá-lo pelo colarinho e perguntar por que foi embora. Tendo a chance de gritar o quão egoísta ele havia sido, mas, antes que eu pudesse colocar para fora todas as minhas dúvidas de adolescente, eu me barrei; eu não era mais uma.
Era uma mulher. Havia crescido e tido outros relacionamentos nesses seis anos que se passaram e havia realmente aprendido com eles. Aquilo ainda me perturbava. Havia sido meu primeiro relacionamento, mas eu não poderia exigir nada dele. Não naquele momento.
Draco parecia tão... Frágil. Tão não-ele. Eu sei que anos se passaram e ele pode não ser mais aquele garoto que batia o pé e colocava o dinheiro na frente de tudo para conseguir o que queria, mas, ainda sim, eu me sentia como se estivesse olhando para outro.
Eu tinha tanto a dizer... Tanto a indagar e a gritar com ele. Mas eu não fiz nada disso, apenas fiz o que fazia de pior; fingi.
– Você esta o.k? – perguntei, sabendo ser uma pergunta idiota. Ele estava pronto para pular de uma ponte. Óbvio que não estava bem!
Draco continuou me olhando. Seus olhos perscrutando por toda a minha face.
E então, quando ele me abraçou, puxando meu corpo fortemente contra o seu tudo o que eu fiz foi congelar em meu lugar, surpresa pela forma como tinha acontecido. Surpresa, principalmente, pela forma como eu me senti encaixar em seus braços.
– Desculpe-me.
A palavra foi sussurrada em meu ouvido, enquanto ele ainda se agarrava a mim, como se eu fosse um bote salva-vidas que o estava segurando.
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