Bring Me Back To Reality.
5 Capítulo 5: Reunião Familiar.
Notas iniciais
Olhei para Oliver engolindo em seco. Ele estava esfregando as costas de Helena enquanto ela chorava com o rosto em seu peito.
– Quando você achou isso? – perguntei tentando manter a voz serena.
– Dois minutos depois que você ligou alguém apertou a campainha e esse pacote estava em frente à porta.
– Você não viu ninguém? Nenhum vulto ou coisa do tipo?
– Não, nada. Só ouvi o barulho de alguém correndo pelo corredor. Pensei que fosse uma das crianças do prédio, elas vivem fazendo isso.
– Eu te disse Lena. – Laila murmurou. – Ele não vai nos deixar em paz até que alguém o impeça.
– Você não vai fazer isso, Laila! – Helena ralhou com ela.
– Fazer o quê? – Oliver perguntou soltando minha prima.
– Matar o meu querido irmão, Oliver. – Laila disse dando um sorriso assustador com os olhos cheios de lágrimas.
– É, você não vai fazer isso. – ele disse.
– O que me impede?
– O bom senso? Você não faz mais isso. Se descobrissem você pegaria pena de morte.
– E se não descobrissem?
– Laila, você não vai matar ele.
Laila suspirou frustrada. Levantou-se e caminhou até outro cômodo, voltando com uma garrafa de conhaque.
A encaramos.
– O que? Tenho 21, não estou fazendo nada de ilegal aqui. – ela disse bebericando do bico da garrafa.
– Vocês já ligaram para a polícia? – perguntei.
– Não. – Helena respondeu.
Peguei o telefone sem pensar duas vezes e disquei. Relatei o problema e informei o local.
– Eles estão a caminho. – disse colocando o telefone no gancho.
– Obrigada.
– Não há de quê.
Ela pegou a garrafa de Laila e bebericou também, depois ofereceu para mim, que neguei, e para Oliver que bebeu um longo gole.
Se há algo que posso afirmar é que odiava ver Oliver bebendo, talvez um pouco menos do que vê-lo fumando, mas mesmo assim, odiava. Mas tantas coisas estavam acontecendo ultimamente que resolvi não implicar com isso. Ele merecia um pouco de bebida destilada no organismo.
– Não vai beber Sarah? – Laila perguntou-me.
– Não posso. – respondi. — Os remédios são muito fortes. Eu provavelmente teria uma overdose.
– Argh, remédios. – ela se contorceu. – Odeio isso.
Ouviram-se três batidas na porta.
– Polícia de São Diego. – ouviu-se do outro lado.
Laila correu para atender a porta, ainda com a garrafa de conhaque em mãos.
– Foi daqui que fizeram uma denún... Laila James! Quanto tempo que não nos vemos, certo?
– Dois meses, Aaron. Dois meses. – ela disse parecendo estressada.
– É claro. – ele pigarreou. – Estamos aqui por conta da denúncia. O que houve?
Laila deu passagem para o homem de sotaque britânico que aparentava ter o começo de seus 30 anos.
– Achamos esse pacote em nossa porta. – Helena disse apontando para o pacote sangrento.
Aaron arqueou uma sobrancelha e colocou as luvas. Um tanto inútil, pois se haviam digitais no pacote já estavam contaminadas com as nossas.
Ele abriu o pacote e levou um punho fechado à boca.
– Quem é Helena? – perguntou.
– Sou eu. – minha prima se manifestou.
– Você conhece quem fez essa ameaça?
– Sim. É meu ex-namorado. E irmão da Laila.
Ele voltou os olhos azuis para Laila.
– É verdade?
– Sim. Pois é, Aaron, psicopatia é de família.
Ele apontou para que os peritos retirassem o pacote da mesa de centro, que ficaria permanentemente manchada de sangue.
– Perdão, mas, quem são vocês dois? – perguntou á mim e Oliver.
– Sou prima da Helena. Esse é meu namorado. Também estamos sendo ameaçados por Derek.
– Vocês também? – ele deu um suspiro pesado, coçando a cabeça e bagunçando um pouco o cabelo loiro.
Pegou o rádio da cintura e começou a falar, pedindo duas escoltas policiais.
– Eles estão a caminho. – disse.
– Obrigado. – Oliver disse.
– Há algum motivo para ele estar mandando isso?
– Não. – Laila disse. – Ele é só fora do eixo.
O policial assentiu.
Esperamos calados. Cerca de vinte minutos depois seis homens entravam no apartamento de minha prima.
– Vocês três. – Aaron apontou para três dos policiais. – Vocês ficaram lá embaixo observando pessoas suspeitas e acompanharão as duas, — apontou para Helena e Laila. – para qualquer lugar que elas forem. Os outros três farão a mesma coisa com ele e ela. – apontou para Oliver e eu. – Algum de vocês tem alguma foto desse Derek?
Helena foi até um cômodo e voltou com uma foto dela e Derek na praia.
– Obrigado. – ele tomou a foto nas mãos. – Este é o nosso suspeito. — os seis policiais afirmaram. – Espero que vocês quatro se sintam mais seguros agora.
– Obrigada. – Helena disse.
– Tenho de ir agora, avisaremos vocês quanto ao resultado dos exames do legista. – foi embora com os peritos.
– Acho que vou embora também, Lena. Qualquer coisa me liga tá?
– Tá bom. Tchau. – ela me abraçou. – Você também, pode me ligar para qualquer coisa.
– Eu sei. Tchau Laila. – abracei-a. – Não faça besteira, tá?
– Vou tentar.
Oliver se despediu e saímos. A estação de metro estava fria e vazia, provavelmente todos estavam trabalhando. Entramos no vagão. Havia apenas mais três pessoas lá além de nós e os dois policiais.
Chegamos em casa e trancamos a porta. Os policiais haviam ficado na portaria. Suspirei pesado tirando o casaco e jogando-o no sofá.
– O que foi, amore mio? – Oliver perguntou.
– Estou exausta e estressada.
– Entendo. – ele beijou-me a testa.
– Aquele demônio não se cansa?
– Acho que infelizmente não. Mas estamos melhores do que antes.
– O que quer dizer?
– Há três meses não sabíamos quem ele era agora pelo menos temos alguém para procurar.
– E odiar.
Ele deu uma risada fraca.
– Sim, e odiar.
– Posso perguntar uma coisa?
– Claro que sim.
– Por que você não foi embora quando os problemas começaram? Você não estaria envolvido em tudo isso se o tivesse feito.
– E eu não teria nem ¼ da felicidade que tenho hoje. Eu não ligo para os problemas, Sarah, desde que eu esteja com você e que eu saiba que você está bem.
– Você quase morreu. – disse abaixando a cabeça.
– E eu quase morreria de novo e de novo.
– Por quê?
– Porque vale a pena.
– Vale a pena morrer?
– Vale a pena o risco se eu estiver com você.
Abracei-o, recostando a cabeça em seu peito. Ele afagou meu cabelo enquanto eu o apertava forte.
– O que foi querida? – ele disse suavemente.
– Não posso ser o motivo da sua morte, Oliver. Não vou me perdoar se você morrer. – engoli as lágrimas.
– Ei, eu não vou morrer, Sarah. Não vou morrer. – ele me beijou. – Por que você está pensando assim?
– Eu não sei. Só estou apavorada.
– Não me vai acontecer nada, está bem? Não se preocupe com isso.
Assenti com a cabeça. Ele me deu um beijo e depois me abraçou pela cintura, me levantando do chão e me pegando no colo. Sentou-se no sofá e me sentou em seu colo.
– O que você vai querer fazer no Dia dos Namorados? – perguntou-me.
– Não sei. Não faço ideia de como se comemora isso já que meus relacionamentos não duravam até o Dia dos Namorados.
– Sério?
– Sério.
– Que vida triste! – sorriu debochado.
– Como você comemorava o Dia dos Namorados?
– Geralmente com um buquê e bombons e algo mais no final do dia que não é conveniente contar.
Eu ri.
– Você só pensa nisso?
– Não!
– Ok. Bem, por que você não segue a tradição?
– Você é especial, quero fazer algo especial para você.
Sorri.
– Apenas me surpreenda. Já que eu nunca comemorei qualquer coisa que você fizer vai me deixar feliz, tenho certeza.
– Agora que eu vou ficar agitado. Não faço ideia do que fazer para te agradar.
– Como não, amor? Faça o que sempre fez.
– Tudo bem, se é o suficiente.
– Só um beijo seria suficiente.
– Ah é?
– Sim.
– Quer ele adiantado?
– Se eu continuar ganhando até a data certa.
Ele sorriu e se dirigiu ao meu pescoço. Parou no meio do caminho e pude sentir sua respiração quente. Ele estava me provocando.
– Amor... – reclamei baixo.
Beijou meu pescoço e depois o chupou. Depois repetiu nas minhas clavículas e em outras partes do meu corpo. Aproveitei o momento e cravei minhas unhas em suas costas por baixo da camiseta.
A campainha tocou.
– Por favor, não atenda! – implorei.
– Eu gostaria, mas pode ser os policiais. Vai ser rápido. – me beijou.
Abriu a porta. Um casal em torno dos 36 anos estava parado na porta.
– O que vocês estão fazendo aqui? – Oliver disse.
– Isso é jeito de falar com seus pais? – a mulher disse com um sotaque italiano forte.
Aquilo chamou toda a minha atenção.
– Quem é essa garota? – o pai de Oliver disse apontando para mim.
Oliver suspirou passando a mão pelos cabelos.
– Sarah, esses são meus pais. Pai, mãe, essa é Sarah, minha namorada.
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