Brincando Com o Inimigo
28 Capítulo Vinte e Oito.
Notas iniciais
Atena acordou se sentindo exausta. Como sempre acontecia quando passava a noite chorando.
Ela virou para o lado, encontrando o seu relógio de cabeceira enfim arrumado.
As lágrimas encheram seus olhos, mas será possível que tudo ali a lembrava dele?!
"Mas é claro!" respondeu sua consciência "O que você esperava? Está no reino dele, conviveu com ele aqui diariamente nas ultimas duas semanas, e queria que sua mente não associasse as coisas desse lugar a ele?!"
Talvez...
A deusa suspirou. Olhou novamente para o relógio, vendo que já se passavam das nove da manhã.
Ela levantou, indo tomar um banho.
(...)
Ela abriu a porta da sala de jantar, se surpreendendo ao encontrar Marrie e Poseidon ainda à mesa.
– Bom dia! — disse a deusa, sorridente.
– Bom dia! — respondeu Marrie.
Poseidon continuou calado, com a cabeça baixa e seu olhar direcionado ao prato de comida.
Atena voltou seu olhar para Marrie. Esta, que desenho a frase "o que aconteceu" em seus lábios.
A deusa apenas fez um gesto, indicando que contaria depois.
– Poseidon, me passe o açúcar, por favor — pediu a deusa, em mais uma tentativa de chamar a atenção do deus.
O deus lhe passou o açúcar, mas não proferiu uma só palavra.
A deusa olhou para Marrie, interrogativa.
"Ele esteve assim o dia todo?" a deusa perguntou, mexendo os lábios.
Marrie negou com a cabeça, olhando de testa franzida e de forma acusatória para Poseidon.
– Poseidon — disse Marrie — eu preciso de um concelho.
– Uhm... — ele murmurou, com a cabeça apoiada na mão direita e remexendo a comida com um garfo.
– Não tem o Lucas, o meu melhor amigo? Então, ontem eu fui na casa dele, e ele me pediu em namoro.
– Já tava na hora... — disse ele, sem tirar os olhos do prato. Marrie revirou os olhos, e depois os voltou para a deusa, em um gesto simbólico que queria dizer que ela também queria a opinião da deusa.
Atena se impressionou com aquilo. Ela mal conhecei Marrie, e mesmo assim a garota queria saber a opinião dela.
– Continuando — disse Marrie — ele me pediu em namoro, mas eu não sei se devo aceitar.
– E por quê? — perguntou Atena.
– Porque ele é o meu melhor amigo. E se não der certo? Como vamos ficar? Eu vou perder o meu melhor amigo?
– Ele já te pediu em namoro mesmo, a amizade de vocês nunca mais vai ser a mesma. — disse Poseidon, olhando diretamente para Marrie — Se você disser não, ele pode ou nunca mais olhar na sua cara ou continuar sendo seu amigo. Se a primeira opção acontecer, você já perdeu o seu melhor amigo. Se a segunda opção acontecer, a amizade, muito provavelmente, não vai ser a mesma, pode ter certeza disso. Ou seja, você também perde o seu melhor amigo.
– Agora — começou Atena — Se você aceitar, vocês dois vão continuar sendo melhores amigos, só que tendo... relações um pouco mais intimas. É claro, há a chance de isso acabar, mas você provavelmente vai ter o seu amigo por mais tempo.
– Só por curiosidade — disse Poseidon, que já encarava o seu prato novamente — o que você disse para ele quando ele te pediu em namoro?
– É verdade. Você não chutou ele, ou saiu correndo, ou gritou e deu um tapa na cara dele nem algo do tipo, né?
Marrie arregalou os olhos com as hipóteses de Atena sobre o que ela poderia ter feito. Ela negou com a cabeça, e depois falou:
– Não! Mas é claro que não! Eu pedi um tempo para pensar!
Poseidon levantou a cabeça, pela primeira vez no dia olhando diretamente para Atena. Esta, que apenas arregalou levemente os olhos, entendendo a expressão do deus.
– Ah! Mas é claro que você pediu um tempo, né Marrie?!
– Ahn...?
– Vocês, mulheres, pelo jeito ADORAM pedir um tempo! Certo, Atena?!
– Eu... — começou a deusa, mas foi interrompida.
– Sim, você! Vocês duas não fazem ideia do como nós, homens, adoramos quando a mulher que a gente gosta, o talvez ame, pedem um tempo para gente!
– Poseidon... — Atena se levantou, indo atrás do deus, que já estava de pé.
Ela colocou a mão sobre o ombro dele e, quando viu que ele não ia parar, ela se colocou em frente ao deus, segurando seus dois ombros com as mãos.
– Poseidon!
– O que foi?!
– Pare com isso!
– Parar com o que, Atena?!
– De tanta estéria! Eu só te pedi um tempo!
O deus olhou nos olhos da deusa. As órbes cinzas dela estavam confusas e desesperadas, e examinavam a face do deus procurando por qualquer coisa que pudesse dizer o que ele pensava.
Poseidon relaxou sob as mãos dela, que depois disso escorregaram de seus ombros, indo parar novamente ao lado do corpo dela novamente. A expressão do deus relaxou também, mas continuou séria.
– Talvez eu já esteja cansado de esperar, Atena.
E, com essa palavras, ele saiu. Deixando, mais uma vez, a deusa olhando para o nada.
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