Brincando Com o Inimigo

29 Capítulo Vinte e Nove.


Notas iniciais
Hey peeople! Das pessoas que leem "O Lado Escuro da Lua", da Cecília/MaeveDeep, só eu estou sentindo a falta dela? Eu sei que no capítulo passado ela avisou que só postaria a cada 14 ou 15 dias, porque o fim do ano é corrido para ela, mas sei lá, eu estou com saudades da guria!

Capítulo 29

Poseidon, após sair da sala de jantar, foi para a torre do castelo.

Ainda não tinha ido até lá, não depois que terminaram a obra nos últimos andares.

Ele passou pelos corredores, antes escuros e sem vida, e agora claros e luxuosos, combinando perfeitamente com o resto do castelo.

Quem não vira antes, jamais imaginaria que o palácio um dia pudera ter sido tão escuro e sombrio.

Atena, realmente, mudou aquele lugar. Talvez ela nem mesmo soubesse, mas tudo que já mudou ali foi por causa dela.

O grande problema, é que não foi apenas o palácio que mudou com sua chegada.

Poseidon, por exemplo, jamais pensou que apenas com a vinda de sua maior inimiga ao palácio, ele conseguiria se esquecer de Anfitrite e tudo o que aconteceu.

Ou Marrie, que antigamente era tão quieta e que não conversava com quase ninguém, apenas com Poseidon e com seu melhor amigo, Lucas.

Até mesmo a dona Tathieine (N/A: para quem não lembra dela, foi senhora que serviu o almoço deles no primeiro dia de Atena no palácio. Isso foi no capítulo 7, se eu não me engano) se tornou mais sorridente com a chegada dela.

Poseidon não conseguia mais se ver sem ela. Talvez a pior parte seja que, a cada momento que ele passasse ao seu lado, mais ainda ele precisava te-la por perto.

O deus suspirou, passando as mãos pelo rosto e olhando para fora da janela. As estrelas já brilhavam do lado de fora e a lua, cheia e brilhante, parecia sorrir para ele.

Definitivamente, a ideia de fazer uma única e pequena torre que tivesse uma janela que ficasse sobre o mar, foi a melhor ideia que o deus já teve.

Uma torre pequena e simples, com tapete vermelho no chão, uma poltrona preta de veludo, uma mesinha ao lado da poltrona. Só. E, por mais que parecesse estranho, aquele era o melhor comodo do palácio aos olhos do deus.

Ele adorava a sua biblioteca, isso era um fato, mas lá era um lugar onde ele se via despindo-se de sua vida e entrando em outra.

Já A Torre, não.

A Torre era o lugar onde ele se colocava a pensar na vida dele, onde ele era ele mesmo.

Quantas vezes ele precisou se ver livre das complicações de seu casamento, dos compromissos dele como rei e deus, ou mesmo do olimpo, e o único lugar onde ele podia ir era quele?

Poseidon já perdera a conta.

Ele suspirou mais uma vez, e se pôs a pensar em quanto tempo fazia que ele não ia ao olimpo.

Mais de uma semana, isso com certeza.

Quando foi a última vez em que ele passou mais de uma semana sem ir ao olimpo?

– Desde a lua de mel com Anfitrite.

Ele respondera em voz alta.

Se lembrava perfeitamente da lua de mel. Foram dez dias de puro sufoco.

O único pensamento que havia passado pela cabeça dele no decorrer desse tempo, foi a contagem regressiva que ele fez em sua mente para cada segundo passado para que ele pudesse voltar ao monte dos deuses e ver a sua sobrinha predileta.

Ele sorriu com aquilo.

– Nunca mais vou precisar contar os dias para ir até lá, porque o único motivo que me levava aquele lugar ao menos duas vezes por semana, agora está convivendo em tempo integral comigo.

– E mesmo assim vocês dois tiveram uma discussão seríssima na hora do café da manhã e você a largou na sala de jantar olhando com cara de taxo para porta.

– Marrie, você não sabe do que está falando.

Marrie havia pegado o deus desprevenido, e isso o assustou. Mas, ao ouvi-la dizendo o que ele pensara por todo um dia, a vontade do deus era de sair correndo até Atena e se ajoelhar diante dela, implorando por seu perdão.

– Talvez eu saiba. Talvez ela tenha me contado tudo. Talvez só agora ela tenha parado de chorar e esteja dormindo, ou ao menos tentando.

– Ela o que...?

– Pai — disse Marrie, surpreendendo ao deus. Em todos os anos de convivência, ela nunca o chamara assim. Ao menos, não diretamente ao deus — Ela te ama.

Ele, que até agora estava encarando o olhar de sua garotinha, abaixou a cabeça.

– Eu também sei que você a ama. Sei disso e não é de hoje. Vi o jeito em que saiu desta casa, a pouco mais de uma semana atrás, para ir ao olimpo, e vi a sua cara quando voltou e disse que seria Atena a se casar com você.

Ela se aproximou dele, segurando seu rosto com as duas mãos e levantando sua cabeça. Marrie encontrou o olhar do deus, e uma confusão rodeava as órbes verdes.

Ela sorriu. O mais doce dos sorrisos, o que apenas duas pessoas conseguiram tirar dela. As duas pessoas, ainda nesse dia.

– Poseidon, você não percebeu? Atena foi a única mulher que você já amou de verdade na vida, e você vai deixa-la escapar por causa de uma briga ridícula dessas?

– Está dizendo que devo ficar do lado e ser apenas amigo dela, até que ela se decida?

– Não. Estou mandando você correr atrás do que quer, do que te faz feliz. Se é Atena que te faz feliz, vá atrás dela. Não quero que você a pressione, ou a force a fazer nada. Fique do lado dela, mostre que se importa, tenha pulso firme, não a deixe escapar. E, o mais importante, a ouça. Escute tudo o que ela tem a dizer, e sempre tente ver o lado dela.

Poseidon sorriu e beijou a testa dela, logo depois levantando a cabeça de sua menina e olhando em seus olhos.

– Eu te adoro. Você sabe disso, não sabe?

Marrie revirou os olhos, mas sorria como nunca.

– É claro que eu sei. Agora, chiclete, desgruda do meu pé e vai grudar no pé da Atena.

Ele bagunçou o cabelo dela, saindo correndo pela torre.