Brincando Com o Inimigo
30 Capítulo Trinta.
Notas iniciais
Capítulo 30
O deus, provavelmente, nunca correra tanto em sua eternidade.
Ele parou na curva que levava de um corredor qualquer a seu quarto, e mais importante ainda, ao quarto de Atena.
– Não! Por favor, não!
Poseidon ouviu o grito vindo do quarto de Atena, e não tardou em correr naquela direção.
Ele abril a porta com força, a deixando escancarada atrás de si.
– Atena, você está bem?
Ele a viu deitada, encolhida na cama. Os lençóis estavam revirados, os travesseiro caídos no chão.
Outro pesadelo.
Ele foi até ela e sentou ao seu lado na cama. Suas pálpebras se comprimiam e suas mãos foram até os ouvidos, como se alguém dissesse algo em seu sonho e ela não quisesse escutar.
– Ele não vai embora. Não vai embora!
O deus mordeu o lábio. A respiração dela estava acelerada, e era notável o quanto o sonho a deixava com medo. Ele tirou uma mecha de cabelo do rosto dela e depois acariciou sua bochecha.
– Não, por favor, não vá embora. Por favor...
Ela murmurou, baixinho. Se o quarto não estivesse tão silencioso, ele provavelmente não teria ouvido.
– Calma Atena.
Ele a levantou, a sentando em seu colo e passando os braços por sua cintura. Ela estava com a cabeça apoiada no peito dele, as mãos delicadas estavam agarradas a sua camisa.
– Por favor, Poseidon, fique.
Aquilo surpreendeu o deus, afinal, ela ainda estava dormindo.
Por que é que, no meio de um pesadelo, ela pediria que ele ficasse?
– Calma Atena, estou aqui. Eu não vou embora.
– Onde você está?! Eu não consigo te ver! Cade você? Cade...?
Ela apertava ainda mais sua camiseta, e sua respiração estava muito mais rápida. O deus estava quase chorando por vê-la tão desesperada, mas ele não podia acorda-la bruscamente, ela poderia ficar assustada, e isso poderia fazer com que ela ficasse traumatizada.
– Atena, calma, estou aqui, do seu lado. Acorde, assim você vai me ver.
A respiração dela foi desacelerando, até que ela passou os braços ao redor do pescoço do deus, entrelaçando as pernas na cintura dele enquanto estava sentada em seu colo. Ela colocou o rosto na curvatura do pescoço dele, até que ela finalmente começou a chorar.
Atena estava em prantos, e isso partia o coração do deus. Ele começou a passar as mãos em seus cabelos, e a acariciar as suas costas e sua cintura.
– Chi... Calma, já passou. Já passou... Vai ficar tudo bem.
Atena assentiu contra o pescoço do deus, os soluços diminuindo ao ouvir a voz dele.
– Vem cá, vamos sair desse quarto, você já teve pesadelos demais aqui.
Atena não se mexeu, só aumentou o aperto das pernas contra a cintura do deus e segurou mais forte em seu pescoço.
Ele segurou a cintura dela, a carregando como se ela fosse uma criança com preguiça de andar.
Poseidon a levou até o seu quarto e a sentou na sua cama, com as costas apoiadas na cabeceira.
Ela olhava fixamente para frente, os olhos estavam vermelhos e inchados, assim como o resto do rosto. As lágrimas salgadas manchavam, mais uma vez, a sua bela face.
Ainda com tudo isso, ela não conseguia ficar menos do que linda.
O aperto na mão do deus era possessivo como ele nunca sentira antes. Era como se a existência dela dependesse dele, e aquele aperto garantiria que fosse ficar ao seu lado para sempre.
– Atena, o que aconteceu?
– As vozes estavam falando de novo. — ela disse, o olhar compenetrado em algo a sua frente.
– As vozes?
– Sim. Elas sempre dizem isso, mas tinham parado. Elas tinham ficado seculos caladas até aquela noite.
– Anteontem?
– Sim, anteontem elas voltaram.
– E... — Poseidon engoliu em seco, ele não sabia se queria saber a resposta — O que elas dizem, Atena?
Atena se virou para ele, olhando dentro dos olhos dele da forma mais profunda que ele já sentira alguém fazer. O deus se sentia completamente exposto, como se ela pudesse enxergar toda a sua alma através do olhar.
– Elas disseram que você me abandonar. Que você vai me deixar, de novo.
– Mas... Atena, eu nunca te deixei.
Ela abriu o mais singelo e triste dos sorrisos e respondeu:
– Nunca que você saiba.
Ela voltou a olhar para frente, e o deus apenas abaixou a cabeça. Quando ele voltou a levantar, uma lágrima já escoria por seu rosto.
– Atena, o que está acontecendo?
– Apenas me prometa, Poseidon. Me prometa que nunca vai me abandonar, que nunca vai deixar de apostar em mim.
O deus se levantou, sentando ao seu lado na cama, de frente para o rosto dela.
– Eu nunca deixei, Atena. E não vai ser agora que eu farei o contrario.
Ela avançou para o deus, o abraçando novamente.
– Eu não sei quando vou poder te dar uma resposta...
– Não — ele a interrompeu, passeando com as mãos pelas costas dela novamente. — Você não precisa, e não pode pensar nisso agora, ok?
– Mas você...
– Calma. É isso que você e eu vamos ter agora. Eu vou te esperar Atena, como eu sempre esperei. Não me dê essa resposta enquanto não tiver certeza, tudo bem.
A deusa assentiu novamente, finalmente parando de chorar.
– O que acha de vermos o bolo do casamento amanhã?
– Acho que, contanto que você pare de pensar naquilo, podemos até nos casar amanhã.
Ela riu, mas o que ele não sabia, é ela não deixaria de pensar naquilo. Não deixaria, porque pensar nele foi tudo o que ela sempre fez em toda sua eternidade.
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