Brincando Com o Inimigo
31 Capítulo Trinta e Um.
Notas iniciais
Capítulo 31
Poseidon passou a mão no ombro de Atena, sentindo a textura da pele macia sob seus dedos.
– Atena, acorde — pediu ele.
– Não... — ela murmurou, se aconchegando mais na cama e abraçando o travesseiro.
O deus sorriu a vendo ali daquela maneira, deitada em sua cama, os cachos loiros espalhados pelo colchão. Quantas vezes ele já sonhara com aquela cena? A conta havia se perdido no tempo.
– Atena, temos compromissos. Quanto mais cedo formos, mais cedo voltaremos.
– Estou com sono agora, não quando voltarmos.
– E como você sabe que não vai estar com sono quando voltarmos?
– Eu sou clarividente — sua voz saiu abafada pelo travesseiro, e ela afundou ainda mais na cama.
Poseidon sorriu e se abaixou, chegando perigosamente próximo da deusa, os lábios colados na orelha dela.
– Tem certeza de que quer ficar aqui, me provocado?
Ele desceu seus lábios, dando leves beijos no pescoço da deusa.
– Eu... — a deusa estremeceu, um calor rapidamente percorrendo seu corpo. Quando o deus percebeu isso, sorriu.
– Vai levantar agora?
– Sinto menos vontade ainda...
Poseidon se levantou, um sorrisinho de lado se insinuando em seu rosto.
Atena, percebendo tardiamente o que disse, arregalou os olhos e se levantou.
– Eu... vou tomar um banho.
O deus assentiu, a vendo se virar e saindo pela porta do quarto.
Logo que a porta bateu, indicando que estava sozinho, ele suspirou, passando a mão no rosto.
Foi até a cama, se sentando e olhando para onde ela estivera minutos antes.
– Até quando isso vai ficar assim? Até quando vou ter de esperar?
Nenhuma resposta.
Poseidon já estava cansado de não obter respostas.
Levantando, ele foi até o banheiro, entrando de baixo da água gelada para esfriar a cabeça, ou ao menos tentar.
(...)
O deus colocou uma calça jeans escura e uma camisa verde — que destacava seus olhos, embora ele nem tivesse notado — e um tênis branco.
Quando saiu do quarto, se surpreendeu ao encontra Atena, pronta, a sua frente. Afinal, ele não demorara mais de vinte e cinco minutos para ficar pronto, e ela sempre demorava pelo menos uma hora.
Ele franziu o cenho, gesto que fez com que ela entendesse sua confusão.
– Tomei banho de chuveiro, ao invés de banheira.
Ele arqueou as sobrancelhas, não acreditando que ela sempre demorara tanto apenas por causa de uma banheira.
– E Marrie implorou para que eu a deixasse escolher a roupa para mim enquanto tomava banho e depois ainda arrumou o meu cabelo. Não tive que fazer muita coisa.
Poseidon revirou os olhos e, pela primeira vez, reparou na roupa que Atena vestia.
Era uma saia de chamois marrom escura, de cintura alta, que ia até o meio das cochas dela; uma meia calça de cor neutra, que se não fossem os anos de pratica de Poseidon, ele nem notaria que ela estava usando; uma blusa branca lisa para dentro da saia, com decote pequeno e quadrado; um salto dourado baixo.
Uma maquiagem leve encobria os olhos da deusa, apenas os destacando, e os cabelos estavam perfeitamente penteados, formando cachos leves e adoráveis.
Poseidon sorriu ao pensar que ela se vestira assim apenas para sair com ele.
Mas, seu sorriso foi desaparecendo aos poucos ao constatar que não poderia dizer isso. Não poderia dizer que ela se arrumou saquela forma para ele, porque supostamente eles não tinham nada um com o outro.
Ela poderia estar se arrumando assim para qualquer pessoa, pensou ele. Mas nunca esteve tão enganado.
– Está muito bonita — disse ele. A garganta seca, as palavras sinceras.
Ela abriu o mais tímido e lindo dos sorrisos e abaixou a cabeça com as palavras do deus.
– Obrigada — respondeu.
Ele sorriu e, tamanha era a vontade que ele sentia de beija-la, que desviu o olhar.
– Acho melhor não tomarmos café da manhã. Vamos comer muito na degustação.
Ele assentiu, ainda sem olha-la.
– Vamos? — ele perguntou.
– Claro.
(...)
Eles comeram.
Comeram muito.
Comeram tudo o que podiam e não podiam.
Comeram coisas que eles nem sabiam que existiam.
Comeram coisas que eles não sabiam que ainda existiam.
Eles não comeriam mais nada o dia inteiro.
Atena saiu pela porta da frente, o sininho tocando ao faze-lo, e Poseidon a seguia logo atrás.
O silêncio se instalou novamente, do mesmo modo que fora desde o momento em que Poseidon a acordou.
Eles se encararam no meio da rua por alguns segundos, até que Atena finalmente falou:
– Poseidon você pode, por favor, vir comigo.
Ele assentiu, e a seguiu quando ela virou as costas e começou a andar.
Eles atravessaram a rua e entraram em uma cafeteria, se sentando na mesa mais afastada possível.
Poseidon manteve a cabeça baixa, brincando com um palito de dente sobre a mesa.
– Uma água sem gás, por favor. Dois copos — pediu a deusa à garçonete.
Não demorou muito e Poseidon tinha um copo de água mineral diante de si.
Atena pigarreou e, quando o deus levantou o olhar para olha-la, a encontrou com a cabeça para trás.
Seu pescoço estava esticado para trás, dando ao deus uma visão privilegiada de sua clavícula e pescoço. Os cachos caiam em uma cascata pelas costas.
Ela, lentamente, voltou a cabeça para o deus, encontrando o olhar dele sobre si. Atena não fazia ideia do quanto fazia o coração do deus palpitar.
– Poseidon, nós precisamos conversar.
– Sobre o que?
– Pare com isso!
– O que eu fiz?!
– Desde hoje de manhã, quando eu saí do quarto, você está distante. Você nem conversa comigo!
– Estamos conversando agora.
– Poseidon — a deusa chegou mais a frente na cadeira, se curvando sobre a mesa e segurando as mãos do deus entre as suas. Ela olhou para a mão dos dois entrelaçadas, e depois voltou o olhar para sima. — Estou falando sério. Não quero ficar assim com você. Quero que você converse comigo. Quero que você me diga porque está assim.
O deus assentiu, suspirando.
– Eu acho que... Me senti mal pelo que fiz de manhã para te acordar. Me desculpe. Fiquei sem graça com aquilo. Quer dizer... nós, tecnicamente, não temos nada. Não tinha o direito de abusar de você daquela maneira. É como se eu tivesse me aproveitado de um momento de fragilidade seu. Realmente, me desculpe.
A deusa sorriu, se levantou e foi até o deus, dando um beijinho na bochecha dele.
– Bobo — ela bagunçou o cabelo dele, ainda ao seu lado — é claro que eu te perdoo. Eu nem tinha ficado com raiva.
A deusa voltou a se sentar, um pequeno sorriso brincando nos lábios.
– Não ficou irritada? — perguntou ele.
A deusa deu de ombros.
– Não é como se eu não tivesse me aproveitado da situação.
Poseidon estava possesso. Aquela não poderia ser Atena.
– Mas...
– Poseidon — o semblante da deusa se tornou sério de uma hora à outra, fazendo o deus engolir em seco — você me pediu uma coisa, e eu estou pronta para dar a resposta.
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