Brincando Com o Inimigo

36 Capítulo Trinta e Seis.


Notas iniciais
Eu disse que postava super rápido, não disse? Ps.: não me matem. Ainda faltam quatro capítulos para terminar a fic.

Capítulo 36

A cena diante de Atena era chocante.

Poseidon estava sem camisa, por cima de Afrodite, em uma cama.

A deusa, enfim, descobrira quem produziu o barulho de salto alto ecoando no corredor ao amanhecer.

Logo que a porta foi aberta por Atena, o barulho dentro do quarto cessara. Poseidon, sorridente, encarava a deusa da sabedoria. Já Afrodite, que entendia o que se passava na mente da outra deusa, estava boquiaberta.

– O QUE HADES ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! – gritou Atena, vermelha de raiva, os pulsos cerrados.

Poseidon, finalmente entendendo o que estava acontecendo, deixou o sorriso morrer aos poucos.

Ele se levantou, indo em direção a Atena.

– Atena...

– NÃO ME VENHA COM “ATENA” AGORA, POSEIDON!

– Mas...

– Mas NADA! Vá por uma porcaria de camisa agora!

O deus assentiu, indo até o guarda-roupas e pegando a primeira camisa que viu pela frente.

Atena voltou o seu olhar para Afrodite, que já estava de pé ao lado da cama.

– Você. Depois de tudo o que você fez por mim! Ou o que você diz que já fez por mim, não é mesmo?

– Atena! Eu fiz tudo aquilo por você sim!

– Ah! Tem certeza?! Não é isso o que está me parecendo.

– Não seja cínica, Atena.

– Eu? Cínica? Olha quem fala né, Afrodite?! Depois de todo esse tempo fingindo ser minha amiga. Sendo a única pessoa que sabia de todos os meus segredos. Sendo a única pessoa que sabia de toda a história.

As lágrimas começaram a rolar pelo rosto da deusa da sabedoria, e isso deixava Poseidon ainda mais desnorteado.

Do que raios elas estão falando?!

– Atena, calma – disse Afrodite, se aproximando da deusa e secando suas lágrimas com o polegar.

Atena chorava mais e mais a cada minuto, até que Afrodite a abraçou.

Poseidon observava a cena cada vez mais confusa. Afinal, não é comum que uma mulher abrace a outra mulher cuja qual a primeira ache que a segunda é amante do seu futuro marido.

Atena estava chorando incansavelmente no ombro de Afrodite, até que ela se afastou do ombro da amiga e disse, com a voz rouca e chorosa, quase partindo o coração de Poseidon:

– Por que você fez isso, Dite? Você sabia de tudo o que eu fiz para poder ficar com ele. Você esteve lá sempre. Eu sempre te contei. Você sempre me ajudou, por todos esses séculos, Dite.

– Atena, eu realmente não fiz nada.

Mais lágrimas rolaram pelo rosto de Atena.

– Espere um pouco – Poseidon se pronunciou. A voz baixa como Atena nunca vira antes. – Como assim tudo o que você já fez para ficar comigo? Que eu saiba você não teve que fazer nada. Até em namoro fui eu quem te pedi.

Se ainda era possível, Atena conseguira chorar mais.

– Atena, você precisa contar – disse Afrodite.

– Mas Dite...

– Não Teninha. Chegou a hora – ela limpou mais uma lágrima do rosto de Atena. – Vou estar no seu quarto. Qualquer coisa, grite.

E com isso, ela saiu.

(...)

Poseidon colocou um copo da água na mão de Atena, que estava sentada na cama, as costas recostadas na cabeceira.

Poseidon se sentou à frente dela. Atena estava tão triste, tão vulnerável, encolhida junto a cama, as mãos tremulas segurando o copo da água que o deus tanto insistira que ela bebesse.

Ela levou o copo aos lábios, e foi começar a beber que suas mãos começaram a parar de tremer. Atena pôs o capo na mesinha de cabeceira e fechou os olhos, os braços abraçando as pernas.

Poseidon se aproximou, esticou a mão e acariciou o rosto da deusa. Ela pareceu espantada no início, mas logo depois começou a relaxar.

– Você está bem? – perguntou o deus. A voz saindo mais baixa e preocupada do que ele pensara. A deusa assentiu contra sua mão, abrindo os olhos em seguida.

– Estou bem. Só não sei por onde começar.

– Que tal tentar do início?

– A história pode ficar um pouco longa demais se eu começar por ai.

– Você tem uma resposta para tudo?

– Quase tudo.

Ela suspirou mais uma vez, olhando nos olhos do deus.

– Se lembra do dia em que eu nasci?

O deus arregalou os olhos e arqueou as sobrancelhas. Não esperava que ela fosse voltar tão atrás assim.

– Me lembro como se fosse ontem – respondeu ele.

– Se lembra que levou Anfitrite na festa que foi dada em homenagem ao meu nascimento?

– Sim, me lembro.

– Se lembra do que me disse quando me tirou para dançar?

– Eu... Foram várias coisas, Atena. Lembro-me de ter dito o como você estava linda; que eu seria eternamente grato a você por ter feito Zeus sofrer tanto; que você puxou à Métis, porque só assim para ter encoberto os genes do seu pai.

Atena sorriu. Era verdade, ele havia dito tudo isso à ela quando dançaram.

– Você se esqueceu do mais importante, Poseidon.

– Não. A única coisa, além daquelas, que eu disse foi que Anfitrite era minha esposa, e isso porque você perguntou. Mais nada.

Atena assentiu, olhando para os olhos do deus.

– Eu era louca por você Poseidon. Desde a primeira vez em que te vi.

Poseidon engoliu em seco. A culpa abatendo-lhe.

– Quando você me falou aquilo, você me destruiu por dentro. Eu fiquei tão mal, Poseidon. Tão mal.... Na semana seguinte, no Olimpo, quando eu disse que estava estudando as teses da vida mortal para poder assumir o meu trono no Olimpo e que, por isso, ninguém me veria, era mentira.

“Eu fiquei com Afrodite por todo esse tempo. Estava tão brava com ela, por ela me ter feito ficar completamente apaixonada por um homem casado.”

Poseidon engoliu em seco, quase se matando por dentro de tanta culpa.

– Afrodite custou a me fazer entender que ela não controlava os sentimentos dos deuses, apenas dos mortais.

“Depois disso, eu decidi que iria fazer um voto de castidade. E Afrodite me concedeu a permissão para fazê-lo.”

“Só que, durante o juramento, uma culpa me abateu. Eu percebi que só estava fazendo esse juramento por sua causa, e tomei a decisão de que só o quebraria por sua causa também.”

– A sua clausula de objeção. A que diz que você só pode quebrar o juramento depois de estar casada com um dos três grandes, ou pode ficar com um deles antes de se casar, mas só eles.

– Não, Poseidon. A clausula que diz que eu só posso quebrar o meu voto única e exclusivamente com você. Não importa em que “estado civil” nós estejamos.

A primeira lágrima escorreu pelo rosto de Poseidon, e Atena não tardou em esticar a mão e limpa-la.

– No mês passado, quando Zeus disse que você tinha se separado de Anfitrite, eu nunca senti tanta raiva e felicidade misturadas na minha vida. Eu estava disposta a me vingar de você, ainda que você não soubesse.

– Mas como...

– Zeus não ia te obrigar a casar, Poseidon. Ele fez todo aquele comunicado na frente do concelho olimpiano só para fazer pose de superior em relação a você.

“Se Zeus fosse fazer você se casar com alguém, só poderia ser uma olimpiana, mas, as circunstâncias, isso seria bem difícil. Pense bem. Ártemis é casta. Ela tem uma clausula de objeção, mas Zeus não sabe disso e, de qualquer forma, você não está incluso nela; Hera é casada; Deméter pode se negar a casar com você graças a... Bem, você sabe como criou Órion. Com isso ela tem o direito a negar-se a tê-lo como esposo; Afrodite é casada. Só sobraria a mim, mas eu também sou uma deusa casta. Portanto, você não iria se casar. “

– Mas você tinha a clausula de objeção. Por isso Zeus te obrigou a se casar comigo.

– Zeus não sabia que eu tinha essa clausula, Poseidon.

– Então...?

– Eu contei a ele. Eu pedi ao meu pai para poder me casar com você. Eu sabia que ele não te obrigaria a casar. Sabia que ele não tinha nenhuma opção. Mas Zeus é orgulhoso. Quando eu me coloquei como uma opção em aberto, ele ficou ainda mais feliz, porque poderia te humilhar ainda mais. Por isso ele aceitou minha proposta e te obrigou a casar comigo.

– Esse era o seu plano? Fazer com que eu me sentisse mal por ter de me casar com você?

– Não. Isso não é bem uma punição.

– Então o que você ia, ou vai, fazer?

– Eu não vou fazer mais nada, Poseidon. Eu desisti disso já faz um tempo.

– O que você ia fazer?

– Eu ia fazer você se apaixonar por mim, e depois te faria sofrer. Do mesmo jeito que você fez comigo.

– Me fazer sofrer?

– Sim. O como dependeria das suas atitudes. Se nós nos casássemos e você dissesse, nos votos, que ama, eu simplesmente daria de ombros e ignoraria, diria que não é reciproco. Se nos casássemos tranquilamente e eu percebesse que você estava apaixonado por mim, eu te trairia. Te faria apenas como um “objeto sexual”. Se você se ajoelhasse e me pedisse em casamento “de verdade”, eu simplesmente te diria que não. Seria muito relativo. Eu pensei em várias hipóteses, mas deixei de pensar nelas a algum tempo.

– Quando e por que você decidiu que eu não merecia sofrer?

– Porque quando você se tornou tão carinhoso, eu percebi que você realmente se importava comigo. Aquele dia, no Central Park, quando você me emprestou a sua jaqueta porque não queria que os outro olhassem para o meu corpo... aquilo foi tão gentil da sua parte.

Poseidon negou com a cabeça, segurando a mão de Atena.

– Eu sabia que você estava desconfortável. Aquilo... simplesmente não era você. E, talvez, eu tenha ficado com um pouco de ciúmes.

Atena abriu um singelo sorriso.

– É, nada saiu como o planejado. A intenção era que você reparasse no meu corpo, não que você quisesse cobri-lo. Admito que fique bem decepcionada.

Essa foi a vez de Poseidon abrir um pequeno sorriso.

– Foi por isso que você me beijou? Por causa da sua vingança?

– Não, em nenhuma das vezes.

Poseidon levantou o olhar. Suas esmeraldas verdes e que agora se encontravam confusas, se encontraram com o cinza marejado do de Atena.

– Por que então?

– A primeira vez... Bem, eu estava confusa, e curiosa, e tinha esperado por aquilo por tanto tempo... Eu não sei explicar. A segunda, a que você me emprestou o casaco, foi porque eu não resisti. Você tinha sido tão bom comigo. Me entendido até mesmo quando eu não queria que entendesse.

– E todas as outras vezes? – as lágrimas já tomavam os olhos de ambos os deuses. Os dois já sabiam as respostas, mas cada um tinha seus motivos para ter reações bem diferentes.

– Todas as outras vezes foram pelo mesmo motivo que me fez desistir do meu plano.

– Qual motivo, Atena?

– Eu percebi que te amo, Poseidon. Percebi que sempre amei.

Os dois choraram como nunca haviam chorado antes.

– Me desculpe, Atena – disse Poseidon.

– Mas Poseidon, você não teve...

– Me desculpe...

Ele se levantou e deu beijo casto nos lábios deusa.

– Me desculpe, por favor. É tudo minha culpa.

E, assim, sem mais nem menos, ele foi embora, deixando uma Atena arrasada e mergulhada em lágrimas em sua cama.

Notas finais
Acreditem ou não, eu tirei isso de um sonho.