Brincando Com o Inimigo
37 Capítulo Trinta e Sete.
Notas iniciais
Capítulo 37
Atena, inconsolável, deitada à cama, chorava debruçada sobre o travesseiro.
Quando Afrodite entrou no quarto e viu aquela cena, ficou desnorteada.
Ela tentara ouvir por detrás da porta do quarto dos dois durante a conversa, mas as vozes saim muito abafadas, e ela não conseguira entender quase nada.
Quando os murmúrios cessaram, ela desencostou da porta e ficou a frente do quarto de Atena, bem a tempo de ver Poseidon, arrasado, sair do próprio quarto.
– Poseidon, o que...
– Foi tudo culpa minha... — Ele repetia enquanto se afastava, sem nem mesmo responder à deusa.
Depois disso, Afrodite entendera tudo. Ela entrou no quarto sem nem mesmo bater, encontrando Atena no estado mais lastimável que ela já vira.
– Oh, querida... — Afrodite suspirou, rumando os passos na direção de Atena.
Ela se sentou na cama ao lado de Atena, acariciando os cachos esparramados pelo colchão.
– Por que vocês fizeram isso comigo, Afrodite?
– Atena, você já está cansada de saber que eu não controlo...
– Não. Não estou falando disso. — Atena levantou a cabeça do travesseiro, o rosto vermelho como nunca antes. — Como vocês dois tiveram a coragem de me trair?
Afrodite olhou nos olhos molhados da irmã, sentindo os seus marejarem também. Muito embora, os seus fossem de felicidade.
– Como você teve coragem de me trair? — perguntou Atena novamente. — Você sempre me ajudou, Dite. Sempre quis que nós dois ficássemos juntos, e agora faz uma coisa dessas comigo?
– Atena, você acha, realmente, que Poseidon e eu te traímos?
– Eu vi, Dite!
– Atena, você tanto sabe que eu não teria coragem de fazer isso, que nem está brava comigo. Você só quer que eu te dê uma explicação plausível para poder correr para os braços de Poseidon.
Atena abril um sorriso triste, mirando o olhar para o lençol.
– Sei que vocês não fizeram nada, mas diante da cena que rodeia a minha mente... Como posso ter certeza, Dite?
– Atena, eu te juro pelo Rio Estige que eu e Poseidon nunca fizemos NADA de impuro.
– Bem, não importa. Ele não vai voltar.
– Como assim?
– Afrodite, eu contei toda a verdade. Eu contei que durante anos o único objetivo da minha vida foi acabar com a vida dele. Você realmente acha que ele vai voltar?
– Do jeito que ele é louco por você? Não só acho como tenho certeza.
Atena levantou o olhar para o rosto de Afrodite. Os olhos procurando no rosto da outra qualquer sinal de que ela mentisse.
Não encontrou.
– Como pode ter tanta certeza?
Afrodite deu risinho e escondeu o rosto com o cabelo.
– Ele, por acaso, nunca te falou o que tem na ultima porta do corredor, né?
– Não. Mas vi vocês dois saindo de lá a umas semanas atrás.
– É claro que ele não te mostrou nada. — Afrodite se levantou e estendeu a mão para Atena. — Venha.
Atena limpou as lágrimas que manchavam sua face e se levantou.
As duas rumaram pelo corredor e quando chegaram à porta, Afrodite puxou uma chave do bolço traseiro da calça e destrancou a porta.
Afrodite suspirou e girou a maçaneta, abrindo a porta e revelando o quarto.
***
A primeira coisa que Atena viu foi o piano preto de cauda longa.
Papeis amaçados estavam jogados em torno do piano. Alguns com várias coisas escritas, outros com duas ou três palavras, e alguns só tinham rabiscos ou mesmo estavam em branco.
Uma prateleira com diversas pastas estava disposta na parede atrás do piano, mas as demais paredes estavam encobertas de desenhos.
Os desenhos, Atena se surpreendeu, eram todos dela.
Seu rosto fora desenhado de diferentes formas e ângulos e, sobre a escrivaninha que tinha vista para o jardim, um desenho dela de corpo todo se encontrava. O desenho mais bonito que ela já vira.
Atena se surpreendeu e corou ao ver que, nesse desenho, ela estava nua.
Afrodite parou ao lado dela e olhou para o desenho.
– É... Esses ficam separados nas gavetas. Poseidon os deixava expostos nas paredes também, mas depois de Anfitrite... De todo modo, eu nunca tinha visto um tão bonito quanto este...
Afrodite pegou o desenho nas mãos, como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, e o examinou.
– Sim... Ele nunca fez um que ficasse tão parecido. Deve ser a convivência. Ou a imaginação.
– O-oque aconteceu com Anfitrite?
– Ah, depois que ela conseguiu invadir isso aqui e viu os desenhos... Bem, ela sempre suspeitou Na verdade, ela tinha praticamente certeza, mas assim que viu isso aqui foi a confirmação, obvio.
"Ela ficou tão brava, e começou a falar tanta bobagem... Foi muito difícil segurar o riso. Enfim, depois disso ela saiu e basicamente destruiu o interior do castelo. Ela quebrou quase tudo. Poseidon mandou reformar o palácio por causa dela."
Vendo a expressão chocada de Atena, Afrodite deu de ombros.
– Poseidon e Apolo são melhores amigos. Apolo ensinou Poseidon a desenhar e tocar antes mesmo de você nascer.
– Aquelas pastas. São mais desenhos?
– Ah, não. Aqueles papeis são musicas.
– Musicas?
– É. As que ele compôs para você.
Atena, tremula, se dirigiu até ali.
Ela pegou a mais nova das pastas e a folheou, olhando as letras. Ela achou várias musicas belíssimas ali.
Atena pegou a ultima letra que estava disposta ali e, mais uma vez naquela noite, se surpreendeu ao encontrar a musica que ouvira na biblioteca na noite em que Poseidon sumira.
Atena olhou mais uma vez a sala ao seu redor, até que, sorrindo, ela olhou para Afrodite.
– É melhor que ele vá esse casamento amanhã. Do contrário, terei um grande trabalho para acha-lo.
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