Brincando Com o Inimigo
3 Capítulo Três.
Notas iniciais
Todos os olimpianos se encontravam na sala dos tronos e, ainda mais que no dia anterior, estavam ansiosos para saber quem tomaria o posto de "A Nova Rainha das Águas”.
Athena agradecia mentalmente a Apolo e Dionisio — pela centésima vez no dia — por terem obrigado todos os olimpianos a fazerem aquelas aulas de teatro ridículas. Caso contrário, não conseguiria se passar por curiosa.
Alguns deuses discutiam alguma coisa, quando ela ouviu Ártemis dizer, ou melhor, gritar:
— Que horror Afrodite! Ainda bem que não serei eu a me casar! E Apolo, tire já os olhos daí!
Athena não pode deixar de rir da situação. Ártemis estava em sua forma adulta, aparentando ter entre dezenove e vinte e dois anos. A deusa da lua odiava essa forma pelo modo que atraia os olhares masculinos, principalmente os de Apolo, mas ela não tinha escolha, já que, do contrário, ninguém a levaria a sério nos Concelhos.
A deusa dos olhos de tempestade passou um tempo andando a esmo pela sala, ouvindo trechos de conversas — algumas até mesmo maliciosas -, embora se frustrasse com o como todas elas fossem sobre o mesmo assunto. Após algum tempo, Afrodite a abordou:
— Atheninha! – disse ela, praticamente pulando em cima da outra deusa para um “abraço”.
— Oi, o que você quer, Dite?
— Ser a nova rainha das águas – respondeu, fazendo com que a loira rolasse os olhos e se surpreendesse por não algo do tipo “Nossa, que educação! Eu só queria conversar com você! E olha como você me reponde!”
— Dite, você já é casada!
— Infelizmente... – disse a deusa do amor, abaixando a cabeça.
— Pelos deuses, Afrodite! Além de ser casada, você também tem Ares! Ainda quer mais?! – perguntou incrédula.
— Atheninha, querida, títulos NUNCA são de mais.
— Você se casaria com Poseidon só pelos títulos?! – perguntou Athena, apesar de saber que a outra apenas queria a irritar, mas quase pulando no pescoço dela.
— Bom, por isso e por umas coisinhas a mais... – disse Afrodite em tom malicioso.
— Credo Afrodite! – revirando os olhos, Athena foi embora, deixando aquela maluca pervertida para traz.
Ela mal havia começado a andar quando sentiu alguém a cutucar no ombro.
— Olha só se não é a minha sobrinha mais chata e cabeça dura! – disse Poseidon em tom de falsas-amizades.
— E olha se não é o acéfalo do meu tio mais odiado! – respondeu Athena no mesmo tom.
— Olhe como fala cara sobrinha, eu sou um dos três grandes, posso te colocar no Tártaro com um estralar de dedos. — ele falou, embora ainda estivesse com a voz calma.
— Só é uma pena que você não tenha capacidade mental pra isso. Você é tão limitado que não tem capacidade para amarrar o cadarço de um tênis!
— Quem disse que eu não sei amarrar o cadarço do meu tênis?
— O fato de você estar sempre de sandálias, talvez.
— Você me respeite garota! – disse ele, começando a aparentar irritação.
— Se quer respeito – disse ela, calma — faça por merecer! – falou, já com um tom gélido e grosso.
Poseidon a estudou com os olhos por um momento, se virou, e foi embora.
Realmente, pensou ela, ele adora saídas dramáticas
***
— Eu Zeus, deus dos deuses, dou início ao Concelho Olimpiano de número 393 764 528 – iniciou Zeus – hoje daremos continuação ao Concelho anterior, onde declararei quem será a noiva de meu irmão, Poseidon.
— Hora Zeus, largue de baboseira e vá direto ao ponto! – Poseidon o interrompeu – Com quem eu irei me casar, afinal?!
— Com Atena – respondeu simplesmente o Deus dos deuses, fazendo com que Poseidon (e mais a metade dos deuses) ficassem de queixo caído.
A deusa da sabedoria, por sua vez, fez sua melhor cara de surpresa. Poseidon se virou para ela com uma expressão mista de surpresa e desentendimento, enquanto o resto da sala a olhava incrédula.
— Mas... Atena é uma deusa casta! Ela não pode se casar! – falou Poseidon, levantando do seu trono.
— Um voto de castidade pode ter uma cláusula de objeção. – disse Zeus, calmamente – E Atena usufruiu de uma. A objeção dela diz que o voto só poderá ser quebrado se ela se casar com um dos três grandes. E, eu acho que devido às circunstancias, você é o mais indicado para isso.
— Mas como você descobriu que eu fiz essa clausula de objeção?! – Athena indagou, conseguindo ler o olhar de "que dissimulada" que seu pai lhe lançou.
Afrodite levantou do seu trono, querendo abrir a boca para falar algo, mas Athena foi mais rápida.
— Afrodite, Não ouse falar nada, a não ser que queira ter as suas roupas de grife rasgadas uma a uma! – falou a deusa da sabedoria, fazendo sua irmã fechar a boca e se sentar, cruzando as pernas em seguida.
— Minha filha, — Zeus se virou para a deusa de cachos loiros – eu sou o deus dos deuses, sei de tudo.
— Quem roubou o Raio Mestre...? – todos na sala falaram em uníssono. Fazendo Poseidon abrir um sorriso.
— Talvez eu saiba de quase tudo – ele se corrigiu.
Athena sentou, suspirando e passando a mão pelo cabelo, em um gesto (que, pelo menos, ela pretendia) demonstrar indignação.
— Neste caso, Atena – disse Poseidon se virando para ela, e falando com certa calma, o que a surpreendeu – te buscarei amanhã pela manhã. Esteja pronta. – e desapareceu em uma fumaça verde, deixando um cheiro de Maresia pairando no ar.
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