Notas iniciais
Eu: Tenho que parar de ouvir musica italiana... Também eu: Não.

Todos os olimpianos se encontravam na sala dos tronos e, ainda mais que no dia anterior, estavam ansiosos para saber quem tomaria o posto de "A Nova Rainha das Águas”.

Athena agradecia mentalmente a Apolo e Dionisio — pela centésima vez no dia — por terem obrigado todos os olimpianos a fazerem aquelas aulas de teatro ridículas. Caso contrário, não conseguiria se passar por curiosa.

Alguns deuses discutiam alguma coisa, quando ela ouviu Ártemis dizer, ou melhor, gritar:

— Que horror Afrodite! Ainda bem que não serei eu a me casar! E Apolo, tire já os olhos daí!

Athena não pode deixar de rir da situação. Ártemis estava em sua forma adulta, aparentando ter entre dezenove e vinte e dois anos. A deusa da lua odiava essa forma pelo modo que atraia os olhares masculinos, principalmente os de Apolo, mas ela não tinha escolha, já que, do contrário, ninguém a levaria a sério nos Concelhos.

A deusa dos olhos de tempestade passou um tempo andando a esmo pela sala, ouvindo trechos de conversas — algumas até mesmo maliciosas -, embora se frustrasse com o como todas elas fossem sobre o mesmo assunto. Após algum tempo, Afrodite a abordou:

— Atheninha! – disse ela, praticamente pulando em cima da outra deusa para um “abraço”.

— Oi, o que você quer, Dite?

— Ser a nova rainha das águas – respondeu, fazendo com que a loira rolasse os olhos e se surpreendesse por não algo do tipo “Nossa, que educação! Eu só queria conversar com você! E olha como você me reponde!”

— Dite, você já é casada!

— Infelizmente... – disse a deusa do amor, abaixando a cabeça.

— Pelos deuses, Afrodite! Além de ser casada, você também tem Ares! Ainda quer mais?! – perguntou incrédula.

— Atheninha, querida, títulos NUNCA são de mais.

— Você se casaria com Poseidon só pelos títulos?! – perguntou Athena, apesar de saber que a outra apenas queria a irritar, mas quase pulando no pescoço dela.

— Bom, por isso e por umas coisinhas a mais... – disse Afrodite em tom malicioso.

— Credo Afrodite! – revirando os olhos, Athena foi embora, deixando aquela maluca pervertida para traz.

Ela mal havia começado a andar quando sentiu alguém a cutucar no ombro.

— Olha só se não é a minha sobrinha mais chata e cabeça dura! – disse Poseidon em tom de falsas-amizades.

— E olha se não é o acéfalo do meu tio mais odiado! – respondeu Athena no mesmo tom.

— Olhe como fala cara sobrinha, eu sou um dos três grandes, posso te colocar no Tártaro com um estralar de dedos. — ele falou, embora ainda estivesse com a voz calma.

— Só é uma pena que você não tenha capacidade mental pra isso. Você é tão limitado que não tem capacidade para amarrar o cadarço de um tênis!

— Quem disse que eu não sei amarrar o cadarço do meu tênis?

— O fato de você estar sempre de sandálias, talvez.

— Você me respeite garota! – disse ele, começando a aparentar irritação.

— Se quer respeito – disse ela, calma — faça por merecer! – falou, já com um tom gélido e grosso.

Poseidon a estudou com os olhos por um momento, se virou, e foi embora.

Realmente, pensou ela, ele adora saídas dramáticas

***

— Eu Zeus, deus dos deuses, dou início ao Concelho Olimpiano de número 393 764 528 – iniciou Zeus – hoje daremos continuação ao Concelho anterior, onde declararei quem será a noiva de meu irmão, Poseidon.

— Hora Zeus, largue de baboseira e vá direto ao ponto! – Poseidon o interrompeu – Com quem eu irei me casar, afinal?!

— Com Atena – respondeu simplesmente o Deus dos deuses, fazendo com que Poseidon (e mais a metade dos deuses) ficassem de queixo caído.

A deusa da sabedoria, por sua vez, fez sua melhor cara de surpresa. Poseidon se virou para ela com uma expressão mista de surpresa e desentendimento, enquanto o resto da sala a olhava incrédula.

— Mas... Atena é uma deusa casta! Ela não pode se casar! – falou Poseidon, levantando do seu trono.

— Um voto de castidade pode ter uma cláusula de objeção. – disse Zeus, calmamente – E Atena usufruiu de uma. A objeção dela diz que o voto só poderá ser quebrado se ela se casar com um dos três grandes. E, eu acho que devido às circunstancias, você é o mais indicado para isso.

— Mas como você descobriu que eu fiz essa clausula de objeção?! – Athena indagou, conseguindo ler o olhar de "que dissimulada" que seu pai lhe lançou.

Afrodite levantou do seu trono, querendo abrir a boca para falar algo, mas Athena foi mais rápida.

— Afrodite, Não ouse falar nada, a não ser que queira ter as suas roupas de grife rasgadas uma a uma! – falou a deusa da sabedoria, fazendo sua irmã fechar a boca e se sentar, cruzando as pernas em seguida.

— Minha filha, — Zeus se virou para a deusa de cachos loiros – eu sou o deus dos deuses, sei de tudo.

— Quem roubou o Raio Mestre...? – todos na sala falaram em uníssono. Fazendo Poseidon abrir um sorriso.

— Talvez eu saiba de quase tudo – ele se corrigiu.

Athena sentou, suspirando e passando a mão pelo cabelo, em um gesto (que, pelo menos, ela pretendia) demonstrar indignação.

— Neste caso, Atena – disse Poseidon se virando para ela, e falando com certa calma, o que a surpreendeu – te buscarei amanhã pela manhã. Esteja pronta. – e desapareceu em uma fumaça verde, deixando um cheiro de Maresia pairando no ar.

Notas finais
*Revisado: 06/06/2020