Brincando Com o Inimigo
4 Capítulo Quatro.
Notas iniciais
Enquanto Athena ia para o próprio quarto, arrumava suas coisas e tomava banho, a única coisa que circundava os seus pensamentos era:
Por que Hades eu havia pedido isso pro meu pai mesmo?!
Depois de tomar um longo banho quente de banheira para se acalmar e colocar seu pijaminha favorito, foi, enfim, deitar-se.
“Amanhã vou acordar as 8:00, tomar banho, e já ficar pronta. Ele deve chegar por volta das 9 ou 10 horas, o que me dará tempo o suficiente para que eu termine o meu livro” pensou ela, com um sorriso nos lábios.
***
O soar de batidas na porta despertou a deusa da sabedoria de sobressalto. Ao olhar para o lado, viu que não passava das sete e meia da manhã.
— Pelos deuses! — levantou, murmurando — Só falta Hera ter arrumado um pavão novo para substituir o primeiro! Sim, foi sem intenção que eu o matei quando joguei-o na cabeça de Poseidon, mas foi merecido. Aquele pavão idiota me acordava todos os dias as quatro da madrugada!
” Que lindo, você está falando sozinha de novo”, falou a consciência da deusa.
A, cale a boca, respondeu a si mesma.
Ela se levantou, pegou uma raquete de tênis no armário e foi abrir a porta. Sendo um pavão ou não, merecia morrer por ter acordado qualquer ser aquela hora.
Porem, ao abrir a porta e constatar que quem estava do outro lado não era realmente um pavão, e muito menos ninguém que realmente pudesse morrer, percebeu o como estava equivocada. Afinal, o pavão não iria de fato bater em sua porta para acordá-la.
A deusa decidiu culpar o fato de ter acabado de acordar pela precipitação de pensamentos.
— Pensei ter dito “esteja pronta” – falou Poseidon.
— É, mas você só falou que me buscaria de manhã, não falou que horas viria. – falou, saindo da frente da porta e fazendo sinal com a mão para que ele entrasse.
— E como você não sabia a que horas eu viria, decidiu aproveitar o tempo ocioso para treinar suas habilidades esportivas? – perguntou ele, em tom divertido.
— Pelo raio roubado, você é tão besta — murmurou ela, ao que ele não deve ter escutado, pois continuou:
— Enfim, se você quiser, talvez eu possa te ajudar. Eu costumava jogar frescobol na praia, e parece ser meio parecido.
Athena parou de tentar fechar sua mala e, séria, voltou-se para o deus dos mares:
— Não faça isso.
— Fazer o que? — perguntou ele, com um franzir de sobrancelhas.
— Não tente ser legal comigo só porque seremos obrigados a nos casar. Não faça isso. Somos inimigos.
— Legal com você?! — indagou o deus, com um sorriso irônico nos lábios — Eu só quero te destruir em tudo que puder: frescobol, tênis, o que for.
Athena assentiu, séria, e se voltou novamente para a mala.
— Você é impossível — disse ela — mas é melhor assim.
Ao dar às costas para os olhos verdes do deus e entrar no banheiro, contudo, não percebeu a expressão cabisbaixa que ele lhe lançou.
(...)
A deusa fechou a porta do banheiro atrás de si. Dentro de uma calça jeans azul escura, uma blusa de seda branca e com os cachos loiros presos em um rabo de cavalo, sentia-se revigorada e disposta.
— Finalmente! – disse Poseidon – Quem demora tanto para tomar um banho?!
— De todas as pessoas, logo você vem reclamar da conta de água?!
— A questão não é a conta de água, e sim os minutos da minha vida que foram desperdiçados nesse meio tempo!
— Poseidon, não seja dramático!
— Não estou fazendo drama! É só que eu realmente quase dormi aqui!
— É uma pena que você não tenha dormido. Quem sabe assim você calaria a boca e pararia de me encher.
— Tem um jeito melhor de calar a minha boca. – ele murmurou, ao que ela ignorou solenemente.
Logo depois, ele apenas segurou em seu ombro e os teleportou para Atlântida
(...)
— Vem, vou te mostrar o seu quarto – disse Poseidon, tirando a deusa da sabedoria de seu transe sobre o palácio encantador.
Há anos a deusa não ia àquele lugar, e quase se esquecera do quanto é lindo.
Poseidon a guiou escada acima, até que chegaram em um corredor bem iluminado, onde só havia três portas, uma no final, e duas uma de frente à outra.
— A porta da direita é o meu quarto, e o da esquerda é o seu – explicou Poseidon – qualquer coisa é só me chamar.
— Poseidon – chamou a deusa, virando-se para ele.
— Athena, eu sei que sou irresistível, mas já? – falou ele, sarcástico, extraindo da loira um breve revirar de olhos.
— Não seja bobo. Eu só ia perguntar o que tem na última porta.
— Nada.
— Você quer mesmo que eu acredite, que na última porta, do principal corredor do palácio, tem um cômodo vazio?! Porque se você realmente acha isso, você é ainda mais burro do que eu pensava.
— Athena, já parou para pensar que algumas coisas simplesmente não são da sua conta.
Deixando apenas um breve suspiro para trás, Poseidon virou as costas e foi embora.
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