Athena acordou com alguém balançando seu ombro. Seja quem fosse, levou uma travesseirada.

— PALAS ATHENA! COMO VOCÊ OUSA JOGAR UM TRAVESSEIRO NA MINHA CARA?! – gritou um Poseidon indignado.

— A culpa é sua de me acordar cedo por dois dias seguidos – resmungou a deusa, com a voz abafada pelo travesseiro. – Agora saia daqui e me deixe dormir.

— E por que eu faria isso?!

— Porque eu estou com dor de cabeça, e porque se você não fizer isso eu vou ter que levantar e te tirar daqui a ponta pés.

— Já era de se esperar que você estivesse com dor de cabeça. – ele resmungou.

— Posso saber o porquê?

— Depois de tanta tequila... Estranho seria se você acordasse dançando.

— Eu não me lembro disso... – falou a deusa, pensativa, embora só conseguisse fazer com que sua cabeça doesse mais.

— Você não se lembra? Nem da nossa noite juntos?

— Que noite junt... – a deusa levantou da cama e começou a gritar, quando viu Poseidon a altas gargalhadas. – Você estava tirando uma com a minha cara, não estava?

— Com certeza!

Ela revirou os olhos e dei um tapa no ombro dele, mas o deus não pareceu se importar, pois continuou a rir.

Odeio o fato de ele ser fisicamente mais forte do que eu...!

A deusa foi até a mala mais próxima e pegou a primeira roupa que viu antes de ir em direção ao banheiro.

(...)

Depois de um banho morno de chuveiro, Athena foi tomar café da manhã. Todavia, para sua infelicidade, Poseidon havia acabado de chegar.

Ele estava sentado à ponta da mesa, e ela tomou o lugar a sua esquerda, uma vez que havia um prato posto ali.

Depois de um tempo comendo em silêncio e pensando, Athena finalmente chegou à conclusão de que não haveria outra forma. Ela teria de perguntar a Poseidon o que acontecera na noite passada.

— Poseidon – falou, virando-se.

— Uhm?

— Falando sério, o que aconteceu ontem à noite? Eu realmente não me lembro de nada.

— Nós ficamos lá fora conversando sobre coisas banais, quando começamos a discutir sobre a Teoria da Deriva Continental que os mortais tanto adoram, depois eu abri uma garrafa de vinho.

— Uhum – murmurei incentivando-o a continuar.

— Então, quando você terminou a sua terceira taça, — ele abriu um pequeno sorriso, como se a lembrança o divertisse – você levantou, disse que se os mortais acham possível que seus ancestrais tivessem atravessado o oceano em barquinho, então a deusa da sabedoria poderia andar sobre a água da fonte, mas acabou caindo lá dentro.

— Merda... Eu não acredito em uma coisa dessas – falou, abaixando a cabeça e procurando um buraco para se enfiar. — Pera, mas eu consigo fazer isso. Já fiz várias vezes.

— Já fez porque eu sempre deixei, na verdade. De qualquer forma, n deve ter conseguido por conta do seu estado de embriaguez — respondeu ele. — A, e não acaba por ai não.

— Ainda tem mais?

— Sim. Quando você caiu na fonte, eu, como o cavalheiro que sou, te ajudei a sair. Quando você já estava fora da fonte você falou “os pássaros tem inveja do como eu voou!” pulou, caiu e bateu a cabeça no chão. Acho que o quase afogamento piorou o seu estado.

Cadê aquele buraco quando se precisa dele?

— Depois disso você desmaiou, não sei se pela queda ou pelo vinho – acrescentou o deus dos mares, rindo e fazendo sinal de aspas no ar, embora ela não entendesse o porquê -, eu te carreguei até o seu quarto, te coloquei na cama, e pus uma bolsa de gelo na sua cabeça. – ele finalizou dando de ombros, embora Athena tivesse certeza que seu rosto estaria escarlate de vergonha.

— Meus deuses... – ela encarou o teto – Que. Vergonha.

Poseidon abriu um sorriso enorme antes de falar:

— Você não é de beber muito, não é?

— Na verdade não, eu raramente tomo uma taça de vinho, e quando o faço já começo a ficar tonta.

— Imaginei, você estava completamente bêbada.

— Obrigada por comentar o óbvio.

— Athena – chamou Poseidon.

— O que foi?

— As beterrabas estão com inveja da cor do seu rosto. – ele disse, sorrindo bobamente.

— Eu sei, Poseidon, eu sei.

Graças ao deus do silêncio — seja ele quem fosse -, Poseidon calou a boca. Se Athena ouvisse aquele ser insuportável falar mais alguma besteira, seria capais de descobrir um jeito de reverter a imortalidade dele só para poder esganá-lo, para que ele morresse sofrendo em suas mãos e...

— Athena.

Já estava demorando...

— O que foi agora?

— Não, é que seu suco está com medo da cara de psicopata com que você está o encarando, ainda mais porque você acabou de entortar a sua colher.

Quando ele falou isso, ela olhei para sua mão, e de fato a colher que segurava estava entortada...

— Copo, ignore-me – falou, voltando a comer.

A deusa continuou comendo calmamente, mesmo ciente do olhar de Poseidon sobre si. Bem, até que sua paciência chegou ao limite.

— Poseidon, por que Hades você está me encarando? – perguntou.

— Porque eu já terminei de comer, e você não. – ele respondeu, dando de ombros.

— E... ?

— Pensei que você já soubesse que não se deve sair da mesa quando ainda há outra pessoa comendo. Não venha me dizer que não sabia. Hera sempre pega no pé de todo mundo com essas coisas de etiqueta.

— Você poderia pedir licença, assim sairia da mesa.

— Eu não estou com pressa – ele falou, dando de ombros.

— Mas você não precisa ficar me encarando!

— Não estou te encarando, estou te olhando.

— Você não está melhorando a sua situação. – avisou, já ficando estressada, bom, mais do que o costume...

— Vai dizer que eu não posso olhar para minha noiva?!

— Não quando a sua noiva sou eu! – disse ela, levantando bruscamente.

— Atena, não seja tímida, nós logo iremos quebrar o seu juramento, não é mesmo? – ele falou, levantando e segurando delicadamente o braço esquerdo dela com uma das mãos.

— Mas é claro, — disse a deusa, com uma voz doce, fazendo-o sorrir – QUE NÃO, SEU IDIOTA!

Athena saiu da sala rapidamente, deixando um Poseidon confuso para trás.

***

Athena corria pelo palácio pensando em um lugar onde pudesse ficar sozinha, mas nada lhe vinha à mente...

A árvore, pensou.

Virando por alguns corredores, antes que percebesse já estava adentrando o jardim. Fechou a porta rapidamente e foi para sob a árvore que vira na noite anterior.

Uma vez lá em baixo, tirou o Ipod e um fone de ouvido do bolso, e se perdeu no ritmo de suas músicas.

Notas finais
Eu DETESTO esse capítulo. Sério mesmo. Eu é que preciso daquele buraco. *Revisado 07/06/2020 (e continuo não gostando do capítulo)