Notas iniciais
Esse é o ponto de vista do Poseidon no cap anterior.

Capítulo 12:



POV: Poseidon

Quando aquelas longas e torturantes horas no shopping com Atena acabaram — uma vez que ela nunca deixava que eu vice as roupas que ela experimentava -, e de colocarmos tudo dentro do porta-malas do carro alugado, eu esperava que Atena ao menos conversasse comigo, não que ela ficasse me ignorando enquanto olhava por aquela janela ridícula.

– Atena, você está muito quieta – falei na vão tentativa de chamar a atenção da deusa.

– Talvez seja por que eu não tenho nada para conversar com você – respondeu ela, a voz fria, e cheia de amargura.

– Não seja chata! Converse comigo.

– Não, obrigada. A janela está mais interessante.

Parei o carro no semáforo, aliviado por ter um motivo para fazê-lo, pois não estava a fim de bater aquele conversível vermelho.

De repente, uma ideia surgiu em minha cabeça.

Passei minha mão sobre a perna de Atena, a pousando sobre sua coxa. Eu havia feito aquilo apenas para irrita-la, mas quando senti a textura macia da pele dela contra a minha, pensamentos nada puros vieram a minha mente, fazendo com que eu umedecesse os lábios, e logo depois tive de morde-los para que a dor fizesse com que os meus pensamentos voltassem para o seu devido lugar.

– Poseidon! Tire agora a mão da minha perna! – falou Atena, que praticamente berrava.

O semáforo abriu, e eu dei partida no carro.

– A janela continua mais interessante do que eu? – perguntei, com o tom e o sorriso mais malicioso que consegui fazer, apenas para irrita-la.

– Poseidon. Tire a mão da minha perna. Agora.

– E se eu não tirar? O que você vai fazer? – perguntei.

– Isso.

Ela abriu a porta do carro e pulou, caindo na calçada.

Maluca!

Não fiquei parado para ver o que estava acontecendo, segui com o carro procurando freneticamente por uma vaga para estacionar. Não achando nenhuma, acabei parando na frente de um hidrante, afinal a multa não seria um problema.

Sai do carro, e logo vi Atena correndo por entre as ruas, embora ela não estivesse muito rápida, provavelmente por causa do salto, eu não faço ideia de como uma mulher conseguisse andar naquilo, que dirá correr. Deixando os meus pensamentos de lado, fui atrás dela.

Atena tinha se recostado em um muro, e havia terminado de tirar o segundo sapato quando eu a chamei.

– Atena!

Ela se virou para mim, abriu um pequeno sorriso ameaçador, e jogou um dos sapatos na minha barriga, gritei de raiva, apenas a tempo de vê-la correndo novamente, desta vez, muito mais rápido.

Eu gritava o nome de Atena, mas ou ela não estava me ouvindo, ou estava me ignorando. Provavelmente a segunda opção.

Ela atravessou uma rua, deslizando sobre o capô de um carro.

Atravessei a rua, adentrando o Central Park.

Atena acelerou o passo. Eu a perdi de vista quando ela entrou em uma área cheia de árvores.

Segui naquela direção, quando senti uma dor latejante na minha cabeça. Logo que me virei, vi o sapato de Atena caído no chão, e ela correndo na direção contraria a que eu vinha.

Percebendo o que tinha acontecido, fui atrás dela.

Ao invés de segui-la em linha reta, decidi usar a mesma arma que ela. Virei, indo pela direita, ao seu lado. Quando ela olhou para trás, provavelmente a minha procura, me joguei sobre ela, empurrando sua cintura com o braço.

Caímos no chão, e mesmo não havendo necessidade, continuei com o braço envolto em sua cintura. Atena não reparara, mas sua blusa havia subido com a queda, a sua pele era tão macia e convidativa, que eu não resisti a continua-la tocando.

Olho para o lado, e encontro olhar de Atena sobre mim. Seus lábios entreabertos, e seus olhos penetrantes me fitando. Naquele momento, senti uma incrível vontade de beija-la, quando de repente, ela começou a rir, comecei a rir também, e em pouco tempo, nós já gargalhávamos.

– Você é rápida! – consegui falar em meio às gargalhadas. – E que mira é aquela? Sem contar na força do braço.

– É de tanto jogar tênis – ela disse dando de ombros, embora ainda risse.

– Então você admiti que esteve jogando tênis no quarto? – brinquei, fazendo com que ela risse, sorri por isso.

Eu me levantei e estendi a mão para ajuda-la.

Ela aceitou a minha ajuda, e quando sua mão se encontrou com a minha, um calafrio percorreu por meu corpo novamente. Eu a ergui do chão, porem quando fiz, usei tamanha força, que a aproximei. Aproximei demais, as nossas respirações se condensavam, os rostos a centímetros de distancia.

Soltei a mão de Atena, eu pretendia me afastar dela, mas meu corpo não obedecia aos comandos do cérebro. O olhar fixo de Atena estava sobre mim, como se esperasse para ver o que eu faria em seguida.

Cheguei mais perto, colocando a minha mão esquerda na cintura dela. À direita indo para o seu rosto. Toquei a pele macia de sua bochecha com a ponta dos dedos, logo depois abrindo a mão, tocando meus dedos em seu cabelo macio.

Atena colocou a mão direita sobre o meu peito. A esse ponto, o meu coração já estava acelerado.

Atena subia a sua mão do meu peito para o meu pescoço, muito devagar, de uma maneira suave, quase como uma caricia. Sua mão me causava arrepios por onde passava. Senti o braço de Atena puxar o meu pescoço para baixo, selando nossos lábios.

Fiquei momentaneamente surpreso, mas rapidamente me esqueci disso, me concentrando em Atena. Passei o meu braço completamente em torno de sua cintura, a abraçando e colando os nossos corpos.

Ela passou as duas mãos para a minha nuca, me puxando para ainda mais perto, seus dedos acariciavam o meu cabelo.

Aumentei o aperto da mão que estava no rosto dela. Pois não queria correr o risco de que ela se afastasse, não agora que eu estava prestes a aprofundar o beijo.

Pedi passagem com a língua, e ela concedeu rapidamente. Minha língua explorava a sua boca com voracidade e desejo, e a dela explorava a minha com timidez. Com a timidez de quem dava o seu primeiro beijo.

Ela me puxou para mais perto, deixando inexistente qualquer espaço que pudesse existir entre nós.

Separamos-nos ofegantes, um único pensamento rondando em minha mente: Atena me beijou.

Os nossos corpos continuavam colados, assim como as nossas testas.

Eu fitava o rosto de Atena, os seus olhos fechados, os seus lábios inchados e entreabertos, o rosto angelical e lindamente corado. Olhei para tudo aquilo, tentando memorizar cada detalhe.

Ela abriu os olhos devagar, o azul completamente encoberto pelo cinza.

– Me desculpe, eu não... – comecei, mas fui interrompido.

– O meu sapato. – disse ela.

– O que? – perguntei confuso. Nós acabamos de nos beijar, e ela está falando da porcaria de um sapato?

Ela se soltou rapidamente de mim. O meu corpo rapidamente sentindo falta do calor do dela.

– Eu joguei meus sapatos em você! E agora?! Como eu vou voltar para o carro?! Aliás, onde está o carro? – disse ela, a minha raiva aumentando a cada momento.

– Ah! Você não pareceu preocupada com os seus sapatos quando pulou de um carro em movimento, e saiu correndo pela cidade de Nova York descalça jogando sapatos em mim! – falei, eu não podia acreditar que ela me beijara, e depois começava a discutir por causa de um sapato!

– Pelo menos eu não saio por ai beijando todo mundo que vejo pela frente! – disse ela, o que me irritou completamente, afinal, ela havia puxado o meu pescoço para me beijar.

– Ah! Então é agora que você me chama de troglodita aproveitador, por eu ter te beijado, e depois você vai embora toda nervosinha?! – falei, deixando que ela acreditasse que eu a havia beijado primeiro, e não o contrario.

– Não!

– Ah não?! Por que tirando a parte do beijo, é sempre isso o que você faz!

– E é agora que você diz que eu sou a chata-da-sua-sobrinha-virgem-puritana-sabe-tudo-do-Olimpo, convoca o seu tridente, diz que é um dos Três Grandes e eu tenho que te respeitar, ou então você me joga no Tártaro?! – ela disse as palavras amargas me atingindo como facadas.

– Não! – respondi.

– Não? Então qual é?

– Essa é a parte em que te dou a chave do carro, falo que ele está estacionado perto de onde você pulou, e entrego também a chave do apartamento, e vou à locadora alugar a porra de um filme! E quando eu chegar ao apartamento é bom que você já esteja lá! – dizendo isso, dei as chaves do carro e do apartamento para ela, que me olhou incrédula, me virei, e fui embora, deixando uma Atena confusa para trás.

Notas finais
Eu sei que demorei, mas eu ando muito ocupada, e a criatividade e eu estamos em uma disputa de gato e rato. Mas, mesmo que eu demore, eu quero deixar bem claro: eu posso demorar, mas eu JAMAIS abandonaria a fic.