Notas iniciais
E voltamos ao ritmo normal.

Não foi difícil encontrar o carro, ele estava estacionado na frente de um hidrante, o que quase me levou a loucura. Porém o que me preocupava não era a localização do carro, e sim encontrar o apartamento.

Me recostei no acento do motorista, suspirando irritada. Como eu iria saber onde é o maldito apartamento?!

Não sabendo ao certo o porquê, comecei a remexer o porta luvas. Óculos de sol, CDs, papel de Trident (irônico), sacolas plásticas... Cada louco com sua mania, pensei sorrindo. Até que achei um papelzinho com números escritos.

– Achei!

Sorrindo, fui para o apartamento, tentando evitar os pensamentos que chegavam rapidamente, congestionando a minha mente. As mãos de Poseidon me tocando gentilmente, nossos corpos colados, os batimentos acelerados do seu coração.

Parei o carro bruscamente, em um semáforo que eu nem vira, quase colidindo com o veículo da frente.

Isso não pode estar acontecendo! Pensei, as lágrimas quase brotando de meus olhos. Não, não está acontecendo.

***

As portas do elevador se abriram, rapidamente, peguei as chaves e abri a porta.

O apartamento não era muito grande, o piso era de madeira, as paredes se intercalavam em padrões de verde e branco.

O primeiro cômodo do lugar era a sala, onde a janela se encontrava aberta, deixando o ambiente mais claro. Dois sofás estavam estrategicamente dispostos ali, um encostado na parede esverdeada, e outro que dava a passagem por trás em aberto, revelando um corredor para dois quartos e um banheiro.

A minha direita, estava uma cozinha, sem fogão, apenas um micro ondas, uma geladeira, a pia, uma mesa no centro, e os armários que guardavam copos e comida.

Segui pelo corredor, adentrando o ultimo quarto e deixando a minha mala lá, afinal, aquele era maior do que o outro. Quando voltei para sala, Poseidon estava largado no sofá da parede, e olhando para a TV desligada.

– Como entrou sem a chave, e sem fazer barulho? – perguntei.

– Perceberia quando eu entrei se tirasse o fone de ouvido. – falou ele, ainda olhando a TV, sua voz soando mais baixa do que o normal, levei a mão a orelha, percebendo que estava com o fone, e o tirei.

– Tá, mas isso não explica como você entrou aqui. Eu estava com a chave.

– É, mas você deixou a porta aberta.

– Que seja. Que filme você alugou?

– Senhor & Senhora Smith. – respondeu ele. Ainda sem me encarar.

– Algum motivo especifico pra você ter alugado justamente esse filme?

– Sim, combina com os últimos acontecimentos. – vi pelo reflexo da TV que ele sorria, embora ele ainda não me olhasse — E, ele é de ação e romance, ação pra mim, e romance pra você. Foi o mais perto que eu cheguei de algo que pudesse agradar a nós dois.

– Faz sentido... – admiti, me sentando no outro sofá, e assim como ele, encarando a TV desligada. – Estou com fome, tem alguma coisa na geladeira?

– Não, mas eu posso matar a sua fome de outro jeito, se você quiser. – ele se virou para mim pela primeira vez desde que chegara, o sorriso malicioso estava eminente em seu rosto.

– Não entendi. – menti, ao que ele soltou um suspiro que misturava frustração e cansaço.

– Esquece... Trouxe lanche. Gosta de McDonald´s?

– Gosto. – respondi animada.

– É uma pena, porque eu trouxe esfiha e quibe*.

– Chato. – falei me levantando e batendo de leve no braço dele, fazendo-o sorrir.

***

Depois de muitas esfihas, copos de Coca Cola derramados, tapas, risos, e xingamentos, o filme acabou.

– Vou tomar um banho antes de dormir. – falei.

– Eu também já vou dormir, só vou lavar a louça antes – disse Poseidon, levantando e deligando a TV.

Fui para o quarto e peguei uma blusa laranja com o desenho de uma coruja, um short de pijama azul claro, e fui para o banho.

***

Quando voltei para o quarto, encontrei Poseidon deitado na cama em que eu iria dormir.

– Poseidon! Saia já da minha cama! – praticamente gritei.

– Na verdade, esse é o meu apartamento, essa é minha cama, aquele é o meu cabideiro, tudo aqui é meu Atena.

– Mas eu já tinha escolhido dormir nessa cama!

– Não seja por isso, eu não me importo de dividi-la com você.

– Eu dividir a cama com você? Pra que? Pra você me agarrar no meio da noite que nem você fez no parque?!

– Na verdade, foi você quem me agarrou no parque.

– Eu?

– Sim, você. Nós nos beijamos, claro, mas foi você quem me puxou, você deu o primeiro passo. Por tanto, foi você quem me agarrou.

Mesmo depois de ter jogar toda a verdade na minha cara, Poseidon continuava calmo, deitado, ocupando metade da cama de casal. Ele me encarava com o rosto sem expressão, embora me olhasse atentamente, como se estivesse esperando pelos meus próximos movimentos.

Manti o meu rosto sem expressão, embora internamente estivesse com um sorriso travesso. Dando de ombros, fui em direção a cama, me deitei ao lado de Poseidon, que me olhava incrédulo.

– Boa noite Poseidon. – falei, me virei, apaguei o abajur e dormi.

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* — Eu nem sei se tem esfiha e quibe lá, deve ter... Mas já notaram que eles sempre comem McDonald´s nas fanfics? Quiz variar um pouquinho.