Brincando Com o Inimigo

16 Capítulo Dezesseis.


Notas iniciais
Não culpem a mim pela demora, culpem a escola e as provas que sugam de mim todo tempo e qualquer resquício de criatividade que possam se manifestar em meu ser. Mas, as provas já acabaram, então eu devo voltar a postar com frequência.

Eu andava pela cozinha, até que uma voz chamou-me a atenção.

– Posso saber o que a senhorita está procurando? – perguntou Poseidon, chegando sorrateiramente atrás de mim.

– E o acéfalo acha que tem o direito de se meter na minha. – bufei.

– E como o seu futuro marido, eu tenho mesmo. – ele respondeu ignorando o fato de eu ter falado como se ele não estivesse presente, o que só me deixou ainda mais irritada. Revirei os olhos e respondi:

– As bebidas. Estou a procura de bebidas. Pode ir perguntar a ele onde estão? Por favor?

– Você nunca as encontraria aqui. Estão na adega, não na cozinha.

– Pergunte a ele onde posso encontrar a adega.

– Vire a esquerda nesse mesmo corredor, é a ultima porta a direita.

– Será que eu devo dizer “obrigada” a ele? Não, acho que não. Ele é burro de mais para entender o significado da palavra. – eu falei ao sair da cozinha e virar a esquerda no corredor, me dirigindo a adega.

– E ELA É IGNORANTE DEMAIS PARA AGRADECER! – Poseidon gritou, vindo atrás de mim.

Ao menos ele está ficando irritado, pensei.

Entrei na ultima porta do corredor do lado direito, e fiquei boquiaberta com o tamanho do lugar, e com a quantidade de garrafas dos mais diversos tipos de bebida que ali havia.

– Ele não tem uma adega, ele tem um estoque de álcool para o caso de acontecer uma guerra...! – sussurrei para mim mesma.

– Há-há-há. Muito engraçado Atena. – Poseidon disse atrás de mim, e só agora eu notara o quão perto ele estava. Quando ele falou, pude sentir o hálito dele em minha nuca, o que fez com que os cabelos dali se arrepiassem.

Mordi o lábio, a dor fazendo com que eu voltasse a mim. Ignorando-o, voltei-me para as garrafas.

Peguei uma garrafa de rum, uma de conhaque, uma de vinho branco, e outra de vodca.

– Pelos deuses, Atena! O que você vai fazer com toda essa bebida?!

– E ele ainda não entendeu que isso não é da conta dele... – eu falava enquanto olhava o rotulo de uma garrafa de vinho tinto, e logo depois coloca-la dentro da sacola junto as outras.

– Atena, você ficou bêbada com três taças de vinho. Com quatro garrafas de bebida, é possível que você bote fogo no palácio! E a não ser que você use fogo grego, ou seja o Bob Esponja, isso é tecnicamente impossível.

– Avise-o que eu não irei botar fogo no palácio, uma vez que eu não vá estar nele.

– Pior ainda! Nova Iorque é muito mais facilmente inflamável do que Atlântida!

– O Poseidon acha mesmo que eu vou para Nova Iorque beber sozinha quatro garrafas de bebida alcoólica?!

– Então para onde e com quem você vai? – Ao ouvir o tom de voz frio e ríspido com que Poseidon fez essa pergunta, o meu coração se apertou. Mesmo porque, eu sabia o motivo de ele estar dessa forma, e não tinha uma razão existente para que ele sentisse ciúmes.

– Hey! Está achando o que? – perguntei, parando de fingir que ele não estava lá. – Não é você quem vive dizendo que eu sou a virgem-puritana-sabe-tudo-do-Olimpo?

– Não sei a onde você quer chegar com isso.

– Quero dizer que você não tem que ficar com ciúmes.

– Eu? Com ciúmes? De você? Só nos seus melhores sonhos...

– Correção: nos meus piores pesadelos. – falei.

– Atena, os seus piores pesadelos se transformam em realidade todos os dias quando você insiste em se olhar no espelho de manhã.

– Só se você aparecer atrás de mim no espelho.

Poseidon bufou, deixando evidente que não tinha mais argumentos para rebater.

– Ah! Vamos lá! Não precisa ficar com ciúmes. Eu e as garrafas só vamos ver um filme no Olimpo e ficar conversando por lá. Você nem vai sentir a nossa falta! Bem, só só do conteúdo que preenche as garrafas. Esse você jamais voltará a ver.

– Filme no Olimpo? Ficar conversando? Quem vai?

– Hestia, Deméter, Perséfone, eu, Artemis e Afrodite. Bem, talvez Dionisio apareça no meio do filme, diga que a “festa” está muito desanimada, e comesse a pular e gritar, e a roubar as bebidas... De novo... De qualquer forma, Artemis e Afrodite iriam passar a tarde toda brigando mesmo. — dei de ombros — viu? Não há motivo algum para se ter ciúmes. Ou você acha que eu e as meninas iremos ficar nos pegando na sala?

Poseidon cruzou os braços e virou o rosto, mas não sem antes que eu notasse o esboço de sorriso que havia aparecido em seus lábios. Eu só não sabia se o sorriso era por conta do que eu contei de Dionisio, da piada sobre mim e as meninas, ou de alivio por ele ter visto que não havia motivo para se ter ciúmes.

Quando ele virou o rosto, pude ver o maior sorriso que já o vi abrir antes, e logo depois ele falou:

– Como vou saber que vocês não se pegariam? Que eu saiba o voto só se aplica a homens, e a empatia da Artemis com o sexo oposto é bem suspeito.

Sorrindo, respondi:

– Não seja bobo. A empatia de Artemis com homens não faz dela...

– Que seja. — Poseidon cortou minha fala — Sério que Dionisio fez isso?

– Na verdade ele faz isso mais do que é considerável saudável.

– Mas para que todas essas garrafas?

– Hey! Você acha que só os deuses podem sair por ai enchendo a cara e conversando besteiras?

– Honestamente, sim. Eu acho isso sim.

– E ele se enganou outra vez – falei, voltando a fingir que Poseidon não estava aqui presente. – Esses deuses! Acham que as deusas são certinhas de mais para se reunirem e encherem a cara. – suspirei.

– Dá para parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui?! — Poseidon disse, começando a se irritar novamente.

– Por favor, diga ao energúmeno aqui presente, que eu não vou parar.

Poseidon segurou os meus ombros, e começou a balança-los e disse:

– Atena! Não tem mais ninguém nessa sala para me passar o recado! Eu estou escutando! Sua loca!

– O.k. Poseidon. Agora solte os meus ombros, eu preciso ir. – ele me soltou, e rapidamente eu senti a falta das suas mãos, do calor que elas emanavam, dos arrepios que elas me causavam.

Virei-me e comecei a andar pelo corredor. Eu queria tomar uma distancia dele antes de aparatar, para que ele não tentasse me seguir.

– Mas Atena, quando você vai voltar? – Poseidon perguntou um pouco mais alto para que eu pudesse ouvir.

– Um copo antes de eu desmaiar de tão bêbada!

Notas finais
Sabe, reviews alimentam a inspiração.