Capitulo VI – Royal Opera House

Naruto se jogou na grande e confortável poltrona de couro, profundamente irritado.

— Não sei o que aconteceu com você, Naruto. Mas não gostei de seus modos hoje à tarde. Onde já se viu me deixar sozinho com aquela bruxa.

Naruto franziu o cenho diante da consternação do amigo, ele definitivamente estava furioso com ele.

— Meu amigo eu disse que me perdi de vocês.

— Acha que sou idiota? – rosnou Gaara sentando na poltrona em frente ao amigo visivelmente irritado. – sei muito bem que seu repentino desencontro foi planejado e me alegro por quem quer que seja tenha o deixado irritado.

— Eu não estou irritado Gaara. – refutou Naruto passando as mãos nos cabelos loiros.

O homem a sua frente arqueou uma sobrancelha de modo altivo.

— O fato de ter dito menos que três palavras a baronesa e sua filha e apresentar essa carranca depois que nos encontrou fez-me crer que algo aconteceu. A senhora pareceu visivelmente consternada com seus modos rudes Naruto – debochou.

— Não me passou nada. – resmungou desviando o olhar.

— Vamos amigo, posso talvez lhe perdoar se me disser o que aconteceu enquanto esteve fora. É difícil alguém deixá-lo irritado, o único que conheço que tem essa capacidade e o Uchiha-san.

Naruto bufou movendo-se na poltrona como uma garoto mimado. Não era muito lisonjeador saber que havia perdido a cabeça por causa de uma mulher e não pelo motivo de desejo.

— Encontrei alguém muito desagradável enquanto estive longe de vocês.

— Quem? Não me diga que você encontrou Lord Orochimaru, aquele homem é insuportável.

— Oh! Não, penso que se tivesse sido ele talvez a conversa fluísse mais agradável.

— Então amigo não tenho idéia de quem seja. Não conheço ninguém pior que o Lord.

— Essa é a questão Gaara. Quem é ela? – indagou coçando os cabelos loiros ainda tendo a viva memória daquela graciosa e intransigente mulher.

— Não compreendo.

Suspirando fundo Naruto se levantou e foi até o bar pegou dois copos com brandy e entregou um para o amigo.

— Quando estava ausente uma jovem dama esbarrou em mim e caiu no chão..

— Já imagino – interrompeu o amigo com um sorriso no rosto belo – você flertou com a mulher e ela tinha marido e acabou arrumando uma encrenca. É isso?

— Não Gaara. Quem dera se tivesse sido isso. – respondeu ainda inconformado com o que acontecera e pior ainda, não conseguia tirar da cabeça a imagem da mulher – eu fui ajudá-la mais ela recusou minha ajuda. Eu insisti em acompanhá-la, pois não vou negar, a dama era bonita, mas ela se negou veementemente a minha companhia sendo até grosseira e quando dei por mim estava no meio de monte de pessoas discutindo com a ela. – terminou profundamente irritado com suas recordações.

— Espere ai – comentou Gaara em meio a uma gargalhada – você está me dizendo que uma dama resistiu a seu charme e até foi rude com você.

— Não tem graça Gaara. Só tentei ser educado, mas ela teve a ousadia de dizer que não queria fica na minha presença, pois eu era desagradável e inconveniente e por cima disse que eu não tenho educação. Mulher mais atrevida!

Gaara mal conseguia falar tamanho era o acesso de risada que lhe assolava, pondo uma mão no abdômen dolorido tentou falar algo.

— Então pode me dizer o nome dessa incrível dama imune a seus encantos. Quero conhecê-la.

Naruto estreitou os olhos, furioso.

— Não sei meu caro, se eu soubesse já teria estreitados minhas mãos naquele belo pescoço e a estrangulado.

O homem ruivo continuou rindo enquanto Naruto se afundava ainda mais na poltrona mesmo profundamente irritado com aquela pequena criatura não conseguia tirá-la da cabeça, a pele de porcelana tingida de um leve e frescor rubor lhe fazia ter a vontade de tocá-la para ter certeza se era fria como uma porcelana ou macia como a seda e os lábios carnudos feitos para beijar que diziam palavras frias além dos malditos olhos que não conseguia distinguir de que cor era.

Enquanto o loiro se perdia no tumultuado mar de sensações em seu interior não imaginava que o motivo de sua confusão não se encontrava em um melhor estado do que o dele. Hinata passou mal depois que a euforia abrandou dando-se conta do que havia feito. Um profundo arrependimento e vergonha a dominou. Haru gentil e perspicaz não lhe perguntou o que havia acontecido e levou-a para casa e enquanto se dirigia para a humilde pensão Hinata agradeceu que nunca mais veria aquele distinto homem, pois não agüentaria a vergonha depois de simplesmente ter-lhe atacado com palavras ofensivas sem mais nem menos. E principalmente tinha certeza que de que sucumbiria ao charme e as promessas de paixão daqueles olhos azuis se o encontrasse de novo.

...

Já havia se passado uma semana desde o estranho encontro com a misteriosa dama, observou Naruto surpreso enquanto caminha pela rua do centro comercial de Londres. Era estranho ainda manter na memória a viva imagem da pequena mulher ao encarar furiosa com as maças do rosto corado, principalmente quando o momento não tivesse sido o dos mais agradáveis. Balançando a cabeça no intento de espantar tais pensamentos segurou firme a bengala. Nunca as mulheres conseguiam fazê-lo perder a cabeça, infelizmente apenas uma obtivera êxito nesse assunto e no final seu coração foi partido. Como um mantra chamado a imagem da mulher, ela se materializou diante de seus incríveis olhos azuis.

Sakura caminhava determinada em sua direção deixando claro a Naruto que não havia como escapar. Em seu elegante vestido verde escuro com detalhes em verde água de mangas curtas e corpete alto, ela caminhava em passos graciosos, os famosos cabelos vermelhos tão claros que a determinada luz do dia dava o aspecto de ser rosa, justificando assim o carinhoso apelido de rosada, balançavam em delicados cachos presos no alto da cabeça que comportava um elegante chapéu ornado com plumas e laços brancos. Enquanto se aproximava mais do loiro um o sorriso só aumentava no delicado rosto. Aquela era a mulher mais bonita que conhecida, admirou Naruto observando os olhos verdes como duas esmeraldas, a pele de pêssego e seu sorriso radiante. E a mulher que havia amado a vida toda e que ainda amava.

— Que bom encontrá-lo aqui Sua Graça. – cumprimentou com um certo tom de brincadeira enquanto fazia um mesura.

Naruto balançou a cabeça despertando de sua hipnose.

— Vejo que não tenho nenhuma moral por aqui. Bom dia Viscondessa. – cumprimentou beijando educadamente a mão enluvada da dama.

— Oh, milorde, você sabe que está na minha mais alta estima – defendeu-se Sakura num tom ainda mais risonho.

O duque arqueou uma sobrancelha, cético.

— Na minha também. – murmurou sedutor olhando-a de um jeito que desconcertava muitas damas, mas como sempre não causou efeito nenhum em Sakura.

— Que bom encontrá-lo Naruto. Eu precisava falar-lhe estava até pensando em lhe mandar uma missiva.

— Estou todo ouvidos madame. — sorriu encantador.

Oferecendo o braço que foi aceito por Sakura começaram a caminhar pela movimentada rua.

— O que queria me dizer Sakura?

— Bem — a mulher corou um pouco e evitou olhar nos olhos do velho amigo. – não sei se Sasuke contou-lhe mais eu estou grávida.

Naruto truncou o maxilar contendo a onda de mal estar.

— Meus parabéns. – ouviu-se dizer meio ríspido.

— Obrigada, estou tão feliz. É o meu segundo filho e Sasuke parece um bobão. – confessou rindo da imagem invocada do marido. – mas então o que queria lhe dizer é que hoje pretendemos fazer uma comemoração informal com nossos amigos. Apenas um simples jantar lá no Landmark Hotel. Você irá não é?

— Mas é claro, quando digo não a você Sakura. – sorriu o loiro para mulher.

A mulher estacou-se no meio do caminho e Naruto também, mordendo o lábio inferior Sakura perscrutou o rosto de Naruto com seus grandes olhos verdes. A jovem sempre soube dos sentimentos que ele nutria por ela. Naruto nunca os escondeu. Vizinhos, durante a tenra infância passavam horas brincando. Sakura lhe lembrava muito sua mãe, espirituosa e aventureira sempre com um sorriso no rosto, não foi difícil se apaixonar por ela, mesmo que naquela época não demonstrasse que se tornaria uma beldade. Enquanto aprontava algo ao longo da propriedade do seu pai, pensava que a rosada era a garota perfeita para ele. Apesar de sempre deixar claro suas intenções de casamento Sakura balançava a cabeça e lhe batia no ombro não dando credito em suas palavras. E tudo mudou quando um dia voltando de Cambridge resolveu lhe apresentar seu melhor amigo, Sasuke. Depois desse dia havia perdido ela para sempre e seu tão habitual sorriso bobo também.

— Naruto! – chamou Sakura segurando forte o braço do homem — Eu sei e você também sabe que não sou a mulher certa para você. Tenho certeza que ela está por ai te esperando. Espero que não a deixe escapar por causa de mim, o amo muito, como meu irmão e desejo muito que você seja feliz.

Naruto não conseguiu dizer nada, apenas sorriu sem jeito ante aquele apelo que feria mais uma vez seu coração. Vendo-a partir não conseguia acreditar naquelas palavras, não existia ninguém mais para ele.

...

— Vinte mil libras!!!! – exclamou Haru sentando no sofá caro, muito surpresa, enquanto Hinata tentava conter o riso – isso é muito dinheiro. Agora sim explica toda aquela gastança e você ter reservado a suíte do Landmark Hotel.

— Já que ganhei essa fortuna por que não aproveitar um pouco. A vida passa num piscar de olhos, quando nos damos conta ela já se foi. Não acho nenhum pecado se divertir um pouco e aproveitar esse luxo. Não fará nenhuma mal. – comentou Hinata pensativa olhando o amplo recinto.

Há dois dias decidira se instalar no Landmark Hotel, o hotel mais caro e luxuoso de Londres. Por causa da temporada todos os quartos estavam ocupados menos a suíte principal que custava uma quantia considerável, mas Hinata não pensou duas vezes em pegar o quarto. O recito era amplo e muito bem mobiliado com moveis de alta qualidade, em branco e dourado. O papel de parede branco com varias folhas douradas e as cortinas de veludo ocre que pendiam das grandes janelas davam um ar sóbrio e elegante ao recinto. A cama era ampla com colchões macios e travesseiros de plumas. Hinata tinha dormido nos céus na primeira noite. O quarto tinha uma pequena sala de estar e um closet, além do quarto para banho e mais um quarto que se comunicava com o closet, onde Haru se instalou ainda muito abobalhada com todas as novidades.

— Você tem toda a razão Hina-chan, nunca imaginei viver assim como uma princesa, esse quarto é maior que a pequena casa onde meus pais viveram. – maravilhou-se, mas de repente seu rosto ficou rígido e encarou a amiga – mas não acha imprudente não pensar no futuro.

Hinata desviou o olhar se levantando. Não queria compartilhar além daquilo. Ainda não estava preparada para dizer a terceiros que lhe restava pouco tempo de vida.

— Não se preocupe Haru. Eu tenho tudo acertado. – sorriu gentilmente – mas agora tenho um sério problema, qual desses dois vestidos eu uso, o azul escuro com listras ou a verde água?

— Acho melhor o azul listrado. Ele ficará muito bem em você essa noite. – comentou a loira já ajudando a patroa e amiga a se vestir.

Naquela noite Hinata decidiu jantar no hotel e assistir uma opera na Royal Opera House, uma famosa e luxuosa casa de espetáculo que deixou Hinata encantada quando passou na frente da construção em uma tarde. As mulheres se prepararam animadas para o passeio noturno. Haru não mais desconfiava e nem se surpreendia com Hinata, estava na verdade encantada com toda a alegria e disposição de viver da amiga, que não perdia um momento para conhecer coisas novas e se divertir.

E com esse espírito, as damas desceram para o restaurante do hotel. Acomodando-se em uma das mesas no meio do salão já que as bancadas eram reservadas para os nobres e muito ricos, elas pediram para o jantar os melhores pratos oferecidos no menu do dia enquanto tentavam controlar todo o entusiasmo de estar em um lugar tão distinto.

— Eu vou ao toalete – avisou a Hinata a amiga.

Enquanto caminhava em direção a recinto teve a impressão de ter visto uma figura familiar, mas maneou a cabeça abandonado tais pensamentos. Desde o encontro com charmoso desconhecido a quem acabou terminado em uma fogosa discussão Hinata se pegava pensando nele e imaginado quem poderia ser. Um empregado do governo, ou um oficial. Talvez fosse de uma família mais abastarda ou um comerciante. Pegou-se rindo enquanto entrava no recinto com as varias historias que imaginara para seu cavaleiro inconveniente.

O aposento estava deserto exceto por uma mulher, que não aparentava ter mais que quarenta anos de idade, ajeitando, na frente do espelho, uma mexa do intenso cabelo ruivo que insistia em cair sobre os olhos. Era uma mulher muito bonita, de íris de um azul escuro, pele pálida, e cabelo ruivo longo. Sensual em um vestido vermelho escuro com rendas, de corpete baixo que mostrava que ainda era uma mulher com um corpo invejável. Ela se virou e presenteou a jovem Hyuuga com um lindo sorriso. Hinata corou intensamente por ter sido pega bisbilhotando.

— O meu vestido está sujo? – indagou a mulher olhando o impecável vestido de seda. – ou é o meu rosto?

Mais corada ainda Hinata balançou a cabeça em negativa.

— Não, não há nada de errado na senhora. – explicou rapidamente. — eu só estava admirando sua beleza madame. – elogiou.

— Muito obrigada, minha jovem. É muito gentil da sua parte. – sorriu a mulher em resposta, se perguntando se era mais uma futura pretendente a querer ser sua nora.

— Eu fiquei encantada com a cor dos seus cabelos, nunca vi cabelos tão bonitos. – confessou Hinata timidamente.

Kushina estreitou os olhos avaliando minuciosamente a mulher que a elogiava. Não era nenhuma jovenzinha, não tinha aliança na pequena mão esquerda então para os padrões londrinos era provavelmente uma solteirona e o seu vestido azul listrado de modelo ousado deixava claro que não era nenhuma debutante. Apesar disso, era uma moça muito bonita, não uma beldade. Era um tipo perigoso de mulher, pensou a ruiva.

— Poso saber quem é a jovem que me elogia com tanto afinco?

— Me desculpe. Chamo-me Hinata, Hyuuga Hinata. – estendeu a mão para a mulher que a olhou surpresa por alguns segundo e depois lhe apertou a mão.

— É um prazer em conhecê-la senhorita Hyuuga. Meu nome é Kushina, Uzumaki Kushina. Condessa de Namikaze.

Hinata ficou vermelha a menção do titulo de nobreza da mulher.

— Oh, perdão milady eu não sabia – murmurou desculpas, completamente envergonhada enquanto fazia uma mesura apropriada. — minhas sinceras desculpas.

— Por favor, não precisa fazer isso, não fiquei ofendia – respondeu a condessa rindo dos movimentos atrapalhados e envergonhados da moça. Ela era muito fofa, concluiu.

Hinata sorriu nervosa, profundamente envergonhada por sua atitude.

— Vou te contar um segredo – murmurou Kushina se aproximando da plebéia – gosto das pessoas que elogiam meu cabelo. – dizendo isso piscou para a morena que ficou ainda mais vermelha se isso era possível – agora me diga, está aqui a trabalhando?

— Não milady eu vim com minha dama de companhia jantar e depois vamos Royal Opera House ver La Boheme.

— Oh! Que coincidência. Vim para um jantar com amigos e depois também vamos assistir a opera. Gostaria de nos acompanhar? – o convite inocente da Condessa escondia muito mais coisas que Hinata pudesse imaginar.

— Fico muito agradecida milady, mas não acho apropriado eu não..

— Não vou receber uma negativa como resposta minha jovem. – interrompeu Kushina com toda a pose de Condessa – e vamos, estão me esperando.

Sem dar tempo para mais nenhum protesto de Hinata, Kushina enganchou o braço no da Hyuuga e a conduziu até o segundo andar. Pediu para que um empregado conduzisse a dama de companhia de Hinata para sua mesa e também os pratos que elas haviam pedido. Hinata sentia-se apavorada enquanto a mulher a conduzia até a mesa onde com certeza estaria mais gente da nobreza.

— Meus caros eu tenho mais uma convidada. – avisou Kushina muito animada ao se aproximar a mesa.

Hinata quando pousou os olhos na mesa esteve a ponto de cair no chão se a condessa não estive enganchada em seu braço. De repente, sentiu-se como se estivesse em um túnel, um longo túnel escuro por onde soprava um vento frio. Ouvia como zumbia, embora estava convencida que não havia suficiente ar para respirar. Os olhos azuis se encontram com os de Hinata do outro lado da mesa, e o frio penetrou o seu nariz e subiu-lhe até a cabeça. O som do vento tornou-se um zumbido surdo.

Suas mãos se tornaram frias e úmidas. Inspirar e respirar, não se apavore.

— Poderia nos apresentar a bela jovem? – perguntou Minato calmo como sempre.

— Essa é minha recém nova amiga que encontrei no toalete. – sorriu Kushina – esse é meu marido Minato, o conde Namikaze.

O homem sorriu e maneou a cabeça para Hinata que retribuiu a mesura. Ele era muito parecido com o homem do outro lado da mesa e Hinata logo concluiu que eles eram pai e filho. Por Deus! Havia ofendido o filho de um Conde. Sentiu falta de ar

Inspirar e respirar. Se acalme, pensou desesperada.

Kushina a apresentou a um jovem casal, uma mulher de cabelos ruivos muito claros que naquele momento parecia rosa e um homem muito bonito de cabelos negros e olhos da mesma cor, como sendo Sakura e Sasuke, Viscondessa e o Visconde Uchiha, e mais um homem de cabelos vermelhos e olhos verdes água, como sendo Sir Sabaku no Gaara. Um casal, uma jovem loira de olhos azul, muito bonita e o homem de cabelo negro, Ino e Sai, Baronesa e Barão Yamanka.

— Por fim, este é o meu filho – disse Kushina para desespero de Hinata que já estava completamente constrangida por estar perto de tantas pessoas elegantes. Kushina apontou para o desconhecido a quem havia brigado há uma semana no palácio de cristal. Este lhe sorria com um ar de ironia que a deixava sem ar de tanto desespero. – Uzumaki Naruto, o sexto Duque do Clã Uzumaki.

A face da Hyuuga de um vermelho passou para uma palidez tremenda enquanto um sorriso de satisfação surgia no rosto de Naruto. Agora Hinata tinha certeza que estava a ponto de desmaiar. Havia chamado de inconveniente e mal educado um par de reino. Deus! Agora desejava com toda força cair morta ali menos no chão.

— Esta aqui é a senhorita Hyuuga, Hyuuga Hinata.

Hinata sorriu sem jeito enquanto os presentes a saudavam.

— Como meu filho e sir Sabaku não trouxeram acompanhante achei que apropriado para manter o equilíbrio convidar a senhorita Hyuuga e sua dama de companhia para nossa reunião. Você não se incomoda né, Sakura-san?

— De modo algum. É um prazer tê-la aqui senhorita Hyuuga.

— Obrigado – murmurou Hinata sem ar.

Naruto controlou-se para não demonstrar o prazer que sentia em ver o pavor nos olhos da mulher. Hinata foi indicada a sentar ao lado de Naruto enquanto que a recém chegada dama de companhia ao lado de Gaara.

Sentou-se ereta na cadeira negando-se a olhar seu companheiro do lado direito. No entanto, o Uzumaki estava realmente interessado em puxar conversa.

— Está muito bela esta noite senhorita Hyuuga – elogiou entoando um prazer tremendo em dizer o nome dela.

Hinata lambeu os lábios enquanto apertava forte, as mãos, sob o colo.

— Muito obrigado Sua Graça. – murmurou num fio de voz.

— De onde vem Senhorita Hyuuga? – indagou Sai tirando a oportunidade de Naruto de provocá-la. Todos voltaram a as atenções para a morena que sorriu timidamente.

— Sou de York. – limitou-se a responder.

— É um bonito lugar, tem lindos campos – comentou Ino animada. – também sou de lá. E Hyuuga não me é um nome estranho.

— Meu avô tinha uma pequena propriedade lá.

Após a resposta a atenção dos convidados foi dispersa para a recente noticia da gravidez da Viscondessa e as brincadeiras e deboches dos homens presente ao futuro papai entre outras amabilidades. Hinata foi a única pessoa presente que se manteve calada a maior parte do jantar comendo muito pouco e respondendo quando faziam-lhe uma pergunta ocasional, muito consciente da presença do homem a seu lado.

Naruto se manteve conversando com a Baronesa Ino sentada a seu lado e os outro, trocando uma ou duas palavras corteses com Hinata, sempre de modo sarcástico, impondo sua presença a calada dama. Mesmo assim, não conseguir compreender por que mantinha tanta atenção a cada movimento da plebéia. Na mesa encontrava-se presentes mulheres muito mais bonitas. Sua mãe que foi e ainda é uma beldade, Ino uma loira deslumbrante e a própria Sakura com seus cabelos únicos até mesmo a dama de companhia da Hyuuga chamava mais atenção com a face bela e os olhos claros. Hinata era muito pequena e de cabelos negros, podia se passar invisível em qualquer lugar, talvez ele não a tivesse notado se não fosse o incidente daquele dia no palácio de cristal. Muito menos repararia os grandes olhos de tons acinzentados e como arrebitava o nariz quando estava zangada. Ficou rígido na cadeira, o que diabo estava pensando.

— Ficará por quanto tempo em Londres senhorita Hyuuga? – indagou Minato que observava desde o inicio do jantar o comportamento do filho e da dama em questão.

— Por algumas semanas milorde. – respondeu Hinata suavemente pondo o lenço no colo.

— Está hospedada aonde minha cara? Na casa de uma tia?

— Não milady. Não tenho família aqui, estou hospedada no hotel.

— Mas não é muito solitário. – murmurou Kushina apoiando os cotovelos sobre a mesa e o queixo sobre as mãos cruzadas, pensativa – querido não seria adorável tê-la como hospede. Ando tão solitária ultimamente, meu filho sempre anda tão ocupado para me fazer uma visita.

Hinata prendeu a respiração em pânico enquanto a condessa falava. Desejava com todas as forças que aquela noite acabasse logo e pudesse se livrar para sempre da presença daquele homem que a atormentava. Por favor, alguém me salve, pensou Hinata

— Ouvindo assim, parece que sou um monstro mãe. Um filho insensível e cruel – sorriu Naruto em tom sarcástico, inclinado a cabeça para o lado — ou talvez sou inconveniente e minha presença seja desagradável.

A Hyuuga quase engasgou com o suco que bebia. Ele não havia esquecido.

— Não sei não, às vezes você é inconveniente Naruto – comentou Gaara

— Mas o mais inconveniente é o Sai. – protestou Ino.

E se iniciou outra conversa acalorada esquecendo a pauta inicial da conversa. Após o jantar o grupo dirigiu-se para o Opera House em carruagem luxuosas e Hinata agradeceu por ir acompanhada da Condessa, pois não suportaria mais um minuto ao lado do Duque, que fazia questão com sua presença em diminuí-la. Mas sua felicidade foi curta, pois ao chegar ao esplendoroso prédio, designaram-na para o camarote do Duque, alegado que o camarote da condessa estava lotado com os três casais. Hinata insistiu em dizer que havia pagado duas cadeiras na platéia, mas a Condessa não lhe deu ouvidos e resignada caminhou ao lado daquele belo homem até seu camarote.

O aposento era amplo e luxuoso e tinha uma da melhores visões do teatro, podia ver perfeitamente todo o palco e os assentos em baixo e os outros camarotes até o do Conde Namizake. Sentou-se na beirada da primeira fileira na esperança que Haru sentasse ao seu lado, mas Naruto foi mais rápido e sentou-se no lugar. Relaxado encostou-se à cadeira apoiando o cotovelo no braço do acento e se inclinou para o lado de Hinata, rígida em sua cadeira. A morena respirava profundamente tentando controlar seu pavor e se perguntando por que diabos, Haru estava do outro lado do camarote.

O duque estava fazendo aquilo deliberadamente, concluiu pesarosa.

No entanto Naruto não disse nada durante o primeiro ato, nem prestava atenção à peça. Ele já havia assistido varias vezes. Á principio iria embora após o jantar, mas a presença da senhorita Hyuuga, sua misteriosa dama do palácio de cristal, o animou a seguir a comitiva. Estava se deliciando em torturá-la nunca gozou tanto em ter um titulo nobiliárquico tão alto na vida. A moça estava rígida de tão nervosa, mas ainda era só o começo. No final do primeiro ato voltou-se para a jovem.

— Está apreciando a peça senhorita Hyuuga? – indagou.

Hinata apertou as mãos fortemente no colo, mal prestara atenção no que acontecia no palco, mas farta com aquilo decidiu dar um basta. Voltou-se para o duque com um sorriso amável.

— Sim, é uma peça adorável. Apreciei muito a interpretação dos atores, muito mais dramático do que imaginava quando lia o texto.

— Me alegro Senhorita – sorriu Naruto sustentando o olhar da Hyuuga – é primeira vez que vem a Opera House?

— É a primeira vez que venho a Londres.

Naruto arqueou uma sobrancelha.

— Isso explica por que nunca a vi antes. Teria me recordado de um rosto tão bonito – murmurou com um meio sorriso sedutor aproximando seu rosto do da Hyuuga.

A morena ficou mais rígida na cadeira, ele estava fazendo troça de sua cara, dizendo que era bonita. Ela sabia que ninguém a repararia mesmo se estivesse vestida com uma rainha.

— Não precisa ser gentil Sua Graça – cortou Hinata voltando olhar o palco em um ponto vago.

— Pensei que a seu ver eu não fosse alguém educado e desprovido de amabilidade – sussurrou num tom sarcástico.

Hinata respirou fundo fechando os olhos. Naruto observou seu perfil, como seus lábios se apertavam ficando muito mais vermelho.

— Imagino que Sua Graça queira que eu me desculpe por aquela tarde? – voltou a olhá-lo determinada.

— Se assim quiser – respondeu com um sorriso preguiçoso mais ainda muito próximo de Hinata. – talvez a seu ver eu não seja digno de tais desculpas, afinal sou alguém muito inconveniente e desagradável.

— Minha paciência tem limites sua Graça – respondeu ríspida. Por Deus, aquele homem tinha o poder de tirá-la do serio.

— Isso eu percebi senhorita Hyuuga. – respondeu irônico.

A Hyuuga levantou bruscamente visivelmente irritada.

— Não vou ficar aqui para ser motivo de troça para você Sua Graça. Pode ser um par de reino ou até mesmo um rei, mas não serei tradada como idiota. Não vou aceitar esse tipo de atitude mesmo sendo uma simples plebéia. Eu mereço respeito.

Naruto a olhou admirado. Ela ficava, sobe as luzes de vela, muito linda brava. E para sua consternação teve um enorme desejo de beijá-la e acalmar aquela fúria. Balançou a cabeça, consternado, o que estava acontecendo com ele.

— Senhorita Hyuuga em nenhum momento lhe disse ou fiz algo que demonstrasse que estava brincado com a senhorita. – mentiu polidamente.

— Sua Graça não sou idiota, e nunca mais serei tratada como uma. Eu sinceramente me desculparia com minhas atitudes daquele dia, e sim, me arrependo do modo como agi, mas não por que você é um Duque, mas sim por que fui criada com dignidade, mas vejo que não as merece. Nem ao menos considera os outros por um momento. Com sua licença.

— Espere! Não sou tão cruel como pareço. – comentou Naruto desconcertado com o discurso da dama. – nunca foi minha intenção ofende-la. Perdoe-me.

Era a primeira vez que pedia perdão a alguém, e nem sabia por que fazia isso. Hinata entreabriu a boca para responder, mas uma sonora bofetada ecoou pelo aposento, se seus olhos se voltaram para uma Haru alterada.

— Você é um idiota! – gritou Haru furiosa.

A loira gesticulava os braços, visivelmente irritada, caminhando com passos firmes para a saída da porta. Hinata sem pensar deu as costas a Naruto e foi atrás da amiga deixando no ar o que iria dizer.

...

Abaixou o monóculo e empinou o nariz reto, aristocrático. O canto esquerdo da boca levemente puxado era o único indicio que demonstrava seu profundo desagrado. Sentada, elegantemente com seu vestido negro de seda, em um camarote no primeiro andar a Baronesa Yakito não tirava os olhos do quarto andar do Opera House, precisamente do camarote de Sua Graça Uzumaki. Havia ido ao teatro com a esperança de encontrar com a condessa ou o próprio duque e assim conseguir se aproximar mais dessa tão distinta parte da sociedade, mas seus planos foram frustrados e agora se encontra em um péssimo lugar cedido por uma velha amiga.

Crispou mais os lábios, o que mais incomodava era a misteriosa dama que chegara na companhia da Condessa Kushina, a jovem não era nenhuma debutante, em verdade, era já velha, podia até ser casada, mas para seu desgosto maior ela não ficou no camarote da Condessa e sim do Duque, eles se sentaram próximos o primeiro ato inteiro sem trocar nenhuma palavra. Yakito havia observado a noite inteira, apesar de não falarem eles se mantiveram bem próximos.

— Você sabe quem é aquela dama que está em companhia do Duque, Mizuki? – indagou a baronesa

Uma mulher velha e corpulenta levantou a gorducha mão com o monóculo nos olhos e observou o casal que conversavam muito próximo do outro.

— Não sei, Nunca há vi antes. Pode ser uma cortesã, mas é difícil saber, não dá para ver direito o rosto da jovem com a pouca luz.

— Acredito que Sua Graça jamais traria uma mulher desse nível na presença da Condessa Namikaze.

— Oh! Isso é verdade. Pode ser uma conhecida. Mas sinceramente não a conheço.

— Quem a senhora não conhece, milady Mizuki? – perguntou uma voz delicada e um pouco afetada. Os olhos castanhos de Matsuri voltaram-se para o local que as damas olhavam, mas só se encontravam presente naquele camarote luxo dois belos cavaleiros.

Mais tarde naquela noite em uma casa modesta, mas elegante da Mayfair, as damas tomavam seu xerez na sala rosa fofocando sobre tudo que vira no teatro, as roupas, as jóias e os escândalos que havia sido notícias do dia. Enquanto o dono da casa permanecia sentado em sua cadeira de couro apreciando um brandy no sossego de sua biblioteca.

— Milorde tem uma visita. – informou o mordomo.

— A essa hora?! – resmungou Kiba desgostoso pela perturbação de sua paz. – deixe o entrar.

Minutos depois um homem alto de cabelos longos, algo que não era comum para época, e olhos muito claros adentrou no recinto. Um sorriso iluminou o rosto de Kiba.

— Neji quanto tempo! – saudou apertando a mão do amigo.

— Fico feliz em vê-lo também. – respondeu o homem sério como sempre, se sentando em uma poltrona.

Kiba foi até a bandeja e serviu um copo de bebida ao seu amigo de escola que aceitou prontamente o copo e depois se voltou para sua poltrona em frente do colega.

— O que trás aqui em Londres?

— Eu vim a negócios e soube que você estava aqui para a temporada, então resolvi fazer uma visita, lamento vim tão tarde.

— Tudo bem, me alegro em ver você. Tive uma noite muito aborrecida tendo que acompanhar minha esposa e suas amigas a Opera. – encolheu os ombros – vai ficar aqui muito tempo? Se ficar podemos ir ao Whiter’s.

— Ficarei poucas semanas.

— E como Yui está?

— Ela está muito bem, não gosta de Londres prefere o campo lá ela pode praticar o que mais gosta arco e flecha.

— Que bom, gostaria que minha esposa gostasse também do campo. Ela está toda eufórica com a temporada. – suspirou Kiba afundando-se no sofá.

— E como está Hinata, está satisfeito com o trabalho dela? – indagou Neji tomando mais um gole do Brandy.

— Ela é uma ótima professora, meus filhos gostavam dela, pena que não está mais conosco.

Neji levantou uma sobrancelha quando Kiba terminou de falar.

— Como assim não está mais com vocês?

— Pensei que soubesse — comentou Kiba, surpreso – ela não trabalha para nós há mais de três semanas.

— Você a despediu?

— Não, de jeito nenhum. Ela era uma profissional competente jamais a despediria. A senhorita Hyuuga pediu demissão de uma hora para outra. Ainda não entendi o motivo dela. Ela apenas falou que tinha um assunto a tratar por isso iria embora. Eu me prontifiquei em ajudá-la, mas ela se negou.

— Como assim pediu demissão e tem um assuntou a tratar. – repetiu o Hyuuga pensativo.

— Pensei que ela tivesse lhe avisado.

— Não, ela não me disse nada.

— Talvez ela foi para a casa da irmã dela. – sugeriu Kiba também ficando tenso.

— Ela não foi pra casa de Hanabi, ela mora em um condado perto da minha propriedade e fui visitá-la há uma semana. Ela me perguntou sobre Hinata. Faz meses que não tem noticias dela. Por isso vi aqui perguntar como estava.

— Sinto muito Neji, se soubesse não teria a deixado partir.

Neji sorriu, pensativo.

— Hinata é mais forte do que parece e muito teimosa, mesmo que você quisesse não deixaria ajudá-la. Mesmo assim obrigado. Eu vou descobrir onde ela está. – agradeceu se levantando.

— Qualquer coisa me avise. Ajudarei no que for preciso.

— Obrigado.

Hyuuga Neji partiu da pequena casa naquela noite muito determinado. Onde teria se metido sua teimosa prima.

Notas finais
Olá people, capitulo recém-saído do forno e antes do planejado devido a boa noticia que recebi hoje... CONSEGUI UM ESTÁGIO *O*, para comemorar eis ai o capitulo... espero que tenham gostado.Muito obrigado pelos review e todo carinho que tenho recebido (^_^) vlw, amos vocês (que emo ¬¬) Inté a próxima o/