Brighter Than The Moon
5 Crystal Palace
Notas iniciais
Capitulo V – Crystal Palace.
Hinata precisou apenas de uma noite e meia amanha para descobrir tudo a respeito de Haru. Sua nova companheira de quarto tinha vinte três anos, era órfã e tivera sua educação em uma famosa escola para moças, custeado pela pequena poupança que os pais haviam deixado. Apesar de ser sozinha no mundo era uma moça alegre e tagarela que trabalhava como ajudante de uma costureira em uma loja próxima a periferia de Londres. Haru tinha uma inteligência peculiar apesar de distraída e falante pegava os detalhes e o modo de fazer as coisas com muita rapidez.
— O café está delicioso. – comentou Hinata saboreando o pão quente, recém saído do forno.
— Eu disse que a comida da Kurenai-sama é boa. – comentou a loira com um pedaço generoso na boca. – então Hina-chan o que veio fazer aqui na velha Londres?
Hinata olhou a loira por um tempo, supressa. Colocando o pedado do pão no prato ajeitou as dobras do vestido velho.
— Vim para conhecer a cidade. — murmurou sem jeito olhando para o prato.
— Então é seu dia de sorte Hina-chan, hoje eu estou de folga se quiser poderia servir de guia pra você. Posso te mostrar todos os pontos turísticos da cidade – sorriu entusiasmada pegando seu terceiro pedaço de pão.
— Na-naverade, eu tinha outros planos para hoje. Não é que não queira conhecer Londres é que antes precisava fazer outra coisa – sorriu Hinata timidamente sobre a expressão confusa da amiga – preciso comprar alguns itens e gostaria muito que você me acompanhasse.
— Eu?
— Sim, acho que vou precisar muito de sua ajuda.
A loira sorriu de orelha a orelha.
— Seria um prazer Hinata. – aceitou animada.
Terminando o café da manha reforçado e colocando os chalés em volta dos ombros começaram a caminhar pelas ruas de pedra da cidade. Haru apontava para uma Hinata abobalhada cada edifício e praça falando de seus nomes e significados onde e quando as pessoas da realeza e famosos se encontravam ou faziam compras.
— Parece que você conhece muito bem Londres, né? – indagou Hinata interessada.
— Sim, eu vivi a minha vida inteira aqui, e já trabalhei como ajudante em uma padaria, como dama de companhia de uma velha senhora e agora como assistente de uma costureira.
— Então você tem experiência. – murmurou pensativa, talvez a jovem ao seu lado fosse perfeita para os seus planos, que por sinal não saiam de sua cabeça.
— Sim, por quê?
— Quer trabalhar para mim? Posso pagar muito bem. Eu preciso de alguém para me acompanhar na minha viagem, já que não é apropriado uma mulher solteira viajar sozinha e tenho certeza que você seria uma ótima companhia.
— Para mim não é trabalho ficar com você. Eu faço tudo isso por que gosto de sua companhia. Mas não vejo o motivo de querer que eu trabalhar para você?
Hinata pegou as mãos da loira e as apertou com carinho, olhando os olhos claros fez um pedido silencioso. Haru mesmo que não quisesse aquele encargo dificilmente conseguiria dar uma negativa como respostas, aqueles grandes e bondosos olhos acinzentados a desarmavam alarmantemente.
— Esta bem. – suspirou derrotada, não acreditando que a amiga tivesse condições em bancá-la como dama de companhia. Em verdade não levava muito a serio aquele pedido.
— Ótimo! Mostre-me as melhores lojas de vestidos da cidade.
— Para que? As melhores lojas são muito caras. Um vestido lá da para comprar refeições para o ano inteiro.
— Sei disso, mas não importa só me leve até lá — sorriu Hinata puxando uma perplexa Haru pela rua.
A Hyuuga nunca foi uma mulher fútil ou vaidosa, mas sua atual condição lhe permitia se dar a esse luxo e aquela manha havia decidiu que usaria só o melhor que o dinheiro poderia comprar. As duas moças passaram pelas lojas mais luxuosas e caras da cidade. Insistindo em que ela e a amiga devia se prover do mais fino e elegante de tudo: uma variedade de chapéus enfeitados com frutas, plumas e flores, leques pintados à mão, frascos de perfume em cristal esculpido, luvas de pelica e meias de seda, xales de caxemira, guarda-sóis com rendas; sabões perfumados, sapatos e não um a não ser dois pares de elegantes botas de cano longo de camurça, pentes de prender cabelos e diademas de filigrana de prata, tiaras com incrustações de pérola, inclusive um par de escandalosas calçolas largas que a proprietária de uma loja de lingerie lhe assegurou que estavam fazendo furor nos salões de Londres.
— Uau!! Esse vestido ficou lindo em você – exclamou Haru exausta sentada em um confortável sofá enquanto olhava assombrada pela mudança que um simples vestido fizera em Hinata.
Hinata se olhou no espelho por um momento mal se reconhecendo. A mulher de olhos acinzentados sorriu para ela em um lindo vestido lilás com rendas brancas. O corte do vestido moldava perfeitamente o corpo pequeno da Hyuuga revelando suas curvas sinuosas e ao mesmo tempo delicadas, o corpete baixo permitia ver através da renda os contornos dos fartos seio e mesmo com a touca horrível e sem luvas ou qualquer outro adorno ela estava linda.
— Você achou que ficou bom? – perguntou timidamente e um pouco insegura.
— Claro que sim. Esse vestido foi feito pra você, ficou perfeito. Eu não imaginava que ficaria tão bonita com uma roupa mais elegante, até parece uma milady. Mas você definitivamente tem que tirar essa touca horrível – protestou Haru arrancando a peça indesejável da cabeça da amiga. Os cabelos longos e azulados caíram em uma cascata negra nas costas da Hyuuga realçando ainda mais a pele clara e o rosto pequeno e bem formado – Nossa! Agora sim ficou perfeito.
Hinata se olhou de novo no espelho e respirando fundo como se tomasse coragem, voltou-se para a modista.
— Senhora vou levar esse vestido e aquele ali. – apontou para um vestido azul bebe de corpete baixo e fitas de azul marinho.
— Mas aquele não serve em você. – comentou a loira
— Mas serve em você, Haru. E, por favor, não discuta comigo, sou sua patroa. Agora vamos ao cabeleireiro.
Nunca havia se divertido tanto em sua vida. Era a primeira vez que passava um tempo fazendo futilidades como faziam as colegas do tempo de escola. Nos dias de folga do colégio ela sempre pegava seus cadernos de desenho e ia à praça, para desenhar, e lá, não resistia e observava as moças carregarem sacolas e mais sacolas de compras fofocando uma para outras e rindo. Parecia-lhe tão divertido, no entanto, nunca teve tais oportunidades, após o colégio precisou trabalhar e sua vida resumiu a quatro paredes de uma casa fria e mofada ensinado crianças mal-educadas.
Mas naquela manha tudo era diferente, tinha rido até não aguentar mais e comprado coisas que duvidava jamais ter tempo para usá-las. Cuidou do cabelo e comprou maquiagem, e outros produtos de beleza e vários vestido, para noite, para o dia, para passeios à tarde e roupa de montaria e três vestidos de baile. Quando voltaram para a pequena pensão de Kurenai, ela olhou intrigada, as sacolas e pacotes que a moças carregavam, mas nada comentou. O almoço foi delicioso, a comida era boa e o estado de espírito de Hinata estava tão animado que não se importou com as indiretas de Kurenais em relação a farra que elas fizeram.
— Para onde vamos agora? – indagou Hinata após tomar o chá.
— Quer andar mais?! – surpreendeu-se Haru – andamos a manha inteira, compramos mais coisas que a meus últimos vinte e três anos de vida. Nem que eu trabalhasse a vida inteira conseguira pagar tudo. Pensei realmente que gostaria de descansar um pouco. – deixando claro sua preocupação em relação a tudo que haviam feito. No inicio ficou animada com tudo, mas após o fim da euforia começava a cair a fixa.
— Não, não tenho muito tempo… quero dizer, não estou cansada e o dia está lindo – corrigiu-se apressadamente desviando o rosto do olhar intrigado de Haru.
A moça observou a Hyuuga por algum tempo pensativa, depois perguntou:
— Desculpa a minha intromissão, mas como vai pagar tudo isso. É que, você não parece ser rica… e…
Hinata suspirou resignada e colocou a xícara de chá na mesa.
— Não, não sou rica. Mas aconteceu que algumas semanas eu consegui vender por um bom dinheiro algumas ações que havia comprado há muito tempo. Então resolvi tirar umas ferias e aproveitar um pouco a vida, afinal, estou chegando a casa dos trinta. – mentiu Hinata. Não era bem uma mentira, mas muitas coisas estavam ocultas.
— Ah, mas você é muito nova ainda. Mais não seria mais sensato guardar o dinheiro e usá-lo como dote? Eu faria isso.
Hinata encostou-se à poltrona velha e observou o céu através da janela. O vestido lilás definitivamente não combinava com aquele móvel velho e mofado, mesmo assim ela parecia uma lady cujo os pensamentos se encontravam em outro lugar muito longe. Não havia motivos para um dote. Se fosse outro momento em outra época, ela teria feito isso. Teria poupado para sua vida solitária ou quem sabe para seu marido, mas agora nada mais importava.
Depois de um suspiro longo ela respondeu:
— Não seria certo fazer isso, não nesse momento. Não importa ter um dote muito menos me casar.
— Como assim? – perguntou a loira confusa.
— Deixa pra lá, que tal fazermos um passeio no parque. Adoro o ar livre e comprei vários materiais de pintura. Quero muito pintar a paisagem londrina. – mudou de assunto não querendo mais prolongar aquela conversa.
—Como quiser Hyuuga-san. – aceitou Haru não insistindo.
— Deixa eu pegar a maleta. Haru-chan chame um carro de aluguel, realmente cansei de andar. – sorriu para jovem antes de dar meia volta e sair pela porta.
— O que você acha Kurenai-sama? – indagou Haru séria após ver que a Hyuuga não podia escutá-la.
A mulher que escutara a conversa desde o inicio pôs o bordado que fazia sobre a mesa e suspirou pensativa.
— Ela esconde algo.
— Também acho. Mas será que ela é uma má pessoa?
— Oh, não. Mesmo mal conhecendo ela é evidente que não é uma má pessoa. Mas esconde algo, e é triste. Apesar da felicidade dela sinto que há uma tristeza profunda em seu coração.
— Percebi isso também. O que será que ela esconde?
— Vamos esperar até que ela esteja pronta para nos contar.
— Estou pronta. Vamos. – um rosto delicado e pequeno surgiu na sala e um sorriu doce contagiou as mulheres presentes. Hinata era um anjo.
….
— Eu fico me perguntando por que sempre ouço os conselhos daquele maldito do Sasuke?
— Eu não sei, mas também me questiono do por que você sempre me arrastar para suas enrascadas?
Naruto olhou o colega por um tempo confuso e depois caiu na gargalhada. Gaara tinha razão, apesar de ser amigo e praticamente um irmão a Sasuke ele sempre chamava o colega ruivo para as suas confusões. Talvez fosse pelo fato de que o Uchiha agora estivesse casado. Casado com a mulher que ele sempre amou.
— Não sei amigo, talvez por que só restou você de solteiro.
O ruivo crispou os lábios, incomodado.
— Não fique bravo Gaara, eu gosto da minha condição de solteiro.
— Na verdade, se Sasuke-san não tivesse casado com a miledy Haruno. Você não estaria nessa condição de solteiro.
Naruto sorriu amargamente ajeitando a cartola e cumprimentando um conhecido do outro lado da rua.
— Você adora tocar nas ferias dos outros. Esqueceu que sou um duque – comentou entre o sorriso.
— Não, não me esqueci. Mas o que estou falando é a mais pura verdade.
Ainda era doloroso vê-los juntos, apesar de se passar mais de seis anos. Naquela época ser o padrinho de casamento foi pior do que se estivesse na guerra ou no inferno. Depois da cerimônia, fugiu e ficou dois anos exilado na frança trabalhando para o seu pai até que recebeu o titulo de Duque e precisou voltar. Mas até hoje ele sentia o gosto amargo da inveja e do ciúme quando os viam juntos.
— Você é um amigo ou um inimigo?
— Te considero um amigo. – respondeu Gaara friamente.
— É por isso que as jovens elegíveis fogem de você. Você é assustador Gaara – comentou Naruto maneando a cabeça.
— Você quer que eu o deixe aqui sozinho para enfrentar o cão que é a mãe da miledy Shion?
— Por favor, não. Aquela mulher me dá medo. Mesmo me tratando bem, não gosto dela.
— Sua Graça pretende cortejar a senhorita Shion? – indagou Gaara a Naruto como se perguntasse ao outro se vai pescar de manha.
— Sei lá, tanto faz. Por quê? Quer pedir a mão dela em casamento?
— Não, não gosto de loiras.
Essa afirmação fez Naruto inclinar a cabeça para trás e soltar uma sonora gargalhada. O não gostar de loira era por causa de milady Temari a irmã mais velha de Gaara.
— As damas. – Gaara limitou-se a dizer.
— Boa tarde Milady, Baronesa. – cumprimentou Naruto beijando as constas das mãos das damas.
— Boa tarde. – respondeu timidamente Shion, intensamente corada.
— Hoje está um lindo dia, não acha Sua Graça.
— Sim, está adorável.
— Para onde iremos? – indagou Gaara um pouco entediado.
— Pensei em ir ao Crystal Palace. Hoje ele está aberto e tem uma nova exposição. O que acha sua graça?!.
O homem assentiu sem muita animação.
— Acho esplendido. — respondeu oferecendo o braço para a jovem Shion que aceitou com um frescor rubor no rosto. – seguimos então para o palácio.
— Aqui é um bom lugar. – comentou a Hyuuga sentindo o vento quente acariciar a pele alva e balançar os longos fios negros soltos do coque no alto da cabeça. O sol e o calor convidavam as pessoas a passearem no parque e a fazer piqueniques, e essa movimentação inspirava a morena.
— Ah, aqui é perto do Crystal Palace.
— Crystal Palace? – repetiu a Hyuuga com as sobrancelhas erguidas.
— Você nunca ouviu falar dele? – indagou a loira sobre a negativa da Hyuuga – então tem que ver.
Não esperando uma resposta de Hinata a loira agarrou seu braço e a guiou por uma longa estrada até uma construção magnífica feita toda de ferro e vidro. Hinata entreabriu os lábios ao se deparar com o tamanho do prédio, era um espetáculo em forma de vidro que reluzia a luz do sol. O prédio era enorme e magnânimo. Era como um conto de fadas, o palácio de cristal da princesa com sapatos de cristal, só faltava o príncipe, pensou Hinata abobalhada.
— Então esse é o Crystal Palace?!
— É, em 1851, ele foi inaugurado no Parque Hyde de Londres para todo mundo ver — comentou a loira muito empolgada com a surpresa e estupefação da Hyuuga. – é uma construção de vidro e ferro. Quando a grande exibição acabou ele foi reconstruído aqui em Sydenham.
Hinata não sabia para que lado olhar era como se estivesse em outro mundo, ou melhor, dizendo, em outros mundos. No hall de entrada pendiam do teto samambaias imensas e havia uma variedade de fauna e flora além de uma fonte magnífica. Era simplesmente extasiante.
— Tem trabalho de arte do mundo todo, animais e plantas tropicais de todos os tipos foram reunidos aqui. É um verdadeiro jardim do paraíso oferecido ao público.
Hinata encarou a loira e sorriu maravilhada, acompanhando a jovem adentrou a passos lentos em direção à fonte que jorrava uma cascata brilhante de água tentando contemplar tudo sem perder nenhum detalhe e atenta a todas as palavras de Haru.
— Aqui é o centro do Crystal Palace onde é geralmente e usado como local de reuniões. Esta peça tem 8 metros de altura e foi construída com 4 toneladas de cristal. – indicou a Hinata o belo chafariz de cristal no centro do salão. Hinata observou as nuanças de luz que a água e o cristal produziam.
– Que lindo – murmurou a Hyuuga com os olhos acinzentados cintilando de felicidade.
— É realmente lindo. Vamos Hina-chan, vamos ver a exposição de Roma, adoro essa exposição. – chamou a jovem loira caminhado para a ala oeste do palácio.
Hinata caminhou apresada por entre as colunas e galerias enquanto tentava ouvir o que a amiga dizia e olhar atentamente cada peça de arte que estava em exposição. Passaram pela a exposição da Grécia vendo miniaturas da Acrópoles de Atenas, replicas das colunas e estatuas gregas na sua mais perfeita brancura e polidez. A Hyuuga corou diante dos músculos bem trabalhados de um deus grego. Admirou-se ao ver a replica do Panthenon e as estatuas romanas, as Esfinges Egípcias e as grandiosas Pirâmides além das exóticas pinturas asiáticas. Tudo era tão lindo e extraordinário.
— É como se tivéssemos viajando ao redor do mundo. – comentou com os olhos cintilantes de felicidade para Haru. Mas esta não a respondeu. – Haru?! – chamou notando que já fazia um tempo que não ouvia a alegre voz da jovem.
Hinata olhou ao redor e percebeu que estava sozinha. Havia se perdido da amiga em algum momento. O prédio estava abarrotado de pessoas e ela percebeu que se encontrava perdida no meio da multidão. Respirou fundo tentando se acalmar, pois se apavorar não era a melhor opção e também não era nenhuma jovenzinha tola para desmaiar. Era uma mulher adulta e determinada, pensou recomeçando a caminhar com as penas tremulas, olhando para todos os lados a procura da amiga loira. Quando distraída virou uma esquina colidiu com algo duro perdendo o equilíbrio e caindo no chão.
Estava definitivamente entediado aquela tarde. De manha havia trabalhado até a hora do almoço e depois foi praticamente obrigado a dar um passeio com uma mulher desagradável e sua tola filha em um ambiente cheio de pessoas. Odiava aquele lugar, apesar do prédio representar a grandiosa engenhosidade do ser humano não apreciava aquelas fajutas obras de arte e replicas mal feita das originais. Já havia ido a quase todos os lugares que a Grande Exposição apresentava e sabia muito bem que não fazia juiz a um centésimo do original. E gostava muito menos das tentativas da baronesa em lhe empurrar a filha para ele, por isso no meio da exposição asiática quando um grande grupo de turista se aproximava do seu aproveitou o momento para se fazer perder do grupo. Caminhou na direção que vieram até uma área mais calma, desrespeitando a leis pegou um cigarro e o acendeu.
O dia estava muito quente, observou o loiro pensativo se recostando em uma pilastra. Ficaria por ali até dar a hora de partir depois procuraria as damas, certamente Gaara tentaria matá-lo quando ficassem a sós. Riu, imaginado a cara azeda dele quando notar que o amigo tinha fugiu deixando-o sozinho. Enquanto se deliciava com tal pensamento se virou indo em direção a onde possivelmente estaria o grupo quando sentiu algo colidir contra ele e ouvir um sonoro “ai” logo em seguida. Seus incríveis olhos azuis pousaram na pequena dama de quatro no chão. Imediatamente se prontificou em ajudar a dama a se levantar.
— Me perdo... – as palavra morreram na boca quando a jovem levantou a cabeça. Seus olhos azuis se depararam com as íris mais incomuns que já viu. Não conseguiu distinguir se era azul em tom de roxo ou azul acinzentado. Eram simplesmente lindos, admitiu Naruto.
Hinata estremeceu quando viu a figura que a ajudava a se levantar, se deteve nas incríveis orbes azuis, tão vivas e intensas como o céu azul do campo. Como se aqueles olhos prometessem um lugar onde poderia ser feliz para sempre. Despertando daquela deliciosa fantasia Hinata ficou de pé segurando a mão que o belo desconhecido lhe oferecia, estranhamente evitando encarar aqueles lindos olhos novamente.
— Obrigado — sussurrou timidamente alisando as pregas do vestido amassado.
— A milady está bem? Machucou-se? – indagou Naruto interessado em ouvir mais aquela doce e baixa voz.
Balançando a cabeça negativamente Hinata curvou-se em uma mesura educada e deu as costas ao estranho, não queria que a visse rubra de vergonha, como com certeza se encontra.
— Espere – pediu Naruto segurando o braço da mulher que voltou sua atenção a ele. – espere. A milady está bem? – perguntou novamente, olhando atentamente para o pequeno rosto que o encarava levemente ruborizado. Os grandes olhos de cor indecifrável combinavam perfeitamente com a pele pálida e as maças proeminentes, o nariz pequeno e arrebitado os cabelos negros presos em um coque frouxo e completando aquele quadro lábios pequenos mais carnudos que se entreabria formando um O. Não era uma beldade, mas não deixava de ser atraente.
— Si-sim, eu estou bem. – respondeu Hinata novamente em um sussurro. Sentia suas penas tremerem só com o contado da mão enluvada daquele homem sobre o tecido do seu vestido e seu olhar perscrutador sobre sua figura. Quem seria ele? Indagou-se Hinata e ainda por que estava produzindo tamanho efeito sobre ela? Mal conseguia respirar muito menos manter os pensamentos coerentes devido à perturbação que ele produzia nela. – Com licença, eu preciso ir.
Naruto não sabia o que dizer para manter uma conversa com que aquela arredia moça. Ela evitava suas investidas e isso o deixava intrigado, geralmente com apenas um olhar conseguia o mágico efeito de fazer uma mulher não deixá-lo de olhá-lo, sorrindo como uma tola. Mas aquela mulher parecia ser imune ao seu charme natural, ou não? Ou poderia ser mais um jogo? Não custava nada descobrir, pensou, sorrindo interiormente.
— Posso acompanhá-la milady. Acho melhor sentar-se um pouco e certificar-se de que não se machucou.
Hinata mordeu o lábio inferior negando-se a olhar o homem a seu lado. Por que esse estranho insistia em fala-lhe? Estava começando a ter aqueles humilhantes momentos de profunda timidez que a deixava rígida e sem palavras, como uma verdadeira idiota. E de repente seu rosto ficou rígido. Ela prometeu a si mesma que nunca mais se sujeitaria a tais comportamentos. Respirando fundo estacou no meio do caminho e se virou para o estranho que também parou.
Observou atentamente aquela figura masculina. Em verdade, era um belo espécime masculino, alto de olhos incrivelmente azuis e cabelos loiros como ouro que reluzia nos ornamentos do altar da Abadia de Westminster, pele bronzeada, nariz reto aristocrático e lábios firmes. Ele a encarava com uma expressão serena. Era lindo, parecia um nobre, com aquelas roupas elegantes. Bem que poderia ser, pois tinha a impressão que ele falava o velho inglês. Obrigou-se a voltar à realidade não era hora de sonhar.
— Senhor, eu agradeço sua preocupação. – começou determinada arrebitando o nariz e ignorando o tremor de suas pernas — mas não há necessidade de me acompanhar e tenho certeza de que não estou ferida. Peço desculpas pelos meus modos desajeitados. Mas agora eu realmente preciso ir.
O Uzumaki arqueou as sobrancelhas, surpreso, pela resposta da mulher. Podia ter esperado tudo vindo daquela pequena figura, mas jamais aquelas palavras e ditas com tamanha determinação, como se ela tivesse se tornado um gigante e ele um pequeno anão. Imaginou que surgiria um sorriso tolo nos rosto pequeno e os olhos piscariam num movimento frenético e com uma risadinha aguda ela fosse se lançar a ele com palavras tolas e frívolas como todas as jovens e algumas mulheres casadas faziam, mas não, a moça respondeu com decisão e determinação sem um resquício de frivolidade que o admirou. Quando se deu por si ela já estava há dois passos dele. Observou meio hipnotizado o balançar dos quadris dela, que andava com uma graça digna de uma princesa.
Não podia deixá-la partir assim sem nem ao menos saber seu nome.
— Espere!! Não poderia deixá-la sozinha milady. Meu orgulho de cavaleiro não permitiria. – deu um daqueles sorrisos encantadores que desarmava qualquer mulher de Londres. No entanto, em sua acompanhante o efeito foi contrário, o rosto dela ficou mais rígido.
— Já lhe disse senhor que não precisa me acompanhar. – respondeu séria sem olhá-lo
Naruto começou a achar que aquele rubor na face pequena era natural, pois parecia que sua aparência não lhe agradava, por tanto não seria por que estava envergonhada.
— Mas eu insisto. – retorquiu sem saber o que dizer, ela não lhe dava espaço para uma conversa.
Hinata parou novamente e com as mãos nos quadris perguntou severa, como se estivesse falando com uma criança.
— O senhor não sabe o significado de uma negativa?
Arqueando uma sobrancelha ele respondeu sério.
— Creio madame que não sou acostumado a ouvir tais demonstrações de desafeto e falta de educação.
— Que pena senhor. – lamentou Hinata olhando aquele rosto sério e atraente, tentando controlar a timidez que a solava. – mas lamento dizer que também é uma falta de educação perseguir alguém que não deseja sua presença.
Naruto entreabriu a boca surpreso com tamanha sinceridade, nunca em sua vida alguém o havia tratado daquela maneira. Ele, o futuro oitavo Conde de Namikaze e o atual sexto Duque de Uzumaki, sendo desrespeitado por uma jovem que nem ao menos sabia se pertencia à nobreza. Seus olhos azuis alegres se tornaram duros e Hinata sentiu uma onda de puro medo a invadir quando se deparou com eles. Talvez não devesse ter provocado aquele homem, ele não parecia ser um simples plebeu.
— Também lamento dizer... – interrompeu-se Naruto controlando sua raiva. Hinata sentiu a voz fria e autoritária percorrer seu corpo já tremulo, teve a estranha sensação de que tudo a seu redor havia desaparecido. – que é uma falta de educação se dirigir desse modo a alguém que não conhece.
— Mas de que outro modo posso me dirigir ao senhor se insiste em ser inconveniente – respondeu Hinata. Não adiantaria voltar à trás como uma covarde. Nunca mais seria uma.
— Eu inconveniente?! Apenas estava tentando ser solicito. – respondeu indignado.
— E eu lhe respondi que não preciso de sua solicitude.
A discussão acalorada já chamava a atenção das pessoas próximas do casal.
— Ora essa! – resmungou Naruto passando a mão pelos cabelos loiros, bagunçando-os. – nunca conheci uma mulher tão mal educada.
Hinata estreitou os olhos, rubra de raiva.
— E eu, a um homem tão intransigente e desagradável. Com sua licença, não quero ficar com sua presença. – empinado o nariz deu as costa ao loiro.
Furioso, Naruto segurou os ombros da mulher e a fez o encarar, sem ao menos se importar com que as pessoas que já observava a discussão pensariam.
— Ninguém, mas ninguém diz não para mim. – murmurou entre os dentes, furioso, cravando suas íris azuis nos pequeno rosto da mulher que empalideceu diante de seu olhar.
Hinata respirou pesadamente sentido que cairia no chão novamente se aquele estranho não a estivesse segurando pelos ombros. Ele era forte e grade, com toda certeza poderia dividi-la em dois só com suas mãos. Estava apavorada mais não se deixaria abater. Não era mais a mesma Hinata, agora enfrentaria tudo e a todos mesmo que estivesse morrendo de medo. E calmamente respondeu:
— Eu não sou ninguém.
Em um movimento brusco se soltou das mãos que a aprisionava sumindo por entre a multidão deixando para trás o sexto Duque de Uzumaki, Uzumaki Naruto sem palavras.
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* nota: The Crystal Palace foi uma enorme construção em ferro fundido e vidro erguido no Hyde Park, em Londres, para albergar a Grande Exposição de 1851. Foram acolhidos mais de 14.000 expositores vindos de todo o mundo nos 92.000 metros quadrados (990.000 pés quadrados) de espaço de exibição, onde foram mostrados exemplos das últimas tecnologias desevolvidas na Revolução Industrial. Desenhado por Joseph Paxton. Em 1854, depois da exposição, o edifício foi trasladado para um novo parque numa zona mais alta, saudável e rica de Londreschamada Sydenham Hill, permanecendo no novo local até à sua destruição, por um incêndio, em 1936.
fonte: wikipédia
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