Brighter Than The Moon
8 Beijo ao Luar
Notas iniciais
Capitulo VIII – Beijo ao Luar.
Hinata se assustou com o convite da Condessa Namikaze. Havia percebido que tinha simpatizado com ela, mas não esperava um convite para tomar chá em sua residência. Mesmo relutante decidiu aceitar o convite, pois ao final Kushina era uma mulher nobre e muito importante e principalmente havia se simpatizado com ela.
Quando chegou à esplêndida mansão foi guiada por um mordomo sério e formal para uma pequena sala de papeis de parede azul bebê e sofás de seda branca. Uma ruiva exuberante a recebeu com um sorriso verdadeiro e acolhedor no rosto.
— Boa tarde milady Condessa Namikaze – cumprimentou Hinata fazendo uma mesura apropriada. Acrescentou quando notou a presença de mais duas damas na sala – desculpe não sabia que tinha visitas.
— Não precisa pedir desculpas minha querida. Foi eu quem a convidou – sorriu Kushina indicando a Hinata uma poltrona próxima a onde estava sentada. – sente-se também senhorita Akima.
A loira sorriu sem graça e sentou-se em uma poltrona ao lado da Baronesa que com uma sobrancelha erguida avaliava dos pés a cabeça a tal dama misteriosa que acompanhava o Duque Uzumaki na noite anterior. Era realmente seu dia de sorte, pois não precisava utilizar estratagemas e energia no entendo de descobrir quem era a mulher, já que ela se encontrava diante de seus olhos.
Tossiu levemente chamando a atenção de Kushina.
— Oh! Que distração é a minha, Baronesa essa é a Senhorita Hyuuga. Hinata esta é a baronesa Yakito e sua filha Shion.
— Muito prazer em conhecê-las – sorriu Hinata gentilmente sentindo ser avaliada como uma égua premiada pela baronesa.
— Hyuuga?! Não me é um nome estranho – murmurou a velha mulher buscando em sua memória aquele nome, já tinha ouvido falar daquele nome, isso ela tinha certeza.
— Posso garantir que não é um nome comum. – comentou Kushina ignorando o ar desagradável da baronesa – espero que não tenha passado nada ontem à noite, vocês saíram antes de terminar a peça.
Haru lançou um olhar nervoso, para Hinata e a baronesa arqueou uma sobrancelha interessada enquanto que Shion encarava sem expressão nenhuma a morena.
— A Haru-chan não estava se sentindo muito bem, então resolvemos ir para casa mais cedo.
— Mas agora lhe passa bem querida? – perguntou Kushina voltando-se para a jovem loira verdadeiramente preocupada.
— Sim, madame. Agora eu estou bem.
— Nunca há vi na sociedade antes senhorita Hyuuga. Quando foi seu debute? – indagou a baronesa altiva, ignorando Haru.
Na breve avaliação que a Baronesa fizera chegara à conclusão de que a moça era de uma família abastarda, usava um vestido verde escuro de seda feito em uma das melhores casas de moda de Londres, isso ela sabia, pois o modelo era bem o estilo de madame Le Rosie. Não usava joias mais tinha porte e postura de uma dama. Aquela mulher era perigosa, não tinha aliança e nem era uma jovenzinha, mas era bonita e para completar tinha a simpatia da Condessa.
— O motivo de nunca ter me visto foi por que nunca debutei, Baronesa. – respondeu simplesmente.
— Oh! Isso é uma lastima. Mas agora veio debutar?
Hinata sorriu um pouco nervosa, aqueles modos altivos a deixava sem jeito.
— Não, não tenho mais idade para isso.
— Como não tem mais idade. – protestou a Condessa – você é tão jovem e bonita.
— Já estou nos meus vinte e seis anos e me encontro no time das solteironas, mas não me incômodo com isso – comentou num tom brincalhão, pela primeira vez na vida realmente não se ressentia por não ter se casado.
— Nunca é tarde para se encontrar a cara metade. – proferiu Kushina com um ar solene. – mas me admira seu bom humor.
— Isso é verdade, Hina-chan é bem animada e divertida – interrompeu Haru eufórica como sempre.
— Tenha modos – repreendeu Yakito. – os empregados precisam saber seu lugar
— Desculpe – murmurou Haru, envergonhada.
Hinata olhou com certa fúria para a Baronesa, ninguém destrataria sua amiga. Em um tom sério falou:
— A Haru tem toda a liberdade de dizer o que quiser Baronesa. Ela minha empregada e amiga. Por favor, gostaria muito que não interferisse.
Kushina olhou admirada a Hyuuga tendo mais certeza de que a jovem era perfeita para seu filho enquanto a Baronesa crispava os lábios, muito contrariada.
— Bem, se não veio para a temporada o que pretende fazer aqui senhorita Hyuuga? – indagou mudando de assunto.
— Eu recebi uma herança recentemente então decidi tirar uns meses de férias. Nunca tinha vindo a Londres, achei a oportunidade perfeita. Mas em breve viajo par Paris.
— Ah, mas já vai nos deixar. – amuou a Kushina enquanto a Yakito apertava os lábios na tentativa de refrear um sorriso de satisfação. – que pena.
— Ficarei mais três semanas aqui Condessa – acrescentou Hinata sentindo se culpada.
— Devemos então aproveitar. Você virá comigo no próximo baile de lady Molly.
— Não acho que seria apropriado.
— Por favor, não aceito uma negativa. Meu marido sempre me disse que sou a criatura mais teimosa da face da terra, imagina o desastre que seria se eu fosse à rainha. – ela começou a rir. — e olha que vossa majestade Elizabeth já é uma mulher muito teimosa. Ah! O chá vai ser servido, vamos ao terraço, hoje está muito quente. – levantou-se à segunda badalada do relógio que marcava às quatro em ponto.
As mulheres mais velhas foram na frente e logo depois Haru, deixando Hinata e Shion mais atrás. Quando se encontrava no longo corredor que levava a um terraço com vista para o jardim uma mão pequena pousou no braço da Hyuuga.
— Sim?! – Hinata olhou para a bela jovem loira.
Shion a primeira vista a surpreendera era a jovem mais linda que tinha visto, os cabelos loiros em cachos pendiam do alto da cabeça realçando o belo e delicado rosto e os incríveis olhos azuis escuros. Ela parecia um anjo delicado e tímido. Mas tinha algo nela que a incomodava e quando seus olhos acinzentados pousaram no rosto perfeito a expressão inocente havia desaparecido.
— Não pense que só por que tem a simpatia da Condessa Namikaze que você vai ficar com o Duque, sua velha. – expeliu venenosa assustando Hinata.
— Do- do que você está falando?
— Não se faça de inocente sua vadia. Sei muito bem o que quer, mas digo que quem vai ser a Duquesa serei eu.
Hinata se soltou do toque com um movimento brusco. Realmente não estava enganada. Havia conhecido muitas garotas assim na escola em que frequentara. Víboras por natureza.
— Não se preocupe milady, não pretendo roubar-lhe o posto de Duquesa. Fique tranquila. – sorriu friamente enquanto sustentava com muita determinação o olhar altivo da moça, limpando enojada a manga do vestido que outrora a moça tocou — e a próxima vez que dirigir a mim com ofensas como esta eu terei a obrigação de te esbofetear.
Com muita dignidade e fúria controlada deu as costas a atrevida e egoísta Shion, que bateu o pé no chão, contrariada. Aquela jovem era o exemplo vivo do lobo em pele de cordeiro.
Mais tarde naquele dia depois de passar um desagradável chá da tarde com a baronesa e a monstruosa filha que sorriu para a Condessa como um anjo quando se encontraram na bancada, Hinata e Haru se dirigiram para a pequena pensão de Kurenai. Havia prometido a ela que levaria cestas com alimentos para algumas famílias pobres e um orfanato, afinal, a morena achava que com tanto dinheiro seria mesquinho não ajudar aqueles que necessitavam. E foi com muita alegria que Hinata sentou na velha poltrona da pequena pensão de Kurenai.
— Não sabe a satisfação que senti ao ver aqueles sorrisos de felicidade. – comentou ainda aplacada por um sentimento generoso no coração.
— É sempre bom ajudar alguém. Sempre nos sentimos leves, com a sensação de dever cumprido.
— Isso é verdade – concordou Haru tentando limpar uma mancha de barro na saia – aquelas crianças ficaram muito empolgadas e perderam toda a compostura.
— Acredito que quem perdeu primeiro a compostura foi você Haru, se não me engano foi você a primeira a sair correndo com a bola. – murmurou Kurenai pensativa arrancando uma gargalhada de Hinata.
— Kurenai-sama!! – exclamou a loira vermelha como um pimentão.
— Mas eles se divertiram muito.
— Ai, não quer sair! – exclamou a loira se esquecendo de seu constrangimento inicial.
— Vá à cozinha e lá peça para a camareira lhe ajudar. Kyoko é especialista em macha.
— Ah! É mesmo. – sorriu a loira alegremente deixando a sala.
Hinata olhou a mulher calma de cabelos castanho por um tempo, apreensiva. Desde o inicio da visita desejava falar a sós com Kurenai, mas não sabia como começar aquela conversa. Kurenai era a única mulher experiente que conhecia e estava por perto.
Respirando fundo se encheu de coragem.
— Kurenai-sama, você já foi casada né?
— Sim, faz muito tempo, meu marido morreu a serviço da Scotland Yard. – murmurou pensativa.
— Meus pêsames.
— Isso faz muito tempo, meu filho está crescido e frequenta Eton, espero que ele seja um bom advogado. Mas Asuma faz falta.
— Então Kurenai-sama você sabe com-como flertar com um homem? – gaguejou com a face em chamas.
A mulher arqueou as sobrancelhas, surpresa.
— Por que essa pergunta?
— Bem, eu não tenho muito jeito com isso. – murmurou olhando as mãos sobre o regaço.
— Hinata, me desculpe ser tão inconveniente, mas o que se passa?
— O quê? — a morena voltou seu olhar para a sábia mulher.
— Você não é rica, nem casada e muito menos uma jovenzinha. Ganhou uma fortuna e em vez de utilizar esse dinheiro apropriadamente, pois só de olhar em você se vê que é uma garota sensata, esta esbanjando e festando como se fosse seu ultimo dia na terra. E agora me pergunta como seduzir um homem. O que se passa?
Hinata mordiscou o lábio inferior se negando a olhar nos olhos avaliadores de Kurenai. Num suspiro de derrota deixou soltos os braços ao lado do corpo não adiantaria mentir, uma hora ou outra, todos descobririam.
— Isso é verdade. Esses realmente não são comportamentos que eu algum dia tivesse imaginado em fazer. – sorriu triste enquanto Kurenai a observa em silêncio, Hinata agradeceu a isso – mas agora a situação é diferente e tudo isso começou a mais ou menos um mês.
— O que aconteceu?
— Eu trabalhava em uma casa sendo preceptora de três crianças e um dia a mãe deles me mandou levá-los para passear a cavalo. Eu não sei andar a cavalo e cabei sofrendo um acidente.
— O meu Deus! – exclamou Kurenai. – mas você está bem agora.
— Eu achava que estava bem, tive uma pancada feia na cabeça e depois comecei a ter dores de cabeças fortes. Dois meses depois do acidente eu descobri que tinha tumores no cérebro já avançados e que só me restava pouco mais de cinto meses de vida.
Kurenai a olhou com os olhos nublados de lagrimas.
— Talvez isso explique meu comportamento. Por sorte ganhei esse dinheiro e por isso decidi aproveitar pelo menos os últimos dias da minha vida.
— Isso não pode ser verdade. Você é tão jovem.
— Tudo bem Kurenai-sama eu já superei isso.
— Você já viu a opinião de outros médicos. Não se entregue assim tão facilmente menina.
Hinata balançou a cabeça em negativa sentindo a garganta trancada e os olhos nublados de lagrimas. Era a primeira vez que falava para alguém de sua doença. Tinha que ser forte, não podia desabar como uma criança assustada. Prometera a si mesma que seria uma mulher forte.
— Eu cheguei à conclusão que minha vida era insípida e sem emoção. Mesmo sendo apavorante saber que vou morrer essa doença me deu um pouco de coragem. Eu quero fazer aquilo que nunca fiz na vida e que sempre desejei. Quero ser feliz.
Kurenai olhou para Hinata com um misto de admiração e compreensão.
— Eu entendo minha querida. Nunca sabemos quando perdemos algo querido e quando isso acontece percebemos que deixamos de fazer tantas coisas. – limpando as lagrimas a mulher sorriu – então me diga se tem um cavaleiro em especial ou quer saber no geral.
Hinata sorriu animada.
— Na verdade tem um em especial. – respondeu intensamente corada. — o Duque Uzumaki.
— Como?! Esse não é uns dos maiores libertinos da cidade? Como você o conheceu?
— Digamos que nos esbarramos – sorriu sem jeito se lembrando da discussão acalorada no palácio de cristal. – e sei que ele é um libertino, por isso eu escolhi ele.
— Não compreendo.
— Se ele é um libertino isso significa que não corro o risco dele se apaixonar por mim.
— Mas e se ele apaixonar por você?
A Hyuuga sorriu balançando as mãos no ar.
— Isso é impossível.
Kurenai encostou-se ao sofá, muito pensativa, enquanto avaliava a jovem. Era impossível não amar aquela mulher, pensou, só um idiota não o faria. E torceu para que aquele homem fosse um.
— Você tem consciência das consequências de um flerte com um libertino? – perguntou Kurenai olhando significativamente para a Hyuuga que corou mais intensamente.
— Sim, sei muito bem. – respondeu sabendo do que a mulher falava. Havia o perigo de um provável relacionamento mais intimo entre ela e o Duque.
— Pois bem, não sei muita coisa e também não participo da nobreza, mas sei que os flertes lá são mais picantes. – comentou começando seu discurso para uma atenta Hinata.
...
Havia se passado três dias após o casual encontro no parque com Hinata e Naruto se pegava ali no meio de uma multidão de pessoas, sendo atacado por olhares famintos de mães casamenteiras e ficando surdo com os risos agudos das debutantes. E afinal por que ele estava ali? Perguntou-se, aborrecido. Sua resposta surgiu diante de seus olhos, na pista de dança uma mulher de cabelos negros preso em uma ousada trança que caia em seu ombro direito, dançava uma quadrinha animada com um parceiro loiro e alto. Naruto se concentrou na pequena criatura, sua estatura privilegiada o permitia vê-la perfeitamente. Hinata usava um vestido azul turquesa com fita e pedras dourados, e entre o cabelo com o penteado arrojado havia uma fita também azul, como sempre não usava joias, e uma luva comprida e branca cobria praticamente todo o braço impedido de alguém tocar a pele acetinada. Ela sorria para o parceiro com as faces muito ruborizadas por causa do exercício e o ar quente do salão.
O que aquela mulher havia feito com ele? Voltou a se perguntar. Provavelmente era uma feiticeira, só podia ser, para fazê-lo cativo daquele jeito ao ponto de passar a maior parte do tempo pesando nela e levá-lo ao uma festa que detestava sendo alvo de mulheres desagradáveis no simples intuito de vê-la novamente. E os sentimentos eram muito mais perturbadores, aquela mulher o intrigava de mais, sua leve indiferença, sua alegria genuína, sua gentileza, a vontade de viver, a coragem e determinação que enfrentava até um par de reino e sua total despreocupação com a existência dele, igual a Sakura. Sim, Hinata era parecida com Sakura.
Era por isso que sentia tamanha determinação em seduzi-la. Se aquela mulher se parecia com Sakura era preciso fazê-la sucumbir de amor por ele assim talvez ele se sentisse melhor. Estaria vingado de toda a dor. Enquanto caminhava em direção a Hinata ignorou um estranho sentimento no peito.
— Posso pedir essa dança? – sorriu para a Hyuuga que se aproximava da beira da pista de dança um pouco esbaforida.
Hinata olhou para Naruto surpresa, não achava que o loiro estaria presente em um baile onde debutantes escapavam pelas janelas. Libertinos como ele fugiam daquele lugar como diabo fugia da cruz.
— Sua Graça – murmurou fazendo uma mensura. – desculpe, mas lorde Soto tinha me pedido. – olhou para o homem pálido e magro que se aproximava.
Hinata se surpreendera muito quando chegou ao baile com a Condessa. Talvez fosse por causa do elegante vestido e a presença da distinta dama que a acompanhava e tinha apresentado a todas as aquelas pessoas, pois havia recebido vários convites para dança. Nunca tinha indo a um baile tão elegante, o salão era amplo de janelas altas decorado com flores brancas e no alto do teto pendiam lustres enormes. Só havia participado de pequenas festas no povoado perto da propriedade dos Inozukas, mas ninguém a chamava para dançar. Descobriu-se uma ótima dançarina.
— Sua Graça – cumprimentou o homem maneando a cabeça respeitosamente.
— Boa noite Soto. – sorriu o Uzumaki – não se importaria se tomasse a dama nessa dança? – perguntou causalmente.
O homem sorriu sem jeito e respondeu:
— De maneira alguma.
Hinata encarou o homem enquanto era guiada pelo Duque.
— Vejo que ser um par de reino impõem respeito. O lorde nem protestou – comentou Hinata se posicionado para a valsa.
— Ser um Duque tem suas vantagens – deu de ombros.
— Por isso é mimado – murmurou Hinata sentindo um rubor tomar conta do rosto quando sentiu a mão grade pousar em sua cintura.
Havia decidido desistir daquele plano maluco depois de ouvir o que Kurenai lhe dissera, nunca conseguiria fazer aquilo, por Deus, não com aquele homem, pensou olhando aqueles profundos olhos azuis enquanto era entorpecida por toda a sua presença. Só de tocá-la já a deixava sem ar.
— Fique bem claro, nem sempre fui Duque. – comentou calmamente olhando-a nos olhos. Aquela mulher seria dele, pensou convencido.
— Não?
— Não, eu recebi o titulo do tio avo da minha mãe. Ele morreu sem herdeiros e eu sou o único parente homem vivo. Ganhei o titulo há pouco tempo e com ele o Ducado, com um monte de responsabilidade.
— Oh! Devo imaginar – murmurou Hinata envergonhada.
Rodopiando pelo salão Naruto diminuiu além do decoro a proximidade entre eles. Não podia negar que era bom ter aquele pequeno corpo tremulo contra o dele. Não se incomodaria de arrastá-la até uma alcova ou no jardim e deixar aqueles lábios inchados e vermelhos como frescor rubor das faces dela. Sentiu uma pontada de excitação, e amaldiçoou estar em um lugar publico, seria difícil escapar tão facilmente.
A Hyuuga era uma dançarina habilidosa como o próprio Uzumaki, e logo o casal começou a chamar a atenção dos convidados. Hinata sentiu ainda mais o rubor subir as faces. Sentia-se em um conto de fadas, onde a simples plebeia tem a chance de ir ao baile do príncipe. Pela primeira vez na vida ela era o centro das atenções e tinha como companheiro um dos homens mais bonitos da festa. Apesar de envergonhada sentia-se imensamente feliz, mesmo que a doze badaladas o encanto se acabaria e sua vida tornaria escuridão. Aproveitaria os últimos minutos ao lado daquele homem que lhe provocava reações estranhas.
— Daria minha fortuna para saber o que está pensando – murmurou rouco no ouvido da dama diminuído ainda mais a distancia entre eles.
Hinata sentiu a proximidade roubar seu fôlego.
— Estaria disposto a isso? – indagou com um sorriso trêmulo nos lábios tentando conter as penas bambas.
— Mas é claro, esta com essa cara séria e perdida. Não é comum ter uma companheira tão concentrada quando está dançando comigo.
A morena lançou uma olhar cético ao companheiro.
— Acredito milorde que não tivera muito bons exemplos sobre a natureza feminina.
— É sério? – falou irônico arqueando uma sobrancelha interessado
— Sim, nem todas as mulheres são dadas a sorriso e olhares sedutores a um cavaleiro – piscou os cílios do modo mais sedutor que pode – a maioria está interessada em assunto mais sérios.
Naruto jogou a cabeça para trás soltando uma gargalhada.
— Assuntos sérios milady — repetiu com uma ar irônico, se divertindo – então me diga quais são esses assuntos tão sérios?
— Vejamos – murmurou Hinata pensativa enquanto fazia um bico encantador, na opinião de Naruto – assuntos como, o desenvolvimento das indústrias, a situação dos empregados e das crianças nessas fabricas. Sabia sua Graça que essas pobres crianças trabalham mais de dezesseis horas por dia em situação precária.
— O que há de mal em trabalhar? – indagou um pouco irritado, não se falava dessas coisas com damas.
— São crianças. Não tem a constituição de um adulto, não se desenvolveram ainda. É desumano não deixá-las brincar e aprender a ler e escrever. Não discordo de que trabalhar é algo bom e necessário, mas duvido que sua Graça tenha trabalhado quando era criança.
Naruto ficou parado no meio do salão olhando o rosto determinado da jovem, admirado. Além de sua mãe era a primeira mulher que discutia algo tão serio e com tamanho conhecimento do assunto. Que diabos, quem era aquela mulher afinal.
— Sua Graça – saudou uma voz jovem e delicada despertando o nobre.
— Boa noite lady Shion – sorriu educado beijando a mão enluvada da dama.
— Com sua licença – pediu Hinata se afastando antes que Naruto impedisse.
Não queria mais ficar na presença do homem, havia passado dos limites, aquele não era assunto a se tratar no meio de um salão com um nobre e principalmente não queria dar mais motivos para Shion voltar-se contra ela. Naruto a viu partir desolado.
— Como está sua graça?
— Bem, me conceda essa dança — inclinou-se Naruto escondendo por trás do belo sorriso todo o seu desagrado.
— Oh! Que pena, eles se separaram – murmurou a ruiva baixando o monóculo.
— Quem? – indagou Sakura vasculhando o salão.
— Meu filho e a milady Hyuuga. Eles estavam dançando. Formam um par tão lindo.
— Oh! Vejo que você gostou dela Kushina-sama. Pensei que tivesse interessada em milady Shion. – observou a pequena loira dançar graciosamente junto à Naruto. Também formavam um casal muito bonito e aristocrático.
— Não nego que Shion é uma moça muito bonita, mas não consigo enxergá-la como mãe dos meus netos. E ela é perfeita de mais.
A jovem voltou seus incríveis olhos verdes para a dama elegante a seu lado, um tanto intrigada.
— O que tem de errado em ser perfeita?
Kushina sorriu gentilmente observando a viscondessa com um olhar muito sábio.
— Ninguém é perfeito, minha querida, temos nossos defeitos e eu sei que ela tem, mas não os mostra. Se alguém esconde seus aspectos imperfeitos e por que é obscuro de mais para surgir na luz. Eu não gosto disso.
— Compreendo. – murmurou Sakura pensativa.
— E, meu sexto sentido me diz que a senhorita Hyuuga é perfeita para meu filhinho. – sorriu Kushina com um brilho estranho nos olhos. – além de que ela elogiou meus lindos cabelos ruivos.
— Isso explica tudo, Kushina-san – comentou a rosada soltando uma gargalhada deliciosa pousando a mão no ventre e quando recuperou o fôlego completou – seus cabelos tinham que está envolvido nisso.
A mulher deu de ombros não se ofendendo com o comentário, mantinha o rosto muito concentrado na pista de dança. Tinha que haver um jeito de juntar aqueles dois jovens, ela sabia que havia algo entre eles, sim. Eles estavam ligados, mas nem ao menos sabiam disso.
Com um sorriso satisfeito no rosto se levantou da cadeira.
— Chega de bancar a matrona, não sou tão velha assim para ficar vendo as jovens dançar, não é minha menina?!
— A senhora é uma mulher linda.
— Obrigado, você também Sakura. Agora vou roubar um jovem para dançar já que não encontro meu atraente marido. Provavelmente umas dessas descaradas estão atrás dele.
— Oh! Minato-sama só tem olhos para você milady.
Kushina sorriu abertamente.
— Eu sei, por isso não me preocupo. Mas por que não fazer ciúmes né. – piscou o olho e com um sorriso se dirigiu a um jovem admirador e indo contra o costume o convidou a dançar.
Sakura observou a animada e apaixonada Condessa Namikaze seguir com seu par para a pista de dança. Ela sabia o que a mulher pretendia e era muito além de provocar ciúmes ao seu marido. Ela estava decidida a tornar a simpática senhorita Hyuuga na futura Duquesa Uzumaki. Torceu interiormente que aquela loucura desse certo, pois mesmo que o amigo fingisse não se importar ela havia notado que nos últimos dias um brilho antigo havia surgido nos olhos dele. E desejava do fundo do coração que o amor o ajudasse a ser feliz.
Tentou com todas as forças ignorar a presença do cavaleiro alto e elegante, mas parecia que o de destino tinha toda a intenção de pregar-lhe uma troça. Deveria ser divertido para quem quer que comande os fios do destino colocar em sua presença tão desagradável cavaleiro.
— Boa noite, milady – cumprimentou polidamente Gaara beijando levemente os dedos enluvados de Haru que se sentiu estremecer.
— Noite – sorriu, não escondendo seu desagrado.
Gaara arqueou uma sobrancelha analisado dos pés a cabeça a jovem dama. Haru trajava um vestido azul bebê que realçava a pele clara e os cabelos incrivelmente loiros, as maça do rosto rosadas devido o ar abafado do salão lhe acrescentava um frescor ainda mais tentador. Era estranho uma dama de companhia se vestir tão bem quanto sua patroa, e ainda mais, o próprio lorde reparar em uma loira.
— Está muito bonita essa noite. – elogiou polidamente
A loira ergueu uma sobrancelha visivelmente irritada e com ar altivo deu as costas ao ruivo.
— Vejo que esses modos rudes são comuns em classes inferiores. – comentou alcançando loira que o encarou furiosa.
— Então é essa a imagem que tem das pessoas comuns, meu lorde? – indagou a loira profundamente irritada.
— Infelizmente não tenho bons exemplos do contrário – alfinetou o lorde, que ainda se perguntava por que se disponha do seu tempo para seguir uma simples empregada.
A loira estacou no meio do caminho e encarou seria o rosto de profundos olhos verdes-água.
— Talvez se primeiro procurasse dirigir as classes ditas por você como “inferiores” com mais respeito, posso lhe garantir que se surpreenderia muito com nossa educação e modos. – sorriu graciosamente enquanto uma linha profunda e sombria marcava o rosto bonito.
— Em momento algum fui rude milady. – comentou sério.
Haru riu baixinho abanando o leque de renda branca fazendo os fios loiros soltos balançar graciosamente, invocando uma cena de um canto de sereia.
— Mas seu comportamento altivo já é o suficientemente rude para uma simples plebeia.
— No entanto, me parece que não é uma simples plebeia.
— Oh! É que a maioria das pessoas ignora que a inteligência não depende de classe social. – sorriu cortesmente caminhando em direção ao salão de jogos. De certa maneira aquela dama de companhia começava a intrigar o ruivo. Era a primeira vez em anos, além de sua irmã e a Condessa Namikaze, que tinha uma conversa com uma mulher que não envolvia o tema tempo e moda. – ainda mais que mulheres podem nascer com a graça da inteligência.
— Fique sabendo que nunca fui adepto desse tipo de pensamento. Conheço mulheres tão inteligentes quanto homens.
— E creio que elas são vistas como excêntricas. – comentou a loira observando um par de cavaleiros jogando cartas.
— Sim – teve que concordar, sua irmã não era muito bem quista na sociedade devido seu temperamento forte e a insistência em ser professora em uma universidade e fazer pesquisa na área da química, o único que a aturava, como assim podia dizer era tão somente um dos maiores gênios da época Nara Shikamaru. – creio que esse não seja um ambiente apropriado para você.
— Por quê? – perguntou a loira voltando seus incríveis olhos azuis claros para Gaara. Não podia negar que a mulher era bonita, mesmo sendo loira. – sou boa em jogos milorde.
— É?
— Principalmente no Xadrez. – sorriu-lhe.
Mais tarde quando Naruto surgiu no salão de jogos a procura do amigo encontrou-o em meio a uma pequena multidão e para sua total consternação, o amigo estava concentrado em uma partida muito difícil com uma jovem dama.
— Sua Graça – sorriu a jovem loira que não aparentava estar muito preocupada com o jogo.
— Boa noite Milady Akima. O que está acontecendo aqui?
— Estamos jogando uma partida de xadrez Sua Graça.
— E a milady está ganhando – comentou um cavaleiro próximo.
— Ainda não. – interrompeu Gaara visivelmente irritado.
— Eu vejo. – comentou o loiro tentando conter o riso, não era comum Gaara perde em um jogo de xadrez, só perdia apenas para Shikamaru.- Milady, você viu milady Hyuuga? – indagou baixinho para loira.
— Infelizmente não sei onde ela está, a ultima vez que a vi estava em companhia da Condessa.
— Obrigado. Boa sorte Gaara – sorriu saindo do aposento enquanto o amigo ficava mais irritado. – por onde você anda Hinata? – murmurou o lorde enfrentando o mar de gente.
Também não deixava de ser divertido observar os bailarinos do salão de dança, toda a agitação e a alegria além do esplendor das roupas elegantes e do próprio salão. Naquela noite havia realizados vários de seus desejos impressos no pequeno pedaço de papel amassado escondido dentro de um velho livro. Provavelmente se alguém daquele salão tão elegante pudesse ler aqueles desejos tão simplórios, por-se-iam a rir, mas para uma mulher tão simples e que não tivera muitas oportunidades na vida eram sonhos quase inalcançáveis. Mas o destino pôs um desconhecido investidor em sua vida justamente na hora em que havia acabado suas esperanças, e naquela noite Hinata se sentiu agradecida aquela pessoa por proporcionar-lhe um final de vida tão dourado e feliz que um dia se quer pudesse ter imaginado.
Caminhou pelo salão pensativa, ignorando os olhares admirados de alguns homens e a invejas de certas damas, até que algo chamar sua atenção. Um ar frio penetrou seus pulmões fazendo-os arder enquanto o sangue sumia de suas veias. Os olhos acinzentados acompanharam lentamente o caminhar determinado e reservado do homem que travessava o salão. Os olhos acinzentados olhando em sua direção. Agradeceu por estar em um lugar mais escuro que ocultava sua face. Ele não havia percebido sua presença ou havia? Perguntou-se sentindo o coração bater com mais violência.
Recomeçou a caminhar com uma renovada determinação, precisava sair daquele salão antes que Neji a encontrasse. Isso não podia estar acontecendo com ela, pensou em desespero caminhando por um corredor longo e iluminado por lâmpadas de tom amarelado e papel de parede vermelho. O local estava deserto e levava a um canto mais calmo e aconchegante da casa, um balcão que tinha uma vista privilegiada do vasto jardim da mansão.
O céu estava estrelado com uma linda e enorme lua que banhava o precioso jardim delicadamente decorado com balões vermelhos iluminados por velas. Respirou o ar puro da noite apreciando a beleza do lugar. Como podia ter o azar de encontrar seu primo em um salão lotado de pessoas da alta nobreza, se perguntou. Na verdade não era nenhum absurdo, seu primo era um lorde e tinha muitas posses. Dinheiro e propriedade que pertenceram a seu pai antes deste renunciar.
Não tinha nada contra seu primo, em verdade ele nunca havia sido cruel ou amável, ele era apenas Neji. Sempre responsável e sério. Não havia tido uma infância tão ruim, apensar de se sentir deslocada por ser órfã. Hizahi e sua esposa eram pessoas muito amáveis, mas não eram seus pais. E sempre soube o seu lugar. Ela e a irmã eram os parentes pobres que moravam de favor, por isso se dedicou muito em sempre ser independente, não queria ser um fardo na vida dos tios. No entanto Neji tinha um senso absurdo de dever e sempre sentiu responsável por tudo e todos. Isso significava que seus planos ruiriam se ele descobrisse sobre seu repentino desaparecimento isso se já não soubesse. O pequeno corpo estremeceu. Por Deus! Não podia deixá-lo encontrá-la.
— Então é aqui que você se esconde – uma voz firme e rouca despertou Hinata de seus devaneios. Quando seus olhos se depararam com os azuis de Naruto sentiu o ar sair dos pulmões.
— É você?! – murmurou num sussurro.
— Esperava outra pessoa, um admirador? – indagou sarcástico aproximando mais de Hinata. Ela ficava linda sobe a luz da lua.
— Claro que não. Não tenho admiradores. – respondeu sincera, não compreendendo o real significado das palavras do nobre.
— A noite está maravilhosa. – comentou Naruto tentando ignorar o sentimento de posse e ciúmes.
— Sim, o céu está estrelado e a lua está linda. – suspirou Hinata admirando novamente a beleza da natureza.
— Me pergunto, por que a dama que mais brilha no salão se encontra aqui escondida? – indagou Naruto, imensamente agradecido por aquela feliz coincidência, era o que justamente precisava.
— Eu? Brilhar? – indagou Hinata olhando meio incrédula para o nobre – dizem que as estrelas possuem luz própria, assim são astros luminosos, mas a lua é um astro sem luz, que só brilha a noite graças ao sol. Ou seja, ela é um se iluminado. Por tanto, Sua Graça, é impossível eu brilhar no baile, eu sou como a lua roubo a luz do sol, sou só iluminada.
— Mas o que isso importa? – indagou Naruto sério, uma sombra cobria o rosto belo – por que agora eu só consigo ver a lua.
Hinata entreabriu a boca intensamente corada e emocionada, era o elogio mais lindo que havia ouvido. Mas uma figura em outro balcão consumiu todo o constrangimento e emoção do momento. Era Neji! O desespero se apoderou do corpo da morena. Neji não podia encontrá-la ali, não agora que estava aproveitando realmente sua vida e antes que o homem elegante pudesse identificá-la do outro lado da bancada, a morena agiu. Erguendo-se nas pontas dos pés para ficar na altura de Naruto, inclinou-se para frente tocando seus lábios desajeitadamente nos lábios do nobre preparada para ser rejeitada, mas o que aconteceu em seguida a consumiu para um mundo novo e tumultuado de paixões.
Há principio Naruto se assustou com a investida inesperada da dama, nenhuma mulher de família apresentava um comportamento inapropriado diante de um cavaleiro, mas seu espanto foi apenas por alguns segundo, pois os lábios macios e carnudos era o suficientemente tentadores para hipnotizá-lo e incentivar seus instintos mais primitivos a tomarem o comando da situação. Aquilo era tudo que desejava desde que a vira pela primeira vez corada e raivosa, mesmo que não quisesse admitir.
Estreitando o pequeno corpo da Hyuuga contra si aprofundou com urgência o beijo, saboreando o doce sabor daqueles lábios que já tinha o poder de levá-lo a loucura, eles eram o próprio pecado, suaves e suculentos que levavam a sanidade do Duque para o inferno e só aumentava sua excitação. Entrelaçou os dedos longos e fortes entre os fios lisos e negros sentindo a maciez daquele cabelo.
Hinata não ofereceu resistência quando loiro procurou aprofunda ainda mais o beijo abrindo seus lábios com a língua. Embriagada estremeceu contra o corpo forte sentindo-o explorar com mais avidez sua boca tirando-lhe o ar e deixando suas pernas bambas. E enquanto seguia o ritmo forte e possessivo do beijo de Naruto, a Hyuuga sentia sua consciência se derreter em um frenesi tão profundo e intenso que parecia que iria morrer. Era a sensação mais inebriante que havia experienciado na vida, e naquele momento não se importava em morrer ali naqueles braços. Mas ao mesmo tempo soube que queria mais, muito mais, queria algo que nem ao menos saiba, mais tinha certeza que queria ter aquilo com ele, somente ele.
No outro lado do balcão um homem balançou a cabeça, inconformado. Achara que havia visto sua prima, mas a mulher que se encontrava aos beijos de modo tão escandaloso não poderia ser ela. Hinata jamais cometeria um ato tão inapropriado. Deu as costas ao casal, profundamente horrorizado.
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