Briarcliff Hollows

1 Crônicas da Pedra e do Vale: A Fundação de Abeurfourth


Excerto de Crônicas da Pedra e do Vale: A Fundação de Abeurfourth

Edição Revisada e Comentada por Cecily Arkwright, Historiadora Municipal (1934)

Baseado nos escritos de Elias Montrose (1893)

Publicado com o selo da Sociedade Genealógica e Patrimonial de Abeurfourth

"Onde o rio hesita, e as montanhas sussurram nomes antigos, ali foi semeada Abeurfourth."— Edwin Thorne, cronista local, 1778

Dentre os vales que se embrenham pelas Terras Altas escocesas, repousa Abeurfourth — cidade de fundação velada, onde o tempo parece mover-se ao compasso de uma memória que recusa o esquecimento. Foram cinco as casas que, no crepúsculo do século XVII, deixaram os muros de Edimburgo rumo ao interior montanhoso. Seus nomes, hoje entalhados em pedra e ferro forjado, foram Schultz, Sutton, Gataki, N'Kosi e Mitarai.

Em comum, tinham a inquietude — e uma promessa.

De início, pouco prosperou o novo assentamento. As lavouras eram inférteis, o clima, indomável. Em velhos diários de campo, encontram-se relatos de noites insones e disputas entre os patriarcas. Alguns, como o Sr. Erasmus N'Kosi, anotavam: "Não é a terra que nos repele, mas algo mais antigo que ela."

No entanto, em algum ponto entre os anos de 1737 e 1742 — período ainda objeto de extenso debate acadêmico — algo mudou. As atas da vila cessaram. Correspondências foram interrompidas. Quando os registros retornam, Abeurfourth já não era a mesma.

Foi erguida uma torre sem nome.

Foi instituído um conselho sem votos.

E foi adotado um brasão novo, nunca votado, apenas aceito.

"A cidade mudou de pele como serpente no bosque. E ninguém jamais falou do que viu nos dias do silêncio."— Lavinia Gataki, carta ao irmão, 1744

A partir de então, a cidade floresceu. Em menos de uma década, escolas, hospitais e estalagens substituíram as cabanas toscas. As cinco famílias fundadoras mantiveram suas funções — Sabedoria aos Schultz, Justiça aos Sutton, Cuidado aos Gataki, Ordem aos N'Kosi, e Progresso aos Mitarai.

A separação de Abeurfourth e a criação de Prudence, oficializada em 1927 por razões logísticas e econômicas, jamais apagou o passado de Abeufourth. Para alguns, Prudence é a face moderna; Abeurfourth, o coração antigo.

Mas há os que afirmam — e escrevo aqui apenas como humilde depositária da tradição oral — que Abeurfourth nunca foi apenas uma cidade.

Ela foi escolhida.

Por quem, ou pelo quê, não me cabe dizer.

As Cinco Famílias Fundadoras

de Abeurfourth diante da

Sociedade Filantrópica da Cidade, c. 1912