Notas iniciais
Olá, pessoas!! Chegando mais cedo hoje por motivos de: estou de folga. E sem enrolar muito por aqui, só queria agradecer por todo o carinho que vocês tem dedicado a mim e a essa história. Muito obrigada mesmo. E vocês lembram de quando a Felicity se perguntava o que todas aquelas mulheres viam no Oliver. Ela começar a ver também e vai ser... Interessante. Boa leitura!! Até as notas finais. Bjs*

"Impensável"

Ouvi um barulho alto de algo sendo estilhaçado quando passava pelo hall, indo da cozinha até meu quarto. O ruído vinha do escritório, e pelos meus cálculos, não teria ninguém em casa, já que ainda era metade da tarde.

Movida por curiosidade, fui até lá para ver, pela porta entreaberta, que o autor da destruição era Oliver, que agora trabalhava em seu computador, não parecendo nada feliz.

― Muito cedo para estar em casa, senhor Queen? ― Empurrei a porta só um pouco para revelar minha presença.

Eu sabia que não deveria mexer com ninguém quando estivesse aparentemente tão estressado, ainda mais com Oliver que era estressado por natureza, e logo agora que estávamos conseguindo uma relação até boa, mas era impensável ignorar deliberadamente alguém que precisava de ajuda.

― Cuidado com o vidro, quebrei uma coisa ― alertou, e foi quando notei que os pedacinhos transparentes e perigosamente cortantes estavam espalhados até perto da entrada.

― Um vaso de cristal de muitos anos e dólares? ― testei, e isso fez seu rosto relaxar um pouco de toda a tensão que parecia estar passando.

― Um cinzeiro de dez dólares, nem tudo nessa casa é caro como você imagina ― falou, um pequeno sorriso nos lábios. ― Não, não vem aqui, pode se cortar. Qual o seu problema com vidro?

― Meus dois lados do cérebro funcionam tão bem quanto os de uma grávida podem funcionar, assim como as minhas pernas, eu posso andar entre cacos sem me machucar.

― Não com esses chinelos. Espera aí.

Oliver chegou até mim e com um braço em torno da minha cintura, me ergueu do chão, me carregando com facilidade até o outro lado do escritório, me descendo apenas ao chegar no sofá três lugares que ficava do lado da mesa.

― Quer me contar porque está em casa essa hora? E destruindo a mobília?

― Ninguém fuma nessa casa, não vai fazer falta ― respondeu, desviando da primeira pergunta.

― Ok. ― Meu tom era para que ele continuasse, o que ele fez ainda que meio a contragosto.

― Minha mãe resolveu redecorar a merda da sala da presidência, o que deixou aquele andar todo um maldito inferno. Não dá pra trabalhar lá.

― É a sua sala, você não deveria gostar de receber uma decoração nova?

Oliver soltou um sorrisinho de escárnio para o meu questionamento, que não fazia o mínimo sentido pra mim, enquanto voltava a esmurrar com os dedos as teclas do notebook.

― Caralho!

― O coitado do computador não tem culpa.

― Ele meio que tem, pois deveria funcionar direito, mas é um pedaço inútil de lixo tecnológico, que é o próximo que eu vou mandar para a puta que o… ― Fechou o notebook, o erguendo para o jogar contra alguma parede.

― Opa, opa. ― Me apressei em tomá-lo de suas mãos, o segurando firme junto ao peito, quase protetora. Ninguém ia destruir tecnologia perfeitamente funcional na minha frente. ― Primeiro, tenha calma e não quebra mais nada. Segundo, manera com os palavrões perto do bebê, ele já pode ouvir.

― Como se você fosse algum exemplo de um vocabulário cristão, Felicity.

― Verdade ― admiti, mas eu vinha me policiando mais nesse aspecto. ― Então, vai me contar o problema?

― Essa mer… Essa coisa não funciona! Travou faz tempo e eu preciso terminar de enviar alguns documentos importantes por email e responder alguns investidores até o fim da tarde. Deveria ser simples, deveria ser rápido, mas parece que virou uma tarefa impossível.

― Só isso? Um computador travado? ― Sentei de volta no sofá e abri o aparelho em meu colo. ― Tome uma água, deixa que eu resolvo.

― Como assim resolve?

Nem em dei ao trabalho de responder, logo que digitei o código para abrir a janela de ferramentas, descobri o problema e o solucionei. Era uma questão até bem básica da ciência da computação, mas duvidava muito que CEOs se dessem ao trabalho de aprender.

― Pronto, computador destravado. Me deixa só ver uma coisa… ― Abri as configurações de funcionamento da máquina. ― Não é a toa que essa merd… Que essa coisa não funcione muito bem, esse processador e as atualizações de processamento estão machucando a minha alma e fazendo meus olhos lacrimejarem.

Ergui meus olhos para ver a reação de Oliver à minha piada (não tão piada assim) e o encontrei boquiaberto, me encarando com mais estranheza do que nunca, e olha que ele fez isso muitas vezes nas minhas primeiras semanas aqui.

― O que foi?

― Como você fez isso? E tão rápido?

― Qualquer um dos seus técnicos faria, foi bem simples. E não pareça tão surpreso, eu tinha vida e profissão antes de me mudar pra cá.

― Eu não estou surpreso, Tommy tinha um encanto especial por garotas com o QI muito superior ao dele ― explicou com ênfase no "muito", me fazendo rir de leve, e sentando bem ao meu lado no sofá.

A informação não me surpreendia. Ao contrário de Oliver que parecia ter uma necessidade quase patológica de ser a pessoa mais esperta da sala, Tommy era livre demais de qualquer convenção ou de suas próprias vontades para se pegar a detalhes como uma namorada mais inteligente que ele.

― Então a cara? ― Girei o indicador na frente do rosto dele.

― Você me deixou impressionado, Felicity ― elogiou. Foi tão inesperado e ele estava tão perto que senti meu rosto corar.

― Deixe disso. ― Dei um tapinha brincalhão em seu ombro. ― E alguém com dinheiro para comprar a Microsoft deveria ter um computador melhor.

― Não tão rico ― negou, aceitando o computador que lhe ofereci, e voltando na sentar na mesa, e enviando seus emails.

― Ei, você pode responder seus emails do seu computador pessoal enquanto eu atualizo esse daí, que tal? ― sugeri.

Eu sentia saudades de ter meus dedos em um teclado, e parecer menos que inútil ali naquela mansão sem graça. Quando mexi antes, vi que aquele tinha até o logo da empresa, Oliver deveria ter um pessoal.

― Não faço coisas de trabalho em equipamentos pessoais.

― Muito pornô? ― Me surpreendi com sua risada solta, quando parou de digitar e descansou as mãos na mesa, me olhando com uma sobrancelha erguida.

― Você me tem em pior conta possível, não é?! ― Cruzou os braços e se recostou em sua cadeira de couro, me olhando com atenção. Dei de ombros. Éramos quase amigos agora, mas isso não apaga histórico nenhum. ― Tudo bem por mim.

― Tudo bem? Por quê?

― Porque... ― Ficou em pé, ajustando o terno, para então caminhar em minha direção. ― Porque daí, a expectativa só sobe. ― Piscou e me deu as costas indo até a saída. ― Vou buscar meu notebook e pedir para alguém limpar isso, é perigoso. Já volto.

Perigosíssimo. Não o vidro, Oliver.

Quando parei de ser tratada por hostilidade e implicância por ele, foi possível conhecer um pouco mais de sua personalidade, que fazia dele, para o azar de sua noiva, um galanteador nato.

Não sei se ele fazia isso de propósito ou havia adquirido essa habilidade natural para manter seu estilo de vida e convencer pessoas a fazerem o que ele queria em sua vida pessoal e profissional. Havia sempre o tom de flerte e algum sentido escondido atrás de seus elogios, palavras gentis e linguagem corporal.

E isso era perigoso, não dava para saber quando era verdade ou apenas um homem com plena consciência do efeito que tinha nas pessoas usando seu poder para benefício próprio. Tommy era um romântico, vivia elogiando e era sincero e direto quando o fazia. Oliver ainda era um mistério.

No final das contas, o computador pessoal de Oliver era ainda pior que o do trabalho e não tinha pornografia nenhuma.

― Eu te disse, e outra: pareço alguém com tempo para ficar vendo pornô no quarto, Felicity?

― De fato não. Está mais para quem pratica ― finalizei com a frase apenas para mim. Tenho certeza que haviam filmes por aí para cumprir as fantasias de pessoas com cada uma das profissões das mulheres com quem Oliver se relacionava.

― Disse alguma coisa? ― Ergueu o rosto da tela para perguntar com o cenho franzido.

― Não, nada ― neguei. ― Olha, acho melhor você comprar outros computadores, Oliver. Você precisa, vai se estressar menos com algumas configurações mais atuais, e, quando aparecer a janela "iniciar atualização", por favor, aperta ok. Por que as pessoas sempre vão para o "lembrar mais tarde"?

― Porque quase ninguém tem tempo ou paciência ― respondeu como se fosse óbvio.

― Que seja, vou anotar aqui qual deve comprar. ― Peguei um bloco e comecei a anotar as especificações ideais para seu computador pessoal e de trabalho.

― Merda!

― Peça para alguém comprar pra você, já que seu tempo é tão precioso assim, Oliver.

― Não, não é isso. Acabei de perder o documento em que vinha trabalhando a tarde toda, bem na hora que ia enviar.

― Nada se perde completamente no mundo digital, meu filho, levanta daí e deixa a tia Felicity trabalhar. Você pode ir respondendo seus emails ali no outro.

Tomei seu lugar na mesa e ele foi para o sofá, fazer o que eu disse. Estranhei a obediência sem questionar, mas também não ia reclamar disso, ele devia estar desesperado.

Não foi difícil achar, e aproveitei para fazer uma correção superficial, me surpreendendo em como Oliver era bom no trabalho de CEO, o arquivo estava cheio de impecáveis termos jurídicos e contábeis. Confesso que sempre achei que alguém fizesse essa parte mais difícil para ele.

Ele terminou o que estava fazendo um pouco antes que eu mesma finalizasse as atualizações do computador, se posicionando atrás da cadeira que eu ocupava, uma mão sobre o encosto e outra na mesa, quase debruçado enquanto observava o que eu fazia pela tela, sua respiração cadenciada batendo contra meu pescoço descoberto pelo meu cabelo jogado sobre um ombro.

― Pronto, agora você tem uma máquina menos ruim até conseguir outra.

― E agora já chega, né?! Toda essa radiação não pode fazer bem para o bebê. ― Tirou o computador de mim antes que eu pudesse evitar, eu fechando as mãos no ar, tentando agarrar em vão o aparelho e a sensação que eu vivenciava toda vez que fazia algo na área da informática, porque amava no meu trabalho.

― Oliver! ― rosnei.

― Não faz beicinho, Felicity, você sabe que estou certo.

Raisa chegou com lanches quando eu nem havia parado de reclamar ainda.

― Então você tem formação acadêmica em TI. Onde? ― Oliver perguntou interessado, pegando algumas uvas da bandeja.

― MIT, quatro anos atrás ― respondi ao roubar algumas uvas de suas mãos. As frutas eram as únicas coisas na bandeja que não corriam risco de ter couve nelas.

― Uma das melhores do país, uau.

― De novo surpreso.

― De novo impressionado ― me corrigiu, e eu fiquei de repente muito interessada nas frutas em minhas mãos e qualquer outro lugar que não seu sorriso. ― Talvez a gente chegou perto de se encontrar em Massachusetts quando você estava na universidade.

― Como?

― Eu estava saindo de Harvard na mesma época ― falou como se não fosse nada e o olhei chocada.

― Você fez Harvard? ― Dei um tapinha com as costas da mão em seu ombro, para que ele explicasse melhor aquela história. Como assim ele havia cursado uma das melhores e mais difíceis universidades do país e eu não sabia disso?

― Depende. Estar matriculado e frequentar os corredores e o dormitório feminino por três semanas conta como "fazer Harvard"?

― Oliver Queen era um universitário relapso? Estou em choque. ― Encenei com uma mão no peito. ― E como você entrou, de todo jeito?

― Harvard foi mais uma das tentativas dos meus pais em tentar despertar algum interesse para os estudos em mim. Mas sempre fui o cara da ação e aprendizado na prática, não teorias e apostilas.

― Então você é o CEO e não tem formação alguma?

― Fui criado os corredores da empresa, primeiro as Consolidações Queen, depois a Queen-Merlyn unificada. Cuidei da parte administrativa da Verdant praticamente sozinho por mais de meia década, daí uns dois anos atrás, resolvi que poderia fazer mais, e depois de uns meses observando a presidência, me tornei eu próprio o presidente ― contou. ― E agora você deve estar achando que essa é a trajetória empresarial mais privilegiada que já ouviu.

― Nem estou. Você não tem culpa de ter nascido rico, Oliver. ― Dei de ombros. ― E você é bom, eu li o que você escreveu ali, é muito cuidadoso e inteligente.

― Nossa, valeu. ― Agora sim o vi surpreso.

― Não faça essa cara por eu te elogiar, você pode ser um depravado, mas isso não diminui sua capacidade para o trabalho.

― Nenhum elogio seu consegue vir desacompanhado de uma ofensa básica, não é?!

― Você me conhece. ― Encolhi os ombros, encenando constrangimento. ― Hey, Oliver. O que te deixou tão chateado pra vir pra casa?

― Não estava chateado. ― Desviou o olhar do meu, mas segurei seu antebraço, para que me olhasse.

― Estava sim, tenho certeza que a empresa tem dezenas de salas vazias, e se não tivesse, qualquer um cederia a própria para você. O que foi? ― Oliver fez uma careta, para antão decidir compartilhar.

― Meus pais ainda não me consideram, Felicity. É o que eles dizem para os investidores, para a mídia, mas não é assim na realidade.

― Isso não deve ser verdade, Oliver, ou eles não deixariam tudo em suas mãos e viajariam tanto.

― Eles supervisionam tudo em detalhes, de onde quer que estejam. E hoje? Eu tinha muito trabalho a fazer, reuniões, e tive que adiar metade das coisas por uma reforma sem necessidade.

― Eu sinto muito, Oliver. ― Fiz carinho em sua mão. ― Mas, na minha opinião, se eles não conseguem ver seu valor e o que você faz de bom para a empresa, isso torna eles menos incapazes para entender o trabalho. Você é bom e ama fazer isso. ― Segurei sua mão tentando transmitir um pouco da admiração que eu sentia pela dedicação que ele tinha para a empresa. Viciado em trabalho? Sim, mas isso o tornou um ótimo CEO.

― Obrigado. ― Oliver sustentou meu olhar por um longo tempo e não consegui desviar.

Estava vendo uma nova camada de sua personalidade, uma pessoa que tinha suas vulnerabilidades e inseguranças. Ele havia sido criado no meio da riqueza extrema e não havia vivenciado a grande maioria dos problemas que todo mundo passava pelo menos uma vez na vida, mas tinha os seus próprios, e consegui sentir empatia por ele.

― Então... ― Soltou minha mão e pigarreou meio sem jeito. ― Como você conheceu meu irmão?

― Hm, é complicado. ― Mastiguei os lábios. ― É estranho eu dizer que não sei exatamente?

― Sim, é estranho. ― Oliver me dedicou um olhar rápido de estranheza, para então servir dois copos de suco verde. Fiz careta, mas ele insistiu até que eu aceitasse a bebida. ― Como assim, não sabe?

― Eu sei a minha versão da história, não faço ideia da versão verdadeira. ― Dei de ombros e Oliver me olhou me incentivando a continuar. ― A gente se conheceu na loja de informática que eu trabalhava. Primeiro eu achei que ele era entregador ou motoboy, porque chegou do nada com esse envelope, então estava usando o uniforme da Verdant. Achei que trabalhava dois turnos.

― Tommy, trabalhando dois turnos? ― Soltou uma pequena gargalhada. ― E como ele explicava o tempo que passava com você?

― Alguns chefes muito bons? ― questionei franzindo o nariz e ele riu. ― Era tudo muito novo, e minha mãe me deu essas regras para sair com caras antes de me mudar pra cá e Tommy se encaixou direitinho e muito rápido em todas elas, e…

― Espera aí, regras? Que regras? ― questionou divertido, se aproximando um pouco mais no sofá, um braço sobre o encosto atrás dos meus ombros.

― Deixe isso pra lá, Oliver.

― Vai, me fala! ― insistiu, um sorriso charmoso. ― Tenho certeza que são apenas características gerais, se foi a conformidade foi assim tão rápida.

― Nada disso, você não tem elas.

― Eu não tenho?! ― Pareceu chocado em não ser algum tipo ideal para minha mãe. ― O que é então?

― Você tem duas de três, na verdade ― corrigi minha própria fala anterior. ― E eu morro antes de contar pra você ou pra qualquer um.

― Nem por sorvete? ― propôs, com um sorriso charmoso.

― Quanto sorvete? ― Até me senti tentada a aceitar, mas seria vergonha demais. ― Não, deixa pra lá, nem por todo o sorvete.

― Olha que eu tenho outros meios para te convencer, Smoak.

― Barreira da imunidade ao charme Queen, ativar! ― Movimentei minhas mãos espalmadas entre nós dois e ele jogou a cabeça para trás, gargalhando. Mas na verdade, eu queria mesmo que essa barreira existisse e que ele não tenha tomado meu comentário como uma retribuição ao seu flerte.

― Seu falatório é adorável, às vezes. ― Ops, e aí estava, agora ele também cumpria as três regras.

― Ei, Oliver! ― o chamei, e ele ainda estava sorrindo quando voltou o rosto para mim.

Ia dar ideia de nos próximos dias comprar computadores novos para ele. Ajudar a escolher pessoalmente com certeza seria melhor do que informações em um bloco de notas, e ainda tinha o plus de sair de casa para uma loja de tecnologia. Trabalhar eu não gostava, mas entrar com um cartão de crédito ilimitado para montar a melhor máquina que mercado oferecia, isso sim seria divertido.

― Ahn?

― O que acha de...

― Só um segundo ― pediu erguendo o indicador e puxando o celular do bolso. ― Hey, Mack ― atendeu animado. ― Estou livre sim, pode falar.

Que ótimo, MacKenna Hall, a gatíssima detetive da polícia de Starling City. Bufei baixinho por ser interrompida no meio da minha ideia, levantando do sofá para encostar meu quadril na mesa, tentando ler a distância os títulos expostos na estante, para me afastar da conversa, o que era impossível, já que só haviam nós dois ali.

Por que ela tinha que ligar logo agora?

― Claro, posso sim. É, eu sei, mas acabei me liberando mais cedo do que calculei, tive ajuda de uma amiga.

Peguei o momento que Oliver sorriu para mim, provavelmente estava falando sobre o auxílio com seu computador mais cedo. Lhe devolvi um sorriso amarelo, se soubesse que ia ajudá-lo em um dos casinhos, tinha deixado ele jogar o notebook contra a parede.

― Tá bom, te busco na delegacia? Ok, em seu apartamento, uma hora. Ah, engraçadinha. ― Sorriu amplamente. ― Beijo, tchau. O quê? ― perguntou para mim depois que a ligação já havia sido finalizada.

― Nada. ― Lhe dei as costas, chegando mais perto da prateleira de livros para fingir procurar algo para ler.

― Sinto que estou sendo criticado. ― Oliver envolveu a mão em meu braço, me girando para olhá-lo.

― E julgado ― completei.

― O que aconteceu com "não é da minha conta, só não faça na minha frente"? ― Me citou, sinalizando aspas com os dedos.

― Você fez! Na minha frente! ― Seu olhar ficou confuso, quando entortou o pescoço e sua testa franziu. Talvez eu tenha sido um pouco ambígua. ― Atendeu a ligação e marcou um encontro na minha frente. O que me impede de ligar para Laurel e mandá-la para lá logo depois que você sair? ― Ao contrário do estressado Oliver de quando cheguei, seu olhar ficou até divertido com a sugestão.

― Se eu não te conhecesse melhor… ― comentou vagamente, e como foi minha vez de o encarar com mau humor sem entender o que o comentário significava, resolveu continuar. ― Você não vai fazer isso porque… Um, isso seria um modus operanti bem Susan Williams, não se compare com Susan Williams. E dois: você não me disse que eu teria de confiar em você? ― Cruzei os braços em chateação.

― Disse.

― Então pronto, eu confio. ― Quando Oliver me encurralou com minhas próprias palavras, não esperava que ele o fizesse em seguida com ações, quando ele chegou mais perto. ― Obrigado pela ajuda hoje. ― Depositou um beijo rápido em meu rosto e saiu do cômodo, indo se arrumar para seu encontro, e me deixando parada atônita no lugar.

― Não, bochecha, você não pode ficar formigando onde ele beijou, que história é essa?! ― falei sozinha, esfregando vigorosamente o local. ― Pare de formigar, aquele é Oliver Queen! Ele só está sendo Oliver Queen, o flertador! ― ralhei comigo mesma, procurando pelo livro mais grosso do lugar.

Precisava desviar meus pensamentos do impensável.

Notas finais
Oliver estava flertando? Sim. Era com segundas intenções? Não. Até porque, se não notaram, ele foi o primeiro a mudar de assunto quando a conversa foi ficando muito íntima. E para quem começou com "por que não namora MacKenna?" e agora chegou em "devia ter deixado ele jogar o computador contra a parede" só significa uma coisa… Felicity está verdinha de ciúmes! Foi como se ligassem uma chave para sentimentos que ela não tinha, ou ao menos não tinha ciência até o momento. O que virá daí? Veremos. Muito obrigada e até os reviews!! Bjs*