Breeding Love
15 The Promise
Notas iniciais
― Nada disso, não vou mais a lugar nenhum com você hoje, Thea! ― neguei efusivamente. ― Meus pés estão inchados e minhas pernas doendo.
― É só uma última lojinha ― implorou, batendo pestanas como se aquela cara me convencesse. No início sim, mas depois de sete meses, não mais. ― É pequena, fofinha e fica no caminho da sua casa.
― É pequena porque só umas dez pessoas nessa cidade inteira têm dinheiro para comprar lá!
― Não vou me desculpar por ser rica. ― Deu de ombros, terminando de tomar sua taça de vinho.
Eu quase lambi os lábios para isso. Não que eu fosse do tipo alcoólatra, mas gostava de um vinhozinho vez ou outra, mas já estava a tanto tempo sem, que nem lembrava mais o gosto.
Confesso que havia sido tapeada por Thea Merlyn às compras naquela tarde e jantar logo após. Mas jamais imaginei que quando recebi uma ligação sua essa manhã perguntando se eu estava bem e disposta, seguiria por um "ótimo, pois passo aí mais tarde para comprarmos coisas para meu sobrinho".
― Então, vamos?
― Não tem pena do seu namorado? ― Olhamos de relance para Roy, que mesmo tendo sido convidado a se juntar à mesa conosco, insistiu em manter a postura profissional e nos esperar lá fora, com nossas as dezenas sacolas. ― Ele não consegue mais carregar nada, coitado.
― Roy não é meu namorado.
― Vocês estão juntos a mais tempo que eu e Oliver. Vocês passam mais tempo juntos do que eu e Oliver ― atestei para ela.
― Acabei de fazer 21, ainda há um longo caminho antes que eu chegue perto de cogitar ser a senhora Harper ou senhora qualquer outra coisa, não seja toda emocionada, Felicity. ― Desdenhou com um gesto de mão.
― Eu, emocionada? Você que está obcecada pelo meu lance com seu irmão, só fala nisso!
Até o momento, só ela, Diggle, Raisa e Roy sabiam, mas ela era a única que não tinha outro assunto. Eu desconfiava que os pais deles também já sabiam, já que, desde que voltou para a empresa na semana seguinte que saí da mansão, Oliver estava sendo atolado de trabalho, saía cedo e chegava tarde, sempre exausto. Nossos momentos juntos eram tão incríveis quanto cada vez mais raros, em resumo, só tínhamos as madrugadas agora.
Minha mãe também sabia, Oliver a conheceu por chamadas de vídeo e nem preciso dizer como ele a encantou de cara, com aquele sorriso bonito e cara de playboy reformado. Acho até que ela segurou bem os comentários, pois eu já havia contado tudo sobre o tratamento que recebi dele quando cheguei e sobre todas as mulheres de sua vida. Quando perguntei a ela sobre essa ausência de comentários e ameaças, ela disse algo sobre o jeito que ele olhava para mim quando eu não estava olhando. O furação Donna Smoak chegaria em dois dias para ficar comigo nesse primeiro momento pós-parto, e Starling City que se cuidasse.
― Lance? Amor, vocês estão casados e é isso.
― Não exagera. Só estamos juntos há dois meses.
― Dois meses que se mudaram, dormem juntos, vivem grudados, e ainda vão criar esse bebê juntos. É mais casamento que o do meus pais, que às vezes parecem mais sócios que marido e mulher.
― Você está errada. Primeiro, Oliver não tem obrigação nenhuma com o Ben, e segundo, quando diz dormem juntos, a gente apenas dorme, puramente platônico ― expliquei, mesmo sentindo meu rosto formigar em falar sobre isso. ― Achamos um encaixe bom para minha barriga.
― Encaixe, tô ligada ― ironizou sorrindo, então apoiou os cotovelos na mesa para mais perto de mim. Automaticamente recuei, não poderia vir coisa boa dali. ― Ei, vai me dizer que nunca rolou nada nada? Uma língua travessa, uns dedinhos rápidos?
― Jesus, Thea, estou grávida de 38 semanas, faz tempo que não vejo nem meus pés!
― E daí? Sexo é super saudável para o bebê e existem modos para se ajustar isso. ― Thea tomou o fato de que eu a ignorei para incentivo para continuar falando. ― Sabe, posições específicas… Aquela que também é um número par… ― falou sugestiva, balançando quatro dedos no ar e dando uma piscadela.
― Ok, para de falar! ― Cobri as orelhas com as palmas, sentindo meu rosto corar ao extremo. ― Saudades de quando você era virgem ― murmurei.
Ela havia me contado que havia tido sua primeira vez mês passado com Roy, mas insistiu que não falaria mais sobre a própria vida sexual e ponto, o que era péssimo para mim, pois a deixava com menos pudor e mais interesse na minha inexistente vida sexual.
E não posso negar que a ideia de ficar mais íntima de Oliver não passou por minha mente, várias e várias vezes, homem era inegavelmente o mais bonito que já conheci, mas não iria por esse caminho. Estar nesse relacionamento sem rótulos, e como Thea fez questão de destacar, quase morando juntos, já era rápido o bastante.
― Não aja você como se você ainda fosse virgem, Tommy era um príncipe, mas não era nada casto e vocês namoraram por meses. Aposto que testaram muito a flexibilidade das suas pernas e coluna ― falou como se não fosse nada de mais, sinalizando para trazerem a conta.
― Meu Deus! Como você fala esse tipo de coisa dos seus próprios irmãos?
― Eu nunca tive amigas, só podia conversar com eles. Não que os dois gostassem, mas daí já não é mais problema meu. ― Deu de ombros.
― Não fazermos sexo, não é apenas sobre a gravidez ― comecei a falar, precisava compartilhar com alguém. ― Com Tommy foi tudo muito intenso e avassalador. Nos conhecemos em um dia, saímos na mesma noite, fizemos sexo no primeiro encontro e já começamos a namorar no dia seguinte, poucos meses depois eu já descobri que estava grávida. Não estou reclamando, foi como tinha que ser, mas eu gostaria de ter pisado mais no freio.
― Não dava pra pisar em freios com Tommy, vai por mim. Meu irmão era a pessoa mais emocional que eu conheci, quando ele ficava com raiva, o que raramente acontecia, era terrível, mas quando amava, amava muito, profundamente, acho que por isso se machucava tanto. Ollie que sempre foi mais contido e calculista.
― Por isso com Oliver, estou tomando tempo e cuidado. Eu gosto de verdade dele, não quero perdê-lo por apressar as coisas.
― É, faz sentido. ― O garçom chegou e ela pagou a conta do jantar. ― Mas meu irmão contido que enrolou a namorada por quinze anos, já está morando com a garota desde o dia que ela disse sim à sua, com certeza tosca e brega, declaração de amor.
― Não foi tosta e brega ― respondi baixinho, e por estar concentrada em guardar a carteira na bolsa, ela não ouviu.
― Disse alguma coisa?
― Não estamos morando juntos ― a contradisse, também ficando em pé com uma mão nas costas e um pouco mais de esforço. ― Ele só gosta de passar tempo lá.
― Lá na sua cama, você quer dizer ― provocou.
― Deixa de ser chata, Thea. ― Lhe dei as costas, indo até Roy. Havia lhe reservado uma sobremesa, não era justo o coitado ficar com fome e todo mundo merece chocolate, esse é meu lema.
Acabamos passando na loja de grife que Thea sugeriu e comprando mais um monte de coisas. Era bizarro como ela entrava nos lugares e as vendedoras tinha que praticamente correr atrás dela segurando tudo que ela lhes jogava. Sobrou até pra mim, que ganhei uma camisola de renda. Era discreta, já que era uma loja materno-infantil, mas ainda assim provocante demais. Quem fazia isso para grávidas?
― Obrigada, Roy, você é um amor ― agradeci quando ele nos ajudava a colocar todas as sacolas dentro do apartamento. ― Tenha paciência com a Thea. ― Ele sorriu sem jeito.
― Vai se ferrar, Felicity!
― Hey, Speedy. ― Me surpreendi com Oliver na cozinha, arrumando copos, era estranho ele estar em casa tão cedo, tinha acabado de anoitecer. Quase como um instinto, fui até seus braços já sendo prontamente acolhida por seu calor. ― Deixe minha mulher e meu filho em paz.
― Pare de opinar, você nem mesmo sabe o que ela disse. Babão!
― Se Felicity está de um lado, estou do mesmo.
Eles ainda mantinham a discussão besta, enquanto eu estava parada e tocando em looping na minha cabeça o modo como ele se referiu a mim e Ben.
Minha mulher e meu filho.
O que aconteceu com ir devagar? Oliver vinha acompanhando a gravidez quase desde o início, estava em todas as consultas, conversava por horas com bebê, lidava com desejos estranhos, dores, insônias e oscilações de humor, mas já era até mais do que eu podia esperar. Ter um filho era a maior responsabilidade que alguém poderia assumir na vida, e mesmo que apenas aquele ato falho de sua fala tenha deixado meu coração aquecido, não poderia lhe pedir nada disso.
Mas e se ele quisesse? Não, jamais perguntaria isso.
― Felicity! ― O grito de Thea me fez emergir dos pensamentos.
― O quê? Eu! O quê? ― Oliver me olhava com o cenho franzido como se tentasse ler o que eu estava pensando, enquanto a garota estava apenas irritada por ter sido ignorada.
― Deixa pra lá… ― Dispensou o que havia dito com um gesto de mão. ― Enfim, Ollie em casa, planos para a noite? Usa meu presentinho. ― Piscou sugestivamente e senti meu rosto ficar vermelho diante do olhar questionador de Oliver sobre do que se tratava o tal presente.
― 38 semanas, Thea! Vamos comer torta na cama e ver série até dormir.
― Programão, hein?! ― ironizou, falsamente impressionada. ― Vou indo, tenho uma boate para gerenciar, e ainda tenho que ir em casa. Tchau, bebê lindo da titia! ― falou com uma estridente voz infantil próximo à minha barriga. ― Tchau, seus chatos, amo vocês. ― Desenhou um coração no ar com os indicadores e soprou beijos ao sair e bater a porta.
― Oi.
― Oi.
O sorriso que ficava nos lábios dele quando nos separávamos de um beijo era uma das minhas imagens preferidas de todas, um dia ainda tiraria foto disso. Não era gargalhada, era simples, singelo, doce, tão diferente da imagem que ele passava para o mundo e tão ele para quem o conhecia de verdade.
― Não que eu esteja reclamando nem nada, mas o que faz aqui a essa hora? ― perguntei brincando com a gola da sua blusa de malha azul marinho. ― Tem certeza que a Queen-Merlyn não vai implodir sem você lá?
― A empresa que se vire, hoje tirei mais tempo para te mimar e fazer todas suas vontades. ― Me abraçou pelos ombros, beijando meus cabelos. ― Me desculpa por nem sempre estar por perto.
― Você está sempre que é importante, isso que vale.
― Linda! ― Beijou a pontinha do meu nariz, me soltando de seu abraço para pegar minha mão. ― Sei como Thea pode ser sufocante, então que tal eu guardar essas coisas que compraram enquanto você toma um banho relaxante na banheira e depois te faço uma massagem nos pés, minha especialidade.
― Uau, Laurel perdeu um marido e tanto ― comentei quando ele me ajudava a subir as escadas. ― Você tem noção que se aquela confusão toda não tivesse acontecido, você estaria casado a esse ponto?
― Não, eu não estaria ― retrucou de pronto. ― Mas não vamos falar de passado, temos muito à frente.
― Tem razão.
Foi só na metade do meu banho que me dei conta que Oliver veria a camisola safada que Thea comprou pra mim, e me apressei em sair logo dali, suspirando de alívio ao encontrar todas as sacolas ainda fechadas no chão do lado da cama.
Quando Oliver voltou ao quarto, eu já tinha escolhido e colocado um vestido floral de alcinhas, já que até meus moletons mais folgados já apertavam agora.
― Já? Pensei que fosse, sei lá, demorar mais. Você ama banho de banheira, quem não ama banheira? Muita gente não gosta, na verdade.
― Não. ― Eu já o conhecia o bastante para saber que havia algo o deixando ansioso. ― Bom, eu não… Oliver, o que você tem?
― Eu?
― Sim, você. Te deixei normal e te encontro nervoso.
― Não estou nervoso.
― Trocou o peso da perna três vezes em vinte segundos, falando em fragmentos, essa linhazinha aí. ― Indiquei para o meio de suas sobrancelhas. ― O que é?
― Ok, não consigo mentir pra você. ― Suspirou, deixando os ombros caírem. ― Eu tenho uma surpresa.
― Oliver! Não gosto de surpresas.
― Eu sei, eu sei. Mas tinha que arriscar.
― Vai, atira de uma vez! ― dramatizei, abrindo os braços com os olhos fechados. ― Com qual extravagância estilo Queen terei que lidar?
― Você confia em mim? ― questionou com um sorriso.
― Com minha vida e a do meu filho ― falei sem me abalar e ele sorriu.
― Vem comigo.
Aceitei sua mão estendida o seguindo ainda desconfiada para fora do quarto, e fiquei ainda mais quando ele pediu que o deixasse cobrir minha visão. Mas fui absolutamente sincera quando disse que confiava nele, então permiti ser guiada às cegas.
― Lembra quando conversamos em não fazer um quartinho para o bebê, apenas colocar um berço do lado da cama? ― falou ao meu ouvido.
― Foi um acordo em comum.
― Sim, foi. Mas acho que Ben merece mais.
Quando Oliver tirou a mão dos meus olhos eu estava diante do quarto de bebê mais lindo que já tinha visto pessoalmente.
No geral, era quase tudo branco, mas com detalhes verde e marrom clarinho e com tema de ursinho. Havia um berço no centro, uma grande e confortável poltrona para amamentação, guarda roupa, cômoda e um trocador, tudo de muito bom gosto e cuidado. Se eu fechasse os olhos, já conseguia até sentir o cheirinho de bebê e já podia nos visualizar ali, com Ben, daqui a alguns dias.
― Eu, Diggle e Raisa montamos tudo hoje, desculpa sobrou para Thea te tirar da casa durante a tarde toda. Você está chateada? ― Levei a mão à boca, lágrimas de emoção inundando meu olhar. ― Ai, meu Deus, você está! Nunca fica sem fala, você tá passando mal? Felicity! ― ele começava a soar desesperado, foi quando o olhei, sorrindo entre o choro.
― Oliver, é perfeito! ― Me soltei dele para explorar melhor o cômodo, me encantando com cada detalhe. ― É tudo tão lindo!
― Que bom que gostou. ― Ele ainda se mantinha na entrada, as mãos nos bolsos, aliviado por minha aprovação. Como se alguém em sã consciência conseguisse não gostar daquilo.
Não sei quando tem fiquei distraída com os detalhes desde o papel de parede, aos pequenos utensílios e porta trecos de cima da cômoda.
― Posso falar uma coisa com você?
― Claro ― respondi no automático, ainda distraída com a organização das gavetas com as roupinhas de bebê.
― Felicity, por favor… ― Se antes eu achava que ele estava nervoso, agora tinha mais do que certeza. O homem estava até suando e enxugava as palmas nos jeans.
― Ok.
Oliver segurou minhas mãos, e depois de me ajudar a sentar na poltrona, se agachou à minha frente, ainda mantendo nossos dedos unidos.
― Eu sei que te assustei mais cedo quando me referi ao Ben como meu filho ― começou.
― Achei que tinha sido um ato falho.
― Não foi. ― Negou de leve com a cabeça. ― É assim que o considero na minha cabeça há tanto tempo, que não sei como não escapou antes.
― Oliver, o que está dizendo? ― Eu precisava que ele fosse mais claro. Minha mente precisava ouvir a confirmação de sua própria boca para acreditar que o que eu queria também era o sonho dele.
― Olha, meu amor… Eu não quero em nenhum momento desconsiderar a história que você e meu irmão tiveram e que com ela surgiu o Ben, e também não quero que pense que a acho menos capaz do que é, não é isso. Você é a pessoa mais guerreira que eu conheço, já lutou tanto por essa criança, pode e é a melhor mãe do mundo. Mas eu já amo tanto esse garotinho, como se fosse meu também, e se você permitir, gostaria de dar meu nome a ele.
Fiquei sem reação alguma na hora. Não imaginei que o nível de comprometimento dele era tanto. Prometer ser apoio era uma coisa, mas se comprometer a dar um nome, era uma responsabilidade que duraria para sempre.
― Eu quero ser mais que o tio Oliver ou o namorado da mamãe ― continuou. ― Não ser apenas o titio legal que vez ou outra leva pra jogar baseball, ou que dá presente caro na formatura da escola. Quero ensiná-lo a rebater, ir dar as vacinas, ficar acordado com você se ele ficar doente, frequentar reuniões de pais e mestres, ensiná-lo a dirigir, ser amigo e confidente. Eu sei que já disse isso antes, mas vocês dois são minha família, a família que me escolheu e que eu quero fazer feliz pelo resto de nossas vidas. E por favor, fala alguma coisa, você está chorando e eu não consigo saber o que está passando por sua cabeça.
Eu o amo, era só o que estava passando por minha cabeça. Nunca pensei ser atingida por um sentimento tão forte por ele. Eu amei Tommy, mas com Oliver era mais, dez vezes mais. Acho que porque nossa relação foi construída lentamente, firmada em um amor mútuo ainda maior por esse serzinho que estava quase pronto para vir ao mundo.
― Oliver Jonas Queen… ― Quando tentei falar foi que senti a voz embargada, mas continuei mesmo assim. ― Como dizer não para esse pedido, meu amor? ― Soltei uma das minhas mãos para fazer carinho em seu rosto. ― Claro que sim, vai ser uma honra que o meu, ou melhor, que o nosso filho carregue também o sobrenome do homem que eu mais a… Do homem que eu mais admiro.
― Não sou tudo isso.
― Você é sim. Tem dezenas de defeitos, eu mais do que ninguém sei disso, mas que no fim, é puramente feito de amor. ― Me inclinei para frente e nos beijamos, selando uma aliança que ia além de qualquer coisa, uma promessa de que Benjamin Smoak Queen seria muito amado, para sempre.
― Ufa, ótimo. ― Suspirou, como se um peso saísse de seus ombros, mas então ficou em pé, de repente tenso novamente. ― Tem mais uma coisa.
― Você está bombardeando essa mamãe de emoções, querido, vai com calma ― brinquei.
― Não dá pra parar agora, meu amor. ― Sorriu nervoso. ― Tudo que falei sobre a certeza e longevidade dos meus sentimentos sobre o Ben, se aplica a você também. Por isso, aqui no quartinho do nosso bebê, preciso te fazer outra pergunta.
Sentei na pontinha da poltrona, quando ele se agachou novamente à minha frente e segurou minhas mãos. O que ele ainda poderia perguntar depois disso?
Só que as palavras ficaram presas em sua garganta, quando a campainha começou a tocar insistente.
― Eu vou matar minha irmã ― resmungou por ser interrompido.
― Você acha que é ela?
― Só ela sobe aqui sem ser anunciada ― atestou.
― Ou é alguém com muito dinheiro para subornar o porteiro. Oliver e se forem…
― Não são meus pais, relaxe. ― Beijou minhas mãos, ficando em pé. ― Eu vou ver quem é, volto já.
Logo que Oliver saiu decidi por segui-lo. Se meu Benji ia fazer parte daquela família, eu teria que enfrentá-los alguma hora, não dava mais para evitar, eles que lidassem comigo.
Enxuguei toda a trilha de lágrimas deixadas pelas declarações de Oliver e fiquei em pé, pronta para enfrentar meus algozes, e decidida a também declarar todos os meus sentimentos. Eu tinha que dizer que o amava, já que essa era a mais pura e cristalina verdade.
Mas quando cheguei no topo da escada, Oliver estava parado com a mão na maçaneta, a porta aberta, ele pálido como um fantasma, olhando para a pessoa que batera e que ainda se mantinha fora da minha visão.
Desci com cuidado, o mais rápido que consegui para ver logo o que o havia deixado assim, e foi quando a pessoa deu um passo à frente e falou, senti o chão faltar sob os meus pés, agradecendo mentalmente por já ter descido aqueles degraus. Se eu caísse de mais uma escada Anna ia me matar.
― Irmão, não fica aí parado, me dá um abraço! ― O moreno jogou os braços em torno do loiro que ainda não se movia no lugar, congelado de choque ao ponto de não conseguir ao menos retribuir ao abraço.
― Tommy ― minha voz saiu em um fio apenas, e quando os dois pares de olhos azuis viraram para mim, eu congelei, sem saber mais o que dizer ou fazer em seguida.
― Princesa! ― Tommy estava muito feliz, e deixou Oliver para trás quando começou a vir em minha direção, mas antes que chegasse até mim, senti a pontada no baixo ventre e o líquido quente escorrer entre minhas pernas, tendo que me segurar no corrimão da escada e no local da dor.
― Ai, não.
― Felicity, o que foi? ― Oliver chegou até mim em uma velocidade recorde, Tommy em seguida.
― Temos que ir para o hospital. ― Olhei de um para o outro, então para minha barriga. ― O bebê vai nascer.
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