Notas iniciais
Olá, pessoas!! Como estão? Hora de retomar a história para Olicity, com Oliver colhendo consequências de ter se afastado de Felicity. Espero que curtam o capítulo!! Até as notas finais!! Bjs*

“O Candidato”

#POVFelicity

― Filho, o que acha dessa aqui? ― Dei uma voltinha em torno do meu próprio eixo, e Ben bateu as palmas com força na bandeja da sua cadeirinha, soltando gritinhos animados. ― Gostou dessa também?

Suspirei desanimada. Ele havia tido a exata mesma reação todas as vezes que saí do closet com uma troca de roupa diferente, então ou estava tudo ótimo, o que eu duvidava muito pois conhecia meu senso fashion, ou estava tudo muito ruim.

E eu sei que deveria estar procurando conselhos de moda com alguém que não usasse apenas macacões de bichinhos, mas não é como se tivesse muita opção. Hoje seria um dia importante que poderia mudar os rumos da minha vida, precisava estar minimamente bem vestida.

― Sua tia, óbvio. ― Mais uma vez, Benji se animou. O carinha estava muito feliz hoje e reagindo assim para tudo que eu falava ou fazia, só podia ser um bom sinal.

Liguei para Thea, a essa hora ela deveria estar chegando em casa da Verdant, talvez conseguisse alguma ajuda profissional.

― Cunhadinha, boa noite!

― Bom dia, Thea. ― Resolvi nem corrigir muito, já que a coitada vivia com os horários trocados na cabeça. ― Está muito ocupada?

― Estou chegando em casa, manda aí.

― Está dirigindo, garota?

― Mais ou menos. Meu carro praticamente se dirige sozinho, então. ― Deu de ombros, olhando para algo à sua frente, então parecendo girar o volante em uma curva.

― Thea! ― briguei com ela.

― Calma, irritadinha. Cheguei, olha. ― Tirou o celular do suporte, mostrando que já descia do carro e entrava na mansão. ― Mas em que sua fada madrinha pode lhe ajudar?

― Tenta não ficar muito empolgada sobre isso, mas preciso de conselhos de moda.

― Ai, meu Deus! ― gritou, e eu fiz careta, afastando o celular ou ficaria surda. ― Finalmente esse dia chegou, finalmente vou poder te dar todas as roupas que venho comprando esse último ano.

― É o quê?

― Não se mexe, chego aí alguns minutos.

― Não, não, Thea! ― a interrompi. ― Só preciso de uma opinião, como assim você vem comprando roupas para mim?

― Opinião para quê? ― desconversou, o sorriso inocente. Eu ainda mato essa menina! Outro dia, hoje estou com pressa.

― Eu tenho uma entrevista de emprego hoje em um lugar que quero muito trabalhar. Preciso de uma opinião sobre o que vestir, e Ben gosta de tudo que eu coloco. Ele não pode estar inteiramente certo.

― Se te conheço, com certeza não. ― Eu deveria ficar ofendida, mas ela devia estar certa. ― Vai, me mostra o que está usando.

Apoiei o celular no gaveteiro e mostrei meu vestido soltinho e estampado dos tempos de gravidez. Ficava um pouco mais largo agora, mas servia bem.

― Que bonitinho, você vai vender flores na rua!

― Tão ruim assim? ― Torci o nariz.

― Onde é sua entrevista, Felicity?

― Numa empresa de tecnologia.

― A Queen-Merlyn? Isso é tão leg…

― Deus me livre. ― Afastei a ideia de cara. Como se ser empregada de Malcom e Moira, sob o comando de Oliver não fosse o último lugar que eu quisesse trabalhar. ― É na Palmer Tech. Eu soube que o CEO está mudando a sede para Starling, haverá muitas novas contratações.

― Ok, então essa roupa não. O que mais você tem aí?

Fui desaprovada nos próximos três looks, respectivamente, a roupa de trabalhar em lanchonete, a roupa de passear no parque com um bebê, a roupa que ela chamou de "por que você ainda tem isso, joga fora!".

― Deixa isso para lá.

― Não, deixa nada. Deixa eu ver a próxima. ― Agora eu usava uma camisa rosa e uma saia preta. ― A mais aceitável até agora. Ainda tem uma vibe meio de evangélica, tipo "já ouviu as boas novas", mas muito melhor do que aquele horrendo conjuntinho de antes.

― Valeu, Thea ― ironizei.

― De nada, agora me mostra meu sobrinho.

Aproximei a cadeirinha de Ben da tela do celular enquanto terminava de ajeitar as coisas na minha bolsa e na dele.

― Com quem vai deixá-lo? Estou morrendo de saudades do meu pestinha, posso ficar de babá.

― Sério? Eu ia deixar com uma pessoa aqui do prédio que cuida de bebês, como a entrevista é só pela manhã, mas se você puder…

― Ótimo, vou falar para Diggle buscar vocês, daí ele te deixa na Palmer Tech e traz o Ben para cá.

Resolvi aceitar a ajuda. Toda a coisa das trocas de roupas acabou me deixando muito atrasada e seria uma péssima primeira impressão.

Quando cheguei na empresa, fui direcionada para a sala da seleção, não conseguindo esconder a decepção ao ver mais de trinta pessoas que também estavam ali em busca do emprego. Não queria ser pessimista, mas já senti minhas chances diminuírem, por ter zero experiência em trabalhar em um local como aquele.

A chefe do RH era uma mulher de aparência rígida, apesar de não parecer ter mais de quarenta, se vestia muito formalmente e não dava sorrisos. Ela explicou que tudo ocorreria em etapas, com pessoas sendo eliminadas a cada momento. Tipo os Jogos Vorazes, pensei sozinha.

Primeiro uma dinâmica de grupo que nos avaliaria por critérios que só Deus sabe. Depois uma prova escrita sobre nossa área de atuação, então uma prova prática. Só então os cinco mais bem avaliados iriam falar com o chefão de tudo, Ray Palmer, que fazia questão de aprovar cada um pessoalmente, aí sim seríamos contratados.

Moleza, só que não.

Por meu sobrenome ser com S, fiquei no segundo grupo da primeira etapa, e fomos liberados para conhecer a empresa na meia hora seguinte, dentro, claro, dos limites dos nossos crachás de visitantes.

A maioria foi para a cafeteria liberada, ou conhecer outros setores que não me dei ao trabalho de olhar no guia que nos foi entregue. Fiquei ali mesmo por perto, se fosse contratada, conheceria tudo depois, se não, de que importava? O que eu não podia me dar ao luxo era de perder a hora por estar distraída por aí.

Estava andando de um lado a outro em um corredor paralelo à onde o primeiro grupo estava, quando ouvi um "ai" saindo de uma porta entreaberta. Movida pela curiosidade, fui até lá, e de baixo da mesa, saía um homem branco de densos cabelos negros, massageando a cabeça, alto o bastante para ser impressionante que ele coubesse ali.

― Você está bem?

― Só bati minha cabeça arrumando uns fios. E doeu.

― Quer gelo ou coisa assim? ― ofereci. Ser mãe meio que ativou meus instintos de cuidar dos "dodóis" de todo mundo.

― Não, já estava doendo. ― Sentou na cadeira em frente a um computador, frustrado. ― A droga desses códigos! Estou nisso desde que cheguei aqui, mas Cayden James está desafiando todos os meus títulos. ― Largou o teclado, colocando as palmas em cima da mesa.

― Cayden James, o programador?

― Você conhece?

― Será que eu… ― Apontei meio sem jeito para a cadeira. ― Eu posso tentar?

― Fica à vontade. ― Se levantou com as mãos ao alto, como se finalmente desistisse.

Sentei em sua cadeira e abri a janela da codificação. Era estranho estar fazendo isso de novo depois de tanto tempo, mas deveria ser como andar de bicicleta. E era.
Estar com Ben era o que me fazia mais viva e feliz, mas ali, colocando em prática o que eu sabia e amava fazer como profissão, me senti plena como há tempos não conseguia ser. Eu poderia ser mais do que mãe, e agora tive certeza disso.

― E pronto.

― O quê? Não! ― exclamou exageradamente impressionado, descruzando os braços que mantinha junto ao corpo enquanto me observava.

― Sim, pode ver. ― Levantei, e ele sentou em seu lugar, digitando rapidamente e comprovando que eu estava certa.

― Como você… Vou jogar meu doutorado fora!

― Não jogue seu doutorado fora, Cayden James foi meu orientador no MIT ― expliquei. ― Ajudei ele a criar esse código, se eu não souber como conserta um bug nele, eu jogo fora meu diploma. ― Dei de ombros sorrindo, não tinha sido nada demais, mas o homem ainda parecia impressionado.

― Eu te amo, quer casar comigo?!

― O quê? ― Pisquei várias vezes, engolindo seco.

― Deus do céu, desculpe. ― Estendeu as palmas em minha direção, dando dois passos para trás. ― Minha assessora vive me mandando tomar cuidado com a empolgação e frases com duplo sentido, por causa dos processos por assédio. Além do mais, eu também já tenho uma noiva, Anna, ela também é doutora. Outro tipo de doutora ― tagarelou.

Outro cara noivo? Deus me livre, repreendido em nome de Jesus, bate na madeira três vezes, vá de reto! Mas tinha de admitir que o cara além de bonito, era muito engraçado, mesmo sem a intenção de ser.

― Enfim, eu me orgulho de conhecer todos os funcionários daqui e não conheço você.

― Felicity Smoak. ― Estendi minha mão para ele, que hesitou por dois segundos, ainda sobre a coisa da proposta de casamento. ― Não vou processar você por assédio.

― Sendo assim, doutor Raymond Palmer. ― Apertou minha mão e meus olhos quase saíram das órbitas. ― Doutor Ray Palmer. Ray Palmer. Só Ray ― se corrigiu pela terceira vez até achar sua apresentação apropriada, o que me pareceu ser algo que acontecia sempre, e eu ainda estava chocada de estar falando nos últimos minutos com o todo poderoso da Palmer Tech.

Toma na cara, Thea! Ficou me enchendo o saco sobre mil e uma regras de vestuário, e aqui estava, o dono do prédio usando jeans, camisa de flanela e moletom de capuz.

― Então você não trabalha comigo?

― Pretendo. Vim para a seleção hoje.

― Oh, isso é hoje? ― Fez uma careta.

― Já está rolando.

― Droga, tenho que trocar de roupa. Minha assessora fica me mandando me vestir apropriadamente para essas entrevistas finais. ― Passou as mãos nos jeans, tirando a poeira. Eu deveria avisar que tem teia de aranha do cabelo de também? ― Então, nos vemos pelos corredores, bem-vinda à Palmer Tech.

― Você não me entendeu, eu ainda nem comecei as fases da seleção.

― Você que parece que não entendeu, Felicity. Você resolveu em minutos um problema que nem eu ou nenhum dos meus programadores conseguiu. Deveria ser CEO.

Eu mal podia acreditar. Por pura ação do acaso eu havia conseguido o emprego? Sentia que podia chorar de felicidade nesse momento.

― Não vai nem ver meu currículo, porque deveria saber que nunca trabalhei em uma companhia como a sua, e…

― Você não precisa disso. ― Rasgou o envelope e jogou no lixo. ― Tive uma ideia, por que não te mostro a empresa? Aproveito e dou uma olhada como andam as finalizações de cada setor. Vamos inaugurar em algumas semanas e ainda tem tanto a ser feito.

― Tá bem, claro.

Quem sou eu pra discutir com o homem? Eu admirava a história do gênio que Ray Palmer era, e mesmo sem nunca ter o visto pessoalmente, não havia um estudante de tecnologia que não a conhecesse.

Construiu um império tecnológico bilionário com o dinheiro de suas primeiras parentes. As atualizações de seus smartwatchs eram os lançamentos mais aguardados de todos os anos, haviam filas nas lojas nas madrugadas que antecediam o início das vendas, e a melhor parte é que a empresa pregava o cuidado ao meio ambiente e uso de energia sustentável. Mas conhecer os setores, e de bônus com as explicações do criador, só fez eu me apaixonar pelo lugar e pela ideia.

― É tudo tão colorido, dinâmico e inovador.

― Estamos na parte da criação. Meus colaboradores são jovens e inteligentes, confiná-los em um ambiente impessoal barraria a criatividade. Eu mesmo colocaria uns balanços desses no setor da presidência, mas minha assessora acha "anti-profissional". ― Fez sinal de aspas com os dedos.

Aquele era de longe meu setor preferido. Jurídico, contabilidade, Recursos Humanos, ainda mantinham uma certa sobriedade, mas esses últimos andares que estávamos visitando eram o mais colorido quanto podiam ser, tudo de muito bom gosto.

― Sua assessora te enche o saco, hein?

― Um pouco. Ela faz o trabalho dela. ― Deu de ombros. ― Mas conta aí, como você e todas essas habilidades ainda não foi fisgada por nenhuma empresa? ― Nos conduziu para o elevador.

― Depois que formei no MIT, voltei pra minha cidade para ficar perto da minha mãe. Só que Las Vegas, apesar de ser do lado, não é exatamente o Vale do Silício, não consegui muitas oportunidades. Me mudei para cá faz um ano, Starling, Central, Coast City estavam se mostrando promissoras.

― E são! Vale do Silício é muito competitivo.

― Exatamente o que pensei! ― Descemos no térreo, e Ray, enquanto continuava a cumprimentar quase todo mundo pelo nome.

― Mas isso não justifica você ainda não estar nos Laboratórios Star, ou na Queen-Merlyn.

― Melhor falar tudo de uma vez. ― Respirei fundo e ele franziu o cenho. Sabia que mulheres com filhos pequenos eram as últimas na fila de contratação de multinacionais, mas eu não ia esconder meu pequenininho, de jeito nenhum. ― Eu não pude trabalhar esse último ano porque engravidei. Meu filho, Benjamin, tem cinco meses agora, mas não se preocupe, não vai atrapalhar meu trabalho aqui. Eu já tenho um plano para isso funcionar, e se esse falhar, um plano B e um C.

― Ou você pode trazê-lo como as outras mães e deixar na creche com cuidadoras especializadas que eu já contratei. Essa não é uma questão aqui, Felicity, relaxe. ― Sorriu, acariciando meu ombro. ― Meus colaboradores felizes deixam minha empresa mais produtiva.

― Isso é fantástico ― falei respirando aliviada. ― Posso te fazer uma pergunta pessoal?

― Eu já disse que te amava, como ser mais pessoal que isso? ― Se virou para a moça do balcão, pedindo dois cafés.

― Sobre isso, inclusive. Você disse que sua noiva era um tipo diferente do seu tipo de doutor. Ela é médica?

― É, gineco-obstetra, Anna Hill, em breve Palmer.

― Não acredito, sua noiva foi minha médica! ― Lhe dei um tapa forte no ombro, e percebi que havia me empolgado demais com meu futuro chefe, quando ele colocou a mão em cima de onde eu havia batido e murmurou um "ai". Eu mal podia crer na coincidência, não lembrava de ter visto algum anel de noivado em seu dedo nas consultas. Talvez fosse algo recente.

― Sério? Ela não é perfeita e genial, e com o emprego mais lindo, trazer pessoinhas ao mundo? Posso te confessar uma coisa? ― Se abaixou mais a minha altura para falar baixo. ― Eu menti quando disse pra colunas empresariais que me mudei para cá visando o desenvolvimento da Palmer Tech. Foi por ela.

― Isso é doce. Fico feliz por vocês, são pessoas maravilhosas e com a incrível capacidade de decorar nomes.

― Obrigado. ― Sorriu, e eu conseguia identificar o olhar apaixonado apenas ao pensar nela.

― Depois da pergunta pessoal, posso fazer uma observação pessoal?

― Claro, manda.

― Ainda tem teia de aranha no seu cabelo.

― Onde? ― Fez uma cara engraçada ao voltar os olhos para cima, então tentar tirar no lugar errado.

― Abaixa aqui, deixa que eu… ― A situação era engraçada, eu na ponta dos pés e ele encurvado, que não consegui não rir.

― Ora se não é o doutor Raymond Palmer, Ray Palmer, só Ray. ― Nem acreditei quando quem chegou ao meu lado foi Tommy. ― Você lembra de mim? Nos conhecemos em um evento de caridade da Queen-Merlyn, ano passado.

― Já saiu a teia? ― sussurrou para mim e eu balancei a cabeça que sim, mesmo sentindo o constrangimento me dominar. ― Claro, Tommy Merlyn. ― Apertaram as mãos. ― Eu li sobre o que aconteceu com você, que história! É bom tê-lo de volta no mundo dos vivos.

― Engraçado ele, não é?! ― Forçou um sorriso, falando comigo, mas apontando para o outro.

― O que faz aqui, Tommy? ― perguntei entredentes.

― Vocês se conhecem? ― Ray alternava o olhar de um para o outro.

― Ele é o pai do Ben. ― Contei de uma vez, ou Tommy contaria em sua próxima frase, eu sabia disso.

― Ah. Ah! ― exclamou surpreso, levando dois segundos para processar a informação. ― Que coisa. Então, nos acompanha no café?

― Doutor Palmer, um minutinho só. ― Arrastei Tommy pelo braço até uma distância que não seríamos ouvidos. ― Que diabos você está fazendo aqui?

― Thea comentou que você tinha essa entrevista e pensei que poderia ajudar, mas pelo jeito, você cuidou de tudo sozinha.

― O que está querendo insinuar?

― Não estou insinuando nada, eu vi. As entrevistas acontecem assim por aqui?

― Não era nada de mais, fica calado.

― Cheguei e os dois estavam no maior clima, você tava pegando no cabelo dele. No cabelo dele, Felicity, isso chama flerte.

― Primeiro que você não tem direito nenhum de opinar sobre nada que eu faço. Então some daqui antes que eu mesma cale a sua boca com um soco na…

― Oi, gente, dá licença. Oi. ― Ray chegou nos interrompendo. ― Minha assessora acabou de me ligar, eu esqueci que tinha uma reunião marcada, o café vai ter ficar para outra hora. ― Como um cara que tinha mais de 200 de QI, era tão bom de memória, mas conseguia ser tão ruim em lembrar compromissos, era um mistério que nem o próprio Einstein poderia decifrar.

― Tudo bem, já te atrapalhei demais. Obrigada pela oportunidade e pelo tour, a Palmer Tech é incrível.

― Valeu. E na verdade, é uma reunião com seu cunhado.

― Com o meu o quê? ― Senti minha boca secar.

― Oliver Queen, seu irmão. ― Apontou para Tommy, interpretando muito errado minha relação com o moreno. ― Seu cunhado, não é, Felicity?! ― Tommy soltou uma gargalhada alta, e senti meu rosto enrubescer. ― O que foi, falei alguma besteira?

― Você não faz ideia, Ray. ― Apertou o ombro dele, em um gesto camarada. ― E por falar no diabo…

Oliver entrava no prédio em seu melhor modo executivo, e eu só queria um buraco de construção para me jogar dentro. Como parei nessa situação? Foi quando ele nos viu. E por estarmos os três olhando para ele, também não teve como correr e veio em nossa direção.

― Bom dia a todos.

― Olá, senhor Queen. Senhor Queen? ― Ray teve que repetir para chamar a atenção de Oliver, que estava me encarando desde que começou a se aproximar.

― Olá, doutor Palmer. ― Finalmente retribuiu ao aperto de mão. ― Cheguei muito cedo?

― Não, imagina, você está no horário. Eu que perdi a hora, me distraí com…

― Com essa nova e bela amizade de formando entre ele e Felicity. ― Belisquei as costelas de Tommy murmurando um "cala a boca". ― Estamos ou não um mundo minúsculo?

― Amizade?

― Relação profissional ― corrigi.

― Relação profissional?

― Sim! ― Ray estava animado e totalmente alheio à tensão. ― Não sei como você deixou essa joia da tecnologia escapar, Queen, mas já era. Felicity é toda minha agora. ― Passou o braço por meus ombros e eu me encolhi de seu meio abraço.

― Toda sua? ― Ergueu uma sobrancelha.

― Ah, meu Deus, a coisa do assédio. ― Me soltou rapidamente, olhando constrangido para Tommy. ― Quer dizer, desculpa, eu não quis pedi-la em casamento.

― Pedir em casamento? ― Oliver repetiu mais uma vez.

Meu Deus, a língua solta de Ray Palmer era impossível. E vindo de mim, isso deveria ser considerado gravíssimo.

― Por mais que Ollie versão papagaio começou sendo divertidíssimo, tá começando a ficar irritante.

― Jesus, a nossa reunião! ― Ray pareceu se dar conta, dando um tapa na própria testa. ― Senhor Queen, fique à vontade para tomar um café, eu preciso colocar um terno e te encontro na minha sala em cinco minutos, pode ser? Pode, né? Foi um prazer revê-lo, Tommy. ― Apertou a mão do moreno. ― Minha assessora vai te ligar, Felicity. ― E quase correu até o elevador, me deixando livre para brigar com eles.

― Mas que merda, vocês dois?!

― Eu o quê? Vim aqui com as melhores intenções. ― Tommy se defendeu erguendo as mãos.

― E eu tinha uma reunião, mas não explica o que você está fazendo aqui com o Palmer, Felicity!

― Eu já não te disse? Eles são amigos agora.

― Meu Deus, cara! Cala a boca.

― Não vou calar não, sabe por quê? Ficou dando conversa para Ray Palmer sim, toda cheia de intimidade.

― Isso é verdade Felicity? Não acha que deveria pegar mais leve, já que tem o Ben, ele ainda é muito pequeno, e…

― Oliver, está dizendo que não posso trabalhar por causa do meu bebê? Inacreditável, não estou ouvindo isso!

― Eu não disse isso, não distorça minhas palavras.

― Foi exatamente o que você disse ― o contradisse. ― Que eu tenho que ir mais devagar porque sou mãe. Tommy é pai, e isso não o tem desacelerado. ― Pelas histórias que Thea tinha me contado, Tommy havia virado um devasso, pegando a cidade toda.

― Ia ser preciso mais que um bebê. ― Estalou a língua, piscando pra mim. Rolei olhos, não ia continuar tendo essa conversa.

Passei as mãos nos cabelos, e saí de perto deles, antes que sobrasse pelo menos três tapas em cada. Mas para meu azar, ou vi seus passos atrás de mim.

― Felicity…

― Não, nada de "Felicity". ― Me virei para os dois com o dedo em riste. ― A Felicity aqui está usando toda a força de vontade que ela tem para não fazer um escândalo monumental na empresa do único cara que está valendo a pena conversar hoje. Eu não devo satisfação a nenhum de vocês, então vão parar a crise sem propósito de ciúmes agora ou eu não respondo por mim.

― Mas… ― Oliver até tentou, mas lhe dei as costas novamente.

― Tchau! ― falei mais alto que o necessário, andando rápido em direção à saída.
Peguei um táxi e fui direto para a mansão. Mesmo com a manhã cheia, eu já estava morrendo de saudades do meu bebê, e já me doía em pensar como seria dali em diante, sem tê-lo ao meu lado todas as horas do meu dia, mas fazia parte.

Quando cheguei lá, ele já estava sobre os cuidados de Raisa, já que, segundo a governanta, Ben havia colocado Thea para dormir na última hora e estava sem nenhuma vontade de acompanhar a tia no cochilo. Pobrezinha, havia emendado o turno da Verdant com o de babá de Ben, que poderia ser tão intenso quanto gerenciar uma boate, então não era surpresa que estivesse cansada.

Agradeci e disse que ligaria depois para ela, então Diggle se ofereceu para nos levar em casa, depois de resistir firmemente ao convite de Raisa para almoçar lá. Estava com pressa de ir para casa, só queria estar logo tranquila para receber a ligação da Palmer Tech.

Quando abri a porta do apartamento, uma surpresa gigante me esperava. A sala havia sido praticamente transformada em uma loja de departamentos, dada a quantidades de bolsas, sacolas de roupas, sapatos, maquiagens e produtos de beleza e cabelo. Nem precisei ler o cartão no pequeno arranjo de flores que estava na ilha da cozinha para saber de quem era.

― Sua tia tem no mínimo uns três parafusos a menos, bebê. ― Ben nem me dava mais atenção, já que cochilava em meu colo.

Desviei dos obstáculos no chão, até chegar no arranjo, pegando o cartão.
"Depois te ensino a usar tudo isso. Nada mais de moletons e visual de mamãe, você agora é uma executiva sexy. De sua fada madrinha."

Tinha até medo de olhar nas sacolas e ver o que ela havia escolhido, faria isso depois de colocar Benji para dormir. Ou ligaria para ela, mandando que devolvesse, ali devia ter alguns milhares de dólares em coisas, não era certo apenas aceitar, mesmo que fosse precisar bastante.

Sentei no sofá com a babá eletrônica do lado e nas mãos um prato de pasta com molho de queijo, meu almoço pré-pronto de microondas.

Estava animada.

Oliver e Tommy não acabariam com meu humor com aquele comportamento sem noção, não mesmo. Minha vida finalmente parecia estar voltando aos eixos, e eu estava a uma ligação de estar em um trabalho dos sonhos, com um ambiente legal e um chefe maravilhoso.

Só que já era início da noite e a ligação nunca veio. Não era possível que aquela seleção ainda estivesse rolando.

― Quem tem o pezinho mais fofo do mundo? ― Ben gargalhava quando eu brincava de morder seu pezinho que mais parecia um pãozinho.

Brincar com meu filho, o que geralmente me distrairia por horas, não estava funcionando. E quando meu celular começou a tocar em cima da mesinha de cabeceira, quase saltei nele, atendendo de pronto.

― Felicity Smoak falando.

― Fada madrinha ligando ― Thea respondeu do outro lado da linha. Afastei o celular do ouvido para identificar que se tratava mesmo de seu número.

― Thea, que loucura foi essa com as compras? Quer saber, não posso falar agora, estou esperando uma ligação.

― Se desligar, eu mando Diggle ir aí deixar o resto ― ameaçou.

― Tem mais? ― questionei chocada.

― Muito, muito mais. Fala sério, cunhada, você é daqueles tipos raros de mães que está com o corpo mais bonito do que antes de engravidar apenas alguns meses depois do parto e faz inveja em todas as outras, e não quer aproveitar isso? Eu não posso permitir.

― Thea…

― Tá, tá bom, depois você me agradece. Liguei pra saber da entrevista, como foi?

― Não rolou, acabei encontrando direto com o dono da empresa, uma daquelas coincidências malucas. E eu achava que tudo tinha dado certo, mas ainda não me ligaram para confirmar a vaga.

― Vão ligar, você vai ver.

― Você não sabe o pior. Sabe quem apareceu lá e quase estragaram tudo? ― Pausa dramática. ― Seus irmãos!

― Os dois?

― Você não sabe o constrangimento que me fizeram passar, Tommy virou um idiota, tirando uma com a cara do Ray e provocando Oliver, e esse último parece que deu pane. Dá pra acreditar nesses dois com ciúmes?

― Pera aí um segundo. Oliver com ciúmes, impossível, ele não sente ciúmes, de ninguém.

― Não?

― Não. Uau, queria ter visto, deve ter sido interessante.

― Pra quem? Eu se fosse Ray ia querer distância de contratar alguém que viesse com aqueles dois a… ― Foi quando me dei conta. Não havia recebido uma ligação porque nunca receberia uma. ― Thea, tenho que desligar.

Só para ter certeza, liguei para a Palmer Tech. Quase todos já tinha ido embora no horário, mas a moça da recepção informou sobre a seleção, que os aprovados haviam sido selecionados no fim da manhã e já começariam no dia seguinte, e eu não estava incluída neles.

Ok, já chega!

Oliver e Tommy estavam caminhando no limite e passando um pouco vez ou outra faz tempo, e eu estava tentando entender e ser paciente. Mas agora eles excederam tudo e iam me ouvir.

Notas finais
É, meus amigos, é aquele ditado "quem não dá assistência, abre à concorrência". Mas não se preocupem, como citado, Ray está muito bem comprometido com outra pessoa, o que não impediu Felicity de deixá-lo pensar outra coisa. Danadinha ela, hein?! Mas achei bem feito!! Ray Palmer vem apenas como um dos catalizadores para essa relação finalmente desenrolar. Espero que tenham gostado do capítulo. No próximo, devolvemos a história para Oliver, pra saber o que rolou naquela cabecinha meio bugada de papagaio. Obrigada por todo o carinho à mim e à história. Até mais.. Bjs*