Notas iniciais
Olá, pessoas!! Nem acredito que esse dia chegou, nossa última segunda feira juntos com Breeding Love. Tem sido uma jornada e tanto, cheia de altos e baixos, mas assim é a vida real também. Espero que curtam o capítulo, seja rindo, chorando, ou apenas suspirando com esses lindos casais apaixonados que acompanhamos por quase um ano. Boa leitura!! Até as notas finais.. Bjs*

“Promessas mantidas”

#POVOliver

― Como assim você quer viajar para Central City pra ajudar seu irmão a conquistar uma garota? ― Felicity perguntou confusa enquanto terminava de trocar Ben e vestir uma roupinha nele. ― Falando por experiência, Tommy não precisa de ajuda nenhuma nesse departamento. ― Franzi o nariz. Já tinha passado muito tempo que eles tinham ficado juntos, mas ainda era estranho.

― Ele gosta dela, mas fez besteira. E acho que ela gosta dele, ou não ficaria tão magoada.

― É a garota daquele dia do parque? Senti o clima. ― Felicity fez uma careta engraçada, como se lembrasse vividamente daquele momento vivido dias atrás.

― Essa mesma. E preciso de você comigo nisso, já tenho até parte de um plano para juntar os dois.

― A quinta série tá on. ― Sorriu, me entregando Ben, e tirando as coisas do bebê de cima da cama para guardar. ― Aceite meu conselho, meu amor, às vezes é melhor apenas deixar o tempo consertar as coisas. Funciona para mim.

― Não temos tempo, temos que resolver isso o quanto antes. ― Felicity me deu um daqueles olhares penetrantes como se visse através da minha alma e de cada um dos meus pensamentos.

― Você não está tentando resolver a vida de Tommy por culpa de estarmos juntos e felizes, não é?

― Não. ― Fixou o olhar descrente no meu. ― Ok, um pouco ― admiti, e ela sorriu ao estar certa. ― Mas é além disso, é sobre resgatar um amor que pode morrer antes que tenha uma chance. ― Ouvi ela murmurar um "exagerado" quando pegava Benjamin do meu colo e eu a seguia até o quarto da frente, e Felicity colocava o bebê no berço.

― Já te disseram que você é um tanto quanto obstinado, senhor Queen?

― Se não fosse assim, não seria o CEO da empresa. ― A abracei por trás, afastando seus cabelos de um ombro e beijando a curva do seu pescoço, a sentindo amolecer em meus braços. ― Por favor?

― Hm ― soltou um gemidinho, cobrindo meus braços com os seus e eu continuei a beijar sua pele macia, seu cheiro sendo o meu perfume preferido do mundo todo. ― Está usando seu sexy appel para me persuadir a fazer o que quer?

― Está funcionando? ― ronronei ao seu ouvido, vendo ela se arrepiar ao receber uma mordidinha no lóbulo da orelha.

― Eu só espero mesmo que não use essas mesmas táticas na Queen-Merlyn, ou eu vou quebrar a sua sala e a sua cara.

― Que namorada mais ciumenta fui arrumar, meu Deus! ― exclamei, a girando em meus braços para ficarmos frente a frente.

― Claro que tenho que ficar de olho, te conheci ontem não, meu filho ― brincou, estalando os dedos.

Até tentei manter a pose de ofendido, mas não colou por muito tempo. Os níveis de ciúmes de Felicity eram tão saudáveis que nunca viraram nem uma questão. E para quem teve o celular rastreado e detetives na cola tantas vezes, eu conseguia agora ver com clareza como Laurel era neurótica.

― Tô nem doido. ― Neguei com a cabeça, só a ideia de uma traição à anos luz de distância. ― Quero te perder nunca mais, Felicity.

― Fofo. ― Ficou na ponta dos pés para me dar um selinho. ― Agora me conta, qual seu grande plano?

― É bem simples, vamos até lá e conversamos com ela.

― Que decepcionante, Oliver, achei que teria pelo menos um avião com faixa gigante cortando o céu de Central City envolvido. Ou uma esquadrilha formando um C e T com fumaça colorida. ― Franzi o cenho.

Nunca imaginei Felicity sendo adepta dessas demonstrações tão públicas de afeto, mas se era o que ela gostava, eu estava pronto a começar a explorar esse mundo.

― É o tipo de coisa que você gosta?

― Deus me livre! Faça isso e vou me enterrar no primeiro buraco que achar e te deixar falando sozinho, morro de vergonha dessas coisas. Para os outros, lindo, para mim, socorro. ― Arregalou os olhos exagerando no drama. Estávamos na mesma página afinal.

― Ok. E não, não pensei em grandes coisas porque pelo que meu irmão disse, ela também não é esse tipo de garota. Acho que só precisamos conversar com ela, uma conversa sincera e de coração aberto.

― Brincadeiras à parte, mas você se acha tão persuasivo assim? Ela está magoada, amor, não vai escutar o irmão da pessoa que a magoou, que claramente tem uma visão parcial sobre a história.

― Por isso pensei em outra pessoa falar. A única pessoa que foi magoada mais do que ela por Tommy e mesmo assim o perdoou. ― Ergui as sobrancelhas de modo sugestivo.

― Eu? Ah não, Oliver, só estou indo como co-piloto do seu planinho adolescente. E mais, o que eu poderia dizer? Se não fosse pelo Benji eu nunca mais olharia na cara do Tommy. ― Se soltou, mas eu impedi que se afastasse segurando suas mãos.

― Por favor, meu amor. Sei como tem o coração enorme e que não é apenas o filho que liga vocês dois. Você tem carinho por ele, você se preocupa, só precisa dizer isso e ponto.

― Tá bom! ― concordou. ― Mas se isso funcionar e ele vacilar com ela de novo, eu mesmo o jogo em um poço.

― Seus pensamentos são tão violentos às vezes.

― Experimenta ter eles voltados para você, querido ― ameaçou e eu sorri, a abraçando de novo.

― Eu sou mais esperto que isso. Agora só precisamos descobrir como levar Tommy em Central City, ele me proibiu de interferir em sua vida amoroso e vai desconfiar se eu, por acaso, o colocar em um avião para lá.

― Deixa essa parte comigo, uma vez ele me prometeu que levaria para uma pista de corrida de carros de alta performance. ― Não posso dizer que não fiquei surpreso, mas ao parar para analisar, seria bem algo que ela gostaria. ― Vou cobrar o passeio, e você trate de arrumar uma reunião lá na mesma data.

― Você é tão inteligente.

― E você tem uma lealdade que faria inveja ao mais fiel dos cavaleiros da Távora Redonda. ― Me deu um beijinho rápido. ― É só mais um dos motivos porque amo você.

― E quais os outros motivos, posso saber?

― Bem… Sua generosidade, coração enorme, empatia e o mais importante, o que mais vai abalar nosso relacionamento se você perder um dia… ― Gesticulou amplamente.

― O quê?

― Seu tanquinho, é óbvio.

~

― Eu não entendo. Se só temos hora marcada na pista amanhã e sua reunião também só é amanhã, por que viemos para cá hoje? ― Tommy repetiu o mesmo questionamento que fez a viagem toda enquanto abria a porta de um dos nossos quarto de hotel. ― Estamos só a meia hora de avião.

― Minha reunião é muito cedo, já disse.

― É, seria complicado sair tão cedo com o bebê ― Felicity completou minha justificativa.

― Mais complicado do que toda essa mudança? ― Indicou para o funcionário do hotel, que empurrava um carrinho com nossas malas, sendo que metade eram coisas do bebê. ― As roupas do Ben não tem tipo, uns vinte centímetros?

― Você vai sair para comprar fraudas, mamadeiras ou papinha de madrugada? ― Felicity perguntou a ele com as mãos na cintura, e eu estava feliz por não fazer parte daquele embate, pois estava do lado do Tommy nessa e achava bagagem demais. ― Eu não vou, então… Melhor prevenir e trazer o bastante.

― Ok, então pra que isso? ― Ergueu um negócio tipo travesseiro grande com uma depressão no meio, que Felicity colocava o bebê dentro.

― Benji está rolando, melhor prevenir. ― Tomou o travesseiro das mãos dele.

― Você que sabe, eu não trouxe nas costas mesmo. ― Deu de ombros. ― Vou para meu quarto, qualquer coisa me chamem. ― Pegou sua única bolsa de mão.

― Seu plano é tão ruim, ele não está pronto ― minha namorada determinou logo que a porta foi fechada. ― E quanto mais errado der, mais vai sobrar estresse no nosso caminho de volta, Oliver!

― Confie em mim, eu conheço meu irmão a vida toda, ele está pronto para isso sim.

― Confio em você, então. ― Beijou meus lábios. ― E aí, você me disse que já tinha uma ideia para trazer Caitlin ao hotel. Qual é?

― Ah, é uma ótima ideia, pensei em tudo. ― Entreguei um animado Ben que batia palminhas na direção da mãe. ― Eu liguei para o hospital que Tommy fez escândalo daquela vez que foi preso e descobri que Caitlin trabalha lá, no departamento de neurocirurgia. Liguei para o chefe do departamento como uma pessoa muito agradecida e que quer investir e fazer uma boa doação, desde que seja tudo acertado com a médica que salvou a vida do meu ente querido.

― Todas aquelas mentiras com suas namoradas te ensinaram alguma coisa afinal.

― Engraçadinha. Mas continuando… O chefe ligou para Caitlin, e já está tudo certo, vamos nos encontrar em um quarto para vocês conversarem com mais privacidade.

― Deus, Oliver! Em que mundo você vive?! ― exclamou, vindo em minha direção e pegando meu celular do meu bolso. ― Liga agora e diz que a reunião será no restaurante do hotel, disse que seu assistente fez confusão ou sei lá ― ordenou, me entregando o aparelho.

― Ué, por quê?

― Ela não vem, é óbvio! Que mulher você conhece que vem para uma reunião a portas fechadas em um quarto de hotel com um desconhecido que oferece dinheiro? ― Só quando ela falou foi que percebi a confusão que tinha feiro. ― Conserta isso antes que não dê mais tempo!

― Por isso que você está aqui, meu amor, estaria perdido sem você. Eu e Tommy estaríamos. ― Felicity negou de leve com cabeça, mas sorriu, então me destinando um olhar urgente para que eu fizesse logo a ligação.

Algumas horas mais tarde, já estávamos arrumados e batendo na porta do quarto do meu irmão para deixar Ben.

― Tem certeza que não estamos abusando?

Uma de minhas preocupações constantes desde que voltei a namorar Felicity era exceder na frente de Tommy, sejam nos carinhos com ela, Ben ou em coisas simples de casal que poderiam magoá-lo. Mas ao contrário do que achei, ele estava cada dia mais de boa com tudo, voltando a ser meu irmão gentil e solidário de sempre.

― Abusar? Eu e meu garoto temos um noite cheia planejada, vamos ver MMA e comer bobagens! ― falou animado, pegando dos meus braços um bebê que já foi com as mãozinhas ágeis em seu cabelo.

― Por favor, não encha nosso filho de imagens violentas, açúcar e gordura saturada.

― Claro que não. ― Negou para ela, mas sorriu conspiratório para mim.

― Tommy!

― É brincadeira. Podem ir tranquilos, não precisam nem voltar essa noite se não quiserem.

― Deus me livre. ― Felicity agarrou a cabecinha de Ben, a beijando. ― Fica bem, meu amorzinho, cuida do seu papai.

― Hey! ― exclamou revoltado. ― Tira ela daqui, Ollie!

― Estamos indo. ― Segurei Felicity pelos ombros. ― E você, coloca alguma coisa mais apresentável, tá parecendo um mendigo, vai que alguém vem aqui.

― Estou de pijama e quem poderia aparecer aqui?

― Serviço de quarto, claro ― me justifiquei rapidamente antes que ele desconfiasse de algo.

― Saiam daqui, estão atrapalhando minha noite dos garotos com meu moleque.

― Qualquer coisa, estou com o celular na mão, me liga que chego aqui em um piscar de olhos.

― Ollie… ― Tommy disse meu nome em tom de súplica, implorando que o livrasse das mesmas recomendações que recebia toda vez que Felicity o deixava com o bebê.

― Vamos, amor. ― Comecei a arrastar para fora do quarto pela cintura.

― Tem duas mamadeiras na bolsa e mais algumas papinhas extra de frutas. Se precisar do travesseiro ou do carrinho está tudo no nosso quarto, deixei uma chave extra na… ― A porta foi batida em nossa cara. ― …bolsa. Rude ― reclamou, fazendo bico.

― Tommy sabe cuidar do próprio filho, nós agora estamos na função de cuidar dele ― a tranquilizei.

Quando chegamos no restaurante, nossa reserva já estava nos aguardando, e com ajuda de uma nota de cem dólares, pedi para a recepcionista que meu sobrenome não fosse mencionado quando nossa convidada chegasse, então logo nos dirigimos a uma mesa mais isolada nos fundos.

― Eu sei que pode parecer óbvio, mas você está muito linda ― elogiei depois de pedirmos as bebidas, enquanto brincava com os dedos de Felicity sobre a mesa.

Essa noite particular ela estava deslumbrante. Sempre a achei muito bonita, até em seus momentos desarrumados, e também já havia visto com uma produção bem Thea pouco depois que veio morar conosco, mas hoje, estava insuperável em seu batom e vestido vermelho justo, cabelos soltos em ondas nas costas. Era quase como se previsse o que viria a seguir para nós.

― E você é um puxa saco de mãos muito frias ― constatou ao entrelaçar nossos dedos. ― O que há de errado, amor?

― Nada, só estou preocupado com o andamento dessa conversa, que aliás… ― Ergui os olhos para ver que Caitlin se entrava no restaurante. ― Ela chegou.

A jovem médica caminhava olhando ao redor, parecendo procurar que tipo de pessoa seria o misterioso investidor, e quando nos viu na mesa indicada pela maître, freou a caminhada na hora.

― Parece que ela não vem não.

― Deixa que eu vou lá. ― Comecei a me levantar.

― Não, deixa que eu vou, antes que queira oferecer alguma troca financeira e ofenda ainda mais a garota. ― Me impediu de seguir adiante, e a olhei chocado com a sugestão certeira. Não ia oferecer dinheiro para ela ficar, mas diria que investiria sim em sua ala do hospital, o que daria no mesmo. ― Você mudou, querido, mas ainda é um trabalho em progresso.

As duas ainda conversaram por alguns minutos a uma distância que eu não podia escutar, até que respirei aliviado quando elas se juntaram a mim na mesa. Uma primeira vitória, já era alguma coisa.

― Boa noite, doutora Snow.

― Senhor Queen ― cumprimentou com um aceno de cabeça.

― Obrigado por se juntar a nós para o jantar essa noite.

― Eu vou deixar bem claro duas coisas, antes de começar a contar os cinco minutos de prazo que dei para Felicity. Primeiro, não gostei de ser enganada para estar aqui essa noite, não se brinca com saúde. Segundo, se Tommy quer falar comigo, que crie coragem, e não mande o irmão mais velho e a ex namorada como seus intercessores.

― Nossa, ela é mais teimosa que você ― murmurei ao ouvido de Felicity.

― Cala a boca, Oliver ― retrucou.

― Tommy não nos mandou aqui, ele não faz ideia do que estamos fazendo e brigaria comigo por fazer isso depois de declarar terminantemente que eu deixasse isso para lá e te deixasse em paz.

― O que faz dele alguém que desiste.

― Ele não é alguém que desiste, só está fazendo o que você pediu!

― Ok. ― A mão de Felicity cobriu a minha, e parei de falar. ― Oliver claramente tem uma visão parcial dessa história e não vai mais participar da conversa. ― Felicity me lançou um olhar significativo para que a deixasse lidar com aquilo dali em diante. ― Caitlin, me desculpa por deixar Oliver ir adiante com isso, não queria que se sentisse enganada ou exposta, não foi nossa intenção, e prometo que se depois daqui não quiser mais olhar na nossa cara, eu faço acontecer.

― Tudo bem, o que tem para me dizer? ― Relaxou um pouco.

― Ok, vamos lá. ― Minha namorada tomou uma respiração profunda. ― Não estou aqui para defender Tommy ou colocar panos quentes para nada que ele fez com você. Foi mesquinho, egoísta e toda a sua aversão a ele é justificada. ― Caitlin encolheu os olhos e encarou a mãos no colo, parecendo fazer força para não chorar.

― Ele também não foi nada docinho com você.

― Não, ele não foi em alguns momentos, mas não diminui a pessoa incrível que você sabe que ele é, ou não estaria apaixonada também. ― Caitlin prendeu a respiração pelas palavras diretas de Felicity.

― Eu não…

― Tá tudo bem, eu também já estive. E agora amo Oliver, que tem qualidades diferentes, mas defeitos bem parecidos. ― Me mexi inquieto na cadeira, querendo falar. Mas se tinha arrastado Felicity para ajudar, deixaria que fizesse o que pedi em paz. ― Olha, Caitlin, eu sei que amar alguém pode ser difícil, e quando esse alguém te machuca, a gente acha que deve apenas desistir, é o mais fácil a se fazer, com certeza. Também não estou dizendo que você deva simplesmente perdoá-lo e esquecer como foi magoada, não é isso, mas se gosta dele de verdade e acha que vale a pena, só mais uma chance pode ser considerada.

― É inútil. ― Deu de ombros. ― Sim, ele é uma pessoa muito importante para mim e sinto falta, mas não é como vocês dois. ― Alternou o olhar entre nós e nossas mãos que permaneciam unidas em cima da mesa. ― Vocês se perdoam por que se amam, é mútuo e muito forte. Não estamos nem perto disso.

― Você realmente não percebeu que ele está apaixonado por você? ― falei pela primeira vez desde que me mandaram calar a boca.

― Ele não está.

― Sim, está. Quando ele nos viu juntos, fez aquilo com você e tudo ficou meio estranho. Era em Central City que Tommy ficava voltando, era em você que ele ficava insistindo, não em mim ou em Felicity que ele dizia amar, em você. Ele foi preso ao forçar falar com você, tentou encontrar consolo em outros lugares pois tinha perdido com você, ele não fez isso quando foi Felicity que o dispensou. ― Quase me esmurrava por ter sido tão burro e não notado antes, Thea e MacKenna perceberam na hora que o coração de Tommy não pertencia mais a Felicity há tempos. ― Meu irmão é cabeça dura e não sabia na época, mas eu o conheço, e sabendo de tudo isso agora, eu tenho certeza. E ele também tem, mas agora acha que é tarde demais, e tem medo de te machucar ao insistir. Ele não desistiu por ele mesmo, desistiu por você.

― Caitlin, eu sei que é difícil ser magoada pela pessoa que você acha que jamais faria isso, mas o ser humano é falho. Todos nós erramos, muito e muitas vezes, e eu perdoei Tommy não por ele ser o pai do Ben e estar amarrado comigo para sempre, mas por ele ser uma pessoa que vale a pena ter na vida — Felicity parafraseou a conversa que tivemos dias atrás em casa. ― E vai por mim, é muito bom amar e ser amada por ele, não perca isso por orgulho.

― Tommy realmente tem os melhores advogados em seu caso ― murmurou baixinho, um pequeno sorriso tentando escapar de seus lábios. ― Eu entendi o que me disseram e até posso concordar com algumas coisas, mas sei lá… Não acho que hoje possa ser o dia ideal para…

― Claro que hoje é o dia ideal! ― falei mais animado com mais aquela vitória, temendo que ela desistisse se deixasse para depois. ― Tommy está nesse hotel, sétimo andar, quarto 712, vocês poderiam conversar e resolver isso de vez.

― Oliver, não force.

― É, eu também não acho que…

― De alguém que perdeu muito tempo e chegou pertinho de casar com a pessoa errada, e então perdeu mais algum tempo evitando a felicidade, vai um conselho: não perca mais tempo, garanto que vai se culpar por cada segundo a menos que ficou com a pessoa que ama.

― Ele está com nosso filho lá em cima, então vai manter a compostura ― Felicity a incentivou, quando percebeu que ela ponderava em aceitar a sugestão. ― Eu subo contigo, e você sempre pode bater a porta na cara dele de novo.

― É, eu posso.

― Podemos pedir o jantar no quarto ― Felicity sugeriu.

― Ah, e se você aceitar, a Queen-Merlyn está realmente disposta a investir no seu departamento no hospital. Aquela história não era mentira, vocês salvaram a vida do meu irmão, é o mínimo que podemos fazer.

― Não precisa.

― Precisa sim, mas isso é uma conversa que poderemos ter amanhã. ― Fiquei de pé, ajustando o terno. ― Vamos?

― Vamos ― Felicity fez um carinho no ombro de Caitlin, uma fala muda de que estaria com ela, qualquer que fosse a decisão, e eu já via ali se formando uma amizade.

― Vamos. ― A médica finalmente concordou, ficando em pé também.

Avisei na recepção que liberasse nossa mesa e que mais tarde faríamos o pedido no quarto e entramos os três no elevador. Apertei o botão do andar sete, então o do 21, na cobertura. Quando chegamos no andar dos nossos quartos, Caitlin saiu primeiro, mas segurei o braço de Felicity quando ela quis segui-la.

― Quarto 712, melhor terem essa conversa a sós.

― Mas, Oliver…

― Boa sorte, doutora.

― Oliver, deveríamos ao menos pegar o bebê de lá para eles terem mais privacidade.

― Você está certa, mas nós dois temos compromisso em outro lugar.

― Temos? ― Enrugou a testa em confusão.

― Temos, mas é uma surpresa. ― Beijei seus lábios rapidamente. ― Confia em mim?

― Com a minha vida.

Sorri, mas confesso sentir meu estômago revirar de nervoso. Havia uma responsabilidade muito grande em suas palavras, responsabilidade essa que só foi diminuída porque eu também colocaria minha vida e todas as decisões dela nas mãos de Felicity. E era meio isso que eu estava fazendo agora.

Quando descemos no terraço, ela se soltou de mim para andar uns passos à frente, os olhos brilhando e encantada com o lugar.

O hotel que estávamos hospedados não foi escolhido aleatoriamente. Graças a uma pesquisa minuciosa, achei esse lugar perfeito para o que tinha em mente, o pedido de casamento, que em minha opinião, já estava com alguns meses de atraso.

― Oliver, esse lugar é lindo.

Circulava e girava como uma criança em um parque de diversões, e esse era um de seus traços que eu mais gostava. Como conseguia ser essa mulher linda em seu justo e provocante vestido vermelho, ao mesmo tempo que tinha olhar e sorriso de menina, que se encantava e descobria o mundo.

O terraço era na verdade um jardim/estufa. Contrataria o paisagista daquele lugar sem nem piscar, dado a perfeição que conseguiu organizar flores e outras plantas ornamentais, com luzes douradas e brilhantes.

― Sério, você está muito gelado ― comentou sorrindo ao pegar minha mão e as sentir suadas, mas logo sua atenção foi atraída para uma mesinha, com um buquê de rosas vermelhas, champanhe e duas taças.

Nunca pensei que ficaria mais nervoso do que o dia que quase propus no quartinho do Ben, mas aqui estava eu. Não havia feito nenhum pedido antes, na época de Laurel ela planejou tudo, eu só precisei aparecer com a aliança.

― Amor. ― Estendi minha mão para ela, que pegou de pronto. ― Você lembra o que eu te falei uma vez sobre promessas?

― Que você sempre cumpre as suas.

― Eu nunca te disse isso, mas prometi que te amaria para sempre, Felicity. Prometi isso a mim mesmo, meses atrás, no dia que Ben nasceu.

― Aconteceu tanta coisa daquela época até agora. ― Coçou um ponto imaginário em sua testa, rindo sem graça.

― Sim, mas nada que eu tenho aqui dentro mudou, então por isso…

Sem soltar uma de suas mãos, me ajoelhei em sua frente. Seus olhos cresceram e sua mão livre foi à boca, a respiração suspensa.

― Felicity, eu nunca pensei que amaria profunda e inteiramente, eu não queria isso, até o dia que você me disse que não sabia o que estava perdendo.

Eu lembrava de todos os detalhes, de como naquela manhã, naquela sorveteria, ela havia me intrigado pela segunda vez. A primeira foi no dia do leilão, Felicity havia despistado Laurel e me ajudado, mesmo dizendo que jamais faria isso, para mais tarde me impedir de sair, sem saber, salvando minha pele mais uma vez.

Mas naquele dia na sorveteria, na primeira consulta que fui junto, ela me disse que eu nunca havia amado, apenas por não ter tentado. Lembro de achar que jamais tentaria, e mesmo assim nos meses seguintes me vi caído por ela.

― Então eu me apaixonei, e logo depois soube o que estava perdendo. Foi uma das maiores dores que senti na vida, nunca mais quero ficar longe de você, meu amor. ― Nesse ponto, ela já chorava, e até meus olhos começaram a pinicar.

Eu poderia fazer mega produções, aviões ou fogos de artifício cortando o céu, letreiros enormes iluminados em prédios, orquestras completas tocando sucessos românticos mundiais, mas ali, só nós dois, era o nosso momento perfeito.

― Oliver, você está… ― murmurou, as palavras ficando presas em sua garganta quando tirei o anel do bolso do paletó.

― Felicity Smoak, aceita casar comigo?

― Sim, mil vezes sim!

Soltei um suspiro de alívio, quando fiquei em pé e coloquei a aliança em seu anelar esquerdo, enlaçando sua cintura e a beijando. Mas eu não estava aliviado apenas pelo sim, pediria quantas vezes fosse preciso e lutaria pelo resto da minha vida para fazê-la a pessoa mais amada do mundo. O motivo da minha alegria e conforto, é que agora, depois de anos de coração gelado e vazio, eu me sentia em paz.

.

#POVCaitlin

Perdi a conta de quantos passos já havia dado naquele corredor indo até a porta do quarto 712 e recuando até o elevador em seguida, assim como também não sabia quantas vezes ergui e baixei o pulso para bater na porta.

Vamos lá, Cait, você é uma mulher forte, empoderada e decidida! Está a dois passos de ser uma super neurocirurgiã, você consegue resolver problemas com garotos como se tivesse mais que quinze anos de idade, pelo amor de Deus!

Mas mesmo depois de tanta preparação, a batida foi fraca e no impulso, duvido até que ele tenha escutado, por isso já corri até o elevador para ir embora.

― Caity? ― Apertei os olhos com força para a voz que chamava às minhas costas, antes de tomar uma respiração profunda e virar para ele, vestindo minha melhor cara de paisagem.

Tommy estava uma verdadeira bagunça, havia uma espécie de gosma verde, que devia ser papinha, espalhada pro todo o seu pijama de camiseta e shorts com estampas de carros, que era idêntico ao do bebê em seu colo, só que o do Ben, estava limpo. Era como se estivessem brincando de guerra de comida e o pai havia perdido feio.

― Uau, é mesmo você ― continuou impressionado. ― Como você está aqui, e… Oliver, claro. ― O moreno só precisou de dois segundos para constatar o culpado daquela situação.

― Eu já estou indo.

― Não, não. ― Correu para ficar no meu caminho. ― Fica, só um pouco. Você veio aqui por um motivo, deve ser importante. Por favor, fica.

― Tá bom ― concordei, aceitando que era melhor resolver tudo de uma vez.

O quarto era enorme, impressionante pelo luxo, havia uma ante sala chique antes de chegar em outro cômodo onde ficava a cama e o acesso ao banheiro. Quando eu soube como Tommy era rico, não o vi diferente do que já conhecia. Claro que quando vinha me visitar aqui, haviam roupas e relógios inegavelmente caros, mas ainda era como se ele fosse meu paciente que virou amigo e dormia em meu sofá.

― Eu já tinha dado banho, comida e estava indo colocar Ben para dormir — explicou. — Eu chamo essa noite de vitória, não é, filhão? Soquinho? ― Como se tivesse ensaiado, Ben fechou a mãozinha e tocou no punho fechado de Tommy. E eu nunca tinha visto nada tão fofo na minha vida toda.

― Melhor eu ir, então.

― Não, só… Segura ele por dois segundos, eu só vou colocar uma roupa limpa. ― Passou o bebê para os meus braços antes que eu pudesse começar a negar, pegando uma muda de roupas na mala e entrando no banheiro.

Segurei o coitado todo de mal jeito, nunca tive muito jeito com crianças, apenas cumpri minhas horas obrigatórias na pediatria.

― Hey, Ben.

O olhei estranho, estava com medo de derrubar ou quebrar aquela coisinha fofa, e ele me encarou de volta como se identificasse esse medo em meus olhos, então sorriu. A droga do sorriso igualzinho ao do pai.

― Você poderia ser menos com parecido com ele, só pra facilitar as coisas para mim.

Comecei a balançá-lo em meus braços, olhando sempre para a porta do banheiro, quase um pedido mudo de socorro para que Tommy voltasse logo antes que Ben começasse a chorar e me fazer de idiota que não consegue lidar com um bebê por dois minutos inteiros.
Mas ao contrário de choro, recebi seu aconchego, quando ele encostou a cabecinha em meu colo e já começou a fechar os olhos, todo meu balanço estava lhe dando sono.

― Nossa, mais parecido ainda com os olhos fechados ― murmurei sozinha. Golpe baixo.
Não sabia nenhuma canção, então apenas comecei a cantarolar baixinho uma melodia que eu nem saberia dizer de onde saiu enquanto andava pelo quarto o ninando em meus braços.

― Você é uma domadora de bebês e eu não sabia?

Tommy que havia trocado o pijama por jeans e camiseta escuros, observava da porta do banheiro a Deus sabe quanto tempo.

― Graças a Deus, pega de volta antes que eu quebre seu filho. ― Tommy riu, balançando a cabeça para os lados como se achasse aquilo divertido, para então com uma destreza invejável, pegar o bebê e ele próprio começar a niná-lo.

― Bebês são mais resistentes do que parecem.

― Mas esse seu aí é estranho, crianças não costumam gostar de mim com facilidade.

― Benjamin tem meus genes ― respondeu simplesmente, e eu engoli seco, não estava esperando por aquilo.

Não demorou muito e Ben estava completamente adormecido nos braços do pai, que procurava algo ao redor com a testa franzida.

― Você pode me ajudar com uma coisa? ― falou baixinho, e acenei afirmativamente com a cabeça. ― O travesseiro esquisito que Felicity coloca ele para dormir no meio está no quarto dela e do Oliver, aqui do lado. Pode pegar a chave na bolsa do bebê e abrir a porta para mim? Está no bolso lateral.

― Claro.

Logo entramos no outro quarto idêntico ao primeiro, e Ben foi colocado em cima da cama de Oliver e Felicity, no meio de um travesseiro que mantinha uma barreira caso ele rolasse durante o sono. Tommy ainda o observou por alguns segundos até constatar que ele não acordaria, então olhou para mim. Não tinha mais como escapar daquela conversa.

― Só me diz que você não usou seu bebê para me amolecer. ― Tentei quebrar o clima tenso, quando Tommy apagava a luz e deixava a porta para a parte do cômodo que tinha a cama entreaberta.

― Depende, funcionou? ― Sorriu e eu balancei a cabeça. Charmoso demais para o meu próprio bem.

― Ele é muito fofo, parabéns.

― Caity, o que faz aqui? ― questionou direto, sentando no sofá e eu fazendo o mesmo, mantendo uma distância segura. ― Eu entendi que toda essa viagem para Central City era um plano de Oliver, mas como ele te convenceu?

― Seu irmão é um mentiroso profissional.

― Não posso discordar.

― Mas quem me convenceu a falar com você foi Felicity, e nem preciso dizer que isso vai além do estranho. Que situação, Deus. ― Passei a mão por minha testa, já sentia o suor se formar de nervoso.

― Desculpa. Posso perguntar como?

― Eles me falaram coisas… ― comecei sem saber bem o que dizer.

― Coisas? ― Se aproximou de mim no sofá.

― Coisas sobre nós, e preciso saber se são verdade. Coisas que você sente e coisas que…

― Eu amo você ― me cortou com a sua declaração repentina, me distraindo de como já tinha chegado tão perto.

― Como é? ― questionei chocada.

― Eu não sei o que eles te disseram, e não importa mais agora, só sei que te amo, muito. Só você.

― Vê como você me coloca em uma situação difícil, Tommy? De onde surgiu esse amor todo, você não se sentia assim na última vez que nos falamos, e só faz algumas poucas semanas.

― Porque eu sou um teimoso ― admitiu. ― A verdade é que eu já te amava antes mesmo de voltar a Starling City quando lembrei de tudo. Só que não dava nem para considerar isso, achava que tinha um jeito certo de me sentir sobre tudo, que deveria voltar sem reservas para meu relacionamento com Felicity, retomar a vida que eu tinha, mas tudo já tinha mudado. Você mudou minha vida.

― Você mudou a minha ― falei baixinho. ― Mudou quando chegou e mudou de novo quando foi embora.

― Então vamos deixar tudo para trás, Caity, vamos recomeçar daqui ― apelou, segurando minhas mãos. ― Eu sei que estou chegando atrasado, e você é tão demais pra mim, mas quero fazer as coisas direito dessa vez.

― Eu só queria uma coisa, só uma.

― Me fala, eu consigo qualquer coisa pra você. Eu mando buscar, agora mesmo.

― Não é por aí, Tommy. A única coisa que eu queria era poder olhar para você e sentir raiva. ― Ele entortou a cabeça para o lado e franziu a testa. ― Eu fico em casa ruminando esses sentimentos, lembrando para mim mesma o porquê de ter que odiar você, mas é só te olhar…

Deixei a frase no ar, mas a verdade é que eu me sentia uma idiota por sequer conseguir sentir raiva. Sabia que deveria, eu não havia esquecido do que ele fez e estava magoada, mas era só olhar em seus olhos, que o amor que prevalecia era tão maior.

Eu sentia falta dos seus carinhos quando eu chegava do trabalho, da sua voz, seus olhos, do seu cheiro, de seu humor otimista e inteligente e até da sua hiperatividade. Também o amava e não adiantava mais negar.

― Para de resistir então, Caity. ― Segurou meu rosto entre as mãos e umedeceu os lábios, aproximando o rosto do meu. ― Para de resistir à gente.

E eu parei, deixando que ele me beijasse.

Mas o que deveria ser apenas um beijo de reconciliação, logo foi esquentando quando sentia sua língua deslizar sobre a minha e seu corpo vir sobre o meu, a urgência se misturando à saudade. Era tão estranho pensar que só ficamos uma vez, só nos beijamos naquele fatídico dia. Parecia que éramos feitos um para o outro a vida toda.

Tommy era impulsivo, e logo tinha as mãos subindo por dentro da minha blusa, e eu sabia que se não parasse aquilo, acabaríamos por fazer sexo ali mesmo no quarto alheio, com uma criança dormindo no cômodo ao lado. Não que isso não fosse o que eu queria, aquele homem despertava meu lado aventureiro que eu nem sabia que tinha.

O normal seria dizer que deveríamos ir mais devagar, nem tínhamos um rótulo ainda, pedir que parasse de começar a tirar minhas roupas, mas sem pensar muito sobre, apenas o empurrei, e o pegando desprevenido, acabou rolando de cima de mim direto para o chão.

― Ai.

― Deus, me desculpa. ― Sentei ereta, realmente preocupada com seu tombo, mas resistindo a vontade rir ao vê-lo massagear onde havia caído sentado.

― Dizer apenas "Tommy, para" também funcionaria, Caity, não precisava bancar a lutadora, minha bunda tá doendo ― falou, mas estava sorrindo.

― Não brinca, você poderia ter batido a cabeça. ― Escorreguei até estar sentada ao seu lado no chão. ― Olha aqui pra mim, segue meu dedo com os olhos. ― Comecei a movimentar devagar meu indicador na frente do seu rosto.

― Hey, estou bem. ― Pegou minha mão entre as suas e a beijou.

― Me desculpa, de verdade. ― Negou com a cabeça, como se um pedido não fosse necessário.

― Eu que peço desculpas. Pra variar, eu estava apressando e bagunçando as coisas. ― Se aproximou, segurando meu rosto entre as mãos. ― Eu sei que posso ser difícil, um pouco agitado e intenso demais, mas não desiste de mim, meu amor. Eu prometo que vou…

― Não promete nada ― o cortei. ― Sério, Tommy, não quero suas promessas. Já fui muito machucada por promessas bonitas, que acabaram por serem castelos de areia. Quero muito que isso dê certo, mas vamos levar com calma.

― Vamos com calma, vamos rápido, do jeito que quiser. Você é a pessoa que mais me conhece, conhece as duas versões de mim e é a pessoa que coloca meus pés no chão como ninguém, Deus sabe como eu preciso disso. Você é meu amor calmo, Caity.

― E você é meu amor aventureiro, Tommy.

Ele segurou meu queixo e iniciou um beijo lento e gostoso, até ouvirmos um barulho no corredor e nos separarmos. Ouvimos vozes baixas, ofegantes e apressadas, até a porta ser aberta e o casal, que mais parecia um só corpo, entrar, no maior amasso, sem ao menos nos notar ali.

Oliver carregava uma Felicity com as pernas enroladas em torno da cintura dele, e por seu vestido ser justo, estava quase todo embolado em seu quadril. Quando o loiro a colocou contra o batente da porta e já alcançou o zíper do vestido, foi que Tommy pigarreou de um jeito nada sutil, revelando nossa presença ali sentados no chão e quase matando os dois de susto.

Confesso que senti medo. Não de Oliver e Felicity que o olhavam como se quisessem matar enquanto praguejavam, eu nem estava prestando atenção neles, mas de como seria a expressão de Tommy.

A única vez que os vi juntos foi naquele dia no parque, mas haviam sentimentos e mágoas demais envolvidas para me atentar e esses detalhes, os problemas eram outros na época.
Eu tinha medo que ao olhar para Tommy encontrasse em seu rosto algo como ciúmes ou saudades de Felicity. Se alguém sabia o quanto ele a amava era eu, já que ouvi cada uma de suas lamentações, histórias românticas ou sentimentos profundos.

Mas ali, ao encará-lo tão de perto, não havia constrangimento algum, ele parecia apenas estar se divertindo com situação, como um irmão mais novo que pegava o irmão mais velho em sua situação embaraçosa e já estava prestes a contar para os pais.

― Muito bonito, os dois na maior pegação com um bebê dormindo aqui do lado.

Não consegui não rir da cara de pau dele, pois se eu não o tivesse parado minutos atrás, era exatamente o que iríamos fazer, sem nem se importar com o quem quer que estivesse dormindo perto.

― Tommy, o que faz aqui? ― Felicity perguntou descendo do colo do Oliver e arrumando o vestido.

― Precisei do seu travesseiro idiota. ― Deu de ombros, como se o travesseiro fosse uma questão recorrente entre eles.

― Como eu disse que precisaria?

― Foi só dessa vez, e nada que justifique trazer aquela coisa enorme numa viagem de dois dias.

― É, mas você usou.

― Poderia ter dobrado as cobertas e usado no lugar.

― Mas precisou do travesseiro idiota. Apenas admitia que estava errado, Tommy. ― O moreno mordeu os lábios, não confirmando, e ainda assim sendo admissão suficiente para Felicity, que sorriu vitoriosa. ― Benji tá aqui?

― Amor, fica aqui mais um segundo. ― Oliver, que assim como eu apenas assistia às discussão boba, a segurou pelos ombros a mantendo firme à sua frente, para esconder de nós como estava excitado.

― Meu Deus, Oliver! ― Tommy pareceu entender no mesmo momento que eu, pois logo colocou a palma na frente dos meus olhos, os cobrindo.

― Você é que está no quarto errado! ― rebateu.

― Então vocês se entenderam? ― Felicity foi rápida em mudar de assunto.

― Decidimos tentar ― respondeu, e senti um beijo em minha têmpora. ― Sabe, a vida é complicada, mas tem coisas que vale a pena arriscar, e nós…

― Eu realmente prefiro conversar com as pessoas olhando na cara delas, Tommy ― o cortei. ― Tira a mão.

― Espera só mais um pouco. Ollie, deixa eu ver se parou de ficar…

― Pelo amor de Deus, eu sou médica! ― Tirei sua mão dos meus olhos eu mesma. ― Desculpa o mau jeito, acho que deu minha hora.

― Espera, doutora, temos que comemorar.

― Verdade, pelo menos um taça de champanhe. A médica finalmente liberou para mim um pouco de álcool vez ou outra.

― A gente prefere comemorar nosso relacionamento sem vocês dois, sem ofensa ― Tommy falou.

― Não é só vocês… ― Oliver e Felicity trocaram um olhar, antes que ele anunciasse. ― Vamos casar!

Arregalei os olhos para a notícia repentina, e encarei Tommy novamente, que destinava um sorriso lindo para o casal. Suspirei aliviada.

― Mano, parabéns, e uau! ― Saltou para abraçá-los. ― Olha para esse anel. Você sabe o quão alto elevou a expectativas das pessoas desse quarto? ― Seu comentário sugestivo sobre casamento não foi nada sutil. É como se o conceito de levar as coisas devagar fosse um mistério insolúvel para ele.

― Ok, eu já vou. ― Fiquei em pé, ajeitando minhas roupas. ― Parabéns pelo noivado, pessoal, toda a felicidade do mundo pra vocês.

― Caitlin, fica mais um pouco ― a loira pediu.

― Eu tenho uma cirurgia amanhã cedo, Felicity, me desculpa por não poder ficar. Tchau, Oliver, Tommy. ― Acenei com a cabeça.

― Espera. ― Tommy correu atrás de mim, ficando na frente com os braços abertos me impedindo de sair pelo elevador. ― Eu te levo em casa.

― Não precisa, você nem tem um carro aqui e eu pego um Uber. ― Segurei seu queixo e lhe dei um beijo rápido. ― Tchau. ― Tentei lhe dar a volta para sair, mas ele segurou meu pulso.

― Alugamos um carro logo que pousamos, por favor. Vou só colocar meu tênis, vai levar um minuto. Seu Uber não seria tão rápido.

― Tá bom ― me rendi aos seus pedidos.

― Não sai daí.

Tommy dirigiu em um silêncio muito confortável e uma imprudência perigosa até meu apartamento. Tinha um pequena dose de receio e constrangimento típica de início de relacionamentos, ainda mais para a gente, que já tínhamos tanta história antes de hoje, mas acima disso, estávamos felizes.

Durante todo o tempo ele segurava minha mão ou fazia carinho em meus cabelos, parecia quase involuntário já que sua atenção estava na estrada à sua frente, e eu não sabia que precisava de seu contato físico constante até ter.

― Caramba, senti saudades desse lugar ― comentou quebrando o silêncio quando parou na frente do prédio, se inclinando um pouco sobre mim para ver melhor.

― Você tá brincando, né? Eu vi fotos da sua casa na internet, é literalmente um castelo.

― São pedras e madeira, grande demais para uma família tão pequena, prefiro isso aqui. ― O olhei em reprimenda, nada de levar devagar de novo.

― Tommy…

― Eu não estou me convidando para subir, relaxe.

Seu olhar brincalhão e sorriso de menino travesso diziam outras coisas, mas fingi que não entendi. Tommy era muito bonito quando estava relaxado e sem toda a paranoia conspiratória. Aliás, ele era bonito sempre, mas aquele era seu mood que eu mais gostava.

― Eu já tenho que ir, a história da cirurgia é verdade.

― Espera, eu abro a porta pra você. ― Correu dando a volta no carro para seu gesto cavalheiro, me estendendo a mão me ajudando a descer.

― Será que Oliver e Felicity ficaram chateados por eu não ficar, e ainda te tirar de lá?

― Você viu os dois, devem ter dado graças aos céus pela privacidade.

― Sabe qual minha parte preferida da noite de hoje?

― Pegação no sofá?

― Não!

― Não, claro que não! Quem pensou nisso?! Você pensou? Não eu! ― enfatizou como se eu tivesse feito a sugestão em primeiro lugar. ― Desculpa, pode falar.

― Quando olhei pra você e você estava olhando para eles anunciando o casamento. Você estava feliz, de verdade. ― Seu olhar ansioso suavizou e ele sorriu.

― Meu irmão havia ficado noivo da mulher da sua vida. Como eu poderia estar diferente?

E aí estava, o homem pelo qual eu me apaixonei, e não reconhecia nos últimos tempos. Mas eu tinha esperança que ele retornasse um dia e aqui estava ele de volta, sem a mágoa e ressentimento, me fazendo torcer para que essa versão sua nunca mais fosse embora.

― Eu amo você. ― As palavras finalmente saíram, naturais e suaves.

Segurei seu rosto e me inclinei para beijá-lo, sendo retribuída de pronto, suas costas apoiando nosso peso contra o carro, seus braços em torno da minha cintura, me segurando firme como nunca mais fosse soltar. E no momento, era a última coisa que eu queria que ele fizesse.

― Aew, finalmente! ― Ouvimos o grito de Cisco, alguns andares acima, e me encolhi em seu abraço, escondendo o rosto em seu peito. Já era minha paz.

― Hey, Cisco, como vai? ― Tommy cumprimentou, olhando para cima.

― Não, não. Dá conversa não. ― Segurei seu rosto para voltar pra mim. ― Me liga pra dizer se chegou bem no hotel, ok? Do jeito que dirige, fiquei preocupada. ― Lhe dei um selinho e já ia saindo, quando Tommy me deteve pelo braço.

― Não, espera. Vamos sair amanhã?

― Não sei, Tommy, vou trabalhar o dia todo, e…

― Vai mesmo dizer não para o nosso primeiro encontro oficial? ― questionou retoricamente. ― Você não sabe ainda, mas gosto de fazer as coisas certinhas, seguindo a tradição.

― Ah, sempre esqueço o quão tradicional você é. Ei, manda um beijo pro seu filho, aquele que você tem com a noiva do seu irmão ― falei com sarcasmo.

― Touchè ― reconheceu, franzindo o nariz. ― Então, te busco aqui ou no hospital?

― Tá bem, no hospital, às oito ― cedi. Com a coisas acertadas, também queria passar mais tempo só com ele. ― E, por favor, sem exageros e extravagâncias. Você é rico, entendi, mas pega leve.

― Eu vou pegar leve. ― Sorriu, e eu não acreditei por um segundo. ― Até amanhã. ― Me beijou mais uma vez, antes de voltar a entrar no carro e ir embora.

Só que o dia seguinte ele foi o contrário de leve. Quando voltei à sala de descanso para me trocar para nosso encontro, haviam tantas flores que mal podia andar por lá sem tropeçar em vasos, e que foram suficientes para alegrar e perfumar os quartos do andar inteiro.

Tommy também quebrou a promessa de não fazer promessas, mas ao fim da noite, eu já estava retribuindo com as minhas próprias. Ainda era muito cedo, havia tanta bagagem em nós dois, mas eu o amava, e de algum jeito eu sabia que íamos cumprir cada uma delas, pelo resto de nossas vidas.

Notas finais
Ain, e eu aqui fiquei só suspirante com todo esse amor. Esses quatro sofreram na maior parte do tempo, mas nada me faz mais feliz do que dar um final feliz para todo mundo. Bom, ainda temos epílogo ainda hoje, nos despedimos melhor por lá. Até os reviews.. Bjs*