Notas iniciais
Olá, pessoas!! Olha eu aqui de novo!! Quem me conhece sabe que sou fã daqueles finais bem felizes, com epílogos de “anos depois” pra gente dar uma boa olhada em como está a vida dos nossos lindos no futuro. Aqui não é diferente. Espero que gostem desse finzinho e também das novas criaturinhas que conhecerão por aqui. Boa leitura e até as notas finais!! Bjs*

“O Fim”

#POVFelicity

7 anos depois…

― Coitado do meu chefe ― murmurei para mim mesma, os olhos fixos na TV e bebericando minha taça de vinho. ― E coitado também do pobrezinho do Ryan, com essa madrasta malvada.

― O que disse? ― Caitlin perguntou curiosa, foi quando percebi que poderia ter pensado alto.

Hoje era dia de comemoração, eles estavam se mudando de Central para Starling, pois Caitlin havia recebido uma ótima proposta de liderar o departamento de neurocirurgia no hospital daqui, o que além de maravilhoso, era impressionante para alguém tão jovem.

― Meu chefe, Ray Palmer, acabou de anunciar o noivado na TV. — Indiquei as imagens que ainda eram transmitidas. ― Com Laurel Lance. ― Não contive a careta.

Havia sido contratada para a Palmer Tech pouco depois do pedido de casamento de Oliver. Na primeira vez que aquele mesmo bug que consertei no dia da entrevista aconteceu de novo, Ray ordenou que me chamassem, e ao saber que eu não havia sido contratada, revirou a internet em busca de Felicity Smoak, usando inclusive alguns meios que o governo reprovaria. Eu nunca havia deixado um currículo lá, mas isso não impediu o gênio que Ray era, então logo eu era a mais nova contratada da Palmer Tech.

Apenas mais de um ano depois foi que descobri que o responsável pela minha não contratação na primeira vez havia sido Malcom Merlyn, que tinha ouvido de Thea sobre a entrevista naquela manhã, e queria me manter sobre controle. Coitado.

― A famosa ex noiva do Oliver? ― Assenti confirmando. ― As histórias que Tommy conta desse período deveriam vir com aviso de classificação etária.

― Eu gostava tanto da ex dele, ela sempre cuidou dos meus pré natais, mas desde que Anna se mudou pra Alemanha com o filho deles, as coisas não deram mais certo para eles ― lamentei. ― Tomara que dessa vez a pobre da Laurel não seja enrolada por mais quinze anos nesse noivado. Por mais que seja uma demônia, ninguém merece.

― Eu ouvi isso. ― Oliver chegou na sala, colocou na mesa se centro uma bandeja de aperitivos que ele mesmo tinha acabado de preparar e sentou ao meu lado. Roy e Cait riram.

― Mas se ela vier dar uma de chefe para cima de mim como vingancinha e apoiada por causa desse maldito casamento, vai levar na cara o tapa que me segurei por meses para dar em respeito à minha gravidez.

― Pare de ser tão barraqueira, meu amor. ― Oliver achou graça, me dando um beijo na têmpora.

― Meu filho é um gênio! ― Tommy descia as escadas fazendo escândalo, carregando Benjamin em seu ombro como um saco de batatas. ― O moleque tem sete anos e acabou de consertar meu smartwatch! ― Exibiu o pulso, e como não teve a resposta animada que queria da audiência, resolveu repetir com mais ênfase. ― Sete anos!

― Papai, me coloca no chão ― Ben pediu constrangido. ― Mãe? Pai? ― buscou auxílio em mim e Oliver.

― Coloca o menino no chão, Tommy. ― Quando o pedido de Oliver foi atendido, Ben correu até o colo do meu marido. ― Ele pode ter sua cara, mas é brilhante como a mãe, os dois já desmontaram e montaram de volta literalmente todos os eletrodomésticos desse apartamento.

― E eu não sei? Todos gênios, meu filho, minha cunhada, minha esposa linda… ― Beijou o rosto de Caitlin, que parecia alheia a conversa, distraída com a tábua de queijos. ― Ollie, fica aqui perto de mim, para eu parecer mais inteligente. Vem, Roy, você também.

― Vai parecer mais inteligente sem os dentes? ― Oliver ameaçou em tom de brincadeira.

― Com a tendência de vocês dois à violência, é um milagre que Ben e Mia não já tenham sido expulsos da escolinha ― Roy comentou e eu e Oliver nós entreolhamos.

― O que não dissemos em voz alta foi que nossa caçula de três anos estava a apenas mais uma advertência de ser gentilmente convidada e se transferir de creche. Os outros pais não aguentavam mais os chutes e mordidas em seus filhos.

― Onde você aprendeu a consertar relógios, Benji? ― Oliver fez carinho no cabelo do menino.

― No trabalho da mamãe.

― Eu tive que levar Ben um dia na Palmer Tech, e ele ficou com Curtis no laboratório que estavam trabalhando com esses relógios ― expliquei.

― Um dia?! ― Tommy sentou na ponta do sofá, elevando a voz de tão impressionado que ficou. ― Sério, onde está a Speedy para sentar perto de mim também?

― Pare de diminuir a inteligência dos seus irmãos, meu bem. ― Caitlin fez carinho no rosto de Tommy. ― Mas Thea já está demorando demais lá em cima com as meninas, a gente devia subir lá, Felicity?

― Definitivamente.

― Não precisa, não precisa, estou descendo. ― ouvimos a voz de Thea antes mesmo que sua figura esbelta fosse vista descendo as escadas. ― E comigo, minhas duas obrinhas de arte.

― Oh, não ― murmurei baixinho, mas alto o suficiente para Caitlin me olhar assustada.

― Mia, Ceci, podem descer.

Por uma linda coincidência, engravidamos na mesma época, e as meninas tinham praticamente a mesma idade, apenas duas semanas tornavam minha filha e de Oliver mais velha que que a de Tommy e Caitlin, mas eram tão diferentes quanto poderiam ser, na aparência e principalmente na personalidade.

Cecile tinha toda a doçura de Caitlin e gentileza de Tommy. A garotinha fazia todos babarem por ela, sua educação e vocabulário mais extenso e bem articulado para uma criança tão pequena. Seus cabelos era longos, cor de chocolate, como os olhos, e ondulados como os da mãe, assim como formato do nariz e boca, até a franja as deixavam como versões de tamanhos diferentes da mesma boneca.

Já minha pequena, ganhava as pessoas no carisma, porque se fosse depender do comportamento, estávamos perdidos. Mia tinha herdado os traços mais complicados da minha personalidade e de Oliver, sua teimosia era quase patológica e tinha resposta para tudo.

Thea a adorava, dizia que era a criança mais interessante que ela já conheceu, mas ela só achava isso porque não era ela que era chamada na escola no mínimo uma vez na semana, e de quem as enfermeiras que faziam as vacinas fugiam como o diabo da cruz.

Mia tinha os lindos cabelos loiros de Oliver, mas que estavam sempre curtos ou presos já que ela não tinha paciência alguma para cachos e penteados, ao contrário da prima. Não que eu a amasse menos, a personalidade difícil e todos os cuidados que ela inspirava, só me faziam amá-la mais a cada nova traquinagem. Ben era meu nerdinho, Mia minha pequena guerreira.

― Meu Deus, Thea!

Não sei o que chamou mais a atenção, a exclamação de Tommy ou nossas meninas que estavam maquiadas como duas adultinhas com direito até a cílios postiços e sombra brilhante. Thea era completamente maluca.

― Elas não parecem duas bonequinhas?

― Mamãe, eu não consigo abrir o olho direito. ― Cecile correu até o colo da mãe, que a acolheu com um olhar de dó. ― O cabelo da minha franja fica prendendo no cabelinho que a titia colocou no meu olho.

― Tadinha da minha filha. Thea, tire isso dela agora!

― Eu não, ela está maravilhosa como eu.

Olhei em busca de alguma reação contrária de Mia, mas desde que desceu, apenas sentou no chão e começou a brincar com alguns de suas peças de montar que estavam na sala, sendo que ela não tinha paciência para penteados ou vestidos mais elaborados e desconfortáveis. Troquei um olhar com Oliver, que havia notado o mesmo e resolveu perguntar.

― Pipoquinha, você achou bom brincar de maquiagem e cabeleireiro? ― Oliver perguntou por nós dois.

― Titia me deu cem dólares se eu ficasse quieta e deixasse ela pintar minha cara.

― Deus, Mia! ― me exasperei e todos caíram na gargalhada. ― Não tem graça, galera, ela pode virar uma mercenária! ― E minha frase só serviu para que eles rissem mais.

― Ok, fica calma, ninguém vai virar mercenária ― Oliver me tranquilizou, afagando minhas costas. ― Meninas, que tal a gente tirar essa coisa toda do rostinho de vocês antes do jantar? ― Ele propôs com animação encenada. ― São mais bonitas sem maquiagem e novas demais para usar.

― Eu vou perder meus cem dólares?

― Mercenária, mercenária ― murmurei baixinho, cobrindo os olhos com ambas as mãos.

― Não vai não, querida. Só tem um preço… ― Meu marido saiu do meu lado e pegou as duas no colo, uma em cada braço.

― Não vou dar meu dinheiro, estou juntando para comprar um carro.

― Titio te dá um, princesinha ― Tommy achou graça, fazendo carinho em seus cabelos loiros. ― Qual carro você quer? Um super bonito, ou um super rápido? ― O olhar de Mia iluminou com a promessa.

― Você não vai dar um carro a ela. ― Me levantei, dando um beliscão nas costelas do moreno.

― Enfim… ― Oliver tentou retomar a conversa. ― O preço é um beijinho no titio. ― Inclinou o rosto na direção de Cecile. ― E um beijinho no papai. ― Inclinou o rosto para Mia. ― Você me ajuda com suas irmãs, Benji?

― Claro, pai. ― Meu menino largou sua revistinha de Sudoku e seguiu Oliver para o lavabo.

― Amor, tira a travessa com a lasanha do forno? ― gritou enquanto colocava as meninas sentadas na bancada da pia e começava a limpar o rosto delas com os lencinhos entregues por Ben.

― Eu vou preparar umas bebidas pra gente.

― E eu vou colocar a mesa.

― Eu ajudo ― Roy se voluntariou para auxiliar Caitlin.

Todos olharam para Thea, que era a única que não prontificou para nada e se mantinha com os pés na mesa de centro, mexendo no celular. Quando percebeu ser o alvo do nosso olhar crítico, ela nos encarou com um sorriso no rosto.

― Já tem muita gente fazendo coisas, quando estiver tudo pronto, me chamem.

― Folgada ― Tommy a criticou e foi para o bar. Balancei a cabeça em negação reprimindo sua atitude, mas me direcionei à cozinha.

Não importa quanto tempo passasse, eu não conseguia ser boa em nada que envolvia panelas, forno, carnes e temperos, enquanto Oliver só ficava melhor e melhor. Ele dizia que cozinhar era hobbie e que fazia isso nas horas vagas para se acalmar, mas o homem estava virando quase um chef amador, testando e preparando cada dia novas maravilhas culinárias pra gente. Eu só conseguia ser grata aos genes de saúde da minha mãe, ou a essa altura eu já estaria obesa, não que tudo não passasse por seu controle de qualidade antes.

Estava tão distraída em pensamentos que quando abri o forno para tirar a travessa de lasanha, acabei pegando de mal jeito com a luva térmica e meu braço pegou no vidro quente.

― Ai, merda!

― Opa, eu ajudo. ― Tommy veio em meu resgate, pegando a fôrma com um pano e colocando sobre a mesa da cozinha. ― Machucou?

― Só de leve.

― Vem aqui, eu cuido disso. ― Fui com ele até a pia, que colocou meu braço debaixo da água fria e corrente, já aliviando o ardor da queimadura. ― Só foi superficial, vai só ficar um pouco vermelho. Um beijinho e sarou. ― O olhei surpresa. ― Não me encara assim, pede beijo pro teu homem! ― Balancei a cabeça, sorrindo.

― De onde tirou esse conhecimento?

― Da minha mulher, é óbvio.

― Entendi o beijinho no final, bem coisa de mãe.

― Ela é demais. ― Suspirou, cruzando os braços e o quadril encostado na bancada, olhando apaixonado para Caitlin, que ajustava milimetricamente os copos e talheres na mesa a alguns metros de distância. ― O amor da minha vida todinha.

― Ainda não sei como ela te suporta, Caitlin deve ser uma santa. Ou ter perdido uma aposta a longo prazo ― ponderei.

― Ouch! ― Encenou com a mão no peito. ― E como você se sente sabendo que seus dois filhos são a cara dos respectivos pais? ― provocou.

Olhei de relance para a porta aberta do lavabo e ao contemplar a cena de Oliver e as três crianças, eu mesma não pude conter um suspiro apaixonado. Ele colocava Ceci já com seu rosto lavado no chão e começava a trabalhar no de Mia.

― Para minha sorte, os dois são lindos. E não é como se você pudesse falar algo, Cecile está cada dia mais igual à Caitlin ― observei quando a menininha se agarrou às pernas da mãe, que a colocou no colo.

― E isso só faz eu amar mais minha princesinha. É como se meus filhos e Caity desafiassem meu coração todos os dias a me apaixonar mais por eles.

― Coisa que só Tommy Merlyn falaria ― pensei alto, descansando a cabeça em seu ombro.

― Eu sou um fofo ― gabou-se, sorrindo. ― Hey, você sabe que sou religiosamente contra admitir que você estava certa e eu errado, não sabe?

― Um dos meus traços preferidos da sua personalidade ― ironizei e ele me acompanhou na risada.

― Mas você estava certa. ― Como ergui minha cabeça para o olhar nos olhos, sem entender do que ele estava falando, Tommy resolveu continuar. ― Quando terminamos.

― Na primeira ou segunda vez? ― questionei apenas para o provocar sobre essa história, que, depois de sete anos, ainda era um impasse entre nós.

― Nós só terminamos uma ve… Deixa pra lá, não importa. ― Balançou a cabeça para os lados, deixando aquilo de lado. ― Você estava certa, a gente não daria certo juntos no fim das contas. Somos como um incêndio e um vendaval, as coisas não ficam bonitas quando eles se juntam. Precisamos de pessoas como eles. ― Apontou para Oliver e Cait.

― Pessoas com a saúde mental em dia?

― Eu ia dizer "tranquilas, quietas e controladas", mas isso daí serve também. ― Nosso riso saiu solto. ― E tudo isso começou com a gente. Quem diria, olhando para trás, que essa história ainda teria um final feliz?

― Eu imagino que se eu tivesse começado no trabalho um dia depois, jamais teria te conhecido.

― Ou se eu não tivesse encontrado aquele envelope jogado na calçada, entrado naquela loja para te devolver. Ou um estranho derrubado bebida em mim e me obrigado a trocar minhas roupas por um uniforme da Verdant, talvez nossa história não tivesse ido adiante.

― Eu te acharia um riquinho babaca e nem daria chances ― concordei.

― Imagina todo esse amor que criamos, Felicity ― observou olhando ao redor. ― Sim, nosso amor foi meio torto, meio desencontrado no início, mas virou algo lindo. Uma amizade. ― Me estendeu uma mão, que eu segurei.

― Você quase morreu por minha causa.

― Eu conheci Caitlin por sua causa, tenho Ben por sua causa e mais… Você consertou o coração do meu irmão.

― Você me deu tanto amor, Tommy… O seu, Ben, Oliver, então Mia. ― Senti a emoção dar um nó em minha garganta. ― Eu sei que te acusei de muita coisa, justamente, só pra constar, mas não lembro de ter te agradecido. Obrigada por tanto, Tommy. ― Beijei seu rosto.

― Obrigado a você, Felicity.

Notas finais
Ai, ai, então é isso, pessoal!! Uma conclusão para uma dupla que começou como um casal de namorados, passou por um casal de pais, e agora estão em paz como um casal de amigos. E todo mundo muito feliz como uma grande e estranha família. Queria aproveitar esse espaço para agradecer a todos que estiveram aqui comigo nesses meses. Foi um período muito difícil para todo mundo, quando essa história foi toda escrita no início de 2021 e quando foi sendo postada no decorrer do ano, mas graças ao carinho de todo mundo, finalizamos ela com sucesso. Sei que tiveram momentos que vocês quiseram me matar, discordaram sobre como eu levava o enredo e os personagens, mas ainda assim, sempre foram em sua maioria muito apoiadores e fofos, me entendendo e fazendo minhas segundas bem felizes. Nunca poderei retribuir o bastante, obrigada mesmo. Ainda não tenho previsão de quando retornarei com as postagens, seja das minhas fics em andamento, como de histórias novas, mas não vou abandonar a escrita e nem Olicity, isso eu garanto. Inclusive, já tenho projetos em andamento, espero cada um vocês quando retornar às postagens. Novamente, muito obrigada pelo carinho, elogios e apoio, vocês são demais. Um enorme abraço virtual em cada um. Bjs*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!