Breeding Love

3 Irreconcilable Differences


Notas iniciais
Olá, pessoas!! Cheguei, toda pontualzinha para o capítulo de hoje. Espero que gostem. A partir desses, teremos cada vez mais Oliver. Boa leitura!! Até as notas finais!! Bjs*

"Diferenças irreconciliáveis"

― Você vai amar tudo aqui. ― Thea dirigia a excursão, enquanto eu, que procurava rotas de fuga ao subir os degraus que antecediam a porta principal, e Diggle, o motorista/segurança a seguíamos.

Gostei do homem instantaneamente. Ao contrário de ameaças veladas de Moira e Malcom, o constante falatório de Thea e o silêncio esfaqueador de Oliver, John Diggle me parecia empático e gentil. Até quando não falava, era um silêncio confortável.

― Essa é Raisa, nossa governanta. ― Acenei com a cabeça para a mulher de meia idade que nos esperava no hall com postura e uniforme impecáveis, e sorriu ao passarmos. ― Qualquer coisa que você precisar, pode pedir pra ela, que comanda tudo por aqui e sabe cozinhar de tudo. Quer alguma coisa agora?

― Não, obriga…

― Por favor, um suco de espinafre e laranja lá pra cima, ok? ― Ordenou à mulher, que saiu para cumprir o que foi pedido. A olhei em reprimenda e ela apenas deu de ombros. ― Você precisa se alimentar bem, não ouviu o que a médica disse? Aliás, vou ligar para o hospital e pedir que mandem uma dieta pronta para você. ― Seu olhar iluminou e a garota estalou os dedos, apontando o surgimento de uma ideia. ― Ou podemos contratar uma nutricionista gestacional, se é que isso existe. Deve existir, vejo isso já.

― Ok, vai com calma. ― Abaixei o celular de sua mão, onde ela já começava a digitar sobre a tal da nutricionista. ― E vai ficar me empurrando comidinhas fitness e sucos verdes todo o tempo? Você é esse tipo de rica, Thea?

― Deus me livre, esse daí é o Ollie ― respondeu com uma careta. Eu lembro mesmo de Tommy ter comentado esse detalhe sobre o irmão uma vez. ― Sou mais do tipo hambúrguer e pizza em todos os jantares. E álcool, muito álcool.

― Não sabia que tinha idade pra beber.

― Como se isso fosse me impedir. ― Deu de ombros. ― E mais, apenas alguns meses me separam da legalidade para ser alcoólatra, mas já tenho idade pra vender bebida. ― Como a olhei sem entender, ela resolveu explicar melhor. ― Tenho uma boate. Bem, eu e meus irmãos temos uma boate, mas Oliver tem estado mais no escritório do que lá, então... A Verdant é minha ― explicou e comecei a entender parte do mosaico que havia se tornado minha história com Tommy, verdades e mentiras virando uma coisa só. Quando o conheci, ele usava um uniforme da Verdant.

E só então entendi porque ela estava arrumada tão cedo, talvez estivesse vindo direto do trabalho, e ainda sem dormir desde a noite passada. Tive que admirar isso, antes mesmo da gravidez eu já era uma dorminhoca, agora então, é só no que consigo pensar durante o dia. E em comer bobagens, claro.

― Enfim, vai tomar o suco verde sim. Rico em ferro e o bebê vai amar todo o ácido fólico. ― A encarei com minha melhor cara de confusão misturada à surpresa por ela saber de tudo isso. ― Não se mora com Oliver Queen a vida toda sem aprender uma ou duas coisas sobre dietas saudáveis. Aliás, já comprei também todas suas vitaminas pré-natais, estão no meu quarto.

― Devagar, senhorita Thea, ou ela vai correr ― Dig a alertou e eu até agradeceria por ir em minha defesa, quando seu sorrisinho entregou que estava apenas tirando uma com minha cara. ― Vou subindo com a bagagem.

A bagagem se resumia a única mala que eu trazia comigo quando cheguei aqui há dois dias e que estava no hospital comigo. Eu poderia muito bem carregar aquilo, mas Thea insistia que eu não levasse nem uma bolsa de mão por ser “peso demais”.

― Foi mal. Quando eu estiver te sufocando, você fala. Ollie me diz que sou "inconveniente ". ― Fez sinal de aspas e eu dei um pequeno sorriso de compreensão.

E o que será que o Ollie diria de mim, que em meus dias bons, não tinha o mínimo controle e conseguia falar ainda mais que Thea? Não que a esperança de dias bons estivesse em algum futuro próximo para mim.

― Vamos subir? Devagar. ― Segurou meu antebraço e apoiou uma mão em minhas costas.

― Eu posso caminhar sozinha, estou bem.

― Mas não deveria. Quer saber, vou chamar o Dig pra te levar estilo O Guarda Costas.

― Thea? ― Segurei seu braço antes que ela saísse correndo para buscar o segurança e a olhei significativamente.

― Estou te sufocando, ok ― assumiu, franzindo o nariz. ― Vamos só subir devagar mesmo.

Subimos pela grande e imponente escada e lá de cima, eu pude visualizar melhor toda aquela parte da casa. Era tão luxuoso, bonito e de bom gosto, que eu sabia que nunca me acostumaria com esse lugar enorme. Era muito além de tudo que eu já tinha visto pessoalmente, parecia cenário de filme.

― Esse é o corredor das suítes principais. A casa tem mais uns dez quartos, mas desse lado aqui ficam os nossos, e é só o que você vai conhecer até a médica te liberar do repouso absoluto. ― Grunhi baixinho, e ela me olhou desdenhando meus resmungos como se não fossem nada, piscando duas vezes lentamente. ― Nem ache que seus rosnados vão me abater, Felicity, eu sou a rainha deles nessa casa!

― E sua adorável família, onde está que não veio me receber? ― Usei sarcasmo para encobrir o que eu tinha de admitir para mim mesma ser medo. Não gostava de nenhum deles, ponto final.

― Ah, você vai ver eles pouco por aqui. Papai e mamãe vivem viajando, desde que Oliver assumiu a empresa daqui, eles tem focado nas subsidiárias pelo mundo. E meu irmão passa o dia no escritório, quando não está grudado em mulher, ou a noiva grudada nele. ― Fiz uma careta, apenas à menção da nova personagem, a noiva do chato. Anotado, mais uma a evitar. ― Agora mesmo, não tem ninguém em casa.

Um suspiro aliviado escapou dos meus lábios, seria melhor me adaptar aos poucos. Primeiro o lugar, depois as pessoas.

― Então, vou te mostrar os quartos. ― Começou a falar e apontar para os cômodos de enormes portas fechadas. ― Lá no final tem a suíte máster dos meus pais, o primeiro à direita é o do Ollie e então tem o meu. Você vai ficar no primeiro à esquerda. ― Perto demais dos chefões, foi a primeira coisa que passou em minha mente. ― Ah, olha seu suco aí, obrigada, Raisa.

Tirou o copo de suco verde de cima da pequena bandeja e me entregou. Franzi o nariz apenas para o cheiro. Nunca fui de sentir muitos enjoos, mas aquilo ali me fazia querer vomitar. Talvez não tivesse nada a ver com gravidez, era apenas a dieta de Donna Smoak que não me acostumou com verduras e legumes.

Diggle saiu do quarto que Thea indicou ser o que o ficaria, e após um rápido cumprimento de cabeça ao passar pela gente, acompanhou Raisa para baixo.

― Ei, meu telefone! ― Thea sacou o aparelho que vibrava de sua bolsinha de marca. ― Droga, é um fornecedor da boate. Felicity, fica à vontade e pode ir pro seu quarto, eu já te encontro. ― Assenti em concordância.

Caminhei lentamente até o quarto, era como se o corredor ficasse maior a cada passo. Talvez ficasse, aquele lugar era gigantesco e cada segundo me fazia mais desconfortável.

Só que eu jamais imaginei experienciar uma sensação tão forte até abrir a porta, afinal, havia sido uma semana intensa. Ledo engando, tão logo segurei a maçaneta e não tinha dado nem um passo ainda para dentro, fui inundada pelo cheiro de Tommy. Aquele não era um quarto de visitas qualquer, era o quarto dele.

Sempre me considerei uma pessoa resiliente. Minha vida e da minha mãe não havia sido fácil desde o início, abandonadas por meu pai quando ainda era criança, passamos por muitas dificuldades enquanto eu crescia, desde o colégio até a universidade. Longas e exaustivas horas de trabalho e estudo em busca de bolsas de estudo, e uma vida de regalias bem limitadas. Não reclamo, me fez mais forte.

Mas ali estava outro nível de dor. Em nome de preservar a vida do meu bebê, eu tinha guardado toda a dor da morte de Tommy em uma caixinha e tentando seguir em frente para não lidar com a perda, mas ali, cercada pelo cheiro dele, o quarto enorme e decorado de azul marinho, a sua cor preferida, e com as miniaturas de carros que ele falava com tanta paixão, era só no meu moreno que eu conseguia pensar.

.

#Flashback ON

― Sério, você não tem cara. ― Tommy tinha o braço em torno dos meus ombros e sua risada gostosa fazia seu peito balançar sob minha cabeça.

― Te juro! Não que eu vá ter oportunidade de dirigir um daqueles algum dia, mas amo velocidade.

Meu namorado falava sobre carros desde que uma Ferrari preta fosca passou pela gente a toda velocidade na avenida que ficava ao lado do nosso banco, e só tinha parado agora quando eu disse que sonhava em dirigir um desses em uma pista de corrida e poder usar toda a potência do motor em minha pequena aventura.

― Quer saber, vou te levar em um autódromo um dia desses ― prometeu animado. ― Tem um ótimo em Central City, com vários carros de alto desempenho para teste, você pode ir em todos se quiser.

― Tá doido, príncipe, sabe quando isso vai custar? Deixe isso para lá, é só um sonho.

― Sonhos podem se tornar realidade, princesa. ― Beijou meus cabelos e me aconchegou melhor em seu abraço. Eu já me sentia vivendo um sonho ali mesmo.

#Flashback OFF

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As lágrimas inundaram meus olhos e eu só queria correr dali, e em minhas tentativas de escapar do cheiro, me virei e acabei por esbarrar em algo bem maior que eu.

― Você é cega, garota?! Caralho!

Oliver Queen tinha meu suco verde em todo seu terno cinza sob medida e muita raiva em seus olhos azuis ao me encarar. Era agora que ele conseguiria o feito de matar alguém com o olhar? E tinha que ser logo comigo?

― Me... Me desculpa, eu não queria...

― Não queria tomar posse do quarto do meu irmão ou não queria me encharcar de suco verde? ― A acústica desse lugar era de assustar e sua voz grossa ecoava por todo o lugar e eu recuei um passo, apenas me preparando para atacar de volta. Se ele achava que ia falar assim comigo…

― O que está acontecendo? Ollie, o que você fez com ela, não deveria estar no escritório? ― Thea veio em meu socorro, interpretando minhas lágrimas como reação a um ataque de seu irmão, quando na verdade era sobre o outro.

― O que eu fiz com ela? O que ela fez comigo! ― elevou a voz. ― Sim, eu deveria estar no escritório, mas precisei de um documento que esqueci aqui hoje de manhã. Agora estou atrasado e vou ficar ainda mais, já que preciso de um banho.

― Não exagere, foi um acidente. ― Fez uma careta de nojo para as roupas dele. Se tinha uma coisa que a caçula da família fazia bem, eram suas caras e bocas, sempre muito expressiva em todas suas reações.

― E por que ninguém me avisou que teríamos hóspedes? Eu ainda moro nessa casa, e deveria ser informado que essa pessoa estaria se mudando, assim eu poderia dar o fora sem surpresas!

― O quê? ― Óbvio que eu achei que ele sabia da convocação dos pais para que eu me mudasse, não que sua opinião fosse importante pra mim.

― Isso aí, garota, eu não ficaria aqui apoiando essa loucura dos meus pais em abrigar essa pessoa que, se estiver grávida mesmo, com certeza não é do meu irmão, mas estão tão cegos pelo luto que ficaram burros.

E eu achando que Tommy teve palavras cortantes. Oliver com apenas uma respirada jogou tudo novamente em minha cara, mas a diferença é que dessa vez não haviam surpresas. Eu sabia bem o que ele achava de mim, o homem nunca sequer tentou deixar sua reprovação e desconfiança cobertas por sutileza.

― Hey, hey, baixa a bola, Ollie!

― Não, Thea, deixe-o falar. ― Cruzei os braços, esperando pelo que viria. ― Vá em frente, Oliver, diga as palavras: golpe da barriga.

De algum modo, todos aqueles ataques me faziam esquecer a dor que só o cheiro de Tommy, ainda presente em meus pensamentos, me causava. E não é como se não tivesse ouvido aquilo antes ou soubesse que era o que diziam por minhas costas.

― Golpista sim, ainda bem que tem plena consciência disso. ― Thea avançou no irmão, mas eu coloquei um braço na sua frente para que ela não fosse adiante. ― E você pode fazer a cara da moça boa e inocente, mas eu não caio nessa, fui claro?

― Muito. ― Ele assentiu como se estivesse satisfeito em ter ganho aquela discussão, dando meia volta para retornar ao seu quarto. ― Hey, onde você vai? Você falou, falou e falou como um papagaio tagarela, mas vai ouvir agora!

― Como é que é? ― Voltou a ficar de frente conosco e deu um passo ameaçador em minha direção, mas não recuei. Nunca mais recuaria para aquele babaca.

― Eu vou morar aqui, isso vai acontecer, e não pense que faço isso por seu dinheiro ou luxo, não é, é tudo pelo bem do meu bebê, que você acreditando ou não, é seu sobrinho. Pode ser incomum pra você e seu mundinho dourado, Oliver, mas nem todo mundo liga para toda essa futilidade que te cerca e você valoriza tanto! ― Eu também já estava gritando a esse ponto. ― Quero estar nessa casa tanto quanto você quer que eu esteja, sei que temos diferenças que nunca vamos acertar, por mim pode continuar assim, e prometo ficar fora do seu caminho, se você também tirar sua cara azeda e imbecil do meu!

― Olha aqui, sua…

― Já chega os dois, né? ― Thea ficou na minha frente, olhando diretamente para o irmão. ― Você não estava atrasado?

― Argh! ― resmungou, mas deu meia volta e entrou no quarto da frente, batendo a porta com um estrondo.

― Cara mimado.

― Desculpa o mau jeito do meu irmão, ele tem passado dias ruins sem o Tommy. ― Quando Thea se virou para mim, ela tinha um pedido de desculpas também no olhar. ― Geralmente ele é bem mais legal, você vai ver.

― Eu não preciso ver e também, não posso ficar nesse quarto.

― Por que é na frente do quarto do Ollie? Não precisa ficar preocupada, cão que ladra não morde. ― Dispensou o estresse do irmão com um gesto de mão. ― Papagaio tagarela, já disse que te amo hoje? — Soltou uma pequena gargalhada.

― Não, porque é no quarto do Tommy, o cheiro dele, o jeito dele! Eu não consigo, Thea, simplesmente não consigo!

Brigar com Oliver foi bom, me distraiu de chorar, o que não consegui segurar quando tive que lidar novamente com o momento que me levou a derrubar o suco verde.

A garota me olhou compadecida, então me abraçou e eu aceitei. Precisava tanto de um abraço, e há tempos não admitia, e no momento serviu para amenizar um pouco a dor que apertava meu coração. Não apertar apenas, eu sentia o coitado do órgão sendo rasgado.

― Você não precisa, ok? Desculpa, eu achei que gostaria de... Me desculpa, foi uma ideia estúpida. ― Se afastou e ela também tinha os olhos úmidos. ― Vem para o meu quarto, tudo bem?! ― Enxugou o rosto rapidamente. ― Vou pedir pra Raisa preparar o maior de hóspedes pra você, é até melhor, você fica na frente do meu. Me dá esse copo aqui, vem. Você não pode se estressar mais ainda.

Balancei a cabeça em concordância, aceitando seu ombro amigo e vendo apenas de relance pela porta entreaberta que Oliver assistia toda a cena.

Notas finais
Então? Tomara que tenham gostado. Oliver é cheio de teorias de como ser o certo, não é? Até vocês conhecê-lo melhor no próximo capítulo. Só digo isso.. Me digam o que acharam. Até os reviews e até segunda!! Bjs*