Notas iniciais
Olá, pessoas! Como estão? Eu sei que o spoiler já vem pronto no título, mas finjam que não viram. Um dos capítulos mais aguardados dessa segunda parte, espero que curtam! Boa leitura! Até as notas finais! Bjs*

“No Flagra”

#POVOliver

― Senhor Queen, seus irmãos estão aqui.

― Diga que estou em reunião.

― Diga que eu sei que ele está mentindo! ― ouvi Thea do outro lado da linha.

― Senhor Queen? ― Alyssa me questionou sobre o que fazer. Ela só era minha assistente há pouco mais de dois meses, ainda era muito nova no trabalho para já ter desenvolvido as técnicas da minha antiga secretária em como se livrar da minha irmã.

― Tá certo, pode liberar.

Segundos depois a porta do meu escritório já era aberta por minha secretária, dando espaço para eles entrarem. Não pude deixar de notar seu suspiro profundo e olhar encantado quando Tommy passou por ela, e Thea viu a mesma coisa, pois vinha logo atrás.

― Deseja alguma coisa, senhor Merlyn? Uma água, café? Senhorita Merlyn? ― Adicionou Thea à pergunta, quando notou que poderia ter se entregado. Tommy sorriu para ela negando educadamente, mas Thea já tinha franzido seus lábios como sempre fazia ao ser irritada.

― Vamos querer sim, três cafés da cafeteria aqui de baixo, do tipo mais caro, complicado e demorado para fazer. Vai, vai, vai. ― Abanou as mãos, a dispensando.

― Ela não vai buscar café nenhum, Alyssa tem trabalho a fazer na própria mesa e vocês não podem demorar, tenho uma reunião em alguns minutos. Pode ir ― a liberei.
A morena balançou a cabeça em afirmação e quando já ia sair, Tommy pegou sua mão entre as suas, murmurando um obrigado para a pobre garota que não segurou um segundo suspiro, antes de fechar a porta atrás de si.

O mais interessante é que desde que foi contratada, a garota de belos olhos verdes sequer havia dado qualquer sugestão de interesse em mim, o que só comprovava mais uma vez o que aconteceu durante toda a nossa vida: eu e meu irmão sempre despertamos interesse de mulheres diferentes, por isso nunca nem chegamos perto de brigar sobre isso. Até Felicity. Ela era nossa exceção.

― Rude ― minha irmã me recriminou, com os braços cruzados, e me olhando com aqueles grandes olhos como se eu a houvesse magoado de verdade por não lhe dar toda a atenção que queria ou concordar com ela.

― Ciumenta ― rebati.

― Galera, estou boiando aqui. ― Tommy ergueu uma mão, alternando o olhar entre nós dois.

― A secretária do Oliver estava dando em cima de você, seu avoado! Procura no bolso, a calcinha dela deve estar lá.

― Ah. ― Finalmente entendeu, olhando para a porta fechada atrás de si. ― Ela é bonita ― elogiou tão genericamente com um dar de ombros que eu podia apostar que ele nem lembrava mais como ela se parecia, pois seu gesto de cavalheirismo de antes era tão comum a ele. ― Mas estou comprometido.

― Com quem? ― Thea sentou-se no sofá e colocou os pés sobre a mesinha de centro. ― Porque Felicity te deu um pé, e já faz algumas semanas agora.

― Ela acha que terminou comigo ― a corrigiu e eu só fingia estar fazendo alguma coisa no computador para não ter que participar daquela conversa.

Ainda não sabia bem como me comportar sobre esse término, que nem poderia ser chamado assim já que eles não namoravam mais há meses. Estava mais para um ponto final da relação que tinham, no aspecto amoroso.

Primeiro, me senti a pior pessoa do mundo porque um sentimentozinho de felicidade me atingiu, mas tão logo chegou tratei de rebatê-lo para longe. Só que com o passar do tempo, Tommy estava muito otimista sobre um retorno, então eu não sabia o que pensar.

― Pareceu bem definitivo quando ela me contou.

― Felicity tem toda razão de ter ressalvas, eu errei muito e ficamos muito tempo longe, mas eu tenho que conquistá-la de volta, esse é o certo a acontecer.

― Parece um pouco arbitrário. ― Ganhei atenção instantânea de ambos, já que costumava me eximir desse assunto quando ele era trazido à tona, que para meu azar, era constantemente.

― Não acho, Ollie. Foi amor à primeira vista, no primeiro beijo, na nossa primeira vez. E tudo aconteceu nas primeiras 24 horas, então… Épico. ― Gesticulou com as mãos no ar, e me remexi inquieto na cadeira, e mesmo sem olhar para ela, conseguia sentir Thea lendo cada uma de minhas reações enquanto andava pela sala.

― Não acredito nessa coisa de amor à primeira vista, sentimentos precisam ser cultivados e aprofundados com o tempo.

― Ah, irmão, e nós aprofundamos. Muitas vezes. ― Sorriu de lado com o duplo sentido das palavras e apenas a ideia me fazia passar mal, me arrependendo do maldito minuto que entrei no assunto.

― A gente não precisa ouvir sobre isso, cara. ― Meu sorriso saiu amarelo.

― E você está sendo muito óbvio e dando bandeira ― Thea cochichou agora parada atrás de mim, os antebraços em meus ombros, beijando meu rosto para disfarçar o que havia dito. ― Sabe o mais fantástico? Que Oliver ainda não tenha dormido com a própria secretária! ― Agradeci à mudança de assunto, mesmo que isso incluísse minha irmã me ofendendo por velhos hábitos.

― Sou profissional, Speedy ― me defendi testando um sorriso, e ela balançou a cabeça para os lados, andando pela sala, deixando para lá. Realmente, “ser profissional” nunca me impediu antes.

Se essa mesa falasse…

― Felicity pode sim voltar pra mim, pertencemos um ao outro, temos o Ben, mas nem é só por isso.

― Ainda estamos falando disso? ― Minha voz subiu uma oitava e tive que pigarrear para fazê-la voltar ao normal. ― Show, show.

― Ela não tem outra pessoa, eu já perguntei. ― Recebi um olhar significativo da irmã pelas costas dele que dizia "apenas fale tudo para ele, conte agora", mas neguei discretamente. O tempo passando apenas tornou mais difícil contar. ― Se houvesse, seria mais difícil, então só preciso dar um tempo a ela e depois conquistá-la de volta.

― Cansei dessa conversa ― Thea decretou.

― Ótimo, assim vocês podem me dizer o real motivo de estarem aqui, no meio do meu expediente.

― Isso, Oliver, seja um idiota comigo e faça eu parar de encobri-lo e defendê-lo ― aconselhou com ironia. Para Tommy, ela poderia estar falando de qualquer coisa, mas eu sabia exatamente do teor completo de sua ameaça velada.

― Deixe-o em paz, maninha, é um homem sério no meio dos seus negócios multimilionários.

― Não fale isso como uma ofensa, mano. E você sabe o motivo da visita ou também só foi arrastado para isso? ― Ele balançou a cabeça, erguendo dois dedos e confirmando a segunda opção.

― O motivo é, par de idiotas, que Tommy não estava no meu aniversário, então precisamos de uma comemoração oficial. Abriu uma boate nova no centro do amigo de vocês, Max Fuller, que tal dar uma olhada na concorrência? ― Nossas caras espelharam a mesma expressão de não ter gostado nada da ideia, fazendo a parar a dancinha animada que fazia. ― Não façam essas caras, tenho certeza que ele já superou.

― Ollie dormiu com a noiva dele.

― Foi antes do casamento ― me defendi.

― Foi no jantar de ensaio.

― Antes do casamento ― afirmei meu ponto. ― Pelo menos não fui eu que o deixei de olho roxo no dia do aniversário, diante de todos os amigos e família.

― Ele deu em cima da minha namorada, só pra se vingar de você, seu cachorro. Você sabe que eu não perdoo essas coisas. ― Engoli seco.

― Enfim, é um passado complicado ― concluí o assunto. ― Melhor você também ficar longe daquela boate, Speedy ― aconselhei.

― Qual é, pela primeira vez na vida estamos os três solteiros e com mais de 21 anos, temos que aproveitar isso.

― Ela não estava namorando o segurança novo? Como é mesmo o nome? ― Tommy perguntou direto para mim, apenas para provocá-la, encostando o quadril na minha mesa.

― O Harper, claro! ― Estalei os dedos, como se lembrasse da informação, e ela arregalou os olhos por ter sido pega.

― Eu não estou namorando ninguém! ― gritou em tom estridente.

― A menos é claro, que ela esteja planejando levar o cara, assim estará mais que segura na boate do Fuller ― Tommy ignorou os protestos birrentos dela.

― Pode crer, irmão. ― Tocamos punhos fechamos e ela bateu o pé, irritada.

― Ele não é meu namorado! Vocês que estão namorando o Roy, calem a boca!

― Ela não fica uma gracinha com vergonha de falar dos namoradinhos? ― Tommy bagunçou os cabelos dela e eu gargalhei.

Era bom estar do outro lado pra variar, Thea sempre nos tinha tanto em suas mãos, que uma mudança seria bem-vinda. Minha irmãzinha tinha que lidar com as merdas dessa família complicada há tanto tempo, que às vezes eu esquecia que ela era apenas uma menina, com problemas e questões de alguém com 21.

― Sai! ― O empurrou para longe de si. ― E os dois palhaços querem disputar comigo? Ok, vamos lá! Ollie por que não compartilha com o grupo porque seu zíper vive fechado e você, seu devasso, não continua dormindo com toda a parcela feminina de Starling City como sempre, incluindo sua nova e jovem secretária que tem até um nível bem aceitável de beleza?

― É, isso eu gostaria de saber também. ― Meu irmão se virou para mim com os braços cruzados, mas Thea lhe cutucou no ombro.

― E você, bonitinho, o que diabos faz tanto em Central City toda semana? ― Tommy que me olhava com curiosidade, desviou o olhar e se encolheu. Isso sim, eu gostaria de saber, agora ele vivia voltando para a cidade que mal tinha ido um par de vezes antes do acidente. ― Interessante, parece que todo mundo quer guardar as próprias histórias para si. Melhor ainda, nenhum dos três responde nada.

― Você não sabe brincar ― ele resmungou. ― E eu não posso sair, hoje é minha noite com o bebê.

― E eu tenho tanto trabalho que provavelmente serei o último a deixar o prédio hoje.

― Eu preciso achar outros irmãos, vocês dois não me servem mais! ― Nos deu as costas, indo embora. ― Vem, Tommy!

― Indo! Até mais, mano. ― Acenei um adeus quando ele quase corria atrás dela.

~

― Irmão, você precisa me salvar. ― Consultei o relógio no canto da tela do meu computador, logo que atendi a ligação de Tommy. Quase nove da noite. ― Ainda está no escritório?

― Sim, quase saindo. ― Estiquei minhas costas e senti as vértebras estalarem. Havia sido um dia cheio, e era bom finalmente poder encerrá-lo.

― Ótimo! Surgiu uma coisa na Verdant, e como nossa irmãzinha teimosa foi mesmo para aquela boate do Fuller e não consigo contato com ela, eu tive que vir aqui resolver.

― Precisa de ajuda? Eu posso chegar aí em…

― Não aqui, no apartamento da Felicity. Eu estava lá, daí acabaram umas coisas do bebê, agora estou aqui e ela está precisando, só que não posso voltar agora.

― Eu posso ir na Verdant cobrir sua função ― ofereci, tentando não parecer desesperado em não encontrar Felicity sozinho. Seria a primeira vez que isso aconteceria desde que terminamos e eu não tinha certeza se ia ser uma boa ideia.

― Não faz sentido, a empresa é perto da farmácia e do apartamento, e eu já estou aqui na boate. Vou te mandar a lista por mensagem.

― Mas…

― É seu sobrinho, Ollie! ― decretou, e contra isso eu não tinha argumentos.

― Tá.

― Você é o melhor! ― E desligou, antes que eu mudasse de ideia.

― Vamos lá, Oliver, você pode fazer isso!

Depois de comprar cada item da lista, dirigi até o apartamento, meu coração batendo forte contra minhas costelas, como de um adolescente apaixonado. Apaixonado tudo bem, mas você não é mais criança faz muito tempo, se recomponha, homem!

― Oliver? Com compras. ― Felicity alternou o olhar do meu rosto para a sacola parda e de volta para meu rosto. ― Você está esperando uma gorjeta, ou…

Percebi que estava parado na entrada a encarando a mais tempo que o necessário, sendo que a porta já estava aberta e Felicity havia dado um passo para o lado para que eu passasse.

― Desculpe. ― Entrei. ― Tommy me ligou, pediu que eu te trouxesse isso, ele ficou preso na Verdant.

― Valeu, salvador de vidas! ― Pegou a sacola das minhas mãos, indo para a ilha da cozinha. ― Benji começou a experimentar esse negocinho, e não dorme mais sem o cheirinho. ― Tirou uma caixinha de dentro da sacola e subiu as escadas.

Felicity parecia bem melhor com o passar dos dias, principalmente depois que ela terminou com Tommy, e mesmo que quisesse elaborar mil e uma explicações para isso ser algo favorável para nós dois, não podia.

― E isso não tem problema para um bebê tão pequeno? Ben ainda nem completou os três meses de idade. ― Tive de perguntar, a seguindo para cima.

― É apropriado para bebês, Oliver. ― Dispensou minha preocupação com um sorriso. ― Mas não sei se isso vai bastar para esse pequenininho, que está agitado demais essa noite. Você já ouviu falar de bebês pressentirem tempestades?

― Em filmes de terror, sim.

― O que foi, filho? ― Tirou um bebê choroso do berço, o ninando em seu colo. ― Tá vendo? Tenho medo dele estar com alguma dor ou sei lá. Fome não é.

― Eu posso tentar?

― Poder pode, Oliver, mas não sei se vai funcionar.

― Deixa comigo, eu e meu campeão vamos nos entender muito bem. ― Peguei sua mãozinha. ― Ele deve estar apenas com sono, mas precisa de uma super história para conseguir dormir.

― Tem certeza? Eu bem que poderia usar um tempo de banho.

― Pode ir tranquila ― garanti. ― Bebê? ― pedi, estendendo meus braços.

― Qualquer coisa me chama e eu corro pra cá de volta. É sério, eu corro. ― Passou Ben para meu colo, colocando um dos refis que comprei em um dispositivo na tomada e saindo do quarto.

Fiquei aliviado por pularmos para os cuidados ao bebê, passando direto por toda a complicação da nossa relação. E era reconfortante também estar com Benjamin em meu colo, mesmo que ele não estivesse com disposição alguma para colaborar.

Sentei na poltrona e apenas conversei com ele nos minutos seguintes. Contei sobre meu dia, sobre a visita de Tommy e Thea e até sobre Max Fuller. Toda a história nada infantil o acalmou aos poucos, e quando Felicity retornou, ele já estava com os olhinhos pesados, quase dormindo. Movimentei os lábios dizendo que eu terminaria por aqui para evitar que ele voltasse a ficar completamente ativo como antes se a visse, e ela assentiu, fechando a porta com cuidado e diminuindo a iluminação.

O coloquei com cuidado no berço quando ele finalmente se deixou ser levado pelo sono, liguei a babá eletrônica e desci com o aparelho que o acompanhava mesmo à distância, em áudio e vídeo.

― Missão cumprida. ― Lhe entreguei o tablet. ― Um bebê tranquilo e adormecido, como solicitado.

― Eu me ofenderia com meu bebezinho traidor, se não estivesse cansada e seus talentos não fossem uma mão na roda. Valeu.

― Às ordens. ― Fiz uma continência encenada, uma das mãos no bolso. ― Então, eu já vou. ― Melhor sair dali enquanto estava ganhando a batalha de não tocar em assuntos constrangedores.

― Estou com saudades. ― Tarde demais.

― Felicity… ― Respirei fundo, antes de largar a maçaneta e me virar para ela.

― De verdade, Oliver. Você ainda vem aqui, mas sempre acompanhado dos seus irmãos, e agindo como se fosse um estranho no próprio apartamento. Um estranho comigo e Ben.

― Tem que ser assim.

― Não, não tem! Nada mais impede a gente, Oliver, eu esclareci as coisas com Tommy, e nós dois nos amamos. Ou você não…

― Nossos sentimentos nunca foram o problema. Você acha que conhece o Tommy, mas não conhece, seria uma traição que ele jamais perdoaria, não posso perder meu irmão de novo.

― Você só está sendo covarde.

― Como é? ― Tive que me aproximar fazendo a pergunta. ― Abrir mão de continuarmos nossa história foi literalmente a coisa mais corajosa e difícil que eu já fiz na minha vida!

― Coragem significa assumir riscos, se estiver com medo, ir com medo mesmo, mas você apenas escolheu a saída mais fácil.

― Não tem nada fácil em mentir para meu irmão e melhor amigo, não tem nada fácil em ficar longe de você. ― Não resisti a segurar seu rosto entre minhas mãos. Eu sentia tanta falta dos carinhos, dos toques, que chegava a doer.

― Então não fique, Oliver. A gente conversa com ele, Tommy foi até bem razoável quando precisei o fazer entender que não daríamos mais certo.

Razoável pra ela, porque para mim, ele já tinha contado mil planos para conquistá-la de volta. E ainda tinha a mentira, me arrependia todos os dias de não ter contado logo que ele voltou, mesmo que não fosse para ficar com Felicity. Se meu relacionamento com Laurel me ensinou algo, era que a verdade sempre era o melhor o caminho.

― Isso foi com você, comigo seria diferente.

― Pois daí seria birra e ele é adulto. Tem que entender que as coisas nem sempre acontecem como a gente quer e só precisamos lidar com isso e seguir em frente.

― Ele ainda está em recuperação do acidente, e mentimos pra ele, Felicity, estamos mentindo há meses agora.

― Pare de dar desculpas. ― Se soltou de mim, me dando as costas.

Não estava dando desculpas, apenas falando constatações que doíam mais por serem verdades. Mas já estava cansado disso também. Talvez Felicity estivesse certa, Tommy poderia ser um pouco mais razoável e entender.

Eram dois amores grandes demais disputando seu espaço na minha tomada de decisões, meu irmão e a mulher da minha vida. Não tinha como escolher um, e mesmo assim o fiz. Fiz da primeira vez, quando terminei tudo com Felicity e fiz agora de novo, quando a puxei pelo braço pra mim, chocando seu corpo no meu e unindo nossos lábios em um beijo saudoso.

Nossas línguas se exploravam como se também matassem a saudade, já que mesmo que nunca tivéssemos feito sexo, alguns beijos bem intensos haviam sido trocados meses antes, sempre parados por ela, com a justificativa de "não é o momento".
Só que dessa vez, Felicity não parecia disposta a parar, ao contrário, ela acelerava o ritmo quando suas pequenas mãos entraram por dentro do meu terno, o descendo por meus ombros, em seguida desfazendo o nó da minha gravata, essa também caindo em qualquer lugar no chão da sala.

Com um braço firme em torno de sua cintura e o outro nos guiando às cegas pelo cômodo, mal percebi quando chegamos ao sofá, até que ela sentasse em meu colo com as pernas ladeando meu quadril, sua blusa sendo arrancada por ela mesma e jogada ao nosso lado no sofá.

― Me diz que isso não é outro de seus últimos beijos? ― questionou ofegante enquanto eu desviei a boca da sua, em direção ao seu pescoço, apertando suas coxas descobertas pelo short, e a ouvindo gemer enquanto aproximava o quadril do meu, aumentando a fricção.

Aquilo estava indo muito mais rápido do que planejei, e olha que fiz isso na minha cabeça muitas e muitas vezes. Nunca a imaginei o tipo comportada, mas ainda assim estava sendo surpreendido. Talvez tivesse a ver com todo esse tempo que estávamos segurando isso.

― Decidi escapar da lógica de Oliver Queen, parar de tentar planejar todos os próximos passos e apenas viver o momento.

― Fi.nal.men.te! ― Felicity distribuiu beijinhos no meu rosto a cada sílaba pronunciada. ― Deus sabe como amo matemática, mas do seu tipo de lógica, nunca fui fã. O que faz total sentido, para alguém que só tirava D- em álgebra ― divagou.

― Engraçadinha. ― Beijei a ponta do seu nariz, ainda encantado como alguém conseguia ser tão adorável enquanto ofendia descaradamente minhas habilidades limitadas nas ciências exatas. ― Mas eu era bom em outras matérias. ― Meu nariz percorria seu pescoço e colo, me deixando inebriar por seu perfume de banho recém tomado. ― Química da fermentação de bebidas, mecânica de carros de luxo, anatomia feminina. ― Sorri de lado, malicioso.

Meus dedos subiram por suas pernas para dentro do jeans até encontrarem sua bunda, apertando a carne, um suspiro sôfrego escapando de seus lábios entreabertos quando ela jogou a cabeça para trás, os olhos fechados. Quando ela os abriu novamente, o azul estava escuro, intenso, cheio de desejo.

― Oliver, já chega de preliminares.

Ela soltou um gritinho surpreso quando inverti nossas posições, a colocando com as costas contra o sofá, segurando meu peso com o braço, a mão livre se ocupando em explorar com toques sua pele quente e macia.

Felicity puxava para fora o tecido da minha camisa social que ainda resistia por dentro da calça enquanto eu a beijava, seus tornozelos enganchados atrás das minhas pernas para me prender a ela. Ah, tá, como se eu quisesse estar em qualquer outro lugar.

― Nem acredito que fiquei tanto tempo sem te beijar, sem tocar em você. ― Felicity desafivelava meu cinto com rapidez. ― A falta que você me faz não pode ser compensada por mais nada ou ninguém.

― Então vamos acabar com essa saudade agora.

Eu concordava. Haviam diferentes tipos de amor. O que eu sentia por meus pais era um, de obediência e gratidão. O que sentia pelos meus irmãos, outro, de parceria. Por Ben, era paternal, não dava para negar isso, mas por Felicity… Aquele tipo, tão profundo e intenso, duvidava muito que algum dia sentisse de novo, e eu não queria. Era ela, para sempre. Ponto.

― De todas as mulheres do mundo, Oliver…

Me separei de Felicity ao ouvir a voz, ficando em pé no susto e a deixando em busca da blusa no sofá, olhando sobressaltado para a porta, onde Tommy estava, pálido e imóvel como uma estátua. Não, isso não podia estar acontecendo, tudo que mais tentei evitar nesses meses.

― Irmão, calma… ― Isso pareceu acordá-lo, pois seu rosto começou a ganhar cor, ficando muito vermelho.

― Calma? Eu entro na casa da minha… Da mãe do meu filho e te encontro com a língua na garganta dela, a meio caminho de fazerem sexo, e eu tenho que ficar calmo? Eu não tenho porra nenhuma! ― gritou.

― Ok, fala baixo, vai acordar o bebê. ― Felicity tentou se aproximar dele, mas logo Tommy começou a andar pela sala, as mãos nos cabelos.

― Eu perguntei sobre isso a vocês, perguntei aos dois, que negaram! E agora eu vejo essa cena. ― Gesticulou com os braços abertos para a sala. ― Eu confiava em você mais do que em qualquer pessoa, Oliver. Eu tentei até aproximar vocês, enquanto deviam estar rindo em como eu sou burro!

― Eu juro que não foi nada planejado, irmão. Aconteceu sem que a gente nem…

― Poupe sua criatividade aqui, Oliver, te conheço melhor que ninguém, há trinta anos! ― me cortou. ― Me diz que você não ficou flertando com ela, que não foi você que deu o primeiro beijo, usando seu charme e generosidade como sempre faz. Você é o motivo de Felicity e eu não estarmos juntos, sempre foi você!

― Isso não é verdade ― ela rebateu, mas eu nem tinha argumentos, tudo que ele falou era verdade sim.

Lógico que não flertava com ela na intenção de conquistá-la, naquela época ainda nem pensava sobre, era mais um jogo divertido que fazíamos, tornava a convivência mais interessante. E Felicity, além de linda, sempre fora uma mulher inteligente e desafiadora.
E depois, eu havia sido a pessoa a iniciar nossos contatos mais íntimos, incluindo o primeiro beijo no dia do meu aniversário, mas eu já não conseguia mais segurar, e olhando para trás, já estava apaixonado por ela naquela época.

― Isso foi o que acabou de sair da sua boca, Felicity! — acusou, ainda aos gritos. — Ai, minha cabeça! ― murmurou e eu me preocupei.

Ele havia passado por uma longa cirurgia cerebral, passado meses em coma por um acidente, toda essa agitação não podia estar fazendo bem a ele. E a culpa era minha.

― Tommy…

― Não! Eu tenho que sair daqui. Não consigo nem olhar na cara dos dois agora. ― E já passou pela porta, às pressas.

― Eu tenho que ir atrás dele, desculpa.

― Claro, vai. Me manda notícias. ― Assenti.

Talvez Felicity estivesse certa e bebês conseguissem mesmo prever tempestades. De algum modo eu sabia que essa aqui seria uma das grandes, não sei quanto tempo duraria e com certeza transformaria meu filme de drama em terror.

Notas finais
Como todo mundo já devia prever, a bomba explodiu da pior maneira possível. E agora só virão as consequências... O que vocês acham que vai rolar a partir daqui? Me deem suas opiniões nos comentários. E se estão curtindo a história, mandem reviews, favoritem, recomendem! Até segunda!! Bjs*