Breeding Love

20 The Secret Origin of Felicity Smoak


Notas iniciais
Olá, pessoas!! Eu sei que vocês estavam ansiosos para saber a continuação do barraco, mas agora vamos dar um pause nisso para um flashback muito importante. Torcendo aqui para que vocês curtam!! Boa leitura. Até as notas finais!! Bjs*

“A Origem Secreta de Felicity Smoak”

#POVFelicity

5 meses antes do acidente…

― Mãe, para. ― Sorri meio sem jeito para um casal aleatório que passava e nos olhava estranho. ― Mãe, tá bom. ― Segurei seus ombros para a afastar, mas aí ela pareceu tomar como desafio que eu conseguisse me soltar, e só apertava mais. ― Mãe! ― elevei minha voz, e só então ela largou minha cintura, me dando seu melhor olhar magoado.

― Meu bebê vai embora, não acredito que vou ficar longe de você. ― Cruzou os braços, como se fizesse birra. Já estava mais do que claro que ela apoiava minha decisão de deixar Vegas, mas não concordava. ― Se tivesse um filho, entenderia.

― Eu também vou sentir muito a sua falta, mãe, mas essa despedida foi do fofo emocionante ao constrangedor meia hora atrás. ― Testei um sorriso, mas ela só dobrou o lábio prestes a recomeçar o show, quer dizer, choro, conseguindo meu olhar compadecido.

― Filha, filha! ― Mudou para seu modo animada de repente. Suspirei resignada, sabia que agora vinha mais uma das suas. ― Eu te falei que o filho da minha vizinha vai chegar para passar uns dias? Ele é da sua idade, e do mesmo raro tipo CDF lindinho igual você.

Entendi aquilo como sua cartada final para me fazer ficar. Para evitar me dizer para não ir embora e parecer do tipo controladora de mãe, ela ficava me lançando a cada novo dia uma oportunidade maravilhosa que faria adiar minha mudança para Starling City.

Teve o "emprego incrível" numa cafeteria, o imperdível show em um hotel-cassino, um namorado seu que eu tinha que conhecer e eu tinha absoluta certeza que não existia. Até aí tudo bem, mas apelar para minha vida amorosa era desespero. Ela sabia que minha carreira sempre veio na frente do pessoal, então o novo vizinho gatinho não seria impedimento algum.

― Ninguém usa mais o termo CDF.

― Você poderia ficar só mais uns dias, o coitado não conhece ninguém, você poderia mostrar a cidade pro menino. Estou falando isso por ele, não por mim.

A olhei com dó. Eu sentiria falta de Donna Smoak, a mulher mais espalhafatosa, atrapalhada e amorosa do mundo todo. Tenho certeza que teria momentos que eu só ia querer seu carinho de mãe, mas precisava da mudança. Las Vegas nunca foi lugar para mim, eu precisava seguir em frente, mesmo que isso significasse começar do zero em uma cidade completamente nova e desconhecida.

― Te amo, mãe. ― Ajustei a mochila no ombro, para a abraçar mais uma vez. ― Eu prometo ficar bem, e se não ficar, volto correndo para o seu colo, nem que seja por uns dias.

― Amor, bebê? ― Segurou meu rosto apertando minhas bochechas entre suas palmas quando nos separei do abraço. ― Promete me escrever e mandar fotos suas nas cartas pra matar minha saudade?

― Prometo te mandar mensagem todos os dias, ligar às vezes, e fazer chamada de vídeo sempre que possível, como as pessoas fazem nesse século ― brinquei, mas ela entortou o pescoço sem entender a piada. ― Ok, eu prometo. E, mãe, cuidado com aquela história dos namoros online, claramente você ainda está se entendendo com a tecnologia, pode ser perigoso ― pedi, preocupada.

― Ah, filhinha, vou prometer isso não! Vai que meu cara está a apenas um clique de distância e eu não vou saber disso até clicar.

― Mãe!

― Você poderia tentar também.

― Conhecer uma pessoa aleatória, me envolver com ela rapidamente sem ao menos saber direito sobre a vida dela? Não, valeu, não faz meu estilo.

― Tem razão, seu estilo é cozinhar os caras por meses na zona da amizade até, em um surto de carência, decidir lhes dar uma chance, para depois descobrir que quer voltar a ser apenas amigos porque nunca gostou deles de verdade. Eles ficam magoados e nunca mais falam com você, e então eu tenho que ouvir suas lamentações do porquê nunca deveria ter feito aquilo em primeiro lugar.

― Eu não faço isso.

― Você só faz isso, bebê. No meu clube do vinho chamamos esse movimento de “O Felicity”. ― Fez carinho em meu rosto e eu arregalei os olhos para a informação de que minha vida amorosa virara assunto entre as amigas da minha mãe. ― Pare de namorar seus amigos!

― Tem razão, devo começar a tentar os inimigos, que irritam até a alma e são uns idiotas, cheios de atitudes moralmente questionáveis ― ironizei, e ela me olhou de cara feia por estar fazendo piada do que ela considerava um conselho sério.

― Se quer outro conselho, aproveita essa nova chance para se dar novas chances! Sair com um bonitão de sorriso arrebatador e que ache sua tagarelice fofa só porque ele te chamou, sem ter que passar meses pesando prós, contras e consequências.

― Isso não é conselho que uma mãe dê para a filha que vai morar longe, eu posso acabar esquartejada no porta malas de um carro.

― Ou pode acabar perdidamente apaixonada, com uma linda família e me dando muitos netinhos. ― Balancei a cabeça rindo, ela não tinha jeito.

― Só você, Donna Smoak. ― Beijei seu rosto. ― Meu voo sai em alguns minutos, melhor eu ir.

― Me liga quando pousar. E depois quando estiver instalada. E depois quando conhecer seu bonitão. Te amo, bebê! ― Me soprou beijos quando eu passava pelo portão de embarque.

― Te amo, mãe ― falei baixinho para mim mesma.

Eu ia sentir tanta falta dela! E não sei o porquê, mas tinha um bom pressentimento sobre Starling.

~

Soltei um resmungo frustrado quando o mesmo cliente me chamou pela terceira vez em menos de meia hora para tirar dúvida sobre o equipamento eletrônico correto a comprar. Continuar a trabalhar em pequenas lojas de informática não tinha sido o objetivo quando me mudei, mas eu tinha que começar que algum lugar. Conseguir uma vaga em grandes empresas de tecnologias era mais difícil do que eu calculei, então para conseguir me sustentar, precisava de um emprego.

Semana que vem ia fazer um mês que me mudei. Tinha conseguido alugar um pequeno apartamento três cômodos nos Glades, o que eu desconfiava não ser um bairro de tão alto nível assim, seja pelo valor baixo do aluguel, seja pela vizinhança suspeita.
Mas estava tudo até funcionando bem, já que meu trabalho também era por aqui, e eu já me sentia quase uma nativa, conhecendo um lugar onde vendia um café ótimo, uma lavanderia perto de casa e o mercadinho estranho, já que era bem pequeno, mas sempre dava pra achar de tudo.

― Mais alguma coisa? ― perguntei ao menino que olhou ao redor, parecendo em dúvida, então resolveu por deixar o resto de suas compras pra depois. ― Deu 57,15 dólares.

Fechei sua conta, ele pagou e coloquei tudo em uma sacola, me despedindo com um aceno e um sorriso simpático. E ali fora, meu primeiro cliente.

Olhei ao redor em busca de algum tipo de aprovação ou reprovação do meu chefe e supervisor, mas eu havia sido deixada sozinha na loja, depois de um treinamento de cinco minutos no primeiro dia. Um viva para esse trabalho e a completa falta de dedicação das pessoas a ele!

― Merda! ― xinguei quando, em um movimento desastroso, mas não surpreendente da minha parte, acabei espalhando duas dúzias de recibos que eu colocava em ordem em cima do balcão, uma parte voando para o meu lado, o de dentro, e parte para o lado de fora. ― Que desastre! ― Juntei todos os papéis de qualquer jeito, ficando em pé. ― E nessa hora, não tem uma alma viva para me ajudar.

― Bem, tem eu.

A voz de um completo estranho falou do outro lado do balcão, ele ainda estava abaixado limitando minha visão dele, e quando se ergueu, trazia consigo meus recibos.

Critério para namorado da Felicity segundo Donna Smoak número um: BONITÃO check.

― Isso deve ser seu. ― Colocou tudo de volta no balcão e eu só engolia seco, balançando a cabeça como uma foquinha adestrada, não conseguindo não ser indiferente à beleza dele.

O homem era lindo. Cabelos negros em um topete estiloso, nariz alinhado, lábios finos e olhos claros. De primeira pareceram azuis, mas agora, cinco segundos depois, eu não tinha certeza e não poderia continuar encarando por mais tempo sem ser estranho.

― É sim, obrigada. ― Encontrei minha própria voz para agradecer e juntar aos demais recibos.

― E isso aqui deve ser para cá. ― Puxou de debaixo do braço um envelope pardo com o nome da loja como destinatário.

― Certo mais uma vez. ― Peguei a correspondência de suas mãos. ― Desculpa, não sei se devo te dar uma gorjeta ou coisa assim.

Eu não sabia mesmo como funcionavam os sistemas de delivery por aqui, se devíamos pagar algum extra na entrega ou sei lá. Havia uma moto que não estava lá minutos atrás, então supus que devia pertencer ao estranho bonitão, me levando a deduzir que o que o fez entrar na loja foi seu papel de entregador ou motoboy. Só que ao invés de ofendê-lo ou conseguir alguma explicação, ele achou graça do que eu disse e sorriu.

Critério para namorado da Felicity segundo Donna Smoak número dois: SORRISO ARREBATADOR check.

― Qual a graça?

― Você não sabe quem eu sou?

― Você chegou a se apresentar ou fez isso durante algum dos meus blackouts e eu não lembro? ― Ele riu novamente. Pare de rir lindo assim, moço, está quase me forçando a seguir um conselho da minha mãe. Da. Minha. Mãe. ― Por que está sorrindo da minha condição de saúde? ― perguntei bem séria.

― Desculpe, eu não quis… ― Fechou o riso, preocupado, tocando meu braço. ― Isso é sério?

― É brincadeira! Relaxe, estou brincando ― o tranquilizei. ― Sou Felicity.

― Tommy. ― Estendeu a mão, que apertei.

Enquanto nos cumprimentávamos, foi que notei a logomarca na camiseta preta dele, por baixo da jaqueta, que dizia Verdant, a boate/casa de shows de luxo mais famosa do bairro.

Eu mesma nunca havia entrado naquele lugar, mas não era longe dali e mais perto ainda da minha casa, o suficiente para fazer barulho para deixar qualquer um acordado nas primeiras noites, menos se essa pessoa tivesse crescido em Las Vegas.

― Você também trabalha aí? ― Tommy franziu o cenho, então seguiu meu dedo até o V estampando o peito de sua blusa.

Devia ser mais um como eu, se dividindo em dois empregos para alcançar seus objetivos. Me identifiquei com ele e o admirei por isso.

― É, pode-se dizer assim. E você, aqui? ― Apontou para a logo na minha blusa azul do uniforme. ― Eu frequento muito a vizinhança e lembraria de você.

― Comecei hoje. Na verdade, quando me mudei, pensei em fazer melhor uso das minhas habilidades em uma grande empresa de desenvolvimento tecnológico, ou até em um laboratório como o Star Labs, mas a gente tem que pagar as contas, não é? Não que isso aqui pague muito, mas pelo menos tem convênio dentário. Não que meus dentes sejam ruins, é a vantagem que consegui achar do outro lugar que me candidatei.

― Você fala muito ― observou.

― Irritante, eu sei.

― Ia dizer fofo. ― Deu de ombros. Ok, agora isso está ficando estranho.

Critério para namorado da Felicity segundo Donna Smoak número três: ACHA MINHA TAGARELICE FOFA check.

― Bom, eu já tenho mesmo que ir ― falou, mas havia algo em seu tom de voz que dizia que ele queria ficar mais. ― Boa sorte no novo trabalho, foi um prazer te conhecer, Felicity.

― Boa sorte pra você também, Tommy.

O moreno me encarou longamente, até dar as costas, então parou na porta e voltou rápido até o balcão.

― Olha, eu sei que pode parecer precipitado, mas você quer sair comigo hoje? Eu tenho ingressos para o jogo dos Starling Rockets, eu ia com meu irmão mais velho, mas ele vai entender.

― Quer saber, que se dane.

Aceitar um convite para sair de um estranho era tão não eu, mas eu também não queria ser a garota de um movimento só. Estava na hora de aposentar "O felicity" e tentar novas coisas, e nada como uma cidade nova para começar.

― Não sei dizer se isso foi um sim ou um não.

― Me promete que não é um assassino? Ia me provar certa pra minha mãe, mas daí eu morreria, não acho que compense.

― Não sou um assassino ― afirmou com a palma erguida como um juramento, tentando segurar a risada e se manter sério.

― Me promete que seu irmão não é um assassino, ele pode ficar chateado pelos ingressos. ― Tommy deu um riso solto.

― Ele não é, relaxe. ― Seu pensamento foi para longe, como se lembrasse de algo. ― Ele vai ficar feliz em se livrar do programa, eu quase tive obrigá-lo a ir, mas se fosse com minha irmãzinha, aí você teria problemas.

Irmão nada familiar, irmã possessiva. Anotado.

― Então sim, eu saio com você.

― Ótimo. ― Pegou uma caneta e um panfleto de promoção da loja em cima do balcão, anotando algo rápido nele. ― Esse é meu telefone, me manda seu endereço por mensagem que eu te busco às… Sei lá, oito? Melhor sete e meia, o jogo começa oito.

Gostei dele ter me dado seu número e junto com isso a escolha de ainda sair com ele ou não. Eu poderia simplesmente não mandar mensagem nenhuma e aquele seria nosso último contato.

Mas não foi, porque às sete e quarenta e cinco, Tommy parou a moto na frente do meu prédio e já me buscava para o jogo, me entregando uma linda rosa branca.

~

― Para de me olhar assim ― murmurei quando caminhávamos lado a lado e eu terminava meu algodão doce, já calçada em frente ao meu prédio, quando ele se ofereceu para me deixar na porta no fim do jogo.

― Assim como?

― Assim, como se eu fosse um zumbi, um fantasma ou qualquer outro tipo de criatura que não existe.

― Opa, opa. ― Estendeu as palmas em minha direção. ― Zumbis até vai, mas acredito piamente na existência de fantasmas. Eu mesmo planejo assombrar minha família e a casa que a gente mora pra sempre.

― Nossa, Tommy, que conversa mais estranha, procura uma madeira pra bater, eu hein?! ― Entramos no prédio, que para variar, estava abandonado pelo porteiro. ― Mas diz aí, por que tá me olhando esquisito?

― Você é diferente do que parece, é bem mais.

― Como assim?

― Começando por aqui. ― Indicou o símbolo do Starling Rockets no boné azul marinho que era dele, mas eu usava. ― Você quase fez o juiz chorar do tanto que xingou a falecida mãezinha dele e era um jogo de hóquei. Os caras são meio durões em jogos de hóquei.

― Agora a culpa é minha se ele estava precisando de óculos? Ou talvez só bateram demais na cabeça dele quando ele jogava.

― É o seu terceiro algodão doce.

― Eu amo açúcar e morreria se tivesse que ficar sem. ― Dei de ombros, quando alcançamos o corredor do meu apartamento, jogando o palito do algodão doce em um lixeiro. ― Tá me criticando, Tommy, porque não vou me desculpar por isso.

― De jeito nenhum, achei incrível. Nunca saí com ninguém como você e foi… revigorante.

― Ah, tá. ― Estreitei meus olhos para ele, antes de pegar as chaves na bolsa e me virar para a abrir a porta. ― Então…

― Então, acho que está entregue, e eu já vou. ― Indicou com o polegar a saída atrás de si, mas não se moveu do lugar.

― É, obrigada pela noite. O jogo, a companhia…

― O prazer foi todo meu. E eu já vou ― repetiu, encarando meu rosto e se demorando um pouco mais na minha boca. Eu sei o que você está pensando, porque estou pensando na mesma coisa.

― Você ainda está parado ― falei em tom de segredo, me inclinando um pouco na direção dele com a palma do lado da boca, e ele riu sem graça.

― É, eu sei. Já vou.

Meu pensamento foi a mil, eu precisava tomar uma decisão. De um lado tinha minha personalidade levemente neurótica por saber sempre o que estava acontecendo e evitar surpresas, e do outro tinha Tommy, minha exceção que estava sendo uma delícia explorar.

― Mãe, se isso der muito errado, você me paga ― murmurei. ― Hey, Tommy!

― O quê?

― Isso.

Cortei a distância entre nós, até estar com as mãos em seus ombros, ficando na ponta dos pés para alcançar sua boca. Meu beijo foi prontamente retribuído, quando ele enlaçou minha cintura, me puxando para si.

― Rostinho de princesa, paladar de um estivador, surpreendente como um ataque cardíaco. ― Fez carinho em meu rosto, quando nos afastamos.

― Você é estranho. Gosto do estranho.

― E eu gosto de você. ― Ok, declaração precipitada, mas não me incomodou.
Se inclinou para me beijar mais uma vez, e quando notei a porta do meu apartamento já batia em nossas costas depois que entramos. Eu queria poder dizer que foi ele que nos conduziu para dentro e depois para o meu quarto, mas seria uma mentira.

~

Acordei com cócegas provocadas por beijos delicados subindo por minha coluna. Sorri antes mesmo de abrir os olhos, foi quando o cheiro de café fresco inundou meu olfato.

― Bom dia, princesa ― a voz grave cochichou ao meu ouvido e minha pele arrepiou toda.

A noite com Tommy estava sendo surpreendente a cada novo desenrolar. O moreno tinha aquela cara que vivia de quebrar corações por aí e não se envolvia com nada ou ninguém, então eu já meio que contava que ele fosse embora logo após todo o sexo muito, muito satisfatório. Só que ele não foi.

Então esperei que ele sumisse durante a noite e ao acordar não veria nem sinal de que ele esteve aqui, mas aqui estava ele, me acordando do jeito mais doce possível, e com direito a um café da manhã que eu não fazia ideia onde ele conseguiu. Eu não cozinhava, minha despensa estava sempre vazia.

― Você ainda está aqui.

Abri os olhos, para dar de cara com o homem que, pela manhã, era ainda mais lindo que o normal.

― Queria que eu tivesse ido embora? ― fingiu drama, me olhando ofendido.

― Imagina, vem aqui. ― O puxei para se enroscar em mim, eu, ele e a roupa de cama virando uma bagunça só enquanto trocávamos o primeiro beijo da manhã. ― Ei, por que você está todo vestido enquanto eu visto apenas um lençol? ― Observei que ele usava as roupas de ontem e estava na cara que não havia acordado agora.

― Porque a senhorita não tinha comestível na cozinha, acordei mais cedo e tive que sair pra comprar. ― Bateu com o indicador no meu nariz, o peso do seu corpo sobre o meu apoiado pelo braço.

― E você não dorme nunca, senhor?

― Só o estritamente necessário, dormir é perda de tempo, assim como continuar essa conversa. ― Esquivei de sua investida, sentando no meio do colchão, o tecido bem preso em torno do meu corpo.

― E o que você trouxe aí? ― Inspirei duas vezes para sentir melhor o cheiro.
Tommy não deixou se abalar por quase ter batido a cara na cabeceira da cama, logo levantou e pegou a bandeja, a colocando na minha frente. Havia dois tipos de pães, geleias, maçã, uva, mamão, café, suco, iogurte e granola. Exagero até pra mim, que amava comer pela manhã.

― Você convidou mais alguém? ― Gesticulei amplamente para a bandeja que nem era minha.

― Exagerei? ― Fez uma careta.

― Só um pouquinho assim. ― Mostrei meus dedos separados por uma pequena distância. ― Mas tô amando tudo isso. Então vamos deixar as frutas de lado e ir direto para os pães com geleia e café. ― Tommy riu alto, e o olhei questionando o motivo.

― Você daria cabelos brancos ao meu irmão, ele faz o tipo "você é o que você come", "legumes e verduras reinam" e tal.

― Só me parece pretensioso.

― Um pouco.

Nos minutos seguintes, enquanto eu me ocupava de comer, ele se ocupava de liberar minhas costas do lençol e beijá-las, subindo para meus ombros e pescoço. De repente o croissant perdeu toda minha atenção.

― Sério, se continuar com isso, não vou mais conseguir comer e vou arrancar suas roupas.

― Objetivo alcançado. ― Piscou charmoso, colocando a bandeja no chão e puxando o lençol de mim, e me deixando novamente completamente nua para seus olhos e toques, suas roupas indo logo em seguida.

Tommy só foi embora depois de comer… o café da manhã, e eu tive que correr para não me atrasar para meu segundo dia de trabalho.

Provavelmente nunca mais o veria. Claro, tinha a opção de ir na Verdant, ou ligar pra ele, mas não tinha certeza se era o que eu queria e precisava agora para essa nova fase.

― Em uma escala de Evans a Clooney, onde você o colocaria? Fora o meio das suas pernas.

― Mãe! ― elevei minha voz, depois olhando ao redor, já que ainda estava no trabalho.

Cheguei dez minutos atrasada, coisa que ninguém pareceu notar, e agora estava novamente sozinha, com o movimento baixo de pré-almoço me dando a chance de ligar para minha mãe.

― Quero mais informações, bebê.

― Primeiro, essa escala não é nada clara, e segundo, não vou responder isso, pelo amor de Deus.

― É o seguinte, vou querer duas fotos. Uma de rosto e outra de corpo, e na segunda ele pode estar usando apenas uma toalha ou cueca, vou te deixar guardar o mistério para si mesma ― falou como se estivesse me fazendo um favor e eu quase bati minha própria testa no balcão.

― Eu nem sei se vou vê-lo de novo ― respondi sincera.

― É o que você quer? Encontrá-lo de novo?

― Hoje de manhã não sei, talvez não, mas na hora que ele foi embora já senti falta. É estranho?

― Liga pra ele, filhinha. Estamos em um tempo que as mulheres podem fazer isso sem serem julgadas.

― Mas só faz quatro horas que nos vimos, não quero parecer… Ah, meu Deus, ele tá aqui. ― Arregalei os olhos quando o sininho da porta chamou a atenção para Tommy entrando na loja. ― Mãe, eu tenho que desligar.

― Me manda as fotos! ― Ainda a ouvi gritar, antes de desligar o telefone e sorrir disfarçando para Tommy por quase ter sido pega falando dele.

Anotação mental: nunca mandar as tais fotos. Mais um adendo: não apresentá-los tão cedo, sentia que essa possível interação só me traria problemas.

― Minha mãe. ― Apontei meio sem jeito para a celular, aguardando no bolso. ― E você está mesmo aqui. ― Dei a volta no balcão para ir ao seu encontro.

― Um perseguidor, eu sei. ― Encolheu os ombros, fazendo as vezes de garoto tímido. ― Eu te trouxe isso. ― Me estendeu uma linda flor azul, que era formada por várias menores. ― E isso. ― Se inclinou e me deu um selinho demorado. Suspirei quando ele se afastou.

― Ela é linda. Você é lindo. ― Segurei seu rosto lhe beijei mais uma vez e aquilo pareceu tranquilizá-lo em não ter me chateado por ter aparecido de surpresa.

― A gente pode conversar, você tem um intervalo ou coisa assim?

― Estava quase saindo para o meu almoço, então…

― Eu espero. ― Nem me deixou concluir.

Enquanto esperávamos o gerente para ficar na loja enquanto eu saía para meu intervalo, Tommy não parou quieto. Acho que ele tocou e leu o rótulo de metade da loja em quinze minutos, fazendo caras de confusão e desinteresse para quase tudo. Percebi que era uma coisa dele, sempre agitado, sempre procurando algo o que fazer ou pensar.

― Então… ― o incentivei a falar, quando nosso pedido na cafeteria já tinha sido feito e Tommy me encarava fixamente.

― Eu senti sua falta desde que saí da sua casa essa manhã ― confessou. ― Olha, Felicity, eu conheço o script. ― Pegou minha mão por cima da mesa. ― Não ligar logo depois do primeiro encontro, não começar nada sério antes de conhecer melhor, mas eu não consigo. Eu realmente gostei de você.

― Eu também ― assumi. Se ele estava sendo tão sincero, era o mínimo que eu deveria ser também. ― Desde ontem, eu fiz várias suposições sobre você na minha cabeça, mas você quebrou cada uma delas, se provando ser melhor.

― Eu não sou tudo isso.

― Você podia ser um babaca arrogante, mas tem essa simplicidade que não precisa de artifício algum para ser tão legal. Mas sei lá, Tommy, é tão cedo. Acabei de chegar nessa cidade, nos conhecemos a menos de 24 horas.

― Eu não preciso de mais tempo do que isso para saber que não quero mais perder tempo. Eu não quero ter que ficar ansioso se você vai querer sair comigo de novo, fingir estar passando aqui pra te ver, te enviar memes ou letras de músicas só pra puxar assunto. Eu quero estar com você, e se quer ficar comigo ou dar uma chance pra gente, pelo menos um pouquinho, namora comigo?

― Pessoas ainda pedem as outras em namoro? ― Cocei um ponto imaginário em minha testa, com apenas duas palavras, ele havia me deixado muito nervosa.

― Eu peço. ― Tommy deslizou do seu banco para sentar ao meu lado. ― E por você, Felicity, eu faria todas as cafonices do mundo, e mais. ― Pegou minhas mãos e as beijou. ― Então?

― Você ligou um alerta na minha cabeça, eu não faço nada do tipo. Mas com você, eu… Eu sinto que vale a pena arriscar.

― Você quer dizer que…

― Cafona Tommy, príncipe Tommy… Eu aceito.

Notas finais
Ok, eu sei que vocês não queriam ter lido isso, mas precisava que entendessem como as coisas tinham acontecido, e saber também o porquê de Tommy achar que o que eles tinham era algo que valia a pena ser salvo. Só conhecendo toda história dá pra ter certeza de que Tommy pode nunca ter sido a pessoa certa para Felicity, e vice-versa, mesmo que parecesse assim no começo, porque, vamos combinar, se isso não fosse uma fanfic e todo mundo já não tivesse escolhido um lado desde o início, teríamos uma pontinha de amor por esse casal aqui também. Próximo capítulo ainda vou deixar a confusão do presente suspenso e continuar nos flashbacks, mas esse vocês devem estar ansiosas para saber: o que aconteceu com Tommy por todo o tempo que foi dado como morto?! Como? Onde? Com quem? Nos vemos nos reviews! Bjs*