Notas iniciais
Olá, pessoas!! Eu e a segunda feira chegamos com mais um capítulo quentinho. Muito obrigada mesmo por todo o carinho que vocês deixam para mim e para a história nos reviews, são muito especiais mesmo. Boa leitura e até as notas finais!! Bjs*

"Cruzando Linhas"

― Felicity, Felicity! ― Eu ouvia as batidas na minha porta e o chamado longe, então apenas resolvi ignorar e virar para o outro lado. Pela luz fraca que entrava na janela, mal havia amanhecido. ― Felicity, acorda! ― Me arrastei para fora da cama quando percebi que nada faria Thea desistir.

― O que é? ― resmunguei abrindo a porta.

― Hoje é o aniversário do Ollie, vamos acordá-lo como uma surpresa? ― sugeriu animada, dando pulinhos no lugar. Ela provavelmente tinha acabado de chegar da boate e ainda estava muito pilhada.

― Ninguém gosta desse tipo de surpresas, Thea. ― Lhe dei as costas, voltando para deitar entre meus lençóis quentinhos.

― Claro que gosta. Vamos lá! ― começou a me puxar pelo braço para fora da cama.

― Eu estou uma bagunça, me deixe ao menos escovar os dentes, não quero encontrar seu irmão nessa situação! ― Me rendi aos seus comandos, não dava pra discutir com ela mesmo.

― E desde quando você se importa com o que Oliver pensa sobre sua aparência, garota eternamente de moletom? ― questionou com a voz insinuante, me seguindo até o banheiro, parando com os braços cruzados e o ombro encostado no batente. Optei por ignorar o comentário, colocando o creme dental na escova. ― Eu bem que vi vocês dois abraçados um dia no jardim, e ele segurando sua mão no dia do exame foi tão lindo! E ainda as conversas profundas sobre casamento e amor, sem contar que ficam se irritando com provocações fofas. Vocês estão se pegando escondido? ― Quase engasguei com a espuma da pasta de dentes. ― Ah, meu Deus, tá morrendo? ― Começou a distribuir tapinhas nas minhas costas, até que eu conseguisse parar de tossir. Ou parar de fingir estar tossindo, já que só fazia isso as vezes para me dar tempo para pensar em alguma resposta.

― Seu irmão me irrita, e vice-versa, não viaja, Thea.

― Não, peraí, agora que estou pensando sobre isso, não tem viagem alguma. Desde que vocês dois viraram amiguinhos, me disseram que ele sempre tem voltado para almoçar em casa, isso nunca acontecia, e quase nunca mais sai às noites, e vivem de conversinha. Provocações fofas às vezes querem dizer flerte.

― O que não é o caso. Estou grávida do seu outro irmão, esqueceu? ― Joguei uma água no rosto, arrumando os cabelos em um coque.

― E daí? Você é exatamente o que Ollie precisa, ele já terminou com duas das três amantes desde que te conheceu! Vai por mim, com Oliver Queen, isso geralmente vai na direção oposta.

― Não fantasie. ― Lhe dei dois tapinhas no ombro ao passar por ela. ― Vamos logo com isso, ainda é cedo, quero voltar a dormir.

― Ai, que notícia boa, você vai ser minha cunhada! Cunhada em dobro, super shippo! ― Bateu palminhas, me seguindo para fora do quarto.

― Thea, pare com isso, Oliver tem uma noiva! ― a alertei. Era como se eles dois sempre esquecessem da existência da mulher. ― Você quer que Laurel tenha um colapso?

― Na verdade quero, seria meu sonho. Como você adivinhou? ― Empinou o narizinho, tomando a dianteira da nossa expedição que eu tinha absoluta certeza ser uma furada. ― Quem está ficando mais velho hoj… ― Thea que gritava, congelou com a mão na maçaneta, e ao olhar por cima de seu ombro, foi vi o motivo de tê-la chocado.

― Hey, garotas.

Helena girava entre os lençóis, sozinha na cama, parecia ter acabado de acordar, usando nada além de uma daquelas calcinhas de renda preta, muito à vontade com sua nudez quase total. Os olhos azuis dela encontraram os meus, desafio emanando deles, e mais uma muda atestação de que Oliver era dela e sempre seria. Uma decepção enorme deu um nó em minha garganta.

― Meu irmão não te tinha te dado um pé na bunda por esses dias?

― Recaída de aniversário, bonitinha. Sabe, comemoração aqui, na poltrona, na banheira, no chuveiro, na cama de novo.

― Que nojo.

― Thea, acho melhor eu sair daqui ― murmurei baixinho.

― Com quem você está falan… ― O olhar de Oliver focou no meu quando saía do banheiro terminando de colocar uma camiseta branca em conjunto à sua calça de moletom cinza.

Senti meu estômago afundar, estava puta de raiva. Não que eu devesse esperar grandes coisas do caráter de Oliver, mas eu imaginava que ele estava progredindo de alguma forma. E essa Helena era a pior, ficava com ele apenas para desafiar Laurel, quem ela dizia ser sua melhor amiga, ele sabia disso. Era baixo e sujo, ele já tinha se livrado dela não fazia nem um mês, por que retornar?

― Felicity… ― Oliver começou o parecia ser uma explicação, mas não deixei.

― Vamos sair daqui, Thea. ― A puxei pelo braço, ainda a tempo de ver seu olhar ansioso e sua tentativa de nos seguir, que foi impedida pelo abraço sensual de Helena Bertineli.

~

― Felicity, para de me ignorar, por favor. ― Oliver me seguia pela sala de estar da sua casa, enquanto eu arrumava as almofadas do jeito mais aleatório possível, apenas para fingir estar ocupada com algo.

― Eu, te ignorando? Você está imaginando coisas ― respondi, sem consegui não ser cínica.

― Então conversa direito comigo, eu posso explicar o que você viu hoje de manhã. ― Segurou meu braço, me girando para ele.

― Um, duvido que possa. Dois, não precisa, você não me deve satisfação alguma do seu comportamento devasso e autodestrutivo.

― É verdade, eu estava sendo autodestrutivo, foi errado, muito errado, mas por um motiv…

― Eu não quero saber, Oliver! ― o interrompi, elevando a voz. ― É sua vida, seu aniversário, sua cama, poltrona, banheira, chuveiro, cama de novo, você fode com quem quiser! ― O loiro franziu os lábios, olhando para cima, como se pedisse ajuda celeste para o ajudar na explicação.

― Eu não devia ter caído, mas minha cabeça estava tão ferrada e quando ela apareceu…

― Caramba, que parte do "eu não quero saber" você não entendeu, que merda! ― elevei ainda mais a minha voz. ― Se está com tanta vontade de dar explicações, sua noiva deve estar chegando.

― Não é para Laurel que eu quero explicar.

― Mas é para ela que você deveria. Com licença. ― Me afastei, tirando sua mão do meu braço, e logo ouvimos o grito de "neném" vindo do hall de entrada. ― Ah, olha ela aí, uma fofa.

― Feliz aniversário, neném! ― Laurel entrou correndo e mal deu tempo de Oliver pensar antes de pular nele, as pernas em torno de seu quadril e o beijando intensamente. ― Parabéns, meu amor!

― Obrigado, Laurel ― agradeceu baixinho, a colocando no chão. ― Por que você não fica à vontade, eu vou ver se o jantar já está pronto.

O evento da noite para o aniversário de Oliver era um jantar em família. Durante a última semana ele vem recusando tudo que é ideia de Thea em animá-lo, desde uma mega festa na Verdant, viagem para o Caribe, um baile na mansão. Só uma chantagem de Moira que o fez não fugir essa noite e ficar ao menos para fazer a refeição especial com a família.

― Então, como está o mini Tommy, você deu uma engordada, não foi? ― Laurel puxou assunto e tive que usar de todas as minhas forças para não grunhir. ― Seu quadril está enorme, é normal?

― Se chama gravidez, Laurel. ― Se minha paciência com Laurel já não era essas coisas em dias normais, hoje estava especialmente curta.

― Uma amiga minha ficou grávida e quando ela estava com tipo, umas duas semanas, nem parecia que um bebê havia saído dela, super magra.

― Que bom pra ela ― respondi sem interesse. Se aquela era sua tentativa de ser simpática, estava falhando miseravelmente.

― Você tem que cuidar para não engordar demais, ou nunca vai perder todo o peso. Já teve estria, eu soube que gravidez dá muita estria e celulite. Não minha amiga, ela não teve isso.

― Claro que não teve.

― Não quero engravidar nunca. Eu e Oliver não queremos filhos, pra que, né?! Só trabalho e privação de sono, sem contar a destruição que causa aos peitos e à vagin...

― Ok, parece que interrompi um assunto bem interessante. ― Thea sentou ao meu lado. ― Oi, querida. Cadê o neném que não está participando dessa conversa tão enriquecedora?

― Ele foi ver o jantar. Quer saber, vou atrás pra ter certeza que prepararam algo livre de glúten segundo minha dieta recomenda. ― Descruzou as pernas e foi em direção à cozinha.

― Antipática, nojenta. ― Thea fez uma careta pelas costas de Laurel. ― E você, que cara de cu é essa?

― Seu irmão é um imbecil, Thea. Veio aqui me encher o saco com explicações furadas de que estava com a cabeça ferrada, por isso caiu na lábia da Helena ou sei lá.

― Na verdade, conhecendo ele, eu meio que entendi.

― Não tem desculpa, Thea, aquela piranha não o forçou a nada! Idiota, cafajeste.

― Nossa, quanta agressividade! Se não te conhecesse, diria que está com ciúmes do Ollie ― falou com uma risadinha.

― Ciúm… Ciúmes?! ― quase gritei. ― Eu não sentia ciúmes nem do Tommy, quem dirá... ― Nem terminei de falar, não devia explicações a ninguém ali. ― Outra que está particularmente irritante hoje é você, Thea.

― Epa, não mate o mensageiro! ― Ergueu as mãos em rendição. ― Está rolando sim alguma coisa, vocês dois se dando conta disso ou não.

Cruzei os braços e não falei mais nada. Aparentemente, tudo que eu dizia lhe dava margens a viajar nessa ilusão criada sobre algo romântico acontecendo entre Oliver e eu.

Quando Moira e Malcom desceram, fomos direto para o jantar, que estava com o clima muito pesado, com exceção dos comentários sem noção e depravados de Laurel. Eu poderia até tomar os créditos pela torta de climão, mas os outros quatro não estavam nem tentando parecerem felizes, o que me levou a pensar se tinha alguma coisa que eu não sabia sobre aquela data específica.

Depois, nos reunimos na sala de estar para dar os presentes ao Oliver. Sim, eu fui trouxa o bastante para ter preparado algo para ele, mas em minha defesa, foi antes dele ativar meus hormônios de grávida da raiva.

― Eu começo. ― Malcom entregou um pacote preto e enorme para ele. ― Espero que goste, e que sua secretária tenha acertado seu tamanho.

Oliver aceitou o presente e sorriu pequeno quando abriu e viu se tratar de um conjunto três peças Armani cinza chumbo completo, até com os sapatos pretos e brilhantes.

― Essas escolhi pessoalmente para você. ― O homem lhe entregou uma caixinha com a logo da Cartier. ― Mandei encrustar pedras de ônix.

― Obrigado, pai, são lindas.

Abotoaduras lindas e absurdamente caras, eu conseguia saber só pelo cheiro. Se esse era o nível de presente que rolava por aqui, eu já sentia vergonha do que havia preparado. Mas não fazia sentido eu aceitar os cartões de Thea só para comprar algo caro.

― Minha vez! ― Moira lhe entregou um envelope. Oliver franziu o cenho ao ler o conteúdo dos papéis que tirou de dentro.

― Mãe, isso não…

― Nem venha com recusas, já está no seu nome.

― O quê? O que está no seu nome, neném?

― Uma cobertura duplex no centro. Eu soube que ele estava procurando apartamento desde o ano passado, uma ligação para minha corretora e ela encontrou esse lugar maravilhoso.

O detalhe era que Oliver não estava procurando apartamento de verdade, apenas disse que estava para ser deixado em paz sobre o assunto. Estranhei um homem como ele escolher ainda morar com os pais, mas Thea fofocou comigo um dia que ele não se mudava pois sabia que no segundo seguinte Laurel apareceria de malas prontas na porta dele.

― Não acredito! ― Laurel agarrou Moira em um abraço, como se ela tivesse ganhado o presente, depois para o colo do noivo. ― Amor, vamos nos mudar antes do que previmos!

― Calma aí, querida, o apartamento é do Oliver, sai, sai. ― Thea afastou Laurel, sentando ao lado do irmão. ― Agora o meu, mano. ― Ela apenas jogou um pequeno objeto para ele, que pegou habilmente no ar. ― Uma BMW, a mais cara que tinha na loja.

― Você quer mesmo que eu te dê aquele Porsche de presente, não é?! ― Ele beijou a cabeça dela. ― Valeu, Speedy.

― Vai dirigir agora? ― Apontou para as chaves, que agora vi ter um chaveirinho de pelúcia de bichinho.

― Sabia que tinha uma intenção assim por trás de tudo. ― A olhou com crítica. ― Pode pegar, só não bata meu carro novo. ― Jogou a chave de volta para ela, um sorriso pequeno, mas sincero finalmente cobrindo o mau humor.

― O melhor de todos vem agora.

Thea, que tinha voltado ao meu lado, fez conjunto à minha cara de estranheza quando Laurel puxou uma sacola da Victoria Secrets de perto de seus pés.

A caçula não se segurou de curiosidade, e antes que Oliver abrisse o presente, ela chegou no pacote, tirando de dentro um conjunto minúsculo vermelho, rendado e transparente. Até meias e cinta liga tinha. O casal Merlyn não sabia onde enfiar a cara, e Oliver guardou tudo de volta rapidamente, enquanto Thea gargalhava mais alto do que jamais a vi fazer.

― Acho que esse tamanho não vai servir pro Oliver.

― Não seja bobinha, eu vou usar hoje à noite na nossa comemoração mais privada depois daqui ― falou sentando no colo do noivo, mordendo a orelha dele.

― Laurel, se segura, meus pais. ― Tirou ela de cima de si, e mesmo que estivesse colocando Moira e Malcom como os que ficariam mais ofendidos, seus olhos estavam em mim. Sem razão, só pra constar.

― Bom, então é isso. Vou para o meu quarto, parabéns, Oliver.

― Felicity te fez uma coisa. ― Thea me puxou de volta a sentar tão logo levantei.

― Fez? ― Ele estava de repente interessado, mas eu não ia passar pela humilhação de dar meu presente de vinte dólares no meio daqueles milhões que foram esbanjados nos últimos minutos.

― Não é nada demais, depois eu te entrego, você está ocupado. ― Tentei me justificar.

― Por favor, Felicity… É o meu aniversário. ― Levantei e lhe entreguei o embrulho que eu mesma fiz, e não tinha ficado lá essas coisas. ― Meu abraço ― falou como se não fosse nada de mais, mas eu sabia que estava usando aquilo para forçar uma aproximação, já que não conseguiu mais cedo.

O abracei a contragosto, e soltei mais rápido ainda, e se não tivesse feito, Laurel teria, com as unhas e olhos de raio laser.

― Depois você abre.

― De jeito nenhum, abra agora, filho.

― Isso aí, se fomos forçados a ver a lingerie, quero ver esse também.

― Você abriu o presente da Laurel, filha.

― Que seja. ― Thea deu de ombros. ― Abre aí, mano.

― Ok, vamos lá. ― Laurel se mantinha respirando em cima do pescoço de Oliver, curiosa para saber o que era. Sua expressão de desdém não pôde ser mais evidente quando ela viu o meu presente.

― Ah, é só um porta-retrato.

― Deixa eu ver. ― Thea pulou até lá, também movida pela curiosidade. ― Esses são Ollie e Tommy crianças? Que fofos!

― É, eu achei essa foto, mandei restaurar e emoldurar.

― Eu lembro desse dia, foi logo que nos casamos, ainda não tínhamos Thea.

― É uma linda lembrança, Felicity, meus meninos ainda quase bebês. ― Moira soava emocionada ao olhar a foto. Eles já estavam entre dez e onze anos, os braços sobre os ombros um do outro, sorrisos enormes no rosto. ― Você lembra, filho?

― Oliver? ― Malcom o chamou quando não houve resposta alguma. Só então percebi que ele não se mexia desde que abriu o presente.

― Fim da festa. ― Oliver simplesmente levantou deixando tudo e todos para trás, entrando no escritório e batendo a porta com um estrondo.

― Ué, o que deu nele? ― Laurel questionou para ninguém em particular.

― Você é desligada assim de natureza ou faz de propósito? Eu, hein, garota lerda!

― Thea, tenha modos!

― Querida, se conheço bem meu filho, ele não sai dali mais hoje. Melhor você ir para casa e conversarem amanhã ― Moira aconselhou.

― Mas…

― Vaza, Laurel!

Depois de alguma resistência e de esperar algum tempo, ela decidiu por ir embora. O casal também subiu ao seu quarto e Thea saiu, acho que foi inaugurar o carro de Oliver. E eu fiquei parada no mesmo lugar, agora tendo mais certeza do que nunca que aquele povo era meio doido e que tinha algo que não estavam me contando.

― Uau, esse carro é o máximo, vou comprar um pra mim! ― A caçula exclamou se jogando no sofá. ― Ainda por aqui, Felicity? Quer dar uma voltinha no carro do Oliver pra espairecer? ― A olhei chocada.

― Vocês são muito estranhos. Oliver dá uma crise dessas e todo mundo age como se não fosse nada? Ele ainda está trancado naquele escritório, sabia? ― Ela fechou o sorriso.

― A gente aprendeu a lidar, só isso.

― Alguém deveria falar com ele. E o pior é que nem sei qual foi o problema, eu… Foi algo que eu fiz? ― Thea suspirou.

― Mais ou menos. Hoje foi um dia atípico, a gente não costumava celebrar o aniversário do Oliver ou do Tommy, sou eu que dou as festas mais legais, eles sempre comemoravam só um com o outro.

― Como assim?

― Todo aniversário eles saiam, eu nunca soube o que faziam juntos. Hoje é o primeiro dia que isso não acontece, e Oliver não deve estar lidando bem isso. Meu irmão faz pose do cara inabalável, mas ele é bem mais sensível do que parece.

― E eu só piorei tudo com meu presente. ― Meus ombros caíram em desânimo. ― Que droga, você deveria ter me dito, Thea.

― Eu pensei que ele ia se sair bem, ele estava animado nas últimas semanas, tão diferente do introvertido carrancudo que costuma ser. Ollie não lida bem com emoções, por isso encontramos uma Helena nua em sua cama essa manhã. Fuga.

― Ele tentou me dizer… Merda.

― Ele vai ficar bem, só precisa ficar sozinho um tempo. Tão rápido quanto ele deprime, ele se recupera, vai por mim, não fique preocupada. Vou aproveitar minha noite de folga para maratonar umas séries, quer vir comigo?

― Não, valeu.

― Tudo bem então. ― Se levantou e deixou um beijo em meu rosto. ― Boa noite.

― Boa noite, Thea.

Ok, os Queen-Merlyn podiam lidar com os problemas os ignorando, mas não era assim que funcionava na casa das Smoak. Entre eu e mamãe, com certeza viria o recorde de mais palavras faladas por dia, e era assim que eu lidava.

― Oliver? ― Dei duas batidinhas, já entrando no escritório escuro. ― Oliver, cadê você?

― Me deixa sozinho, Felicity. ― A voz veio da direção da janela, e luz fraca da lua iluminou os contornos do homem sentado no chão.

― Depois que eu me desculpar.

Atravessei a escuridão, até chegar perto dele, dobrando a saia rodada do meu vestido branco para sentar no chão ao seu lado, de modo bem semelhante ao que ele fez outro dia comigo no jardim.

― Oliver…

― Você não precisa se desculpar, foi o melhor presente de todos.

― Você ganhou um carro, uma casa e uma roupa de um valor que compra um carro e uma casa.

― Eu mesmo poderia comprar aquilo tudo. Mas você… ― Quando Oliver ergueu o rosto para mim, ele estava marcado por lágrimas, como nunca imaginei vê-lo. ― Você se importa, se preocupa. Todo mundo continuou insistindo nessa merda de jantar, quando tudo que eu queria era estar com meu irmão.

― Oh, Oliver... Eu sinto muito. ― Fiz carinho em seu braço. ― E sei que não conheço como vocês eram juntos, mas posso imaginar como se sente. E sua família também entende, eles só não sabem exatamente como demonstrar isso entre si.

― Você é tão bondosa, e eu fui tão injusto antes e tão babaca com aquela situação hoje de manhã.

― Deixe isso pra lá, Oliver. ― Tirei minha mão do seu braço, eu ainda sentia raiva, e mesmo que entendesse seus motivos, não os engolia.

― Eu vou terminar tudo de vez com Helena, eu prometo. Com MacKenna e Laurel também, você está certa, sempre esteve.

― Não é da minha conta, é a sua vida.

― Uma vida melhor desde que você entrou nela. ― Oliver se arrastou alguns centímetros em minha direção, e de tão hipnotizada que eu estava por seus olhos tristes, não me afastei. ― Nossa, meu irmão teve tanta sorte!

Sem que eu sequer antecipasse que ele faria isso, Oliver segurou meu rosto e encontrou sua boca na minha. Segurei a respiração, e fechei meus olhos, sem saber o que fazer, ou onde pôr minhas mãos, as deixando livres no ar em puro choque.

Não demorou mais do que alguns segundos e não foi nada além de um prolongado encaixar de lábios, quando ele pareceu se dar conta do que havia feito. Eu tinha acabado de me deixar ser beijada pelo irmão do meu falecido namorado? Abri os olhos, para encontrar os seus culpados.

― O que você fez? ― Fiquei em pé em um rompante.

Isso foi errado, muito, muito errado.

― Desculpa, eu não devia ― pediu pesaroso encarando o chão.

― Melhor eu ir para o meu... ― Seja pela escuridão do cômodo, ou por meu corpo trêmulo, ou minha mente embaralhada, ainda esbarrei na mesa e quase derrubei uma cadeira enquanto saía. ― Boa noite. Feliz anivers… Boa noite.

E fugi dali, antes que eu mesma tivesse que lidar com o beijo que eu não esperava, mas que agora não parava de repetir em looping na minha mente.

Notas finais
Eu ouvi um aleluia?! Finalmente esse beijo saiu! Mas como será que os dois lidarão com isso a partir daqui? Já viram ali que rolou um certo arrependimento, ou culpa. Me contem como acham que será depois disso tudo. Se estiveram curtindo a história, favoritem, recomendem, deixem comentários, vocês não sabem como isso me deixa feliz. Obrigada por tudo e até mais.. Bjs*