Breakin Soul

1 Pt.2- Prólogo: Haziel


Notas iniciais
Espero que gostem.


Era difícil assimilar que aquilo estava acontecendo de verdade. Em um momento éramos duas pessoas brigando embaixo da chuva, no outro estávamos conversando no meu quarto, fingindo que bebíamos chocolate quente apenas para esquentar as mãos.



A noite misturava-se com as lágrimas derramadas pelas nuvens, os gritos de desespero dos trovões faziam com que eu desejasse chegar ao meu pequeno quarto com a maior velocidade possível. Meu guarda-chuva tremia enquanto o vento açoitava-lhe, logo estaria dentro de uma lata de lixo esperando pela doce reencarnação que seria a reciclagem. Sentindo a água penetrar por meus tênis e molhar minhas meias, parei em frente àquele posto de gasolina com luzes vermelhas e verdes piscando. Creio que minha expressão de desentendimento e curiosidade deve ter sido estampada em meu rosto, mas era algo impossível de segurar. Ele estava ali, sentado em um pequeno degrau, abraçado às suas pernas, tremendo a cada traço novo de luz que aparecia no céu, como se esses tornassem o frio cada vez mais intenso. Fitei-o curioso e dei um meio sorriso, vê-lo naquela situação era estranhamente... Estranho.



– O que você faz aí?- Perguntei franzindo as sobrancelhas enquanto ele tentava não olhar para mim.



– Esperando esse tormento acabar!



Ele estava abaixo de uma grande cobertura, mas o vento conseguia levar a água até ele, fazendo com que seu cabelo negro colasse no seu rosto. Ele tremia junto ao vento e olhava para o nada com esperanças de que aquilo acasse logo, com esperanças que eu não tentasse olhar nos seus olhos. Eu sabia que seria difícil convencê-lo a sair dali, mas tentei.



– Você vai ficar doente. Levanta daí e vem comigo.



– Até parece.



– O. K. O que foi?



– Eu só não quero ir.



– Por quê?



– Apesar de não gostar de estar embaixo dessa bagunça, chuva me lembra ela.



– Doenças também te lembram ela?



– Eu só me sinto mais próximo... – Seus olhos perderam-se por um instante– É como se eu conseguisse sentir.



Ele olhou para mim esperançoso, como se clamasse para que eu o entendesse, mal sabendo que eu lutava para focar minha atenção nele, temendo que meus sentimentos levassem-me para onde eu não gostaria de estar naquele momento. Cogitei a saborosa hipótese de ir sentar-me ao seu lado, abraçá-lo pelo ombro e pegar um resfriado junto dele, mas balancei a cabeça e disse:



– Algumas vezes é melhor tentarmos tirar essas coisas da nossa mente, só enquanto ainda dói...



Bruscamente levantou-se e me abraçou. Eu sabia que neste exato momento a chuva escondia suas lágrimas, mas o seu rosto vermelho o denunciava. Então, com uma voz chorosa, declarou para meus ouvidos e uma rua vazia:



– Você é muito importante pra mim. Agora, mais que nunca.



Seu cabelo negro foi molhado por algo diferente da chuva, e o abraço molhado foi desfeito para dar lugar ao meu braço que o puxava para perto de mim, como se eu pudesse garantir-lhe segurança através disso. O velho portão enferrujado foi aberto e segundos depois a porta fechou-se em nossas costas.

Notas finais
Sim, só posto o próximo com 20 reviews.