Breakdown

2 Breakdown 2


Notas iniciais
Viram como fui rapidinha dessa vez?
xD

Reita\'s Pov

No dia seguinte, estava esperando o pequeno no portão de sua casa. Sua mãe sabia que nós íamos juntos, afinal foi ela quem pediu para que eu o acompanhasse, já que ela não gostava que seu filho andasse sozinho. Arregalei os olhos quando vi que, ao invés de meu pequeno, foi a senhora Matsumoto que apareceu na porta.

- Hoje o Taka não vai pra escola.

- Por quê? – Perguntei, tentando disfarçar ao máximo o tom de preocupação em minha voz.

- Está gripado, vou ter que levá-lo ao médico daqui a pouco.

Droga! Eu queria ficar com ele e cuidar do meu pequenino. Eu tinha que dar um jeito de ir junto, eu não podia abandoná-lo nesse momento.

- A senhora vai levar ele de carro?

- Não, nós vamos de ônibus. Meu marido está trabalhando, e eu não posso pedir pro Takeshiro, porque ele vai estudar na casa de um amigo daqui a pouco.

- Se a senhora quiser, eu posso levá-los. Eu sei dirigir e o hospital não é tão longe. Não acho bom levar o Takanori de ônibus. Se acontecer algo e a senhora estiver sozinha com ele, vai ser complicado.

- Mas e quanto às suas aulas?

- Não se preocupe, eu tenho boas notas. Se eu faltar um dia, não vai fazer diferença.

A mulher concordou, e me abriu um belo sorriso, me convidando para entrar. Perguntou se eu gostaria de comer ou beber alguma coisa, e o cheiro do café estava delicioso. Por isso, aceitei uma xícara.

Enquanto eu bebia, ela foi até o quarto chamar o pequeno para ir até o hospital.

Takanori apareceu mais pálido do que de costume, enrolado em um casaco que parecia ter o dobro de seu tamanho. Seus cabelos estavam despenteados e eu me segurei para não correr até ele, pegá-lo no colo e levar até o carro.

Já estávamos dentro do automóvel, quando a senhora Matsumoto disse que ia pegar a bolsa que havia esquecido na cozinha, e já voltava.

Aproveitei a ausência dela e me virei para trás, preocupado com meu amorzinho, que havia se deitado no banco.

- Como você está? Por Deus, Taka! Eu te disse ontem para não sair na chuva.

- Eu deveria ter te escutado. – Me disse sorrindo, enquanto esfregava os olhos, – Meus pais não estavam em casa e chegaram bem tarde.

- E como você explicou as roupas molhadas e agora essa sua gripe?

- Eu disse que eu estava com fome, fui comprar pão e a chuva me pegou no meio do caminho.

- Eles acreditaram?

- Sim! – Me respondeu rindo, e foi interrompido por uma crise de tosse.

- Chibi, eu estou preocupado...

- É só uma gripe, Aki, eu vou ficar bem.

- Desculpem-me, garotos! Eu fui o mais rápido que pude. – Ela se virou para trás e colocou a mão na testa do filho. – Melhor irmos depressa, porque o Taka está ardendo em febre.

Sua mãe era uma boa pessoa, embora fosse um pouco preocupada e exagerada. Se ele ficasse sem dar notícias por muito tempo, ela se preocupava e até entrava em desespero. Lembro uma vez que ele quase apanhou na rua porque esqueceu o celular em casa.

O problema maior era seu pai, o maior homofóbico do Estado. Ou melhor dizendo, do país.

E seu irmão mais velho, Takeshiro seguia os passos do pai. Quantas vezes eu já o vi espancando jovens homossexuais, e ninguém fazia nada. Ao contrário, as pessoas riam e aplaudiam o feito daquele desgraçado.

Se eles descobrissem que Taka e eu estávamos juntos, tenho certeza que ele ia sofrer muito.

Assim que chegamos ao hospital, estacionei e saí depressa do carro para ajudar o pequenino a se levantar e também a caminhar.

- Deixa eu te carregar... – tentei segurá-lo em meus braços, e com as poucas forças que Taka tinha, ele me bateu e disse que podia andar sozinho.

- Filho, o rapaz só está querendo te ajudar, não precisa ser tão mal educado! – Sua mãe o repreendeu.

- Eu posso andar sozinho, mãe.

Fomos até a recepção, e enquanto a senhora Matsumoto foi preencher a ficha para que meu pequeno fosse atendido, eu me sentei com ele na sala de espera e conversamos.

- Desculpa, Rei. Eu não queria ter sido grosso naquela hora.

- Eu sei, meu amor... é que eu me desesperei em ver como você estava fraco. Como você conseguiu ficar tão mal de ontem pra hoje?

- Eu não sei... Só espero que eu não tenha que tomar injeção.

Sua mãe apareceu na sala e se sentou ao lado do filho, que encostou a cabeça em seu ombro e fechou os olhos.

Minutos depois o médico chamou.

Entrei com eles no consultório e segurei o casacão que envolvia o corpo de Taka, que não tinha nem se dado ao trabalho de tirar os pijamas e vestir outras roupas.

Eu observava atentamente todos os movimentos do médico. Se ele ousasse machucar meu pequeno ou tocá-lo de alguma forma indecente, eu juro que o mataria.

Após terminar de examinar meu pequenino, ele se sentou e começou a preencher a receita.

A mãe de Takanori o ajudou a se vestir, e assim que saímos da sala, ela me mandou ir com ele até a sala de injeções, enquanto ela iria até a farmácia, que ficava ao lado do hospital, comprar os remédios.

Fui com ele até a salinha e a enfermeira mandou que ele abaixasse as calças.

O pequeno me olhou extremamente corado, não sei se por causa da febre, ou por causa da vergonha, e disse que não ia abaixá-las.

Com muita paciência, eu consegui convencê-lo.

- Taka, é pro seu bem... abaixa só um pouco... ela não vai ficar te olhando.

- Mas eu já me sinto melhor... não preciso tomar injeção.

- Chibi, eu não estou com paciência pra ficar aqui o dia todo, e a moça também tem outras coisas pra fazer.

- Mas...

- Vamos mocinho. – Ela disse impaciente.

- Vamos logo, Taka.

Ele se deu por vencido e abaixou as calças.

- Segura minha mão?

Eu segurei sua mãozinha, enquanto a enfermeira pedia que ele relaxasse. Taka estava tão tenso e apertava tanto minha mão, que as extremidades de meus dedos estavam arroxeadas.

- Calma. Se você não relaxar nós vamos ficar aqui por um bom tempo. Olhe nos meus olhos. – O pequeno me obedeceu. – Eu prometo que não vai doer.

Ele relaxou um pouco, e a enfermeira aproveitou a situação para lhe aplicar a primeira injeção.

Quando ele sentiu a agulha penetrar, mordeu o lábio e apertou os olhos.

- Pronto! Já tomou a primeira.

Ruki me olhou quase chorando, e eu pedi para que ele agüentasse firme.

Novamente eu segurei suas mãos, que já estavam molhadas de tanto que suavam, e a enfermeira o espetou mais uma vez. Ele gemeu um pouco e algumas lágrimas escorreram de seus olhos.

Assim que ela tirou a agulha de seu corpo, eu o ajudei com as calças e passei a mão em seu rosto.

- Você prometeu que não ia doer...

- Desculpa, Taka, mas era pro seu próprio bem.

- Tudo bem. – Ele tentou rir, e foi andando devagar. Eu sabia que a injeção era dolorida, mas ele estava muito manhosinho. Que vontade de encher sua bochecha de beijos...

Sua mãe logo apareceu, e fomos para o estacionamento e entramos no carro.

Ele se deitou no banco e eu ia conversando com sua mãe, enquanto dirigia tranquilamente.

- Você é um bom motorista, Akira.

- Obrigado, senhora! Meu pai me ensinou a dirigir desde os treze anos... – dei uma pequena pausa em minhas palavras, olhei pelo espelhinho do carro para o pequeno, que estava dormindo tranquilamente no banco traseiro, e continuei a conversar – Ultimamente ele não tem me deixado dirigir muito, porque ele diz que eu acelero demais.

- Mesmo? Mas você está dirigindo tão bem e tão devagar...

- Ah, eu estou dirigindo devagar porque tem uma pessoa muito... – mordi o lábio para não dizer a verdade.

- Uma pessoa muito...?

- Uma pessoa muito doente deitada ali atrás. – Eu queria contar a verdade, queria dizer o quanto filho dela era especial para mim e o quanto eu o amava.

- Obrigado por me ajudar, Akira, você é um bom garoto. Por isso mesmo que eu confio e deixo meu pequeno ir com você para a escola.

Sorri um pouco envergonhado. Se ela soubesse o que o pequeno dela e eu aprontávamos, com certeza ela mudaria de opinião ao meu respeito.

Chegamos em casa, e eu coloquei o carro na garagem. Taka continuava adormecido, com certeza por causa dos efeitos das duas injeções.

- A senhora quer que eu o leve até o quarto? Ele deve ser pesado para carregá-lo sozinha, não é?

- Você faria isso, Akira? Por Deus, se o Taka fosse uma garota, eu gostaria que namorasse você!

Abaixei a cabeça para ela não perceber a coloração vermelha que atingiu meu rosto, e tirei o pequeno do carro com muito cuidado.

Entrei na cozinha e, para minha total decepção, Takeshiro estava lá.

- Não foi estudar? – Sua mãe lhe perguntou.

- Que nada.

- Então me faça o favor de colocar seu irmão na cama. O Akira já fez muito em levá-lo até o hospital.

- Não! Eu o levo, não tem problema. – Me intrometi entre os dois.

- Pode deixar que eu levo meu irmão. – Ele tomou o garoto de meus braços e subiu as escadas, indo para o quarto.

Droga!

- Akira, por favor, leve esses remédios até o quarto, porque daqui a pouco eu vou acordar o Taka e dar os comprimidos. Será que você me fazer só mais esse favorzinho?

- Claro!

Subi as escadas correndo e vi quando Takeshiro praticamente jogou o irmão de qualquer jeito na cama, saindo do quarto, dando de cara comigo.

- O que você veio fazer aqui?

- Vim trazer os remédios do Takanori. – Olhei para o pequeno e me revoltei. Custava aquele idiota ajeitá-lo na cama? – Seu irmão vai ficar com dores no corpo. Você não se preocupa com ele?

- Quero que ele se dane. Quem mandou sair na chuva?

- Ele me disse que foi comprar pão... – ajeitei a cabeça do pequeno no travesseiro, e aproveitei a sua situação para tocar sua testa e verificar sua temperatura. Graças a Deus ele não estava mais tão quente. Pelo menos eu sairia dali aliviado.

- Você também acreditou nessa mentira? – Ele me perguntou, rindo. – É incrível como vocês conseguem acreditar em tudo o que ele fala... eu ainda vou provar como esse baixinho é um tremendo mentiroso.

Engoli em seco e coloquei o pacotinho de remédios em cima da mesa do computador. Encarei o chão, sem coragem de olhar para Takeshiro.

- Você devia deixar seu irmão viver a vida dele, não acha?

O rapaz ergueu uma sobrancelha e se aproximou de mim.

- Você sempre vai e volta com ele pra escola, não é?

- Sim, e o que isso tem a ver?

- Por acaso você não sabe de nada? De alguma namorada escondida, ou coisa desse tipo?

- Não. – Respondi levemente irritado, tentando me controlar para que ele não notasse minha exaltação. – Eu só o levo e o trago em segurança porque sua mãe me pediu. Eu não tenho nada a ver com a vida do Takanori e não me interesso por nenhum de seus assuntos.

- Tudo bem, Akira. Mas se um dia ele comentar algo com você, me conta, certo?

- Ok, eu conto. Agora vamos sair daqui, porque ele precisa descansar.

Estávamos descendo as escadas quando Takeshiro voltou a tocar no nome do irmão.

- Qualquer dia desses, eu vou seguir o Taka e descobrir pra onde ele vai todas as vezes que não tem aula.

- Que paranóia... deixe o garoto em paz.

Despedi-me da senhora Matsumoto e fui direto para minha casa. Eu estava muito preocupado. Agora sim eu podia entender melhor o porquê Taka tinha tanto medo e procurava disfarçar ao máximo nossa relação. Seu irmão era um paranóico, e tenho certeza que ele era louco o suficiente para seguir o menor e nos pegar no flagra. Meu Deus... eu não queria nem imaginar o que aconteceria com o pequeno se nos descobrissem.

Continua

Notas finais
situação complicada a dos dois né? D:
semana que vem posto mais um ^^
beijos :**