Matteo

Entrei no hospital correndo, mas quando conversei com a recepcionista, obriguei-me a parar. Andei normalmente até a sala que haviam me indicado, e parei na porta. Hesitante, abri-a.

Taylor, Chad e Chloe estavam lá sentados nas cadeiras ao redor da maca. Chad me encarou do mesmo jeito de sempre e Taylor levantou e veio até mim.

– Oi. O-Obrigado por me avisar. Se não fosse você... Essa teimosa estaria mal em casa. – ele riu fraco e balançou a cabeça. – Valeu mesmo. – assenti e sorri de lado.

– Oi Matt. – Chloe acenou com um sorriso e eu retribui, antes de andar em direção a maca.

Corri os olhos apressadamente e focalizei Sarah. Estava dormindo. O rosto pálido, o braço esquerdo engessado, uma expressão estranha. Não parecia ser ela.

Me aproximei mais, e sorri fraco ao perceber que ela estava usando minha jaqueta. Droga, como eu queria poder cuidar dela. Levá-la pra casa e cuidar com todos os mimos possíveis.

Sarah se remexeu na cama e eu dei um passo involuntário pra trás. As coisas estavam diferentes agora. Não era como eu queria que fosse.

Aproximei-me novamente dela e passei a mão em seus cabelos ruivos antes de depositar um breve beijo em sua testa.

– Ainda amo você rossa. – sussurrei com os lábios colados em sua testa.

Era estranho estar ali, sentindo os olhos dos três em mim. Como se eu fosse machuca-la. Suspirei. Dei uma última olhada nela, e virei-me pra sair. Acenei com a cabeça para Chad, Taylor e Chloe e saí.

Queria ter a sorte deles, de poder ficar lá. Ao lado dela. Mas... As coisas não eram mais assim. Não mais.

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SARAH

– Senhorita Funke? Senhorita Funke?

– Sim?

– Telefonema do New York Times.

– Oh... Diga que estou muito ocupada agora... Mas... Retorno depois.

– Mas Sarah...

– Atendo depois.

– Sarah...

– O que é? Eu só quero dormir um pouco. – berrei agitando a mão direita no ar, antes de sentir algo me tocar. Debati-me rapidamente.

– Hey, calma ai. Sou eu. – a voz me fez abrir os olhos lentamente.

– Ai. – gemi e encarei Chloe que me analisava.

– Está se sentindo...

– Estou em casa? Mas eu estava...

– No hospital. Você apagou com os remédios que te deram pra dor. Taylor te trouxe pra casa.

– Que horas são?

– Duas horas da tarde.

– Que dia?

– Quarta feira. – assenti me remexendo devagar. Meu braço esquerdo estava engessado. E tinha uma faixa ao redor do meu corpo, cobrindo a barriga e as costas. Passei os dedos da mão direita entre o cabelos e suspirei tentando me levantar. – Fica quietinha ai vai. Fala o que você quer que eu te ajudo. SE você disser que vai pro Dinner vou te dar um soco pra você voltar a dormir. – Chloe disse e eu ri baixinho.

Levantei da cama com dificuldade, e andei até a penteadeira do meu quarto. Me olhei no espelho. Estava até bem, pra quem tinha passado a noite no hospital.

– Dei um jeito no seu cabelo e rosto, antes do Matteo chegar. Você estava horrível, não podia deixar ele...

– Matteo? Matteo foi me ver? – virei-me pra Chloe que sorriu.

– Sim. Ele que avisou ao Taylor que você poderia estar mal. Na verdade o que houve?

– O amigo dele... Eu acho... Me atropelou. O freio da minha moto não funcionou. Ele foi me ver?

– Foi. Ficou te olhando por um tempo. Depois beijou sua testa e foi embora. Ele sussurrou alguma coisa pra você, mas eu não ouvi.

– Ele foi me ver.

– Eu já disse que sim. – Chloe riu e eu mordi o lábio inferior. – Vocês brigaram? – ela perguntou depois de um tempo.

– Ele descobriu... – andei devagar até a cama. Chloe me olhou franzido a testa.

– Ele ficou bravo?

– Não. Quer dizer... Não sei... Mas... Acabou. – eu funguei colocando o cabelo pra trás.

– Sinto muito. – Chloe disse e eu a olhei.

Ficamos em silêncio por um tempo e ela sorriu fraco.

– Desculpa. Me perdoa. Eu não sei o que deu em mim. Eu... Fiquei... Sei lá... Confusa. Com Taylor e você. Taylor gosta de você, e bom... Nunca competi com ninguém... Foi estranho. Não soube como agir. Mas foi infantil. Porque Taylor e eu não tínhamos nada. Eu... – Chloe desatou a falar frases curtas, como se tentasse achar algo que fizesse sentido. Olhei-a. – Acho que não faz sentido nenhum agora. Mas... Eu amo você, Sarah. E realmente não quero mais ficar assim. Você é minha irmãzinha, e eu sei que fui idiota. Mas você tem que me dar um desconto por que... Por que... Porque eu sou a Chloe. – ela disse e eu ri.

– Estava com saudades. Sinto muito por Taylor. Também não sei o que fazer. Mas vocês vão se acertar. Taylor é apenas meu amigo. – eu disse e ela me encarou.

– Já que já estamos de bem, já chega dessa conversa né? Taylor gosta de você.

– Taylor está confuso.

– Você também.

– O que?

– Sei que vocês se beijaram. Não sentiu nadinha? – Chloe me perguntou encarando-me de sobrancelha erguida.

– A verdade? — perguntei e ela assentiu. – Logo de cara foi estranho, mas depois eu... Não posso mentir. Eu correspondi. Mas... Qual é? Taylor é lindo, inteligente, é meu amigo, e sempre esteve comigo. Eu estava triste. Estava sendo ignorada por todos vocês e ele me beijou.

– Foi ruim?

– Não. Não foi. Mas foi estranho. Porque, Taylor é como irmão pra mim, e eu não acho que qualquer coisa nesse mundo possa mudar isso. Eu o amo, e isso também é imutável, mas é como irmão. E só. – Chloe assentiu devagar e eu a olhei. — Taylor ficou com algumas garotas nesses anos, nada sério. E eu fui a única garota que ele não beijava por perto. Fui a garota que estava com ele em todo o tempo. Ele se confundir é natural. Mas... Eu sei que ele já se deu conta que somos muito melhores como amigos. – eu disse, e balancei a cabeça. – E Chloe... Eu não estou confusa. Eu amo o Matteo, e não tenho dúvida disso.

Chloe sorriu fraco e eu segurei sua mão.

– Você gosta dele? – perguntei e ela suspirou.

– Não sei...

– Chloe...

– Tá, eu gosto. – ela berrou rindo de si mesma.

– Então... Deixa de ser molenga e conquiste-o logo caramba. – eu dei um soquinho em seu ombro com minha mão boa.

– Mas...Não sei bem o que fazer. – ela riu.

– Você não precisa fazer muita coisa. É a garota mais incrível que eu conheço. – eu disse e ela sorriu largamente.

– Eu amo você, Sarita.

– Eu também te amo. – Sorri. — É bom te ter de volta. — eu disse e ele me empurrou rindo.

– Não empurra.

– Desculpa, esqueci que tu tá remendada.

– Ah meu Deus, a Chloe voltou.

– Pra ficar.

– Espero. – eu ri olhando-a.