Notas iniciais
Olá gatinhas. *------* Mais um cap.

O relógio indicou ser seis da manhã quando eu levantei da cama na quinta feira. Depois de passar tanto tempo deitada a última coisa que eu queria era ficar em casa. Mas em vez de ir pra universidade ou pro Dinner, resolvi aproveitar meu atestado para tirar o dia e terminar meu trabalho.

Depois de me arrumar, saí de casa e fui a um lugar sofisticado. A antessala bem arrumada e com cheirinho de perfume me fez olhar a todo momento para os vidros para checar minha roupa e cabelo. A secretária me mandou entrar depois de vinte minutos de espera. Fiz o que eu queria e saí satisfeita. Pra voltar precisei pegar dois ônibus, mas em vez de me cansar aproveitei para filmar e tirar fotos da paisagem que eu não via com frequência.

Precisava apenas de mais uma coisa pra preencher meu trabalho, mas não sabia bem como faze-lo. Sentei no banco da praça central e fiquei olhando o material que tinha até agora.

- Olá. – a voz sorridente me fez virar para encarar a garota bem vestida atrás de mim.

- Rachel? – encarei-a. Pra uma garota do interior ela era sofisticada demais.

- Eu. – ela sorriu. – Posso sentar.

- O banco ainda é público. – eu disse rispidamente. Ela se sentou depois de um tempo.

Fiquei encarranco duas crianças correrem ao redor do balanço a minha frente.

- Você não gosta de mim, não é? – Rachel irrompeu o silencio depois de um tempo.

- Não te conheço. Não tenho motivos pra gostar.

- Eu acho que também não devia gostar de você. Mas... Enfim... Eu gosto.

- Você nem me conhece. – eu murmurei.

- Conheço mais do que pensa. – ela disse e eu ri forçadamente. – Voce é uma boa pessoa.

- E você quem é pra estar me analisando? – eu falei alto encarando-a.

- Olha Sarah, você não tem motivos pra me odiar desse jeito. Foi você que estava ficando com o meu namorado, e nem por isso eu te odeio.

- Nem devia. Eu nem sabia que Chad tinha namorada, é ele que você tem que odiar. – eu berrei virando-me pra frente de novo. Ela ficou calada.

- Eu já o traí – ela disse baixinho e eu a olhei. – Foi a pior coisa que eu podia ter feito. Chad e eu estávamos tão bem, e eu fiz isso. Com o primo dele que era o melhor amigo dele. Eu... Engravidei do primo dele. – ela mordeu o lábio inferior. Eu a olhei boquiaberta. – Chad ficou do meu lado depois porque o primo dele foi embora depois que soube. Tem noção disso? Ele ia assumir uma criança que não era dele. – ela aumentou a voz. – Mas... Eu perdi a criança. – Ela disse de uma vez fungando.

- Sinto muito. – foi a única coisa que eu soube dizer diante daquela confissão repentina.

- Tudo bem. – ela sorriu fraco. – E então Chad ganhou uma bolsa aqui na Universidade e veio pra cá. E o resto da história voce sabe.

- Porque Chad não me contou isso?

- Porque ele não contou a ninguém. Ninguém nunca soube que eu estava grávida do primo dele. Todos pensaram que era dele. – ela disse e eu assenti. – Eu o perdoei porque ele ter ficado com você, nunca chegará aos pés do que eu fiz com ele. Chad é um cara incrível e eu o amo. E você... – ela mordeu o lábio inferior. — Eu não queria ter que te falar essas coisas, nem sei porque estou te falando isso. Mas... Chad realmente te ama. Não sabe quantas vezes ele chorou depois que vocês pararam de se falar.

- Chorou? – ela assentiu.

- Você é a melhor amiga dele. E a forma como ele ficou por sua causa, às vezes me faz sentir que ele se importa mais com você do que comigo. Eu temo por isso, mas não há nada que eu possa fazer. – ela disse encolhendo os ombros. – O que eu quero dizer é que... Chad não é um cara ruim. Nunca foi e nunca será. Chad é uma pessoa maravilhosa. E você sabe que é. Se ele errou, eu tenho uma parcela de culpa. Chad não é imune a essas confusões que a gente tem. Ele também fica confuso... E... Mesmo que isso represente uma ameaça grande pra mim... Acho que vocês deviam se perdoar. – ela disse me olhando agora.

Fiquei encarando meus dedos, inerte do tempo. Pensando em tudo o que Rachel estava falando. Mordi o lábio.

- Rachel? Eu preciso de sua ajuda. – eu falei e ela me olhou assentindo com um sorriso.

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Na sexta feira, resolvi ir a Universidade. Estava cansada de ficar em casa. Levei meu atestado e assisti às aulas. Passei na biblioteca pra pegar alguns livros e depois saí. Minha bolsa estava pesando toneladas e eu só podia carregar com uma mão.

- Oi gatinha. – Chloe apareceu pegando a bolsa.

- Oi. Obrigada.

- Tá carregando chumbo? – ela perguntou jogando a bolsa nos ombros.

- Preciso desses livros. – eu ri.

- Vem. Eu te dou uma carona pra casa.

- Não. Eu vou pro Dinner. – eu disse e ela me encarou.

- Voce tá doida? Ted te deu folga.

- Mas eu não suporto mais ficar em casa.

- E daí?

- E dai que eu quero ir trabalhar. – Eu berrei e ela revirou os olhos.

- Tomara que Ted e dê uma bronca. – ela disse enquanto entravamos no carro.

Desci no Dinner. Quando entrei o lugar estava lotado.

- Simon? O que houve? – perguntei.

- Tá tendo uma conferência ai do lado. As pessoas estão vindo comer aqui.

Assenti e fui para os fundos me vestir. Troquei de roupa e voltei para o salão. Chad e Taylor me viram e franziram a testa, mas eu os ignorei. Dois minutos depois Ted estava na minha frente.

- O que você está fazendo aqui maluca?

- Trabalhando. – eu disse e ele revirou os olhos. – Ah qual é? Você precisa de mim hoje. Relaxa. Eu to bem. – eu disse e voltei a anotar os pedidos.

Colei os post its na janela da cozinha e peguei as bandejas para servir. Enchi copos com chá gelado em duas bandejas e antes que eu fosse levar, Taylor e Chad passaram e as levaram. Depois o queijo e o presunto tinha acabado e antes que eu fosse pegar mais, Taylor e Chad os deixaram em cima do balcão. Olhei-os. Eles estavam fazendo tudo por mim. Sorri enquanto limpava o balcão.

O movimento acalmou lá pelas quatro da tarde. Jimmy me pediu dois potes de requeijão que estavam nos fundos e eu fui buscar. Peguei um, e quando inteligentemente pensei que pudesse sustentar dois apenas com uma mão, desequilibrei-me e os potes foram caindo para o lado. Mas em um movimento rápido Taylor os pegou antes que caíssem.

- Desculpa. – eu falei.

- Tudo bem. É meio óbvio que você não poderia pegar esses dois potes.

- Eu sempre pego.

- Quando você tem as duas mãos.

- Eu ainda tenho. – eu disse e ele riu baixo.

- Vou levar isso pra Jimmy.

- Tay... Espera. – eu chamei e ele me olhou. – Er... Só queria agradecer... Pelo que fez por mim. Por ter me levado ao hospital.

- Tudo bem... Eu faria isso por qualquer pessoa. – ele disse e eu assenti rápido.

- Eu sei. Mas... Obrigada por ter feito por mim. – eu sorri fraco. – É isso. – eu disse e passei a mão no gesso olhando para o chão.

- O que houve? Naquele dia? – ele perguntou voltando novamente.

- O freio da minha moto... Não sei... Falhou. Já tinha acontecido duas vezes, mas eu me esqueci de levar ao conserto. Acabei me batendo com outro motociclista e caí.

- E foi pra casa? – ele disse me olhando com a sobrancelha arqueada.

- Pensei que estava bem.

- Não estava assentindo dor?

- Estava... Mas... Pensei que ia passar logo.

- Você tem que se cuidar Sarah. – ele disse e eu assenti.

– Eu estou bem. – passei o peso do corpo para o outro pé.

- Matteo ficou preocupado.

- Eu soube.

- Ele gosta mesmo de você. Só não entendi porque ele me ligou, ao invés de ir te ver. – ele disse virando-se para ir embora. Dei um passo involuntário pra trás, sentindo meus olhos embaçarem.

- Desculpa. – eu disse e ele parou virando-se para mim rápido.

- Não quis dizer isso. – ele me olhou e eu sorri forçadamente.

- Tudo bem.

- Eu realmente não quis dizer isso.

- Tudo bem. É... Respondendo, Matteo e eu... Acabou. Ele descobriu aquela droga de investigação sobre ele. – eu falei e ele me olhou.

- Sinto muito. – ele disse e eu assenti rápido mordendo o lábio inferior. Não ia começar a chorar agora.

Taylor ficou parado me olhando, enquanto eu encarava meus pés.

- Eu estou sozinha. – eu disse baixinho. – Eu... Preciso de você. Voce é meu melhor amigo, Tay. A pessoa em quem eu mais confio. Eu...

- Sarah... – ele sussurrou e eu apertei os olhos sentindo as lágrimas caírem.

- Por favor, não me deixe. – implorei e ele franziu o cenho, me olhando.

- Sarah... – ele mordeu o lábio e apertou os olhos. Fiz o mesmo.

- Tudo bem. Tudo bem Tay. Mas... Eu to esperando. Até você estar pronto. Até que você queira... Porque eu amo muito você. – eu sussurrei virando-me para sair.

Andei rápido para a sala de funcionários e peguei minhas coisas. Saí do Dinner, enxugando o rosto com as costas da mão.

Parei no ponto de ônibus e senti meu celular vibrar.

Olhei o ecrã, apertando na mensagem.

“ Só preciso de um tempo.

Eu também te amo, e você sabe disso.

Tay.”

Notas finais
E então?????? Comentem, flores. *--------*