Break Even

5 Repita tudo para mim mais uma vez


Notas iniciais
HEEEY MY BEAUTYS!
Me desculpem pela demora, mas eu estava com um bloquei horrível, não conseguia nem escrever um parágrafo. Mas esses dias vi o último episódio de iCarly na Nick e isso me inspirou e muito, to escrevendo que nem uma doida, yeah! I CAN, FINNALY! Esse capítulo ficou grande e legal, pelo menos eu achei o/ Esse capítulo é dedicado à Marg is mine, pela linda recomendação. Obrigada batata frita o/

─ CAPÍTULO 5 ─

REPITA TUDO PARA MIM MAIS UMA VEZ

Obviamente, não fui nem um pouco com a cara da tal Emily, nem com o jeito que ela me tratou ou com o jeito que ela tratou Freddie. Era incrível o quanto ela conseguia ser atirada, balançando seu cabelo castanho e brilhoso toda vez que ele a olhava, como ela mantinha o contato físico entre eles e como sempre estava sorrindo sedutoramente. Era tudo tão... tão ridículo.

Mas, se eu não poderia ter o namorado da Carly, Emily Sander também não poderia, aliás, seria a última pessoa que poderia ter esse privilégio.

De qualquer forma, enquanto Emily verificava se o apartamento estava ok, Freddie me ajudava a tirar minhas malas do carro. Notando que havia uma boa oportunidade para conversarmos sem sermos interrompidos, decidi tirar algumas dúvidas.

─ Posso fazer uma pergunta? ─ indaguei, tirando a primeira mala.

Freddie tirou a mala que faltava, eram apenas duas, e colocou do lado da que eu peguei. Havia um ar divertido em seu rosto quando ele olhou para mim.

─ Você já fez, mas deixo você fazer outra ─ permitiu.

─ Se você está namorando com a Carly ─ comecei, um pouco temerosa. Imagina, se ele ficasse desconfiado sobre meus sentimentos? ─ por que eu vou ter que dividir o quarto com Carly e você com a Emily?

Freddie arregalou os olhos e deixou a minha mala cair no chão. Tentei ignorar que ele parecia aterrorizado ao meu lado enquanto a minha mala rolou os degraus da entrada do hotel e foi parar na calçada. E foi com extrema vergonha que assisti minha mala se abrir e todas minhas roupas intimas caírem no chão.

─ Seu idiota! ─ xinguei, ao ver ele ficar ruborizado com a cena.

Corri até onde a mala e as coisas estavam e me abaixei rapidamente, pegando todas as peças que via pela frente e guardando de qualquer jeito.

─ Me deixe ajudar ─ pediu ele, se abaixando ao meu lado. ─ Foi sem querer e além disso foi minha culpa.

─ Se você tocar em alguma calcinha minha com esses dedos nerd eu juro que te mato! ─ gritei, empurrando-o ─ Saí daqui, Benson! Saí daqui!

Cheguei mesmo a acreditar que ele teria medo de mim, porque afinal eu era Sam e ele o Freddie, e as coisas eram assim entre nós, mas nada disso. Ele me lançou um olhar completamente frio, pegou um punhado dos meus sutiãs e meias e enfiou de mal jeito na mala.

─ Você não manda mais em mim, Puckett ─ resmungou ele, se levantando antes que eu pudesse soca-lo.

Coloquei as últimas peças na mala com tanta raiva, que rasguei ao meio minha meia preferida de algodão fino. Como ele ousava falar comigo daquela forma? Como? Ele era só um nerd metido, babaca, idiota, lindo... A quem eu queria enganar? Ainda gostava dele, queria ter me jogado em seus braços no aeroporto, queria ter feito o mesmo ali, quando ele se ofereceu para me ajudar.

Afinal, eu acho que a única pessoa babaca e idiota ali era eu.

.

O apartamento era minusculo.

Ok, tinha três quartos bem espaçosos, a sala e a cozinha eram juntas e ainda sim minusculas e o banheiro (o único que teríamos de dividir entre nós seis) parecia um corredor estreito e curto. Eu estava me sentindo em uma caixa de fósforos.

Como Emily foi a primeira a entrar no apartamento, ela foi quem escolheu o quarto primeiro. E, como já era de se esperar, ela escolheu o único quarto que tinha uma banheira de hidro massagem irada no canto do quarto. Eu quis bater nela com uma vassoura e uma pá.

Mal terminei de colocar meus pertences no quarto ─ o do meio, que era o maior ─, tirei todas as minhas roupas, ficando apenas de calcinha e sutiã, me enrolei em um edredom branco e me joguei na cama, pegando no sono rapidamente. Foi um sono tranquilo, excetor por um momento em que eu tive um pesadelo que envolvia, Freddie, uma nave alienigina voadora e calcinhas igualmente voadoras.

Horas depois, que mais me pareceram minutos, senti uma mão empurrar meu braço delicadamente.

─ Não incomode e deixe um recado depois do sinal ─ resmunguei, o rosto contra o travesseiro, e fazendo uma imitação horrível de sinal de escola.

─ Sam, está na hora do jantar ─ sussurrou a voz de Freddie. ─ E é bom que você venha agora.

Sem que ele precisasse dizer mais nada, me apoiei em meus cotovelos e tentei enxerga-lo na escuridão do quarto, onde a única fonte de luz era fraca e vinha da janela que eu tinha deixado aberta.

─ Saí daqui, Freddweird ─ resmunguei, esticando o braço e empurrando ele pra longe. ─ Não quero falar com você.

Mas Freddie não saiu (ele, na verdade, não andava seguindo minhas ordens, o que era chato), ao invés disso se sentou na ponta da cama e colocou sua mão gentilmente em cima da minha perna.

─ Isso é por eu ter, supostamente, profanado suas roupas intimas? ─ indagou ele, com um ar de riso.

─ Não, é por você ter gritado no final comigo ─ admiti, jogando o edredom para o lado, e ficando de pé ─ E além disso não sei o que é “profanado”.

Esperei que ele desse uma risada e dissesse que aquilo era a minha cara, mas em vez disso seus lábios se entreabriram e ele engoliu em seco. Parecia que eu tinha começado a dançar pole dance com garotas nuas do meu lado, pela reação dele.

─ Qual o problema? ─ perguntei, colocando as mãos na cintura.

─ Fora você estar seminua na minha frente... ─ murmurou, erguendo os olhos para o meu rosto. ─ ... nada demais.

Soltei um palavrão baixinho e corri até a penteadeira, infelizmente ficava do outro lado do quarto, e peguei meu roupão laranja e o vesti rapidamente. Olhei para Freddie, e ele estava com um olhar estranho, duvidoso... como quando nós namorávamos e eu deixava ele tirar a minha blusa (calma lá, eu mantinha meu sutiã e todo o resto, até porque eu tinha só quinze anos) quando nos agarrávamos no quarto dele. Era uma lembrança e tanto...

─ Você sabe que você ainda me deve uma resposta, não é mesmo? ─ perguntei, quebrando o silêncio, e o momento, constrangedor. ─ Sobre você e a Carly.

Freddie sacudiu a cabeça, acho que era pra se recompor, e se levantou.

─ Tudo bem. Que tal depois do jantar? ─ propôs, vindo na minha direção.

Tremi por dentro só de pensar o quanto ele queria chegar perto, o quanto ele iria se aproximar, mas enquanto eu não tirasse a dúvida de se ele estava solteiro ou não, eu não iria fazer nada.

─ Claro ─ respondi rapidamente.

Abri a porta de supetão e saí, sem esperar para acompanha-lo.

O jantar não foi o décimo trabalho de Hércules como eu pensei que seria, na verdade, foi até tranquilo, com todo aquele silêncio entre eu, Freddie e Emily.

─ Carly e Gibby chegam amanhã ─ avisou Emily, quebrando o silêncio, com aquele sotaque canadense dela que me dava nos nervos. ─ Spencer vai chegar daqui a quatro dias, na sexta, Carly me disse.

─ Por que... Por que ele não vem com os outros? ─ perguntei, hesitando, ao notar o tom da voz dela. Baixei a faca rapidamente quando notei que estava cortando meu frango com força excessiva.

─ Bem, Carly não explicou direito pra mim ─ admitiu Emily, mas havia um sorriso presunçoso em seu rosto ─ Ela disse que tinha haver com... com O Deslocado Descolado Do Pedaço.

E sem mais nem menos, ela caiu na risada. Se ela já era irritante normalmente, rindo era como um beslicão bem dado na sua bochecha por aquela tia que você não gosta. Era uma risada fina, agudíssima, como lixa arranhando a parede sem parar. Sem parar nunca. E como se aquilo já não fosse chato o bastante, quando olhei de relance para Freddie ele estava sorrindo.

Ok, eu estava perdendo alguma coisa.

─ O que é tão engraçado? ─ perguntei, levemente alterada.

─ Piada interna ─ explicou ela, tocando o braço de Freddie levemente e dando um sorriso pra ele. ─ Você não entenderia.

Juro, que se ela tivesse jogado pedras em mim, teria doido menos. Eu senti como se não pertencesse a aquele lugar, a aquele jantar, a aquelas pessoas. Não como um componente a mais, ou uma visita, mas como uma intrusa.

─ Sam! ─ gritou Freddie, parecendo chocado.

Eu estava tão perdida em meus pensamentos que tinha batido com a faça no prato até ele rachar e a comida toda cair no meu colo. E tinha um filete de sangue na minha mão.

─ Ah, que ótimo! ─ exclamei empurrando o prato pra longe e ficando de pé. ─ Como se eu já não tivesse quebrado coisas o suficiente. Com licença.

Deixei Emily e Freddie, ambos boquiabertos, para trás e corri até a enorme varanda do apartamento. Dei uma olhada e percebi que tinha uma escada de incêndio, presa à parede, que levava até o jardim do hotel, então desci por ela, pulei os últimos degraus que tinha e aterrissei seguramente na grama fofa. Era incrível como eu nem consegui hesitar, apesar de ter tido um grande risco de eu ter caído.

Minha visão ficou turva e eu percebi que lágrimas estavam escorrendo pela minha bochecha, mas não parei de andar cegamente pelo jardim, e quando vi estava no parquinho. Me joguei em um dos balanços e comecei a chorar copiosamente, de cabeça baixa.

Aquela sensação horrível não era por raiva de Emily, era pelo modo que ela deixou claro que eu não fazia mais parte daquele mundo, daquele mundo onde há muito tempo atrás eu tive meu lugar mas que agora era ocupado por ela.

─ Sam! ─ chamou Freddie, atrás de mim ─ Sam!

─ Não vamos conversar sobre você e Carly agora, Nerd ─ gritei, enquanto enxugava minhas lágrimas rapidamente e tentava dar à minha voz um tom normal.

Esperei que ele simplesmente concordasse e saísse, mas ele surgiu na minha frente e me olhava de um jeito preocupado. Nem parecia o mesmo Freddie babaca e idiota do qual eu tive o prazer de namorar e odiar.

─ Não vou perguntar se está tudo bem ─ admitiu ele, se abaixando e mantendo-se sobre seus calcanhares. ─ Sei que você não está.

─ Estou muito bem, obrigada ─ retruquei, ainda sem olhar em seus olhos.

Mas, veja bem, é um do feminino usar a visão periférica, e até eu conseguia usa-lo. Mesmo sem olha-lo, percebi que ele ergueu a mão e hesitou sobre alguma coisa da qual eu não sabia, e acabou colocando-a sobre a minha perna. Não de uma forma safada, ou romântica, algo mais como apoio.

─ Uh... ─ gemeu ele, como se eu tivesse dado um soco em sua cara. ─ Não acredito que vou falar isso pra você agora, mas... sou seu amigo. Sei que não gosta de mim, me acha o maior nerd e nem deve levar minha amizade em conta, mas você sabe que quando precisar de apoio, de ajuda, eu vou estar aqui.

Por todos os defeitos que ele tinha, e ao meu ver Freddie tinha muitos, acho que sua maior qualidade derrubava todos eles. A maior qualidade de Freddie era sua bondade, o quão ele conseguia ser prestativo e leal, até mesmo comigo.

─ Você é meu amigo ─ falei baixinho, provavelmente corando que nem uma idiota. ─ E você é mesmo o maior nerd, tipo o nerd mais babaca do universo, mas isso não significa que eu não goste de você. Sei que eu costumava te odiar, mas depois do nosso namoro...

Eu realmente devia estar mesmo perdida quando disse aquilo. Nunca, ou quase nunca, eu ou Freddie mencionávamos nosso namoro um com o outro, ou com outras pessoas quando estivéssemos juntos. Freddie, talvez porque achava que o que tivera comigo era um erro, eu, porque não queria ser a idiota que ficava lembrando daquilo toda hora. E eu tinha feito, naquele momento.

─ … Os seus sentimentos mudaram em relação a mim ─ completou ele, mas acrescentando outra coisa em seguida quando eu olhei pra ele de forma assustada. ─ Digo isso, porque... hm, isso meio que aconteceu comigo também. Eu não consigo mais ver você como a antiga Sam que me odiava, eu só consigo enxergar em você a garota que disse que me amava, também. Isso tem que significar alguma coisa, não acha?

Por que eu estava começando a acreditar que aliens tomaram conta dele? Quero dizer, Freddie estava ali, falando de seus sentimentos, pra mim. Quero dizer, sou a Sam, não sou mais sentimental que uma caneta, por exemplo.

─ Ainda significa ─ admiti, mesmo que contragosto.

─ Ainda ─ ele repetiu aquela palavra como se fosse a favorita dele.

Ficamos em silêncio, por algum tempo. Olhei para ele, tão minuciosamente, e aproveitei que ele estava distraído, olhando para o céu estrelado acima de nós.

─ Eu estraguei tudo, não é? ─ indaguei, e pela primeira vez naquela noite nossos olhos se encontraram de verdade. ─ Não devia ter ido embora, ter deixado vocês.

─ E ter deixado o que você tem agora? ─ perguntou ele, parecendo surpreso. ─ Eu e Carly nunca ficamos chateados por você ter ido embora, muito pelo contrário. Sabíamos que precisávamos deixar você um pouco. Você é um espírito livre, Sam. Você vai pra longe, bem longe, mas sempre volta. O voltar é o que importa pra mim. E você voltou.

Aquilo me alegrou de uma forma tão súbita e completa, que fiquei surpresa quando percebi que estava sorrindo, um sorriso espontâneo, talvez o primeiro desde que cheguei na Itália. Freddie disse, disse com todas as letras que estava feliz por eu ter voltado, e isso melhorou e muito o meu estado. E lá estávamos, nós dois, sorrindo como bobos um para o outro, como se aquele tivesse sido o momento mais especial entre nós.

“Eu te amo”. Aquelas palavras nunca foram esquecidas por mim e elas me lembravam diariamente, a todo momento, que não haveria maior alegria como a daquele dia. Mas a de hoje chegou tão perto... se ele tivesse, ao menos, repetido aquelas palavras pra mim...

─ Já está tarde ─ resmungou ele, e eu nem ao menos percebi que suas duas mãos estavam apoiadas na minha perna, que eu estava segurando seus ombros, que estávamos inclinados demais, no que aquilo resultaria ─ Podemos falar sobre eu e Carly? É que eu...

Carly. Carly. Carly Shay. A namorada dele. Fiquei repetindo aquele mantra até me ver livre de toda aquela tensão entre eu e Freddie, e me dei conta de que, querendo ou não, ele ainda era proibido pra mim.

─ Acho que amanhã seria bom ─ falei rapidamente, me levantando e sem querer derrubando-o no chão ─ Preciso ir agora, dormir. Obrigada por todas as palavras, todos os sentimentos são recíprocos...

Freddie abriu um sorriso ao ouvir aquelas palavras e eu percebi que precisava sair dali, naquele momento ou acabaria fazendo algo da qual eu me arrependeria.

─ Boa noite ─ gritou ele, enquanto eu corria entre a escuridão.

─ Boa noite pra você também ─ gritei de volta, sem olhar pra trás.

“Eu te amo”, “Eu também te amo”.

Malditas palavras que não são repetidas.


Notas finais
A pedido de uma das batatas fritas (vcs leitoras bbys), vou colocar aqui como eu imagino a Emily e o Mike. Look this:
Emily: http://static.tvguide.com/MediaBin/Galleries/Shows/S_Z/Sd_Sh/Shameless_2010/season2/shameless-48.jpg
Mike: http://www.heatworld.com/upload/151035/jake_bugg.jpg

Até a próxima!